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O bebé tóxico

  • 0:01 - 0:04
    Ia perguntar se há algum médico na sala...
  • 0:04 - 0:05
    (Risos)
  • 0:05 - 0:06
    Não. Estou a brincar.
  • 0:06 - 0:09
    Foi há seis anos,
  • 0:09 - 0:11
    quando estava grávida
    do meu primeiro filho,
  • 0:11 - 0:15
    que descobri que o conservante mais usado
  • 0:15 - 0:17
    em produtos para bebés
  • 0:17 - 0:20
    imita o estrogénio
    quando entra no corpo humano.
  • 0:21 - 0:23
    Na realidade, é muito fácil
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    que um componente químico de um produto
  • 0:25 - 0:27
    entre no corpo humano, através da pele.
  • 0:27 - 0:29
    Estes conservantes foram encontrados
  • 0:29 - 0:31
    em tumores do cancro da mama.
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    Isso foi o início para eu realizar
    o filme, "O Bebé Tóxico".
  • 0:34 - 0:37
    Não precisei de muito tempo
  • 0:37 - 0:40
    para descobrir estatísticas surpreendentes
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    sobre este problema.
  • 0:41 - 0:44
    Uma delas é que todos nós temos
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    entre 30 a 50 mil químicos
  • 0:46 - 0:48
    no nosso corpo
  • 0:48 - 0:50
    que os nossos avós não tinham.
  • 0:50 - 0:52
    Muitos desses químicos
  • 0:52 - 0:54
    estão hoje ligados a acidentes
    cada vez mais frequentes
  • 0:54 - 0:57
    de doenças infantis crónicas
  • 0:57 - 1:00
    que ocorrem em nações industrializadas.
  • 1:00 - 1:02
    Vou apresentar algumas estatísticas.
  • 1:02 - 1:04
    Por exemplo, no Reino Unido,
  • 1:04 - 1:06
    a incidência da leucemia em crianças
  • 1:06 - 1:09
    aumentou 20% na última geração.
  • 1:09 - 1:12
    A estatística de crianças
    com cancro, nos EUA, é semelhante.
  • 1:12 - 1:16
    No Canadá, uma em cada
    dez crianças sofre de asma.
  • 1:16 - 1:19
    É um aumento quatro vezes maior.
  • 1:19 - 1:21
    Mais uma vez, uma história
    semelhante no mundo.
  • 1:21 - 1:25
    Nos EUA, porventura a estatística
    mais surpreendente,
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    é um aumento de 600% no autismo,
  • 1:28 - 1:30
    em problemas do espetro autista
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    e noutros distúrbios de aprendizagem.
  • 1:32 - 1:34
    Mais uma vez, deparamos-nos
    com uma tendência
  • 1:34 - 1:36
    na Europa e na América do Norte.
  • 1:36 - 1:39
    Nalgumas partes da Europa,
  • 1:39 - 1:42
    vemos um aumento quatro vezes maior
  • 1:42 - 1:45
    em certos defeitos genitais congénitos.
  • 1:45 - 1:47
    Curiosamente,
    um desses defeitos congénitos
  • 1:47 - 1:49
    sofreu um aumento de 200% nos EUA.
  • 1:50 - 1:52
    Um aumento estonteante
  • 1:52 - 1:54
    de doenças crónicas infantis
  • 1:54 - 1:58
    que incluem outros problemas,
    como a obesidade, a diabetes juvenil,
  • 1:58 - 2:00
    a puberdade prematura.
  • 2:00 - 2:01
    Achei espantoso que,
  • 2:01 - 2:04
    quando procurei alguém
    que pudesse falar comigo
  • 2:04 - 2:06
    e contar essas coisas a uma audiência,
  • 2:06 - 2:11
    provavelmente, uma das pessoas
    mais importantes do mundo
  • 2:11 - 2:13
    para falar sobre a toxicidade em bebés
  • 2:13 - 2:15
    seja um especialista em sapos.
  • 2:15 - 2:16
    (Risos)
  • 2:17 - 2:20
    Tyrone Hayes: Eu também fiquei surpreendido
  • 2:20 - 2:23
    por ir falar sobre pesticidas,
  • 2:23 - 2:27
    por ir falar sobre saúde pública,
  • 2:27 - 2:30
    porque nunca pensei que pudesse
    fazer qualquer coisa de útil.
  • 2:30 - 2:32
    (Risos)
  • 2:33 - 2:34
    Sapos.
  • 2:35 - 2:36
    (Risos)
  • 2:36 - 2:39
    O meu envolvimento em toda
    esta questão dos pesticidas
  • 2:39 - 2:41
    também foi uma surpresa,
  • 2:41 - 2:44
    quando fui abordado pela
    maior empresa química do mundo
  • 2:44 - 2:46
    que me pediu para avaliar
  • 2:46 - 2:49
    como a atrazina afetava
    os anfíbios, ou os meus sapos.
  • 2:49 - 2:52
    Acontece que a atrazina
    é o maior produto comercial
  • 2:52 - 2:54
    da maior empresa química do mundo.
  • 2:54 - 2:55
    É o contaminante número um
  • 2:55 - 2:58
    da água subterrânea,
    da água potável, da água da chuva.
  • 2:58 - 3:02
    Em 2003, depois do meu estudo,
    ela foi proibida na União Europeia
  • 3:02 - 3:03
    mas, nesse mesmo ano,
  • 3:03 - 3:06
    a EPA dos EUA voltou
    a registar o composto.
  • 3:07 - 3:09
    Ficámos admirados ao descobrir,
  • 3:09 - 3:11
    quando expusemos sapos
  • 3:11 - 3:13
    a níveis muito baixos de atrazina
  • 3:13 - 3:14
    — 0,1 partes por mil milhões —
  • 3:14 - 3:16
    que os animais ficavam com este aspeto.
  • 3:16 - 3:19
    Isto são as gónadas dissecadas dum animal
  • 3:19 - 3:21
    que tem dois testículos, dois ovários,
  • 3:21 - 3:23
    outro testículo grande, mais ovários,
  • 3:23 - 3:26
    o que não é normal...
  • 3:26 - 3:27
    (Risos)
  • 3:27 - 3:29
    ... mesmo para os anfíbios.
  • 3:29 - 3:32
    Nalguns casos, outra espécie,
    como a rã-leopardo norte-americana,
  • 3:32 - 3:36
    mostrou que os machos, expostos à atrazina,
    tinham ovos nos testículos.
  • 3:36 - 3:38
    Podem ver estes grandes ovos, com gemas,
  • 3:38 - 3:40
    a perfurar a superfície
    dos testículos deste macho.
  • 3:40 - 3:43
    A minha mulher diz-me,
    e de certeza que a Penelope também,
  • 3:43 - 3:45
    que não há nada
    mais doloroso do que o parto
  • 3:45 - 3:48
    — coisa que nunca experimentarei,
    pelo que não posso contradizer —
  • 3:48 - 3:51
    mas aposto que uma dúzia
    de ovos de galinha no meu testículo
  • 3:51 - 3:54
    provavelmente figurariam nos cinco mais.
  • 3:54 - 3:56
    (Risos)
  • 3:56 - 3:58
    Em estudos recentes que publicámos,
  • 3:58 - 4:01
    mostrámos que, quando expúnhamos
    estes animais à atrazina,
  • 4:01 - 4:04
    os machos desenvolviam-se
    e tornavam-se totalmente fêmeas.
  • 4:04 - 4:07
    Estes aqui são dois irmãos
    a consumar uma relação.
  • 4:07 - 4:10
    Não só estes machos genéticos
    copulam com outros machos,
  • 4:10 - 4:12
    como têm a capacidade de pôr ovos,
  • 4:12 - 4:14
    embora sejam machos genéticos.
  • 4:15 - 4:17
    A nossa hipótese
  • 4:17 - 4:19
    para a qual agora temos sustentação,
  • 4:19 - 4:21
    é que a atrazina está a causar danos
  • 4:21 - 4:23
    provocando um desequilíbrio hormonal.
  • 4:23 - 4:25
    Normalmente, os testículos
    deviam produzir testosterona,
  • 4:25 - 4:27
    a hormona masculina.
  • 4:27 - 4:30
    Mas a atrazina transforma-a numa enzima,
  • 4:30 - 4:32
    numa maquinaria, a aromatase,
  • 4:32 - 4:34
    que transforma
    a testosterona em estrogénio.
  • 4:34 - 4:36
    Assim, estes machos
    que lhe foram expostos,
  • 4:36 - 4:39
    perdem a sua testosterona,
    ficam castrados quimicamente
  • 4:39 - 4:40
    e, subsequentemente, ficam feminizados
  • 4:40 - 4:43
    porque passam a produzir
    a hormona feminina.
  • 4:43 - 4:46
    Ora bem, foi isto que me levou
    às questões ligadas aos seres humanos.
  • 4:46 - 4:48
    Porque acontece
  • 4:48 - 4:51
    que o cancro número um das mulheres,
    o cancro da mama,
  • 4:51 - 4:54
    é regulado pelo estrogénio
    e por esta enzima, a aromatase.
  • 4:54 - 4:57
    Quando se desenvolve
    uma célula cancerosa na mama,
  • 4:57 - 4:59
    a aromatase transforma
    os androgénios em estrogénios
  • 4:59 - 5:02
    e o estrogénio promove
  • 5:02 - 5:04
    o desenvolvimento do cancro
  • 5:04 - 5:06
    de modo que ele dá origem
    a um tumor e se espalha.
  • 5:06 - 5:10
    Esta aromatase é tão importante
    no cancro da mama
  • 5:10 - 5:13
    que o mais recente tratamento
    para o cancro da mama
  • 5:13 - 5:14
    é um químico chamado letrozole,
  • 5:14 - 5:17
    que bloqueia a aromatase,
    bloqueia o estrogénio,
  • 5:17 - 5:20
    de modo que, se se desenvolver
    uma célula alterada, ela não cria um tumor.
  • 5:20 - 5:22
    O que é estranho, é que continuamos
  • 5:22 - 5:25
    a usar 40 milhões de quilos de atrazina,
  • 5:25 - 5:28
    o contaminante número um
    da água potável, que faz o oposto
  • 5:28 - 5:30
    — transforma-se em aromatase,
    aumenta o estrogénio,
  • 5:30 - 5:32
    promove tumores em ratos
  • 5:32 - 5:36
    e está associada a tumores,
    cancro da mama, nos seres humanos.
  • 5:36 - 5:38
    O que é curioso é que a mesma empresa
  • 5:38 - 5:40
    que nos vendeu 40 milhões
    de quilos de atrazina,
  • 5:40 - 5:42
    a promotora do cancro da mama,
  • 5:42 - 5:45
    agora vende-nos o bloqueador
    — exatamente a mesma empresa!
  • 5:45 - 5:47
    Portanto, acho lamentável
  • 5:47 - 5:49
    que, em vez de tratarmos esta doença,
  • 5:49 - 5:52
    impedindo a exposição
    aos químicos que a promove,
  • 5:52 - 5:54
    respondamos apenas
  • 5:54 - 5:56
    metendo mais químicos no ambiente.
  • 5:57 - 5:59
    Penelope Chaffer: Falando do estrogénio,
  • 5:59 - 6:02
    um dos outros compostos
    de que Tyrone fala no filme
  • 6:02 - 6:05
    é uma coisa chamada bisfenol A, ou BPA,
  • 6:05 - 6:08
    que tem aparecido
    ultimamente, nas notícias.
  • 6:08 - 6:10
    É um plastificante.
  • 6:10 - 6:12
    É um composto que se encontra
    no plástico policarbonato,
  • 6:12 - 6:15
    que é o material
    de que são feitos os biberões.
  • 6:15 - 6:17
    O que o BPA tem de interessante
  • 6:17 - 6:20
    é que é um estrogénio tão importante
  • 6:20 - 6:22
    que é utilizado
  • 6:22 - 6:25
    como um estrogénio sintético
    na terapia por hormonas.
  • 6:25 - 6:28
    Tem havido muitos
    e muitos estudos que revelaram
  • 6:28 - 6:32
    que o BPA dos biberões dos bebés
    introduzido na fórmula,
  • 6:32 - 6:34
    introduz-se no leite
  • 6:34 - 6:35
    e, portanto, passa para os bebés.
  • 6:35 - 6:37
    Assim, estamos a dar aos bebés,
  • 6:37 - 6:39
    aos recém-nascidos, às criancinhas,
  • 6:39 - 6:41
    um estrogénio sintético.
  • 6:41 - 6:43
    Há umas duas semanas,
  • 6:43 - 6:45
    a União Europeia aprovou uma lei
  • 6:45 - 6:47
    proibindo o uso do BPA nos biberões
  • 6:47 - 6:49
    e nas canecas-biberões dos bebés.
  • 6:49 - 6:51
    Para os que não são pais,
  • 6:51 - 6:53
    uma caneca-biberão é uma coisa de plástico
  • 6:53 - 6:56
    que a criança passa a usar
    depois do biberão.
  • 6:56 - 6:58
    Mas, duas semanas antes disso,
  • 6:58 - 7:00
    o Senado dos EUA recusou-se
  • 7:00 - 7:03
    sequer a discutir a proibição do BPA
  • 7:03 - 7:06
    nos biberões e canecas-biberões de bebés.
  • 7:06 - 7:08
    Ficámos assim a perceber
  • 7:08 - 7:10
    que cabe aos pais
  • 7:10 - 7:13
    estar atentos, regulamentar e fiscalizar
  • 7:13 - 7:15
    durante toda a vida.
  • 7:15 - 7:16
    Isto é espantoso!
  • 7:17 - 7:20
    (Vídeo) Com tantos biberões de plástico
  • 7:20 - 7:22
    que transmitem o químico bisfenol A
  • 7:22 - 7:24
    demonstra-se como, por vezes,
  • 7:24 - 7:27
    só existe a consciência dos pais
  • 7:27 - 7:29
    entre os químicos e as nossas crianças.
  • 7:31 - 7:33
    O cenário dos biberões prova
  • 7:33 - 7:35
    que nós podemos impedir
    uma exposição indesejável.
  • 7:36 - 7:38
    Mas, se os pais
    não tiverem consciência disso,
  • 7:38 - 7:40
    estamos a deixar os nossos filhos
  • 7:40 - 7:42
    entregues a si mesmos.
  • 7:49 - 7:51
    TH: O que Penelope está aqui a dizer,
  • 7:51 - 7:53
    ainda é mais verdadeiro.
  • 7:53 - 7:56
    Estamos a meio da sexta extinção em massa,
  • 7:56 - 7:58
    Os cientistas estão de acordo.
  • 7:58 - 7:59
    Estamos a perder espécies na Terra
  • 7:59 - 8:02
    mais depressa do que
    a extinção dos dinossáurios
  • 8:02 - 8:04
    e na primeira linha dessa perda
    estão os anfíbios.
  • 8:04 - 8:06
    Oitenta por cento dos anfíbios
  • 8:06 - 8:08
    estão ameaçados e entram em declínio.
  • 8:08 - 8:10
    Penso, e muitos cientistas pensam
  • 8:10 - 8:13
    que os pesticidas são
    uma parte importante desse declínio.
  • 8:13 - 8:16
    Em parte, os anfíbios são
    bons indicadores e mais sensíveis
  • 8:16 - 8:18
    porque não têm proteção
    contra contaminantes na água
  • 8:18 - 8:21
    — os ovos não têm casca,
    não têm membranas
  • 8:21 - 8:22
    nem placenta,
  • 8:22 - 8:25
    A nossa invenção — quando digo "nossa"
    refiro-me aos mamíferos —
  • 8:25 - 8:27
    uma das grandes invenções foi a placenta.
  • 8:27 - 8:30
    Mas também começamos
    como organismos aquáticos.
  • 8:30 - 8:32
    Esta estrutura antiga, a placenta
  • 8:32 - 8:34
    que nos separa dos outros animais,
  • 8:34 - 8:37
    não evolui nem se adapta
    suficientemente depressa
  • 8:37 - 8:39
    porque estamos a produzir novos químicos
  • 8:39 - 8:41
    a um ritmo como nunca se viu antes.
  • 8:41 - 8:44
    A prova está nos estudos em ratos,
    de novo com a atrazina,
  • 8:44 - 8:46
    que mostram que o desequilíbrio
    de hormonas
  • 8:46 - 8:48
    gerado pela atrazina, provoca o aborto.
  • 8:48 - 8:50
    Porque a manutenção da gravidez
    depende de hormonas.
  • 8:50 - 8:52
    Se não abortam,
  • 8:52 - 8:55
    a atrazina provoca nas crias
    doenças da próstata,
  • 8:55 - 8:57
    portanto, nascem com uma doença de idosos.
  • 8:57 - 8:59
    Se não abortam,
  • 8:59 - 9:02
    a atrazina provoca nas crias
    um desenvolvimento mamário deficiente
  • 9:02 - 9:03
    devido à exposição no útero.
  • 9:03 - 9:06
    Assim, as mamas
    não se desenvolvem adequadamente.
  • 9:06 - 9:08
    Em resultado,
    quando esses ratos crescem,
  • 9:08 - 9:11
    os filhos vão sofrer de crescimento
    e desenvolvimento retardado
  • 9:11 - 9:14
    porque não produzem leite suficiente
    para alimentar as crias.
  • 9:14 - 9:16
    O ratinho que veem em baixo
    está afetado pela atrazina
  • 9:16 - 9:19
    a que a avó dele esteve exposta.
  • 9:19 - 9:22
    Dado que a vida de muitos destes químicos
  • 9:22 - 9:25
    dura gerações, anos, dezenas de anos,
  • 9:25 - 9:27
    isso significa que, neste momento,
  • 9:27 - 9:31
    estamos a afetar a saúde
    dos netos dos nossos netos
  • 9:31 - 9:34
    com coisas que lançamos hoje no ambiente.
  • 9:34 - 9:36
    Isto não é só filosofia,
    é já uma coisa conhecida.
  • 9:36 - 9:39
    Químicos como
    o dietilestilbestrol e o estrogénio,
  • 9:39 - 9:40
    o PCB, o DDT,
  • 9:40 - 9:42
    atravessam a placenta
  • 9:42 - 9:44
    e determinam efetivamente
  • 9:44 - 9:46
    a probabilidade de desenvolver
    o cancro da mama,
  • 9:46 - 9:47
    a obesidade e a diabetes,
  • 9:47 - 9:50
    ainda quando o bebé está no útero.
  • 9:50 - 9:52
    Para além disso, depois de o bebé nascer,
  • 9:52 - 9:54
    a nossa única invenção,
    enquanto mamíferos,
  • 9:54 - 9:56
    é que aleitamos os bebés
    depois do nascimento.
  • 9:56 - 9:58
    Sabemos que os químicos
  • 9:58 - 10:00
    como o DDT e o DES e a atrazina
  • 10:00 - 10:02
    também podem passar para o leite,
  • 10:02 - 10:04
    afetando de novo os bebés,
  • 10:04 - 10:05
    mesmo depois de nascerem.
  • 10:07 - 10:09
    PC: Quando Tyrone me diz
  • 10:09 - 10:11
    que a placenta é um órgão antigo,
  • 10:11 - 10:13
    fiquei a pensar:
  • 10:13 - 10:15
    "Como é que isso se demonstra?"
  • 10:15 - 10:16
    "Como é que mostramos isso?"
  • 10:16 - 10:18
    Quando fazemos um filme como este,
  • 10:18 - 10:21
    ficamos a tentar visualizar a ciência
  • 10:21 - 10:23
    para a qual não há visualização.
  • 10:23 - 10:26
    E tenho que tomar um pouco
    de liberdade artística.
  • 10:26 - 10:28
    (Vídeo)
  • 10:31 - 10:33
    (Toque de telefone)
  • 10:36 - 10:38
    Controlo da placenta.
  • 10:39 - 10:40
    O que é?
  • 10:40 - 10:41
    (Fala do telefone)
  • 10:41 - 10:42
    Oh, o quê?
  • 10:43 - 10:44
    (Ressonar)
  • 10:46 - 10:47
    (Buzina)
  • 10:49 - 10:51
    (Fala do telefone)
  • 10:51 - 10:53
    Perf-perf-perf...
  • 10:53 - 10:55
    O quê?
  • 10:55 - 10:56
    (Fala do telefone)
  • 10:57 - 11:02
    Per-flu-oro-octa-noi-co. Ácido?
  • 11:04 - 11:06
    Ceguinho eu seja...
  • 11:06 - 11:08
    Nunca ouvi falar.
  • 11:10 - 11:13
    PC: Eu cá também não,
  • 11:13 - 11:15
    antes de começar a fazer este filme.
  • 11:15 - 11:18
    Quando percebi que os químicos
    podem atravessar a placenta
  • 11:18 - 11:21
    e passar para a criança
    que ainda não nasceu,
  • 11:21 - 11:23
    comecei a pensar:
  • 11:23 - 11:25
    O que é que o meu feto me diria?
  • 11:25 - 11:29
    O que é que as crianças
    ainda por nascer nos diriam
  • 11:29 - 11:32
    quando ficam expostos,
  • 11:32 - 11:35
    como acontece todos os dias,
    dia após dia?
  • 11:35 - 11:38
    (Vídeo)
  • 11:54 - 11:55
    Hoje,
  • 11:55 - 12:00
    apanhei uns octifenóis,
  • 12:00 - 12:02
    uns almíscares artificiais
  • 12:02 - 12:06
    e um pouco de bisfenol A.
  • 12:06 - 12:08
    Ajudem-me.
  • 12:12 - 12:15
    PC: É uma noção muito profunda
  • 12:15 - 12:17
    saber que nós, enquanto mulheres,
  • 12:17 - 12:19
    estamos na vanguarda disto.
  • 12:19 - 12:21
    Este é um problema nosso,
  • 12:21 - 12:24
    porque apanhamos com estes compostos
    durante toda a vida
  • 12:24 - 12:27
    e agora estamos a despejá-los
    para os nossos filhos
  • 12:27 - 12:29
    que ainda não nasceram.
  • 12:30 - 12:33
    Com efeito,
    estamos a poluir os nossos filhos.
  • 12:34 - 12:38
    Isto foi uma coisa que me entrou
    em casa o ano passado
  • 12:38 - 12:40
    quando descobri que estava grávida.
  • 12:40 - 12:42
    O primeiro exame revelou
  • 12:42 - 12:45
    que o meu bebé tinha
    um defeito de nascença,
  • 12:45 - 12:47
    associado à exposição
  • 12:47 - 12:50
    de químicos estrogénicos no útero.
  • 12:50 - 12:53
    O segundo exame
    não detetou o batimento cardíaco.
  • 12:53 - 12:56
    Por isso, a morte do meu filho,
    a morte do meu bebé
  • 12:56 - 13:00
    levou para minha casa o eco
    do que eu estava a fazer neste filme.
  • 13:00 - 13:01
    Por vezes é uma situação estranha
  • 13:01 - 13:04
    quando o comunicador
    passa a fazer parte da história.
  • 13:04 - 13:06
    Não tencionava fazer isso
    inicialmente.
  • 13:06 - 13:08
    Quando Tyrone fala
  • 13:08 - 13:12
    sobre o feto estar encurralado
    num ambiente contaminado,
  • 13:12 - 13:15
    este é o meu ambiente contaminado.
  • 13:16 - 13:18
    Este é o meu bebé tóxico.
  • 13:18 - 13:21
    Isso é uma coisa
  • 13:21 - 13:25
    que é profunda e triste,
  • 13:25 - 13:27
    mas espantosa,
  • 13:27 - 13:29
    porque muitas de nós não sabem disso.
  • 13:32 - 13:34
    TH: Uma das coisas que
    é excitante e apropriada,
  • 13:34 - 13:36
    para mim, estar aqui no TEDWomen,
  • 13:36 - 13:40
    foi resumida melhor a noite passada
    ao jantar, quando alguém disse:
  • 13:40 - 13:43
    "Vira-te para o homem ao
    teu lado e diz-lhe:
  • 13:43 - 13:45
    "'Quando a revolução começar,
    nós estaremos atentos'".
  • 13:45 - 13:47
    A verdade é, caras mulheres,
  • 13:47 - 13:50
    há muito tempo que vocês
    estão atentas a esta questão,
  • 13:50 - 13:52
    com "Primavera Silenciosa"
    de Rachel Carson,
  • 13:52 - 13:54
    "Our Stolen Future" de Theo Colborn
  • 13:54 - 13:56
    e os livros de Sandra Steingraber
  • 13:56 - 13:59
    "Living Downstream" e "Having Faith."
  • 13:59 - 14:02
    Talvez seja a ligação
    com a geração seguinte
  • 14:02 - 14:05
    — como a minha mulher
    e a minha linda filha, há 13 anos —
  • 14:05 - 14:07
    talvez seja esta ligação
  • 14:07 - 14:11
    que torna as mulheres ativistas
    nesta área em particular.
  • 14:11 - 14:13
    Mas quero dizer aos homens aqui presentes:
  • 14:13 - 14:15
    o perigo não é só
    para as mulheres e crianças.
  • 14:15 - 14:18
    Os testículos dos sapos
    que foram expostos à atrazina
  • 14:18 - 14:20
    estão cheios de buracos
    e de espaços vazios,
  • 14:20 - 14:22
    por causa do desequilíbrio hormonal
  • 14:22 - 14:25
    que, em vez de permitir
    a produção de esperma
  • 14:25 - 14:26
    como neste testículo aqui,
  • 14:26 - 14:28
    os canais testiculares ficam vazios
  • 14:28 - 14:30
    e a fertilidade diminui até aos 50 %.
  • 14:30 - 14:33
    Não é só o meu trabalho com anfíbios.
  • 14:33 - 14:35
    Na Europa, há trabalhos
    semelhantes com peixes.
  • 14:35 - 14:38
    Buracos em testículos
    e ausência de esperma em répteis,
  • 14:38 - 14:40
    num grupo da América do Sul
  • 14:40 - 14:42
    e ausência de esperma
    nos canais testiculares
  • 14:42 - 14:44
    também em ratos.
  • 14:44 - 14:46
    Não fazemos estas experiências
    em seres humanos,
  • 14:46 - 14:48
    mas, por coincidência,
  • 14:48 - 14:49
    um colega meu demonstrou
  • 14:49 - 14:53
    que homens com um nível baixo
    de esperma, um sémen de baixa qualidade
  • 14:53 - 14:55
    têm maior quantidade de atrazina na urina.
  • 14:55 - 14:58
    São homens que vivem
    numa comunidade agrícola.
  • 14:59 - 15:02
    Os homens que trabalham na agricultura
  • 15:02 - 15:04
    têm níveis muito mais altos de atrazina.
  • 15:04 - 15:06
    E os homens que aplicam a atrazina
  • 15:06 - 15:09
    ainda têm níveis mais altos
    de atrazina na urina
  • 15:09 - 15:12
    que chegam a 24 000 vezes mais
    do que os ativos que conhecemos
  • 15:12 - 15:14
    e que está presente
    na urina desses homens.
  • 15:14 - 15:18
    Claro que a maioria, 90%, são mexicanos,
    méxico-americanos.
  • 15:18 - 15:20
    e não é só à atrazina
    que eles estão expostos.
  • 15:20 - 15:22
    Estão expostos a químicos
    como a cloropicrina,
  • 15:22 - 15:25
    que foi usada inicialmente
    como um gás neurotóxico.
  • 15:25 - 15:28
    Muitos destes trabalhadores
    têm uma esperança de vida de apenas 50%
  • 15:28 - 15:32
    Não devia surpreender que as coisas
    que acontecem na Natureza
  • 15:32 - 15:34
    também nos estejam a avisar,
  • 15:34 - 15:36
    tal como Rachel Carson e outros avisaram.
  • 15:36 - 15:39
    Como é evidente neste diapositivo
    do Lago Nabugago no Uganda,
  • 15:39 - 15:41
    os resíduos agrícolas destas culturas,
  • 15:41 - 15:43
    que vão parar àqueles baldes,
  • 15:43 - 15:47
    são a única fonte de água para beber,
    cozinhar e tomar banho desta aldeia,
  • 15:47 - 15:48
    Se eu disser aos homens da aldeia
  • 15:48 - 15:50
    que os sapos têm
    uma fraca função imunológica
  • 15:50 - 15:52
    e ovos a crescer nos testículos,
  • 15:52 - 15:56
    a ligação entre a saúde ambiental
    e a saúde pública ficaria clara.
  • 15:56 - 15:59
    Quem não deixará de beber água
    se souber que há este impacto
  • 15:59 - 16:01
    sobre a vida dos que lá vivem?
  • 16:01 - 16:03
    O problema na minha aldeia, em Oakland,
  • 16:03 - 16:05
    como na maior parte das nossas aldeias,
  • 16:05 - 16:07
    é que não vemos essa ligação.
  • 16:07 - 16:09
    Abrimos a torneira, a água sai,
    julgamos que é seguro
  • 16:09 - 16:12
    e partimos do princípio
    que dominamos o nosso ambiente,
  • 16:12 - 16:14
    em vez de fazermos parte dele.
  • 16:15 - 16:17
    PC: Assim, não é difícil perceber
  • 16:17 - 16:19
    que isto é uma questão ambiental.
  • 16:19 - 16:23
    Estou sempre a pensar, vezes sem conta,
  • 16:23 - 16:24
    nesta questão.
  • 16:25 - 16:28
    Sabemos tanta coisa sobre
    o aquecimento global e a alteração do clima
  • 16:28 - 16:30
    e, no entanto, não fazemos ideia
  • 16:30 - 16:33
    daquilo a que chamamos
    ambientalismo interno.
  • 16:33 - 16:34
    Sabemos o que andamos a espalhar,
  • 16:34 - 16:36
    temos uma ideia das suas repercussões
  • 16:36 - 16:38
    mas somos muito ignorantes quanto à ideia
  • 16:38 - 16:40
    do que acontece, quando pomos coisas,
  • 16:40 - 16:43
    — ou as coisas são postas —
    no nosso corpo.
  • 16:43 - 16:44
    É a sensação que tenho
  • 16:44 - 16:47
    e estou aqui para vos instar a saber isso,
  • 16:47 - 16:49
    à medida que nós, mulheres, avançamos
  • 16:49 - 16:51
    enquanto comunicadoras,
  • 16:51 - 16:54
    mas também enquanto
    as que suportam esta carga
  • 16:54 - 16:56
    de gerar as crianças,
    de criar as crianças.
  • 16:56 - 17:00
    Temos o maior poder de compra na família
  • 17:00 - 17:02
    vamos ter que ser nós a avançar
  • 17:02 - 17:06
    para divulgar o trabalho de Tyrone
    e de outros cientistas por todo o mundo.
  • 17:06 - 17:08
    Exorto-vos
  • 17:08 - 17:10
    que, quando pensarmos
    nas questões ambientais,
  • 17:10 - 17:12
    nos lembremos que
    não se trata só de glaciares
  • 17:12 - 17:14
    e de calotas de gelo a derreter-se,
  • 17:14 - 17:16
    trata-se também dos nossos filhos.
  • 17:16 - 17:17
    Obrigada.
  • 17:17 - 17:20
    (Aplausos)
Title:
O bebé tóxico
Speaker:
Tyrone Hayes + Penelope Jagessar Chaffer
Description:

A realizadora Penelope Jagessar Chaffer ficou com curiosidade sobre os tóxicos a que esteve exposta durante a sua gravidez: afetariam o seu bebé ainda por nascer? Pediu ao cientista Tyrone Hayes que a informasse sobre um químico que ele tinha estudado de perto: a atrazina, um herbicida usado no milho. (Hayes, especialista em anfíbios, é também um crítico da atrazina, que tem um efeito prejudicial no desenvolvimento dos sapos). Juntos no palco no TEDWomen, Hayes e Chaffer contam a sua história.

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English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
17:28
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for The toxic baby
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Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for The toxic baby
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Isabel Vaz Belchior edited Portuguese subtitles for The toxic baby
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