O bebé tóxico
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0:01 - 0:04Ia perguntar se há algum médico na sala...
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0:04 - 0:05(Risos)
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0:05 - 0:06Não. Estou a brincar.
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0:06 - 0:09Foi há seis anos,
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0:09 - 0:11quando estava grávida
do meu primeiro filho, -
0:11 - 0:15que descobri que o conservante mais usado
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0:15 - 0:17em produtos para bebés
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0:17 - 0:20imita o estrogénio
quando entra no corpo humano. -
0:21 - 0:23Na realidade, é muito fácil
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0:23 - 0:25que um componente químico de um produto
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0:25 - 0:27entre no corpo humano, através da pele.
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0:27 - 0:29Estes conservantes foram encontrados
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0:29 - 0:31em tumores do cancro da mama.
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0:31 - 0:34Isso foi o início para eu realizar
o filme, "O Bebé Tóxico". -
0:34 - 0:37Não precisei de muito tempo
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0:37 - 0:40para descobrir estatísticas surpreendentes
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0:40 - 0:41sobre este problema.
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0:41 - 0:44Uma delas é que todos nós temos
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0:44 - 0:46entre 30 a 50 mil químicos
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0:46 - 0:48no nosso corpo
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0:48 - 0:50que os nossos avós não tinham.
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0:50 - 0:52Muitos desses químicos
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0:52 - 0:54estão hoje ligados a acidentes
cada vez mais frequentes -
0:54 - 0:57de doenças infantis crónicas
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0:57 - 1:00que ocorrem em nações industrializadas.
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1:00 - 1:02Vou apresentar algumas estatísticas.
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1:02 - 1:04Por exemplo, no Reino Unido,
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1:04 - 1:06a incidência da leucemia em crianças
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1:06 - 1:09aumentou 20% na última geração.
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1:09 - 1:12A estatística de crianças
com cancro, nos EUA, é semelhante. -
1:12 - 1:16No Canadá, uma em cada
dez crianças sofre de asma. -
1:16 - 1:19É um aumento quatro vezes maior.
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1:19 - 1:21Mais uma vez, uma história
semelhante no mundo. -
1:21 - 1:25Nos EUA, porventura a estatística
mais surpreendente, -
1:25 - 1:28é um aumento de 600% no autismo,
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1:28 - 1:30em problemas do espetro autista
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1:30 - 1:32e noutros distúrbios de aprendizagem.
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1:32 - 1:34Mais uma vez, deparamos-nos
com uma tendência -
1:34 - 1:36na Europa e na América do Norte.
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1:36 - 1:39Nalgumas partes da Europa,
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1:39 - 1:42vemos um aumento quatro vezes maior
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1:42 - 1:45em certos defeitos genitais congénitos.
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1:45 - 1:47Curiosamente,
um desses defeitos congénitos -
1:47 - 1:49sofreu um aumento de 200% nos EUA.
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1:50 - 1:52Um aumento estonteante
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1:52 - 1:54de doenças crónicas infantis
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1:54 - 1:58que incluem outros problemas,
como a obesidade, a diabetes juvenil, -
1:58 - 2:00a puberdade prematura.
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2:00 - 2:01Achei espantoso que,
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2:01 - 2:04quando procurei alguém
que pudesse falar comigo -
2:04 - 2:06e contar essas coisas a uma audiência,
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2:06 - 2:11provavelmente, uma das pessoas
mais importantes do mundo -
2:11 - 2:13para falar sobre a toxicidade em bebés
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2:13 - 2:15seja um especialista em sapos.
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2:15 - 2:16(Risos)
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2:17 - 2:20Tyrone Hayes: Eu também fiquei surpreendido
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2:20 - 2:23por ir falar sobre pesticidas,
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2:23 - 2:27por ir falar sobre saúde pública,
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2:27 - 2:30porque nunca pensei que pudesse
fazer qualquer coisa de útil. -
2:30 - 2:32(Risos)
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2:33 - 2:34Sapos.
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2:35 - 2:36(Risos)
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2:36 - 2:39O meu envolvimento em toda
esta questão dos pesticidas -
2:39 - 2:41também foi uma surpresa,
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2:41 - 2:44quando fui abordado pela
maior empresa química do mundo -
2:44 - 2:46que me pediu para avaliar
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2:46 - 2:49como a atrazina afetava
os anfíbios, ou os meus sapos. -
2:49 - 2:52Acontece que a atrazina
é o maior produto comercial -
2:52 - 2:54da maior empresa química do mundo.
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2:54 - 2:55É o contaminante número um
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2:55 - 2:58da água subterrânea,
da água potável, da água da chuva. -
2:58 - 3:02Em 2003, depois do meu estudo,
ela foi proibida na União Europeia -
3:02 - 3:03mas, nesse mesmo ano,
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3:03 - 3:06a EPA dos EUA voltou
a registar o composto. -
3:07 - 3:09Ficámos admirados ao descobrir,
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3:09 - 3:11quando expusemos sapos
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3:11 - 3:13a níveis muito baixos de atrazina
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3:13 - 3:14— 0,1 partes por mil milhões —
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3:14 - 3:16que os animais ficavam com este aspeto.
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3:16 - 3:19Isto são as gónadas dissecadas dum animal
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3:19 - 3:21que tem dois testículos, dois ovários,
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3:21 - 3:23outro testículo grande, mais ovários,
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3:23 - 3:26o que não é normal...
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3:26 - 3:27(Risos)
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3:27 - 3:29... mesmo para os anfíbios.
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3:29 - 3:32Nalguns casos, outra espécie,
como a rã-leopardo norte-americana, -
3:32 - 3:36mostrou que os machos, expostos à atrazina,
tinham ovos nos testículos. -
3:36 - 3:38Podem ver estes grandes ovos, com gemas,
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3:38 - 3:40a perfurar a superfície
dos testículos deste macho. -
3:40 - 3:43A minha mulher diz-me,
e de certeza que a Penelope também, -
3:43 - 3:45que não há nada
mais doloroso do que o parto -
3:45 - 3:48— coisa que nunca experimentarei,
pelo que não posso contradizer — -
3:48 - 3:51mas aposto que uma dúzia
de ovos de galinha no meu testículo -
3:51 - 3:54provavelmente figurariam nos cinco mais.
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3:54 - 3:56(Risos)
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3:56 - 3:58Em estudos recentes que publicámos,
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3:58 - 4:01mostrámos que, quando expúnhamos
estes animais à atrazina, -
4:01 - 4:04os machos desenvolviam-se
e tornavam-se totalmente fêmeas. -
4:04 - 4:07Estes aqui são dois irmãos
a consumar uma relação. -
4:07 - 4:10Não só estes machos genéticos
copulam com outros machos, -
4:10 - 4:12como têm a capacidade de pôr ovos,
-
4:12 - 4:14embora sejam machos genéticos.
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4:15 - 4:17A nossa hipótese
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4:17 - 4:19para a qual agora temos sustentação,
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4:19 - 4:21é que a atrazina está a causar danos
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4:21 - 4:23provocando um desequilíbrio hormonal.
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4:23 - 4:25Normalmente, os testículos
deviam produzir testosterona, -
4:25 - 4:27a hormona masculina.
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4:27 - 4:30Mas a atrazina transforma-a numa enzima,
-
4:30 - 4:32numa maquinaria, a aromatase,
-
4:32 - 4:34que transforma
a testosterona em estrogénio. -
4:34 - 4:36Assim, estes machos
que lhe foram expostos, -
4:36 - 4:39perdem a sua testosterona,
ficam castrados quimicamente -
4:39 - 4:40e, subsequentemente, ficam feminizados
-
4:40 - 4:43porque passam a produzir
a hormona feminina. -
4:43 - 4:46Ora bem, foi isto que me levou
às questões ligadas aos seres humanos. -
4:46 - 4:48Porque acontece
-
4:48 - 4:51que o cancro número um das mulheres,
o cancro da mama, -
4:51 - 4:54é regulado pelo estrogénio
e por esta enzima, a aromatase. -
4:54 - 4:57Quando se desenvolve
uma célula cancerosa na mama, -
4:57 - 4:59a aromatase transforma
os androgénios em estrogénios -
4:59 - 5:02e o estrogénio promove
-
5:02 - 5:04o desenvolvimento do cancro
-
5:04 - 5:06de modo que ele dá origem
a um tumor e se espalha. -
5:06 - 5:10Esta aromatase é tão importante
no cancro da mama -
5:10 - 5:13que o mais recente tratamento
para o cancro da mama -
5:13 - 5:14é um químico chamado letrozole,
-
5:14 - 5:17que bloqueia a aromatase,
bloqueia o estrogénio, -
5:17 - 5:20de modo que, se se desenvolver
uma célula alterada, ela não cria um tumor. -
5:20 - 5:22O que é estranho, é que continuamos
-
5:22 - 5:25a usar 40 milhões de quilos de atrazina,
-
5:25 - 5:28o contaminante número um
da água potável, que faz o oposto -
5:28 - 5:30— transforma-se em aromatase,
aumenta o estrogénio, -
5:30 - 5:32promove tumores em ratos
-
5:32 - 5:36e está associada a tumores,
cancro da mama, nos seres humanos. -
5:36 - 5:38O que é curioso é que a mesma empresa
-
5:38 - 5:40que nos vendeu 40 milhões
de quilos de atrazina, -
5:40 - 5:42a promotora do cancro da mama,
-
5:42 - 5:45agora vende-nos o bloqueador
— exatamente a mesma empresa! -
5:45 - 5:47Portanto, acho lamentável
-
5:47 - 5:49que, em vez de tratarmos esta doença,
-
5:49 - 5:52impedindo a exposição
aos químicos que a promove, -
5:52 - 5:54respondamos apenas
-
5:54 - 5:56metendo mais químicos no ambiente.
-
5:57 - 5:59Penelope Chaffer: Falando do estrogénio,
-
5:59 - 6:02um dos outros compostos
de que Tyrone fala no filme -
6:02 - 6:05é uma coisa chamada bisfenol A, ou BPA,
-
6:05 - 6:08que tem aparecido
ultimamente, nas notícias. -
6:08 - 6:10É um plastificante.
-
6:10 - 6:12É um composto que se encontra
no plástico policarbonato, -
6:12 - 6:15que é o material
de que são feitos os biberões. -
6:15 - 6:17O que o BPA tem de interessante
-
6:17 - 6:20é que é um estrogénio tão importante
-
6:20 - 6:22que é utilizado
-
6:22 - 6:25como um estrogénio sintético
na terapia por hormonas. -
6:25 - 6:28Tem havido muitos
e muitos estudos que revelaram -
6:28 - 6:32que o BPA dos biberões dos bebés
introduzido na fórmula, -
6:32 - 6:34introduz-se no leite
-
6:34 - 6:35e, portanto, passa para os bebés.
-
6:35 - 6:37Assim, estamos a dar aos bebés,
-
6:37 - 6:39aos recém-nascidos, às criancinhas,
-
6:39 - 6:41um estrogénio sintético.
-
6:41 - 6:43Há umas duas semanas,
-
6:43 - 6:45a União Europeia aprovou uma lei
-
6:45 - 6:47proibindo o uso do BPA nos biberões
-
6:47 - 6:49e nas canecas-biberões dos bebés.
-
6:49 - 6:51Para os que não são pais,
-
6:51 - 6:53uma caneca-biberão é uma coisa de plástico
-
6:53 - 6:56que a criança passa a usar
depois do biberão. -
6:56 - 6:58Mas, duas semanas antes disso,
-
6:58 - 7:00o Senado dos EUA recusou-se
-
7:00 - 7:03sequer a discutir a proibição do BPA
-
7:03 - 7:06nos biberões e canecas-biberões de bebés.
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7:06 - 7:08Ficámos assim a perceber
-
7:08 - 7:10que cabe aos pais
-
7:10 - 7:13estar atentos, regulamentar e fiscalizar
-
7:13 - 7:15durante toda a vida.
-
7:15 - 7:16Isto é espantoso!
-
7:17 - 7:20(Vídeo) Com tantos biberões de plástico
-
7:20 - 7:22que transmitem o químico bisfenol A
-
7:22 - 7:24demonstra-se como, por vezes,
-
7:24 - 7:27só existe a consciência dos pais
-
7:27 - 7:29entre os químicos e as nossas crianças.
-
7:31 - 7:33O cenário dos biberões prova
-
7:33 - 7:35que nós podemos impedir
uma exposição indesejável. -
7:36 - 7:38Mas, se os pais
não tiverem consciência disso, -
7:38 - 7:40estamos a deixar os nossos filhos
-
7:40 - 7:42entregues a si mesmos.
-
7:49 - 7:51TH: O que Penelope está aqui a dizer,
-
7:51 - 7:53ainda é mais verdadeiro.
-
7:53 - 7:56Estamos a meio da sexta extinção em massa,
-
7:56 - 7:58Os cientistas estão de acordo.
-
7:58 - 7:59Estamos a perder espécies na Terra
-
7:59 - 8:02mais depressa do que
a extinção dos dinossáurios -
8:02 - 8:04e na primeira linha dessa perda
estão os anfíbios. -
8:04 - 8:06Oitenta por cento dos anfíbios
-
8:06 - 8:08estão ameaçados e entram em declínio.
-
8:08 - 8:10Penso, e muitos cientistas pensam
-
8:10 - 8:13que os pesticidas são
uma parte importante desse declínio. -
8:13 - 8:16Em parte, os anfíbios são
bons indicadores e mais sensíveis -
8:16 - 8:18porque não têm proteção
contra contaminantes na água -
8:18 - 8:21— os ovos não têm casca,
não têm membranas -
8:21 - 8:22nem placenta,
-
8:22 - 8:25A nossa invenção — quando digo "nossa"
refiro-me aos mamíferos — -
8:25 - 8:27uma das grandes invenções foi a placenta.
-
8:27 - 8:30Mas também começamos
como organismos aquáticos. -
8:30 - 8:32Esta estrutura antiga, a placenta
-
8:32 - 8:34que nos separa dos outros animais,
-
8:34 - 8:37não evolui nem se adapta
suficientemente depressa -
8:37 - 8:39porque estamos a produzir novos químicos
-
8:39 - 8:41a um ritmo como nunca se viu antes.
-
8:41 - 8:44A prova está nos estudos em ratos,
de novo com a atrazina, -
8:44 - 8:46que mostram que o desequilíbrio
de hormonas -
8:46 - 8:48gerado pela atrazina, provoca o aborto.
-
8:48 - 8:50Porque a manutenção da gravidez
depende de hormonas. -
8:50 - 8:52Se não abortam,
-
8:52 - 8:55a atrazina provoca nas crias
doenças da próstata, -
8:55 - 8:57portanto, nascem com uma doença de idosos.
-
8:57 - 8:59Se não abortam,
-
8:59 - 9:02a atrazina provoca nas crias
um desenvolvimento mamário deficiente -
9:02 - 9:03devido à exposição no útero.
-
9:03 - 9:06Assim, as mamas
não se desenvolvem adequadamente. -
9:06 - 9:08Em resultado,
quando esses ratos crescem, -
9:08 - 9:11os filhos vão sofrer de crescimento
e desenvolvimento retardado -
9:11 - 9:14porque não produzem leite suficiente
para alimentar as crias. -
9:14 - 9:16O ratinho que veem em baixo
está afetado pela atrazina -
9:16 - 9:19a que a avó dele esteve exposta.
-
9:19 - 9:22Dado que a vida de muitos destes químicos
-
9:22 - 9:25dura gerações, anos, dezenas de anos,
-
9:25 - 9:27isso significa que, neste momento,
-
9:27 - 9:31estamos a afetar a saúde
dos netos dos nossos netos -
9:31 - 9:34com coisas que lançamos hoje no ambiente.
-
9:34 - 9:36Isto não é só filosofia,
é já uma coisa conhecida. -
9:36 - 9:39Químicos como
o dietilestilbestrol e o estrogénio, -
9:39 - 9:40o PCB, o DDT,
-
9:40 - 9:42atravessam a placenta
-
9:42 - 9:44e determinam efetivamente
-
9:44 - 9:46a probabilidade de desenvolver
o cancro da mama, -
9:46 - 9:47a obesidade e a diabetes,
-
9:47 - 9:50ainda quando o bebé está no útero.
-
9:50 - 9:52Para além disso, depois de o bebé nascer,
-
9:52 - 9:54a nossa única invenção,
enquanto mamíferos, -
9:54 - 9:56é que aleitamos os bebés
depois do nascimento. -
9:56 - 9:58Sabemos que os químicos
-
9:58 - 10:00como o DDT e o DES e a atrazina
-
10:00 - 10:02também podem passar para o leite,
-
10:02 - 10:04afetando de novo os bebés,
-
10:04 - 10:05mesmo depois de nascerem.
-
10:07 - 10:09PC: Quando Tyrone me diz
-
10:09 - 10:11que a placenta é um órgão antigo,
-
10:11 - 10:13fiquei a pensar:
-
10:13 - 10:15"Como é que isso se demonstra?"
-
10:15 - 10:16"Como é que mostramos isso?"
-
10:16 - 10:18Quando fazemos um filme como este,
-
10:18 - 10:21ficamos a tentar visualizar a ciência
-
10:21 - 10:23para a qual não há visualização.
-
10:23 - 10:26E tenho que tomar um pouco
de liberdade artística. -
10:26 - 10:28(Vídeo)
-
10:31 - 10:33(Toque de telefone)
-
10:36 - 10:38Controlo da placenta.
-
10:39 - 10:40O que é?
-
10:40 - 10:41(Fala do telefone)
-
10:41 - 10:42Oh, o quê?
-
10:43 - 10:44(Ressonar)
-
10:46 - 10:47(Buzina)
-
10:49 - 10:51(Fala do telefone)
-
10:51 - 10:53Perf-perf-perf...
-
10:53 - 10:55O quê?
-
10:55 - 10:56(Fala do telefone)
-
10:57 - 11:02Per-flu-oro-octa-noi-co. Ácido?
-
11:04 - 11:06Ceguinho eu seja...
-
11:06 - 11:08Nunca ouvi falar.
-
11:10 - 11:13PC: Eu cá também não,
-
11:13 - 11:15antes de começar a fazer este filme.
-
11:15 - 11:18Quando percebi que os químicos
podem atravessar a placenta -
11:18 - 11:21e passar para a criança
que ainda não nasceu, -
11:21 - 11:23comecei a pensar:
-
11:23 - 11:25O que é que o meu feto me diria?
-
11:25 - 11:29O que é que as crianças
ainda por nascer nos diriam -
11:29 - 11:32quando ficam expostos,
-
11:32 - 11:35como acontece todos os dias,
dia após dia? -
11:35 - 11:38(Vídeo)
-
11:54 - 11:55Hoje,
-
11:55 - 12:00apanhei uns octifenóis,
-
12:00 - 12:02uns almíscares artificiais
-
12:02 - 12:06e um pouco de bisfenol A.
-
12:06 - 12:08Ajudem-me.
-
12:12 - 12:15PC: É uma noção muito profunda
-
12:15 - 12:17saber que nós, enquanto mulheres,
-
12:17 - 12:19estamos na vanguarda disto.
-
12:19 - 12:21Este é um problema nosso,
-
12:21 - 12:24porque apanhamos com estes compostos
durante toda a vida -
12:24 - 12:27e agora estamos a despejá-los
para os nossos filhos -
12:27 - 12:29que ainda não nasceram.
-
12:30 - 12:33Com efeito,
estamos a poluir os nossos filhos. -
12:34 - 12:38Isto foi uma coisa que me entrou
em casa o ano passado -
12:38 - 12:40quando descobri que estava grávida.
-
12:40 - 12:42O primeiro exame revelou
-
12:42 - 12:45que o meu bebé tinha
um defeito de nascença, -
12:45 - 12:47associado à exposição
-
12:47 - 12:50de químicos estrogénicos no útero.
-
12:50 - 12:53O segundo exame
não detetou o batimento cardíaco. -
12:53 - 12:56Por isso, a morte do meu filho,
a morte do meu bebé -
12:56 - 13:00levou para minha casa o eco
do que eu estava a fazer neste filme. -
13:00 - 13:01Por vezes é uma situação estranha
-
13:01 - 13:04quando o comunicador
passa a fazer parte da história. -
13:04 - 13:06Não tencionava fazer isso
inicialmente. -
13:06 - 13:08Quando Tyrone fala
-
13:08 - 13:12sobre o feto estar encurralado
num ambiente contaminado, -
13:12 - 13:15este é o meu ambiente contaminado.
-
13:16 - 13:18Este é o meu bebé tóxico.
-
13:18 - 13:21Isso é uma coisa
-
13:21 - 13:25que é profunda e triste,
-
13:25 - 13:27mas espantosa,
-
13:27 - 13:29porque muitas de nós não sabem disso.
-
13:32 - 13:34TH: Uma das coisas que
é excitante e apropriada, -
13:34 - 13:36para mim, estar aqui no TEDWomen,
-
13:36 - 13:40foi resumida melhor a noite passada
ao jantar, quando alguém disse: -
13:40 - 13:43"Vira-te para o homem ao
teu lado e diz-lhe: -
13:43 - 13:45"'Quando a revolução começar,
nós estaremos atentos'". -
13:45 - 13:47A verdade é, caras mulheres,
-
13:47 - 13:50há muito tempo que vocês
estão atentas a esta questão, -
13:50 - 13:52com "Primavera Silenciosa"
de Rachel Carson, -
13:52 - 13:54"Our Stolen Future" de Theo Colborn
-
13:54 - 13:56e os livros de Sandra Steingraber
-
13:56 - 13:59"Living Downstream" e "Having Faith."
-
13:59 - 14:02Talvez seja a ligação
com a geração seguinte -
14:02 - 14:05— como a minha mulher
e a minha linda filha, há 13 anos — -
14:05 - 14:07talvez seja esta ligação
-
14:07 - 14:11que torna as mulheres ativistas
nesta área em particular. -
14:11 - 14:13Mas quero dizer aos homens aqui presentes:
-
14:13 - 14:15o perigo não é só
para as mulheres e crianças. -
14:15 - 14:18Os testículos dos sapos
que foram expostos à atrazina -
14:18 - 14:20estão cheios de buracos
e de espaços vazios, -
14:20 - 14:22por causa do desequilíbrio hormonal
-
14:22 - 14:25que, em vez de permitir
a produção de esperma -
14:25 - 14:26como neste testículo aqui,
-
14:26 - 14:28os canais testiculares ficam vazios
-
14:28 - 14:30e a fertilidade diminui até aos 50 %.
-
14:30 - 14:33Não é só o meu trabalho com anfíbios.
-
14:33 - 14:35Na Europa, há trabalhos
semelhantes com peixes. -
14:35 - 14:38Buracos em testículos
e ausência de esperma em répteis, -
14:38 - 14:40num grupo da América do Sul
-
14:40 - 14:42e ausência de esperma
nos canais testiculares -
14:42 - 14:44também em ratos.
-
14:44 - 14:46Não fazemos estas experiências
em seres humanos, -
14:46 - 14:48mas, por coincidência,
-
14:48 - 14:49um colega meu demonstrou
-
14:49 - 14:53que homens com um nível baixo
de esperma, um sémen de baixa qualidade -
14:53 - 14:55têm maior quantidade de atrazina na urina.
-
14:55 - 14:58São homens que vivem
numa comunidade agrícola. -
14:59 - 15:02Os homens que trabalham na agricultura
-
15:02 - 15:04têm níveis muito mais altos de atrazina.
-
15:04 - 15:06E os homens que aplicam a atrazina
-
15:06 - 15:09ainda têm níveis mais altos
de atrazina na urina -
15:09 - 15:12que chegam a 24 000 vezes mais
do que os ativos que conhecemos -
15:12 - 15:14e que está presente
na urina desses homens. -
15:14 - 15:18Claro que a maioria, 90%, são mexicanos,
méxico-americanos. -
15:18 - 15:20e não é só à atrazina
que eles estão expostos. -
15:20 - 15:22Estão expostos a químicos
como a cloropicrina, -
15:22 - 15:25que foi usada inicialmente
como um gás neurotóxico. -
15:25 - 15:28Muitos destes trabalhadores
têm uma esperança de vida de apenas 50% -
15:28 - 15:32Não devia surpreender que as coisas
que acontecem na Natureza -
15:32 - 15:34também nos estejam a avisar,
-
15:34 - 15:36tal como Rachel Carson e outros avisaram.
-
15:36 - 15:39Como é evidente neste diapositivo
do Lago Nabugago no Uganda, -
15:39 - 15:41os resíduos agrícolas destas culturas,
-
15:41 - 15:43que vão parar àqueles baldes,
-
15:43 - 15:47são a única fonte de água para beber,
cozinhar e tomar banho desta aldeia, -
15:47 - 15:48Se eu disser aos homens da aldeia
-
15:48 - 15:50que os sapos têm
uma fraca função imunológica -
15:50 - 15:52e ovos a crescer nos testículos,
-
15:52 - 15:56a ligação entre a saúde ambiental
e a saúde pública ficaria clara. -
15:56 - 15:59Quem não deixará de beber água
se souber que há este impacto -
15:59 - 16:01sobre a vida dos que lá vivem?
-
16:01 - 16:03O problema na minha aldeia, em Oakland,
-
16:03 - 16:05como na maior parte das nossas aldeias,
-
16:05 - 16:07é que não vemos essa ligação.
-
16:07 - 16:09Abrimos a torneira, a água sai,
julgamos que é seguro -
16:09 - 16:12e partimos do princípio
que dominamos o nosso ambiente, -
16:12 - 16:14em vez de fazermos parte dele.
-
16:15 - 16:17PC: Assim, não é difícil perceber
-
16:17 - 16:19que isto é uma questão ambiental.
-
16:19 - 16:23Estou sempre a pensar, vezes sem conta,
-
16:23 - 16:24nesta questão.
-
16:25 - 16:28Sabemos tanta coisa sobre
o aquecimento global e a alteração do clima -
16:28 - 16:30e, no entanto, não fazemos ideia
-
16:30 - 16:33daquilo a que chamamos
ambientalismo interno. -
16:33 - 16:34Sabemos o que andamos a espalhar,
-
16:34 - 16:36temos uma ideia das suas repercussões
-
16:36 - 16:38mas somos muito ignorantes quanto à ideia
-
16:38 - 16:40do que acontece, quando pomos coisas,
-
16:40 - 16:43— ou as coisas são postas —
no nosso corpo. -
16:43 - 16:44É a sensação que tenho
-
16:44 - 16:47e estou aqui para vos instar a saber isso,
-
16:47 - 16:49à medida que nós, mulheres, avançamos
-
16:49 - 16:51enquanto comunicadoras,
-
16:51 - 16:54mas também enquanto
as que suportam esta carga -
16:54 - 16:56de gerar as crianças,
de criar as crianças. -
16:56 - 17:00Temos o maior poder de compra na família
-
17:00 - 17:02vamos ter que ser nós a avançar
-
17:02 - 17:06para divulgar o trabalho de Tyrone
e de outros cientistas por todo o mundo. -
17:06 - 17:08Exorto-vos
-
17:08 - 17:10que, quando pensarmos
nas questões ambientais, -
17:10 - 17:12nos lembremos que
não se trata só de glaciares -
17:12 - 17:14e de calotas de gelo a derreter-se,
-
17:14 - 17:16trata-se também dos nossos filhos.
-
17:16 - 17:17Obrigada.
-
17:17 - 17:20(Aplausos)
- Title:
- O bebé tóxico
- Speaker:
- Tyrone Hayes + Penelope Jagessar Chaffer
- Description:
-
A realizadora Penelope Jagessar Chaffer ficou com curiosidade sobre os tóxicos a que esteve exposta durante a sua gravidez: afetariam o seu bebé ainda por nascer? Pediu ao cientista Tyrone Hayes que a informasse sobre um químico que ele tinha estudado de perto: a atrazina, um herbicida usado no milho. (Hayes, especialista em anfíbios, é também um crítico da atrazina, que tem um efeito prejudicial no desenvolvimento dos sapos). Juntos no palco no TEDWomen, Hayes e Chaffer contam a sua história.
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 17:28
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Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for The toxic baby | |
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Margarida Ferreira approved Portuguese subtitles for The toxic baby | |
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Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for The toxic baby | |
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Isabel Vaz Belchior accepted Portuguese subtitles for The toxic baby | |
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Isabel Vaz Belchior edited Portuguese subtitles for The toxic baby | |
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Isabel Vaz Belchior edited Portuguese subtitles for The toxic baby |