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Uma visão para restaurantes sustentáveis

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    Os restaurantes
    e a indústria da comida, em geral
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    são das indústrias
    que mais desperdiçam no mundo.
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    Por cada caloria de comida que consumimos,
    hoje em dia, aqui na Grã- Bretanha
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    são precisas 10 calorias para a produzir.
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    Isso é muito.
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    Eu quero analisar uma coisa muito humilde.
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    Encontrei isto hoje no mercado.
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    Se alguém quiser levar para casa
    para fazer puré, esteja à vontade.
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    A humilde batata.
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    Passei muito tempo
    — 25 anos — a prepará-las.
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    Passa por cerca de oito fases
    diferentes na sua vida.
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    Primeiro, é plantada
    — e isso requer energia.
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    Cresce e alimenta-se.
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    Depois, é colhida.
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    Depois é distribuída.
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    A distribuição é muito importante.
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    A seguir, é vendida e comprada
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    e depois é-me entregue.
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    Eu limito-me a escolhê-la, a prepará-la
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    e depois as pessoas consomem-na
    — esperemos que gostem.
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    Na última fase, é lixo.
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    É aqui que quase todos
    deixam de lhe dar importância.
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    Há diferentes tipos de desperdício.
  • 1:01 - 1:04
    Há o desperdício de tempo, do espaço,
    o desperdício de energia.
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    e também há o desperdício de desperdício.
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    Em todos os sítios onde trabalhei,
    nestes últimos 5 anos,
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    tento diminuir cada um desses elementos.
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    Perguntam-me como funciona
    um restaurante sustentável.
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    É basicamente um restaurante
    como qualquer outro.
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    Este é o restaurante, Acorn House.
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    Frente e verso.
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    Vou explicar-vos algumas ideias.
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    Chão: sustentável, reciclável.
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    Cadeiras: recicladas e recicláveis.
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    Mesas: Comissão Florestal.
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    Esta é madeira
    da Comissão Florestal norueguesa.
  • 1:35 - 1:38
    Este banco, apesar de não ser confortável
    para a minha mãe
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    — ela não gostou de se sentar nele,
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    e decidiu comprar umas almofadas
    numa feira local —
  • 1:42 - 1:44
    é reutilizado, um trabalho que saiu bem.
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    Detesto desperdícios,
    especialmente paredes.
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    Se não estão a funcionar,
    ponham uma prateleira, foi o que eu fiz.
  • 1:50 - 1:52
    E assim mostro os meus produtos
    a todos os clientes.
  • 1:52 - 1:55
    Todo o negócio é alimentado
    por energia sustentável.
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    Funciona a energia eólica.
    As luzes são lâmpadas de baixo consumo.
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    A tinta tem poucos aditivos químicos,
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    muito importante quando se trabalha
    sempre no mesmo espaço.
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    Andei a fazer experiências com estes,
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    há aqui uma área de trabalho.
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    Isto é um polímero de plástico.
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    Eu estava a tentar pensar em natureza.
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    Não. Fazer experiências com resinas,
  • 2:12 - 2:13
    fazer experiências com polímeros.
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    Vão durar mais tempo que eu?
    Provavelmente, sim.
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    Esta é uma máquina de café recauchutada.
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    Tem melhor aspeto
    que uma novinha em folha — parece bem.
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    A reutilização é vital.
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    Filtramos a nossa água.
  • 2:25 - 2:27
    Engarrafamo-la, refrigeramo-la,
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    reutilizamos a mesma garrafa
    várias vezes.
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    Este é um grande pequeno exemplo.
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    Esta laranjeira está a crescer
    no pneu de um carro
  • 2:33 - 2:35
    que foi virado do avesso e cosido.
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    Tem composto dentro
    que está a alimentar a laranjeira.
  • 2:38 - 2:41
    Esta é a cozinha,
    que fica na mesma divisão.
  • 2:41 - 2:42
    Criei um menu que permite
  • 2:42 - 2:45
    que as pessoas escolham
    a quantidade e o volume de comida
  • 2:45 - 2:47
    que querem consumir.
  • 2:47 - 2:49
    Em vez de ser eu a preparar um prato,
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    são as pessoas que se servem
    de muito ou pouco, como quiserem.
  • 2:52 - 2:54
    É uma cozinha pequena.
    Tem cerca de 5 metros quadrados.
  • 2:54 - 2:56
    Serve 220 pessoas por dia.
  • 2:56 - 2:58
    Nós produzimos bastante lixo.
  • 2:59 - 3:00
    Esta é a sala do lixo.
  • 3:00 - 3:02
    Não podemos evitar o lixo.
  • 3:02 - 3:05
    Mas esta história não é sobre evitá-lo,
    é sobre minimizá-lo.
  • 3:05 - 3:10
    Aqui, tenho restos de vegetais e caixas
    que são inevitáveis.
  • 3:10 - 3:13
    Ponho os desperdícios de comida
    num triturador que desidrata e disseca,
  • 3:13 - 3:16
    transforma a comida numa matéria,
  • 3:16 - 3:19
    que depois posso armazenar
    e transformar em compostagem.
  • 3:19 - 3:21
    A compostagem é feita neste jardim.
  • 3:21 - 3:24
    Toda a terra que veem
    são restos da comida
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    que é produzida pelo restaurante.
  • 3:26 - 3:29
    Cresce nestes tubos, feitos com árvores
    que caíram nas tempestades,
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    barris de vinho e todo o tipo de coisas.
  • 3:31 - 3:33
    Três depósitos de compostagem processam
  • 3:33 - 3:36
    uns 70 quilos de desperdícios
    de vegetais crus por semana.
  • 3:36 - 3:38
    É muito bom, produzem
    um composto fantástico.
  • 3:38 - 3:40
    Também temos minhocas.
  • 3:40 - 3:42
    Uma das habitações das minhocas
    era enorme,
  • 3:42 - 3:43
    viviam ali muitas minhocas.
  • 3:43 - 3:45
    Tentei levar os restos
    de comida desidratados,
  • 3:45 - 3:48
    para as minhocas e disse:
    "Aqui têm. Jantar!"
  • 3:48 - 3:51
    Era como carne-seca vegetal,
    mas matou-as a todas.
  • 3:51 - 3:52
    (Risos)
  • 3:52 - 3:54
    Não sei quantas minhocas há ali,
  • 3:54 - 3:56
    mas têm um karma pesado a vir.
  • 3:56 - 3:58
    (Risos)
  • 3:58 - 4:01
    Vemos aqui um sistema
    de filtragem de água.
  • 4:01 - 4:03
    Isto recolhe a água do restaurante,
  • 4:03 - 4:06
    fá-la correr por estes caminhos de pedra
    — fica como nova —
  • 4:06 - 4:08
    serve para regar o jardim.
  • 4:08 - 4:11
    Ainda quero reciclar o que resta,
    levando-a para as casas-de-banho,
  • 4:11 - 4:13
    talvez até para lavar as mãos.
  • 4:13 - 4:15
    A água é um aspeto muito importante.
  • 4:15 - 4:17
    Comecei a meditar sobre o assunto
  • 4:17 - 4:20
    e criei um restaurante chamado Waterhouse.
  • 4:20 - 4:23
    Seria ótimo se conseguisse que a Waterhouse
    fosse um restaurante livre de carbono
  • 4:23 - 4:26
    que, para começar, não usa combustíveis.
  • 4:26 - 4:27
    Consegui fazê-lo.
  • 4:27 - 4:30
    Este restaurante é muito parecido
    com a Acorn House
  • 4:30 - 4:31
    — as mesmas cadeiras, as mesmas mesas.
  • 4:31 - 4:34
    São todas inglesas
    e um pouco mais sustentáveis.
  • 4:34 - 4:36
    Mas este é um restaurante elétrico.
  • 4:36 - 4:38
    É tudo elétrico,
    o restaurante e a cozinha.
  • 4:38 - 4:40
    Funciona a hidroeletricidade.
  • 4:40 - 4:42
    Passei do ar para água.
  • 4:42 - 4:45
    É importante perceber
  • 4:45 - 4:49
    que esta sala é arrefecida por água,
    aquecida por água,
  • 4:49 - 4:52
    filtra a sua própria água
    e funciona a água.
  • 4:53 - 4:55
    É literalmente uma Casa da Água.
  • 4:55 - 4:57
    O sistema de tratamento do ar
    está lá dentro,
  • 4:57 - 4:59
    livrei-me do ar condicionado,
  • 4:59 - 5:01
    porque achava que estava
    a consumir demasiado.
  • 5:01 - 5:03
    Isto é um sistema de tratamento de ar.
  • 5:03 - 5:05
    Meço a temperatura do canal lá fora,
  • 5:05 - 5:07
    bombeio-o para o sistema
    de troca de calor,
  • 5:07 - 5:09
    vai passando por umas velas no telhado,
  • 5:09 - 5:12
    e vai caindo suavemente
    sobre as pessoas no restaurante,
  • 5:12 - 5:15
    refrescando-as ou aquecendo-as,
    consoante a necessidade.
  • 5:15 - 5:18
    Isto é um difusor de ar
    em forma de salgueiro inglês.
  • 5:18 - 5:21
    Espalha gentilmente
    a corrente de ar pela sala.
  • 5:21 - 5:24
    Muito avançado,
    sem ar condicionado — eu adoro.
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    No canal, que fica fora do restaurante,
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    há centenas de metros de canos em espiral.
  • 5:28 - 5:30
    Isto recolhe a temperatura do canal
  • 5:30 - 5:33
    e transforma-o numa troca
    de calor de 4 graus.
  • 5:33 - 5:36
    Não faço ideia de como funciona,
    mas paguei muito dinheiro por ele.
  • 5:36 - 5:38
    (Risos)
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    Um dos cozinheiros
    que trabalha neste restaurante
  • 5:41 - 5:44
    vive neste barco — é autónomo,
    gera a sua própria energia —
  • 5:44 - 5:46
    cultiva a sua própria fruta, é fantástico.
  • 5:46 - 5:48
    Não há confusão quanto
    aos nomes destes restaurantes.
  • 5:48 - 5:52
    Acorn House é o elemento da madeira,
    Waterhouse é o elemento da água.
  • 5:52 - 5:54
    Estou a pensar, vou mesmo fazer,
  • 5:54 - 5:57
    cinco restaurantes baseados
    nas cinco especialidades
  • 5:57 - 5:59
    da acupunctura na medicina chinesa.
  • 6:01 - 6:04
    Tenho água e madeira.
    Estou quase a fazer o fogo.
  • 6:04 - 6:06
    Tenho ainda metal e terra a caminho.
  • 6:06 - 6:08
    Para isso, é preciso ter cuidado
    com o espaço.
  • 6:08 - 6:10
    Este é o meu novo projeto.
  • 6:11 - 6:15
    Tem cinco semanas,
    é o meu bebé, e dá muito trabalho.
  • 6:15 - 6:17
    É o People's Supermarket.
  • 6:17 - 6:20
    Basicamente, os restaurantes
    só influenciam pessoas
  • 6:20 - 6:22
    que já acreditavam no que eu fazia.
  • 6:22 - 6:25
    Precisava de fazer a comida chegar
    a um leque mais extenso de pessoas
  • 6:25 - 6:28
    — talvez mais da classe trabalhadora —
  • 6:28 - 6:31
    ou pessoas que acreditam em cooperativas.
  • 6:31 - 6:33
    Esta é uma empresa social,
  • 6:33 - 6:35
    um supermercado sem fins lucrativos.
  • 6:35 - 6:38
    É só pela preocupação
    com a desconexão que há
  • 6:38 - 6:41
    entre comida, comunidades
    nos espaços urbanos
  • 6:41 - 6:43
    e a sua relação
    com os agricultores rurais,
  • 6:43 - 6:46
    ligando as comunidades em Londres
    com os cultivadores rurais.
  • 6:46 - 6:47
    Muito importante.
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    Estou a apostar nas batatas,
    a apostar no leite,
  • 6:50 - 6:53
    nos alhos-porros e brócolos,
    tudo coisas muito importantes.
  • 6:53 - 6:54
    Mantive os azulejos e os pavimentos,
  • 6:54 - 6:57
    a linha de telefone,
    tenho frigoríficos reciclados,
  • 6:57 - 7:00
    tenho caixas registadoras
    e carrinhos de chá reciclados.
  • 7:00 - 7:02
    Todo o projeto é super-sustentável.
  • 7:02 - 7:03
    Vou tentar fazer isto:
  • 7:03 - 7:06
    o supermercado mais sustentável do mundo.
  • 7:06 - 7:08
    Nenhum desperdício de comida.
  • 7:08 - 7:10
    Ainda não há ninguém a fazer isto.
  • 7:10 - 7:13
    Sainbury's, se estão a ver,
    podem tentar.
  • 7:14 - 7:16
    Eu vou lá chegar antes de vocês.
  • 7:16 - 7:21
    A Natureza não cria desperdícios,
    enquanto tal.
  • 7:21 - 7:24
    Tudo na Natureza é usado
    num ciclo fechado e contínuo
  • 7:25 - 7:27
    em que o desperdício é o fim do princípio.
  • 7:27 - 7:31
    É uma coisa que me tem inspirado
    desde há algum tempo.
  • 7:31 - 7:33
    É uma afirmação
    que é importante compreender.
  • 7:33 - 7:37
    Se não nos insurgirmos
    e fizermos a diferença
  • 7:37 - 7:40
    e pensarmos em comida sustentável,
  • 7:40 - 7:42
    na sua natureza sustentável,
  • 7:42 - 7:44
    talvez falhemos.
  • 7:44 - 7:46
    Mas queria mostrar-vos
  • 7:46 - 7:49
    que conseguimos fazê-lo
    se formos mais responsáveis.
  • 7:49 - 7:52
    São possíveis os negócios
    com consciência ambiental.
  • 7:52 - 7:55
    Já os há. Eu já consegui
    fazer três até agora;
  • 7:55 - 7:57
    Tenho ainda mais alguns na manga.
  • 7:58 - 7:59
    A ideia está em embrião.
  • 7:59 - 8:01
    Eu penso que é importante.
  • 8:01 - 8:04
    Penso que se reduzirmos,
    reutilizarmos, recusarmos
  • 8:04 - 8:07
    e reciclarmos — mesmo ali no fim.
  • 8:07 - 8:10
    A reciclagem é o último ponto de vista
    que quero apresentar.
  • 8:10 - 8:12
    São os quatro R, em vez dos três R.
  • 8:12 - 8:14
    Penso que já estaremos num bom caminho.
  • 8:14 - 8:17
    Estes três não são perfeitos,
    são apenas ideias.
  • 8:17 - 8:20
    Penso que ainda há muitos problemas,
  • 8:20 - 8:23
    mas com ajuda, estou certo
    que vou encontrar soluções.
  • 8:23 - 8:25
    E espero que vocês participem.
  • 8:26 - 8:27
    Muito obrigado.
  • 8:27 - 8:29
    (Aplausos)
Title:
Uma visão para restaurantes sustentáveis
Speaker:
Arthur Potts Dawson
Description:

Se já estiveram na cozinha de um restaurante, viram muita comida, água e energia serem desperdiçadas. O cozinheiro Arthur Potts-Dawson partilha a sua visão muito pessoal de como reduzir drasticamente o desperdício dos restaurantes e supermercados — através de reciclagem, compostagem, técnicas sustentáveis para preparar comida (e boa comida).

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
08:28
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for A vision for sustainable restaurants
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for A vision for sustainable restaurants
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for A vision for sustainable restaurants
Joana Rodrigues added a translation

Portuguese subtitles

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