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"Raúl de Nieves é um Artista Americano"

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    Estar na Whitney Biennial é
    muito interessante neste momento
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    por conta da minha experiência
    como artista queer latino.
  • 0:19 - 0:22
    Essencialmente, estou expondo
    "no museu de arte americana"
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    e sou um descendente de mexicanos,
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    mas, sabe, o que isso significa hoje?
  • 0:28 - 0:31
    e o que isso vai significar no futuro...
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    Não sei.
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    [Raúl de Nieves é um Artista Americano]
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    Tenho ouvido muito techno no momento.
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    Assim eu consigo manter a energia.
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    Nunca tentei ser um perfeccionista
    com meu trabalho.
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    Sempre quis fazer vitrais,
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    mas sentia que era um pouco pesado, sabe?
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    Dessa forma, as coisas ficam mais leves
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    e posso trabalhar em qualquer lugar.
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    Às vezes meus amigos aparecem
    e a gente fica conversando
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    [RISOS]
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    E eles ficam me vendo cortar
    um monte de papel.
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    [RISOS]
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    Eu cresci em Morelia, Michoacán.
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    Crescer no México foi realmente mágico.
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    Porque eu pude ver
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    muitas formas de celebração.
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    E tive contato com a morte
    quando era ainda bem novo.
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    É sobre isso que é meu trabalho:
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    é como ver facetas de felicidade e tristeza
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    juntas em um só lugar.
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    A cor sempre impregnou
    minha vida de tal maneira
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    que sempre vi as coisas
    tão brilhantes quanto elas poderiam ser.
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    A parte mais interessante disso pra mim
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    é que você pode criar algo
    a partir das coisas mais simples
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    e isso pode se traduzir
    numa realidade diferente.
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    Não saber no que aquilo vai se transformar
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    é extremamente emocionante.
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    Porque eu estou só antecipando...
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    hmm...
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    o dia em que vou concluir isso
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    e ver como fica.
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    - Caramba!
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    [GRITOS]
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    -- Oi, gente
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    [TODOS] Oi!
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    -- Tudo bem?
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    Meu Deus, isso é tão louco!
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    [RESPIRA FUNDO]
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    Ele realmente reflete na parede!
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    Meu Deus,
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    Isso é tão legal.
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    [TODOS RIEM]
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    Isso é tão legal!
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    [DE NIEVES GRITA]
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    -- Vamos começar a mover essas coisas?
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    Ok, legal!
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    Então, estou pensando no laranja...
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    Minha mãe já estava vivendo
    nos Estados Unidos
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    há mais ou menos dois meses.
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    Um dia, minha tia veio
    buscar a gente na escola
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    e disse: "vocês estão indo
    pra América, vamos."
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    E a gente entrou no avião sem uma mala.
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    -- Esta mulher deve entrar aqui.
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    -- Ela vai ficar tipo...
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    -- Isso, desse jeito.
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    [MIA LOCKS] Em que postura
    você gostaria que ficasse?
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    [DE NIEVES] Eu queria que ficasse
    um pouco mais animado,
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    -- porque aquilo parece tão real
    com essas mãos pra cima.
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    -- Mas to pensando que isso podia
    apenas ficar como...
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    Naquele dia que eu entre no avião,
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    Sabendo que eu não tinha nada de meu,
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    muitas coisas passaram pela minha cabeça.
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    Claro que eu estava assustado,
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    porque eu tinha nove anos
    e não falava inglês.
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    [Mia Locks, curadora]
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    Mas eu sabia que eu ia conseguir
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    sobreviver.
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    Eu tinha só que confiar
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    no que a vida ia me trazer em seguida.
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    -- Mas,
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    -- o expectador por vir até aqui?
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    -- Isso é ilegal?
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    -- Quer dizer...
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    Criar essa narrativa
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    com essas figuras e símbolos --
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    apenas usando minhas experiências
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    e conseguindo colocar tudo
    em uma imagem única
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    é muito importante pra mim neste momento.
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    O primeiro painel do mural de vitral
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    é de uma pessoa doente.
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    Ele está desafiando sua mentalidade
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    pra ir do mal para o bem--
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    ou está pedindo ajuda.
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    E acaba desencadeando
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    uma luta pessoal.
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    Derrota é realmente importante.
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    Deveria ser, de alguma forma,
    um tanto difícil continuar.
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    Acho que a mosca é, na verdade,
    o cerne da vida.
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    Está constantemente observando--
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    é como um segredo.
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    No final, eu quero que isso seja
    uma celebração da vida.
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    [ESPERANÇA]
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    [ENTREVISTADOR] Você tem 33?
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    [DE NIEVES] Tenho 33!
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    É.
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    Meu pai morreu quando ele tinha 33.
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    Meu pai morreu quando eu tinha dois anos
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    mas sinto que ele está mais
    próximo de mim agora do que...
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    nunca.
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    Quer dizer, não sei,
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    Mas a lembrança dele me permite
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    continuar.
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    Sinto como se fosse um presente.
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    Pra mim, isso simboliza
    o espírito do meu pai.
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    Do meu avô.
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    Da minha avó.
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    Meu próprio espírito.
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    É uma celebração da coragem da minha mãe
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    de me trazer pra este país.
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    Ela teve de fazer isso por ela
    e três crianças.
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    Eu sempre acreditei que os Estados Unidos
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    era a terra de todas as nações,
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    e eu acho que estou começando a perceber
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    que isso não é completamente verdade.
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    O mural fala sobre esta experiência--
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    esta jornada.
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    Me sinto muito feliz por
    ter conseguido dar tanta ênfase
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    nesta ideia de "um amanhã melhor"
    no meu trabalho.
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    O fato de que existem tantos grupos
    diversos nesta exposição
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    é muito importante.
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    Espero que ela lembre as pessoas
    de que estamos em 2017.
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    [VERDADE]
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    Não queremos voltar no tempo--
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    queremos seguir adiante.
Title:
"Raúl de Nieves é um Artista Americano"
Description:

O que significa ser um artista americano hoje?

Do seu porão-estúdio em Ridgewood, Queens, o artista Raúl de Nieves cria um mural de vitral épico para a Whitney Biennial 2017. Nascido no México, de Nieves imigrou para San Diego aos nove anos de idade e vive em Nova Iorque desde 2008. "Crescer no México foi realmente mágico porque eu pude ver muitas formas de celebração", diz o artista. "Tive contato com a morte ainda muito novo. E meu trabalho é sobre isso: é como ver facetas da felicidade e da tristeza em um único lugar".

Seu trabalho para o Whitney Museum of American Art deu a de Nieves a oportunidade de experimentar com a tradição do mural e combinar esta nova instalação impregnada de luz a esculturas figurativas já existentes. Com fita adesiva, papel e gel colorido de Nieves criou uma narrativa que começa com dificuldades pessoais e auto-questionamento, mas que termina com "uma celebração da vida." Refletindo sobre a morte prematura do pai e sobre a decisão corajosa da mãe de se mudar com a família para os Estados Unidos, de Nieves enxerga a instalação como uma forma de relembrar. "O mural fala sobre essa experiência - essa jornada", diz o artista. "Me sinto muito feliz por ter podido colocar tanta ênfase na ideia de 'um amanhã melhor' no meu trabalho."

Raúl de Nieves (nascido em 1983, em Michoacán, México) vive em Nova Iorque. Saiba mais sobre o artista: https://art21.org/artist/raul-de-nieves/

CRÉDITOS | Produção da série “New York Close Up”: Nick Ravich. Direção: Ian Forster. Edição: Morgan Riles. Cinematografia: Andrew Whitlatch. Cinematografia Adicional: Ian Forster. Assistência de Produção e Som: Nicholas Vore. Desenho e Gráficos: Open & Urosh Perisic. Obras de arte: Raúl de Nieves, Rafa Esparza, Aliza Nisenbaum & Whitney Museum Of American Art. Agradecimentos: The Dreamhouse, Friends Of The High Line, Christopher Y. Lew & Mia Locks. © Art21, Inc. 2017. Todos os direitos reservados.

"New York Close Up" é mantido, em parte, por fundos públicos do New York City Department of Cultural Affairs em parceria com o City Council; VIA Art Fund; Lévy Gorvy; e por contribuidores individuais.

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Video Language:
English
Team:
Art21
Project:
"New York Close Up" series
Duration:
07:18

Portuguese, Brazilian subtitles

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