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Conferência de Imprensa Yanis Varoufakis & Movimento Democracia na Europa 25

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    Bom dia. Começamos, oficialmente, a conferência de imprensa do DiEM - Movimento Democracia na Europa.
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    Este é Yanis Varoufakis como, provavelmente, devem saber. O meu nome é Srecko Horvat.
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    Nós somos apenas um dos representantes de muitas pessoas que já aderiram ao movimento e ao longo do dia perceberão do que estamos a falar.
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    Temos 30 minutos para a conferência de imprensa e mais tarde teremos de continuar com as reuniões.
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    Por isso, apenas uma breve introdução. Em 1969, Theodor Adorno deu uma entrevista para Del Spiegel e o jornalista questionou sobre: "Professor, há dois meses, o mundo ainda parecia estar em ordem."
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    E, sabem o que é que Adorno respondeu?
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    Adorno respondeu: "Para mim não!"
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    E eu penso o mesmo. Para algumas pessoas, a União Europeia parece estar bem. Mas, para nós
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    e para Yanis, principalmente com a experiência que tem de ter sido ministro das finanças grego, não lhe parece estar tudo normal.
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    No ano passado, a Sociedade Alemã para a Língua (...) deu a conhecer que as três palavras mais populares do último ano foram: em primeiro lugar, refugiados; em segundo lugar, "je suis Charlie"; terceiro lugar, grexit.
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    Em décimo lugar foi "Wir können es
    schaffen". Creio que esta é a citação de Merkel relacionada com a crise dos refugiados.
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    O que nós queremos colocar em primeiro lugar é "Wir können es
    schaffen".
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    Esta é a razão pela qual nós e outros camaradas fundamos o Movimento Democracia na Europa.
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    Mas, agora, vou dar-vos a palavra e, então, responderemos às questões. Creio que será o melhor para a conferência de imprensa.
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    Bem, bem-vindos à conferência de imprensa. Muito obrigado por terem vindo.
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    É uma honra, um privilégio estar no coração da Europa, Berlim.
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    Escolhemos Berlim precisamente porque nada poderá mudar sem
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    a participação da Alemanha nos esforços Europeus.
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    Infelizmente, é nossa convicção, e dos que estão no DiEM,
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    de que a União Europeia está a desintegrar-se e que tal está a ocorrer muito depressa.
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    Quando falamos sobre crise Europeia,
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    do falhanço, do falhanço evidente da União Europeia...
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    Ambos, União Europeia e estados membros lidamos com a questão da crise dos refugiados
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    de forma sensível, racional, humanista.
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    À exceção, possível, de Angela Merkel, que tem sabido gerir bem a questão...
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    O fenómeno da nacionalização da ambição.
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    A nacionalização da esperança.
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    Atualmente, temos governos europeus
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    que adotam a mentalidade de "Não é no meu quintal"
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    Se a questão é sobre dívida, refugiados,
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    Schengen, geopolítica, atitude face ao
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    Médio Oriente, Líbia...
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    Temos apenas de juntar as palavras "Europeu",
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    "estrangeiro" e "política" para terminar com a piada.
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    Ou pior: "Europeu", "Migração" e "política"
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    para acabar com a piada.
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    Porque é que a Europa está a desintegrar-se?
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    Sinteticamente.Temos permitido,
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    durante mais de uma década, talvez duas, ou três décadas,
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    um processo de despolitização das decisões tomadas
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    no coração da Europa, no centro das instituições Europeias.
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    Quando despolitizamos um processo de decisão político
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    temos más decisões políticas...
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    E, agora temos,
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    do nosso ponto de vista, um ciclo vicioso.
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    Más politicas económicas geram maus resultados económicos, provoca maus resultados,
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    como por exemplo taxas de juros negativas , fundos de pensão na Alemanha,
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    deflação em Espanha. Estes maus resultados económicos
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    dão ao processo de decisão burocrático-tecnocrático
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    mais incentivos, para levar adiante um maior grau
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    de autoritarismo. Este crescendo de autoritarismo
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    leva a mais entrincheiramento num quadro de más políticas.
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    Isto provoca maus resultados
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    e estamos como no início dos anos 30
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    num quadro de desintegração.
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    Esta combinação de fatores (...) os refugiados (...)
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    (..) e terminamos com a situação que estamos a viver na Europa.
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    Por isso, questionamo-nos.
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    Se a nossa análise está correta. Se a União Europeia está a desintegrar-se
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    por causa desta política desastrosa e global...
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    Qual é a solução?
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    Bem! Nós sabemos qual é a solução.
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    A solução não é voltar a Estado-Nação.
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    A solução não é construir muros, novamente.
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    A solução não é "Fortaleza Alemanha"! "Fortaleza França"!
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    "Fortaleza Grécia"! Fortalezas. Fortalezas por todo o lado!
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    Aqueles muros refletem os nosso fracassos.
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    Isto não é a solução.
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    Isto não é a solução: a política da avestruz. Enterra
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    a cabeça na areia para fingir que estamos
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    no caminho correto. Nós apenas necessitamos de ajustar
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    as políticas. Portanto, se não há soluções,
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    quais são as soluções?
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    A nossa resposta é
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    a procura da democratização das instituições da União europeia
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    para atingir dois objetivos. Primeiro, recalibrar
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    as instituições e políticas existentes com o objetivo de estabilizar
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    as cinco crises que estão a desintegrar a Europa. Dívida. Banca.
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    Baixo investimento que acontece por toda a parte, incluindo a Alemanha.
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    Aumento da pobreza que alimenta a misantropia e o nacionalismo.
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    E, Migração.
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    Para atingir estes objetivos de uma maneira
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    que volte a legitimar o poder político
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    e repolitizar as políticas Europeias.
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    Como é que isto pode acontecer?
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    O sistema obsoleto
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    de criar partidos políticos
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    num contexto estado-nação
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    faz com que se façam promessas que não podem ser cumpridas
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    quando se está no poder.
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    Se alguma vez estiveres no poder...
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    Este sistema acabou.
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    Eu tenho acompanhado ministros das finanças, incluindo
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    dos países
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    que estão desamparados
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    no contexto do Conselho da União Europeia,
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    no contexto do Euro-Grupo.
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    Portanto, se nós estamos corretos,
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    aquele partido político,
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    aquela organização no contexto de
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    estado-nação está no caminho errado.
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    Qual é a única alternativa?
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    A única alternativa é tentar
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    algo que ainda não foi realizado.
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    Um movimento político
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    que começa em toda a Europa,
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    atravessando fronteira
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    independentemente da filiação partidária
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    com um único objetivo.
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    Reunir os Europeus à volta de uma mesa metafórica:
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    uma mesa digital. Uma mesa como
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    a que ocorre esta noite. Discutir como Europeus
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    problemas comuns
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    e aquilo que nós queremos são soluções comuns
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    para problemas comuns.
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    A esperança é esta. Se o consenso surgir
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    e encontrarmos caminhos
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    que expressam o nível
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    local, as origens do estado,
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    da União Europeia...
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    Nós estamos a focar-nos no futuro
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    para dar resposta a muitas
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    e prementes questões.
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    Vamos, então, começar com aquela questão.
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    Q: Presidente Erdogan da Turquia parece
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    ter ameaçado a Europa dizendo que
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    se a Turquia não receber apoio financeiro
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    ele enviará para a Europa
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    uma grande quantidade de refugiados.
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    De que forma é que estas ameaças
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    colocam em causa os objetivos que colocou para o futuro?
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    A: Estas ameaças representam
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    os perigos que estamos a enfrentar e
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    reforça a questão.
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    É tempo de assumir
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    este problema como sendo um problema comum.
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    Não como sendo um problema da Grécia.
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    Não como sendo um problema a ser resolvido pela
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    Grécia, Itália ou Sicília
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    concentrando os refugiados em campos de concentração.
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    Mas, sim como um problema
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    da União, uma poderosa União, uma União rica
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    que tem falhado de forma impressionante nas
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    últimas semanas, e anos,
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    para lidar com um problema comum,
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    problemas sistémicos - sistematicamente.
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    Portanto, a razão pela qual estamos a fazer o que estamos a fazer é preparar-nos para
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    olhar para o Senhor Erdogan
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    nos seus olhos, como Europeus
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    que têm uma política coerente,
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    que é consistente com políticas
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    coerentes de verdadeira solidariedade
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    na Europa.
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    Estabilização económica
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    e parar com a corrida para o abismo
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    que está o forçar a Europa para a
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    desintegração.
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    Q: Sim. Mas, isto não ajuda. Se está a aplicar
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    uma diplomacia arriscada com este tipo de estados..
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    Quando está a tentar resolver problemas
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    da Europa, mas tem parceiros fora
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    da Europa que estão dispostos a colocar-lhe uma arma
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    na cabeça.
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    A. Bem. A força da união!
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    Quando uma arma está na tua cabeça,
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    a última coisa que precisamos é uma situação
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    em que Berlim está contra a Atenas.
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    Atenas contra Paris.
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    Paris contra Bratislava.
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    A próxima questão, por favor.
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    O senhor ali atrás.
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    Q: Disse que queria iniciar um movimento
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    em toda a Europa de uma só vez.
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    O que é que o faz crer que
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    é capaz? Movimentos sociais,
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    movimentos de contestação...ATTAC, por exemplo,
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    não conseguiu
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    e falhou visivelmente.
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    A: Absolutamente nada.
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    Mas é a única forma de eu conseguir acordar
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    de manhã e estar com a energia necessário
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    para isso. O que eu penso está correto.
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    Veja, Harald. Em 2015 foi o jornalista do ano.
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    Foi num ano, em que nós falhamos
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    como Europa, em grande medida pela capacidade de lidar
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    com a política económica, que condenou
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    grande parte da periferia para a
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    depressão permanente.
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    Depressão permanente!
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    Enquanto condenamos ao mesmo tempo
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    as economias excedentárias, economias centrais, como por exemplo
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    Alemanha, Holanda e assim por diante
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    para um processo de destruição de deflação
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    que mina a confiança
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    dos principais países no que diz respeito à capacidade
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    da União Europeia e dos governos
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    em Berlim, na Holanda e assim por diante
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    para lidar com a situação.
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    Pela primeira vez...Deixem-me
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    dizer só uma coisa... Pela primeira vez
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    existe a possibilidade de aliança
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    de democratas.
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    Se eles são democratas liberais,
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    social democratas, democratas radicais,
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    democratas verdes.
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    2015 tem demonstrado a muitas pessoas
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    que o sistema de governo na Europa
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    não é consistente
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    com a partilha de prosperidade.
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    Talvez, o que nós estamos a fazer
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    é permitir que essa aliança possa
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    existir. Algo que os outros movimentos
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    não têm sido bem sucedidos. Lembrem-se
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    que os defensores do capitalismo, do mercado
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    livre, propõem uma visão
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    de que o capitalismo é dinâmico porque
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    ele é um processo de tentativa-erro
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    no qual o mercado determina
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    a pontuação do sucesso.
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    Talvez tenhamos de tentar muitos
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    movimentos para conseguir
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    um, que permita à Europa integrar-se
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    em oposição à desintegração.
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    Talvez este movimento seja
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    um fracasso como disse. No entanto, nós temos de continuar
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    a tentar até que um processo evolutivo ...
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    o processo histórico na Europa
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    esteja na direção, no
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    caminho em direção à integração
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    E, num modo que evite a atual situação de
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    desconstrução.
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    De acordo. Mais uma questão da
  • 12:58 - 13:00
    direita e depois voltamos à esquerda.
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    Q: Eu quero questionar sobre os meios de comunicação social,
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    terminologia (...)
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    corporativa dos meios de comunicação social. Aqui na Alemanha e
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    e nos Estados Unidos da América usam termos como
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    ajustamento estruturais,
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    flexibilidade do mercado de trabalho,
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    pacotes de resgate,
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    como se todas as nações tivessem sido resgatas.
  • 13:18 - 13:20
    Programas de economia. Noam Chomsky diz
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    que o mercado liberal é outro
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    termo para as pessoas não saberem se
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    acordam amanhã com trabalho.
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    Portanto, eu pergunto se este movimento
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    irá adotar este tipo de terminologia ou se irá
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    mudar de forma a transmitir uma imagem mais real sobre
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    o que está a acontecer no terreno.
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    A: Todos nós devemos
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    ter cuidado (...)
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    com o modo como o discurso é distorcido
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    com o objetivo de esconder o que está escondido
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    em determinadas frases e políticas.
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    E, efetivamente, lançar "raios de luz"
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    e transparência. De facto, saber o que as pessoas
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    realmente querem dizer. Não será bom,
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    se a linguagem que é tão útil
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    no contexto do diálogo... Portanto, o que significava
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    teria de ser transmitido aos interlocutores.
  • 14:08 - 14:12
    O meu exemplo favorito é
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    a dupla linguagem. Durante as nossas
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    negociações com a Troika
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    o termo utilizado para reduzir pensões
  • 14:20 - 14:25
    "Restauração intergeracional da justiça".
  • 14:25 - 14:29
    Sim, por favor.
  • 14:33 - 14:35
    Q: "Esquerda Radical"?
  • 14:35 - 14:41
    A: Se leu o nosso manifesto...Hm...
  • 14:41 - 14:45
    É muito claro. É um manifesto para
  • 14:45 - 14:47
    a democratização da Europa e
  • 14:47 - 14:50
    é um apelo a todos os democratas
  • 14:50 - 14:53
    independentemente das ideologias,
  • 14:53 - 14:55
    conceção de boa sociedade,
  • 14:55 - 14:58
    partido político, filiação. Agora, eu
  • 14:58 - 15:00
    é claro, tal como o todos nós,
  • 15:00 - 15:02
    temos os nosso preconceitos,
  • 15:02 - 15:05
    a nossa ideologia.
  • 15:05 - 15:08
    Mas, o DiEM não sou eu, não é Srecko,
  • 15:08 - 15:11
    não é ninguém que estará
  • 15:11 - 15:13
    esta noite em Volksbühne.
  • 15:13 - 15:15
    O movimento somos todos nós.
  • 15:15 - 15:20
    E isto é o manifesto.
  • 15:20 - 15:22
    É tão bom como a palavra do manifesto
  • 15:22 - 15:25
    que procura envolver todos
  • 15:25 - 15:28
    que se preocupam com a redemocratização,
  • 15:28 - 15:30
    devolvendo de novo a democracia
  • 15:30 - 15:33
    à Europa.
  • 15:33 - 15:34
    Q: Acredita que centro-esquerdo e centro-direita é possível?
  • 15:34 - 15:37
    A: Isto é o que nós queremos. Veja,
  • 15:37 - 15:42
    Alguns dos meus melhores amigos políticos
  • 15:42 - 15:47
    associados, se quiser "colaboradores"
  • 15:48 - 15:51
    são pessoas que seriam descritas em Inglaterra
  • 15:51 - 15:53
    as Thatcher-Rights, como neo-liberais.
  • 15:53 - 15:57
    Pessoas que estão escandalizadas
  • 15:57 - 15:59
    pelo vazio de democracia, a falta de
  • 15:59 - 16:01
    democracia em Bruxelas, em Frankfurt
  • 16:01 - 16:02
    nas instituições da Europa
  • 16:02 - 16:05
    que estão a fazer um mau trabalho a dirigir
  • 16:05 - 16:07
    a Europa. Se eu considero possível ser amigo
  • 16:07 - 16:08
    destas pessoas? Eu considero que é perfeitamente possível
  • 16:08 - 16:12
    para o DiEM incluir todos
  • 16:12 - 16:16
    aqueles que simplesmente acreditam na necessidade de
  • 16:17 - 16:21
    repolitizar as políticas com o objetivo de
  • 16:21 - 16:23
    deter a crise económica
  • 16:23 - 16:27
    e a crise de excessivo autoritarismo
  • 16:27 - 16:29
    nesta zona livre-democrática que é
  • 16:29 - 16:33
    Bruxelas e Frankfurt.
  • 16:44 - 16:47
    Q: Redemocratizar significa também
  • 16:47 - 16:49
    defender a constituição
  • 16:49 - 16:51
    dos estados-membros?
  • 16:51 - 16:54
    A: O problema com...Claro que sim!
  • 16:54 - 16:57
    Nós somos democratas-constitucionalistas.
  • 16:57 - 16:59
    Mas, permita-me dizer-lhe uma coisa Senhor:
  • 16:59 - 17:02
    Nós criamos uma moeda comum,
  • 17:02 - 17:05
    nós transferimos a soberania
  • 17:05 - 17:08
    dos nosso estados-nacões para um buraco negro.
  • 17:08 - 17:10
    Nós não criamos uma federação.
  • 17:10 - 17:12
    Se nós tivéssemos criado um governo federal,
  • 17:12 - 17:14
    nós tínhamos transferido a nossa soberania
  • 17:14 - 17:17
    das nosso estados-nações para um estado federal.
  • 17:17 - 17:19
    E nós precisaríamos de uma constituição
  • 17:19 - 17:21
    para fazer isso, que seria mais abrangente
  • 17:21 - 17:23
    e elevaria-se acima das constituições
  • 17:23 - 17:25
    dos nossos estados-nações. Nós não fizemos isso.
  • 17:25 - 17:28
    Por isso, agora não há soberania.
  • 17:28 - 17:29
    Agora apenas existe opacidade. Há
  • 17:29 - 17:34
    autoritarismo. Há dirigentes
  • 17:34 - 17:38
    que talvez eu ou vocês saibam quem são e
  • 17:38 - 17:39
    que são chamados. Mas, a grande maioria
  • 17:39 - 17:42
    dos Europeus talvez nunca
  • 17:42 - 17:43
    tenha visto o seu rosto ou ouvido os seus nomes,
  • 17:43 - 17:45
    que tomam decisões importantes - cruciais-,
  • 17:45 - 17:47
    nas suas costas.
  • 17:47 - 17:49
    E o problema é
  • 17:49 - 17:50
    que a maioria dos Europeus
  • 17:50 - 17:54
    quer concordem comigo ou não,
  • 17:54 - 17:57
    sentem que existe falta de legitimidade.
  • 17:57 - 17:59
    O problema é este, que no
  • 17:59 - 18:02
    contexto de uma deflação em espiral,
  • 18:02 - 18:04
    com a crise de refugiados que não
  • 18:04 - 18:06
    tem sido tratada coletivamente,
  • 18:06 - 18:08
    há um sério risco
  • 18:08 - 18:10
    que este descontentamento
  • 18:10 - 18:11
    provocado pela falta de legitimidade
  • 18:11 - 18:13
    e o desrespeito das constituições
  • 18:13 - 18:16
    sem ter uma constituição federal
  • 18:16 - 18:18
    mais abrangente, conduza à
  • 18:18 - 18:22
    desintegração, ao nacionalismo, a
  • 18:22 - 18:24
    um recuar
  • 18:24 - 18:27
    ao estado-nação. Por outras palavras,
  • 18:27 - 18:28
    simplificando:
  • 18:28 - 18:31
    uma versão pós-moderna de 1930.
  • 18:31 - 18:32
    Os democratas precisam de acabar com isto.
  • 18:32 - 18:35
    Nós temos de dar a oportunidade às pessoas
  • 18:35 - 18:37
    que nunca quiseram ouvir
  • 18:37 - 18:39
    nada do que digo, ou pessoas como eu,
  • 18:39 - 18:41
    Nós temos de dar-lhes esperança
  • 18:41 - 18:44
    que a Europa pode erguer-se
  • 18:44 - 18:46
    reclamando processos constitucionais
  • 18:46 - 18:49
    democratas de modo a que vá ao encontro
  • 18:49 - 18:54
    das ansiedades e aspirações.
  • 18:59 - 19:04
    Q: Eu gostaria de saber para necessitamos do seu movimento. Este novo movimento. Temos outros partidos políticos de esquerda que lutam por...
  • 19:12 - 19:15
    A: Eu espero que saiba que isto poderá ser um sonho
  • 19:15 - 19:18
    para mim.
  • 19:18 - 19:21
    Seria desejável, se existissem movimentos
  • 19:21 - 19:22
    que pudessem fazer este trabalho.
  • 19:22 - 19:23
    Mas não sinto que o possam fazer e
  • 19:23 - 19:25
    não acredito que um movimento de esquerda possa
  • 19:25 - 19:27
    fazê-lo. Eu sou esquerdista. Eu não escondo.
  • 19:29 - 19:32
    Eu penso que todos sabem isso.
  • 19:32 - 19:35
    Mas, eu tenho de ser brutalmente honesto:
  • 19:35 - 19:38
    A esquerda sofreu a maior derrota no
  • 19:38 - 19:42
    final de 1980 e início de 1990. Nós transportamos
  • 19:42 - 19:46
    a maior carga de culpa. Por todos os crimes
  • 19:46 - 19:50
    que os esquerdistas levaram a cabo,
  • 19:50 - 19:53
    não como indivíduos - a culpa
  • 19:53 - 19:54
    coletiva da esquerda-
  • 19:54 - 19:57
    ao longo do século XX.
  • 19:57 - 20:00
    A esquerda não foi bem sucedida
  • 20:00 - 20:04
    desde 1991 e especialmente depois de 2008
  • 20:04 - 20:06
    a maioria, a grande crise financeira
  • 20:06 - 20:09
    que foi impetuosa, desencadeador
  • 20:09 - 20:11
    da crise do Euro, a crise na
  • 20:11 - 20:12
    União Europeia, agora.
  • 20:12 - 20:16
    Nós temos falhado enquanto esquerda para sair
  • 20:16 - 20:18
    do passado, sair
  • 20:18 - 20:22
    confinando-se à minoria.
  • 20:22 - 20:24
    Com isto, na Grécia, brevemente
  • 20:24 - 20:28
    mas isto não foi replicado na Alemanha,
  • 20:28 - 20:31
    não replicado na França.
  • 20:31 - 20:34
    O problema que estamos a enfrentar, contudo
  • 20:34 - 20:36
    como em 1970, são os problemas
  • 20:36 - 20:38
    que são existencialistas
  • 20:38 - 20:41
    para a sobrevivência da Europa e que estão para além
  • 20:41 - 20:42
    dos limites da Esquerda.
  • 20:42 - 20:45
    Por isso é que nós estamos a chamar por uma grande
  • 20:45 - 20:47
    união entre liberais, sociais, esquerdistas,
  • 20:47 - 20:50
    radicais, verde democratas,
  • 20:50 - 20:52
    que acreditam numa ideia muito simples
  • 20:52 - 20:55
    que as pessoas devem ser centrais na
  • 20:55 - 20:56
    "Democracia".
  • 20:56 - 20:58
    E não serem tratadas com desprezo por
  • 20:58 - 21:00
    burocratas que têm usurpado o poder
  • 21:00 - 21:04
    sem que ninguém lhes tenha anunciado.
  • 21:10 - 21:12
    A: Como a situação dos Refugiados tem sido mencionada
  • 21:12 - 21:22
    como ameaça... Eu gostaria se possível, se vê como algo positivo para o seu movimento. como um projeto comum para
  • 21:28 - 21:30
    A: Se leu o nosso manifesto, ele é bastante claro
  • 21:30 - 21:33
    sobre isso: um dos epítetos que nós temos
  • 21:33 - 21:35
    e que está relacionada com a Europa dos nossos sonhos
  • 21:35 - 21:37
    e aspirações, é uma Europa Aberta.
  • 21:37 - 21:40
    A Europa que percebe
  • 21:40 - 21:45
    as barreiras e as fronteiras como reflexo da insegurança.
  • 21:46 - 21:48
    E espalha a insegurança em nome da
  • 21:48 - 21:52
    segurança. Falando agora como Yanis Varoufakis e não como DiEM
  • 21:52 - 21:54
    porque o DIEM tem de ser genuinamente democrático
  • 21:54 - 21:56
    e por isso nós temos de agendar sessões
  • 21:56 - 21:59
    sobre isto, antes de termos uma posição sobre esta questão.
  • 21:59 - 22:01
    Eu vou falar agora, pessoalmente,
  • 22:01 - 22:04
    não como representante do DiEM.
  • 22:04 - 22:06
    Dois pontos sobre os refugiados:
  • 22:06 - 22:10
    Primeiro, desde a tradição antiga da Grécia
  • 22:10 - 22:13
    de philoxenia quando alguém bate à
  • 22:13 - 22:15
    tua porta a meio da noite,
  • 22:15 - 22:17
    eles estão molhados e com fome
  • 22:17 - 22:20
    e eles estão com sangue e assustados,
  • 22:20 - 22:22
    não se faz uma análise de custo-benefício
  • 22:22 - 22:23
    para saber se deves abrir a
  • 22:23 - 22:23
    porta.
  • 22:23 - 22:25
    Tu apenas abres!
  • 22:25 - 22:27
    E, mais tarde, preocupaste com a repercussões
  • 22:27 - 22:29
    do que tu fizeste, muito mais tarde
  • 22:29 - 22:33
    depois da pessoa estar seca, alimentada, sem sede
  • 22:33 - 22:35
    e da pessoa não ter medo.
  • 22:35 - 22:36
    Ponto número um.
  • 22:36 - 22:38
    Ponto número dois:
  • 22:38 - 22:40
    A Europa tem de pensar sobre a sua
  • 22:40 - 22:43
    história. Desde há centenas de anos que temos
  • 22:43 - 22:45
    povoado a Terra.
  • 22:45 - 22:48
    Nós exportados Europeus para As Américas,
  • 22:48 - 22:51
    Austrália, Ásia, África.
  • 22:51 - 22:55
    Nós temos colonizado. Nós já matamos tribos
  • 22:55 - 22:57
    e temos dominado o mundo.
  • 22:58 - 23:01
    Isso foi bom, este era grande parte do êxodo da Europa.
  • 23:01 - 23:03
    Bem, sabem disto? Penso eu!
  • 23:03 - 23:06
    A demografia do planeta está a mudar neste momento
  • 23:06 - 23:08
    e a Europa vai ser novamente
  • 23:08 - 23:10
    repopulada em grande medida
  • 23:10 - 23:11
    por pessoas que vêm de fora da Europa.
  • 23:11 - 23:13
    É melhor aceitarmos isso.
  • 23:13 - 23:15
    Aprender a viver com isso
  • 23:15 - 23:17
    e aprender a extrair algo disso
  • 23:17 - 23:19
    com toda a energia que temos.
  • 23:19 - 23:24
    Nós estamos a ficar envelhecidos
  • 23:24 - 23:27
    e temos de nos concentrar em como lidar com isto.
  • 23:27 - 23:30
    Que políticas precisamos com vista a fazer
  • 23:30 - 23:34
    esta transição dinâmica.
  • 23:34 - 23:36
    Mais próximos dos valores humanistas
  • 23:36 - 23:41
    e dos valores Europeus.
  • 23:54 - 23:59
    Q: Enquanto lia o manifesto vi alguns objetivos a curto prazo como transparência e abertura
  • 24:05 - 24:09
    e alguns objetivos a médio prazo como assembleia constitucional diretamente
  • 24:10 - 24:14
    da população da Europa.
  • 24:14 - 24:17
    Poderia dizer alguns dos meios que tem disponíveis para atingir
  • 24:17 - 24:18
    os objetivos, no contexto europeu?
  • 24:19 - 24:21
    A: Nós não temos meios de qualquer natureza.
  • 24:21 - 24:23
    Nós estamos a começar esta noite.
  • 24:23 - 24:25
    Antes desta noite, nós não existíamos.
  • 24:25 - 24:27
    Eles são. Eles não têm alavancagem.
  • 24:27 - 24:31
    Este é o ponto sobre o movimento,
  • 24:31 - 24:34
    vocês afirmam os princípios, vocês afirmam os objetivos,
  • 24:34 - 24:36
    vocês chamam concidadãos de
  • 24:36 - 24:39
    toda a Europa para se juntarem. Se julgam
  • 24:39 - 24:44
    existir alguma lacuna, há escassez, que
  • 24:44 - 24:45
    há falta e que eles sentem
  • 24:45 - 24:50
    que devem juntar-se a vós e promover
  • 24:51 - 24:54
    coletivamente os objetivos.
  • 24:54 - 24:56
    Portanto, a nossa alavancagem será absolutamente
  • 24:56 - 24:59
    proporcional ao número de pessoas que se
  • 24:59 - 25:02
    juntarem ao DiEM e forem parte ativa
  • 25:02 - 25:05
    na busca dos objetivos comuns.
  • 25:05 - 25:10
    Isto é democracia.
  • 25:12 - 25:16
    Q: Novamente de Lesbos. Neste momento existe uma grande militarização em Lesbos...
  • 25:30 - 25:34
    Qual é a sua solução para solucionar esta situação, porque não se encontra na Europa, nem nas instituições em que apenas os voluntários é que trabalham.
  • 25:44 - 25:48
    Eu quero ouvir algo concreto, que apelo faz esta tarde, ir por outro caminho, não à militarização, encontrar uma politica que resolva o problema. É hora de agir.
  • 25:59 - 26:01
    A: Precisamente! A falha de que acabou de falar
  • 26:01 - 26:05
    descreve a razão fundamental pela qual nós
  • 26:05 - 26:07
    acreditamos: Nós precisamos de um novo movimento
  • 26:07 - 26:10
    na Europa, que dê aos Europeus
  • 26:10 - 26:11
    a oportunidade de discutir isto como Europeus e não como
  • 26:11 - 26:15
    Gregos ou Alemães ou eslovacos.
  • 26:15 - 26:18
    Mas, permita-me, este não é o tempo para
  • 26:18 - 26:21
    articular a política plena de direito
  • 26:21 - 26:22
    Mas, permita-me indicar
  • 26:22 - 26:25
    um ponto muito simples: Verão passado
  • 26:25 - 26:26
    o nosso governo na Grécia - desde que
  • 26:26 - 26:28
    falou sobre Lesbos -
  • 26:29 - 26:33
    foi obrigada a capitular o acordo
  • 26:33 - 26:37
    de empréstimo que leva à bancarrota
  • 26:37 - 26:40
    outros 85 mil milhões. Antes disso
  • 26:40 - 26:41
    nós fomos forçados a aceitar como nação
  • 26:41 - 26:43
    contra os protestos de muitos de nós
  • 26:43 - 26:47
    nas ruas, 130 mil milhões em 2012.
  • 26:47 - 26:49
    Em 2010 nós fomos forçados a aceitar outros
  • 26:49 - 26:53
    110 mil milhões, como uma suposta parte
  • 26:53 - 26:55
    de solidariedade à Grécia - solidariedade para
  • 26:55 - 26:58
    os bancos - mas de qualquer modo
  • 26:58 - 27:01
    Se todos os dez e centenas de mil milhões
  • 27:01 - 27:03
    podem ser "deitados pela garganta abaixo" de uma nação
  • 27:03 - 27:07
    que simplesmente não pode pagar, certamente
  • 27:07 - 27:09
    nós podemos encontrar uma ou duas, pelo qual
  • 27:09 - 27:12
    fazer esta parte da crise humanitária
  • 27:12 - 27:16
    ir-se em embora - na forma mais humana,
  • 27:16 - 27:19
    uma forma que não constitua um
  • 27:19 - 27:22
    passo em direção à militarização.
  • 27:22 - 27:24
    O facto de estarmos a disputar
  • 27:24 - 27:26
    poucas centenas de milhares de
  • 27:26 - 27:29
    euros, quando ao mesmo tempo
  • 27:29 - 27:31
    centenas de milhares de milhões em resgates
  • 27:31 - 27:34
    de empréstimos tóxicos estam a ser listrados
  • 27:34 - 27:37
    com abandono, este é mais um sinal da
  • 27:37 - 27:40
    desintegração da União Europeia
  • 27:40 - 27:42
    A história vai fazer julgamentos muitos duros
  • 27:42 - 27:46
    sobre nós.
  • 27:49 - 27:53
    Q: Fala muitas vezes em práticas democráticas? Somos mais democráticos por exemplo Comunistas?
  • 27:54 - 27:59
    O partido político da Grécia chamado Grécia a deixar a União Europeia
  • 28:01 - 28:04
    A: Permita-me falar sinceramente:
  • 28:04 - 28:06
    Talvez não devessemos ter criado
  • 28:06 - 28:07
    a União Europeia do modo como criamos.
  • 28:07 - 28:09
    Estou convencido que não.
  • 28:09 - 28:11
    Devíamos ou não ter criado
  • 28:11 - 28:15
    de forma muito diferente. Mas uma vez criada,
  • 28:15 - 28:17
    a desintegração da União
  • 28:17 - 28:21
    Europeia irá trazer
  • 28:21 - 28:26
    um colapso muito rápido que irá lembrar
  • 28:26 - 28:28
    de diferentes modos, o que aconteceu
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    em 1930 e o que eu respondo ao meus amigos
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    no Partido Comunista, partes radicais
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    da esquerda, com que articulamos
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    posições, que talvez a desintegração,
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    leva à moeda nacional,
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    à nação-estado e assim por diante.
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    É a solução, é lembrar-lhes
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    isto. Quando temos tanta desintegração em
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    1930. Não foi humanismo
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    e não foi a esquerda, que beneficiou.
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    Foi o fascismo, e foram os Nazis
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    e a Europa que caiu numa terrível ratoeira
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    com imensos custos humanos
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    Nós queremos o mesmo?
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    Eu certamente não quero.
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    Temos tempo para uma última questão.
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    Aqueles que estão acreditados convidamos a colocarem questões
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    mais tarde.
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    Q: Como irá envolver pessoas de países pequenos no DiEM?
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    Nós somos crentes no agir localmente,
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    num contexto mais abrangente de agenda
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    pan-europeu. Por isso, haverá
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    diferentes formas de participação.
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    Haverá uma aplicação, um app
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    para o telemóvel das pessoas. Haverá um
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    website, portanto uma plataforma digital, que
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    hoje em dia é essencial
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    para qualquer um que queira fazer algo coletivamente,
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    até a um nível individual. Estas plataformas
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    digitais irão permitir às pessoas na Eslovenia,
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    em Ljubljana, procurar quem está ao seu redor,
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    e envolve-las. A nossa ideia é mover-nos
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    muito rapidamente da comunicação
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    digital para lugares de eventos nas cidades,
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    vilas, cidades.
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    Sobre os temas que decidimos coletivamente
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    que atravessam a Europa. Levando a eventos
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    maiores como este que temos hoje.
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    Num processo contínuo,
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    portanto, que a comunicação digital possa tornar-se
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    análogo e tomar formas de
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    encontros face-to-face, até ao nível
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    local, de estado, de pan-Europeu.
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    Muito obrigado. Talvez, Yanis queiras
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    transmitir uma última mensagem ou ...
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    Bem, a mensagem final é que
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    não há dúvida nenhuma
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    que, o que nós estamos a fazer com o DiEM
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    parece em grande medida Utopia.
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    A ideia de começar um movimento Europeu
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    não a partir de um país específico
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    não a partir de uma organização base existente,
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    mas de uma perspetiva horizontal
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    atravessando a Europa com o objetivo de mudar a Europa
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    e parar esta descida em direção a este buraco
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    da desintegração que se está a abrir para nós.
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    Para ser algo muito longínquo e pode
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    muito bem falhar, mas qual é a
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    alternativa? A alternativa é
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    continuar a fingir, como os poderes que
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    na União Europeia estão a fazer
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    que pretendem manter esta Europa.
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    A União que nós temo agora.
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    Eles não podem - isto é mais Utopia do
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    que aquilo que nós estamos a fazer!
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    E por fim: A alternativa para este
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    projeto Utópico é uma horrível distopia
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    que irá punir severamente todas as pessoas
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    exceto aqueles que floresceram e encontraram caminhos
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    para aproveitar isto - Beneficiando dos desastres
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    humanos.
  • 32:21 - 32:26
    Muito obrigado!
Title:
Conferência de Imprensa Yanis Varoufakis & Movimento Democracia na Europa 25
Description:

No dia 9 de Fevereiro de 2016, Yanis Varoufakis e Srecko Horvat lançaram o movimento chamado Movimento Democracia na Europa 25 (DiEM25) em Berlim em Volksbühne.

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Video Language:
English
Duration:
32:36

Portuguese, Brazilian subtitles

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