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Sir Ken Robinson - Mudando paradigmas

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    (Visão - As ideias de amanhã, hoje)
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    (Sir Ken Robinson "Mudando paradigmas" - ganhador da medalha Benjamin Franklin da Royal Society of Artists.)
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    Muito obrigado. Vocês ficaram surpresos quando souberam que eu ganhei a medalha?
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    Sim ou não? Vocês ficaram ansiosos, não foi? "Quem será?"
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    Obrigado. Eu me sinto humilde por ganhar esse prêmio.
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    Eu estive pensando, sentir-se humilhado não é um sentimento comum, não é mesmo?
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    Eu não costumo me sentir humilde - depreciado, humilhado, colocado para baixo.
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    Sentir-se humilde está mais para um sentimento antigo, não é? Não é uma emoção moderna.
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    Mas eu o sinto, e particularmente, ao ganhar esse prêmio com o nome de Benjamin Franklin,
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    que foi um homem notável. Ele morava perto daqui, na rua Craven. A casa fica a poucos minutos daqui,
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    e eu recomendo a vocês uma visita. Ela acabou de ser reformada.
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    É uma poderosa evocação da vida dessa extraordinária figura,
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    um homem que estava profundamente envolvido no crescimento do industrialismo,
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    parte do Iluminismo, no coração da criação do Novo Mundo,
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    e apaixonado pela educação.
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    Um homem que também estava profundamente envolvido na ciência, artes, humanidades e política.
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    Um polímato, penso eu, uma figura renascentista no coração do Iluminismo -
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    e um dos primeiros membros importantes da Royal Society of Arts.
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    Se vocês não conhecem essa instituição, eu sugiro que vocês busquem mais informações.
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    Ela foi fundada, acho que estou certo, em 1753, por William Shipley,
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    e o seu nome completo é Royal Society of Encouragemente of Arts, Manufactures and Commerce.
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    E teve uma longa estória na promoção e defesa das formas adequadas de educação pública.
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    Eu tive um longo contato com a RSA. Eu dei uma palestra aqui
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    - talvez até Matthew não saiba sobre isso - em Julho de 1990, nessa sala.
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    Eu me proponho a repeti-la palavra por palavra, tudo bem? (Platéia ri)
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    Vocês não acharam que ia gastar o meu tempo inventado algo novo, certo?
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    Não, em 1990, eu estava dirigindo um projeto nacional de artes nas escolas
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    e havia publicado um livro de artes nas escolas.
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    Eu tinha uma grande paixão pela arte, e a gente se encontrava aqui,
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    um pouco depois da introdução do currículo nacional na Inglaterra,
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    que se enganou profundamente quanto ao lugar da arte na educação.
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    Sim, eu estava falando sobre como as artes poderiam fazer parte da grade escolar.
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    E aqui estamos, 17 anos depois - bem, está tudo tão diferente, eu sinto.
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    Eu quero dizer algumas palavras a respeito, e quero mostrar para vocês dois pequenos vídeos,
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    e então conversar com vocês.
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    Uma das coisas que têm acontecido comigo desde 1990 é que eu me mudei para os E.U.A,
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    eu me mudei para lá há 7 anos, à convite do Getty Center.
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    Eu não voei para a Grã-Bretanha, mas se coloquem no meu lugar:
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    Eu recebi uma chamada no meu celular no dia 3 de Janeiro de 1990, quando eu vivia perto de Coventry.
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    E um cara disse: "Você gostaria de vir para cá e viver na Califórnia?" (Platéia ri)
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    A gente foi, imediatamente. (Platéia ri) Eu não perguntei qual era o trabalho, a gente apenas foi.
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    E - o telefone ainda está pendurado no gancho, na verdade, na casa,
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    e nós esperamos que algum dia as crianças irão nos rastrear, mas não nos importamos.
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    Mas agora eu vivo nos E.U.A, e adoro. Quem já esteve em L.A? Alguém aqui?
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    É um lugar extraordinário.
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    Eu e minha mulher estivemos em Las Vegas recentemente. Estamos juntos há 30 anos
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    e decidimos nos casar novamente no ano passado.
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    Então a gente foi para a Capela do Elvis (Platéia ri). Eu recomendo. Vocês deveriam tentar.
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    Nós compramos o pacote Blue Hawaii, mas há outros. Com o pacote Blue Hawaii, você consegue o
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    dublê do Elvis, quatro músicas, a capela, e claro, umas tragadas no meio do caminho ,
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    você precisa pedir isso - e uma garota havaiana, que era opcional, mas eu optei por ela,
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    por motivos que me agradavam mais, francamente.
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    Por mais cem dólares, poderíamos conseguir um Cadillac rosa, mas nós achamos que isso seria um pouco brega.
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    Achamos que ele destoaria muito da ocasião,
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    mas eu menciono isso porque Las Vegas é um exemplo icônico das coisas sobre as quais eu gostaria de conversar com vocês.
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    Não Las Vegas em si, mas a ideia que a fez crescer.
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    Se vocês pensarem um pouco, todas as outras cidades da Terra têm uma razão para estarem onde estão.
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    Como Londres, que está numa doca natural, portanto é boa para o comércio, ou está num porto,
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    ou num vale, então é bom para a agricultura, ou está ao lado de um morro, então é bom para a defesa.
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    Mas nada disso é verdade em Las Vegas. Não há motivos geográficos para ela estar ali.
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    O único motivo pelo qual ela está ali é o mesmo que levantou essa organização,
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    que afeta cada aspecto de sua vida, que faz a humanidade ser o que é.
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    A única coisa, na minha opinião, que é o poder extraordinário,
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    que é concedido aos seres humanos, e que nenhuma outra espécie tem, pelo menos em tese.
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    Eu falo do poder da imaginação. Nós a consideramos como totalmente garantida.
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    Essa capacidade de trazer à mente as coisas que não estão presentes,
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    e com base nisso, conjecturar sobre coisas que nunca aconteceram, mas que poderiam acontecer.
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    Todos as características da cultura humana, ao meu ver, são consequências dessa capacidade única.
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    Outras criaturas podem ter algo parecido, outras criaturas cantam,
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    mas não escrevem óperas. Outras criaturas são ágeis, mas não são parte do comitê das olimpíadas.
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    Elas se comunicam, mas não têm festivais de teatro.
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    Têm estruturas, mas não constroem prédios e nem colocam mobília nele.
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    Nós somos os únicos com essa capacidade, uma capacidade que tem produzido a mais extraordinária diversidade
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    da cultura humana, empreendimentos, inovação, 6000 línguas atualmente faladas no mundo.
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    E a grande aventura que produziu, entre outras coisas, a Royal Society of Arts,
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    e todos os seus trabalhos.
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    Mas eu acredito que estamos destruíndo sistematicamente essa capacidade em nossas crianças e em nós mesmos.
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    Agora, escolho minhas palavras com cuidado. Eu não digo "deliberadamente".
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    Eu não acho que é deliberado, mas acontece que é sistemático.
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    Nós fazemos isso rotineiramente, sem pensar, e isso é o pior de tudo.
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    Porque nós admitimos certas ideias sobre educação, crianças,
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    sobre o que é ser educado, sobre necessidade social e utilidade social, e propósito econômico.
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    Nós admitimos essas ideias, mas elas acabam se revelando falsas.
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    Muitas ideias que parecem óbvias se tornam falsas. Essa foi, de fato, a grande aventura do Iluminismo:
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    ideias que pareciam óbvias, mas que se mostraram falsas.
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    Ironicamente, eu acredito que o legado do Iluminismo agora está dificultando
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    as reformas que são necessárias para a educação.
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    Nós crescemos num sistema de educação público que é o dominado por duas ideias.
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    Uma delas é uma concepção de utilidade econômica. E você pode ilustrar isso diretamente.
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    Está implícita na estrutura do currículo escolar. Está ali.
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    Há, em todas as grades escolares da Terra, uma hierarquia de assuntos. Vocês a conhecem: Passaram por ela.
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    Se você é um educador, provavelmente concordou ou contribuíu com ela, de alguma forma.
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    Quando nos mudamos para os E.U.A, colocamos nossos filhos no colegial, e ele era reconhecível.
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    O currículo é totalmente reconhecível: Matemática, ciências e o inglês lá em cima;
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    então vêm as humanidades, lá embaixo, e as artes, no fundo.
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    E nas artes, sempre há outra hierarquia, arte e música são sempre mais valorizadas do que
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    o drama e a dança.
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    Não há uma escola no país que eu conheça - um sistema escolar, quero deixar bem claro -
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    não há um sistema escolar, atualmente, em nenhum lugar, que ensine dança todos os dias, sistematicamente,
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    para todas as crianças, da mesma forma que exigimos delas o aprendizado da matemática.
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    Eu não estou contra a matemática, pelo contrário. Mas porque a dança é uma perdedora dentro desse sistema?
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    Bem, pensem, uma das razões é que as pessoas nunca viram nenhuma função econômica nela.
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    Portanto, há um julgamento econômico, que é consolidado na estrutura da grade escolar.
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    E eu tenho certeza de que foi verdade para vocês: Provavelmente vocês se sentiram benignamente desviados
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    das coisas que faziam bem na escola, e direcionados para as coisas
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    que as outras pessoas sugeriam como mais úteis para vocês.
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    Efetivamente, nosso currículo escolar está baseado na premissa de que há dois tipos de assuntos:
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    úteis e inúteis. E os inúteis caem, eventualmente.
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    E eles caem especialmente quando o bolso começa a ficar apertado, como sempre está.
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    George Bush esteve na cidade hoje, não foi? Eu apenas pensei que deveria compartilhar a dor, só isso.
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    Eu estou sentido. Não: Presidente Bush, como eu o chamo, foi responsável, com outros,
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    por uma lei multipartidária que busca reformar a educação pública.
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    E eu conversei muito sobre isso, agora vivo nos E.U.A, o que vou continuar dizendo, só para fazer vocês sentirem mal, certo?
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    Eu moro na Califórnia e vocês não.
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    Não, quando cheguei nos E.U.A, me disseram que os americanos não entendem a ironia.
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    Isso não é verdade. Esse é um conceito inglês. Eu me sinto tranquilo a seu respeito porque há outros.
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    Quando a gente foi para E.U.A, nos deram um guia
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    de como se portar no país - de verdade, foi o nosso agente imobiliário. Como se portar nos E.U.A.
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    Agora eu estou entregando ele para todos os norte-americanos que encontro, tipo: "Faça, faça", você sabe
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    "Vamos todos nos comportar devidamente, certo?" Mas uma das coisas que foi dita nele foi:
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    "Não abrace os norte-americanos. Eles não gostam". De verdade, era explícito:
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    "Não abrace os norte-americanos. Eles não gostam" Isso é um absurdo. Eles amam um abraço.
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    Os norte- americanos com quem convivi amavam um abraço, mas nós pensávamos que não,
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    então, durante o primeiro ano, nós mantivemos nossos braços perto de nós em reunões sociais, pelo medo de ofendê-los,
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    e tudo isso contribuíu para a ideia de que nós éramos um exemplo da seriedade britânica,
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    ou de que éramos refugiados do Rio Dance.
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    Mas me disseram que os norte-americanos não reagem à ironia. E então eu me deparei com um projeto
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    de lei norte-americana chamado "Abandono de criança zero".
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    E eu pensei, qualquer um que crie esses título entende as ironias,
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    porque a legislação está abandonando milhões de crianças
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    Claro, não é um nome muito atraente para uma legislação,
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    "Milhões de crianças abandonadas"; eu posso imaginar, mas acreditem ou não,
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    é o ato educacional de 1998 nesse país.
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    Foi o manifesto que inspirou o trabalho de Chris Woodhead, acredito eu,
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    durante a sua estada na OFSTED.
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    Eu acho que isso é importante, porque isso, para mim, é uma ideologia de educação,
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    descarada, e esse é o problema.
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    Deixem-me falar sobre a mudança de paradigmas. Minha convicção é de que devemos fazer muitas coisas, mais
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    do que acontece atualmente. Todos os países do mundo, nesse momento, estão reformando a educação pública.
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    Eu não conheço nenhuma excessão. Lembrem-se, o que há de novo? Nós sempre reformamos a educação pública.
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    Mas agora estamos fazendo isso consistente e sistematicamente, por todos os lugares.
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    Há duas razões para isso. A primeira é a econômica. As pessoas tentam planejar
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    um forma de educação para as nossas crianças ocuparem os lugares no sistema econômico do século XXI?
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    Como fazemos isso, já que não podemos prever como será a economia
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    no final da próxima semana, como a recente crise está demonstrando?
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    Como fazemos isso? O segundo pensamento é cultural. Todos os países da Terra estão tentando descobrir
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    como poderemos educar nossas crianças para que elas tenham um senso de identidade cultural e
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    para que possamos transmitir os genes culturais de nossas comunidades,
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    enquanto somos parte de um processo de globalização? Como vamos solucionar esse problema?
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    A maioria dos países, penso eu, estão fazendo o que fizemos em 1988, agindo com a premissa
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    de que o desafio é reformar a educação, criar uma versão melhor daquilo que ela já foi.
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    Em outras palavras, o desafio é apenas o de fazer melhor o que fizemos antes.
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    E nós temos que elevar o padrão. Dizem que nós temos que elevá-los, como se isso fosse uma grande descoberta.
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    Claro, deveríamos. Porque vocês os rebaixariam?
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    Eu não me deparei com nenhum argumento que me persuadiu a baixá-los.
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    Mas elevando-os - claro que deveríamos elevá-los. O problema é que o sistema de educação atual,
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    pelo meu ponto de vista e experiência, foi elaborado, concebido e estruturado para uma época diferente.
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    Foi concebido dentro da cultura intelectual do Iluminismo, e das circunstâncias econômicas da Revolução Industrial.
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    Antes de meados do século XIX, não havia sistemas de educação públicos.
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    não mesmo, quero dizer, você poderia ser educado pelos jesuítas, se tivesse dinheiro.
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    Mas educação pública, paga pelos impostos, compulsória para todos,
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    e livre, foi uma ideia revolucionária.
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    E muitas pessoas se opuseram a ela. Disseram: "As crianças de rua e da classe trabalhadoras não serão beneficiadas
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    com a educação pública: Elas são incapazes de ler e escrever,
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    porque estamos perdendo tempo com isso?"
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    Portanto há nessa declaração uma série de suposições sobre
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    a capacidade de estruturação social. Mas ela foi elaborada para os seus propósitos, e por isso, enquanto o sistema de educação público evoluíu
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    durante o século XIX e o começo do século XX, nós tivemos uma base muito ampla de educação elementar,
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    escolas infantis.Todos frequentaram-nas. Meu avô frequentou.
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    Ele saiu da escola quando tinha doze anos. A maioria das pessoas também o fazia na época, na virada do século.
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    E então, gradualmente, nos introduzimos uma camada sobre essa, uma educação secundária,
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    e algumas pessoas frequentaram-na. Meu pai saiu da escola com quatorze, passando por ela.
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    E então, um pequeno setor da universidade, logo acima.
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    E a expectativa era de que as pessoas tentariam subir, e poucas conseguiriam chegar ao topo,
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    e ir para a universidade. Ela foi modelada pelas premissas econômicas do industrialismo,
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    isto é, que precisamos de um grande número de pessoas para fazer o trabalho manual,
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    e, com dificuldades, elas poderiam estudar línguas e aritmética;
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    um grupo menor faria o trabalho administrativo: para isso que serviram as aulas de gramática;
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    até grupos menores que fugiriam e dirigiriam o império para nós,
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    se tornando advogados, juízes e doutores - e eles foram as universidades.
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    Agora, eu simplifico, mas foi mais ou menos assim que a coisa aconteceu.
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    E era dirigida por uma demanda econômica da época, mas em contrapartida,
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    havia um modelo intelectual da mente, que era essencialmente uma visão de inteligência do Iluminismo,
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    de que a inteligência real consiste numa capacidade de certo tipo de raciocínio dedutivo,
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    e o conhecimento dos clássicos, o que viemos a considerar como uma habilidade acadêmica.
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    E está nos genes da educação pública a ideia de que há dois tipos de pessoas:
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    Acadêmicos e não-acadêmicos; pessoas inteligentes e pessoas que não são inteligentes.
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    E a consequência disso é que muitas pessoas brilhantes pensam que não o são,
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    porque estão são julgadas por esse ponto de vista particular.
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    Então nós temos pilares gêmeos: econômico e intelectual. E o meu ponto de vista
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    é que esse modelo causou um caos na vida das pessoas.
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    Foi ótimo para alguns: existem pessoas que se beneficiaram maravilhosamente com ele.
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    Mas a maioria não, e isso criou um problema enorme.
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    Eu pronunciei numa conferência - bem, a conferência da TED a quem Matthew se referiu.
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    Entre os que discursavam estava Al Gore, ou Al, como eu o chamo.
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    Al Gore deu uma palestra na conferência da TED - por falar nisso, se vocês não a conhecem,
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    eu recomendo que vocês visitem o site, TED.com: é fantástico.
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    Mas Al Gore fez um discurso que se tornou o filme "Uma verdade inconveniente".
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    O ponto de vista de Al Gore, que não é dele, ele seria o primeiro a dizer isso, remonta à Rachel Carson, e até antes.
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    Ele remonta, se vocês observarem, até mesmo ao trabalho de Linnaeus, no século 18,
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    de Franklin, e dessa sociedade.
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    Eles estavam preocupados com a ecologia
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    e a sustentabilidade do industrialismo durante os séculos 17 e 18.
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    Mas o seu trabalho é uma tentativa de colocar a hipótese num contexto moderno.
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    Eu acho que ele está certo, e não é só ele que vê assim. Um grupo de geólogos recentemente publicou um jornal
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    no qual eles demonstram que a Terra entrou num novo período geológico.
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    Classicamente, a ideia é de que desde o final da Era do Gelo, cerca de 12.000 anos atrás,
  • 18:50 - 18:52
    estamos num período denominado Holocene.
  • 18:53 - 18:57
    Eles acham que nós entramos num novo período. E dizem que se
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    uma futura geração de geólogos viesse para a terra, eles veriam as evidências,
  • 19:01 - 19:06
    a mudança da personalidade geológica da Terra. Eles veriam isso através de evidências como
  • 19:07 - 19:11
    os depósitos de carbono na crosta terrestre, a acidificação dos oceanos,
  • 19:11 - 19:16
    a extinção em massa de espécies, a mudança da atmosfera terrestre,
  • 19:17 - 19:19
    e centenas de outros indicadores.
  • 19:19 - 19:23
    Eles dizem que é, sem sombra de dúvidas, um novo período geológico.
  • 19:23 - 19:30
    Muitos cientistas ganhadores do Nobel concordaram. Eles estão provisioramente chamando o nosso período não de
  • 19:30 - 19:38
    Holoceno, mas Antropoceno. O que eles querem dizer com isso é que há uma era criada pelas atividades humanas, como em Anthropos.
  • 19:39 - 19:43
    E eles dizem que não há questionamento histórico a respeito disso.
  • 19:43 - 19:50
    E é aí que eu quero chegar. Benjamim Franklin, Thomas Jefferson, William Shipley,
  • 19:50 - 19:54
    e grandes figuras do Iluminismo, tanto da política quanto das ciências e artes,
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    estavam concebendo a educação pública, estruturas civis, políticas de deveres
  • 20:02 - 20:08
    num momento de agitação revolucionária. Foi a idade das revoluções na França, E.U.A,
  • 20:08 - 20:11
    não muito depois da perturbação da ordem pública aqui,
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    num tempo de inovações intelectuais extraordinárias e novos horizontes.
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    Antes delas não havia nada que levasse à uma era tanta inovação
  • 20:20 - 20:23
    e mudanças tão extraordinárias.
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    E foi uma caracterização justa para aquela época.
  • 20:28 - 20:32
    Mas há muitas evidência para mostrar, que, o que acontecia naquela época
  • 20:32 - 20:33
    não era nada parecido com o que acontece hoje.
  • 20:34 - 20:38
    Eu acredito que as mudanças que estão acontecendo na Terra não têm precendentes,
  • 20:38 - 20:41
    no que diz respeito às suas características e implicações.
  • 20:41 - 20:48
    E a nossa melhor salvação é desenvolver uma capacidade imaginativa, e fazer isso sistematicamente
  • 20:48 - 20:52
    através da educação pública, e conectar as pessoas aos seus verdadeiros talentos.
  • 20:52 - 20:55
    Não podemos mais aceitar essa devastação.
  • 20:56 - 20:59
    Quando Al Gore fala sobre isso, eu acredito. E eu acho que se vocês não pensarem
  • 20:59 - 21:03
    que há uma crise no ambiente natural do mundo, então vocês não vão prestar atenção.
  • 21:04 - 21:08
    E eu optaria por deixar o planeta o mais rápido possível, certo?
  • 21:09 - 21:13
    Eu acredito que há uma crise climática ao mesmo tempo.
  • 21:15 - 21:17
    Uma delas provavelmente é suficiente para vocês.
  • 21:17 - 21:21
    Vocês sabem: Eu acho que agora estou bem, uma é bom. Eu não preciso de outra.
  • 21:22 - 21:26
    Mas há uma segunda, e o meu trabalho é sobre ela, e eu acho que muitos de vocês
  • 21:26 - 21:30
    ficarão preocupados, e eu sei o que preocupa Edge,
  • 21:30 - 21:32
    Matthew e o comitê da Royal Society of Artists.
  • 21:32 - 21:36
    Mas deixem-me mostrar de um forma particular para vocês. Eu acredito que há uma crise global,
  • 21:36 - 21:41
    não apenas de recursos naturais, embora eu acredite nisso - uma crise global dos recursos humanos.
  • 21:43 - 21:47
    Eu acredito que o paralelo com a crise do mundo natural está certo.
  • 21:48 - 21:51
    E os custos para limpar isso são catastróficos.
  • 21:51 - 21:58
    Vou dar a vocês dois rápidos exemplos. Na Califórnia, o governo estadual gastou, no ano passado,
  • 21:59 - 22:04
    cerca de três bilhões de dólares no sistema universitário estadual.
  • 22:04 - 22:11
    Esses são dados públicos. Eles gastaram mais de 9 bilhões de dólares no sistema carcerário do estado.
  • 22:13 - 22:18
    Eu não posso acreditar que na Califórnia nascem mais criminosos em potencial
  • 22:18 - 22:25
    do que alunos de faculdade em potencial. O que há por ali são pessoas em más condições se dando mal.
  • 22:26 - 22:28
    Eu me lembro de Bernard Levin, uma vez, ele escreveu num de seus artigos do Times
  • 22:28 - 22:33
    dizendo que ele esteve num jantar, e lá perguntaram para ele:
  • 22:33 - 22:35
    "As pessoas são essencialmente boas ou más?".
  • 22:35 - 22:38
    E ele disse, sem hesitação, que são boas.
  • 22:38 - 22:42
    Ele disse que eu fiquei surpreso ao descobrir que eu era uma minoria naquela mesa, minoria de um só.
  • 22:42 - 22:46
    Mas ele acreditou com Viktor Frankl, que sobreviveu ao Holocausto
  • 22:46 - 22:50
    e viu seus pais morrerem, e por isso, as pessoas são essencialmente boas.
  • 22:50 - 22:55
    Eu acredito que elas sejam boas, mas há pessoas que vivem em más circunstâncias e condições.
  • 22:56 - 23:01
    E se você colocar as pessoas em más condições, elas se comportarão de formas diferentes.
  • 23:01 - 23:04
    Então nós gastamos muito do nosso tempo remediando o dano.
  • 23:05 - 23:09
    Enquanto isso, eu acho que outro paralelo perfeito é que as indústrias farmacêuticas
  • 23:10 - 23:14
    estão colhendo o ouro dessa desgraça.
  • 23:16 - 23:23
    Se você der uma olhada no crescimento do uso de antidepressivos, da prescrição de drogas que são usadas para o tratamento da depressão,
  • 23:23 - 23:27
    para reprimir os sentimentos das pessoas, essa é uma corrida do ouro
  • 23:27 - 23:29
    as indústrias farmacêuticas não querem curar a depressão, pelo contrário.
  • 23:31 - 23:37
    Uma das coisas que vi recentemente foi que as taxas de suicídio das pessoas entre os 15 e 30 anos
  • 23:37 - 23:42
    aumentou mais de 60%, globalmente, desde os anos 60.
  • 23:42 - 23:45
    É uma das maiores causas de morte entre os jovens.
  • 23:45 - 23:50
    O que é isso? Pessoas nascidas com esperança e otimismo, que decidiram fugir
  • 23:50 - 23:52
    porque não conseguiram lidar com a situação.
  • 23:52 - 23:56
    Eu não digo que a educação seja parte, ou responsável por isso,
  • 23:56 - 23:59
    mas contribui para isso. Isso é tudo o que eu quero dizer.
  • 23:59 - 24:04
    Eu acho que essa crise dos recursos humanos é absolutamente urgente e palpável.
  • 24:05 - 24:11
    Para mim, o desafio não é reformar a educação, mas transformá-la em algo diferente.
  • 24:12 - 24:15
    Eu acho que temos que chegar a um conjunto definitivo de hipóteses.
  • 24:16 - 24:20
    Eu digo isso deliberadamente porque estive envolvido em todos os tipos de iniciativas durante
  • 24:20 - 24:25
    a minha vida profissional. Eu comecei com trabalhos dramáticos, me mudei e comecei alguns projetos escolares
  • 24:25 - 24:28
    com algumas pessoas que estão aqui, conhecidos há anos, e com quem trabalhei por muitos anos,
  • 24:29 - 24:30
    e eu tive uma longa parceria com a RSA.
  • 24:30 - 24:36
    Uma das grandes iniciativas da Royal Society of Artists, nos anos 80, foi a "Educação para capacitação".
  • 24:36 - 24:40
    Vocês deveriam dar uma olhada nela. Ali há coisas extraordinariamente úteis e práticas,
  • 24:40 - 24:44
    e havia pessoas maravilhosas envolvidas: Charles Handy, a quem eu conheci recentemente,
  • 24:44 - 24:49
    bem, não recentemente, mas o conheci bem nos últimos anos. Ele era o presidente da RSA;
  • 24:49 - 24:54
    Tyrell Burgess, Corelli Barnet, Patrick Lutchens,
  • 24:54 - 24:57
    Quando eu era um estudante, dividi um apartamento com o filho de Patrick -
  • 24:59 - 25:05
    e - um tipo de galáxia de poderosos pensadores - John Tomlinson, que foi presidente daqui por um tempo,
  • 25:06 - 25:07
    esteve comigo na Universidade de Warwick.
  • 25:08 - 25:12
    Havia um longa tradição de discursar por melhoras, por alternativas.
  • 25:12 - 25:16
    E mesmo assim, sucessivos governantes assumem e fazem o que fizeram antes.
  • 25:17 - 25:22
    E isso me preocupa - eu falo por mim mesmo - sabem, que depois de todo o otimismo que senti
  • 25:22 - 25:29
    dez anos atrás, eu acho que tivemos, dos últimos dez anos - um tipo de numerosas políticas,
  • 25:30 - 25:34
    mas poucos princípios. Eu não consigo perceber o que elas acrescentaram.
  • 25:35 - 25:38
    E eu digo isso porque eu não as via antes, e não as vejo em nenhum outro lugar.
  • 25:38 - 25:41
    Quero dizer, acho que há alguns países que recebem bem isso, mas nós não.
  • 25:41 - 25:45
    E o motivo é porque não estamos, fundamentalmente, mudando as pretensões implícitas ao sistema,
  • 25:45 - 25:50
    que deveriam lidar com a inteligência, habilidade, propósito econômico e com o que as pessoas precisam.
  • 25:50 - 25:54
    Nós ainda educamos pessoas de fora para dentro. Nós descobrimos do que o país precisa
  • 25:54 - 26:00
    e tentamos, e conseguimos obter algo para sua conformidade, mais do que procurar as coisas que levam as pessoas adiante,
  • 26:00 - 26:05
    construíndo sistemas de educação a partir de um modelo de personalidade, o que eu acho que deveríamos ter.
  • 26:05 - 26:11
    Eu só quero mostrar a vocês dois vídeos curtos - eu não preciso,
  • 26:11 - 26:13
    mas já que tive o trabalho de prepará-los... -
  • 26:17 - 26:19
    Eu só quero dar um exemplo de duas coisas aqui.
  • 26:20 - 26:22
    Por falar nisso, muitas coisas que Matthew gentilmente disse estão nesse livro.
  • 26:23 - 26:32
    A propósito, esse livro é excelente. Certo? Nada é melhor do que esse livro.
  • 26:32 - 26:36
    Isto é, ao menos que você compre este livro,
  • 26:36 - 26:40
    que é o novo, e vai sair em Janeiro pela Penguin. Eu estou muito ansioso por ele.
  • 26:40 - 26:44
    Este livro é sobre a natureza do talento humano, e como as pessoas o descobrem.
  • 26:44 - 26:49
    Está baseado na premissa de que as pessoas fazem o seu melhor quando fazem algo que amam,
  • 26:49 - 26:56
    quando estão em suas áreas. Eu estava tentando entender o que é isso. O que é estar na sua área?
  • 26:56 - 27:01
    Eu falei com cientista, artistas, chefes de negócios, poetas, pais e crianças.
  • 27:01 - 27:06
    E me parece, a evidência é absolutamente persuasiva, que quando as pessoas se conectam
  • 27:06 - 27:11
    com este poderoso senso de talento interno, descobrem o que podem fazer, se tornam outras pessoas.
  • 27:11 - 27:15
    Para mim, esta é a premissa para a construção de um novo sistema educacional.
  • 27:15 - 27:19
    Não se trata de trazer força para o velho modelo, mas reconstituir o nosso senso individual.
  • 27:19 - 27:27
    E acontece que ele sinergiza -ah, isso é um verbo? Não tenho certeza - com os novos planos econômicos.
  • 27:30 - 27:34
    Há duas grandes unidades de mudança, atualmente: uma é a tecnologia, sabem disso?
  • 27:35 - 27:40
    Essa é uma célula cerebral. O que eu quero destacar,
  • 27:40 - 27:44
    é que a tecnologia está se movendo mais rápido do que a maioria das pessoas realmente entendem.
  • 27:44 - 27:49
    Quantos de vocês se consideram baby-boomers, ou mais velhos?
  • 27:51 - 27:58
    Bem que imaginei. Todos vocês - quem não é? Quem se considera como geração X ou milenar? Certo.
  • 27:58 - 28:04
    Os baby-boomers e os mais velhos - Na verdade, não. Vocês que têm mais do que 30, vocês podem levantar a mão
  • 28:04 - 28:06
    se estiverem usando um relógio de pulso?
  • 28:06 - 28:14
    Aí vamos nós, obrigado. Estou curioso. Não, isso é interessante.
  • 28:14 - 28:19
    Faça a mesma pergunta para uma sala cheia de adolescentes. Pergunte se eles usam relógios de pulso. A maioria não usa.
  • 28:19 - 28:24
    E o motivo é - eu queria - pelo qual eles não usam relógios de pulso
  • 28:24 - 28:28
    é porque eles não vêem sentido. Porque eles podem saber do horário de muitas outras formas.
  • 28:28 - 28:32
    No seus iPhones, Ipods, celulares - está em todo lugar.
  • 28:32 - 28:37
    Não, porque eu deveria usar isso? E minha filha vem e diz: "Porque eu deveria colocar um dispositivo específico
  • 28:37 - 28:45
    de contar as horas no meu pulso?" E ela disse, "Além disso, ele faz uma coisa." Do tipo,
  • 28:46 - 28:51
    " Que coisa capenga. Um dispostivo com uma só função, e você gosta?"
  • 28:53 - 28:58
    Mas nós nos conformamos, não é? Vocês tem outras opções, mas isso que digo sobre
  • 28:58 - 29:02
    se conformar é importante. As coisas com as quais estamos conformados é que precisam ser identificadas e questionadas por nós.
  • 29:02 - 29:05
    Você pensou em colocar o seu relógio de manhã?
  • 29:05 - 29:12
    Falem a verdade, foi uma agonia? "Devo? É um dia para se colocar o relógio? Eu não sei mesmo.
  • 29:12 - 29:15
    Vou coloca-lo só para garantir." Não! Você apenas o faz.
  • 29:15 - 29:18
    Os nossos filhos não, e este é um ponto importante. Um cara chamado Mark Prensky já se referiu a isso:
  • 29:18 - 29:23
    Nossos filhos vivem em outro mundo. Ele fala da diferença entre
  • 29:23 - 29:26
    nativos digitais e imigrantes digitais.
  • 29:26 - 29:30
    Se você tem menos de 20, você é um nativo.
  • 29:30 - 29:34
    Você fala o digital, nasceu com essa parafernália, e ela está na sua cabeça, como uma língua nativa.
  • 29:34 - 29:37
    Não chegamos a tanto. Mas a questão é que isto está ficando cada vez mais rápido.
  • 29:37 - 29:44
    Um dos novos horizontes provavelmente será a fusão de inteligência humana com sistemas de informação.
  • 29:44 - 29:47
    Essa é uma célula cerebral, e essa é uma célula cerebral crescendo num chip de silicone.
  • 29:47 - 29:52
    Bem, vamos ver. Mas existem algumas coisas que estão adiante, para as quais não há precedentes.
  • 29:53 - 29:57
    E o impacto na cultura promete ser extraordinário.
  • 29:58 - 30:02
    Isso é outra coisa que eu gostaria de deixar claro: A curva da população mundial.
  • 30:03 - 30:07
    Em 1750, quando a RSA estava se estabelecendo, e William Shipley estava pensando
  • 30:07 - 30:14
    no que fazer à tarde, havia cerca de um bilhão de pessoas na Terra:
  • 30:14 - 30:20
    muito bem distribuídas, a maioria nas partes mais distantes do que se tornou o Império,
  • 30:20 - 30:24
    mas muitas delas nas que viriam a ser as economias industrializadas.
  • 30:24 - 30:27
    Cerca de um bilhão de pessoas. Em comparação, Londres era lugar minúsculo
  • 30:28 - 30:34
    Se você olhar para essa curva, nós somos cerca de 6 bilhões, e o grande salto aconteceu em 1970.
  • 30:35 - 30:40
    De 1970 para 2000, aonde a população da Terra ganhou 3 milhões de novos habitantes.
  • 30:42 - 30:47
    1968, lembrem-se, foi o Verão do amor. Provavelmente é uma coincidência.
  • 30:47 - 30:51
    Sim, mas todos nós fizemos nossa parte. Está bem.
  • 30:51 - 30:56
    Mas isso é interessante: a linha pontilhada representa o crescimento da população nas economias desenvolvidas.
  • 30:56 - 30:58
    O verdadeiro crescimento está acontecendo nas economias emergentes:
  • 30:58 - 31:03
    Ásia, Africa, partes da América do Sul, e por aí vai. E está chegando a nove bilhões.
  • 31:03 - 31:07
    Outra coisa que acontece é que o mundo está se tornando cada vez mais urbanizado.
  • 31:08 - 31:15
    No começo do século 18, até o 19, a maioria das pessoas vivia no interior.
  • 31:15 - 31:20
    Cerca de 3% das pessoas viviam nas cidades. Claro, o grande movimento
  • 31:20 - 31:23
    social que industrialismo provocou foi a migração para as cidades.
  • 31:23 - 31:28
    Mas mesmo assim, na virada do século XX, menos do que 20% das pessoas viviam nas cidades.
  • 31:28 - 31:34
    Atualmente, 50% da população mundial vive nas cidades. 50% de 6 bilhões,
  • 31:34 - 31:39
    e estamos rumando para 60% de 9 bilhões de pessoas vivendo nas cidades -
  • 31:39 - 31:47
    não aqui, nem na Inglaterra, nem nos E.U.A, nem no resto da Europa, mas nas economias emergentes.
  • 31:47 - 31:50
    Essa migração enorme não tem precedentes.
  • 31:51 - 31:56
    Essas não serão cidades legais, sabem, com estandes informativas, I.P.T.U e Starbucks.
  • 31:56 - 32:00
    Serão cidades enormes, expandidas e vernaculares, provavelmente parecidas com isso.
  • 32:02 - 32:07
    Esta é Caracas, na Venezuela. Uma enorme e expansiva metrópole.
  • 32:08 - 32:14
    A grande Tókio, no momento, tem uma população de 35 milhões de pessoas,
  • 32:14 - 32:17
    mais do que toda a população do Canadá.
  • 32:17 - 32:22
    Perto da metade do século, poderão existir 20 megacidades, e mais de 500 cidades com mais de um milhão de habitantes.
  • 32:22 - 32:28
    Você podem perceber que essas são circunstâncias sem precedentes,
  • 32:28 - 32:34
    uma drenagem dos recursos terrestres sem precedentes, uma demanda de inovação sem precedentes,
  • 32:34 - 32:39
    de pensamentos novos, sistemas sociais novos, novos meios de fazer as pessoas se esquecerem de se conectarem com elas mesmas,
  • 32:39 - 32:41
    e viverem com um propósito e significado.
  • 32:43 - 32:49
    A educação é uma grande parte da solução. O problema é, acredito eu, que estamos apostando nos cavalos errados.
  • 32:49 - 32:54
    Há um relatório recente de McKinsey no qual ele mostrou isso.
  • 32:54 - 33:01
    Estes são números dos E.U.A. Lá, desde 1980, mais ou menos, os gastos com a educação
  • 33:01 - 33:05
    cresceram 73% em dinheiro investido.
  • 33:07 - 33:10
    O número de alunos das salas de aula desceu a níveis historicamente baixos.
  • 33:11 - 33:17
    Mas nesse indicador, alfabetização, não houve nenhuma mudança de desempenho.
  • 33:17 - 33:20
    Mais dinheiro, salas com menos alunos, nenhuma mudança.
  • 33:20 - 33:26
    As taxas de evasão estão subindo, e as taxas de graduação estão baixando: Isso é um grande problema.
  • 33:27 - 33:32
    O problema é que eles estão tentando encontrar o futuro fazendo o que já fizeram no passado.
  • 33:32 - 33:37
    E ao mesmo tempo, alienando milhões de crianças que não vêem nenhum motivo para ir à escola.
  • 33:37 - 33:42
    Quando vamos para a escola, somos mantidos ali por meio de uma estória: se você estudar
  • 33:42 - 33:45
    e se der bem, e conseguir um diploma universitário, conseguirá um trabalho.
  • 33:45 - 33:48
    Nossos filhos não acreditam nisso. E estão certos.
  • 33:48 - 33:53
    É melhor ter um diploma do que não ter, mas isso já não é mais uma garantia,
  • 33:53 - 33:57
    principalmente se o caminho para ele te marginaliza da maioria das coisas que você considera importantes sobre você.
  • 33:57 - 34:01
    E uma coisa que cabe bem no meio dessa estória é essa ideia
  • 34:01 - 34:04
    de que há jovens acadêmicos e não-acadêmicos, de algo chamado treinamento vocacional,
  • 34:05 - 34:11
    que não é tão bom quanto a educação acadêmica, de que pessoas com formação teórica
  • 34:11 - 34:20
    são melhores do que aqueles que podem fazer verdadeiros ofícios, e um tipo de trabalho
  • 34:20 - 34:23
    que poderia ser venerado nos sistemas de guildas.
  • 34:23 - 34:27
    Existe esse apartheid intelectual na educação.
  • 34:27 - 34:30
    E então, muitas pessoas tentam defendê-lo ou repará-lo.
  • 34:30 - 34:34
    Eu acho que devemos apenas reconhecer a sua mística. E temos que arrancá-la de nosso pensamento.
  • 34:36 - 34:40
    Essa é uma das consequências. Quero fazer outra pergunta.
  • 34:40 - 34:49
    Vocês que têm mais do que 30 anos, quantos de vocês tiraram as amídalas? Sejam francos comigo.
  • 34:49 - 34:58
    Vamos. Certo. Pergunto isso por causa de um motivo ligado às coisas com as quais estamos conformados.
  • 34:58 - 35:05
    Eu nasci em 1950. Eu sei que vocês não acreditam nisso.
  • 35:05 - 35:09
    Eu posso sentir a incredulidade vagando pela sala...
  • 35:09 - 35:14
    "Será possível?", vocês dizem a si mesmos. Bem, eu vivo em Los Angeles, sabem.
  • 35:15 - 35:26
    Eu me cuidei, o que posso dizer a vocês? As pessoas da minha geração, da década de 50 e 60, 40 também, eu acho.
  • 35:27 - 35:32
    No instante em que descobriam uma ferida na garganta, alguém se aproveitava
  • 35:33 - 35:38
    e tirava suas amídalas. Isso é verdade, não é? Era rotineiro perder as amídalas.
  • 35:38 - 35:43
    Nos anos 50 você não podia nem tossir de leve,
  • 35:43 - 35:47
    senão alguém agarrava o seu pescoço, e voalá, arrancava as suas amídalas.
  • 35:47 - 35:51
    Era rotina. Milhões de amídalas foram removidas naquela época.
  • 35:52 - 35:58
    O que acontecia com elas? Eu não sei. Quero dizer - eu acho que é algum tipo de escândalo, não sei, mas -
  • 35:58 - 36:00
    é uma daquelas coisas como Rockwell, sabem, como a área 56.
  • 36:00 - 36:03
    Em algum lugar dos E.U.A, no deserto, está essa pilha de amídalas.
  • 36:05 - 36:10
    Hojem em dia as pessoas têm adenoamigdalectomias,
  • 36:11 - 36:19
    mas não são comuns. É difícil precisar tirá-las. Você precisa sofrer de um caso crônico,
  • 36:20 - 36:24
    sem esperanças de ser curado de outra forma, para perder as amídalas.
  • 36:24 - 36:27
    Quando eu era jovem, consideravam-nas totalmente descartáveis.
  • 36:27 - 36:30
    Nós apenas arrancávamos elas para elas não encherem mais.
  • 36:31 - 36:35
    E algumas pessoas voluntariamente aceitavam a operação só para conseguir o sorvete.
  • 36:35 - 36:42
    Nossos filhos, essa geração, não sofrem com a praga das adenoamigdalectomias.
  • 36:42 - 36:48
    Ao invés disso, sofrem com isso: Uma epidemia moderna, tão deslocada e ficcional.
  • 36:48 - 36:58
    É a praga do déficit de atenção e a hiperatividade. Isto é um mapa da incidência nos E.U.A,
  • 36:58 - 37:04
    e prescrições para ele. Não me entendam mal: Eu não quero dizer que o déficit não existe.
  • 37:04 - 37:08
    Eu não sou qualificado para dizer isso.
  • 37:08 - 37:13
    Eu sei que grande parte dos psicólogos e pediatras acham que o déficit existe.
  • 37:13 - 37:15
    Mas ainda é um assunto para debates.
  • 37:17 - 37:24
    O que eu sei de fato, é que não é uma epidemia. Eu acredito que essas crianças estão sendo medicadas
  • 37:25 - 37:30
    tão rotineiramente quanto nossas amídalas eram retiradas, com a mesma impulsividade,
  • 37:30 - 37:33
    e pelo mesmo motivo: moda da medicina.
  • 37:34 - 37:41
    Nossas crianças estão vivendo no período mais estimulante da história da Terra.
  • 37:42 - 37:46
    Eles estão sendo cercadas por informações e coisas que chamam sua atenção,
  • 37:46 - 37:51
    de todas as plataformas: computadores, de iPhones, painéis publicitários,
  • 37:51 - 37:52
    de centenas de canais de televisão.
  • 37:52 - 37:57
    E nós estamos castigando-os quando se distraem.
  • 37:57 - 38:02
    Se desinteressando pelo que? Coisas chatas da escola, na maioria das vezes.
  • 38:02 - 38:07
    Não me parece ser uma coincidência o fato de que a incidência do déficit de atenção e hiperatividade cresceu
  • 38:07 - 38:09
    ao mesmo tempo que os testes padronizados.
  • 38:09 - 38:13
    Essas crianças estão tomando Ritalin, Adrol e todo tipo de coisas -
  • 38:13 - 38:17
    muitas vezes, drogas perigosas - para ficarem calmos e concentrados.
  • 38:19 - 38:22
    Eu sei que isso é absurdo, e vocês percebem isso imediatamente,
  • 38:22 - 38:25
    porque as áreas iluminadas estão aonde não há muito disso.
  • 38:25 - 38:32
    Eu vivo na Califórnia, e lá as pessoas não prestam atenção por mais de um minuto e meio,
  • 38:32 - 38:36
    mas de acordo com isso, o transtorno de déficit de atenção fica maior
  • 38:36 - 38:39
    quanto mais você vai para o Leste do país.
  • 38:39 - 38:42
    As pessoas começam a perder o interesse em Oklahoma,
  • 38:47 - 38:50
    eles mal podem pensar direito em Arkansas,
  • 38:51 - 38:54
    e quando chega em Washington, perdem toda a concentração.
  • 38:55 - 38:58
    E eu acredito que há diferentes explicações para isso.
  • 38:58 - 39:03
    É uma doença fictícia. Me desculpem, não quero dizer que seja uma condição fictícia,
  • 39:03 - 39:04
    é uma epidemia fictícia.
  • 39:04 - 39:08
    Como disse anteriormente, eu tenho muito interesse pelas artes
  • 39:08 - 39:15
    E se você pensar sobre isso, as artes - e eu não digo que são apenas as artes, eu acho que isso
  • 39:15 - 39:19
    também vale para as ciências e a matemática - Eu falo sobre as artes, particularmente,
  • 39:19 - 39:23
    porque elas são as atuais vítimas dessa mentalidade.
  • 39:24 - 39:30
    As artes remetem especialmente à ideia de uma experiência estética.
  • 39:30 - 39:35
    Uma experiência estética é aquela na qual nossos sentidos estão operando com máxima intensidade.
  • 39:35 - 39:40
    Quando você está presente no momento, quando você está em ressonância com a emoção que essa coisa
  • 39:40 - 39:43
    transmite, quando você está vivendo plenamente.
  • 39:43 - 39:49
    E a experiência inestética se dá quando você se desfaz dos seus sentidos e se insensibliza para o que acontece.
  • 39:49 - 39:57
    E muitos desses remédios são isso. Nós estamos educando nossas crianças inestetizando elas.
  • 39:57 - 40:00
    E eu acho que deveríamos fazer o contrário. Nós não deveríamos deixa-los dormentes,
  • 40:00 - 40:03
    deveríamos despertá-los para o que existe dentro deles mesmos.
  • 40:03 - 40:09
    Mas o modelo que temos é esse: eu acredito que temos um sistema de educação que é modelado
  • 40:09 - 40:14
    pelo interesse do industrialismo, e à sua imagem.
  • 40:14 - 40:19
    Eu vou lhes dar dois exemplos. Escolas ainda são bastante organizadas por elementos de fábricas:
  • 40:19 - 40:24
    sinos tocando, instalações separadas, especializadas em diferentes matérias.
  • 40:24 - 40:30
    Ainda educamos nossas crianças por meio de turmas, sabem, nós as colocamos num sistema grupos por faixa etária.
  • 40:30 - 40:36
    Porque fazemos isso? Porque há uma ideia de que a coisa mais importante que as crianças
  • 40:36 - 40:40
    têm em comum seja a sua idade? É como se o dado mais importante sobre eles
  • 40:40 - 40:45
    fosse a data de manufatura. Claro, eu conheço crianças que são muito melhores
  • 40:45 - 40:49
    do que outras da mesma idade, em diferentes disciplinas, ou momentos do dia.
  • 40:49 - 40:52
    Ou melhores em pequenos grupos ou grandes grupos. Ou muitas vezes, preferem ficar sozinhas.
  • 40:52 - 40:57
    Se você está interessado no modelo de aprendizado, você não parte dessa mentalidade de produção em série.
  • 40:57 - 41:00
    Existem algumas palavras-chave no modelo industrial:
  • 41:00 - 41:04
    Utilidade, que modela o currículo; linearidade, que informa as escolhas
  • 41:04 - 41:06
    e premissas do que funciona e o que não.
  • 41:06 - 41:10
    Se trata, essencialmente, de conformidade, cada vez mais é sobre isso, se você olhar para o crescimento
  • 41:10 - 41:14
    dos testes padronizados e dos currículos padronizados. É tudo sobre padronização.
  • 41:14 - 41:17
    Por motivos que vamos saber antes de terminar,
  • 41:17 - 41:19
    eu acredito que temos que ir na direção oposta.
  • 41:19 - 41:23
    É isso que quero dizer quando falo de mudanças de paradigmas. Nós temos que questionar o que já é evidente.
  • 41:23 - 41:28
    O problema de questionar o que nós consideramos evidente e que nós não sabemos o que ele é.
  • 41:28 - 41:29
    Vamos ler isso rapidamente.
  • 41:29 - 41:33
    (B Russell: homem como 4 astrônomos ou 4 hamlet, ou os dois?)
  • 41:33 - 41:37
    Eu adoro essa citação. Como vocês podem perceber, é de Bertrand Russell.
  • 41:37 - 41:42
    E me parece ser a questão quintessencial da filosofia ocidental.
  • 41:43 - 41:49
    Quando chegamos nisso, o que é isso? Nós somos tudo o que Hamlet pensou que fossemos,
  • 41:50 - 41:53
    ou somos apenas um tipo de acidente cósmico sem importância?
  • 41:53 - 41:59
    Eu me interessei muito por essa primeira parte da pergunta, esse "pequeno, planeta desconhecido".
  • 42:01 - 42:05
    Bem, quão pequeno, quão desconhecido é este planeta?
  • 42:05 - 42:10
    É difícil perceber isso, não é, porque, se você pensar nisso,
  • 42:10 - 42:15
    as distâncias no espaço são tão vastas, como, por exemplo, esta é uma imagem do telescópio Hubble.
  • 42:15 - 42:17
    Esta é a nuvem de Magalhães.
  • 42:18 - 42:24
    Bem, vocês sabem que as distâncias espaciais são medidas em anos-luz, a distância que a luz percorre em um ano,
  • 42:24 - 42:30
    que é muito, na verdade. Na verdade, é mais do que a distância até Brighton.
  • 42:32 - 42:37
    Isso são 170.000 anos-luz. Vocês podem imaginar isso tudo?
  • 42:38 - 42:40
    É tão grande.
  • 42:40 - 42:42
    Numa quarta-feira... tudo isso
  • 42:42 - 42:45
    O problema de ter qualquer noção de quão grande a Terra é, ou quão pequena, é que as distâncias são tão imensas
  • 42:45 - 42:50
    que elas confundem a nossa percepção das dimensões. Então eu me deparei com essa imagem.
  • 42:50 - 42:53
    está na internet, eu só quero mostrar ela rapidamente para vocês.
  • 42:53 - 42:56
    Eu acho que ela é fantásticas. Eu a renderizei para vocês.
  • 42:56 - 43:01
    Essas são fotos de alguém que teve a brilhante ideia de tirar a Terra do céu
  • 43:03 - 43:07
    e alinhá-la com outros planetas do sistema solar,
  • 43:07 - 43:12
    para poder comparar os tamanhos. É como uma foto de um grupo,
  • 43:12 - 43:16
    de alguns dos planetas do sistema solar e além. Começa assim:
  • 43:18 - 43:24
    ... Eu amo essa imagem. ... Eu acho que estamos bem, é isso que o primeiro exemplo mostra.
  • 43:25 - 43:30
    Há duas coisas que eu gostaria de comentar - duas coisas que gostaria de dizer a respeito disso.
  • 43:30 - 43:37
    A primeira é que eu acho que nós estamos menos preocupados com uma invasão de hordas de marcianos do que antes.
  • 43:37 - 43:41
    Não? Que venham todos, eu sinto...
  • 43:42 - 43:45
    " Vocês e que exército?", eu acho que estamos pensando.
  • 43:45 - 43:49
    A segunda é que Plutão não é mais um planeta. E nós podemos ver o porquê.
  • 43:49 - 43:54
    No que estávamos pensando? Na verdade é uma rocha.
  • 43:55 - 44:01
    Sosseguem o facho agora. Isso é um pouco menos encorajador, não é?
  • 44:05 - 44:12
    Não acham? Um pouco menos encorajador. E Plutão é uma espécie de constrangimento cósmico...
  • 44:13 - 44:18
    Mas nós sabemos que o Sol é o grande lance. Mas quão grande é o Sol, exatamente,
  • 44:18 - 44:23
    comparado à Terra? Então é isso - eu perguntei para alguns astrofísicos, e eles disseram
  • 44:23 - 44:26
    que sim, isso estaria quase certo. Aqui está uma foto do Sol.
  • 44:29 - 44:35
    Vocês sabiam disso? Mas continuem olhando para o Sol, porque ele não é maior coisa do pedaço.
  • 44:35 - 44:41
    Esse é o Sol comparado a alguns objetos que não estão no nosso sistema solar,
  • 44:41 - 44:44
    mas que você pode ver de noite.
  • 44:44 - 44:52
    Agora Jupiter é um pixel e a Terra se foi. É melhor sermos amigos de Arcturus.
  • 44:53 - 44:57
    Continuem olhando para Arcturus por um minuto.
  • 44:59 - 45:02
    Eu acho que é melhor ficarmos com Antares.
  • 45:02 - 45:04
    Isso é extraordinário, não é?
  • 45:04 - 45:13
    Volte para aquilo, e nós somos infinitamente, lamentavelmente pequenos no grande esquema cósmico.
  • 45:13 - 45:16
    Eu só quero dizer duas coisas, rapidamente.
  • 45:16 - 45:24
    Primeiro: Quando você acordar com alguma preocupação, supere-a.
  • 45:24 - 45:29
    Sério mesmo, tome uma decisão e siga em frente.
  • 45:30 - 45:40
    A segunda é: que pode ser assim mesmo, mas nós temos um poder extraordinário.
  • 45:40 - 45:45
    E posso dizer o seguinte: temos um poder que nos possibilita
  • 45:45 - 45:48
    conceber nossa própria insignificância.
  • 45:48 - 45:54
    Nenhuma outra espécie está por aqui sofrendo ataques de ansiedade ao ver essas imagens.
  • 45:54 - 46:00
    Eu não vejo outras espécies nas clareiras das florestas, dizendo, "Eu não sabia disso"
  • 46:00 - 46:08
    Acreditem em mim. Eu não esperava por isso. E elas também não produziram essas imagens.
  • 46:08 - 46:15
    Nós temos um poder extraordinário para conceber objetos exteriores a nossa experiência e expressá-los
  • 46:15 - 46:21
    através de formas conceituais, simbólicas, de forma que outras pessoas possam se envolver e compreendê-los.
  • 46:21 - 46:27
    E além disso, somos a espécie que produziu Hamlet e o trabalho de Mozart,
  • 46:27 - 46:32
    a revolução industrial, e esse prédio extraordinário, com essas imagens incríveis,
  • 46:32 - 46:37
    e hip-hop, jazz, mecânica quântica, teoria de relatividade, viagens aéreas,
  • 46:37 - 46:43
    motor à jato, e todas as coisas que caracterizam a extraordinária ascenção da cultura do homem.
  • 46:43 - 46:49
    Mas nós destruímos isso com o nosso jeito de educar, mas eu quero terminar minha palestra e abri-la para alguma conversa,
  • 46:49 - 46:56
    dando um exemplo de algo. Há um grande estudo, feito recentemente, a respeito do pensamento divergente.
  • 46:56 - 47:01
    Foi publicado há dois anos. Pensamento divergente não é a mesma coisa que criatividade.
  • 47:01 - 47:06
    Eu defino criatividade como um processo de ter ideias originais que tenham valor.
  • 47:06 - 47:13
    Pensamente divergente não é um sinônimo, mas uma capacidade essencial para a criatividade.
  • 47:13 - 47:20
    É a habilidade para ver muitas possibilidades de resposta para uma questão, várias formas de interpretação,
  • 47:20 - 47:26
    muitas formas de interpretar uma questão, o que de Bono chamaria de lateralmente,
  • 47:26 - 47:30
    para pensar não apenas de forma linear ou convergente.
  • 47:30 - 47:34
    Para enxergar múltiplas respostas. Então eu fiz um pequeno teste para isso,
  • 47:34 - 47:37
    digo, um tipo de anti-exemplo seria, as pessoas podem perguntar
  • 47:37 - 47:42
    quantas funções você consegue encontrar num clip de papel. São perguntas rotineiras.
  • 47:42 - 47:47
    A maioria das pessoas pensam em 10 ou 15 funções. Pessoas que são boas nisso pensam em 200.
  • 47:47 - 47:52
    E eles vão dizendo, bem, o clip de papel pode virar - poderia ser feito de borracha esponjosa,
  • 47:52 - 47:56
    isso precisa ser um clip de papel como nós bem o conhecemos.
  • 47:56 - 48:00
    Há testes disso, e eu os dei para 1500 pessoas, e está num livro chamado
  • 48:00 - 48:05
    "Break Point and Beyond". E segundo a ata do texto, se você alcançar uma pontuação mais alta,
  • 48:05 - 48:09
    você deveria ser considerado um gênio do pensamento divergente.
  • 48:10 - 48:16
    Eu pergunto a vocês, qual a porcentagem de pessoas testadas, das 1500,
  • 48:16 - 48:19
    qua alcançaram um nível genial de pensamento divergente?
  • 48:19 - 48:24
    Vocês precisam saber de mais uma coisa sobre eles: eram crianças do jardim de infância, certo?
  • 48:24 - 48:27
    O que vocês acham? Qual a porcentagem de gênios?
  • 48:27 - 48:30
    (platéia:80) 80, certo?
  • 48:35 - 48:40
    Errado. 98%. Uma coisa curiosa é que esse foi um estudo longitudinal.
  • 48:41 - 48:48
    Então eles testaram novamente as mesmas crianças 5 anos depois, quando então elas tinham de 8 a 10 anos.
  • 48:48 - 48:50
    O que vocês acham?
  • 48:50 - 49:01
    50? Eles testaram novamente cinco anos depois, com idades entre 13 e 15. Vocês enxergam uma tendência aqui?
  • 49:04 - 49:11
    Eles testaram 200.000 adultos, de 25 anos para cima, uma vez só, como um controle. O que vocês acham?
  • 49:12 - 49:14
    Sim, vocês sabem.
  • 49:15 - 49:20
    Eu sempre digo, se vocês são donos de negócios, são essas as pessoas que vocês contratam, ok?
  • 49:20 - 49:26
    Agora isso revela uma estória interessante, porque vocês poderiam imaginar que fosse o contrário.
  • 49:26 - 49:31
    Não? Vocês começam sendo ruins, mas melhoram à medida em que envelhecem.
  • 49:31 - 49:37
    Mas isso mostra duas coisas. Primeiro: Nós todos temos essas capacidades. Segundo: Elas tende a piorar.
  • 49:38 - 49:41
    Muitas coisas aconteceram à essas crianças enquanto elas cresciam.
  • 49:41 - 49:46
    Mas uma das coisas mais importantes, acredito eu, é que elas se educaram.
  • 49:46 - 49:52
    Ficaram dez anos na escola, aonde diziam para elas que só havia uma resposta,
  • 49:52 - 49:56
    E não olhe. Não copie, porque isso é colar.
  • 49:56 - 50:01
    Fora da escola isso é chamado de colaboração, em qualquer lugar menos nas escolas.
  • 50:01 - 50:07
    Isso não acontece porque os professores o desejam. É porque acontece assim mesmo.
  • 50:07 - 50:10
    Porque está nos genes da educação.
  • 50:10 - 50:13
    E para modificá-la, temos que pensar diferente.
  • 50:13 - 50:14
    Me deixem apenas salvar isso...
  • 50:14 - 50:17
    temos que pensar sobre a capacidade humana de outro jeito.
  • 50:17 - 50:22
    É sobre isso que o meu livro, "The element", trata. Nós temos que superar essa velha concepção
  • 50:22 - 50:26
    de acadêmico, não-acadêmico, abstrato, teórico,
  • 50:26 - 50:30
    vocacional, e ver tudo isso como realmente é: Um mito.
  • 50:31 - 50:35
    Em segundo lugar, temos que reconhecer que grande parte do aprendizado acontece em grupos,
  • 50:35 - 50:42
    que a colaboração é o material para o crescimento. Se nos atomizarmos e separaramos as pessoas,
  • 50:42 - 50:48
    e as julgarmos separadamente, nós formaremos um tipo de disjunção entre eles e o seu ambiente de aprendizado natural.
  • 50:48 - 50:53
    Em terceiro lugar, é crucialmente a respeito da cultura de nossas instituições, dos seus hábitos,
  • 50:53 - 50:58
    e dos habitats que elas ocupam. Eu me deparei com... Vou colocar minha mão aqui.
  • 50:58 - 51:03
    Uma grande citação, que parece capturar um pouco disso,
  • 51:03 - 51:08
    sobre essa distinção entre nós mesmos e as espécies.
  • 51:10 - 51:19
    e ela diz - encontre ela - provavelmente está no meu outro terno, não é? Aqui vamos nós:
  • 51:21 - 51:28
    Eu prefiro essa como um ponto de vista. Diz que quando vamos avaliar as pessoas, deveríamos ser mais justos com nós mesmos.
  • 51:28 - 51:34
    Ela diz: "Depois de tudo, os seres humanos nasceram de macacos decaídos, e não anjos decaídos.
  • 51:35 - 51:41
    Então, com o que deveríamos nos preocupar? Com os massacres? Mísseis? Com nossas sinfonias?
  • 51:42 - 51:47
    O milagre da raça humana não é quão fundo naufragamos, mas quão magnificamente nós subimos.
  • 51:47 - 51:53
    Nós seremos reconhecidos entre as estrelas, não pelos nossos cadáveres, mas por nossos poemas."
  • 51:53 - 51:57
    E eu acredito que há uma verdade profunda nisso.
  • 51:57 - 52:02
    Nós temos formas de alcançar esses sistemas de educação, baseados nesses diferentes princípios.
  • 52:03 - 52:10
    Mas isso significa um desvio da metáfora industrial de educação para o que nós pensamos ser uma metáfora agricultora.
  • 52:10 - 52:15
    Se vocês pensarem bem, se vocês olharem para o organograma da maioria das companhias e organizações,
  • 52:15 - 52:22
    parece um pouco com um diagrama de fiação, não é? Se você olhar para a estrutura, como as caixas e as coisas que estão conectadas.
  • 52:22 - 52:26
    Mas as organizações humanas não são como mecanismos,
  • 52:27 - 52:30
    mesmo que esses organogramas sugiram metaforicamente que eles sejam.
  • 52:30 - 52:33
    Organizações humanas são muito mais parecidas com organismos.
  • 52:34 - 52:39
    Isso quer dizer que elas dependem de sentimentos, relacionamentos, motivação,
  • 52:39 - 52:44
    valor, valor próprio, senso de identidade e de comunidade.
  • 52:44 - 52:50
    Você sabe que o seu trabalho numa organização é afetado pelo sentimento que você tem por ela.
  • 52:50 - 52:56
    Portanto, penso eu, que a melhor metáfora não é o industrialismo, mas a metáfora da agricultura, ou orgânica.
  • 52:56 - 53:02
    Estou criando um projeto no estado de Oklahoma, aonde estou tentando desenvolver essas ideias por todo o estado.
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    Mas eu mencionei Las Vegas no início. Eu quero mostrar uma última imagem disso, agora.
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    Não muito longe de Las Vegas, há um lugar chamado Vale da Morte.
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    O Vale da Morte é o local mais quente dos E.U.A. Nada cresce por ali.
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    Porque lá não chove. No verão de 2004, algo notável aconteceu.
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    Choveu. 7 polegadas. E na primavera de 2005 houve um fenômeno. Toda a flora do Vale da Morte
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    estava coberto com flores da primavera. Fotógrafos e cientistas botânicos vieram de todos os lados dos E.U.A
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    para testemunhar esse fato que eles talvez nunca mais vissem. O que foi demonstrado foi que o Vale da Morte
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    não estava morto. Estava desacordado. Bem abaixo da superfície estavam as sementes,
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    aguardando as condições para crescer. E eu acredito que o mesmo se dá com os seres humanos.
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    Se nós criarmos as condições corretas em nossas escolas - se criarmos os incentivos corretos,
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    se valorizarmos cada aluno individualmente e propriamente, o crescimento irá acontecer.
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    E o crescimento sempre aconteceu antes - eu não sei, eu gostaria de mostrar a vocês dois vídeos bem curtos,
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    que vão demonstrar, mas vamos começar nosso debate,
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    Mas eu acho que devemos sair desse paradigma industrial, e rumar em direção ao paradigma orgânico.
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    E eu acho que é perfeitamente executável. Precisamos conceber as instituições individualmente,
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    não sistematicamente, sem valorizar apenas a utilidade, mas respeitar e promover um vigor constante,
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    uma energia de organização e o seu potencial transformador,
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    que não pensa em termos de linearidade, mas sim de criatividade, opções múltiplas, e muitas possibilidades para todos que participam dela,
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    isso não diz respeito a conformismos, mas sim à diversidade e sua crítica à padronização.
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    Esse é o Vale da Morte na Primavera de 2005. Eu acho que todos os colégios poderiam ser assim.
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    Alguém disse uma vez: "O problema dos seres humanos não é tentar chegar longe e falhar,
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    mas sim se acomodar e ser bem-sucedido."
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    E eu acho que devemos a William Shipley e Benjamin Franklin o fato de ter ido longe.
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    Benjamin Franklin disse uma vez, notavelmente: "Há três tipos de pessoas no mundo:
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    Aqueles que são imutáveis, aqueles que são mutáveis, e aqueles que movem."
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    E eu recomento a vocês, junto a Royal Society of Artists, que se mexam, e avançem. Obrigado. (Aplausos)
Title:
Sir Ken Robinson - Mudando paradigmas
Description:

O expert em criatividade, Sir Ken Robinson, irá dizer como nós podemos mudar a educação, e o que fazer para que essa mudança perdure.

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Video Language:
English
Duration:
55:20

Portuguese, Brazilian subtitles

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