Svante Pääbo: pistas de ADN para o Neandertal que há em nós
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0:00 - 0:03O que vos quero contar
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0:03 - 0:05é o que podemos aprender com o estudo dos genomas
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0:05 - 0:07de pessoas vivas
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0:07 - 0:09e humanos extintos.
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0:09 - 0:11Mas antes de o fazer,
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0:11 - 0:14quero apenas lembrar-vos do que já vocês sabem:
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0:14 - 0:16que os nossos genomas, o nosso material genético,
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0:16 - 0:19são armazenados em quase todas as células do nosso corpo em cromossomas
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0:19 - 0:21na forma de ADN,
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0:21 - 0:24que é a famosa molécula de dupla hélice.
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0:24 - 0:26E a informação genética
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0:26 - 0:28está contida sob a forma de sequência
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0:28 - 0:30de quatro bases
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0:30 - 0:33abreviadas com as letras A, T, C e G.
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0:33 - 0:35A informação está lá duas vezes -
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0:35 - 0:37uma em cada uma das fitas -
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0:37 - 0:39o que é importante,
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0:39 - 0:41porque quando são formadas novas células, estas fitas separam-se,
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0:41 - 0:44e novas fitas são sintetizadas usando as velhas como modelo,
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0:44 - 0:47num processo quase perfeito.
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0:47 - 0:49Mas, claro, nada na natureza
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0:49 - 0:51é totalmente perfeito,
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0:51 - 0:53e por vezes é cometido um erro
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0:53 - 0:56e é criada uma letra errada.
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0:56 - 0:58Podemos ver o resultado
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0:58 - 1:00de tais mutações
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1:00 - 1:02quando comparamos sequências de ADN
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1:02 - 1:05entre as pessoas que estão aqui na sala, por exemplo.
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1:05 - 1:08Se compararmos o meu genoma aos vossos,
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1:08 - 1:12aproximadamente cada 1200, 1300 letras
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1:12 - 1:14irão variar entre nós.
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1:14 - 1:16E estas mutações acumulam-se
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1:16 - 1:19aproximadamente em função do tempo.
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1:19 - 1:22Portanto se juntarmos aqui um chimpanzé, veremos mais diferenças.
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1:22 - 1:25Cerca de uma em cada 100 letras
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1:25 - 1:27vai divergir da letra de um chimpanzé.
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1:27 - 1:29E se estivermos interessados na história
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1:29 - 1:31de um fragmento de ADN, ou de todo o genoma,
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1:31 - 1:34podemos reconstruir a história do ADN
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1:34 - 1:36com estas diferenças que observamos.
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1:36 - 1:40Geralmente retratamos as nossas ideias sobre essa história
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1:40 - 1:42sob a forma de árvores como esta.
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1:42 - 1:44Neste caso, é muito simples.
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1:44 - 1:46As duas sequências humanas de ADN
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1:46 - 1:49vão ter a um antepassado comum bastante recente.
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1:49 - 1:53Mais atrás existe um partilhado com chimpanzés.
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1:53 - 1:56E uma vez que estas mutações
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1:56 - 1:58acontecem aproximadamente em função do tempo,
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1:58 - 2:00podemos transformar estas diferenças
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2:00 - 2:02em estimativas temporais,
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2:02 - 2:04em que estes dois humanos, tipicamente,
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2:04 - 2:08terão partilhado um antepassado comum há cerca de um milhão de anos,
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2:08 - 2:10e com os chimpanzés
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2:10 - 2:13será na ordem dos cinco milhões de anos.
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2:13 - 2:15O que aconteceu nos últimos anos
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2:15 - 2:17é que surgiram tecnologias
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2:17 - 2:21que nos permitem ver muitos fragmentos de ADN muito rapidamente.
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2:21 - 2:23Então podemos agora, numa questão de horas,
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2:23 - 2:26determinar um genoma humano inteiro.
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2:26 - 2:29Cada um de nós, claro, contém dois genomas humanos -
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2:29 - 2:32um das nossas mães e um dos nossos pais.
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2:32 - 2:36E cada um tem cerca de três mil milhões de letras destas.
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2:36 - 2:38E veremos que os meus dois genomas,
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2:38 - 2:40ou um deles que queiramos usar,
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2:40 - 2:43terá por volta de três milhões de diferenças,
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2:43 - 2:45nessa ordem.
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2:45 - 2:47A seguir podemos também começar
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2:47 - 2:49a dizer como essas diferenças genéticas
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2:49 - 2:51se distribuem pelo mundo.
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2:51 - 2:53Se o fizermos,
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2:53 - 2:57encontraremos uma certa quantidade de variação genética em África.
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2:57 - 3:00Se olharmos para fora de África,
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3:00 - 3:03encontramos menor variação genética.
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3:03 - 3:05Isto é surpreendente, claro,
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3:05 - 3:08porque cerca de seis a oito vezes menos pessoas
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3:08 - 3:11vivem dentro do que fora de África.
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3:11 - 3:14E no entanto as pessoas de África
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3:14 - 3:17tem maior variação genética.
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3:17 - 3:19Além disso, quase todas as variantes genéticas
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3:19 - 3:21que encontramos fora de África
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3:21 - 3:23têm sequências de ADN mais estreitamente relacionadas
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3:23 - 3:25do que as observadas dentro de África.
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3:25 - 3:27Mas se olharmos para África,
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3:27 - 3:30existe uma componente da variação genética
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3:30 - 3:33que não tem familiares próximos fora.
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3:33 - 3:36O modelo que explica isto
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3:36 - 3:39diz que parte da variação africana, mas não toda,
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3:39 - 3:43saiu a colonizar o resto do mundo.
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3:43 - 3:47E, juntamente com os métodos de datação destas diferenças genéticas,
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3:47 - 3:49isto levou à percepção
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3:49 - 3:51que os humanos modernos -
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3:51 - 3:54humanos essencialmente indistinguíveis de nós -
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3:54 - 3:57evoluíram em África bastante recentemente,
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3:57 - 4:01há cerca de 100 a 200 mil anos.
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4:01 - 4:05E depois, há cerca de 100 a 50 mil anos,
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4:05 - 4:07saíram de África
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4:07 - 4:09e foram colonizar o resto do mundo.
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4:09 - 4:11Então o que costumo dizer
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4:11 - 4:13é que, numa perspectiva genómica,
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4:13 - 4:15somos todos africanos.
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4:15 - 4:18Ou vivemos em África nos dias de hoje,
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4:18 - 4:20ou num exílio muito recente.
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4:20 - 4:22Outra consequência
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4:22 - 4:25desta origem recente dos humanos modernos
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4:25 - 4:27é que as variantes genéticas
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4:27 - 4:29estão de um modo geral distribuídas amplamente pelo mundo,
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4:29 - 4:31por muitos lugares,
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4:31 - 4:34e tendem a variar como gradientes,
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4:34 - 4:38pelo menos numa perspectiva geral.
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4:38 - 4:40E uma vez que há muitas variantes genéticas,
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4:40 - 4:43e têm diferentes gradientes,
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4:43 - 4:46isto significa que se determinarmos uma sequência de ADN -
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4:46 - 4:49um genoma de um indivíduo -
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4:49 - 4:51podemos estimar de forma bastante exacta
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4:51 - 4:53de onde vem essa pessoa,
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4:53 - 4:55desde que os seus pais ou avós
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4:55 - 4:58não se tenham deslocado muito.
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4:58 - 5:00Mas será que isto quer dizer,
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5:00 - 5:02como muitos tendem a pensar,
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5:02 - 5:05que existem enormes diferenças genéticas entre grupos de pessoas -
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5:05 - 5:07de diferentes continentes, por exemplo?
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5:07 - 5:10Bem, podemos também começar a perguntar-nos isso.
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5:10 - 5:13Existe, por exemplo, um projecto em curso
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5:13 - 5:15para sequenciar mil indivíduos -
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5:15 - 5:18os seus genomas - de diferentes partes do mundo.
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5:18 - 5:21Já mapearam 185 africanos
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5:21 - 5:24de duas populações de África.
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5:24 - 5:27Sequenciaram aproximadamente o mesmo número de pessoas
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5:27 - 5:30na Europa e na China.
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5:30 - 5:33E podemos começar a dizer quanta variação encontramos,
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5:33 - 5:36quantas letras variam
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5:36 - 5:39em pelo menos uma dessas sequências individuais.
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5:39 - 5:43E é muito: 38 milhões de posições variáveis.
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5:43 - 5:46Mas podemos perguntar: será que há muitas diferenças absolutas
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5:46 - 5:48entre africanos e não-africanos?
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5:48 - 5:50Talvez a maior diferença
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5:50 - 5:52que muitos de nós pudéssemos imaginar.
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5:52 - 5:54E por diferença absoluta
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5:54 - 5:56quero dizer uma diferença
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5:56 - 5:59em que, onde as pessoas em África, numa certa posição,
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5:59 - 6:02100 por cento dos indivíduos, têm uma letra,
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6:02 - 6:06toda a gente fora de África tem outra letra.
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6:06 - 6:09E a resposta para isso entre todos esses milhões de diferenças
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6:09 - 6:12é que essa tal certa posição não existe.
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6:14 - 6:16Isto pode ser surpreendente.
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6:16 - 6:19Talvez um único indivíduo esteja mal classificado, ou qualquer coisa.
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6:19 - 6:21Então podemos relaxar um pouco o critério
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6:21 - 6:23e dizer: quantas posições encontramos
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6:23 - 6:25em que 95 por cento das pessoas em África têm
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6:25 - 6:27uma variante,
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6:27 - 6:2995 por cento outra variante?
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6:29 - 6:31E esse número é 12.
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6:31 - 6:33Isto é muito surpreendente.
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6:33 - 6:35Significa que quando olhamos para as pessoas
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6:35 - 6:38e vemos uma pessoa de África
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6:38 - 6:41e outra da Europa ou da Ásia,
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6:41 - 6:45não podemos, para uma única posição no genoma, com 100 por cento de exactidão
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6:45 - 6:47prever o mapa genético dessa pessoa.
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6:47 - 6:49E apenas para 12 posições
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6:49 - 6:53podemos esperar ter 95 por cento de precisão.
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6:53 - 6:55Isto pode ser surpreendente
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6:55 - 6:57porque podemos, claro, olhar para estas pessoas
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6:57 - 7:01e dizer com facilidade de onde eles ou os seus antepassados vieram.
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7:01 - 7:03O que isto significa agora
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7:03 - 7:05é que aqueles traços que observamos
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7:05 - 7:07e tão prontamente vemos -
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7:07 - 7:10traços faciais, cor da pele, estrutura capilar -
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7:10 - 7:14não são determinados por genes únicos com grandes impactos,
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7:14 - 7:17mas sim por muitas diferentes variantes genéticas
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7:17 - 7:19que parecem variar em frequência
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7:19 - 7:21em diferentes partes do mundo.
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7:21 - 7:24Há outra coisa sobre estes traços
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7:24 - 7:27que tão facilmente observamos uns nos outros
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7:27 - 7:29que penso que importa considerar:
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7:29 - 7:32é que, de forma bastante literal,
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7:32 - 7:35estão à superfície dos nossos corpos.
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7:35 - 7:37Eles são o que acabámos de dizer -
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7:37 - 7:40traços faciais, estrutura do cabelo, cor da pele.
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7:40 - 7:42Há também um número de características
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7:42 - 7:44como essas que variam entre continentes
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7:44 - 7:48e que têm que ver com o modo como metabolizamos a comida que ingerimos,
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7:48 - 7:50ou que têm que ver
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7:50 - 7:53com o modo com que os nossos sistemas imunitários lidam com micróbios
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7:53 - 7:55que tentam invadir os nossos corpos.
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7:55 - 7:57Mas tudo isso são partes do nosso corpo
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7:57 - 8:00que interagem directamente com o nosso ambiente,
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8:00 - 8:04em confronto directo, digamos.
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8:04 - 8:06É fácil imaginar
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8:06 - 8:08a rapidez particular com que essas partes do corpo
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8:08 - 8:11foram influenciadas por selecção pelo ambiente
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8:11 - 8:13e alteraram frequências de genes
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8:13 - 8:15nelas envolvidas.
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8:15 - 8:18Mas se olharmos para outras partes do nosso corpo
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8:18 - 8:20que não interagem directamente com o ambiente -
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8:20 - 8:23os nossos rins, o fígado, o coração -
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8:23 - 8:25não há como dizer,
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8:25 - 8:27apenas olhando para estes órgãos,
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8:27 - 8:30de que parte do mundo vêm.
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8:31 - 8:33Há outra coisa interessante
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8:33 - 8:36que vem desta descoberta
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8:36 - 8:40que os humanos têm uma origem comum recente em África:
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8:40 - 8:43é que quando esses humanos surgiram,
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8:43 - 8:45há cerca de cem mil anos,
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8:45 - 8:47não estavam sozinhos no planeta.
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8:47 - 8:50Existiam outros tipos de humanos a rondar -
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8:50 - 8:53talvez os mais famosos destes sejam os Neandertais -
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8:53 - 8:55este género robusto de ser humano,
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8:55 - 8:57comparado aqui à esquerda
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8:57 - 9:01com um esqueleto de humano moderno à direita -
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9:01 - 9:04que existiam na Ásia Ocidental e Europa
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9:04 - 9:06há várias centenas de milhares de anos.
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9:06 - 9:08Então uma pergunta interessante é:
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9:08 - 9:10o que aconteceu quando nos encontrámos?
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9:10 - 9:12O que aconteceu aos Neandertais?
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9:12 - 9:14E para começar a responder a essas perguntas,
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9:14 - 9:18o meu grupo de investigação - há mais de 25 anos -
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9:18 - 9:20trabalha em métodos de extracção de ADN
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9:20 - 9:22de vestígios de Neandertais
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9:22 - 9:24e animais extintos
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9:24 - 9:27que têm dezenas de milhares de anos.
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9:27 - 9:30Isto implica uma série de questões técnicas
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9:30 - 9:32sobre como extrair o ADN,
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9:32 - 9:35como transformá-lo de modo a que o possamos sequenciar.
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9:35 - 9:37Temos de trabalhar muito cuidadosamente
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9:37 - 9:40para evitar contaminação de experiências
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9:40 - 9:43com o nosso próprio ADN.
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9:43 - 9:46E isto, em conjunto com aqueles métodos
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9:46 - 9:50que permitem o sequenciamento muito rápido de numerosas moléculas de ADN,
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9:50 - 9:52permitiu-nos o ano passado
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9:52 - 9:55apresentar a primeira versão do genoma Neandertal,
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9:55 - 9:57de modo que qualquer um de vós
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9:57 - 9:59pode agora consultar na internet o genoma Neandertal,
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9:59 - 10:02ou pelo menos os 55 por cento
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10:02 - 10:05que conseguimos reconstruir até agora.
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10:05 - 10:07E podem começar a compará-lo aos genomas
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10:07 - 10:10de pessoas que estão vivas hoje.
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10:10 - 10:12E uma pergunta
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10:12 - 10:14que podem querer fazer
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10:14 - 10:16é: o que aconteceu quando nos encontrámos?
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10:16 - 10:18Misturámo-nos ou não?
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10:18 - 10:20E para fazer essa pergunta
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10:20 - 10:23devemos olhar para o Neandertal que vem do sul da Europa
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10:23 - 10:25e compará-lo aos genomas
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10:25 - 10:27de pessoas que estão hoje vivas.
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10:27 - 10:29Então tentamos
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10:29 - 10:31fazer isso com pares de indivíduos,
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10:31 - 10:33a começar com dois africanos,
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10:33 - 10:35olhamos para os dois genomas africanos,
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10:35 - 10:38encontramos partes em que diferem um do outro,
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10:38 - 10:41e em cada caso perguntamos: como é um Neandertal?
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10:41 - 10:44Corresponde a um africano ou ao outro?
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10:44 - 10:47Seria de esperar que fosse indiferente,
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10:47 - 10:49porque os Neandertais nunca estiveram em África.
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10:49 - 10:52Deveriam ser iguais, não haveria motivo para que se assemelhassem
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10:52 - 10:55mais a um africano do que a outro.
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10:55 - 10:57E é de facto o que acontece.
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10:57 - 10:59Estatisticamente falando, não existe diferença
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10:59 - 11:03na frequência com que o Neandertal coincide com um africano ou o outro.
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11:03 - 11:05Mas já é diferente
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11:05 - 11:09se olharmos para um indivíduo europeu e um africano.
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11:09 - 11:12Aí, com bastante mais frequência,
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11:12 - 11:14um Neandertal assemelha-se a um europeu
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11:14 - 11:16e não a um africano.
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11:16 - 11:19O mesmo acontece se observarmos um indivíduo chinês
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11:19 - 11:21face a um africano,
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11:21 - 11:25o Neandertal vai coincidir mais frequentemente com o indivíduo chinês.
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11:25 - 11:27Isto também pode ser surpreendente
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11:27 - 11:29porque os Neandertais nunca estiveram na China.
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11:29 - 11:33O modelo que propusemos para explicar isto
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11:33 - 11:35diz que quando os humanos modernos saíram de África
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11:35 - 11:38há uns 100 mil anos,
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11:38 - 11:40encontraram Neandertais.
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11:40 - 11:43Presumivelmente, primeiro no Médio Oriente,
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11:43 - 11:45onde viviam Neandertais.
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11:45 - 11:47Se nessa ocasião se misturaram entre si,
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11:47 - 11:49então esses humanos modernos,
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11:49 - 11:51que se tornaram nos antepassados
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11:51 - 11:53de toda a gente fora de África,
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11:53 - 11:56transportaram no seu genoma esta componente Neandertal
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11:56 - 11:58para o resto do mundo.
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11:58 - 12:01Assim, as pessoas que vivem hoje fora de África
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12:01 - 12:04têm cerca de 2,5 por cento de ADN
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12:04 - 12:06de Neandertais.
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12:06 - 12:09Portanto uma vez que temos hoje o genoma Neandertal
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12:09 - 12:11à mão como ponto de referência
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12:11 - 12:13e temos a tecnologia
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12:13 - 12:15para olharmos para vestígios remotos
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12:15 - 12:17e extraírmos o seu ADN,
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12:17 - 12:21podemos começar a aplicá-los noutras partes do mundo.
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12:21 - 12:24Primeiro fizemos isso no sul da Sibéria,
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12:24 - 12:26nos Montes Altai,
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12:26 - 12:28num lugar chamado Denisova,
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12:28 - 12:30uma caverna nesta montanha,
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12:30 - 12:33onde os arquéologos encontraram em 2008
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12:33 - 12:35um pequeno pedaço de osso -
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12:35 - 12:37isto é uma cópia dele -
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12:37 - 12:41e aperceberam-se que fazia parte da última falange
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12:41 - 12:44de um dedo mínimo humano.
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12:44 - 12:46E estava tão bem preservado
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12:46 - 12:49que pudemos determinar o ADN daquele indivíduo,
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12:49 - 12:51até em maior grau
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12:51 - 12:53do que para os Neandertais,
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12:53 - 12:55e começámos a compará-lo ao genoma Neandertal
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12:55 - 12:58e às pessoas de hoje em dia.
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12:58 - 13:00E descobrimos que este indivíduo
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13:00 - 13:03partilhava nas suas sequências de ADN uma origem comum
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13:03 - 13:07com Neandertais há cerca de 640 mil anos.
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13:07 - 13:10E mais atrás ainda, há 800 mil anos
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13:10 - 13:12existe uma origem comum
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13:12 - 13:14com os humanos dos dias de hoje.
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13:14 - 13:16Portanto este indivíduo vem de uma população
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13:16 - 13:19que partilha uma origem com Neandertais,
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13:19 - 13:22mas muito antes e depois tem uma longa história independente.
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13:22 - 13:24Chamamos a este grupo de humanos,
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13:24 - 13:26que descrevemos então pela primeira vez
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13:26 - 13:28a partir deste pequeno pedacinho de osso,
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13:28 - 13:30Hominídeos de Denisova,
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13:30 - 13:33a partir do local onde foram identificados.
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13:33 - 13:36Podemos então perguntar para os Denisovanos
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13:36 - 13:38o que perguntámos para os Neandertais:
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13:38 - 13:42Será que se misturaram com antepassados das pessoas actuais?
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13:42 - 13:44Se fizermos essa pergunta,
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13:44 - 13:46e compararmos o genoma Denisovano
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13:46 - 13:48com pessoas de todo o mundo,
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13:48 - 13:50surpreendentemente descobrimos
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13:50 - 13:52que não há vestígios de ADN Denisovano
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13:52 - 13:57nem em pessoas que vivem remotamente perto da Sibéria de hoje.
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13:57 - 13:59Mas encontramo-los sim na Papua Nova Guiné
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13:59 - 14:03e em outras ilhas da Melanésia e do Pacífico.
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14:03 - 14:05Isto quer presumivelmente dizer
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14:05 - 14:08que estes Hominídeos de Denisova foram mais disseminados no passado,
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14:08 - 14:11uma vez que não achamos que os antepassados dos melanésios
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14:11 - 14:13tenham alguma vez estado na Sibéria.
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14:13 - 14:15Então ao estudar
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14:15 - 14:18estes genomas de humanos extintos,
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14:18 - 14:21começamos a aproximar-nos do aspecto que o mundo tinha
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14:21 - 14:24quando os humanos modernos começaram a sair de África.
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14:24 - 14:27No Ocidente, existiam Neandertais;
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14:27 - 14:29no Oriente, Denisovanos -
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14:29 - 14:31talvez outros tipos de humanos também
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14:31 - 14:33que ainda não descrevemos.
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14:33 - 14:36Não sabemos bem quais eram as fronteiras entre estes povos,
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14:36 - 14:38mas sabemos que no sul da Sibéria
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14:38 - 14:40existiam tanto Neandertais como Denisovanos,
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14:40 - 14:43pelo menos a determinada altura.
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14:43 - 14:46Então surgiram os humanos modernos algures em África,
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14:46 - 14:49saíram de África, provavelmente no Médio Oriente.
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14:49 - 14:52Encontram Neandertais, misturam-se com eles,
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14:52 - 14:55continuam a espalhar-se pelo mundo,
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14:55 - 14:58e algures no Sudeste Asiático
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14:58 - 15:00encontram Denisovanos e misturam-se com eles
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15:00 - 15:03e continuam em direcção ao Pacífico.
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15:03 - 15:06E então estas primeiras formas de humanos desaparecem,
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15:06 - 15:09mas subsistem hoje ainda um pouco
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15:09 - 15:11em alguns de nós -
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15:11 - 15:14na medida em que os povos fora de África têm 2,5 por cento de ADN
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15:14 - 15:16de Neandertal,
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15:16 - 15:18e as pessoas da Melanésia
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15:18 - 15:21têm aproximadamente mais 5 por cento
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15:21 - 15:24de Denisovanos.
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15:24 - 15:26Quer isto dizer que existe apesar de tudo
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15:26 - 15:28alguma diferença absoluta
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15:28 - 15:31entre os povos fora e dentro de África,
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15:31 - 15:33na medida em que os povos fora de África
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15:33 - 15:35têm no seu genoma um antigo componente
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15:35 - 15:37destes extintos hominídeos,
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15:37 - 15:39enquanto os africanos não têm?
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15:39 - 15:42Não creio que seja assim.
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15:42 - 15:44Presumivelmente, os humanos modernos
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15:44 - 15:46surgiram algures em África.
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15:46 - 15:49Também se espalharam por África, claro,
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15:49 - 15:52e existiam por lá formas anteriores de humanos.
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15:52 - 15:54E uma vez que nos misturámos noutro sítio,
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15:54 - 15:56estou certo que um dia,
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15:56 - 15:58quando tenhamos talvez o genoma
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15:58 - 16:00de algumas dessas formas anteriores de África,
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16:00 - 16:02descobriremos que também eles se misturaram
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16:02 - 16:05com os primeiros humanos modernos de África.
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16:06 - 16:08Portanto, em suma,
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16:08 - 16:10o que aprendemos com o estudo dos genomas
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16:10 - 16:12dos humanos actuais
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16:12 - 16:14e dos humanos extintos?
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16:14 - 16:16Aprendemos talvez muitas coisas,
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16:16 - 16:21mas uma que penso que é digna de menção
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16:21 - 16:24é a lição de que sempre nos misturámos.
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16:24 - 16:26Misturámo-nos com estas antigas formas de humanos,
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16:26 - 16:28onde quer que os tenhamos encontrado,
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16:28 - 16:32e misturamo-nos uns com os outros desde então.
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16:32 - 16:34Obrigado pela vossa atenção.
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16:34 - 16:40(Aplausos)
- Title:
- Svante Pääbo: pistas de ADN para o Neandertal que há em nós
- Speaker:
- Svante Pääbo
- Description:
-
Partilhando os resultados de um maciço estudo mundial, o geneticista Svante Pääbo revela a prova genética de que os primeiros humanos acasalaram com Neandertais depois de termos saído de África. (Sim, muitos de nós têm ADN Neandertal.) Mostra ainda como um minúsculo osso de um dedo bebé foi suficiente para identificar toda uma nova espécie humanóide.
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 16:41