Antes de Avatar... um rapaz curioso
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0:02 - 0:06Eu cresci com uma dieta regular
de ficção científica. -
0:06 - 0:09No liceu, apanhava
um autocarro para a escola, -
0:09 - 0:11a viagem durava uma hora de ida
e outra de volta, todos os dias. -
0:11 - 0:14Eu ia sempre absorto por um livro,
um livro de ficção científica, -
0:14 - 0:18que transportava a minha imaginação
a outros mundos, -
0:18 - 0:21e satisfazia, de uma forma narrativa,
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0:21 - 0:25este sentido insaciável
de curiosidade que eu tinha. -
0:26 - 0:29Aquela curiosidade também se manifestava
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0:29 - 0:32no facto de que,
quando não estava na escola -
0:32 - 0:35estava algures nos bosques,
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0:35 - 0:38a fazer caminhadas e a colher "amostras"
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0:38 - 0:41— sapos, cobras e insetos e água do lago.
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0:41 - 0:43Levava-os para casa
e observava-os ao microscópio. -
0:44 - 0:45Era um verdadeiro "cromo" da ciência.
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0:45 - 0:48Mas tratava-se de tentar
compreender o mundo, -
0:48 - 0:52compreender os limites da possibilidade.
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0:52 - 0:56O meu amor pela ficção científica
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0:56 - 0:59parecia refletir-se
no mundo à minha volta, -
0:59 - 1:01por causa do que estava a acontecer
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1:01 - 1:04— isto foi em finais dos anos 60,
íamos viajar até à lua, -
1:04 - 1:07estávamos a explorar
as profundezas dos oceanos. -
1:07 - 1:09Jacques Cousteau entrava na nossa casa
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1:09 - 1:11com os seus programas
especiais e espantosos -
1:11 - 1:15que nos mostravam animais, sítios
e um mundo maravilhoso -
1:15 - 1:17que nós nunca podíamos ter imaginado.
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1:17 - 1:19Isso parecia estar em consonância
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1:19 - 1:22com toda a parte da ficção científica.
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1:22 - 1:24Eu era um artista.
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1:24 - 1:26Sabia desenhar. Sabia pintar.
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1:26 - 1:30Descobri isso porque,
como havia jogos de vídeo, -
1:30 - 1:33nem este excesso de filmes gerados
por computador -
1:33 - 1:36e todas estas imagens
no panorama dos "media", -
1:36 - 1:39eu tinha de criar
estas imagens na minha cabeça. -
1:39 - 1:42Todos o fizemos, em crianças
tínhamos de ler um livro -
1:42 - 1:44e pela descrição do escritor,
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1:44 - 1:47projetávamos alguma coisa
no ecrã de cinema da nossa imaginação. -
1:47 - 1:50Assim, a minha resposta a isso
era pintar, desenhar -
1:50 - 1:53criaturas alienígenas,
mundos extraterrestres -
1:53 - 1:55robôs, naves espaciais,
todas essas coisas. -
1:55 - 1:57Estava sempre a ser apanhado
nas aulas de matemática -
1:57 - 2:00a rabiscar por trás do livro.
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2:02 - 2:06A criatividade tinha de encontrar
o seu escape, fosse como fosse. -
2:07 - 2:10Aconteceu uma coisa interessante:
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2:10 - 2:13os programas do Jacques Cousteau
entusiasmaram-me muito -
2:13 - 2:15por haver um mundo alienígena
aqui mesmo na Terra. -
2:15 - 2:18Eu até podia não ir realmente
a um mundo extraterrestre -
2:18 - 2:20numa nave espacial um dia
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2:20 - 2:23— isso parecia uma coisa
muito pouco provável. -
2:23 - 2:25Mas havia um mundo
aonde eu podia mesmo ir, -
2:25 - 2:27aqui mesmo na Terra,
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2:27 - 2:30que era rico e exótico, como tudo
o que eu tinha imaginado -
2:30 - 2:32ao ler aqueles livros.
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2:32 - 2:36Então, aos 15 anos.
decidi que ia ser mergulhador. -
2:37 - 2:41O único problema era que eu vivia
numa pequena vila no Canadá, -
2:41 - 2:43quase a 1000 km do oceano mais próximo.
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2:43 - 2:45Mas não deixei que isso me intimidasse.
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2:45 - 2:48Eu chaguei o meu pai
até ele encontrar finalmente -
2:48 - 2:51uma escola de mergulho
em Buffalo, Nova Iorque -
2:51 - 2:53mesmo do outro lado
da fronteira de onde vivíamos. -
2:53 - 2:55E obtive o meu certificado
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2:55 - 2:59numa piscina do YMCA, no pico do inverno,
em Buffalo, Nova Iorque. -
2:59 - 3:02Só vi o oceano, o verdadeiro oceano,
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3:02 - 3:04passados dois anos,
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3:04 - 3:06quando nos mudámos para a Califórnia.
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3:06 - 3:11Desde então, nestes últimos 40 anos,
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3:12 - 3:15passei quase 3000 horas debaixo de água,
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3:15 - 3:18e 500 horas destas dentro de submersíveis.
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3:18 - 3:22Aprendi que o ambiente
das profundezas do oceano -
3:22 - 3:24e mesmo das águas superficiais
do oceano, -
3:24 - 3:27são muito ricos de uma vida espantosa,
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3:27 - 3:31que está para lá da nossa imaginação.
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3:31 - 3:35A imaginação da natureza é tão ilimitada
-
3:35 - 3:38comparada com a nossa
pobre imaginação humana. -
3:38 - 3:41Ainda hoje, fico absolutamente deslumbrado
-
3:41 - 3:44com o que vejo
quando faço estes mergulhos. -
3:44 - 3:48O meu caso amoroso com o oceano
continua tão forte como sempre foi. -
3:49 - 3:51Mas quando escolhi
uma carreira, em adulto, -
3:53 - 3:54escolhi realizar filmes.
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3:54 - 3:56Isso parecia ser a melhor forma
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3:56 - 3:59de conciliar esta vontade
que tinha de contar histórias -
3:59 - 4:03com a minha necessidade de criar imagens.
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4:03 - 4:06Em miúdo, eu estava constantemente
a desenhar banda desenhada e afins. -
4:06 - 4:09Então, realizar filmes era a forma
de juntar imagens e histórias -
4:09 - 4:11e isso fazia todo o sentido.
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4:11 - 4:13Claro que as histórias que escolhi contar
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4:13 - 4:15eram de ficção científica:
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4:15 - 4:17"O Exterminador", "Aliens" e "O Abismo".
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4:17 - 4:20Com "O Abismo", eu estava a juntar
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4:20 - 4:24o meu amor pelo mundo subaquático
e pelo mergulho com a realização de filmes. -
4:24 - 4:25Estava a fundir as duas paixões.
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4:25 - 4:29Houve uma coisa interessante
que resultou de "O Abismo". -
4:30 - 4:32Para resolvermos um problema específico
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4:32 - 4:35da narrativa nesse filme,
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4:35 - 4:39que era criar uma espécie
de criatura marinha líquida, -
4:39 - 4:45utilizámos a animação
gerada por computador, CG. -
4:45 - 4:52Assim nasceu a primeira personagem
de superfície suave, -
4:52 - 4:55gerada por computador, a entrar num filme.
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4:55 - 4:57Apesar de o filme não ter sido lucrativo
-
4:57 - 5:00— melhor dizendo,
quase não cobriu os custos — -
5:00 - 5:01testemunhei uma coisa espantosa.
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5:01 - 5:04Foi ver que o público em geral
ficou hipnotizado -
5:04 - 5:07por aquela aparente magia,
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5:07 - 5:08aquela lei do Arthur Clarke
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5:08 - 5:11de que qualquer tecnologia
suficientemente avançada -
5:11 - 5:13não se distingue da magia.
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5:13 - 5:15Eles estavam a ver uma coisa mágica.
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5:15 - 5:18Isso entusiasmou-me imenso
e pensei: -
5:18 - 5:21"Uau, isto é uma coisa
que precisa de ser adotada -
5:21 - 5:22"pela arte cinematográfica".
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5:22 - 5:25No "Exterminador 2",
que foi o meu filme seguinte, -
5:25 - 5:26levámos a coisa mais longe.
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5:26 - 5:30Trabalhando com o ILM, criámos
o indivíduo de metal líquido desse filme. -
5:30 - 5:33O sucesso dependia de
o efeito funcionar ou não. -
5:33 - 5:35E funcionou, voltámos a fazer magia,
-
5:35 - 5:38e tivemos o mesmo resultado
com o público, -
5:38 - 5:40apesar de fazermos um pouco
mais de dinheiro com este. -
5:41 - 5:46Então, ao traçar uma linha
entre estes dois pontos de experiência -
5:47 - 5:50cheguei a "isto vai ser um mundo
totalmente diferente", -
5:50 - 5:52isto era um mundo
inteiramente novo de criatividade -
5:52 - 5:55para os artistas cinematográficos.
-
5:55 - 5:57Então, criei uma empresa
com o Stan Winston, -
5:57 - 5:59o meu grande amigo Stan Winston,
-
5:59 - 6:04que era o especialista em maquilhagem
e designer de criaturas, naquela época, -
6:04 - 6:06e chamámos-lhe Digital Domain.
-
6:06 - 6:09O conceito da empresa era de contornar
-
6:09 - 6:13todo o processo analógico
das impressoras digitais e afins, -
6:13 - 6:16e passar diretamente
para a produção digital. -
6:16 - 6:19Fizemos isso o que nos deu uma vantagem
competitiva durante uns tempos. -
6:19 - 6:23Mas em meados dos anos 90
ficámos para trás -
6:23 - 6:25no design das criaturas e das personagens
-
6:25 - 6:28que era aquilo para que tínhamos
fundado a empresa. -
6:28 - 6:30Então, escrevi um texto chamado "Avatar",
-
6:30 - 6:34destinado a levar, para lá dos limites,
de uma vez por todas, -
6:34 - 6:37os efeitos visuais
gerados por computador, -
6:37 - 6:41com personagens humanas
realistas e emotivas -
6:41 - 6:43geradas por computador,
-
6:43 - 6:46e as personagens principais
seriam todas geradas por computador, -
6:46 - 6:48e o mundo seria gerado por computador.
-
6:49 - 6:51Mas a inovação era demasiada,
-
6:51 - 6:55e os homens da minha empresa disseram-me
-
6:55 - 6:57que não íamos ser capazes
de fazer aquilo naquela altura. -
6:57 - 7:02Assim, foi para a gaveta, e fiz outro filme
sobre um grande navio que se afunda. -
7:02 - 7:04(Risos)
-
7:04 - 7:08Fui ao estúdio e vendi-o como
o "Romeu e Julieta" num navio: -
7:08 - 7:11"Vai ser um romance épico,
um filme apaixonante." -
7:12 - 7:14Secretamente, o que eu queria fazer
-
7:14 - 7:17era mergulhar até aos destroços
do verdadeiro "Titanic". -
7:17 - 7:19Foi por isso que fiz o filme.
-
7:19 - 7:22(Aplausos)
-
7:22 - 7:25Essa é que é a verdade.
Mas o estúdio não sabia disso. -
7:25 - 7:26Mas eu convenci-os, e disse:
-
7:26 - 7:29"Vamos mergulhar até aos destroços.
Vamos mesmo filmá-los. -
7:29 - 7:32Vamos usá-los no início do filme.
Vai ser muito importante. -
7:32 - 7:34Vai ser o grande elemento-chave
do marketing." -
7:34 - 7:36E convenci-os a pagar
os custos da expedição. -
7:36 - 7:38(Risos)
-
7:38 - 7:39Parece loucura, mas assim voltamos ao tema
-
7:39 - 7:42de como a vossa imaginação
cria a realidade. -
7:42 - 7:45Porque criámos uma realidade
em que, seis meses depois, -
7:45 - 7:47eu estava num submersível russo
-
7:47 - 7:49a quatro mil metros de profundidade
no Atlântico norte, -
7:49 - 7:52a olhar para o verdadeiro Titanic
através de uma escotilha. -
7:52 - 7:55Não era um filme, nem alta definição,
era a sério. -
7:55 - 7:57(Aplausos)
-
7:57 - 7:59Aquilo impressionou-me imenso.
-
7:59 - 8:02Foi preciso muita preparação,
tivemos de construir câmaras, -
8:02 - 8:03luzes e todo o género de coisas.
-
8:03 - 8:05Mas, impressionou-me até que ponto
-
8:05 - 8:10estes mergulhos de profundidade,
se assemelham a uma missão especial, -
8:10 - 8:12no que diz respeito a alta tecnologia
-
8:12 - 8:14e por exigir muito planeamento.
-
8:14 - 8:15Entramos numa cápsula,
-
8:15 - 8:18descemos até àquele ambiente
escuro e hostil -
8:18 - 8:20onde não há esperança de salvamento
-
8:20 - 8:22se não conseguirmos regressar
por nós mesmos. -
8:22 - 8:24E eu pensei:
-
8:24 - 8:26"Uau! Estou a viver
num filme de ficção científica. -
8:26 - 8:28"Isto é mesmo fixe."
-
8:28 - 8:32Então, fui mordido pelo bichinho
da exploração dos grandes oceanos. -
8:32 - 8:35Claro, a curiosidade,
a componente científica daquilo -
8:35 - 8:36era tudo.
-
8:36 - 8:38Era a aventura,
a curiosidade, a imaginação. -
8:38 - 8:43Era uma experiência
que Hollywood não me podia dar. -
8:43 - 8:46Porque eu posso imaginar uma criatura
e podia criar um efeito visual para ela. -
8:46 - 8:49Mas não podia imaginar
o que estava a ver por aquela janela. -
8:49 - 8:52À medida que fazíamos
as expedições seguintes, -
8:52 - 8:55fui vendo criaturas em fontes hidrotermais
-
8:55 - 8:58e, às vezes, coisas
que eu nunca tinha visto, -
8:58 - 9:01às vezes, coisas que ninguém tinha visto,
-
9:01 - 9:03que não estavam descritas pela ciência
-
9:03 - 9:06na época em que as vimos
e as captámos em imagem. -
9:06 - 9:08Eu fiquei completamente apanhado por isto,
-
9:08 - 9:11e tinha de fazer mais.
-
9:11 - 9:13Por isso, tomei uma decisão curiosa.
-
9:13 - 9:15Depois do êxito do "Titanic", disse:
-
9:15 - 9:17"Ok, eu vou suspender
o meu trabalho de dia -
9:17 - 9:20"como realizador de filmes em Hollywood,
-
9:20 - 9:24"e vou ser explorador a tempo inteiro
durante uns tempos". -
9:24 - 9:27E assim, começámos
a planear umas expedições. -
9:27 - 9:30Acabámos por ir até ao Bismark,
-
9:30 - 9:33e explorámo-lo com veículos robóticos.
-
9:33 - 9:35Voltámos aos destroços do Titanic.
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9:35 - 9:37Levámos pequenos robôs
que tínhamos criado -
9:37 - 9:39que tinham bobinas de fibra ótica.
-
9:39 - 9:43A ideia era entrar e fazer
uma pesquisa interior daquele navio, -
9:43 - 9:45coisa que nunca tinha sido feita.
-
9:45 - 9:48Nunca ninguém tinha visto
o interior dos destroços. -
9:48 - 9:51Não havia meios para o fazer,
nós criámos a tecnologia para isso. -
9:51 - 9:54Então, ali estava eu,
no convés do Titanic, -
9:54 - 9:55sentado num submersível,
-
9:55 - 9:58a olhar para tábuas
muito parecidas com estas, -
9:58 - 10:02onde eu sabia que a banda tinha tocado.
-
10:02 - 10:07Estou pilotar um pequeno veículo robótico
pelo corredor do navio. -
10:07 - 10:10Quando digo "estou a comandá-lo,"
-
10:10 - 10:12mas a minha mente estava no veículo.
-
10:12 - 10:17Eu sentia que estava fisicamente presente
dentro dos destroços do Titanic. -
10:17 - 10:21E foi a experiência mais surrealista
de "déjà-vu" que alguma vez tive -
10:21 - 10:25porque, antes de virar uma esquina,
eu sabia o que ia estar ali, -
10:25 - 10:28antes de as luzes do veículo o revelarem,
-
10:28 - 10:31porque eu tinha andando pelo cenário
durante meses, -
10:31 - 10:33quando estivemos a filmar.
-
10:33 - 10:36E o cenário era baseado numa réplica exata
-
10:36 - 10:38das plantas arquitetónicas do navio.
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10:38 - 10:40Foi uma experiência absolutamente notável.
-
10:40 - 10:44Aquilo fez-me perceber
a experiência em telepresença, -
10:44 - 10:47de que podemos ter
estes avatares robotizados, -
10:47 - 10:51e a nossa consciência
ser injetada nesse veículo, -
10:51 - 10:54nesta outra forma de existência.
-
10:54 - 10:56Era realmente, muito profundo.
-
10:56 - 10:59E pode ser um pequeno vislumbre
do que pode vir a acontecer -
10:59 - 11:00daqui a umas décadas
-
11:00 - 11:04quando começarmos a ter corpos ciborgue
-
11:04 - 11:06para exploração ou para outras coisas
-
11:06 - 11:10em muitos géneros de futuros pós-humanos
-
11:10 - 11:11que eu posso imaginar,
-
11:11 - 11:14enquanto fã de ficção científica.
-
11:14 - 11:18Depois daquelas expedições,
-
11:18 - 11:22e de começar a apreciar
o que estava lá em baixo, -
11:22 - 11:26como as fontes dos grandes oceanos
-
11:26 - 11:28onde tínhamos visto
aqueles espantosos animais... -
11:28 - 11:31Eles eram como extraterrestres
aqui na Terra. -
11:31 - 11:33Vivem num ambiente de quimiossíntese.
-
11:33 - 11:38Não sobrevivem num sistema
baseado na luz solar, como nós. -
11:38 - 11:42Estão a ver animais que vivem
nas temperaturas próximas dos 500ºC -
11:42 - 11:44das fontes hidrotermais oceânicas?
-
11:44 - 11:46Vocês acham
que não é possível eles existirem. -
11:46 - 11:47Ao mesmo tempo,
-
11:47 - 11:50eu também estava a ficar
muito interessado em ciência especial, -
11:50 - 11:54mais uma vez, por influência
da ficção cientifica em miúdo. -
11:54 - 11:57E acabei por me envolver
com a comunidade espacial, -
11:57 - 12:00mesmo envolvido com a NASA,
-
12:00 - 12:02sentado com o comité consultivo da NASA,
-
12:02 - 12:04a planear missões espaciais verdadeiras,
-
12:04 - 12:05ir até à Rússia,
-
12:05 - 12:08passar pelos protocolos biomédicos
dos pré-cosmonautas, -
12:08 - 12:10e todo esse género de coisas,
-
12:10 - 12:13e voar até à estação espacial internacional
-
12:13 - 12:15através dos nossos sistemas de câmaras 3D.
-
12:15 - 12:16Isso foi fascinante.
-
12:16 - 12:19Acabei por levar cientistas espaciais
-
12:19 - 12:21connosco até às profundezas.
-
12:21 - 12:24Levá-los para o fundo
para eles terem acesso -
12:24 - 12:27— astrobiólogos, cientistas planetários,
-
12:27 - 12:30pessoas que estavam interessados
nestes ambientes extremos — -
12:30 - 12:33levá-los até às fontes, deixá-los observar
-
12:33 - 12:36tirar amostras, testar instrumentos
e coisas do género. -
12:36 - 12:38Estávamos a fazer documentários,
-
12:38 - 12:41e também a fazer ciência,
a fazer ciência espacial. -
12:41 - 12:43Eu tinha fechado completamente o ciclo
-
12:43 - 12:47entre ser fã de ficção científica,
em criança, -
12:48 - 12:49e fazer aquelas coisas a sério.
-
12:50 - 12:54Ao longo do caminho,
nesta viagem de descoberta -
12:54 - 12:56aprendi muito.
-
12:56 - 12:58Aprendi muito sobre ciência.
-
12:58 - 13:01Mas também aprendi muito sobre liderança.
-
13:01 - 13:03Vocês pensam que um realizador
tem de ser um líder, -
13:03 - 13:06capitão do navio, e todas essas coisas.
-
13:06 - 13:08Na verdade, eu não sabia nada
sobre liderança -
13:08 - 13:10até fazer aquelas expedições.
-
13:10 - 13:14Porque, a dada altura, tive de perguntar,
-
13:14 - 13:15"O que é que estou a fazer aqui?
-
13:15 - 13:18Porque é que faço isto?
O que é que vou aprender com isto?" -
13:18 - 13:21Nós não fazemos dinheiro
com estes documentários. -
13:21 - 13:23Quase não cobrem os custos.
Não nos traz fama. -
13:23 - 13:27As pessoas devem pensar que eu fugi,
entre o "Titanic" e o "Avatar" -
13:27 - 13:30e que me estava a bronzear algures,
sentado numa praia. -
13:30 - 13:32Fiz todos estes filmes,
fiz todos estes documentários -
13:32 - 13:34para um público muito limitado.
-
13:34 - 13:37Sem fama, sem glória, sem dinheiro.
O que é que estás a fazer? -
13:37 - 13:41Estás a fazê-lo pela obra em si,
pelo desafio -
13:41 - 13:44— e o oceano é o ambiente
mais desafiador que existe — -
13:44 - 13:47pela emoção da descoberta,
-
13:47 - 13:50e por aquele estranho laço que se forma
-
13:50 - 13:54quando um pequeno grupo de pessoas
formam uma equipa unida. -
13:54 - 13:57Porque nós fazíamos estas coisas
com 10, 12 pessoas, -
13:57 - 13:59trabalhando durante anos seguidos,
-
13:59 - 14:02ficando no mar por vezes,
durante dois, três meses seguidos. -
14:03 - 14:06Naquela ligação, percebemos
-
14:06 - 14:07que a coisa mais importante
-
14:07 - 14:11é o respeito que nós temos por eles
e que eles têm por nós, -
14:11 - 14:12por termos feito uma obra
-
14:12 - 14:15que não conseguimos explicar
a outras pessoas. -
14:15 - 14:16Quando voltamos à costa e dizemos:
-
14:16 - 14:19"Tivemos de fazer isto,
e a fibra ótica, e a atenuação..." -
14:19 - 14:21e isto e mais aquilo,
-
14:21 - 14:23toda a tecnologia daquilo,
e a dificuldade, -
14:23 - 14:25os aspetos do desempenho humano
de trabalhar no mar, -
14:25 - 14:27não se consegue explicar isso às pessoas.
-
14:27 - 14:31É como os polícias ou os combatentes
que passaram juntos por qualquer coisa. -
14:31 - 14:34Eles sabem que nunca
vão conseguir explicá-lo. -
14:34 - 14:36Criam-se laços de respeito.
-
14:36 - 14:40Quando voltei para fazer o filme seguinte,
que foi o "Avatar," -
14:40 - 14:43tentei aplicar aquele mesmo
princípio de liderança, -
14:43 - 14:46ou seja, respeitarmos a nossa equipa
-
14:46 - 14:48e assim ganharmos o respeito dela.
-
14:48 - 14:49Isso mudou muito a dinâmica.
-
14:49 - 14:52Ali estava eu de novo
com uma pequena equipa, -
14:52 - 14:55em território desconhecido,
a fazer o "Avatar", -
14:55 - 14:58a inventar uma nova tecnologia
que antes não existia. -
14:58 - 15:00Tremendamente excitante.
-
15:00 - 15:02Tremendamente desafiador.
-
15:02 - 15:05Tornámo-nos uma família,
durante quatro anos e meio. -
15:05 - 15:07Isso mudou completamente
a forma como faço filmes. -
15:07 - 15:09As pessoas comentavam:
-
15:09 - 15:12"Trouxeste de volta
os organismos do oceano -
15:12 - 15:14"e puseste-os no planeta de Pandora".
-
15:14 - 15:18Para mim, era mais
a forma fundamental de fazer negócio, -
15:18 - 15:20o processo em si,
que mudou em resultado disso. -
15:20 - 15:23O que podemos resumir de tudo isto?
-
15:23 - 15:25Quais são as lições aprendidas?
-
15:25 - 15:29Bem, acho que a lição número um
é a curiosidade. -
15:29 - 15:32É a coisa mais poderosa que temos.
-
15:32 - 15:35A imaginação é uma força
-
15:35 - 15:39que pode manifestar uma realidade.
-
15:40 - 15:43E o respeito da vossa equipa
-
15:43 - 15:48é mais importante do que
todos os prémios do mundo. -
15:48 - 15:52Há jovens realizadores
que vêm ter comigo e dizem: -
15:52 - 15:54"Dê-me um conselho para fazer isto".
-
15:54 - 15:58E eu respondo:
"Não se limitem a vocês mesmos. -
15:58 - 16:00"Outras pessoas fá-lo-ão por vocês.
-
16:00 - 16:02"Não o façam vocês,
não apostem contra vocês mesmos. -
16:02 - 16:04"E corram riscos."
-
16:04 - 16:07A NASA tem este lema de que eles gostam:
-
16:07 - 16:10"O fracasso não é uma opção."
-
16:10 - 16:12Mas o fracasso tem que ser uma opção
-
16:12 - 16:15na arte e na exploração,
porque é um salto de fé. -
16:15 - 16:18Nenhum empreendimento importante
-
16:18 - 16:20que tenha exigido inovação
-
16:20 - 16:22foi feito sem correr riscos.
-
16:22 - 16:24Têm de estar dispostos
a correr esses riscos. -
16:24 - 16:26É este o pensamento que vos deixo:
-
16:27 - 16:30Em tudo aquilo que vocês façam,
-
16:30 - 16:33o fracasso é uma opção,
mas o medo não é. -
16:35 - 16:36Obrigado.
-
16:36 - 16:40(Aplausos)
- Title:
- Antes de Avatar... um rapaz curioso
- Speaker:
- James Cameron
- Description:
-
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Os filmes de grande orçamento (e sempre a aumentar) de James Cameron criam mundos irreais únicos. Nesta palestra pessoal, ele revela o seu fascínio pelo fantástico desde a infância — desde ler ficção científica até ao mergulho em alto mar — e como isso o conduziu ao êxito dos seus espetaculares "Aliens", "O Exterminador", "Titanic" e "Avatar".
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 16:47
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Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for Before Avatar ... a curious boy | |
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