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[Robert Adams:
Luz]
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Num dos seus livros,
Kenneth Clark comentou
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que o elemento que distingue
um pintor de paisagens
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é uma resposta emocional
especialmente intensa à luz.
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Creio que é verdade.
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Sei que custa a crer,
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mas quando voltava à minha câmara escura,
no Colorado,
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depois de ter passado dias ou até meses
a trabalhar no exterior...
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Se estivesse a trabalhar na câmara escura,
eu sabia quando era de dia.
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Palavra de honra: eu conseguia perceber,
mesmo na câmara escura,
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quando o sol se escondia atrás das nuvens
e quando reaparecia.
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A luz é uma coisa física
com que se trabalha.
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Evidentemente, também é uma metáfora.
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É o trabalho com a luz
que nos permite chegar às metáforas.
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É o símbolo ancestral da verdade.
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É a expressão da verdade.
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A luz é uma coisa carregada.
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Mas, na sua essência,
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é apenas um ingrediente
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profundamente misterioso e cativante
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que é essencial para compreendermos a vida
e a nossa resposta à mesma.
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Não sei se há mais alguma coisa
que eu possa acrescentar.
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Está no centro da razão
pela qual tiramos fotografias
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e de como as tiramos.