A significação do trabalho - Dan Ariely no TEDxAmsterdam
-
0:12 - 0:18Após as palestras da manhã, eu pensei: "O que posso fazer para melhorar?"
-
0:18 - 0:20Vocês sabem, o Paul tirou a camiseta, eu não posso fazer isso.
-
0:20 - 0:25Eu pensei: "Talvez eu tire a minha..." Não.
-
0:25 - 0:29Quero falar um pouco sobre trabalho e motivação.
-
0:29 - 0:34Quando pensamos nas pessoas como força de trabalho,
-
0:34 - 0:37frequentemente as vemos como ratos em um labirinto.
-
0:37 - 0:40Pensamos que as pessoas odeiam trabalhar, que só querem
-
0:40 - 0:44ficar na praia tomando mojitos e a única razão pela qual trabalham
-
0:44 - 0:48é serem pagas para que possam ficar na praia tomando mojitos.
-
0:48 - 0:49Mas é isso mesmo?
-
0:49 - 0:52Há coisas como o montanhismo.
-
0:52 - 0:54É algo muito desafiador.
-
0:54 - 0:57Quando você lê os livros de montanhistas,
-
0:57 - 1:01você pensa que estes livros estariam cheios de momentos de júbilo e alegria.
-
1:01 - 1:07Não! Estão cheios de momentos de angústia e dor, e machucados causados pelo frio.
-
1:07 - 1:11Você acha que uma vez que as pessoas se fortaleçam com isso e desçam,
-
1:11 - 1:16elas dirão: "Céus, isso foi um erro terrível, nunca vou fazer isso de novo!"
-
1:16 - 1:21Não! Eles sobem! Eles se curam, se recuperam e sobem!
-
1:21 - 1:24Isso desafia o que pensamos sobre alegria
-
1:24 - 1:29e motivação, e o que efetivamente faz as pessoas se importarem.
-
1:29 - 1:34Comecei a pensar sobre significação e motivação no ambiente de trabalho
-
1:34 - 1:38quando um dos meus ex-alunos voltou para me ver.
-
1:38 - 1:40Seu nome é David, e ele veio me ver
-
1:40 - 1:43e me contou a seguinte história:
-
1:43 - 1:45ele estava trabalhando em um banco de investimentos,
-
1:45 - 1:50preparando uma apresentação no PowerPoint para uma fusão e aquisição.
-
1:50 - 1:53Ele estava trabalhando nisso há semanas. Estava dando duro,
-
1:53 - 1:55ficando até tarde da noite - e um dia antes
-
1:55 - 1:57da fusão e aquisição,
-
1:57 - 2:00ele enviou a apresentação em PowerPoint para o chefe dele,
-
2:00 - 2:08que lhe respondeu rápido dizendo: "Bom trabalho! O negócio foi cancelado."
-
2:08 - 2:10Durante o processo ele estava incrivelmente empolgado!
-
2:10 - 2:14Ele estava trabalhando, estava feliz, seu chefe tinha gostado.
-
2:14 - 2:18Mas o fato de que ninguém ia ver o trabalho o desanimou.
-
2:18 - 2:20De fato, quando ele estava olhando os próximos projetos,
-
2:20 - 2:23ele não conseguia encontrar muita motivação.
-
2:23 - 2:27É interessante pensar sobre isso, porque fisicamente tudo estava bem.
-
2:27 - 2:31O chefe dele gostava do trabalho, ele provavelmente teria um aumento, tudo estava bem -
-
2:31 - 2:34mas estava faltando algo,
-
2:34 - 2:36como um sentido geral para o que ele estava fazendo.
-
2:36 - 2:40Eu pensei: como podemos capturar isso com alguns experimentos simples?
-
2:40 - 2:43Então eu decidi construir com Lego.
-
2:43 - 2:48Pagamos as pessoas para fazerem bonecos de Lego, como esses que vocês estão vendo.
-
2:48 - 2:51Pagamos as pessoas numa escala decrescente.
-
2:51 - 2:53Acontecia o seguinte: a pessoa chegava e nós falávamos:
-
2:53 - 2:55"Você gostaria de fazer um boneco?
-
2:55 - 2:57Vamos te pagar 3 dólares por isso."
-
2:57 - 3:01Se a pessoa dissesse "Sim", ela construiria e, quando tivesse terminado, pegávamos de volta
-
3:01 - 3:05e dizíamos: "Você gostaria de fazer um outro por US$ 2,70?"
-
3:05 - 3:08Se terminasse aquele e quisesse outro, oferecíamos US$ 2,40 e assim por diante.
-
3:08 - 3:12A pergunta era: "Em que ponto as pessoas vão parar?"
-
3:12 - 3:15Falamos para as pessoas que pegaríamos os bonecos, colocaríamos sob o balcão,
-
3:15 - 3:20e quebraríamos em partes para o próximo participante.
-
3:20 - 3:22(Risos)
-
3:23 - 3:25Esse foi o primeiro cenário.
-
3:25 - 3:29As pessoas construíam um depois do outro.
-
3:29 - 3:32O segundo cenário nós chamamos de "Cenário Sisífico".
-
3:32 - 3:37Lembremos a história de Sísifo. Ele foi sentenciado pelos deuses
-
3:37 - 3:41a empurrar uma pedra em uma grande montanha, encosta acima, e quando ele quase chegava lá,
-
3:41 - 3:43a pedra rolava de volta e ele tinha que fazer tudo de novo.
-
3:44 - 3:46Você pode imaginar o quão desmotivador isso é, certo?
-
3:46 - 3:51E como seria melhor se ele pudesse pelo menos empurrar a pedra em montanhas diferentes.
-
3:51 - 3:55Mas estar na mesma montanha o tempo todo é desmotivador.
-
3:55 - 3:57Foi isso que tentamos fazer no "Cenário Sisífico".
-
3:57 - 3:59Dávamos um boneco para as pessoas,
-
3:59 - 4:02e quando acabavam, falávamos: "Gostaria de fazer outro?"
-
4:02 - 4:04Se eles dissessem "Sim", dávamos um segundo,
-
4:04 - 4:08mas enquanto estavam trabalhando no segundo, desmontávamos o primeiro.
-
4:08 - 4:10Bem na frente deles.
-
4:10 - 4:15E então, se quisessem fazer um terceiro, dávamos o primeiro de volta.
-
4:15 - 4:17(Risos)
-
4:17 - 4:22Tínhamos um ciclo interminável de desconstruir e criar, criar e desconstruir.
-
4:22 - 4:24O que aconteceu? A primeira coisa
-
4:24 - 4:26foi que as pessoas fizeram muito mais bonecos
-
4:26 - 4:30no "Cenário Significativo" do que no "Cenário Sisífico".
-
4:30 - 4:33Devo assinalar que a significação no "Cenário Significativo"
-
4:33 - 4:37não era muito elevada. Era uma pequena significação, certo?
-
4:37 - 4:40É importante o fato de que destruir os bonecos na frente das pessoas
-
4:40 - 4:43alguns minutos antes fez diferença.
-
4:43 - 4:46Num segundo momento pedimos a outro grupo de pessoas
-
4:46 - 4:49para prever quão grande seria o efeito.
-
4:49 - 4:51Dissemos: "Se você estivesse nesse experimento, quantos bonecos você acha
-
4:51 - 4:54que as pessoas construiriam em cada um dos cenários?
-
4:54 - 4:58As pessoas achavam que o "Cenário Significativo" criaria
-
4:58 - 5:01maior motivação, mas não entenderam a magnitude disso.
-
5:01 - 5:06As pessoas acharam que a diferença seria de um boneco. Mas foi muito maior.
-
5:06 - 5:11Finalmente, verificamos a correlação entre quantas pessoas adoram os bonecos
-
5:11 - 5:14e quantos bonecos eles criaram.
-
5:14 - 5:16Pode-se esperar que naturalmente as pessoas que gostam mais dos bonecos
-
5:16 - 5:19construiriam mais, mesmo por menos dinheiro.
-
5:19 - 5:20De fato foi o que aconteceu.
-
5:20 - 5:23No "Cenário Significativo" houve uma boa correlação.
-
5:23 - 5:26Pessoas que gostam dos bonecos constroem mais, e as que não gostam tanto
-
5:26 - 5:28não constroem tanto.
-
5:28 - 5:30O que aconteceu no "Cenário Sisífico"?
-
5:30 - 5:33Neste cenário não houve correlação.
-
5:33 - 5:37Ao destruir o trabalho das pessoas na frente delas, nós conseguimos
-
5:37 - 5:40espatifar a alegria que sentiram no processo.
-
5:40 - 5:43(Risos)
-
5:46 - 5:51Depois que terminei esse estudo, fui a uma grande empresa de software em Seattle.
-
5:51 - 5:54(Risos)
-
5:54 - 5:57Havia uma sala enorme e cheia, com uns 200 engenheiros,
-
5:57 - 6:00e eles tinham trabalhado por 2 anos
-
6:00 - 6:03em um projeto que eles acharam que seria a próxima criação
-
6:03 - 6:05dessa grande empresa de software.
-
6:05 - 6:09Uma semana antes de eu vir, o Diretor Executivo cancelou o projeto.
-
6:09 - 6:14Eu nunca estive com um grupo de pessoas mais deprimidas.
-
6:14 - 6:18Perguntei para eles: "Quantos de vocês chegam mais tarde no trabalho esses dias?"
-
6:18 - 6:20Todos levantaram as mãos.
-
6:20 - 6:22Eu disse: "Quantos de vocês saem antes?"
-
6:22 - 6:24Todos levantaram as mãos.
-
6:24 - 6:28Eu disse: "Quantos de vocês cobram coisas extras nos seus relatórios de despesas?"
-
6:28 - 6:31Ninguém levantou a mão, mas eles me levaram para jantar naquela noite.
-
6:31 - 6:34(Risos)
-
6:34 - 6:39Eles me mostraram o que conseguiam fazer com criatividade.
-
6:39 - 6:42Foi dito que se sentiram como no experimento do Lego.
-
6:42 - 6:46Eles sentiram que alguém cancelou algo bem na frente deles, sob seus pés,
-
6:46 - 6:50sem deixar que houvesse qualquer significação no que estavam fazendo.
-
6:50 - 6:53É o seguinte: acho que o Diretor Executivo daquela empresa
-
6:53 - 6:55não entendia a significação do trabalho.
-
6:55 - 6:58Ele disse: "Ok, te orientamos nessa direção até agora,
-
6:58 - 7:01deixe-me reorientá-lo para outro lugar e você irá para onde eu indicar."
-
7:01 - 7:04As pessoas não funcionam assim.
-
7:04 - 7:08Perguntei a eles: "O que ele poderia ter feito? Digamos que ele teve que cancelar o projeto.
-
7:08 - 7:11O que ele poderia ter feito para preservar um pouco a motivação de vocês?"
-
7:11 - 7:13Eles tiveram todo tipo de ideias.
-
7:13 - 7:17Disseram que ele poderia ter deixado eles fazerem uma apresentação para todos da empresa.
-
7:17 - 7:20Ele poderia ter pedido para fazerem mais alguns protótipos, para pensarem
-
7:20 - 7:26qual aspecto da tecnologia desenvolvida que poderia ser usado em outros projetos.
-
7:26 - 7:29Qualquer uma dessas abordagens demandaria
-
7:29 - 7:33esforço, atenção e tempo. Se você acha que aquilo
-
7:33 - 7:36não tem significado, você não gastaria o tempo das pessoas com isso.
-
7:36 - 7:40Mas se você entende o quão importante é a significação, você poderia fazê-lo.
-
7:40 - 7:43No próximo experimento, fomos um passo adiante.
-
7:43 - 7:46Pedimos às pessoas para achar letras em uma folha de papel.
-
7:46 - 7:50Novamente eles ganhavam mais dinheiro pela primeira folha, menos pela segunda,
-
7:50 - 7:52menos pela terceira, e assim por diante.
-
7:52 - 7:55Com algumas pessoas fizemos o "Cenário Significativo".
-
7:55 - 7:59Pedimos que escrevessem seus nomes em cada folha, e quando as entregasse ao experimentador,
-
7:59 - 8:04ele olhava a folha de cima a baixo, dizia "aha" e a colocava de lado.
-
8:04 - 8:07No segundo cenário o experimentador não olhava para a folha.
-
8:07 - 8:13Não havia nome, o experimentador apenas pegava a folha e colocava sobre a mesa.
-
8:13 - 8:16No terceiro cenário, o experimentador pegava a folha
-
8:16 - 8:24e a colocava diretamente em um triturador. (Risos)
-
8:24 - 8:27Devo destacar que nesse terceiro cenário,
-
8:27 - 8:30quando a página vai diretamente ao triturador, ninguém a vê.
-
8:30 - 8:31Você poderia trapacear,
-
8:31 - 8:36ser desonesto e pegar mais folhas por menos dinheiro, e se esforçar menos.
-
8:36 - 8:38Quais foram os resultados?
-
8:38 - 8:40No "Cenário de Reconhecimento", quando olhávamos as folhas,
-
8:40 - 8:45as pessoas trabalhavam até 15 centavos. Trabalharam bastante.
-
8:45 - 8:48No "Cenário do Triturador" as pessoas paravam bem antes.
-
8:48 - 8:53Então as pessoas apreciam mais o trabalho no "Cenário de Reconhecimento".
-
8:53 - 8:57E o "Cenário de Ignoração"? Onde é que ele fica?
-
8:57 - 9:00Está mais próximo ao "Reconhecimento", ao "Triturador" ou em algum lugar entre eles?
-
9:00 - 9:04Fica muito, muito próximo do "Cenário do Triturador".
-
9:04 - 9:09A boa notícia é que, se você quer motivar as pessoas,
-
9:09 - 9:13parece ser suficiente simplesmente olhar para o que fizeram,
-
9:13 - 9:16e dizer "Eu reconheço, vejo que você fez algo."
-
9:16 - 9:19Mesmo sem uma palavra simpática - apenas reconheça.
-
9:19 - 9:23Por outro lado, se você realmente quer desmotivar as pessoas,
-
9:23 - 9:26é incrivelmente fácil!
-
9:26 - 9:30É claro que triturar é a forma mais eficiente para desmotivar as pessoas! Se você quiser.
-
9:30 - 9:35Mas ignorar o que eles estão fazendo tem quase o mesmo efeito.
-
9:35 - 9:38É assim que as pessoas são desmotivadas.
-
9:38 - 9:42Há várias formas de desmotivar as pessoas, e devemos tentar evitá-las.
-
9:42 - 9:43Mas como motivar as pessoas?
-
9:43 - 9:46E a segunda parte dessa equação?
-
9:46 - 9:52Para mim, o insight neste ponto veio da Ikea.
-
9:52 - 9:55Não sei vocês, mas eu tenho alguns móveis da Ikea.
-
9:55 - 9:59Quando refleti sobre isso, notei que
-
9:59 - 10:05demorei muito tempo para montar esses móveis seguindo as instruções.
-
10:05 - 10:08As instruções não eram claras, eu colocava as coisas nos lugares errados,
-
10:08 - 10:12eu tinha que desmontar. Mas também notei
-
10:12 - 10:16que fico olhando com carinho para esse móvel da Ikea.
-
10:16 - 10:22Compartilhamos algo em comum que é mais do que apenas comprar algo na loja.
-
10:22 - 10:25Você pode se perguntar: "O que acontece quando você investe em algo
-
10:25 - 10:29um pouco do seu amor, esforço, atenção, e até frustração?"
-
10:29 - 10:31Você passa a amá-lo mais?
-
10:31 - 10:35Há uma história antiga bacana, sobre misturas de bolo.
-
10:35 - 10:37Quando introduziram as misturas de bolo nos EUA,
-
10:37 - 10:41as donas de casa da época não gostaram delas.
-
10:41 - 10:45Havia misturas para todo tipo de coisas: para muffins, para pães.
-
10:45 - 10:48Mas não tantas misturas de bolos. Mas por quê?
-
10:48 - 10:50Não havia nada de errado com o gosto.
-
10:50 - 10:54Descobriram que o que faltava era um sentimento de trabalho.
-
10:54 - 10:58Se você simplesmente adicionar água à mistura, misturar, colocar no forno
-
10:58 - 11:02e o bolo sai pronto - você não tem nenhum mérito nisso!
-
11:02 - 11:03(Risos)
-
11:03 - 11:08Se alguém diz "Que ótimo bolo, obrigado!", você não fez nada!
-
11:08 - 11:09Então o que eles fizeram?
-
11:09 - 11:12Eles tiraram os ovos e o leite da mistura.
-
11:12 - 11:15(Risos)
-
11:15 - 11:18Agora você põe a mistura, quebra ovos, põe leite -
-
11:18 - 11:21agora é seu bolo! (Risos)
-
11:21 - 11:26(Aplausos)
-
11:26 - 11:29Como testar essa ideia?
-
11:29 - 11:32Pedimos às pessoas que fizessem origamis.
-
11:32 - 11:35Demos instruções a elas sobre como dobrar origamis.
-
11:35 - 11:37Essas pessoas não sabiam nada sobre origami,
-
11:37 - 11:41então fizeram alguns um pouco feios, mas tudo bem.
-
11:41 - 11:44Dissemos a eles que na verdade o origami era nosso,
-
11:44 - 11:47e perguntamos: "Quanto você pagaria para ficar com ele?"
-
11:47 - 11:51E tentamos medir o quão valioso eles achavam que era o origami.
-
11:51 - 11:54As pessoas adoraram os origamis que fizeram.
-
11:54 - 11:59(Risos)
-
11:59 - 12:03Perguntamos a outras pessoas, que não fizeram aqueles
-
12:03 - 12:05origamis, o que achavam deles.
-
12:05 - 12:07(Risos)
-
12:07 - 12:10E elas não gostaram o mesmo tanto.
-
12:10 - 12:15Então os autores acharam que o origami era fantástico, e os avaliadores nem tanto.
-
12:15 - 12:18A pergunta é: na cabeça deles, os criadores
-
12:18 - 12:21acham que eles são os únicos que adoram o seu origami?
-
12:21 - 12:25A questão é se eu olho para o origami e digo: "É meu, e acho maravilhoso!
-
12:25 - 12:29Sei que ninguém gostaria dele, mas para mim é maravilhoso!"
-
12:29 - 12:32Não. Eles acham que todo mundo vai adorar tanto quanto eles.
-
12:32 - 12:34(Risos)
-
12:34 - 12:36E o efeito Ikea?
-
12:36 - 12:41E se as instruções forem difíceis e complexas?
-
12:41 - 12:46Para algumas pessoas demos as instruções fáceis, e para outras não demos o que estava no início,
-
12:46 - 12:49que é o manual que explica o que são as dobras.
-
12:49 - 12:52As instruções difíceis eram realmente desconcertantes.
-
12:52 - 12:54O que aconteceu dessa vez?
-
12:54 - 12:58Primeiro, tivemos o resultado básico: os criadores gostavam do seu origami
-
12:58 - 13:03mais do que os avaliadores. O que acontece quando as instruções são mais difíceis?
-
13:03 - 13:10Os criadores adoram mais ainda, e os avaliadores gostam menos ainda.
-
13:10 - 13:13Por quê? Porque objetivamente eles ficaram piores!
-
13:13 - 13:15Os avaliadores viram objetivamente a qualidade
-
13:15 - 13:19desses papéis amassados e não gostaram muito.
-
13:19 - 13:22Os criadores acharam que era mais fantástico ainda!
-
13:22 - 13:27Não apenas o trabalho leva ao amor, mas mais trabalho e mais esforço
-
13:27 - 13:30e mais investimento levam a um amor maior.
-
13:30 - 13:34Acho que podemos pensar assim também sobre os filhos.
-
13:34 - 13:36Imagine que você tem filhos e eu pergunto:
-
13:36 - 13:38"Por quanto você me vende seus filhos?"
-
13:38 - 13:41(Risos)
-
13:41 - 13:44Pela sua memória, atenção e experiência com eles,
-
13:44 - 13:47a maioria diria em um bom dia: "Muito dinheiro!"
-
13:47 - 13:50(Risos)
-
13:50 - 13:52Mas imagine que você não tem filhos.
-
13:52 - 13:56Você vai ao parque, conhece umas crianças bem parecidas com as suas,
-
13:56 - 13:58brinca com eles por algumas horas, e quando está prestes a dizer tchau,
-
13:58 - 14:02antes que vá embora, os pais deles dizem: "A propósito, eles estão na promoção!"
-
14:02 - 14:06(Risos)
-
14:06 - 14:09Quanto você pagaria por eles?
-
14:09 - 14:11A maior parte das pessoas percebem - não muito.
-
14:11 - 14:13(Risos)
-
14:13 - 14:18Isso porque os filhos são o melhor exemplo do efeito Ikea.
-
14:18 - 14:22(Risos)
-
14:22 - 14:28(Aplausos)
-
14:28 - 14:32Eles são complexos, difíceis, o manual de instruções não é tão bom.
-
14:32 - 14:34(Risos)
-
14:34 - 14:37Nos esforçamos muito por eles, e nosso imenso amor se deve
-
14:37 - 14:42em grande parte ao nosso investimento nos filhos, e não a quem eles são.
-
14:42 - 14:45A propósito, esses são meus filhos, que são maravilhosos!
-
14:45 - 14:48Mas não só nossos filhos são maravilhosos,
-
14:48 - 14:54nós não entendemos que as outras pessoas não os vejam como nós.
-
14:54 - 14:57O que dizer de tudo isso?
-
14:57 - 15:02Há duas teorias concorrentes sobre o trabalho: a de Adam Smith e a de Karl Marx.
-
15:02 - 15:07Adam Smith nos deu o maravilhoso exemplo da eficiência no mercado de trabalho.
-
15:07 - 15:09Ele mostrou como transformar uma empresa de alfinetes.
-
15:09 - 15:14Se você tiver um trabalhador que faz todos os 12 procedimentos para fazer um alfinete,
-
15:14 - 15:16isso é muito ineficiente.
-
15:16 - 15:21Se você dividir o trabalho em 12 partes e cada pessoa fizer a sua,
-
15:21 - 15:27a eficiência do todo aumenta de forma dramática.
-
15:27 - 15:32Isso foi o que a Revolução Industrial nos trouxe em termos de aumento de produtividade.
-
15:32 - 15:36Por outro lado, Karl Marx disse que se trata de alienação do trabalho,
-
15:36 - 15:38e do quanto você se sente conectado a seu trabalho.
-
15:38 - 15:42De fato, essas ideias são opostas uma à outra.
-
15:42 - 15:47Qual delas é mais importante? A eficiência ou o sentimento de conexão com o trabalho?
-
15:47 - 15:50Se você pensa em desmembrar um trabalho grande em partes,
-
15:50 - 15:54ele pode ser mais eficiente. Mas ao desmembrá-lo,
-
15:54 - 15:57as pessoas que fazem cada uma das partes não se sentem conectadas, no mesmo nível,
-
15:57 - 16:01ao que estão fazendo. Qual deles é mais importante?
-
16:01 - 16:06Na época da Economia Industrial, Smith estava mais certo que Marx.
-
16:06 - 16:08Houve ganhos enormes de eficiência.
-
16:08 - 16:11Mas o que está acontecendo agora, na Economia do Conhecimento?
-
16:11 - 16:15O que acontece quando as pessoas têm maior controle sobre o que estão fazendo?
-
16:15 - 16:19Quando queremos que as pessoas pensem sobre o trabalho no banho e falem com os amigos,
-
16:19 - 16:21quando queremos que as pessoas se dediquem ao máximo,
-
16:21 - 16:24e que estejam imersas no que estão fazendo?
-
16:24 - 16:26As coisas mudaram. Na Economia do Conhecimento,
-
16:26 - 16:30acredito que o conceito de Marx é efetivamente mais importante.
-
16:30 - 16:33Isso pode ser útil às vezes, para sacrificar
-
16:33 - 16:37a eficiência em nome da significação do trabalho.
-
16:37 - 16:40Temos um modelo muito simples de trabalho,
-
16:40 - 16:43que dita que as pessoas trabalham por dinheiro.
-
16:43 - 16:46Muitas vezes pagamos as pessoas apenas segundo este conceito.
-
16:46 - 16:50Mas há duas coisas a considerar. Primeiro, que nos importamos
-
16:50 - 16:53com muito mais além de dinheiro. Nos importamos com a significação,
-
16:53 - 16:58com a criação, desafio, propriedade, identidade, orgulho, e assim por diante.
-
16:58 - 17:02A boa notícia é que, se somos capazes de criar um ambiente de trabalho
-
17:02 - 17:07que proporciona todas essas coisas às pessoas, todos estariam melhor.
-
17:07 - 17:10O ambiente de trabalho e o indivíduo estariam melhores.
-
17:10 - 17:13É algo formidável e maravilhoso na natureza humana que possamos ser motivados
-
17:13 - 17:15por uma vasta gama de aspectos.
-
17:15 - 17:19A pergunta é: como usamos o local de trabalho e a sociedade em geral
-
17:19 - 17:22para explorar todas essas motivações?
-
17:22 - 17:23Muito obrigado.
-
17:23 - 17:25(Aplausos)
- Title:
- A significação do trabalho - Dan Ariely no TEDxAmsterdam
- Description:
-
more » « less
Apesar das nossas boas intenções, por que deixamos de agir a nosso favor tantas vezes? Por que depreciamos as coisas que trabalhamos tanto para conseguir? Quais são as forças que influenciam nosso comportamento? O professor de psicologia e de economia comportamental na Duke University, Dan Ariely, dedica-se a buscar respostas a essas perguntas de forma a ajudar as pessoas a terem uma vida mais sensata - se não mais racional.
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDxTalks
- Duration:
- 17:31
|
Dimitra Papageorgiou approved Portuguese, Brazilian subtitles for Meaning in Labour - Dan Ariely at TEDxAmsterdam | |
| Gislene Kucker Arantes accepted Portuguese, Brazilian subtitles for Meaning in Labour - Dan Ariely at TEDxAmsterdam | ||
| Gislene Kucker Arantes edited Portuguese, Brazilian subtitles for Meaning in Labour - Dan Ariely at TEDxAmsterdam | ||
| Naíma Perrella Milani edited Portuguese, Brazilian subtitles for Meaning in Labour - Dan Ariely at TEDxAmsterdam | ||
| Naíma Perrella Milani edited Portuguese, Brazilian subtitles for Meaning in Labour - Dan Ariely at TEDxAmsterdam | ||
| Naíma Perrella Milani edited Portuguese, Brazilian subtitles for Meaning in Labour - Dan Ariely at TEDxAmsterdam | ||
| Naíma Perrella Milani edited Portuguese, Brazilian subtitles for Meaning in Labour - Dan Ariely at TEDxAmsterdam | ||
| Naíma Perrella Milani edited Portuguese, Brazilian subtitles for Meaning in Labour - Dan Ariely at TEDxAmsterdam |
