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A significação do trabalho - Dan Ariely no TEDxAmsterdam

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    Após as palestras da manhã, eu pensei: "O que posso fazer para melhorar?"
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    Vocês sabem, o Paul tirou a camiseta, eu não posso fazer isso.
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    Eu pensei: "Talvez eu tire a minha..." Não.
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    Quero falar um pouco sobre trabalho e motivação.
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    Quando pensamos nas pessoas como força de trabalho,
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    frequentemente as vemos como ratos em um labirinto.
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    Pensamos que as pessoas odeiam trabalhar, que só querem
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    ficar na praia tomando mojitos e a única razão pela qual trabalham
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    é serem pagas para que possam ficar na praia tomando mojitos.
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    Mas é isso mesmo?
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    Há coisas como o montanhismo.
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    É algo muito desafiador.
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    Quando você lê os livros de montanhistas,
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    você pensa que estes livros estariam cheios de momentos de júbilo e alegria.
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    Não! Estão cheios de momentos de angústia e dor, e machucados causados pelo frio.
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    Você acha que uma vez que as pessoas se fortaleçam com isso e desçam,
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    elas dirão: "Céus, isso foi um erro terrível, nunca vou fazer isso de novo!"
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    Não! Eles sobem! Eles se curam, se recuperam e sobem!
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    Isso desafia o que pensamos sobre alegria
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    e motivação, e o que efetivamente faz as pessoas se importarem.
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    Comecei a pensar sobre significação e motivação no ambiente de trabalho
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    quando um dos meus ex-alunos voltou para me ver.
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    Seu nome é David, e ele veio me ver
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    e me contou a seguinte história:
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    ele estava trabalhando em um banco de investimentos,
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    preparando uma apresentação no PowerPoint para uma fusão e aquisição.
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    Ele estava trabalhando nisso há semanas. Estava dando duro,
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    ficando até tarde da noite - e um dia antes
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    da fusão e aquisição,
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    ele enviou a apresentação em PowerPoint para o chefe dele,
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    que lhe respondeu rápido dizendo: "Bom trabalho! O negócio foi cancelado."
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    Durante o processo ele estava incrivelmente empolgado!
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    Ele estava trabalhando, estava feliz, seu chefe tinha gostado.
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    Mas o fato de que ninguém ia ver o trabalho o desanimou.
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    De fato, quando ele estava olhando os próximos projetos,
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    ele não conseguia encontrar muita motivação.
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    É interessante pensar sobre isso, porque fisicamente tudo estava bem.
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    O chefe dele gostava do trabalho, ele provavelmente teria um aumento, tudo estava bem -
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    mas estava faltando algo,
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    como um sentido geral para o que ele estava fazendo.
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    Eu pensei: como podemos capturar isso com alguns experimentos simples?
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    Então eu decidi construir com Lego.
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    Pagamos as pessoas para fazerem bonecos de Lego, como esses que vocês estão vendo.
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    Pagamos as pessoas numa escala decrescente.
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    Acontecia o seguinte: a pessoa chegava e nós falávamos:
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    "Você gostaria de fazer um boneco?
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    Vamos te pagar 3 dólares por isso."
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    Se a pessoa dissesse "Sim", ela construiria e, quando tivesse terminado, pegávamos de volta
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    e dizíamos: "Você gostaria de fazer um outro por US$ 2,70?"
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    Se terminasse aquele e quisesse outro, oferecíamos US$ 2,40 e assim por diante.
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    A pergunta era: "Em que ponto as pessoas vão parar?"
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    Falamos para as pessoas que pegaríamos os bonecos, colocaríamos sob o balcão,
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    e quebraríamos em partes para o próximo participante.
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    (Risos)
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    Esse foi o primeiro cenário.
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    As pessoas construíam um depois do outro.
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    O segundo cenário nós chamamos de "Cenário Sisífico".
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    Lembremos a história de Sísifo. Ele foi sentenciado pelos deuses
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    a empurrar uma pedra em uma grande montanha, encosta acima, e quando ele quase chegava lá,
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    a pedra rolava de volta e ele tinha que fazer tudo de novo.
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    Você pode imaginar o quão desmotivador isso é, certo?
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    E como seria melhor se ele pudesse pelo menos empurrar a pedra em montanhas diferentes.
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    Mas estar na mesma montanha o tempo todo é desmotivador.
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    Foi isso que tentamos fazer no "Cenário Sisífico".
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    Dávamos um boneco para as pessoas,
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    e quando acabavam, falávamos: "Gostaria de fazer outro?"
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    Se eles dissessem "Sim", dávamos um segundo,
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    mas enquanto estavam trabalhando no segundo, desmontávamos o primeiro.
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    Bem na frente deles.
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    E então, se quisessem fazer um terceiro, dávamos o primeiro de volta.
  • 4:15 - 4:17
    (Risos)
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    Tínhamos um ciclo interminável de desconstruir e criar, criar e desconstruir.
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    O que aconteceu? A primeira coisa
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    foi que as pessoas fizeram muito mais bonecos
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    no "Cenário Significativo" do que no "Cenário Sisífico".
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    Devo assinalar que a significação no "Cenário Significativo"
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    não era muito elevada. Era uma pequena significação, certo?
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    É importante o fato de que destruir os bonecos na frente das pessoas
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    alguns minutos antes fez diferença.
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    Num segundo momento pedimos a outro grupo de pessoas
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    para prever quão grande seria o efeito.
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    Dissemos: "Se você estivesse nesse experimento, quantos bonecos você acha
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    que as pessoas construiriam em cada um dos cenários?
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    As pessoas achavam que o "Cenário Significativo" criaria
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    maior motivação, mas não entenderam a magnitude disso.
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    As pessoas acharam que a diferença seria de um boneco. Mas foi muito maior.
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    Finalmente, verificamos a correlação entre quantas pessoas adoram os bonecos
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    e quantos bonecos eles criaram.
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    Pode-se esperar que naturalmente as pessoas que gostam mais dos bonecos
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    construiriam mais, mesmo por menos dinheiro.
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    De fato foi o que aconteceu.
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    No "Cenário Significativo" houve uma boa correlação.
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    Pessoas que gostam dos bonecos constroem mais, e as que não gostam tanto
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    não constroem tanto.
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    O que aconteceu no "Cenário Sisífico"?
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    Neste cenário não houve correlação.
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    Ao destruir o trabalho das pessoas na frente delas, nós conseguimos
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    espatifar a alegria que sentiram no processo.
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    (Risos)
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    Depois que terminei esse estudo, fui a uma grande empresa de software em Seattle.
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    (Risos)
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    Havia uma sala enorme e cheia, com uns 200 engenheiros,
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    e eles tinham trabalhado por 2 anos
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    em um projeto que eles acharam que seria a próxima criação
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    dessa grande empresa de software.
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    Uma semana antes de eu vir, o Diretor Executivo cancelou o projeto.
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    Eu nunca estive com um grupo de pessoas mais deprimidas.
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    Perguntei para eles: "Quantos de vocês chegam mais tarde no trabalho esses dias?"
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    Todos levantaram as mãos.
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    Eu disse: "Quantos de vocês saem antes?"
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    Todos levantaram as mãos.
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    Eu disse: "Quantos de vocês cobram coisas extras nos seus relatórios de despesas?"
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    Ninguém levantou a mão, mas eles me levaram para jantar naquela noite.
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    (Risos)
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    Eles me mostraram o que conseguiam fazer com criatividade.
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    Foi dito que se sentiram como no experimento do Lego.
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    Eles sentiram que alguém cancelou algo bem na frente deles, sob seus pés,
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    sem deixar que houvesse qualquer significação no que estavam fazendo.
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    É o seguinte: acho que o Diretor Executivo daquela empresa
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    não entendia a significação do trabalho.
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    Ele disse: "Ok, te orientamos nessa direção até agora,
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    deixe-me reorientá-lo para outro lugar e você irá para onde eu indicar."
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    As pessoas não funcionam assim.
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    Perguntei a eles: "O que ele poderia ter feito? Digamos que ele teve que cancelar o projeto.
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    O que ele poderia ter feito para preservar um pouco a motivação de vocês?"
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    Eles tiveram todo tipo de ideias.
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    Disseram que ele poderia ter deixado eles fazerem uma apresentação para todos da empresa.
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    Ele poderia ter pedido para fazerem mais alguns protótipos, para pensarem
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    qual aspecto da tecnologia desenvolvida que poderia ser usado em outros projetos.
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    Qualquer uma dessas abordagens demandaria
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    esforço, atenção e tempo. Se você acha que aquilo
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    não tem significado, você não gastaria o tempo das pessoas com isso.
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    Mas se você entende o quão importante é a significação, você poderia fazê-lo.
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    No próximo experimento, fomos um passo adiante.
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    Pedimos às pessoas para achar letras em uma folha de papel.
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    Novamente eles ganhavam mais dinheiro pela primeira folha, menos pela segunda,
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    menos pela terceira, e assim por diante.
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    Com algumas pessoas fizemos o "Cenário Significativo".
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    Pedimos que escrevessem seus nomes em cada folha, e quando as entregasse ao experimentador,
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    ele olhava a folha de cima a baixo, dizia "aha" e a colocava de lado.
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    No segundo cenário o experimentador não olhava para a folha.
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    Não havia nome, o experimentador apenas pegava a folha e colocava sobre a mesa.
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    No terceiro cenário, o experimentador pegava a folha
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    e a colocava diretamente em um triturador. (Risos)
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    Devo destacar que nesse terceiro cenário,
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    quando a página vai diretamente ao triturador, ninguém a vê.
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    Você poderia trapacear,
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    ser desonesto e pegar mais folhas por menos dinheiro, e se esforçar menos.
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    Quais foram os resultados?
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    No "Cenário de Reconhecimento", quando olhávamos as folhas,
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    as pessoas trabalhavam até 15 centavos. Trabalharam bastante.
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    No "Cenário do Triturador" as pessoas paravam bem antes.
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    Então as pessoas apreciam mais o trabalho no "Cenário de Reconhecimento".
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    E o "Cenário de Ignoração"? Onde é que ele fica?
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    Está mais próximo ao "Reconhecimento", ao "Triturador" ou em algum lugar entre eles?
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    Fica muito, muito próximo do "Cenário do Triturador".
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    A boa notícia é que, se você quer motivar as pessoas,
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    parece ser suficiente simplesmente olhar para o que fizeram,
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    e dizer "Eu reconheço, vejo que você fez algo."
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    Mesmo sem uma palavra simpática - apenas reconheça.
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    Por outro lado, se você realmente quer desmotivar as pessoas,
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    é incrivelmente fácil!
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    É claro que triturar é a forma mais eficiente para desmotivar as pessoas! Se você quiser.
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    Mas ignorar o que eles estão fazendo tem quase o mesmo efeito.
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    É assim que as pessoas são desmotivadas.
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    Há várias formas de desmotivar as pessoas, e devemos tentar evitá-las.
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    Mas como motivar as pessoas?
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    E a segunda parte dessa equação?
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    Para mim, o insight neste ponto veio da Ikea.
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    Não sei vocês, mas eu tenho alguns móveis da Ikea.
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    Quando refleti sobre isso, notei que
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    demorei muito tempo para montar esses móveis seguindo as instruções.
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    As instruções não eram claras, eu colocava as coisas nos lugares errados,
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    eu tinha que desmontar. Mas também notei
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    que fico olhando com carinho para esse móvel da Ikea.
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    Compartilhamos algo em comum que é mais do que apenas comprar algo na loja.
  • 10:22 - 10:25
    Você pode se perguntar: "O que acontece quando você investe em algo
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    um pouco do seu amor, esforço, atenção, e até frustração?"
  • 10:29 - 10:31
    Você passa a amá-lo mais?
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    Há uma história antiga bacana, sobre misturas de bolo.
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    Quando introduziram as misturas de bolo nos EUA,
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    as donas de casa da época não gostaram delas.
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    Havia misturas para todo tipo de coisas: para muffins, para pães.
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    Mas não tantas misturas de bolos. Mas por quê?
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    Não havia nada de errado com o gosto.
  • 10:50 - 10:54
    Descobriram que o que faltava era um sentimento de trabalho.
  • 10:54 - 10:58
    Se você simplesmente adicionar água à mistura, misturar, colocar no forno
  • 10:58 - 11:02
    e o bolo sai pronto - você não tem nenhum mérito nisso!
  • 11:02 - 11:03
    (Risos)
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    Se alguém diz "Que ótimo bolo, obrigado!", você não fez nada!
  • 11:08 - 11:09
    Então o que eles fizeram?
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    Eles tiraram os ovos e o leite da mistura.
  • 11:12 - 11:15
    (Risos)
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    Agora você põe a mistura, quebra ovos, põe leite -
  • 11:18 - 11:21
    agora é seu bolo! (Risos)
  • 11:21 - 11:26
    (Aplausos)
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    Como testar essa ideia?
  • 11:29 - 11:32
    Pedimos às pessoas que fizessem origamis.
  • 11:32 - 11:35
    Demos instruções a elas sobre como dobrar origamis.
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    Essas pessoas não sabiam nada sobre origami,
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    então fizeram alguns um pouco feios, mas tudo bem.
  • 11:41 - 11:44
    Dissemos a eles que na verdade o origami era nosso,
  • 11:44 - 11:47
    e perguntamos: "Quanto você pagaria para ficar com ele?"
  • 11:47 - 11:51
    E tentamos medir o quão valioso eles achavam que era o origami.
  • 11:51 - 11:54
    As pessoas adoraram os origamis que fizeram.
  • 11:54 - 11:59
    (Risos)
  • 11:59 - 12:03
    Perguntamos a outras pessoas, que não fizeram aqueles
  • 12:03 - 12:05
    origamis, o que achavam deles.
  • 12:05 - 12:07
    (Risos)
  • 12:07 - 12:10
    E elas não gostaram o mesmo tanto.
  • 12:10 - 12:15
    Então os autores acharam que o origami era fantástico, e os avaliadores nem tanto.
  • 12:15 - 12:18
    A pergunta é: na cabeça deles, os criadores
  • 12:18 - 12:21
    acham que eles são os únicos que adoram o seu origami?
  • 12:21 - 12:25
    A questão é se eu olho para o origami e digo: "É meu, e acho maravilhoso!
  • 12:25 - 12:29
    Sei que ninguém gostaria dele, mas para mim é maravilhoso!"
  • 12:29 - 12:32
    Não. Eles acham que todo mundo vai adorar tanto quanto eles.
  • 12:32 - 12:34
    (Risos)
  • 12:34 - 12:36
    E o efeito Ikea?
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    E se as instruções forem difíceis e complexas?
  • 12:41 - 12:46
    Para algumas pessoas demos as instruções fáceis, e para outras não demos o que estava no início,
  • 12:46 - 12:49
    que é o manual que explica o que são as dobras.
  • 12:49 - 12:52
    As instruções difíceis eram realmente desconcertantes.
  • 12:52 - 12:54
    O que aconteceu dessa vez?
  • 12:54 - 12:58
    Primeiro, tivemos o resultado básico: os criadores gostavam do seu origami
  • 12:58 - 13:03
    mais do que os avaliadores. O que acontece quando as instruções são mais difíceis?
  • 13:03 - 13:10
    Os criadores adoram mais ainda, e os avaliadores gostam menos ainda.
  • 13:10 - 13:13
    Por quê? Porque objetivamente eles ficaram piores!
  • 13:13 - 13:15
    Os avaliadores viram objetivamente a qualidade
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    desses papéis amassados e não gostaram muito.
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    Os criadores acharam que era mais fantástico ainda!
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    Não apenas o trabalho leva ao amor, mas mais trabalho e mais esforço
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    e mais investimento levam a um amor maior.
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    Acho que podemos pensar assim também sobre os filhos.
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    Imagine que você tem filhos e eu pergunto:
  • 13:36 - 13:38
    "Por quanto você me vende seus filhos?"
  • 13:38 - 13:41
    (Risos)
  • 13:41 - 13:44
    Pela sua memória, atenção e experiência com eles,
  • 13:44 - 13:47
    a maioria diria em um bom dia: "Muito dinheiro!"
  • 13:47 - 13:50
    (Risos)
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    Mas imagine que você não tem filhos.
  • 13:52 - 13:56
    Você vai ao parque, conhece umas crianças bem parecidas com as suas,
  • 13:56 - 13:58
    brinca com eles por algumas horas, e quando está prestes a dizer tchau,
  • 13:58 - 14:02
    antes que vá embora, os pais deles dizem: "A propósito, eles estão na promoção!"
  • 14:02 - 14:06
    (Risos)
  • 14:06 - 14:09
    Quanto você pagaria por eles?
  • 14:09 - 14:11
    A maior parte das pessoas percebem - não muito.
  • 14:11 - 14:13
    (Risos)
  • 14:13 - 14:18
    Isso porque os filhos são o melhor exemplo do efeito Ikea.
  • 14:18 - 14:22
    (Risos)
  • 14:22 - 14:28
    (Aplausos)
  • 14:28 - 14:32
    Eles são complexos, difíceis, o manual de instruções não é tão bom.
  • 14:32 - 14:34
    (Risos)
  • 14:34 - 14:37
    Nos esforçamos muito por eles, e nosso imenso amor se deve
  • 14:37 - 14:42
    em grande parte ao nosso investimento nos filhos, e não a quem eles são.
  • 14:42 - 14:45
    A propósito, esses são meus filhos, que são maravilhosos!
  • 14:45 - 14:48
    Mas não só nossos filhos são maravilhosos,
  • 14:48 - 14:54
    nós não entendemos que as outras pessoas não os vejam como nós.
  • 14:54 - 14:57
    O que dizer de tudo isso?
  • 14:57 - 15:02
    Há duas teorias concorrentes sobre o trabalho: a de Adam Smith e a de Karl Marx.
  • 15:02 - 15:07
    Adam Smith nos deu o maravilhoso exemplo da eficiência no mercado de trabalho.
  • 15:07 - 15:09
    Ele mostrou como transformar uma empresa de alfinetes.
  • 15:09 - 15:14
    Se você tiver um trabalhador que faz todos os 12 procedimentos para fazer um alfinete,
  • 15:14 - 15:16
    isso é muito ineficiente.
  • 15:16 - 15:21
    Se você dividir o trabalho em 12 partes e cada pessoa fizer a sua,
  • 15:21 - 15:27
    a eficiência do todo aumenta de forma dramática.
  • 15:27 - 15:32
    Isso foi o que a Revolução Industrial nos trouxe em termos de aumento de produtividade.
  • 15:32 - 15:36
    Por outro lado, Karl Marx disse que se trata de alienação do trabalho,
  • 15:36 - 15:38
    e do quanto você se sente conectado a seu trabalho.
  • 15:38 - 15:42
    De fato, essas ideias são opostas uma à outra.
  • 15:42 - 15:47
    Qual delas é mais importante? A eficiência ou o sentimento de conexão com o trabalho?
  • 15:47 - 15:50
    Se você pensa em desmembrar um trabalho grande em partes,
  • 15:50 - 15:54
    ele pode ser mais eficiente. Mas ao desmembrá-lo,
  • 15:54 - 15:57
    as pessoas que fazem cada uma das partes não se sentem conectadas, no mesmo nível,
  • 15:57 - 16:01
    ao que estão fazendo. Qual deles é mais importante?
  • 16:01 - 16:06
    Na época da Economia Industrial, Smith estava mais certo que Marx.
  • 16:06 - 16:08
    Houve ganhos enormes de eficiência.
  • 16:08 - 16:11
    Mas o que está acontecendo agora, na Economia do Conhecimento?
  • 16:11 - 16:15
    O que acontece quando as pessoas têm maior controle sobre o que estão fazendo?
  • 16:15 - 16:19
    Quando queremos que as pessoas pensem sobre o trabalho no banho e falem com os amigos,
  • 16:19 - 16:21
    quando queremos que as pessoas se dediquem ao máximo,
  • 16:21 - 16:24
    e que estejam imersas no que estão fazendo?
  • 16:24 - 16:26
    As coisas mudaram. Na Economia do Conhecimento,
  • 16:26 - 16:30
    acredito que o conceito de Marx é efetivamente mais importante.
  • 16:30 - 16:33
    Isso pode ser útil às vezes, para sacrificar
  • 16:33 - 16:37
    a eficiência em nome da significação do trabalho.
  • 16:37 - 16:40
    Temos um modelo muito simples de trabalho,
  • 16:40 - 16:43
    que dita que as pessoas trabalham por dinheiro.
  • 16:43 - 16:46
    Muitas vezes pagamos as pessoas apenas segundo este conceito.
  • 16:46 - 16:50
    Mas há duas coisas a considerar. Primeiro, que nos importamos
  • 16:50 - 16:53
    com muito mais além de dinheiro. Nos importamos com a significação,
  • 16:53 - 16:58
    com a criação, desafio, propriedade, identidade, orgulho, e assim por diante.
  • 16:58 - 17:02
    A boa notícia é que, se somos capazes de criar um ambiente de trabalho
  • 17:02 - 17:07
    que proporciona todas essas coisas às pessoas, todos estariam melhor.
  • 17:07 - 17:10
    O ambiente de trabalho e o indivíduo estariam melhores.
  • 17:10 - 17:13
    É algo formidável e maravilhoso na natureza humana que possamos ser motivados
  • 17:13 - 17:15
    por uma vasta gama de aspectos.
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    A pergunta é: como usamos o local de trabalho e a sociedade em geral
  • 17:19 - 17:22
    para explorar todas essas motivações?
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    Muito obrigado.
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    (Aplausos)
Title:
A significação do trabalho - Dan Ariely no TEDxAmsterdam
Description:

Apesar das nossas boas intenções, por que deixamos de agir a nosso favor tantas vezes? Por que depreciamos as coisas que trabalhamos tanto para conseguir? Quais são as forças que influenciam nosso comportamento? O professor de psicologia e de economia comportamental na Duke University, Dan Ariely, dedica-se a buscar respostas a essas perguntas de forma a ajudar as pessoas a terem uma vida mais sensata - se não mais racional.

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDxTalks
Duration:
17:31

Portuguese, Brazilian subtitles

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