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Dentro da mente de um ex-radical "jihadista" | Manwar Ali | TEDxExeter

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    Hoje estou aqui diante de vocês
    como um homem que vive plenamente
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    no aqui e agora.
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    Mas, por muito tempo,
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    eu vivi pela morte.
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    Eu era um jovem que acreditava
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    que "jihad" deve ser entendida
    na língua da força e violência.
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    Eu tentei consertar erros
    através do poder e agressão.
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    Eu tinha preocupações profundas
    com o sofrimento alheio
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    e um forte desejo de ajudar
    e trazer alívio a eles.
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    Eu achava que a jihad violenta era nobre,
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    cavalheiresca, e a melhor
    maneira de ajudar.
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    Num tempo em que tantos de nosso povo,
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    especialmente pessoas jovens,
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    estão em risco de radicalização
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    por grupos como al-Qaeda,
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    Estado Islâmico e outros,
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    quando esses grupos dizem
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    que sua horrível brutalidade
    e violência são verdadeiras jihad,
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    eu quero dizer que sua ideia
    de jihad está errada,
  • 1:18 - 1:20
    completamente errada,
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    com era a minha, então.
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    Jihad significa almejar o máximo de si.
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    Isso inclui esforço e espiritualidade,
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    autopurificação e devoção.
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    Isso se refere a transformação positiva,
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    através do aprendizado,
    sabedoria e recordação de Deus.
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    A palavra jihad engloba
    todos esses significados.
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    Jihad pode, eventualmente,
    tomar a forma de luta,
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    mas somente às vezes,
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    sob condições rigorosas,
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    com regras e limites.
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    No islã, o benefício de um ato
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    deve superar o dano
    ou dificuldade que ele implica.
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    Mais importante,
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    os versos no Alcorão que estão
    conectados a jihad ou luta
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    não cancelam os versos
    que falam sobre perdão,
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    benevolência ou paciência.
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    Mas agora eu acredito que não
    há circunstâncias na Terra
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    em que a jihad violenta é admissível,
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    pois levará a maior dano.
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    Mas agora a ideia de jihad
    foi desvirtuada.
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    Ela foi pervertida
    para significar luta violenta
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    onde quer que muçulmanos
    estejam passando por dificuldades,
  • 2:46 - 2:48
    e transformada em terrorismo
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    por islamitas fascistas como al-Qaeda,
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    Estado Islâmico e outros.
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    Mas eu vim a entender
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    que a verdadeira jihad
    significa almejar ao máximo
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    fortalecer e viver
    aquelas qualidades que Deus ama:
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    honestidade, confiabilidade,
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    compaixão, benevolência,
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    lealdade, respeito,
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    veracidade,
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    valores humanos que tantos
    de nós possuímos.
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    Eu nasci em Bangladesh,
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    mas cresci na Inglaterra,
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    e fui à escola aqui.
  • 3:24 - 3:27
    Meu pai era um acadêmico,
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    e estávamos no Reino Unido
    por causa de seu trabalho.
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    Em 1971 estávamos em Bangladesh,
    quando tudo mudou.
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    A Guerra da Independência
    nos impactou terrivelmente,
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    jogando família contra família,
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    vizinho contra vizinho,
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    e com 12 anos eu vivenciei a guerra,
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    a pobreza na minha família,
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    a morte de 22 de meus familiares
    de maneiras horríveis,
  • 3:53 - 3:56
    assim como o assassinato
    do meu irmão mais velho.
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    Eu testemunhei matança,
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    animais comendo cadáveres nas ruas,
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    fome ao redor de mim,
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    violência gratuita, horrível
    e sem sentido.
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    Eu era um jovem,
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    adolescente, fascinado por ideias.
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    Eu queria aprender,
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    mas não pude ir à escola por quatro anos.
  • 4:25 - 4:26
    Após a Guerra da Independência,
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    meu pai foi colocado numa prisão
    por dois anos e meio,
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    e eu o visitava toda semana na prisão,
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    e me educava sozinho, em casa.
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    Meu pai foi solto em 1973
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    e fugiu para a Inglaterra como refugiado,
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    e logo nós o seguimos.
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    Eu tinha 17 anos.
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    Então essas experiências me deram
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    uma aguda consciência
    das atrocidades e injustiças do mundo.
  • 4:54 - 4:56
    E eu tinha um forte desejo,
  • 4:56 - 4:58
    um desejo muito intenso e profundo,
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    de consertar erros
    e ajudar as vítimas da opressão.
  • 5:02 - 5:05
    Enquanto estudava
    na faculdade no Reino Unido,
  • 5:05 - 5:10
    conheci pessoas que me mostraram
    como eu podia canalizar este desejo
  • 5:10 - 5:12
    e ajudar através da minha religião.
  • 5:13 - 5:15
    E eu fui radicalizado,
  • 5:15 - 5:18
    o suficiente para considerar
    a violência como correta,
  • 5:19 - 5:22
    até mesmo uma virtude,
    sob certas circunstâncias.
  • 5:24 - 5:27
    Então eu me envolvi
    na jihad no Afeganistão.
  • 5:27 - 5:32
    Eu queria proteger a população muçulmana
    afegã do exército soviético.
  • 5:33 - 5:35
    E eu pensei que aquilo era jihad:
  • 5:35 - 5:37
    meu dever sagrado,
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    que seria recompensado por Deus.
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    Eu me tornei um pregador.
  • 5:48 - 5:53
    Eu era um dos pioneiros
    da jihad violenta no Reino Unido.
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    Eu recrutei, angariei fundos, treinei.
  • 5:57 - 6:00
    Eu confundi a verdadeira jihad
  • 6:00 - 6:04
    com esta perversão apresentada
    pelos islamitas fascistas,
  • 6:05 - 6:09
    essas pessoas que usam a ideia da jihad
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    para justificar sua ânsia de poder,
    autoridade e controle na Terra,
  • 6:13 - 6:18
    uma perversão perpetuada hoje
    por grupos islâmicos fascistas
  • 6:18 - 6:21
    como al-Qaeda, Estado Islâmico e outros.
  • 6:22 - 6:24
    Por um período de cerca de 15 anos,
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    lutei por curtos períodos de tempo
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    em Kashmir e Burma,
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    além do Afeganistão.
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    Nossa meta era remover os invasores,
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    trazer alívio às vítimas oprimidas
  • 6:39 - 6:42
    e, claro, estabelecer um Estado islâmico,
  • 6:42 - 6:44
    um califado para o domínio de Deus.
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    E eu fiz isso abertamente,
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    não quebrei nenhuma lei.
  • 6:50 - 6:53
    Eu era orgulhoso e agradecido
    por ser britânico,
  • 6:53 - 6:54
    eu ainda sou.
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    E eu não tinha nenhuma hostilidade
    contra este meu país,
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    nem inimizade pelos cidadãos
    não muçulmanos,
  • 7:02 - 7:04
    e ainda não tenho.
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    Durante uma batalha no Afeganistão,
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    alguns homens britânicos e eu
    formamos um laço especial
  • 7:13 - 7:16
    com um garoto afegão de 15 anos,
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    Abdullah,
  • 7:18 - 7:20
    um garoto inocente, terno e amável
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    que estava sempre ávido por agradar.
  • 7:24 - 7:25
    Ele era pobre,
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    e garotos como ele faziam
    tarefas humildes no campo.
  • 7:30 - 7:31
    Ele parecia feliz o suficiente,
  • 7:31 - 7:35
    mas eu não podia deixar de pensar:
    "Os pais dele devem ter muita saudade,
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    e devem ter sonhado
    um futuro melhor para ele".
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    Uma vítima da circunstância
    pego numa guerra,
  • 7:45 - 7:48
    cruelmente empurrada sobre ele
  • 7:48 - 7:50
    pelas cruéis circunstâncias da época.
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    Um dia peguei uma munição de morteiro
    não explodida em uma trincheira,
  • 7:59 - 8:03
    e a depositei em um laboratório
    provisório numa cabana de barro,
  • 8:04 - 8:07
    e saí para uma batalha curta, sem sentido,
  • 8:07 - 8:09
    sempre sem sentido,
  • 8:10 - 8:13
    e voltei algumas horas mais tarde
    para descobrir que ele estava morto.
  • 8:14 - 8:17
    Ele tentou recuperar
    os explosivos daquela munição.
  • 8:17 - 8:20
    Ela explodiu, e ele morreu
    uma morte violenta,
  • 8:21 - 8:25
    explodido em pedaços pelo mesmo objeto
    que se provou inofensivo para mim.
  • 8:26 - 8:28
    Então eu comecei a questionar:
  • 8:30 - 8:33
    como a morte dele serviu
    a algum propósito?
  • 8:35 - 8:37
    Por que ele morreu e eu vivi?
  • 8:39 - 8:40
    Eu continuei,
  • 8:40 - 8:42
    lutei em Kashmir,
  • 8:42 - 8:45
    eu também recrutei para as Filipinas,
  • 8:45 - 8:46
    Bósnia e Chechênia,
  • 8:48 - 8:49
    e as questões cresceram.
  • 8:51 - 8:53
    Mais tarde em Burma,
  • 8:53 - 8:55
    encontrei combatentes de Rohingya
  • 8:55 - 8:57
    que mal eram adolescentes,
  • 8:57 - 8:59
    nascidos e criados na selva,
  • 8:59 - 9:01
    carregando metralhadoras e lança-granadas.
  • 9:05 - 9:10
    Eu conheci 2 garotos de 13 anos
    com maneiras brandas e vozes gentis.
  • 9:12 - 9:15
    Olhando para mim, me imploraram
    para levá-los à Inglaterra.
  • 9:22 - 9:24
    Eles só queriam ir à escola,
  • 9:25 - 9:26
    esse era o sonho deles.
  • 9:29 - 9:32
    Minha família, meus filhos da mesma idade,
  • 9:32 - 9:34
    estavam em casa no Reino Unido,
  • 9:35 - 9:38
    indo à escola, vivendo uma vida segura.
  • 9:39 - 9:41
    E não pude deixar de pensar
    o quanto aqueles meninos
  • 9:41 - 9:44
    devem ter conversado entre si
  • 9:44 - 9:46
    sobre os sonhos deles para a vida.
  • 9:48 - 9:50
    Vítimas das circunstâncias,
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    esses dois jovens garotos,
  • 9:53 - 9:56
    dormindo no chão duro,
    olhando para as estrelas,
  • 9:56 - 9:59
    cinicamente explorados por seus líderes
  • 9:59 - 10:02
    para suas luxúrias pessoais,
    por glória e poder.
  • 10:03 - 10:05
    Logo testemunhei meninos como aqueles
  • 10:05 - 10:08
    matando uns aos outros
    em conflitos entre grupos rivais.
  • 10:10 - 10:13
    E era o mesmo em qualquer lugar.
  • 10:14 - 10:17
    Afeganistão, Kashmir, Burma,
  • 10:17 - 10:18
    Filipinas, Chechênia:
  • 10:19 - 10:24
    mesquinhos senhores de guerra fazendo
    os jovens e vulneráveis se matarem
  • 10:24 - 10:25
    em nome da jihad.
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    Muçulmanos contra muçulmanos.
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    Não protegendo ninguém contra
    invasores ou ocupantes,
  • 10:35 - 10:37
    nem trazendo alívio aos oprimidos.
  • 10:39 - 10:41
    Crianças sendo usadas,
  • 10:41 - 10:42
    cinicamente exploradas.
  • 10:42 - 10:44
    Pessoas morrendo em conflitos
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    que eu estava apoiando em nome da jihad.
  • 10:50 - 10:52
    E ainda continua hoje.
  • 10:57 - 11:01
    Percebendo que a jihad violenta
  • 11:01 - 11:05
    na qual me engajei no exterior
  • 11:07 - 11:09
    era tão diferente,
  • 11:10 - 11:15
    tal o abismo entre o que eu experimentei
  • 11:15 - 11:17
    e o que eu achava ser um dever sagrado,
  • 11:18 - 11:21
    que tive que refletir sobre minhas
    atividades aqui no Reino Unido.
  • 11:23 - 11:25
    Eu tive que reconsiderar minha pregação,
  • 11:25 - 11:28
    arrecadação de fundos,
    recrutamento, treinamento,
  • 11:28 - 11:31
    porém mais importante, a radicalização,
  • 11:32 - 11:34
    mandando jovens para lutar e morrer
  • 11:34 - 11:35
    como eu estava fazendo,
  • 11:35 - 11:37
    tudo completamente errado.
  • 11:41 - 11:44
    Então eu me envolvi na jihad violenta
    no meio dos anos 80,
  • 11:45 - 11:47
    começando com o Afeganistão.
  • 11:47 - 11:51
    E, quando terminei, já era o ano de 2000.
  • 11:51 - 11:53
    Eu estava totalmente imerso nisso.
  • 11:53 - 11:55
    Ao meu redor, as pessoas
    apoiavam, aplaudiam,
  • 11:56 - 11:58
    até celebravam o que estávamos
    fazendo em seus nomes.
  • 12:00 - 12:02
    Mas, quando entendi que devia sair,
  • 12:02 - 12:05
    completamente desiludido, no ano 2000,
  • 12:05 - 12:06
    15 anos haviam se passado.
  • 12:09 - 12:11
    Então o que estava errado?
  • 12:13 - 12:16
    Nós estávamos tão ocupados
    falando sobre virtude,
  • 12:17 - 12:20
    e estávamos cegos por uma causa.
  • 12:24 - 12:29
    Não nos demos uma chance
    de desenvolver um caráter virtuoso.
  • 12:30 - 12:34
    Dissemos a nós mesmos
    que estávamos lutando pelos oprimidos,
  • 12:34 - 12:36
    mas estas eram guerras
    impossíveis de ganhar.
  • 12:38 - 12:41
    Nós nos tornamos nos instrumentos
    através dos quais mais mortes ocorriam,
  • 12:41 - 12:45
    cúmplices em causar mais miséria
  • 12:45 - 12:48
    para o benefício egoísta de poucos cruéis.
  • 12:49 - 12:51
    Então, com o tempo, um tempo bem longo,
  • 12:53 - 12:54
    eu abri meus olhos.
  • 12:56 - 12:58
    Eu comecei a ousar
  • 13:00 - 13:01
    encarar a realidade,
  • 13:01 - 13:02
    pensar,
  • 13:04 - 13:06
    enfrentar as questões difíceis.
  • 13:06 - 13:08
    Entrei em contato com minha alma.
  • 13:19 - 13:20
    O que eu aprendi?
  • 13:21 - 13:26
    Que pessoas que se engajam
    na jihad violenta,
  • 13:27 - 13:30
    que pessoas atraídas
    por esse tipo de extremismo,
  • 13:31 - 13:33
    não são tão diferentes de todas as outras.
  • 13:34 - 13:37
    Mas acredito que tais pessoas podem mudar.
  • 13:39 - 13:41
    Elas podem recobrar
    seus corações e restaurá-los,
  • 13:41 - 13:45
    enchendo-os com valores
    humanos que curam.
  • 13:49 - 13:51
    Quando ignoramos as realidades,
  • 13:51 - 13:57
    descobrimos que aceitamos
    o que nos é dito sem reflexão crítica,
  • 14:00 - 14:04
    e ignoramos os presentes e vantagens
    que muitos apreciariam,
  • 14:04 - 14:06
    mesmo que por um único
    momento, em suas vidas.
  • 14:11 - 14:13
    Eu me engajei em ações
    que achei que fossem corretas,
  • 14:16 - 14:20
    mas agora comecei a questionar
    como eu sabia o que sabia.
  • 14:22 - 14:26
    Falei interminavelmente a outros
    para aceitar a verdade,
  • 14:26 - 14:29
    mas falhei em dar o devido lugar à dúvida.
  • 14:32 - 14:37
    Essa convicção de que pessoas podem mudar
    está enraizada em minha experiência,
  • 14:37 - 14:38
    minha própria jornada.
  • 14:39 - 14:42
    Através de ampla leitura, reflexão,
  • 14:43 - 14:45
    contemplação, autoconhecimento,
  • 14:45 - 14:52
    percebi que o mundo islâmico
    de nós e eles é falso e injusto.
  • 14:56 - 14:59
    Considerando as incertezas
    em tudo que tínhamos afirmado
  • 15:00 - 15:02
    sobre as verdades invioláveis,
  • 15:02 - 15:03
    verdades incontestáveis,
  • 15:06 - 15:09
    desenvolvi um entendimento mais flexível.
  • 15:15 - 15:20
    Eu percebi que, em um mundo cheio
    de variações e contradições,
  • 15:21 - 15:22
    pregadores tolos,
  • 15:22 - 15:25
    somente pregadores tolos,
    como eu costumava ser,
  • 15:25 - 15:30
    não veem paradoxos nos mitos e ficções
    que eles usam para declarar autenticidade.
  • 15:32 - 15:37
    Então eu entendi a importância vital
    do autoconhecimento,
  • 15:37 - 15:38
    da consciência política
  • 15:39 - 15:44
    e a necessidade de um profundo
    e amplo entendimento
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    de nossos compromissos e ações,
  • 15:46 - 15:47
    como eles afetam os outros.
  • 15:49 - 15:51
    Então meu pedido a todos hoje,
  • 15:51 - 15:55
    especialmente aqueles que sinceramente
    acreditam em jihadismo islâmico:
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    recusem a autoridade dogmática;
  • 16:01 - 16:05
    abandonem a raiva, o ódio e a violência;
  • 16:06 - 16:08
    aprendam a consertar erros
  • 16:08 - 16:13
    sem ao menos tentar justificar
    um comportamento cruel, injusto e fútil.
  • 16:16 - 16:19
    Em vez disso, criem algumas
    coisas lindas e úteis
  • 16:19 - 16:20
    que sobrevivem a nós.
  • 16:24 - 16:27
    Abordem o mundo, a vida, com amor.
  • 16:29 - 16:31
    Aprendam a desenvolver
    ou cultivar seus corações
  • 16:31 - 16:35
    para ver bondade, beleza e verdade
    nos outros e no mundo.
  • 16:36 - 16:38
    Dessa forma importamos
    mais para nós mesmos,
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    para os outros, para nossas comunidades
  • 16:43 - 16:45
    e para Deus.
  • 16:46 - 16:48
    Esta é a jihad,
  • 16:48 - 16:49
    minha verdadeira jihad.
  • 16:50 - 16:51
    Obrigado.
  • 16:51 - 16:54
    (Aplausos)
Title:
Dentro da mente de um ex-radical "jihadista" | Manwar Ali | TEDxExeter
Description:

"Por um longo tempo, eu vivi pela morte", diz Manwar Ali, um ex-radical "jihadista" que participou em campanhas violentas e armadas no Oriente Médio e Ásia nos anos 80. Em sua palestra inspiradora, ele reflete sobre sua experiência com radicalização e faz um poderoso e direto apelo a qualquer um que seja atraído por grupos islamitas que declaram que a violência e a brutalidade são nobres e virtuosas: abandone a raiva e o ódio, ele diz, e, em vez disso, cultive seu coração para ver bondade, beleza e verdade nos outros.

Esta palestra foi dada em um evento TEDx, que usa o formato de conferência TED, mas é organizado de forma independente por uma comunidade local. Para saber mais visite http://ted.com/tedx

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDxTalks
Duration:
17:04

Portuguese, Brazilian subtitles

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