< Return to Video

Como os EUA podem enfrentar a tragédia do suicídio de veteranos

  • 0:02 - 0:05
    Em 6 de maio de 2019,
  • 0:05 - 0:09
    o sol brilhava, o céu estava azul,
  • 0:09 - 0:11
    as nuvens, brancas e fofinhas.
  • 0:11 - 0:13
    Era um dia de primavera perfeito.
  • 0:13 - 0:15
    Eu estava voltando para o meu escritório,
  • 0:15 - 0:17
    e o telefone tocou.
  • 0:17 - 0:19
    Era um dos meus tenentes.
  • 0:19 - 0:22
    Eu disse: "Oi, John. Como você está?"
  • 0:22 - 0:26
    Ele disse: "Senhor, estou bem,
    mas tenho más noticias".
  • 0:26 - 0:30
    Ele me disse que nosso comandante
    tinha morrido naquele final de semana.
  • 0:31 - 0:32
    Conversamos um pouco:
  • 0:32 - 0:34
    "O que você quer dizer,
    do que está falando?"
  • 0:34 - 0:36
    Perguntei o que tinha acontecido.
  • 0:37 - 0:39
    Ele disse: "Senhor, ele se matou".
  • 0:43 - 0:47
    Andei pra lá e pra cá no meu escritório
    por algumas horas, completamente perdido,
  • 0:47 - 0:51
    tentando entender
    o que aconteceu e por quê.
  • 0:51 - 0:54
    Eu tinha falado com ele
    apenas alguns meses antes.
  • 0:54 - 0:57
    E não tinha a menor ideia
    que ele estivesse com problemas.
  • 0:57 - 1:01
    E me culpei, como líder,
    por não ter percebido isso.
  • 1:03 - 1:06
    Entrei num processo
    de tentar entender por quê.
  • 1:06 - 1:09
    O que está acontecendo entre os veteranos?
    Por que isso está acontecendo?
  • 1:09 - 1:12
    Li relatórios do
    Departamento de Veteranos,
  • 1:12 - 1:14
    Departamento de Defesa,
  • 1:14 - 1:16
    li estudos nacionais sobre saúde mental
  • 1:16 - 1:19
    e os problemas associados a isso.
  • 1:19 - 1:22
    Vou compartilhar com vocês
    algumas das coisas que eu descobri.
  • 1:24 - 1:27
    O Departamento de Veteranos assumiu
    o problema de suicídio de veteranos;
  • 1:27 - 1:29
    de fato, essa é a prioridade deles.
  • 1:29 - 1:32
    Baseado nos relatórios deles
    e nos números que eu calculei,
  • 1:32 - 1:35
    entre 2001 e 2019,
  • 1:35 - 1:38
    durante a época da Guerra ao Terror,
  • 1:38 - 1:42
    calculo que cerca de 115 mil veteranos
  • 1:42 - 1:44
    morreram pelas próprias mãos.
  • 1:45 - 1:48
    Também analisei o relatório
    do Departamento de Defesa
  • 1:48 - 1:50
    que lista as baixas.
  • 1:50 - 1:52
    Um relatório em particular
  • 1:52 - 1:56
    lista as baixas a partir
    de outubro de 2001
  • 1:56 - 1:59
    até 18 de novembro do ano passado.
  • 2:00 - 2:03
    Durante esse período
    e durante a Guerra ao Terror,
  • 2:03 - 2:08
    5.440 membros ativos morreram em combate.
  • 2:10 - 2:13
    Então, de acordo com os meus números,
    115 mil suicídios aproximadamente,
  • 2:13 - 2:16
    5.440 mortos em combate.
  • 2:16 - 2:18
    O que isso significa?
  • 2:18 - 2:24
    Temos aproximadamente 21 veteranos
    acabando com sua vida
  • 2:24 - 2:28
    para cada 1 que é morto
    em combate por mãos inimigas.
  • 2:30 - 2:32
    Esse numero é muito, muito impressionante.
  • 2:33 - 2:36
    Esses estudos nacionais
  • 2:36 - 2:39
    que lidam com saúde mental nos contam
  • 2:39 - 2:45
    que, se você tem qualquer tipo de problema
    de saúde mental genético na família
  • 2:45 - 2:47
    que possa ser passado adiante,
  • 2:47 - 2:51
    ou se algo traumático aconteceu
    com você na infância,
  • 2:51 - 2:56
    a sua habilidade para lidar com TEPT,
    Transtorno do Estresse Pós-Traumático,
  • 2:56 - 2:58
    diminui significativamente.
  • 2:59 - 3:01
    Eles também nos dizem
  • 3:01 - 3:04
    que, para ter uma avaliação completa
  • 3:04 - 3:07
    para determinar se alguém sofre de TEPT,
  • 3:07 - 3:11
    precisamos de no mínimo
    uma hora de entrevista
  • 3:11 - 3:15
    com um especialista em saúde mental
    treinado para detectar TEPT
  • 3:15 - 3:18
    para conseguir determinar
    se alguém sofre disso.
  • 3:19 - 3:22
    Agora, deixe-me explicar o que acontece
    quando você entra no exército.
  • 3:23 - 3:26
    Quando você entra nas forças armadas,
  • 3:26 - 3:29
    você passa por um exame médico,
  • 3:29 - 3:31
    você faz um teste de aptidão física,
  • 3:31 - 3:33
    você faz um exame de drogas,
  • 3:34 - 3:37
    você faz um teste vocacional
    para que possam definir suas aptidões
  • 3:37 - 3:39
    e talvez colocá-lo
    na categoria de trabalho adequada.
  • 3:39 - 3:41
    Mas você acreditaria
  • 3:41 - 3:45
    que com aproximadamente 115 mil
    suicídios nos últimos 20 anos,
  • 3:45 - 3:49
    e com os dados dos estudos nacionais
    sobre como determinar
  • 3:49 - 3:52
    se alguém vai conseguir lidar
    com Transtorno de Estresse Pós-Traumático,
  • 3:52 - 3:55
    ainda não temos uma avaliação
    padronizada de saúde mental
  • 3:56 - 3:58
    para os recrutas que entram
    nas forças armadas?
  • 3:58 - 4:00
    Isso é algo que creio que tenha que mudar.
  • 4:02 - 4:03
    Número dois:
  • 4:03 - 4:05
    quando você deixa o serviço...
  • 4:05 - 4:07
    Quando eu saí das forças armadas in 2003,
  • 4:07 - 4:09
    eu tive que fazer aulas obrigatórias
  • 4:09 - 4:12
    por cerca de dois dias
  • 4:12 - 4:13
    e depois disso eu estava liberado.
  • 4:14 - 4:16
    Hoje é um pouco diferente.
  • 4:16 - 4:17
    Hoje você recebe uma ligação,
  • 4:17 - 4:19
    se você está no que chamam de licença,
  • 4:19 - 4:21
    ou no descanso remunerado
    que você desfruta
  • 4:21 - 4:24
    antes de ser liberado definitivamente.
  • 4:26 - 4:28
    Falei com um veterano
    que recebeu a ligação.
  • 4:28 - 4:29
    Ele estava voltando do trabalho,
  • 4:30 - 4:33
    e só conseguia pensar:
    "Como faço pra acabar logo com isso?"
  • 4:33 - 4:35
    A ligação durou talvez 10 ou 15 minutos.
  • 4:35 - 4:37
    Ainda assim, os estudos nacionais dizem
  • 4:37 - 4:40
    que é necessário uma hora
    de entrevista ao vivo.
  • 4:40 - 4:42
    Isso é algo que podemos melhorar.
  • 4:44 - 4:49
    Há outra coisa que o Departamento
    de Veteranos menciona nos relatórios.
  • 4:49 - 4:52
    Eles dizem que nossos colegas de serviço
    que estão se automedicando
  • 4:52 - 4:57
    têm uma tendência muito maior ao suicídio.
  • 4:57 - 5:01
    Esses veteranos estão se automedicando
    com uso de álcool ou drogas
  • 5:01 - 5:04
    e, de fato, o Departamento
    de Veteranos classifica
  • 5:04 - 5:06
    o transtorno de uso de opioides
  • 5:06 - 5:08
    como uma epidemia.
  • 5:08 - 5:10
    Então conversei com fuzileiros
    da minha unidade
  • 5:10 - 5:13
    e tentei saber mais sobre isso.
  • 5:13 - 5:16
    E comecei a descobrir coisas
    muito, muito alarmantes.
  • 5:16 - 5:19
    Um fuzileiro voltou do Iraque
  • 5:19 - 5:23
    e foi para o hospital com "dor nas costas"
  • 5:23 - 5:25
    e prescreveram opioides para ele.
  • 5:27 - 5:30
    Ele também sofria de TEPT.
  • 5:30 - 5:33
    Ele se viciou em analgésicos,
  • 5:33 - 5:36
    porque não só mascaravam a dor nas costas,
  • 5:36 - 5:38
    mas ajudavam-no a lidar
  • 5:38 - 5:42
    com as coisas terríveis
    que ele teve que ver, sentir e fazer
  • 5:42 - 5:43
    no Oriente Médio.
  • 5:45 - 5:47
    E ele acabou tendo uma overdose.
  • 5:51 - 5:52
    Outro desafio que temos
  • 5:52 - 5:55
    é que, enquanto você está em serviço,
  • 5:55 - 5:58
    você responde ao Departamento de Defesa.
  • 5:58 - 6:01
    Então todos seus médicos, cuidados médicos
  • 6:01 - 6:03
    estão nessa categoria.
  • 6:03 - 6:05
    Quando deixa o serviço,
  • 6:05 - 6:08
    você passa a fazer parte
    do Departamento de Veteranos.
  • 6:08 - 6:10
    Então esses membros ativos
  • 6:10 - 6:13
    que buscam ajuda para seus
    problemas de saúde mental
  • 6:14 - 6:17
    e são diagnosticados com TEPT
    ou outro transtorno mental,
  • 6:17 - 6:18
    quando eles deixam o serviço,
  • 6:18 - 6:21
    não é feita uma transição para um médico
  • 6:21 - 6:23
    do Departamento de Veteranos
  • 6:23 - 6:25
    ou um médico civil
  • 6:25 - 6:27
    por causa de leis de privacidade.
  • 6:27 - 6:29
    Há boas noticias nesse sentido.
  • 6:29 - 6:32
    Recentemente, foi legislado
  • 6:32 - 6:34
    que será feito banco de dados
  • 6:34 - 6:38
    com os registros do Departamento de Defesa
  • 6:38 - 6:41
    e do Departamento de Veteranos.
  • 6:43 - 6:45
    Mas quero levar esse
    pensamento um passo além.
  • 6:46 - 6:49
    Meu contingente tinha
    204 fuzileiros e marinheiros.
  • 6:49 - 6:51
    Analisei e falei com os fuzileiros
    da minha unidade,
  • 6:51 - 6:55
    e concluímos que mais de uma dúzia
  • 6:55 - 6:58
    dos nossos membros cometeram suicido.
  • 6:58 - 7:01
    Quando falei com a liderança
    sênior do batalhão,
  • 7:01 - 7:03
    um batalhão tem de 600 a 700 fuzileiros,
  • 7:03 - 7:07
    eles estimavam que centenas
    tinham cometido suicídio.
  • 7:09 - 7:11
    Então vamos pegar esse banco de dados
  • 7:11 - 7:13
    e ir um pouco mais além.
  • 7:14 - 7:17
    E se, quando um veterano morresse,
  • 7:17 - 7:19
    seja por causas naturais,
  • 7:19 - 7:22
    overdose ou suicídio,
  • 7:22 - 7:24
    informássemos o Departamento de Veteranos
  • 7:24 - 7:28
    que mais tarde, poderia acessar
    os registros do Departamento de Defesa,
  • 7:28 - 7:30
    identificar de que tipo
    de unidade ele fazia parte,
  • 7:30 - 7:34
    de quais contingências
    e operações ele participou
  • 7:34 - 7:37
    e construir uma base
    de dados para descobrir
  • 7:37 - 7:42
    se essas unidade são mais suscetíveis
    ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático
  • 7:42 - 7:45
    para que possamos dar suporte mental
    antes de receberem uma missão,
  • 7:45 - 7:47
    antes de chegarem ao campo.
  • 7:47 - 7:48
    Se estiverem em campo,
  • 7:48 - 7:50
    oferecer suporte mental
    enquanto estão em campo,
  • 7:51 - 7:53
    e dar a eles aconselhamento e ajuda
  • 7:53 - 7:55
    antes que retornem do campo.
  • 7:55 - 7:58
    (Aplausos)
  • 8:02 - 8:05
    A propósito, se pudermos
    construir esse banco de dados,
  • 8:05 - 8:06
    se pudermos fazer isso,
  • 8:06 - 8:09
    podemos aplicá-lo não só ao exército,
  • 8:09 - 8:12
    podemos usá-lo para toda a população.
  • 8:13 - 8:15
    Se pensarmos juntos,
  • 8:15 - 8:16
    unirmos nossos recursos,
  • 8:16 - 8:19
    falarmos abertamente sobre isso
  • 8:19 - 8:21
    e tentarmos encontrar soluções
  • 8:21 - 8:24
    para essa epidemia que está
    acontecendo nos EUA,
  • 8:24 - 8:26
    nós podemos salvar uma vida.
  • 8:27 - 8:29
    Essas são minhas opiniões e ideias,
  • 8:29 - 8:31
    espero que essa palestra
    não seja o fim desta discussão,
  • 8:32 - 8:33
    mas sim, o início.
  • 8:34 - 8:36
    Obrigado pelo seu tempo.
  • 8:36 - 8:39
    (Aplausos)
Title:
Como os EUA podem enfrentar a tragédia do suicídio de veteranos
Speaker:
Charles P. Smith
Description:

Veteranos nos Estados Unidos tiram suas próprias vidas a um ritmo alarmante. Sugerindo novas maneiras de priorizar a saúde mental nas forças armadas, o advogado de veteranos Charles P. Smith oferece um plano orientado por dados para ajudar a prevenir o suicídio e garantir que os membros do serviço recebam os devidos cuidados antes, durante e após o serviço ativo.

more » « less
Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
08:53

Portuguese, Brazilian subtitles

Revisions