Porque é que temos de praticar primeiros socorros emocionais
-
0:03 - 0:07Eu cresci com o meu irmão gémeo
-
0:07 - 0:10que era um irmão muito carinhoso.
-
0:10 - 0:14Agora, ser gémeo torna-nos peritos
-
0:14 - 0:17a identificar favoritismos.
-
0:17 - 0:22Se a bolacha dele fosse um pouco maior
que a minha, eu questionaria. -
0:22 - 0:27E claro que não estava esfomeado.
-
0:27 - 0:29(Risos)
-
0:29 - 0:34Quando me tornei psicólogo, comecei
a reparar noutro tipo de favoritismo, -
0:34 - 0:40como damos mais valor
ao corpo do que à mente. -
0:40 - 0:46Passei nove anos na universidade
a fazer o doutoramento em psicologia. -
0:46 - 0:51Nem imaginam quantas pessoas
olham para o meu cartão-de-visita e dizem: -
0:51 - 0:55"Ah, um psicólogo.
Ou seja, não é um médico a sério." -
0:55 - 0:59como se isso devesse constar
no meu cartão. -
0:59 - 1:03(Risos)
-
1:03 - 1:09Este favoritismo para com o corpo
face à mente, vejo-o em todo o lado. -
1:10 - 1:11Fui a casa de um amigo, recentemente.
-
1:11 - 1:14O filho dele, de 5 anos,
preparava-se para dormir. -
1:14 - 1:18Estava em cima de um banco,
junto do lavatório, a lavar os dentes, -
1:18 - 1:22quando escorregou
e arranhou a perna no banco. -
1:22 - 1:24Chorou durante um minuto,
mas depois levantou-se, -
1:24 - 1:32subiu outra vez para o banco e pegou
numa caixa de pensos para pôr um no corte. -
1:32 - 1:35Ora, esta criança mal conseguia
atar os atacadores, -
1:35 - 1:40mas sabia que tem de se proteger um corte,
para não infectar, -
1:40 - 1:43e que tem de se cuidar dos dentes,
lavando-os duas vezes por dia. -
1:43 - 1:46Todos nós sabemos como
manter a saúde física -
1:46 - 1:49e como praticar
a higiene oral, certo? -
1:49 - 1:53Sabemos isso desde que
tínhamos cinco anos. -
1:53 - 1:58Mas o que sabemos sobre
manter a nossa saúde psicológica? -
1:58 - 2:00Bem, nada.
-
2:00 - 2:04O que é que ensinamos
aos nossos filhos sobre higiene emocional? -
2:05 - 2:06Nada.
-
2:07 - 2:11Como é possível que passemos
mais tempo a cuidar dos dentes -
2:11 - 2:14do que da mente?
-
2:14 - 2:19Porque é que a saúde física
é mais importante para nós -
2:19 - 2:21do que a saúde psicológica?
-
2:21 - 2:27Suportamos mais danos psicológicos
do que físicos. -
2:27 - 2:31Danos como o fracasso,
a rejeição ou a solidão. -
2:31 - 2:34E estes também podem piorar
se os ignorarmos, -
2:34 - 2:37e podem ter um impacto
dramático na nossa vida. -
2:37 - 2:41Ainda assim, mesmo existindo
técnicas cientificamente provadas -
2:41 - 2:46que podíamos usar para tratar
este tipo de danos psicológicos, -
2:46 - 2:47não o fazemos.
-
2:47 - 2:50Nem sequer nos ocorre que deveríamos.
-
2:50 - 2:55"Oh, estás deprimido? Chora, que isso
passa; são coisas da tua cabeça." -
2:55 - 2:58Conseguem imaginar dizer isto
a alguém com uma perna partida: -
2:58 - 3:01"Oh, anda que isso passa;
são coisas da tua perna." -
3:01 - 3:03(Risos)
-
3:03 - 3:09Já é tempo de fecharmos a lacuna existente
entre a saúde física e a psicológica. -
3:09 - 3:12É tempo de as tornarmos mais semelhantes,
-
3:12 - 3:15como gémeas.
-
3:15 - 3:19Falando nisso,
o meu irmão também é psicólogo. -
3:19 - 3:22Portanto, também não é um médico a sério.
-
3:22 - 3:24(Risos)
-
3:24 - 3:26No entanto, não estudámos juntos.
-
3:26 - 3:30Na verdade, a coisa mais difícil
que fiz na minha vida -
3:30 - 3:33foi atravessar o Atlântico,
para Nova Iorque -
3:33 - 3:36para obter o meu doutoramento
em psicologia. -
3:36 - 3:39Pela primeira vez na nossa vida,
estávamos separados. -
3:39 - 3:42E a separação foi brutal para ambos.
-
3:42 - 3:45Mas, enquanto ele permaneceu
junto da família e de amigos, -
3:45 - 3:48eu estava sozinho num país novo.
-
3:48 - 3:50Sentimos terrivelmente
a falta um do outro, -
3:50 - 3:53mas as chamadas internacionais
eram, na altura, muito caras -
3:53 - 3:58e só conseguíamos pagar
cinco minutos de conversa, por semana. -
3:58 - 4:00Quando chegou o nosso aniversário,
-
4:00 - 4:03era o primeiro em que
não estaríamos juntos. -
4:03 - 4:07Decidimos esbanjar, e nessa semana
falaríamos durante 10 minutos. -
4:07 - 4:11Passei a manhã agitado no quarto,
à espera do telefonema, -
4:11 - 4:18à espera, à espera,
mas nunca mais chegava. -
4:18 - 4:20Devido à diferença de horário, presumi,
-
4:20 - 4:23"Ok, está com amigos,
vai ligar mais tarde." -
4:23 - 4:25Naquela altura, não existiam telemóveis.
-
4:25 - 4:27Mas ele não ligou.
-
4:27 - 4:32Comecei a aperceber-me que,
após estar longe durante 10 meses, -
4:32 - 4:36ele já não tinha as mesmas saudades
que eu tinha dele. -
4:36 - 4:38Eu sabia que ele ia telefonar de manhã,
-
4:38 - 4:45mas essa noite foi uma das mais tristes
e mais longas da minha vida. -
4:45 - 4:47No dia seguinte, acordei.
-
4:47 - 4:51Olhei para o telefone,
e reparei que o tinha tirado do descanso -
4:51 - 4:55enquanto caminhava pelo quarto,
no dia anterior. -
4:55 - 4:56Saí da cama,
-
4:56 - 5:00voltei a pôr o telefone no descanso,
e tocou segundos depois. -
5:00 - 5:04Era o meu irmão,
e, céus, se estava irritado. -
5:04 - 5:06(Risos)
-
5:06 - 5:09Também tinha sido a noite mais triste
e mais longa da sua vida. -
5:09 - 5:12Tentei explicar o que tinha acontecido,
mas ele disse: -
5:12 - 5:15"Não percebo. Se viste
que não te telefonava, -
5:15 - 5:19"porque é que não pegaste no telefone,
e me ligaste?" -
5:19 - 5:24Ele estava certo.
Porque é que não lhe telefonei? -
5:24 - 5:27Na altura, não tinha uma resposta.
-
5:27 - 5:32Mas hoje tenho, e é simples: solidão.
-
5:32 - 5:36A solidão provoca uma
profunda ferida psicológica, -
5:36 - 5:40que distorce as nossas percepções
e baralha o nosso pensamento. -
5:40 - 5:46Faz-nos acreditar que os que nos rodeiam
se preocupam menos do que o que parece. -
5:46 - 5:48Faz-nos ter medo de estender a mão,
-
5:48 - 5:52porque, para quê preparar-se para
a rejeição e o sofrimento, -
5:52 - 5:56quando o coração já dói mais
do que se pode aguentar? -
5:56 - 6:00Na altura, eu estava numa situação
de grande solidão, -
6:00 - 6:04mas estava todo o dia rodeado de pessoas,
por isso nunca me ocorreu tal coisa. -
6:04 - 6:09Mas, a solidão é definida puramente
a nível subjectivo. -
6:09 - 6:12Depende apenas de se nos sentimos
-
6:12 - 6:15emocional ou socialmente
desligado daqueles à nossa volta. -
6:15 - 6:17E eu sentia-me.
-
6:17 - 6:23Existe muita pesquisa sobre a solidão,
e é tudo horrível. -
6:23 - 6:28A solidão não nos torna apenas infelizes,
ela vai-nos matar. -
6:28 - 6:29Não estou a brincar.
-
6:29 - 6:33A solidão crónica aumenta a probabilidade
de uma morte precoce -
6:33 - 6:37em 14%.
-
6:37 - 6:41A solidão provoca aumento da tensão
arterial e do colesterol. -
6:41 - 6:45Até suprime a função
do sistema imunitário, -
6:45 - 6:49tornando-nos vulneráveis a todo o tipo
de doenças e enfermidades. -
6:49 - 6:52Na verdade, os cientistas concluíram que,
quando comparados, -
6:52 - 6:56a solidão crónica representa
um risco tão significativo -
6:56 - 7:00para a a saúde, a longo prazo,
e para a longevidade como fumar. -
7:00 - 7:05Agora, os maços vêm com avisos a dizer
"Fumar mata". -
7:05 - 7:07Mas a solidão não.
-
7:07 - 7:12Por isso é muito importante que
demos prioridade à saúde psicológica, -
7:12 - 7:15que pratiquemos higiene emocional.
-
7:15 - 7:18Porque, não podemos tratar
uma ferida psicológica -
7:18 - 7:22se nem sequer sabemos
que estamos feridos. -
7:22 - 7:25A solidão não é a única
ferida psicológica -
7:25 - 7:28que distorce as nossas percepções
e nos confunde. -
7:28 - 7:32O fracasso também faz isso.
-
7:32 - 7:34Uma vez visitei uma creche,
-
7:34 - 7:39onde vi três crianças a brincar
com brinquedos de plástico iguais. -
7:39 - 7:44Tinham de deslizar o botão vermelho,
e aparecia um cão fofinho. -
7:44 - 7:49Uma menina tentou puxar
o botão roxo, e depois empurrá-lo, -
7:49 - 7:53e depois sentou-se e olhou
para a caixa, com o lábio a tremer. -
7:53 - 7:56O menino que estava próximo dela
viu isto acontecer, -
7:56 - 8:01virou-se para a sua caixa e desatou
a chorar sem sequer lhe tocar. -
8:01 - 8:05Entretanto, outra menina
tentou tudo o que conseguia -
8:05 - 8:06até que deslizou o botão vermelho.
-
8:06 - 8:11O cão apareceu, e ela guinchou de prazer.
-
8:11 - 8:14Ou seja, três crianças com
brinquedos de plástico iguais, -
8:14 - 8:18mas com reacções diferentes
ao fracasso. -
8:18 - 8:22As duas primeiras crianças eram
perfeitamente capazes de deslizar o botão. -
8:22 - 8:26A única coisa que as impedia
de ter sucesso, -
8:26 - 8:30era a sua mente, que as enganava,
fazendo-as acreditar que não conseguiam. -
8:30 - 8:34Os adultos também são enganados
assim, a toda a hora. -
8:34 - 8:40De facto, todos temos um conjunto definido
de sentimentos e crenças que se activam -
8:40 - 8:44sempre que encontramos
frustrações e contratempos. -
8:44 - 8:47Estão cientes de como
a vossa mente reage ao fracasso? -
8:47 - 8:48Têm de estar.
-
8:48 - 8:52Porque, se a vossa mente vos tenta
convencer que são incapazes de algo -
8:52 - 8:54e vocês acreditam,
-
8:54 - 8:57então, como aquelas duas crianças,
vão começar a sentir-se perdidos -
8:57 - 9:01e a desistir demasiado cedo,
ou a nem sequer tentar. -
9:01 - 9:04E, então, vão ficar mais
convencidos ainda de que não conseguem. -
9:04 - 9:09Reparem, é por isso que muitas pessoas
funcionam abaixo do seu potencial. -
9:09 - 9:12Porque, algures no caminho,
às vezes um único fracasso -
9:12 - 9:16convence-as de que não podiam
ter sucesso, e elas acreditaram. -
9:16 - 9:22Assim que ficamos convencidos de algo,
é muito difícil mudar a nossa mente. -
9:22 - 9:26Eu aprendi esta lição de forma difícil,
quando era adolescente, com o meu irmão. -
9:26 - 9:29Estávamos com uns amigos, de carro,
a descer uma rua, à noite -
9:29 - 9:31quando a polícia nos mandou parar.
-
9:31 - 9:34Tinha havido um assalto na área
e estavam à procura de suspeitos. -
9:34 - 9:38O agente aproximou-se do carro,
e apontou a lanterna ao condutor, -
9:38 - 9:43depois ao meu irmão no banco da frente,
e depois a mim. -
9:43 - 9:45Esbugalhou os olhos e disse:
-
9:45 - 9:47"Onde é que eu já vi a tua cara?"
-
9:47 - 9:50(Risos)
-
9:50 - 9:54E eu disse: "No banco da frente."
-
9:54 - 9:56(Risos)
-
9:56 - 9:59Mas isso, para ele, não fez sentido.
-
9:59 - 10:01Por isso, pensou que eu estava drogado.
-
10:01 - 10:02(Risos)
-
10:02 - 10:05Então faz-me sair do carro,
revista-me, -
10:05 - 10:07leva-me para junto do carro da polícia
-
10:07 - 10:10e, só depois de verificar
que eu não tinha cadastro, -
10:10 - 10:14consegui mostrar-lhe que
tinha um irmão gémeo no banco da frente. -
10:14 - 10:18Mas, mesmo quando estávamos a ir embora,
podia ver-se no seu rosto, -
10:18 - 10:23que estava convencido que eu
me estava a escapar com alguma coisa. -
10:23 - 10:27A nossa mente é difícil de mudar,
quando nos convencemos de algo. -
10:27 - 10:31Por isso, é muito natural
sentirmo-nos desmoralizados e frustrados. -
10:31 - 10:36Mas, não podemos convencer-nos
que não podemos ter sucesso. -
10:36 - 10:39Temos de lutar contra
sentimentos de desespero. -
10:39 - 10:42Temos de ganhar controlo sobre a situação.
-
10:42 - 10:47E temos de quebrar este tipo de ciclo
antes sequer de começar. -
10:48 - 10:51A nossa mente e os nossos sentimentos,
-
10:51 - 10:54não são os amigos de confiança
que pensávamos ser. -
10:54 - 10:56São mais como aquele amigo temperamental,
-
10:56 - 11:02que é extremamente encorajador num momento
e muito desagradável no momento seguinte. -
11:02 - 11:04Uma vez, trabalhei com uma senhora que,
-
11:04 - 11:08após 20 anos de casamento
e um divórcio muito feio, -
11:08 - 11:10estava finalmente pronta
para o primeiro encontro. -
11:10 - 11:15Tinha conhecido este senhor online,
que parecia simpático e bem sucedido -
11:15 - 11:19e, mais importante que isso,
que parecia bastante interessado nela. -
11:19 - 11:22Ela estava muito entusiasmada,
comprou um vestido novo. -
11:22 - 11:26Encontraram-se num bar sofisticado
de Nova Iorque para uma bebida. -
11:26 - 11:29Ao fim de dez minutos,
o senhor levanta-se e diz: -
11:29 - 11:33"Não estou interessado"
e vai-se embora. -
11:33 - 11:38A rejeição é algo extremamente doloroso.
-
11:38 - 11:42Ela ficou tão magoada
que nem se conseguia mexer. -
11:42 - 11:47Ligou para uma amiga que lhe disse:
"Bem, de que é que estavas à espera? -
11:47 - 11:50"Tens umas ancas enormes,
as tuas conversas são desinteressantes, -
11:50 - 11:53"porque é que alguém tão elegante
e bem sucedido como ele -
11:53 - 11:57"iria sair com uma falhada como tu?"
-
11:57 - 12:00É chocante, não é, que um amigo
possa ser tão cruel? -
12:00 - 12:03Mas seria bastante menos chocante
-
12:03 - 12:06se eu vos dissesse que
não foi uma amiga que disse isto. -
12:06 - 12:09Foi o que ela disse a si própria.
-
12:09 - 12:13Isto é algo que todos nós fazemos,
especialmente após uma rejeição. -
12:13 - 12:17Começamos a pensar nos nossos defeitos
e em todas as nossas falhas, -
12:17 - 12:19o que gostaríamos de ser,
ou de não ser, -
12:19 - 12:20insultamo-nos,
-
12:20 - 12:24talvez não tão severamente,
mas todos o fazemos. -
12:24 - 12:28E é interessante que o façamos,
pois a nossa auto-estima já está a sofrer. -
12:28 - 12:31Porque é que queremos
continuar a magoá-la? -
12:31 - 12:34Não iríamos piorar uma lesão física
de propósito. -
12:34 - 12:37Não iríamos fazer um corte no braço
e pensar: -
12:37 - 12:41"Ah, já sei! Vou pegar numa faca e ver
quão mais fundo consigo fazer este corte." -
12:41 - 12:44Mas nós fazemos isto com as nossas
lesões emocionais, constantemente. -
12:44 - 12:48Porquê? Devido à fraca higiene emocional.
-
12:48 - 12:50Porque não damos prioridade
à saúde psicológica. -
12:50 - 12:54Sabemos por dezenas de estudos que
quando a nossa auto-estima está em baixo, -
12:54 - 12:58nos tornamos mais vulneráveis
ao "stress" e à ansiedade, -
12:58 - 13:03que fracassos e rejeições magoam mais
e demoram mais tempo a sarar. -
13:03 - 13:06Por isso, quando formos rejeitados,
a primeira coisa a fazer -
13:06 - 13:13é restaurar a nossa auto-estima,
não ir para o Fight Club para a espancar. -
13:13 - 13:15Quando estamos em sofrimento emocional,
-
13:15 - 13:22tratamos de nós com a mesma compaixão
que esperaríamos de um verdadeiro amigo. -
13:23 - 13:28Temos de descobrir quais são os nossos
maus hábitos psicológicos e mudá-los. -
13:28 - 13:32Um dos mais prejudiciais
e mais comuns é a ruminação. -
13:32 - 13:35Ruminar significa remoer.
-
13:35 - 13:39É quando o nosso chefe grita connosco,
ou o professor nos faz sentir estúpidos, -
13:39 - 13:42ou temos uma briga com um amigo
-
13:42 - 13:45e não conseguimos parar
de repetir o cenário na cabeça -
13:45 - 13:48durante dias a fio,
por vezes, semanas a fio. -
13:48 - 13:54Ruminar sobre estes eventos desagradáveis,
pode facilmente tornar-se um hábito, -
13:54 - 13:56e é um hábito bem caro.
-
13:56 - 14:00Porque ao perdermos tanto tempo focados
em pensamentos desconcertantes e negativos, -
14:00 - 14:03estamos, na realidade,
a correr um sério risco -
14:03 - 14:07de desenvolver uma depressão clínica,
alcoolismo, distúrbios alimentares, -
14:07 - 14:10e até doenças cardiovasculares.
-
14:10 - 14:16O problema é que o impulso de ruminar
pode parecer muito forte e importante, -
14:16 - 14:18tornando-se um hábito difícil de quebrar.
-
14:18 - 14:22Eu sei disso porque,
há pouco mais de um ano, -
14:22 - 14:24eu próprio desenvolvi este hábito.
-
14:24 - 14:31O meu irmão foi diagnosticado com
um linfoma não-Hodgkin, fase III. -
14:31 - 14:33O cancro era extremamente agressivo.
-
14:33 - 14:37Ele tinha tumores visíveis
por todo o corpo. -
14:37 - 14:42Teve de começar um
tratamento de quimioterapia agressivo. -
14:42 - 14:46Eu não conseguia parar de pensar
no que ele estava a passar. -
14:46 - 14:50Não conseguia parar de pensar
no quanto ele estava a sofrer, -
14:50 - 14:54apesar de ele nunca se ter queixado,
nem uma única vez. -
14:54 - 14:57Ele tinha uma atitude
incrivelmente positiva. -
14:57 - 15:00A sua saúde psicológica
era extraordinária. -
15:00 - 15:05Eu estava fisicamente saudável,
mas psicologicamente estava um farrapo. -
15:05 - 15:07Mas eu sabia o que fazer.
-
15:07 - 15:11Os estudos dizem-nos que até dois minutos
de distracção são suficientes -
15:11 - 15:14para quebrar o impulso de ruminar,
naquele momento. -
15:14 - 15:17Portanto, sempre que tinha um pensamento
preocupante ou negativo, -
15:17 - 15:22forçava-me a concentrar-me noutra coisa,
até esse impulso passar. -
15:22 - 15:27Ao fim de uma semana, a minha
perspectiva tinha mudado completamente, -
15:27 - 15:30tinha-se tornado mais positiva
e optimista. -
15:32 - 15:36Nove meses depois de ter começado
a quimioterapia o meu irmão fez um TAC, -
15:36 - 15:39e eu estava com ele quando
recebeu os resultados. -
15:39 - 15:42Todos os tumores tinham desaparecido.
-
15:42 - 15:45Ele ainda tinha mais três sessões
de quimioterapia, -
15:45 - 15:48mas nós sabíamos que ele ia recuperar.
-
15:48 - 15:52Esta fotografia foi tirada
há duas semanas. -
15:54 - 15:57Ao entrar em acção
quando nos sentimos sós, -
15:57 - 16:00mudando as reacções face ao fracasso,
-
16:00 - 16:03protegendo a auto-estima,
-
16:03 - 16:05lutando contra os pensamentos negativos,
-
16:05 - 16:08não vamos apenas tratar
as lesões psicológicas, -
16:08 - 16:12vamos desenvolver resistência emocional,
vamos prosperar. -
16:13 - 16:17Há cem anos, as pessoas começaram
a praticar a higiene pessoal, -
16:17 - 16:21e as taxas de esperança média de vida
aumentaram 50% -
16:21 - 16:24apenas nalgumas décadas.
-
16:24 - 16:28Eu acredito que a nossa qualidade de vida
pode também aumentar drasticamente -
16:28 - 16:32se todos começarmos a praticar
higiene emocional. -
16:32 - 16:34Conseguem imaginar como o mundo seria
-
16:34 - 16:37se todos fossem
psicologicamente mais saudáveis? -
16:37 - 16:40Se houvesse menos solidão e depressão?
-
16:40 - 16:43Se todos soubessem
como ultrapassar o fracasso? -
16:43 - 16:46Se se sentissem melhor consigo mesmos
e mais competentes? -
16:46 - 16:50Se fossem mais felizes
e se sentissem mais realizados? -
16:50 - 16:54Eu consigo, porque esse é o mundo
no qual quero viver, -
16:54 - 16:58e esse é o mundo no qual
o meu irmão também quer viver. -
16:58 - 17:02E se vocês se informarem
e mudarem alguns pequenos hábitos, -
17:02 - 17:06esse é o mundo no qual
todos poderemos viver. -
17:06 - 17:08Muito obrigado.
-
17:08 - 17:11(Aplausos)
- Title:
- Porque é que temos de praticar primeiros socorros emocionais
- Speaker:
- Guy Winch
- Description:
-
Vamos ao médico quando nos sentimos engripados ou temos uma dor incómoda. Então porque é que não nos encontramos com um profissional de saúde quando sofremos de dor emocional: culpa, perda, solidão? Demasiadas pessoas lidam sozinhas com problemas de natureza psicológica, diz Guy Winch. Mas não temos de o fazer. Ele compara com o caso convincente da prática de higiene emocional — cuidar das nossas emoções, da nossa mente, com a mesma diligência com que tratamos do nosso corpo.
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 17:24
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Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for Why we all need to practice emotional first aid | |
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Margarida Ferreira approved Portuguese subtitles for Why we all need to practice emotional first aid | |
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