< Return to Video

Billy Collins: Momentos do dia-a-dia, capturados no tempo

  • 0:00 - 0:02
    Billy Collins: Estou aqui para vos prescrever
  • 0:02 - 0:04
    a vossa dieta diária recomendada
  • 0:04 - 0:06
    de poesia.
  • 0:06 - 0:08
    E a maneira como o vou fazer
  • 0:08 - 0:10
    é apresentando-vos
  • 0:10 - 0:12
    cinco animações
  • 0:12 - 0:14
    de cinco dos meus poemas.
  • 0:14 - 0:16
    E deixem-me só contar-vos um bocadinho de como isto aconteceu.
  • 0:16 - 0:18
    Porque a mistura destas duas formas de comunicação
  • 0:18 - 0:21
    é uma espécie de acto antinatural ou desnecessário.
  • 0:21 - 0:25
    Mas quando eu era o Poeta Laureado dos Estados Unidos -
  • 0:25 - 0:27
    e adoro dizer isto...
  • 0:27 - 0:29
    (Risos)
  • 0:29 - 0:32
    É uma óptima maneira de começar frases.
  • 0:32 - 0:35
    Quando era esse Poeta, na altura,
  • 0:35 - 0:38
    fui contactado pela J. Walter Thompson, a agência de publicidade,
  • 0:38 - 0:40
    e eles estavam como que
  • 0:40 - 0:42
    contratados pela Sundace Channel.
  • 0:42 - 0:44
    A ideia era gravarem-me a recitar alguns dos meus poemas
  • 0:44 - 0:46
    e depois encontrariam animadores
  • 0:46 - 0:48
    para os animar.
  • 0:48 - 0:50
    E fiquei reticente de início
  • 0:50 - 0:52
    porque penso sempre
  • 0:52 - 0:54
    que a poesia se basta a si própria.
  • 0:54 - 0:57
    Tentativas de transformar os meus poemas em canções
  • 0:57 - 0:59
    tiveram resultados desastrosos
  • 0:59 - 1:02
    em todos os casos.
  • 1:02 - 1:05
    E o poema, se é escrito com o ouvido,
  • 1:05 - 1:08
    já foi associado à sua própria música verbal
  • 1:08 - 1:10
    enquanto foi composto.
  • 1:10 - 1:12
    E de certeza que se estiverem a ler um poema
  • 1:12 - 1:14
    que menciona uma vaca
  • 1:14 - 1:16
    não precisam de ter na mesma página
  • 1:16 - 1:18
    o desenho de uma vaca.
  • 1:18 - 1:21
    Quer dizer, vamos lá deixar o leitor ter um bocadinho de trabalho.
  • 1:21 - 1:24
    Mas cedi porque me pareceu uma possibilidade interessante,
  • 1:24 - 1:27
    e também porque sou completamente viciado em desenhos animados
  • 1:27 - 1:30
    desde criança.
  • 1:30 - 1:32
    Acho que mais influentes
  • 1:32 - 1:35
    do que Emily Dickinson ou Coleridge ou Wordsworth
  • 1:35 - 1:37
    para a minha imaginação,
  • 1:37 - 1:39
    foram os desenhos animados da Warner Brothers,
  • 1:39 - 1:42
    Merrie Melodies ou Looney Tunes.
  • 1:42 - 1:45
    O Bugs Bunny é a minha musa.
  • 1:46 - 1:50
    E desta maneira, a poesia conseguiu encontrar o seu caminho para a televisão em todo o lado.
  • 1:50 - 1:53
    E eu sou muito a favor da poesia em locais públicos -
  • 1:53 - 1:56
    poesia nos autocarros, poesia nos metros,
  • 1:56 - 2:00
    em outdoors, em caixas de cereais.
  • 2:00 - 2:04
    Quando eu era o Poeta Oficial... cá vou eu outra vez -
  • 2:04 - 2:07
    não consigo evitá-lo, é verdade...
  • 2:07 - 2:10
    (Risos)
  • 2:10 - 2:13
    Criei um canal de poesia na Delta Airlines
  • 2:13 - 2:15
    que durou alguns anos.
  • 2:15 - 2:18
    Portanto poderiam sintonizar poesia enquanto voavam.
  • 2:18 - 2:20
    O que eu quero dizer é que
  • 2:20 - 2:23
    é uma coisa boa tirar a poesia das prateleiras
  • 2:23 - 2:25
    e trazê-la mais para a vida pública.
  • 2:25 - 2:28
    Comecem um encontro com um poema. Pode ser uma boa ideia a levar convosco.
  • 2:28 - 2:31
    Quando encontram um poema num outdoor ou na rádio
  • 2:31 - 2:33
    ou numa caixa de cereais, ou onde quer que seja,
  • 2:33 - 2:35
    acontece-vos tão de repente
  • 2:35 - 2:37
    que não têm tempo
  • 2:37 - 2:41
    de activar os vossos escudos protectores anti-poesia
  • 2:41 - 2:44
    que foram instalados durante o liceu.
  • 2:46 - 2:49
    Vamos então começar com o primeiro.
  • 2:49 - 2:52
    É um poema pequeno, chamado "Budapeste",
  • 2:52 - 2:54
    e nele eu revelo,
  • 2:54 - 2:56
    ou finjo que revelo,
  • 2:56 - 3:00
    os segredos do processo creativo.
  • 3:01 - 3:03
    (Vídeo) Narração: "Budapeste".
  • 3:03 - 3:06
    A minha caneta move-se ao longo da página
  • 3:06 - 3:09
    como o focinho de um animal estranho
  • 3:09 - 3:11
    com a forma de um braço humano
  • 3:11 - 3:13
    e vestido com a manga
  • 3:13 - 3:15
    de um pulôver verde largo.
  • 3:15 - 3:18
    Vejo-a fungar o papel incessantemente,
  • 3:18 - 3:21
    absorta como qualquer forrageiro
  • 3:21 - 3:23
    que não tem nada em mente
  • 3:23 - 3:26
    apenas as larvas e os insectos
  • 3:26 - 3:29
    que lhe permitirão viver mais um dia.
  • 3:29 - 3:32
    Ela apenas quer cá estar amanhã,
  • 3:32 - 3:34
    talvez vestida
  • 3:34 - 3:36
    com a manga de uma camisa axadrezada,
  • 3:36 - 3:38
    nariz pressionado contra a página,
  • 3:38 - 3:42
    escrevendo mais algumas linhas obedientes
  • 3:42 - 3:44
    enquanto olho para a rua
  • 3:44 - 3:46
    e imagino Budapeste
  • 3:46 - 3:48
    ou uma outra cidade
  • 3:48 - 3:51
    em que nunca estive.
  • 3:52 - 3:55
    BC: Portanto, isto faz com que pareça um bocadinho mais fácil.
  • 3:55 - 3:57
    (Aplausos)
  • 3:57 - 4:01
    Escrever não é assim tão fácil como isso, para mim.
  • 4:01 - 4:06
    Mas gosto de fingir que vem com facilidade.
  • 4:06 - 4:09
    Uma estudante minha veio ter comigo depois da aula, uma aula introdutória,
  • 4:09 - 4:14
    e disse: "Sabe, a poesia é mais difícil do que escrever",
  • 4:14 - 4:17
    o que eu achei erróneo e profundo ao mesmo tempo.
  • 4:17 - 4:20
    (Risos)
  • 4:20 - 4:23
    Por isso eu gosto de, pelo menos, fingir que flui, simplesmente.
  • 4:23 - 4:26
    Um amigo meu tem um slogan; ele é outro poeta.
  • 4:26 - 4:29
    Ele diz que: "Se não tiveres sucesso à primeira,
  • 4:29 - 4:32
    esconde todos os indícios de que tentaste."
  • 4:32 - 4:34
    (Risos)
  • 4:34 - 4:37
    O próximo poema também é mais curto.
  • 4:37 - 4:40
    A poesia apenas diz as mesmas coisas de maneiras diferentes.
  • 4:40 - 4:43
    E acho que poderiam resumir este poema com:
  • 4:43 - 4:46
    "Às vezes comes o urso, outras vezes és comido pelo urso."
  • 4:46 - 4:48
    E usa o imaginário
  • 4:48 - 4:50
    das mobílias de uma casa de bonecas.
  • 4:50 - 4:53
    (Vídeo) Narração: "Nalguns Dias."
  • 4:54 - 4:56
    Nalguns dias
  • 4:56 - 4:59
    ponho as pessoas nos seus lugares à mesa,
  • 4:59 - 5:01
    dobro-lhes as pernas pelos joelhos,
  • 5:01 - 5:03
    caso venham com essa funcionalidade,
  • 5:03 - 5:07
    e prendo-as às minúsculas cadeiras de madeira.
  • 5:07 - 5:10
    Toda a tarde se encaram um ao outro,
  • 5:10 - 5:12
    o homem num fato castanho,
  • 5:12 - 5:14
    a mulher num vestido azul -
  • 5:14 - 5:18
    perfeitamente estáticos, perfeitamente comportados.
  • 5:18 - 5:20
    Mas noutros dias sou eu aquele
  • 5:20 - 5:22
    que é levantado pelas costelas
  • 5:22 - 5:26
    e depois reduzido à sala de jantar da casa de bonecas
  • 5:26 - 5:29
    para me sentar com os outros na longa mesa.
  • 5:29 - 5:31
    Muito engraçado.
  • 5:31 - 5:33
    Mas quanto gostarias disto
  • 5:33 - 5:36
    se nuncas souberes de um dia para o outro
  • 5:36 - 5:38
    se vais passá-lo a andar
  • 5:38 - 5:41
    de um lado para o outro como um deus vivo,
  • 5:41 - 5:44
    com os ombros nas nuvens,
  • 5:44 - 5:46
    ou sentado ali
  • 5:46 - 5:48
    entre o papel de parede
  • 5:48 - 5:50
    olhando em frente
  • 5:50 - 5:54
    com a tua carinha de plástico?
  • 5:56 - 6:01
    (Aplausos)
  • 6:01 - 6:04
    BC: Há ali um filme de terror algures.
  • 6:04 - 6:06
    O próximo poema chama-se Esquecimento,
  • 6:06 - 6:08
    e é mesmo apenas uma espécie de ensaio poético
  • 6:08 - 6:12
    sobre a questão do deslize mental.
  • 6:12 - 6:14
    E o poema começa
  • 6:14 - 6:17
    com uma certa espécie de esquecimento
  • 6:17 - 6:19
    que alguém chamou
  • 6:19 - 6:21
    literalmente de amnésia,
  • 6:21 - 6:25
    noutras palavras, esquecer aquilo que se leu.
  • 6:28 - 6:30
    (Vídeo) Narração: "Esquecimento."
  • 6:30 - 6:33
    O nome do autor é o primeiro a ir,
  • 6:33 - 6:35
    seguido obedientemente
  • 6:35 - 6:37
    pelo título, o enredo,
  • 6:37 - 6:39
    a desoladora conclusão,
  • 6:39 - 6:41
    o romance por inteiro,
  • 6:41 - 6:44
    que de repente se torna um daqueles que nunca leste,
  • 6:44 - 6:46
    de que nunca ouviste falar.
  • 6:46 - 6:48
    É como se, uma por uma,
  • 6:48 - 6:51
    as memórias que costumavas guardar
  • 6:51 - 6:55
    decidissem reformar-se no hemisfério sul do cérebro,
  • 6:55 - 6:57
    numa pequena aldeia de pescadores,
  • 6:57 - 6:59
    onde não há telefones.
  • 6:59 - 7:01
    Há muito tempo,
  • 7:01 - 7:04
    disseste adeus aos nomes das nove musas
  • 7:04 - 7:06
    e viste a equação quadrática
  • 7:06 - 7:08
    fazer as malas.
  • 7:08 - 7:10
    E mesmo agora,
  • 7:10 - 7:12
    enquanto memorizas a ordem dos planetas,
  • 7:12 - 7:14
    outra coisa é esquecida,
  • 7:14 - 7:16
    talvez um emblema floral,
  • 7:16 - 7:18
    a morada de um tio,
  • 7:18 - 7:20
    a capital do Paraguai.
  • 7:20 - 7:22
    O que quer que seja
  • 7:22 - 7:24
    que te esforças por lembrar,
  • 7:24 - 7:27
    não está na ponta da língua,
  • 7:27 - 7:29
    nem mesmo a espreitar
  • 7:29 - 7:31
    nalgum canto obscuro
  • 7:31 - 7:33
    do teu baço.
  • 7:33 - 7:35
    Flutuou para longe
  • 7:35 - 7:38
    por um escuro rio mitológico abaixo
  • 7:38 - 7:41
    cujo nome começa por L,
  • 7:41 - 7:43
    se bem te lembras,
  • 7:43 - 7:46
    bem no teu próprio caminho para o esquecimento
  • 7:46 - 7:48
    onde te juntarás àqueles
  • 7:48 - 7:50
    que até se esqueçeram de como nadar
  • 7:50 - 7:53
    ou como andar de bicicleta.
  • 7:53 - 7:56
    Não admira que te levantes a meio da noite
  • 7:56 - 7:59
    para procurar a data de uma batalha famosa
  • 7:59 - 8:01
    num livro sobre guerra.
  • 8:01 - 8:03
    Não admira que a Lua lá fora
  • 8:03 - 8:06
    pareça ter sumido de um poema de amor
  • 8:06 - 8:10
    que costumavas saber de cor.
  • 8:12 - 8:20
    (Aplausos)
  • 8:20 - 8:22
    BC: O poema seguinte chama-se "O Campo"
  • 8:22 - 8:24
    e é baseado em
  • 8:24 - 8:26
    quando estive na faculdade
  • 8:26 - 8:29
    e conheci um colega que continua a ser meu amigo.
  • 8:29 - 8:31
    Ele vivia, e ainda vive, na Vermonte rural.
  • 8:31 - 8:33
    Eu vivia na cidade de Nova Iorque.
  • 8:33 - 8:35
    E visitávamo-nos um ao outro.
  • 8:35 - 8:37
    E quando eu ia para norte até ao campo,
  • 8:37 - 8:40
    ele ensinava-me coisas como caçar veados,
  • 8:40 - 8:43
    o que significava perder-me com uma arma, basicamente -
  • 8:43 - 8:45
    (Risos)
  • 8:45 - 8:47
    e pescar trutas e coisas do género.
  • 8:47 - 8:49
    E depois ele vinha para sul até Nova Iorque
  • 8:49 - 8:51
    e eu ensinava-o aquilo que eu sabia,
  • 8:51 - 8:53
    que era em grande parte fumar e beber.
  • 8:53 - 8:55
    (Risos)
  • 8:55 - 8:58
    E dessa maneira trocávamos tradições um com o outro.
  • 8:58 - 9:00
    O poema que aí vem
  • 9:00 - 9:03
    é baseado na tentativa dele de me ensinar um nadinha
  • 9:03 - 9:05
    de uma regra de etiqueta doméstica
  • 9:05 - 9:07
    sobre viver no campo
  • 9:07 - 9:09
    que eu tive muita dificuldade, ao início, em processar.
  • 9:09 - 9:11
    Chama-se "O Campo".
  • 9:11 - 9:14
    (Vídeo) Narração: "O Campo".
  • 9:14 - 9:16
    Fizeste-me duvidar
  • 9:16 - 9:18
    quando me disseste para nunca deixar
  • 9:18 - 9:21
    uma caixa de fósforos
  • 9:21 - 9:24
    perdida pela casa,
  • 9:24 - 9:26
    porque os ratos poderiam entrar nela
  • 9:26 - 9:28
    e provocar um incêndio.
  • 9:28 - 9:31
    Mas a tua cara estava absolutamente séria
  • 9:31 - 9:33
    quando retiraste a tampa
  • 9:33 - 9:35
    da lata redonda
  • 9:35 - 9:38
    onde os fósforos, disseste, estão sempre guardados.
  • 9:38 - 9:40
    Quem conseguiu dormir nessa noite?
  • 9:40 - 9:42
    Quem conseguiu afastar a ideia
  • 9:42 - 9:45
    de um improvável ratinho
  • 9:45 - 9:48
    andando em pezinhos de lã ao longo de um cano
  • 9:48 - 9:50
    por trás do papel de parede floral,
  • 9:50 - 9:52
    segurando um fósforo apenas
  • 9:52 - 9:55
    entre os seus dentes pontiagudos?
  • 9:55 - 9:58
    Quem não conseguia vê-lo a contornar um canto,
  • 9:58 - 10:01
    a ponta azul a roçar uma trave mal talhada,
  • 10:01 - 10:03
    a chama súbita
  • 10:03 - 10:07
    e a criatura, por um brilhante, reluzente momento,
  • 10:07 - 10:09
    de repente impulsionada antes do tempo -
  • 10:09 - 10:11
    agora um provocador de incêndios
  • 10:11 - 10:13
    agora um portador de tochas
  • 10:13 - 10:15
    num ritual esquecido,
  • 10:15 - 10:17
    pequeno druida castanho
  • 10:17 - 10:19
    iluminando uma noite antiga?
  • 10:19 - 10:22
    E quem conseguiria deixar de notar,
  • 10:22 - 10:24
    acesos no isolamento flamejante,
  • 10:24 - 10:26
    os pequenos olhares de assombro
  • 10:26 - 10:29
    nas caras dos seus companheiros ratos -
  • 10:29 - 10:31
    antigos habitantes
  • 10:31 - 10:35
    do que foi outrora a tua casa de campo?
  • 10:35 - 10:38
    (Aplausos)
  • 10:38 - 10:40
    BC: Obrigado.
  • 10:40 - 10:42
    (Aplausos)
  • 10:42 - 10:45
    Obrigado. E o último poema chama-se "Os Mortos".
  • 10:45 - 10:47
    Escrevi-o depois do funeral de um amigo,
  • 10:47 - 10:49
    mas não tanto sobre o amigo como sobre o que foi dito durante o elogio fúnebre,
  • 10:49 - 10:51
    que é dito em todos os elogios fúnebres,
  • 10:51 - 10:54
    e que é quão feliz o falecido estaria
  • 10:54 - 10:56
    se olhasse cá para baixo e nos visse todos reunidos.
  • 10:56 - 10:59
    E isso para mim seria um mau começo da vida depois da morte,
  • 10:59 - 11:02
    ter de testemunhar o próprio funeral e sentir-me satisfeito.
  • 11:02 - 11:06
    O pequeno poema chama-se então "Os Mortos".
  • 11:06 - 11:08
    (Vídeo) Narração: "Os Mortos".
  • 11:08 - 11:11
    Os mortos estão sempre a olhar para nós cá em baixo,
  • 11:11 - 11:13
    dizem.
  • 11:13 - 11:16
    Enquanto calçamos os sapatos ou fazemos uma sandes,
  • 11:16 - 11:18
    eles olham para baixo
  • 11:18 - 11:21
    através dos fundos de vidro dos barcos do paraíso
  • 11:21 - 11:23
    enquanto lentamente vão remando
  • 11:23 - 11:25
    através da eternidade.
  • 11:25 - 11:27
    Vêem o topo das nossas cabeças
  • 11:27 - 11:29
    a mover-se na Terra lá em baixo.
  • 11:29 - 11:31
    E quando nos deitamos
  • 11:31 - 11:33
    num campo ou num sofá,
  • 11:33 - 11:35
    talvez enebriados
  • 11:35 - 11:38
    pelo cantarolar da tarde quente,
  • 11:38 - 11:41
    eles pensam que estamos a olhar para eles,
  • 11:41 - 11:43
    o que os faz levantar os remos
  • 11:43 - 11:45
    e quedar-se silenciosos
  • 11:45 - 11:48
    e esperar como os pais
  • 11:48 - 11:51
    à espera que fechemos os olhos.
  • 11:53 - 12:00
    (Aplausos)
  • 12:00 - 12:02
    BC: Não tenho a certeza se outros poemas serão animados.
  • 12:02 - 12:04
    Levou muito tempo -
  • 12:04 - 12:07
    quer dizer, é bastante incomum fazer-se este casamento -
  • 12:07 - 12:09
    e levou muito tempo a juntar estes dois.
  • 12:09 - 12:11
    E outra vez, levou-nos muito tempo
  • 12:11 - 12:13
    a juntar a roda e a mala...
  • 12:13 - 12:16
    (Risos)
  • 12:16 - 12:19
    Quer dizer, tínhamos a roda há algum tempo.
  • 12:19 - 12:22
    E o transporte é uma arte antiga e honorável.
  • 12:22 - 12:25
    (Risos)
  • 12:25 - 12:27
    Só tenho tempo
  • 12:27 - 12:30
    de vos ler um poema mais recente.
  • 12:30 - 12:33
    Se tem um tema,
  • 12:33 - 12:35
    o tema é a adolescência.
  • 12:35 - 12:37
    E é dirigido a uma certa pessoa.
  • 12:37 - 12:43
    Chama-se "Para a minha rapariga de liceu de 17 anos preferida".
  • 12:43 - 12:46
    "Tens consciência de que se tivesses começado a construir o Parténon
  • 12:46 - 12:48
    no dia em que nasceste,
  • 12:48 - 12:51
    estarias despachada em só mais um ano?
  • 12:51 - 12:53
    Claro, não poderias tê-lo feito completamente sozinha.
  • 12:53 - 12:55
    Por isso não te preocupes;
  • 12:55 - 12:57
    estás bem sendo tu própria.
  • 12:57 - 13:00
    És amada por seres simplesmente tu.
  • 13:00 - 13:02
    Mas sabias que na tua idade
  • 13:02 - 13:07
    a Judy Garland ganhava 150.000 dólares por filme,
  • 13:07 - 13:11
    a Joana d'Arc liderava o exército francês para a vitória
  • 13:11 - 13:14
    e o Blaise Pascal tinha limpado o seu quarto -
  • 13:14 - 13:18
    não, espera, queria dizer que tinha inventado a calculadora!?
  • 13:18 - 13:20
    Claro, haverá tempo para tudo isso
  • 13:20 - 13:22
    mais tarde na tua vida,
  • 13:22 - 13:24
    depois de saíres do teu quarto
  • 13:24 - 13:26
    e começares a desabrochar,
  • 13:26 - 13:30
    ou pelo menos apanhares todas as tuas meias.
  • 13:30 - 13:32
    Por alguma razão estou sempre a lembrar-me
  • 13:32 - 13:34
    que Lady Jane Grey foi rainha de Inglaterra
  • 13:34 - 13:37
    quando tinha apenas 15 anos.
  • 13:37 - 13:40
    Mas depois cortaram-lhe a cabeça, por isso não a tenhas como exemplo.
  • 13:40 - 13:43
    (Risos)
  • 13:43 - 13:45
    Alguns séculos mais tarde,
  • 13:45 - 13:47
    quando tinha a tua idade,
  • 13:47 - 13:51
    Franz Schubert lavava a loiça para a sua família,
  • 13:51 - 13:53
    mas isso não o impediu
  • 13:53 - 13:56
    de compôr duas sinfonias, quatro óperas
  • 13:56 - 13:59
    e duas missas completas enquanto jovem.
  • 13:59 - 14:01
    (Risos)
  • 14:01 - 14:03
    Mas claro, isso foi na Áustria
  • 14:03 - 14:06
    na altura do lirismo romântico,
  • 14:06 - 14:08
    não aqui nos subúrbios de Cleveland.
  • 14:08 - 14:10
    (Risos)
  • 14:10 - 14:12
    Francamente, que interessa
  • 14:12 - 14:15
    se Annie Oakley era uma excelente atiradora aos 15
  • 14:15 - 14:19
    ou se Maria Callas se estreou com Tosca aos 17?
  • 14:19 - 14:22
    Achamos que és especial apenas sendo tu mesma -
  • 14:22 - 14:25
    a brincar com a tua comida e a olhar para o ar.
  • 14:25 - 14:28
    (Risos)
  • 14:28 - 14:30
    A propósito,
  • 14:30 - 14:33
    menti sobre o Schubert a lavar a loiça,
  • 14:33 - 14:36
    mas isso não significa que ele nunca ajudasse em casa."
  • 14:36 - 14:38
    (Risos)
  • 14:38 - 14:40
    (Aplausos)
  • 14:40 - 14:43
    Obrigado. Obrigado.
  • 14:43 - 14:48
    (Aplausos)
  • 14:48 - 14:50
    Obrigado.
  • 14:50 - 14:52
    (Aplausos)
Title:
Billy Collins: Momentos do dia-a-dia, capturados no tempo
Speaker:
Billy Collins
Description:

Combinando um humor apurado com uma profundidade artística, Billy Collins partilha um projecto no qual vários dos seus poemas se tornaram encantadores filmes animados em colaboração com o Sundace Channel. Cinco deles estão incluídos nesta fascinante e comovente conversa... e não perca o hilariante poema final!

more » « less
Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
14:52
Jenny Zurawell approved Portuguese subtitles for Everyday moments, caught in time
Ângela Rosa accepted Portuguese subtitles for Everyday moments, caught in time
Ângela Rosa edited Portuguese subtitles for Everyday moments, caught in time
Rafael Galupa added a translation

Portuguese subtitles

Revisions