O Alzheimer não é um envelhecimento normal, e podemos curá-lo
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0:01 - 0:03Em 1901,
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0:03 - 0:06uma mulher chamada Auguste foi levada
para um asilo médico em Frankfurt. -
0:07 - 0:08Auguste estava delirando
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0:08 - 0:12e não conseguia se lembrar
nem dos detalhes básicos de sua vida. -
0:12 - 0:14Seu médico chamava-se Alois.
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0:16 - 0:18Alois não sabia como ajudar Auguste,
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0:18 - 0:22mas cuidou dela até que,
infelizmente, ela faleceu em 1906. -
0:23 - 0:25Após o falecimento, Alois fez uma autópsia
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0:25 - 0:28e encontrou placas e emaranhados
estranhos no cérebro de Auguste, -
0:28 - 0:31tipos que ele nunca
havia visto anteriormente. -
0:31 - 0:33Agora vem o mais impressionante:
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0:34 - 0:37se Auguste estivesse viva atualmente,
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0:38 - 0:43não poderíamos ajudar
mais do que Alois, 114 anos atrás. -
0:44 - 0:48Alois era o Dr. Alois Alzheimer.
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0:49 - 0:51E Auguste Deter
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0:51 - 0:55foi a primeira paciente diagnosticada
com o que chamamos de Doença de Alzheimer. -
0:56 - 0:59Desde 1901, a medicina avançou bastante.
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0:59 - 1:03Descobrimos antibióticos e vacinas
para nos proteger de infecções, -
1:03 - 1:07muitos tratamentos para o câncer,
antirretrovirais para HIV, -
1:07 - 1:10estatinas para doença cardíaca
e muito mais. -
1:11 - 1:18Mas não fizemos qualquer progresso
no tratamento para a Doença de Alzheimer. -
1:18 - 1:20Eu integro um grupo de cientistas
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1:20 - 1:23que tem trabalhando para encontrar
a cura do Alzheimer há uma década. -
1:24 - 1:26Então, penso sobre isto o tempo todo.
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1:26 - 1:30O Alzheimer afeta, atualmente,
40 milhões de pessoas no mundo. -
1:30 - 1:36Mas, até 2050, vai afetar
150 milhões de pessoas... -
1:36 - 1:40e, a propósito,
isto incluirá muitos de vocês. -
1:41 - 1:44Se você espera viver até 85 anos ou mais,
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1:45 - 1:50sua chance de ter Alzheimer
será quase uma em duas. -
1:52 - 1:55Em outras palavras, existe a chance
de você passar a terceira idade -
1:55 - 1:57ou sofrendo de Alzheimer,
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1:57 - 2:01ou ajudando a cuidar de um amigo
ou ente querido com Alzheimer. -
2:02 - 2:04Somente nos Estados Unidos,
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2:04 - 2:09os cuidados com Alzheimer custam
US$ 200 bilhões todo ano. -
2:10 - 2:14Um em cada US$ 5 de assistência
médica é gasto com Alzheimer. -
2:15 - 2:18É a doença mais cara atualmente,
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2:18 - 2:21e estima-se que os custos
vão aumentar cinco vezes mais até 2050, -
2:21 - 2:23à medida que a geração
do "baby boom" envelhece. -
2:24 - 2:27Pode surpreender vocês que, simplificando,
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2:27 - 2:32o Alzheimer seja um dos maiores desafios
médicos e sociais da nossa geração. -
2:33 - 2:35Mas fizemos relativamente pouco
para abordá-lo. -
2:36 - 2:39Hoje, entre as dez maiores causas
de morte no mundo, -
2:40 - 2:47o Alzheimer é a única que não podemos
prevenir, curar ou até desacelerar. -
2:48 - 2:51Entendemos menos sobre a ciência
do Alzheimer do que outras doenças, -
2:52 - 2:55porque investimos menos tempo
e dinheiro para essa pesquisa. -
2:55 - 2:59O governo dos EUA
gasta dez vezes mais todos os anos -
2:59 - 3:02em pesquisas de câncer do que Alzheimer,
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3:02 - 3:05apesar do fato de que o Alzheimer
nos custa mais -
3:06 - 3:11e causa um número de mortes
a cada ano semelhante ao câncer. -
3:12 - 3:16A falta de recursos origina-se
de uma causa mais fundamental: -
3:16 - 3:17a falta de conscientização.
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3:19 - 3:22Porque aqui está o que poucos sabem
mas todos deveriam saber: -
3:23 - 3:28Alzheimer é uma doença,
e nós podemos curá-la. -
3:28 - 3:31Na maior parte dos últimos 114 anos,
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3:31 - 3:36todo mundo, incluindo cientistas,
confundiram Alzheimer com envelhecimento. -
3:36 - 3:38Nós achávamos que ficar senil
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3:38 - 3:40era uma parte normal
e inevitável de envelhecer. -
3:41 - 3:43Mas basta olhar uma foto
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3:43 - 3:47de um cérebro envelhecido saudável
comparado ao de um paciente com Alzheimer -
3:47 - 3:50para ver o verdadeiro dano físico
causado por esta doença. -
3:51 - 3:55Além de desencadear perda severa
de memória e habilidades mentais, -
3:55 - 3:57o dano ao cérebro causado pelo Alzheimer
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3:57 - 4:02reduz significativamente
a expectativa de vida e sempre é fatal. -
4:02 - 4:06Lembrem-se que Dr. Alzheimer
encontrou placas e emaranhados estranhos -
4:06 - 4:08no cérebro de Auguste há um século.
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4:08 - 4:11Por quase um século,
não soubemos muito sobre isso. -
4:12 - 4:15Hoje, sabemos que são feitos
de moléculas de proteínas. -
4:16 - 4:17Imaginem uma molécula de proteína
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4:17 - 4:21como um pedaço de papel que normalmente
se dobra em um origami elaborado. -
4:22 - 4:24Existem pontos
no papel que são pegajosos. -
4:25 - 4:30E quando é dobrado corretamente,
esses pontos ficam na parte de dentro. -
4:30 - 4:34Mas, algumas vezes, as coisas dão errado,
e alguns pontos pegajosos ficam para fora. -
4:34 - 4:37Isto faz as moléculas de proteínas
grudarem umas nas outras, -
4:37 - 4:41formando aglomerados que eventualmente
se tornam placas e emaranhados grandes. -
4:42 - 4:44Isso é o que vemos nos cérebros
de pacientes com Alzheimer. -
4:45 - 4:48Passamos os últimos dez anos
na Universidade de Cambridge -
4:48 - 4:51tentando compreender
como funciona este distúrbio. -
4:52 - 4:56Há muitos passos, e identificar
o passo que deve ser bloqueado é complexo, -
4:56 - 4:58como desarmar uma bomba.
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4:59 - 5:01Cortar um fio pode não fazer nada.
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5:01 - 5:03Cortar outros pode fazer a bomba explodir.
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5:04 - 5:09Precisamos descobrir qual passo bloquear,
e criar um medicamento que faça isso. -
5:09 - 5:11Até recentemente, nós,
na maioria das vezes, -
5:11 - 5:14cortamos os fios esperando pelo melhor.
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5:14 - 5:16Mas agora reunimos
um grupo diverso de pessoas: -
5:16 - 5:22médicos, biólogos, geneticistas, químicos,
físicos, engenheiros e matemáticos. -
5:22 - 5:26E, juntos, conseguimos identificar
um passo crítico no processo -
5:26 - 5:29e estamos testando uma nova
classe de medicamentos -
5:29 - 5:32que vai bloquear este passo
e parar a doença. -
5:32 - 5:35Agora vou mostrar
alguns dos últimos resultados. -
5:35 - 5:38Ninguém fora do nosso
laboratório viu isto ainda. -
5:38 - 5:43Vamos ver alguns vídeos sobre o teste
desses medicamentos novos em minhocas. -
5:43 - 5:44À esquerda são as minhocas saudáveis,
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5:44 - 5:47e, como podem ver,
se movem normalmente. -
5:48 - 5:50As minhocas do centro, por outro lado,
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5:50 - 5:54têm moléculas de proteínas
grudando umas nas outras dentro delas, -
5:54 - 5:55como os humanos com Alzheimer.
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5:55 - 5:58E podem ver claramente que estão doentes.
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5:58 - 6:03Mas se dermos os medicamentos novos
para essas minhocas numa fase inicial, -
6:03 - 6:06vemos à direita que ficam saudáveis,
e vivem uma expectativa de vida normal. -
6:07 - 6:11Isto é apenas um resultado
inicial positivo, mas pesquisas como esta -
6:11 - 6:16mostram que o Alzheimer é uma doença
que podemos entender e curar. -
6:16 - 6:19Após 114 anos de espera,
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6:19 - 6:21enfim existe a esperança
sobre que pode ser atingido -
6:21 - 6:23nos próximos 10 ou 20 anos.
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6:24 - 6:28Mas, para aumentar a esperança
e vencer o Alzheimer, precisamos de ajuda. -
6:29 - 6:31Isto não se trata de cientistas como eu...
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6:31 - 6:32trata-se de vocês.
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6:33 - 6:36Precisamos que aumentem a conscientização
de que o Alzheimer é uma doença -
6:36 - 6:39e que, se tentarmos, podemos vencê-la.
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6:39 - 6:41No caso de outras doenças,
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6:41 - 6:44os pacientes e suas famílias
fizeram pressão por mais pesquisas -
6:44 - 6:47e pressionaram os governos,
a indústria farmacêutica, -
6:47 - 6:49cientistas e reguladores.
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6:49 - 6:54Isso foi essencial para o avanço
no tratamento do HIV no fim dos anos 80. -
6:54 - 6:58Hoje em dia, vemos o mesmo avanço
para vencer o câncer. -
6:58 - 7:03Mas os pacientes com Alzheimer
não podem falar por eles mesmos. -
7:03 - 7:07E suas famílias, as vítimas escondidas,
cuidando dos seus entes dia e noite, -
7:07 - 7:10geralmente estão muito desgastados
para sair e pedir mudanças. -
7:11 - 7:14Então, realmente está na mão de vocês.
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7:16 - 7:19O Alzheimer não é,
na maior parte, uma doença genética. -
7:19 - 7:21Todos que possuem cérebro correm risco.
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7:22 - 7:27Hoje, existem 40 milhões
de pacientes como Auguste, -
7:27 - 7:30que não podem fazer a mudança
que precisam para si. -
7:30 - 7:31Ajudem a dar voz para eles,
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7:32 - 7:34e ajudem a exigir uma cura.
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7:35 - 7:36Obrigado.
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7:36 - 7:40(Aplausos)
- Title:
- O Alzheimer não é um envelhecimento normal, e podemos curá-lo
- Speaker:
- Samuel Cohen
- Description:
-
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Mais de 40 milhões de pessoas no mundo inteiro sofrem da Doença de Alzheimer, e as expectativas são de que este número crescerá drasticamente nos próximos anos. Mas nenhum progresso real tem sido feito para combater a doença desde sua classificação, há mais de 100 anos. O cientista Samuel Cohen compartilha um novo avanço de seu laboratório na pesquisa do Alzheimer, assim como uma mensagem de esperança. "O Alzheimer é uma doença", diz Cohen, "e podemos curá-la."
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 07:53
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