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Por que acreditamos em coisas que não são verdade? | Philip Fernbach | TEDxMileHigh

  • 0:13 - 0:15
    Alguns meses atrás,
  • 0:15 - 0:20
    a internet surtou quando um rapper
    chamado Bobby Ray Simmons,
  • 0:20 - 0:22
    também conhecido como B.o.B,
  • 0:22 - 0:27
    começou a publicar no Twitter as razões
    pelas quais achava que a Terra era plana.
  • 0:28 - 0:29
    (Risos)
  • 0:30 - 0:32
    Bom, a história realmente bombou
  • 0:33 - 0:37
    quando o astrofísico Neil deGrasse Tyson
    começou a responder aos tuítes dele,
  • 0:37 - 0:39
    explicando suas supostas incoerências.
  • 0:39 - 0:41
    Mas adivinhem?
  • 0:41 - 0:44
    B.o.B foi irredutível.
  • 0:44 - 0:46
    (Risos)
  • 0:47 - 0:48
    Ele não mudou de ideia.
  • 0:49 - 0:53
    Acontece que B.o.B não é o único.
  • 0:54 - 0:58
    Acreditem vocês ou não,
    existe uma sociedade da Terra plana,
  • 0:59 - 1:02
    surgida originalmente no século 17.
  • 1:03 - 1:06
    A lógica deles é incrível.
  • 1:07 - 1:11
    "Nós operamos as armas
    contra a opressão ao pensamento
  • 1:11 - 1:14
    e contra as mentiras globularistas
    de uma nova era."
  • 1:14 - 1:15
    (Risos)
  • 1:15 - 1:18
    Quando li isso a primeira vez,
    entendi "mentiras globalistas",
  • 1:18 - 1:21
    mas na verdade é "globularistas",
  • 1:21 - 1:25
    tipo aqueles caras malucos
    que acham que a Terra é redonda.
  • 1:25 - 1:26
    (Risos)
  • 1:27 - 1:29
    "Em defesa da razão,
  • 1:29 - 1:32
    oferecemos um lar para aqueles
    pensadores rebeldes
  • 1:32 - 1:35
    que seguem marchando bravamente,
    com a razão e a verdade,
  • 1:35 - 1:40
    reconhecendo o verdadeiro
    formato da Terra."
  • 1:40 - 1:42
    Plana!
  • 1:42 - 1:43
    (Risos)
  • 1:43 - 1:45
    Não é brincadeira.
  • 1:46 - 1:49
    B.o.B. e os terraplanistas realmente
    acreditam que a Terra seja plana,
  • 1:49 - 1:51
    apesar de todas as evidências contrárias.
  • 1:52 - 1:55
    Bem, por que estou mostrando isso a vocês?
  • 1:55 - 1:59
    Porque a reação natural de vocês
    a essa história é errada!
  • 1:59 - 2:03
    Nosso primeiro instinto é rir
    dos terraplanistas
  • 2:03 - 2:06
    e presumir que eles são
    totalmente tontos e malucos,
  • 2:06 - 2:10
    só que, na verdade, eles não são
    tão diferentes de mim ou de vocês.
  • 2:11 - 2:14
    Por sermos seres humanos,
    crer em coisas falsas é um direito inato.
  • 2:14 - 2:17
    É um dos princípios fundamentais
  • 2:17 - 2:21
    que pautam a forma como nossa mente
    funciona e armazena conhecimento.
  • 2:21 - 2:22
    Pensem no quanto é comum
  • 2:22 - 2:26
    que grupos de pessoas acreditem em coisas
    que simplesmente não são verdade.
  • 2:26 - 2:31
    Neste exato momento,
    parecemos estar no meio de uma epidemia.
  • 2:31 - 2:34
    A explosão das "fake news",
    ou notícias falsas,
  • 2:34 - 2:37
    mostra como é fácil enganar
    pessoas da esquerda e da direita,
  • 2:37 - 2:39
    e a negação da ciência virou moda.
  • 2:40 - 2:42
    Parcelas significativas da população
  • 2:42 - 2:45
    mantêm crenças contrárias
    ao consenso científico
  • 2:45 - 2:49
    no que diz respeito a questões
    como vacinação, aquecimento global
  • 2:49 - 2:52
    e a segurança de alimentos
    geneticamente modificados.
  • 2:52 - 2:55
    Certas ações públicas sobre essas
    questões literalmente determinam
  • 2:55 - 2:58
    se podemos nos alimentar,
    se podemos criar filhos saudáveis
  • 2:58 - 3:01
    ou se podemos evitar
    um desastre climático.
  • 3:01 - 3:03
    Há muita coisa em jogo aqui,
  • 3:03 - 3:05
    e por isso simplesmente não é suficiente
  • 3:05 - 3:08
    vincularmos tudo isso
    à loucura e à estupidez.
  • 3:08 - 3:12
    Explicações simplistas como essa
    não nos levam a lugar algum.
  • 3:12 - 3:15
    Se quisermos realmente melhorar
    nossa forma de encarar esses desafios,
  • 3:15 - 3:17
    precisamos ir mais fundo,
  • 3:17 - 3:20
    precisamos entender o que há
    na forma como pensamos
  • 3:20 - 3:24
    que nos torna tão suscetíveis a acreditar
    em coisas que não são verdade.
  • 3:24 - 3:30
    Essa explicação na verdade começa
    com uma observação meio que chocante.
  • 3:32 - 3:33
    Enquanto indivíduos,
  • 3:34 - 3:39
    não sabemos o bastante pra justificarmos
    quase tudo em que acreditamos.
  • 3:40 - 3:42
    Eu sei que pode parecer loucura pra vocês,
  • 3:42 - 3:45
    mas vamos considerar
    dois fatos bastante óbvios.
  • 3:45 - 3:48
    Todos acreditamos
    que a Terra gira em torno do Sol.
  • 3:48 - 3:51
    Claro que sim, pois esse é o fato
    mais óbvio do mundo.
  • 3:51 - 3:53
    Mas com base em quê?
  • 3:53 - 3:57
    Vocês sabem explicar as análises
    astronômicas que apoiam essa crença?
  • 3:57 - 3:59
    Eu com certeza não sei.
  • 4:00 - 4:01
    E quanto ao fumo?
  • 4:01 - 4:04
    Todos sabemos que ele faz muito mal, não?
  • 4:04 - 4:06
    Mas o que há na fumaça
    do cigarro que nos faz mal?
  • 4:06 - 4:09
    E o que ela causa ao nosso corpo
    e às nossas células?
  • 4:09 - 4:12
    O que é o câncer, na verdade?
    Como é que ele surge?
  • 4:13 - 4:16
    Esses não são os únicos exemplos.
  • 4:16 - 4:20
    Muito daquilo em que acreditamos
    não se baseia no que está em nossa mente,
  • 4:21 - 4:23
    e há uma boa razão para isso.
  • 4:23 - 4:25
    Não temos muita coisa em nossa mente!
  • 4:25 - 4:27
    (Risos)
  • 4:27 - 4:29
    Enquanto seres humanos,
  • 4:29 - 4:33
    simplesmente não somos programados
    para armazenar muita informação detalhada.
  • 4:34 - 4:39
    Na década de 1980, um psicólogo
    chamado Thomas Landauer tentou estimar
  • 4:39 - 4:42
    o tamanho da base de conhecimento
    de um indivíduo em bytes,
  • 4:42 - 4:46
    a mesma unidade usada para mensurar
    memórias de computador.
  • 4:46 - 4:50
    Uma das abordagens dele foi analisar
    o resultado de experimentos de memória
  • 4:50 - 4:54
    pedindo às pessoas para memorizarem
    imagens, palavras, trechos de música,
  • 4:54 - 4:57
    e depois realizando testes
    para ver se elas se lembravam.
  • 4:57 - 5:02
    Com base nos dados, ele conseguiu estimar
    nosso grau de absorção de conhecimento
  • 5:02 - 5:06
    e também a rapidez com que
    nos esquecemos do que aprendemos.
  • 5:06 - 5:10
    Depois, ele expandiu a pesquisa
    para uma expectativa de vida de 70 anos.
  • 5:10 - 5:13
    Então, qual é o seu grau de conhecimento?
  • 5:14 - 5:16
    Segundo a estimativa de Landauer:
  • 5:16 - 5:18
    1 gigabyte.
  • 5:19 - 5:20
    (Risos)
  • 5:21 - 5:24
    Acho esse resultado incrível;
  • 5:24 - 5:26
    impressionante, na verdade.
  • 5:26 - 5:28
    Um gigabyte é muito pouco!
  • 5:29 - 5:30
    Em comparação,
  • 5:30 - 5:35
    podemos comprar um pen drive
    na Amazon.com, por menos de US$ 18,
  • 5:35 - 5:38
    com 64 gigabytes.
  • 5:38 - 5:40
    (Risos)
  • 5:40 - 5:44
    Bom, agora, alguns de vocês
    devem estar um pouco assustados,
  • 5:44 - 5:46
    sentindo-se um pouco preocupados.
  • 5:46 - 5:50
    Afinal, todos achamos
    que a coisa mais importante do mundo
  • 5:50 - 5:53
    é saber muito e ter uma ótima memória.
  • 5:53 - 5:56
    Na verdade, isso é um equívoco.
  • 5:56 - 5:58
    Não precisamos saber muito
  • 5:58 - 6:01
    porque não somos programados
    pra pensarmos sozinhos.
  • 6:02 - 6:06
    É natural acharmos que o pensamento
    é aquilo que ocorre entre nossas orelhas,
  • 6:06 - 6:09
    mas não é aí que a mágica
    realmente acontece.
  • 6:09 - 6:14
    O vídeo a seguir é de um psicólogo
    chamado Michael Tomasello
  • 6:14 - 6:16
    e seus colegas.
  • 6:16 - 6:20
    Eles estudam as habilidades
    cognitivas de crianças
  • 6:20 - 6:23
    em comparação com animais,
    como os chimpanzés.
  • 6:24 - 6:28
    O objetivo é entender
    o que de fato nos torna especiais,
  • 6:28 - 6:33
    em quais habilidades
    superamos os outros animais.
  • 6:33 - 6:37
    Dá pra ver como esse menininho rapidamente
    entende a intenção do pesquisador
  • 6:37 - 6:41
    e acha uma forma de focar
    e cumprir um objetivo.
  • 6:41 - 6:43
    (Risos)
  • 6:43 - 6:47
    Ele até faz contato visual no final,
    como se dissesse: "Eu te ajudei, cara!"
  • 6:47 - 6:48
    (Risos)
  • 6:48 - 6:51
    Isso é algo tão natural pra nós
    que parece sem importância,
  • 6:51 - 6:54
    mas na verdade é extremamente difícil
  • 6:54 - 6:58
    criar um sistema cognitivo
    com capacidade de colaboração.
  • 6:58 - 7:00
    Esse é o segredo do nosso sucesso,
  • 7:00 - 7:04
    o que nos distingue de todas
    as demais criaturas pensantes.
  • 7:04 - 7:08
    Os chimpanzés com frequência
    falham em tarefas
  • 7:08 - 7:11
    que requerem compartilhamento
    de conhecimento e trabalho em equipe,
  • 7:11 - 7:16
    tarefas que crianças pequenas
    realizam com facilidade.
  • 7:16 - 7:18
    Bem, pra mim,
  • 7:20 - 7:22
    essa percepção foi superesclarecedora.
  • 7:22 - 7:26
    Mudou realmente minha compreensão
    sobre a natureza da mente.
  • 7:26 - 7:28
    Sou um cientista cognitivo.
  • 7:29 - 7:34
    Eu estudo como indivíduos tomam decisões
    ou solucionam problemas quando sozinhos.
  • 7:35 - 7:38
    Mas o pensamento é um processo social.
  • 7:38 - 7:40
    Em vez de acontecer dentro da nossa mente,
  • 7:40 - 7:44
    ele surge das nossas interações
    com os outros ao nosso redor.
  • 7:45 - 7:49
    Somos mais parecidos
    com as abelhas do que imaginamos.
  • 7:49 - 7:52
    Nas colmeias, existe um conjunto
    extremamente complexo de comportamentos
  • 7:52 - 7:57
    realizado apesar de nenhuma abelha
    ser responsável pelo todo sozinha.
  • 7:57 - 7:59
    Elas coletam e estocam alimentos,
  • 7:59 - 8:01
    protegem a colmeia de invasores,
  • 8:01 - 8:03
    introduzem diversidade genética.
  • 8:03 - 8:05
    O segredo é a especialização:
  • 8:05 - 8:09
    cada indivíduo faz sua pequena parte,
    e daí surge a complexidade.
  • 8:10 - 8:12
    O mesmo ocorre com as pessoas.
  • 8:12 - 8:15
    Sozinhos, não sabemos tanto,
  • 8:15 - 8:17
    nem precisamos saber.
  • 8:17 - 8:20
    Cada um de nós temos
    nossa própria fatia de conhecimento,
  • 8:20 - 8:24
    e nossas mentes são programadas
    pra colaborar e compartilhar conhecimento,
  • 8:24 - 8:28
    o que nos permite alcançarmos
    objetivos extremamente complexos,
  • 8:28 - 8:32
    embora nenhum de nós detenha,
    sozinho, o conhecimento de tudo.
  • 8:33 - 8:35
    Essa é a Catedral de Milão.
  • 8:36 - 8:39
    É uma das obras-primas da humanidade.
  • 8:40 - 8:43
    Sua construção teve início em 1386
  • 8:43 - 8:49
    e a fachada foi concluída, imaginem só,
    na era de Napoleão, no século 17.
  • 8:50 - 8:53
    As catedrais sempre têm
    detalhes a serem concluídos depois,
  • 8:53 - 8:55
    como nas reformas que fazemos em casa.
  • 8:56 - 8:59
    Os detalhes dessa catedral
    foram concluídos
  • 8:59 - 9:03
    quando eles benzeram
    o último portão na década de 1960.
  • 9:03 - 9:05
    Seiscentos anos.
  • 9:05 - 9:06
    Nesse período,
  • 9:06 - 9:11
    houve 75 engenheiros-chefes
    responsáveis pelo projeto,
  • 9:11 - 9:14
    além de milhares de milhares
    de pessoas envolvidas na construção.
  • 9:14 - 9:19
    Nenhuma dessas pessoas tinha nem de longe
    o conhecimento total da obra,
  • 9:19 - 9:20
    nem de perto.
  • 9:21 - 9:23
    Tudo de grandioso que realizamos
    enquanto humanos
  • 9:23 - 9:27
    depende da nossa capacidade
    de compartilhar conhecimento e colaborar.
  • 9:28 - 9:32
    Esse é o lado positivo da história
    do compartilhamento de conhecimento.
  • 9:32 - 9:36
    Quando juntamos nossos conhecimentos,
    podemos realizar coisas incríveis.
  • 9:37 - 9:39
    Mas também existe um lado negativo.
  • 9:40 - 9:45
    Como somos tão perfeitamente programados
    pra nos valermos do conhecimento alheio,
  • 9:45 - 9:50
    geralmente não percebemos os limites
    do nosso próprio conhecimento.
  • 9:50 - 9:54
    Vou mostrar um estudo realizado
    pelo meu colega Steven Sloman.
  • 9:55 - 9:59
    Ele contou aos participantes do estudo
    sobre descobertas científicas
  • 9:59 - 10:01
    que ele inventou.
  • 10:01 - 10:03
    Por exemplo, pedras que brilham.
  • 10:04 - 10:06
    Ele disse a um grupo
  • 10:06 - 10:10
    que os cientistas ainda não haviam
    descoberto por que as pedras brilhavam,
  • 10:10 - 10:13
    e aí perguntou: "O que
    vocês sabem a respeito?"
  • 10:13 - 10:16
    Como era de se esperar,
    o grupo respondeu que não fazia ideia!
  • 10:16 - 10:20
    Faz todo sentido essa resposta,
    já que não sabiam nada sobre as pedras.
  • 10:20 - 10:22
    O resultado mais surpreendente
  • 10:22 - 10:25
    foi quando ele contou a outro grupo
    sobre a mesma suposta descoberta,
  • 10:25 - 10:27
    mas dessa vez ele disse
  • 10:27 - 10:30
    que os cientistas haviam explicado
    por que as pedras brilhavam.
  • 10:30 - 10:36
    Os participantes dessa vez afirmaram
    saber um pouco mais sobre as pedras,
  • 10:36 - 10:37
    o que é um pouco estranho
  • 10:37 - 10:40
    porque, tal como o grupo anterior,
    eles não sabiam nada sobre as pedras.
  • 10:40 - 10:44
    Foi como se o conhecimento dos cientistas
    tivesse sido transmitido a eles,
  • 10:44 - 10:47
    mesmo que essa descoberta
    jamais tivesse ocorrido.
  • 10:47 - 10:52
    Algo semelhante ocorre
    quando navegamos na internet.
  • 10:52 - 10:55
    Só pelo fato de termos
    acesso a tanta informação,
  • 10:55 - 10:58
    nós nos sentimos como se soubéssemos
    muito mais do que sabemos.
  • 10:59 - 11:03
    Essa sensação de saber muito é contagiosa.
  • 11:03 - 11:05
    (Risos)
  • 11:05 - 11:10
    Quando juntamos essa sensação contagiosa
    com a ignorância individual,
  • 11:10 - 11:12
    o resultado pode ser nocivo.
  • 11:12 - 11:14
    (Risos)
  • 11:15 - 11:18
    O problema é que posso
    acreditar piamente em algo
  • 11:18 - 11:20
    só porque acho
    que entendo sobre o assunto,
  • 11:20 - 11:22
    mas minha sensação de saber
    sobre o assunto é falsa.
  • 11:22 - 11:24
    Ela vem das pessoas ao meu redor
  • 11:24 - 11:28
    que acreditam piamente naquilo
    só porque acham que entendem bem.
  • 11:29 - 11:33
    Mas essa sensação de saber vem das pessoas
    ao redor delas e assim por diante.
  • 11:33 - 11:38
    Sozinhos, nenhum de nós sabe o suficiente
    para dizer o que é verdadeiro ou falso.
  • 11:38 - 11:42
    Ainda assim, por acharmos
    que estamos absolutamente certos,
  • 11:42 - 11:44
    não nos preocupamos muito em ter certeza,
  • 11:44 - 11:49
    e é assim que diversos grupos de pessoas
    acabam acreditando em coisas
  • 11:49 - 11:51
    que não são verdade.
  • 11:51 - 11:57
    Podemos construir catedrais,
    mas também castelos de areia.
  • 11:59 - 12:03
    A verdadeira tragédia está
    na forma como lidamos com pessoas
  • 12:03 - 12:05
    que têm opinião diferente da nossa.
  • 12:05 - 12:07
    Vivemos na ilusão
  • 12:07 - 12:11
    de que chegamos às nossas opiniões
    através de uma análise criteriosa
  • 12:11 - 12:15
    e que podemos apoiar e justificar nosso
    ponto de vista com base no que sabemos.
  • 12:15 - 12:18
    Portanto, quando alguém não acredita
    naquilo em que acreditamos,
  • 12:18 - 12:20
    é óbvio qual é o problema:
  • 12:20 - 12:23
    "Fulano é tonto demais
    pra enxergar a verdade!"
  • 12:23 - 12:24
    (Risos)
  • 12:24 - 12:27
    E de certa forma você está certo
    quando pensa assim.
  • 12:27 - 12:28
    É verdade!
  • 12:28 - 12:31
    Essa pessoa não chegou a opinião que tem
  • 12:31 - 12:34
    através de um processo racional
    de avaliação de evidências
  • 12:34 - 12:37
    e não entende a questão com profundidade.
  • 12:37 - 12:39
    Mas você também não!
  • 12:39 - 12:41
    (Risos)
  • 12:41 - 12:44
    Basta ver como pensamos sobre questões
    complexas como a assistência à saúde.
  • 12:44 - 12:46
    Se você for um liberal,
  • 12:46 - 12:49
    a lei americana de cuidado
    ao paciente é maravilhosa.
  • 12:49 - 12:54
    Se você for um conservador:
    "Ela está destruindo os EUA".
  • 12:54 - 12:55
    Mas, na maioria das vezes,
  • 12:55 - 12:59
    as discussões sobre o mérito dessa medida
    se resumem praticamente
  • 12:59 - 13:03
    a repetições daquilo
    que ouvimos alguém contar.
  • 13:03 - 13:04
    Como não especialistas,
  • 13:04 - 13:09
    não há como entendermos toda
    a complexidade de uma questão como essa.
  • 13:09 - 13:11
    Ao expressarmos nosso ponto de vista,
  • 13:11 - 13:16
    estamos todos canalizando
    nossas comunidades de conhecimento.
  • 13:16 - 13:17
    É isso que fazemos.
  • 13:18 - 13:21
    O conhecimento não está na minha mente,
    nem está na sua mente.
  • 13:21 - 13:23
    O conhecimento é compartilhado
  • 13:23 - 13:26
    e, portanto, as coisas com as quais
    você realmente se importa,
  • 13:26 - 13:28
    essas coisas são compartilhadas também.
  • 13:28 - 13:34
    Bem, a conclusão com certeza não é
    que as pessoas sejam tontas.
  • 13:35 - 13:38
    É verdade que todos somos ignorantes,
  • 13:38 - 13:40
    mas isso não é algo de que
    devemos nos envergonhar.
  • 13:40 - 13:45
    O mundo é complexo demais
    pra que entendamos muito sobre ele.
  • 13:45 - 13:47
    O que nos torna especiais
  • 13:47 - 13:50
    é a capacidade de prosperarmos
    em meio a essa complexidade,
  • 13:50 - 13:51
    compartilhando conhecimento.
  • 13:51 - 13:57
    Da nossa ignorância individual
    pode surgir o potencial coletivo.
  • 13:57 - 14:02
    A ignorância é um traço essencial
    da mente humana, não um defeito,
  • 14:04 - 14:08
    mas não precisamos ter tanta certeza
    sobre coisas que não entendemos.
  • 14:09 - 14:10
    Claro,
  • 14:10 - 14:14
    precisamos nos posicionar sobre questões
    sobre as quais não sabemos tudo,
  • 14:14 - 14:18
    e se tivermos boa fontes de conhecimento
    em nossas comunidades
  • 14:18 - 14:20
    e uma cultura que valorize a verdade,
  • 14:20 - 14:22
    vamos acertar mais do que errar.
  • 14:23 - 14:28
    Mas quando vivemos achando que sabemos
    tudo individualmente, sozinhos,
  • 14:29 - 14:33
    isso pode levar a uma visão
    distorcida e simplista do mundo:
  • 14:33 - 14:38
    "Meu ponto de vista é perfeito.
    O seu ponto de vista é loucura, é ruim".
  • 14:38 - 14:39
    Na realidade,
  • 14:40 - 14:42
    a maioria das questões são complicadas
  • 14:42 - 14:45
    e a maioria das pessoas
    têm boas intenções.
  • 14:46 - 14:48
    Certo, agora as más notícias:
  • 14:48 - 14:51
    não é possível erradicar
    as falsas crenças.
  • 14:53 - 14:55
    Elas fazem parte do nosso modo de pensar.
  • 14:56 - 15:00
    O que podemos fazer é praticar
    um pouco mais a humildade intelectual,
  • 15:01 - 15:03
    abrir nossa mente para a possibilidade
  • 15:03 - 15:10
    de que algumas dessas falsas crenças
    talvez venham da nossa própria comunidade.
  • 15:11 - 15:14
    Temos uma enorme oportunidade,
  • 15:14 - 15:18
    uma oportunidade de melhorar
    a qualidade do nosso discurso,
  • 15:19 - 15:22
    reconhecendo os limites
    da nossa compreensão
  • 15:22 - 15:24
    e reconhecendo
  • 15:24 - 15:30
    o quanto daquilo em que acreditamos
    depende das pessoas ao nosso redor.
  • 15:31 - 15:32
    Obrigado.
  • 15:32 - 15:34
    (Aplausos)
Title:
Por que acreditamos em coisas que não são verdade? | Philip Fernbach | TEDxMileHigh
Description:

É como se estivéssemos vivendo uma epidemia de falsas crenças. É óbvio que o outro não tem o conhecimento de todos os fatos, não é mesmo? Mas será que o outro é mesmo tão tolo? Nesta palestra hilária e fascinante, o cientista cognitivo Philip Fernbach abre as camadas daquilo que realmente sabemos e revela algumas verdades surpreendentes a respeito da mente humana.

Philip Fernbach cientista cognitivo e professor da Escola de Administração Leeds, na Universidade do Colorado, em Boulder. Philip é coautor de "The Knowledge Illusion: Why We Never Think Alone," e o foco de sua pesquisa é por que achamos que sabemos mais do que de fato sabemos, e as implicações que isso traz às pessoas e à sociedade. Ele mora em Boulder com sua esposa e seus dois filhos. Em seu tempo livre, ele toca "bluegrass" e joga hóquei no gelo.

Esta palestra foi dada em um evento TEDx, que usa o formato de conferência TED, mas é organizado de forma independente por uma comunidade local. Para saber mais visite http://ted.com/tedx

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDxTalks
Duration:
15:51

Portuguese, Brazilian subtitles

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