Por que acreditamos em coisas que não são verdade? | Philip Fernbach | TEDxMileHigh
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0:13 - 0:15Alguns meses atrás,
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0:15 - 0:20a internet surtou quando um rapper
chamado Bobby Ray Simmons, -
0:20 - 0:22também conhecido como B.o.B,
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0:22 - 0:27começou a publicar no Twitter as razões
pelas quais achava que a Terra era plana. -
0:28 - 0:29(Risos)
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0:30 - 0:32Bom, a história realmente bombou
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0:33 - 0:37quando o astrofísico Neil deGrasse Tyson
começou a responder aos tuítes dele, -
0:37 - 0:39explicando suas supostas incoerências.
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0:39 - 0:41Mas adivinhem?
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0:41 - 0:44B.o.B foi irredutível.
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0:44 - 0:46(Risos)
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0:47 - 0:48Ele não mudou de ideia.
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0:49 - 0:53Acontece que B.o.B não é o único.
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0:54 - 0:58Acreditem vocês ou não,
existe uma sociedade da Terra plana, -
0:59 - 1:02surgida originalmente no século 17.
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1:03 - 1:06A lógica deles é incrível.
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1:07 - 1:11"Nós operamos as armas
contra a opressão ao pensamento -
1:11 - 1:14e contra as mentiras globularistas
de uma nova era." -
1:14 - 1:15(Risos)
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1:15 - 1:18Quando li isso a primeira vez,
entendi "mentiras globalistas", -
1:18 - 1:21mas na verdade é "globularistas",
-
1:21 - 1:25tipo aqueles caras malucos
que acham que a Terra é redonda. -
1:25 - 1:26(Risos)
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1:27 - 1:29"Em defesa da razão,
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1:29 - 1:32oferecemos um lar para aqueles
pensadores rebeldes -
1:32 - 1:35que seguem marchando bravamente,
com a razão e a verdade, -
1:35 - 1:40reconhecendo o verdadeiro
formato da Terra." -
1:40 - 1:42Plana!
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1:42 - 1:43(Risos)
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1:43 - 1:45Não é brincadeira.
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1:46 - 1:49B.o.B. e os terraplanistas realmente
acreditam que a Terra seja plana, -
1:49 - 1:51apesar de todas as evidências contrárias.
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1:52 - 1:55Bem, por que estou mostrando isso a vocês?
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1:55 - 1:59Porque a reação natural de vocês
a essa história é errada! -
1:59 - 2:03Nosso primeiro instinto é rir
dos terraplanistas -
2:03 - 2:06e presumir que eles são
totalmente tontos e malucos, -
2:06 - 2:10só que, na verdade, eles não são
tão diferentes de mim ou de vocês. -
2:11 - 2:14Por sermos seres humanos,
crer em coisas falsas é um direito inato. -
2:14 - 2:17É um dos princípios fundamentais
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2:17 - 2:21que pautam a forma como nossa mente
funciona e armazena conhecimento. -
2:21 - 2:22Pensem no quanto é comum
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2:22 - 2:26que grupos de pessoas acreditem em coisas
que simplesmente não são verdade. -
2:26 - 2:31Neste exato momento,
parecemos estar no meio de uma epidemia. -
2:31 - 2:34A explosão das "fake news",
ou notícias falsas, -
2:34 - 2:37mostra como é fácil enganar
pessoas da esquerda e da direita, -
2:37 - 2:39e a negação da ciência virou moda.
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2:40 - 2:42Parcelas significativas da população
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2:42 - 2:45mantêm crenças contrárias
ao consenso científico -
2:45 - 2:49no que diz respeito a questões
como vacinação, aquecimento global -
2:49 - 2:52e a segurança de alimentos
geneticamente modificados. -
2:52 - 2:55Certas ações públicas sobre essas
questões literalmente determinam -
2:55 - 2:58se podemos nos alimentar,
se podemos criar filhos saudáveis -
2:58 - 3:01ou se podemos evitar
um desastre climático. -
3:01 - 3:03Há muita coisa em jogo aqui,
-
3:03 - 3:05e por isso simplesmente não é suficiente
-
3:05 - 3:08vincularmos tudo isso
à loucura e à estupidez. -
3:08 - 3:12Explicações simplistas como essa
não nos levam a lugar algum. -
3:12 - 3:15Se quisermos realmente melhorar
nossa forma de encarar esses desafios, -
3:15 - 3:17precisamos ir mais fundo,
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3:17 - 3:20precisamos entender o que há
na forma como pensamos -
3:20 - 3:24que nos torna tão suscetíveis a acreditar
em coisas que não são verdade. -
3:24 - 3:30Essa explicação na verdade começa
com uma observação meio que chocante. -
3:32 - 3:33Enquanto indivíduos,
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3:34 - 3:39não sabemos o bastante pra justificarmos
quase tudo em que acreditamos. -
3:40 - 3:42Eu sei que pode parecer loucura pra vocês,
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3:42 - 3:45mas vamos considerar
dois fatos bastante óbvios. -
3:45 - 3:48Todos acreditamos
que a Terra gira em torno do Sol. -
3:48 - 3:51Claro que sim, pois esse é o fato
mais óbvio do mundo. -
3:51 - 3:53Mas com base em quê?
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3:53 - 3:57Vocês sabem explicar as análises
astronômicas que apoiam essa crença? -
3:57 - 3:59Eu com certeza não sei.
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4:00 - 4:01E quanto ao fumo?
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4:01 - 4:04Todos sabemos que ele faz muito mal, não?
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4:04 - 4:06Mas o que há na fumaça
do cigarro que nos faz mal? -
4:06 - 4:09E o que ela causa ao nosso corpo
e às nossas células? -
4:09 - 4:12O que é o câncer, na verdade?
Como é que ele surge? -
4:13 - 4:16Esses não são os únicos exemplos.
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4:16 - 4:20Muito daquilo em que acreditamos
não se baseia no que está em nossa mente, -
4:21 - 4:23e há uma boa razão para isso.
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4:23 - 4:25Não temos muita coisa em nossa mente!
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4:25 - 4:27(Risos)
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4:27 - 4:29Enquanto seres humanos,
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4:29 - 4:33simplesmente não somos programados
para armazenar muita informação detalhada. -
4:34 - 4:39Na década de 1980, um psicólogo
chamado Thomas Landauer tentou estimar -
4:39 - 4:42o tamanho da base de conhecimento
de um indivíduo em bytes, -
4:42 - 4:46a mesma unidade usada para mensurar
memórias de computador. -
4:46 - 4:50Uma das abordagens dele foi analisar
o resultado de experimentos de memória -
4:50 - 4:54pedindo às pessoas para memorizarem
imagens, palavras, trechos de música, -
4:54 - 4:57e depois realizando testes
para ver se elas se lembravam. -
4:57 - 5:02Com base nos dados, ele conseguiu estimar
nosso grau de absorção de conhecimento -
5:02 - 5:06e também a rapidez com que
nos esquecemos do que aprendemos. -
5:06 - 5:10Depois, ele expandiu a pesquisa
para uma expectativa de vida de 70 anos. -
5:10 - 5:13Então, qual é o seu grau de conhecimento?
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5:14 - 5:16Segundo a estimativa de Landauer:
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5:16 - 5:181 gigabyte.
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5:19 - 5:20(Risos)
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5:21 - 5:24Acho esse resultado incrível;
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5:24 - 5:26impressionante, na verdade.
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5:26 - 5:28Um gigabyte é muito pouco!
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5:29 - 5:30Em comparação,
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5:30 - 5:35podemos comprar um pen drive
na Amazon.com, por menos de US$ 18, -
5:35 - 5:38com 64 gigabytes.
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5:38 - 5:40(Risos)
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5:40 - 5:44Bom, agora, alguns de vocês
devem estar um pouco assustados, -
5:44 - 5:46sentindo-se um pouco preocupados.
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5:46 - 5:50Afinal, todos achamos
que a coisa mais importante do mundo -
5:50 - 5:53é saber muito e ter uma ótima memória.
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5:53 - 5:56Na verdade, isso é um equívoco.
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5:56 - 5:58Não precisamos saber muito
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5:58 - 6:01porque não somos programados
pra pensarmos sozinhos. -
6:02 - 6:06É natural acharmos que o pensamento
é aquilo que ocorre entre nossas orelhas, -
6:06 - 6:09mas não é aí que a mágica
realmente acontece. -
6:09 - 6:14O vídeo a seguir é de um psicólogo
chamado Michael Tomasello -
6:14 - 6:16e seus colegas.
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6:16 - 6:20Eles estudam as habilidades
cognitivas de crianças -
6:20 - 6:23em comparação com animais,
como os chimpanzés. -
6:24 - 6:28O objetivo é entender
o que de fato nos torna especiais, -
6:28 - 6:33em quais habilidades
superamos os outros animais. -
6:33 - 6:37Dá pra ver como esse menininho rapidamente
entende a intenção do pesquisador -
6:37 - 6:41e acha uma forma de focar
e cumprir um objetivo. -
6:41 - 6:43(Risos)
-
6:43 - 6:47Ele até faz contato visual no final,
como se dissesse: "Eu te ajudei, cara!" -
6:47 - 6:48(Risos)
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6:48 - 6:51Isso é algo tão natural pra nós
que parece sem importância, -
6:51 - 6:54mas na verdade é extremamente difícil
-
6:54 - 6:58criar um sistema cognitivo
com capacidade de colaboração. -
6:58 - 7:00Esse é o segredo do nosso sucesso,
-
7:00 - 7:04o que nos distingue de todas
as demais criaturas pensantes. -
7:04 - 7:08Os chimpanzés com frequência
falham em tarefas -
7:08 - 7:11que requerem compartilhamento
de conhecimento e trabalho em equipe, -
7:11 - 7:16tarefas que crianças pequenas
realizam com facilidade. -
7:16 - 7:18Bem, pra mim,
-
7:20 - 7:22essa percepção foi superesclarecedora.
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7:22 - 7:26Mudou realmente minha compreensão
sobre a natureza da mente. -
7:26 - 7:28Sou um cientista cognitivo.
-
7:29 - 7:34Eu estudo como indivíduos tomam decisões
ou solucionam problemas quando sozinhos. -
7:35 - 7:38Mas o pensamento é um processo social.
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7:38 - 7:40Em vez de acontecer dentro da nossa mente,
-
7:40 - 7:44ele surge das nossas interações
com os outros ao nosso redor. -
7:45 - 7:49Somos mais parecidos
com as abelhas do que imaginamos. -
7:49 - 7:52Nas colmeias, existe um conjunto
extremamente complexo de comportamentos -
7:52 - 7:57realizado apesar de nenhuma abelha
ser responsável pelo todo sozinha. -
7:57 - 7:59Elas coletam e estocam alimentos,
-
7:59 - 8:01protegem a colmeia de invasores,
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8:01 - 8:03introduzem diversidade genética.
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8:03 - 8:05O segredo é a especialização:
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8:05 - 8:09cada indivíduo faz sua pequena parte,
e daí surge a complexidade. -
8:10 - 8:12O mesmo ocorre com as pessoas.
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8:12 - 8:15Sozinhos, não sabemos tanto,
-
8:15 - 8:17nem precisamos saber.
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8:17 - 8:20Cada um de nós temos
nossa própria fatia de conhecimento, -
8:20 - 8:24e nossas mentes são programadas
pra colaborar e compartilhar conhecimento, -
8:24 - 8:28o que nos permite alcançarmos
objetivos extremamente complexos, -
8:28 - 8:32embora nenhum de nós detenha,
sozinho, o conhecimento de tudo. -
8:33 - 8:35Essa é a Catedral de Milão.
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8:36 - 8:39É uma das obras-primas da humanidade.
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8:40 - 8:43Sua construção teve início em 1386
-
8:43 - 8:49e a fachada foi concluída, imaginem só,
na era de Napoleão, no século 17. -
8:50 - 8:53As catedrais sempre têm
detalhes a serem concluídos depois, -
8:53 - 8:55como nas reformas que fazemos em casa.
-
8:56 - 8:59Os detalhes dessa catedral
foram concluídos -
8:59 - 9:03quando eles benzeram
o último portão na década de 1960. -
9:03 - 9:05Seiscentos anos.
-
9:05 - 9:06Nesse período,
-
9:06 - 9:11houve 75 engenheiros-chefes
responsáveis pelo projeto, -
9:11 - 9:14além de milhares de milhares
de pessoas envolvidas na construção. -
9:14 - 9:19Nenhuma dessas pessoas tinha nem de longe
o conhecimento total da obra, -
9:19 - 9:20nem de perto.
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9:21 - 9:23Tudo de grandioso que realizamos
enquanto humanos -
9:23 - 9:27depende da nossa capacidade
de compartilhar conhecimento e colaborar. -
9:28 - 9:32Esse é o lado positivo da história
do compartilhamento de conhecimento. -
9:32 - 9:36Quando juntamos nossos conhecimentos,
podemos realizar coisas incríveis. -
9:37 - 9:39Mas também existe um lado negativo.
-
9:40 - 9:45Como somos tão perfeitamente programados
pra nos valermos do conhecimento alheio, -
9:45 - 9:50geralmente não percebemos os limites
do nosso próprio conhecimento. -
9:50 - 9:54Vou mostrar um estudo realizado
pelo meu colega Steven Sloman. -
9:55 - 9:59Ele contou aos participantes do estudo
sobre descobertas científicas -
9:59 - 10:01que ele inventou.
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10:01 - 10:03Por exemplo, pedras que brilham.
-
10:04 - 10:06Ele disse a um grupo
-
10:06 - 10:10que os cientistas ainda não haviam
descoberto por que as pedras brilhavam, -
10:10 - 10:13e aí perguntou: "O que
vocês sabem a respeito?" -
10:13 - 10:16Como era de se esperar,
o grupo respondeu que não fazia ideia! -
10:16 - 10:20Faz todo sentido essa resposta,
já que não sabiam nada sobre as pedras. -
10:20 - 10:22O resultado mais surpreendente
-
10:22 - 10:25foi quando ele contou a outro grupo
sobre a mesma suposta descoberta, -
10:25 - 10:27mas dessa vez ele disse
-
10:27 - 10:30que os cientistas haviam explicado
por que as pedras brilhavam. -
10:30 - 10:36Os participantes dessa vez afirmaram
saber um pouco mais sobre as pedras, -
10:36 - 10:37o que é um pouco estranho
-
10:37 - 10:40porque, tal como o grupo anterior,
eles não sabiam nada sobre as pedras. -
10:40 - 10:44Foi como se o conhecimento dos cientistas
tivesse sido transmitido a eles, -
10:44 - 10:47mesmo que essa descoberta
jamais tivesse ocorrido. -
10:47 - 10:52Algo semelhante ocorre
quando navegamos na internet. -
10:52 - 10:55Só pelo fato de termos
acesso a tanta informação, -
10:55 - 10:58nós nos sentimos como se soubéssemos
muito mais do que sabemos. -
10:59 - 11:03Essa sensação de saber muito é contagiosa.
-
11:03 - 11:05(Risos)
-
11:05 - 11:10Quando juntamos essa sensação contagiosa
com a ignorância individual, -
11:10 - 11:12o resultado pode ser nocivo.
-
11:12 - 11:14(Risos)
-
11:15 - 11:18O problema é que posso
acreditar piamente em algo -
11:18 - 11:20só porque acho
que entendo sobre o assunto, -
11:20 - 11:22mas minha sensação de saber
sobre o assunto é falsa. -
11:22 - 11:24Ela vem das pessoas ao meu redor
-
11:24 - 11:28que acreditam piamente naquilo
só porque acham que entendem bem. -
11:29 - 11:33Mas essa sensação de saber vem das pessoas
ao redor delas e assim por diante. -
11:33 - 11:38Sozinhos, nenhum de nós sabe o suficiente
para dizer o que é verdadeiro ou falso. -
11:38 - 11:42Ainda assim, por acharmos
que estamos absolutamente certos, -
11:42 - 11:44não nos preocupamos muito em ter certeza,
-
11:44 - 11:49e é assim que diversos grupos de pessoas
acabam acreditando em coisas -
11:49 - 11:51que não são verdade.
-
11:51 - 11:57Podemos construir catedrais,
mas também castelos de areia. -
11:59 - 12:03A verdadeira tragédia está
na forma como lidamos com pessoas -
12:03 - 12:05que têm opinião diferente da nossa.
-
12:05 - 12:07Vivemos na ilusão
-
12:07 - 12:11de que chegamos às nossas opiniões
através de uma análise criteriosa -
12:11 - 12:15e que podemos apoiar e justificar nosso
ponto de vista com base no que sabemos. -
12:15 - 12:18Portanto, quando alguém não acredita
naquilo em que acreditamos, -
12:18 - 12:20é óbvio qual é o problema:
-
12:20 - 12:23"Fulano é tonto demais
pra enxergar a verdade!" -
12:23 - 12:24(Risos)
-
12:24 - 12:27E de certa forma você está certo
quando pensa assim. -
12:27 - 12:28É verdade!
-
12:28 - 12:31Essa pessoa não chegou a opinião que tem
-
12:31 - 12:34através de um processo racional
de avaliação de evidências -
12:34 - 12:37e não entende a questão com profundidade.
-
12:37 - 12:39Mas você também não!
-
12:39 - 12:41(Risos)
-
12:41 - 12:44Basta ver como pensamos sobre questões
complexas como a assistência à saúde. -
12:44 - 12:46Se você for um liberal,
-
12:46 - 12:49a lei americana de cuidado
ao paciente é maravilhosa. -
12:49 - 12:54Se você for um conservador:
"Ela está destruindo os EUA". -
12:54 - 12:55Mas, na maioria das vezes,
-
12:55 - 12:59as discussões sobre o mérito dessa medida
se resumem praticamente -
12:59 - 13:03a repetições daquilo
que ouvimos alguém contar. -
13:03 - 13:04Como não especialistas,
-
13:04 - 13:09não há como entendermos toda
a complexidade de uma questão como essa. -
13:09 - 13:11Ao expressarmos nosso ponto de vista,
-
13:11 - 13:16estamos todos canalizando
nossas comunidades de conhecimento. -
13:16 - 13:17É isso que fazemos.
-
13:18 - 13:21O conhecimento não está na minha mente,
nem está na sua mente. -
13:21 - 13:23O conhecimento é compartilhado
-
13:23 - 13:26e, portanto, as coisas com as quais
você realmente se importa, -
13:26 - 13:28essas coisas são compartilhadas também.
-
13:28 - 13:34Bem, a conclusão com certeza não é
que as pessoas sejam tontas. -
13:35 - 13:38É verdade que todos somos ignorantes,
-
13:38 - 13:40mas isso não é algo de que
devemos nos envergonhar. -
13:40 - 13:45O mundo é complexo demais
pra que entendamos muito sobre ele. -
13:45 - 13:47O que nos torna especiais
-
13:47 - 13:50é a capacidade de prosperarmos
em meio a essa complexidade, -
13:50 - 13:51compartilhando conhecimento.
-
13:51 - 13:57Da nossa ignorância individual
pode surgir o potencial coletivo. -
13:57 - 14:02A ignorância é um traço essencial
da mente humana, não um defeito, -
14:04 - 14:08mas não precisamos ter tanta certeza
sobre coisas que não entendemos. -
14:09 - 14:10Claro,
-
14:10 - 14:14precisamos nos posicionar sobre questões
sobre as quais não sabemos tudo, -
14:14 - 14:18e se tivermos boa fontes de conhecimento
em nossas comunidades -
14:18 - 14:20e uma cultura que valorize a verdade,
-
14:20 - 14:22vamos acertar mais do que errar.
-
14:23 - 14:28Mas quando vivemos achando que sabemos
tudo individualmente, sozinhos, -
14:29 - 14:33isso pode levar a uma visão
distorcida e simplista do mundo: -
14:33 - 14:38"Meu ponto de vista é perfeito.
O seu ponto de vista é loucura, é ruim". -
14:38 - 14:39Na realidade,
-
14:40 - 14:42a maioria das questões são complicadas
-
14:42 - 14:45e a maioria das pessoas
têm boas intenções. -
14:46 - 14:48Certo, agora as más notícias:
-
14:48 - 14:51não é possível erradicar
as falsas crenças. -
14:53 - 14:55Elas fazem parte do nosso modo de pensar.
-
14:56 - 15:00O que podemos fazer é praticar
um pouco mais a humildade intelectual, -
15:01 - 15:03abrir nossa mente para a possibilidade
-
15:03 - 15:10de que algumas dessas falsas crenças
talvez venham da nossa própria comunidade. -
15:11 - 15:14Temos uma enorme oportunidade,
-
15:14 - 15:18uma oportunidade de melhorar
a qualidade do nosso discurso, -
15:19 - 15:22reconhecendo os limites
da nossa compreensão -
15:22 - 15:24e reconhecendo
-
15:24 - 15:30o quanto daquilo em que acreditamos
depende das pessoas ao nosso redor. -
15:31 - 15:32Obrigado.
-
15:32 - 15:34(Aplausos)
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- Por que acreditamos em coisas que não são verdade? | Philip Fernbach | TEDxMileHigh
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É como se estivéssemos vivendo uma epidemia de falsas crenças. É óbvio que o outro não tem o conhecimento de todos os fatos, não é mesmo? Mas será que o outro é mesmo tão tolo? Nesta palestra hilária e fascinante, o cientista cognitivo Philip Fernbach abre as camadas daquilo que realmente sabemos e revela algumas verdades surpreendentes a respeito da mente humana.
Philip Fernbach cientista cognitivo e professor da Escola de Administração Leeds, na Universidade do Colorado, em Boulder. Philip é coautor de "The Knowledge Illusion: Why We Never Think Alone," e o foco de sua pesquisa é por que achamos que sabemos mais do que de fato sabemos, e as implicações que isso traz às pessoas e à sociedade. Ele mora em Boulder com sua esposa e seus dois filhos. Em seu tempo livre, ele toca "bluegrass" e joga hóquei no gelo.
Esta palestra foi dada em um evento TEDx, que usa o formato de conferência TED, mas é organizado de forma independente por uma comunidade local. Para saber mais visite http://ted.com/tedx - Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDxTalks
- Duration:
- 15:51
