Uma teoria darwiniana de beleza
-
0:01 - 0:04Estou muito contente por estar aqui
-
0:04 - 0:06e vir falar de um assunto
que me é muito querido, -
0:06 - 0:08que é a beleza.
-
0:08 - 0:11Na verdade, eu trabalho
com a filosofia da arte e a estética. -
0:11 - 0:13para ganhar a vida.
-
0:13 - 0:16Tento perceber intelectual,
-
0:16 - 0:18filosófica e psicologicamente
-
0:18 - 0:21o que é a experiência de beleza,
-
0:21 - 0:23o que, sensatamente,
se pode dizer sobre ela -
0:23 - 0:27e como as pessoas se comportam
estranhamente ao tentar compreendê-la. -
0:27 - 0:30Este é um assunto extremamente complicado,
-
0:30 - 0:33em parte, porque as coisas
a que chamamos belas -
0:33 - 0:34são tão diferentes.
-
0:34 - 0:37Quero dizer,
pensem só na enorme variedade -
0:37 - 0:39— a cara de um bebé,
-
0:39 - 0:41a sinfonia "Harold en Italie" de Berlioz,
-
0:41 - 0:43filmes como "O Feiticeiro de Oz",
-
0:43 - 0:44ou as peças de Chekhov,
-
0:44 - 0:47as paisagens da Califórnia central,
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0:47 - 0:49a vista do monte Fuji de Hokusai,
-
0:49 - 0:51"Der Rosenkavalier",
-
0:51 - 0:53um fantástico golo que dá a vitória
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0:53 - 0:55num jogo do Campeonato mundial,
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0:55 - 0:57"A Noite Estrelada" de van Gogh
-
0:57 - 0:59um romance de Jane Austen,
-
0:59 - 1:02o Fred Astaire a dançar no ecrã.
-
1:02 - 1:05Esta breve lista inclui seres humanos,
-
1:05 - 1:07paisagens naturais,
-
1:07 - 1:10obras de arte e hábeis ações humanas.
-
1:11 - 1:14Uma descrição que explique
a presença de beleza -
1:14 - 1:17em todas as coisas nesta lista
não vai ser fácil. -
1:17 - 1:20Contudo, posso, pelo menos,
dar-vos um perfume -
1:20 - 1:23daquilo que considero
-
1:23 - 1:26a teoria de beleza mais eficaz
que temos até hoje. -
1:26 - 1:29Ela vem, não de um filósofo de arte,
-
1:29 - 1:31não de um teórico de arte pós-moderno
-
1:31 - 1:33ou de um importante crítico de arte.
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1:33 - 1:36Não, esta teoria vem de um perito
-
1:36 - 1:40em percevejos, minhocas
e criação de pombos. -
1:43 - 1:45Vocês sabem a quem me refiro
-
1:45 - 1:47— Charles Darwin.
-
1:47 - 1:51Claro que, muitas pessoas
acham que já sabem -
1:51 - 1:53a resposta adequada à pergunta:
-
1:53 - 1:55"O que é a beleza?"
-
1:56 - 1:58"Está nos olhos de quem a vê."
-
1:58 - 2:01"É o que quer que seja
que nos comove pessoalmente". -
2:01 - 2:03Ou, como algumas pessoas preferem
-
2:03 - 2:04— especialmente os académicos —
-
2:04 - 2:08"a beleza está nos olhos
culturalmente condicionados -
2:08 - 2:09"de quem a vê".
-
2:09 - 2:12As pessoas concordam
que pinturas ou filmes ou música -
2:12 - 2:14são belos
-
2:14 - 2:18porque as suas culturas determinam
uma uniformidade do gosto estético. -
2:18 - 2:21O gosto tanto pela beleza natural
como pelas artes -
2:21 - 2:25viaja através de culturas
com grande facilidade. -
2:25 - 2:28Beethoven é adorado no Japão.
-
2:28 - 2:31Os peruanos adoram xilogravuras japonesas.
-
2:31 - 2:35As esculturas incas são consideradas
tesouros, nos museus britânicos, -
2:35 - 2:37enquanto Shakespeare está traduzido
-
2:37 - 2:39em todas as principais línguas do mundo.
-
2:40 - 2:43Pensem simplesmente no jazz
ou nos filmes americanos -
2:43 - 2:46eles chegam a todo o lado.
-
2:46 - 2:48Há muitas diferenças entre as artes,
-
2:48 - 2:51mas também há prazeres
e valores estéticos -
2:51 - 2:54que são universais e transculturais.
-
2:55 - 2:59Como podemos explicar
esta universalidade? -
3:00 - 3:03A melhor resposta encontra-se
ao tentarmos reconstruir -
3:03 - 3:06a história evolutiva darwiniana
-
3:06 - 3:08dos nossos gostos estéticos e artísticos.
-
3:08 - 3:10Temos de desconstruir
-
3:10 - 3:13os nossos gostos e preferências artísticos
-
3:13 - 3:17e explicar como se fixaram
no nosso espírito. -
3:18 - 3:21Através das ações
dos nossos ambientes pré-históricos, -
3:21 - 3:23principalmente pleistocénicos,
-
3:23 - 3:26onde nos tornámos completamente humanos,
-
3:26 - 3:29mas também pelas situações sociais
em que evoluímos. -
3:29 - 3:34Esta desconstrução
também pode ser ajudada -
3:34 - 3:38pelos registos humanos
preservados desde a pré-história. -
3:38 - 3:41Refiro-me a fósseis, pinturas
nas cavernas e por aí fora. -
3:41 - 3:43E deverá ter em atenção
-
3:43 - 3:45o que sabemos dos interesses estéticos
-
3:45 - 3:48dos grupos isolados
de caçadores-recoletores -
3:48 - 3:52que sobreviveram até aos séculos XIX e XX.
-
3:52 - 3:56Agora, pessoalmente,
eu não tenho qualquer dúvida -
3:56 - 3:58de que a experiência de beleza,
-
3:58 - 4:01com a sua intensidade e prazer emocionais,
-
4:01 - 4:04pertence à nossa psicologia
humana evoluída. -
4:05 - 4:08A experiência de beleza é um componente
-
4:08 - 4:11numa série de adaptações darwinianas.
-
4:12 - 4:14A beleza é um resultado adaptativo,
-
4:14 - 4:18que prolongamos e intensificamos
-
4:18 - 4:21através da criação e do usufruto
-
4:21 - 4:24de obras de arte e de entretenimento.
-
4:25 - 4:27Como muitos saberão,
-
4:27 - 4:30a evolução atua através
de dois mecanismos principais. -
4:30 - 4:33O primeiro destes é a seleção natural,
-
4:33 - 4:36ou seja, mutações aleatórias
e retenção seletiva -
4:36 - 4:39— juntamente com a nossa anatomia
e fisiologia básicas -- -
4:39 - 4:42a evolução do pâncreas
ou dos olhos ou das unhas. -
4:42 - 4:46A seleção natural também explica
muitas repulsões básicas -
4:46 - 4:49como o cheiro horrível
de carne apodrecida -
4:49 - 4:51ou os medos, como o medo de cobras
-
4:51 - 4:54ou de estar à beira de um precipício.
-
4:55 - 4:57A seleção natural também explica prazeres
-
4:58 - 5:00— o prazer sexual —
-
5:00 - 5:03o nosso gosto por doces,
gorduras e proteínas, -
5:03 - 5:06o que, por sua vez, explica
muitas comidas populares -
5:06 - 5:09desde fruta madura,
malte de chocolate -
5:09 - 5:11até costeletas grelhadas.
-
5:11 - 5:15O outro grande princípio da evolução
é a seleção sexual, -
5:15 - 5:17e atua de forma muito diferente.
-
5:18 - 5:23A cauda magnífica do pavão
é o exemplo mais famoso. -
5:24 - 5:27Não evoluiu para a sobrevivência natural.
-
5:27 - 5:30De facto, vai contra
a sobrevivência natural. -
5:30 - 5:33Não, a cauda do pavão resulta
das escolhas de acasalamento -
5:33 - 5:36feitas pelas pavoas.
-
5:36 - 5:38É uma história muito familiar.
-
5:38 - 5:41São as mulheres
que fazem avançar a história. -
5:41 - 5:43O próprio Darwin, já agora,
-
5:43 - 5:46não tinha dúvidas de que a cauda do pavão
-
5:46 - 5:48representava a beleza aos olhos da pavoa.
-
5:48 - 5:50Ele usou mesmo essa palavra.
-
5:50 - 5:53Agora, mantendo essas ideias presentes,
-
5:54 - 5:56podemos dizer que a experiência de beleza
-
5:56 - 6:01é uma das formas que a evolução tem
de suscitar e manter -
6:01 - 6:05o interesse ou fascínio
ou até a obsessão -
6:05 - 6:07de forma a encorajar-nos
-
6:07 - 6:10a tomar as decisões mais adaptativas
-
6:10 - 6:13para a sobrevivência e reprodução.
-
6:14 - 6:19A beleza é a forma de a Natureza
atuar à distância, -
6:20 - 6:21por assim dizer.
-
6:22 - 6:23Quero dizer, não podemos esperar comer
-
6:23 - 6:26uma paisagem adaptativamente benéfica.
-
6:26 - 6:29Seria difícil comer o nosso filho
ou o nosso companheiro. -
6:29 - 6:33Por isso o truque da evolução
é torná-los belos, -
6:33 - 6:36para que exerçam
uma forma de magnetismo -
6:36 - 6:40que nos dê prazer simplesmente
por olharmos para eles. -
6:40 - 6:44Considerem por momentos
a importante fonte de prazer estético, -
6:44 - 6:47a atração magnética
de belas paisagens. -
6:48 - 6:51Pessoas de culturas muito diferentes,
em todo o mundo, -
6:51 - 6:55têm tendência para gostar
de um tipo particular de paisagem, -
6:55 - 6:58uma paisagem que parece ser semelhante
-
6:58 - 7:01às savanas do Pleistocénico
onde evoluímos. -
7:01 - 7:05Esta paisagem aparece hoje
em calendários, postais, -
7:05 - 7:08nos projetos de campos de golfe
e de parques públicos -
7:08 - 7:11e em pinturas com molduras douradas
-
7:11 - 7:13que estão penduradas nas salas de estar
-
7:13 - 7:15de Nova Iorque à Nova Zelândia.
-
7:16 - 7:19É um tipo de paisagem do género
da escola do Rio Hudson -
7:19 - 7:22com espaços abertos
de vegetação rasteira -
7:22 - 7:25interrompida por copas de árvores.
-
7:25 - 7:29Já agora, preferimos as árvores
que ramificam perto do chão, -
7:29 - 7:35ou seja, árvores às quais poderíamos trepar
se estivéssemos em perigo. -
7:35 - 7:40A paisagem mostra a presença
de água bem visível, -
7:40 - 7:43ou indícios de água
a uma distância azulada, -
7:43 - 7:46indícios de animais ou de aves
-
7:46 - 7:48assim como vegetação diversa
-
7:48 - 7:51e, finalmente — reparem —
-
7:52 - 7:55um caminho, ou uma estrada,
-
7:56 - 7:59talvez as margens de um rio ou uma praia,
-
7:59 - 8:02que se prolonga à distância,
-
8:02 - 8:05quase que nos convidando a segui-la.
-
8:05 - 8:08Esta paisagem é considerada bela,
-
8:08 - 8:12mesmo por pessoas em países que não a têm.
-
8:13 - 8:16A paisagem de savana ideal
é um dos exemplos mais claros -
8:16 - 8:19de que os seres humanos,
em todo o lado, -
8:19 - 8:22encontram beleza
em experiências visuais semelhantes. -
8:23 - 8:26Mas há quem possa argumentar
que é por ser beleza natural. -
8:27 - 8:29Então e a beleza artística?
-
8:29 - 8:32Não será isso taxativamente cultural?
-
8:32 - 8:35Não, não me parece que seja.
-
8:35 - 8:38Mais uma vez, gostaria
de voltar à pré-história -
8:38 - 8:40para dizer algo sobre isso.
-
8:40 - 8:42É amplamente presumido
-
8:42 - 8:44que as primeiras obras de arte humanas
-
8:44 - 8:47são as espantosas
e hábeis pinturas das cavernas -
8:47 - 8:50que todos conhecemos de Lascaux e Chauvet
-
8:51 - 8:53— as cavernas de Chauvet
-
8:53 - 8:56têm cerca de 32 000 anos —
-
8:56 - 8:58assim como algumas esculturas
pequenas e realistas -
8:58 - 9:01de mulheres e de animais do mesmo período.
-
9:05 - 9:08Mas as aptidões artísticas e decorativas
-
9:08 - 9:11são, na verdade,
muito mais velhas que isso. -
9:11 - 9:13Encontraram-se belos colares de conchas
-
9:13 - 9:16parecidos com os que vemos
em feiras de artesanato, -
9:16 - 9:19assim como tinta corporal da cor ocre,
-
9:20 - 9:22com cerca de 100 000 anos.
-
9:23 - 9:26Mas os artefactos pré-históricos
mais intrigantes -
9:26 - 9:28ainda são mais velhos que isso.
-
9:28 - 9:32Estou a lembrar-me
do biface acheulense. -
9:34 - 9:36Os instrumentos de pedra mais antigos
-
9:36 - 9:39são seixos talhados
da Garganta de Olduvai na África Oriental. -
9:39 - 9:42Remontam a cerca
de dois milhões e meio de anos. -
9:42 - 9:44Estes instrumentos toscos
-
9:44 - 9:46existiram durante milhares de séculos
-
9:46 - 9:49até há cerca de 1,4 milhões de anos
-
9:49 - 9:53quando o Homo erectus
começou a dar forma -
9:53 - 9:55a lâminas finas, de pedra,
-
9:55 - 9:58por vezes com forma oval,
-
9:58 - 10:00mas, frequentemente,
no que parece aos nossos olhos -
10:00 - 10:04com a impressionante forma
de folha pontiaguda simétrica -
10:04 - 10:05ou de lágrima.
-
10:05 - 10:08Estes bifaces acheulenses
-
10:08 - 10:10— assim chamados
por causa de St Acheul, em França, -
10:10 - 10:13onde se encontraram
estes achados no século XIX — -
10:13 - 10:16têm sido desenterrados aos milhares,
-
10:16 - 10:19espalhados pela Ásia, Europa e África,
-
10:19 - 10:21praticamente por todos os sítios
onde deambularam -
10:21 - 10:24o Homo erectus e o Homo ergaster.
-
10:24 - 10:28O elevado número destes bifaces
-
10:28 - 10:31mostra que não podem ter sido feitos
para matar animais. -
10:32 - 10:34E o enredo complica-se
quando nos apercebemos -
10:34 - 10:37que, ao contrário
de outros instrumentos pleistocénicos -
10:37 - 10:39os bifaces frequentemente
-
10:39 - 10:42não apresentam
qualquer indicação de uso -
10:42 - 10:44nas delicadas arestas cortantes.
-
10:44 - 10:46Aliás, alguns deles são demasiado grandes
-
10:46 - 10:48para serem usados
no esquartejamento de animais. -
10:48 - 10:51A sua simetria, os materiais atrativos
-
10:51 - 10:54e, acima de tudo,
a execução meticulosa -
10:54 - 10:57são simplesmente belos
-
10:57 - 11:00aos nossos olhos, mesmo hoje.
-
11:01 - 11:04Então o que eram estes artefactos antigos?
-
11:04 - 11:07Ou seja, são antigos, são estranhos,
-
11:07 - 11:10mas, ao mesmo tempo,
de certa forma, são familiares. -
11:10 - 11:13Para que serviam estes artefactos?
-
11:13 - 11:15A melhor resposta que temos
-
11:15 - 11:19é que eles são, literalmente,
as primeiras obras de arte conhecidas,, -
11:20 - 11:24instrumentos práticos transformados
em objetos estéticos cativantes, -
11:24 - 11:27contemplados tanto pela sua forma elegante
-
11:27 - 11:30como pela habilidade artesanal.
-
11:30 - 11:34Os bifaces mostram o progresso evolutivo
na história humana -
11:34 - 11:36— utensílios talhados para uma função
-
11:36 - 11:39a que os darwinistas chamam
"sinais de aptidão" -
11:39 - 11:43ou seja, exibições que são demonstrações,
-
11:43 - 11:45como a cauda do pavão,
-
11:45 - 11:48exceto que, ao contrário
de cabelo e de penas, -
11:48 - 11:52os bifaces são consciente
e inteligentemente trabalhados. -
11:52 - 11:55Os bifaces competentemente feitos
-
11:55 - 11:58indicam qualidades pessoais desejáveis
-
11:58 - 12:02— inteligência, controlo motor refinado,
-
12:02 - 12:05capacidade de planear
consciência moral -
12:05 - 12:08e, por vezes, acesso a materiais raros.
-
12:08 - 12:11Ao longo de dezenas
de milhares de gerações, -
12:11 - 12:15esta destreza aumentava o estatuto
daqueles que os exibiam -
12:15 - 12:19e estes ganhavam vantagens reprodutivas
sobre os menos capazes. -
12:19 - 12:21Sabem, é a velha insinuação,
-
12:21 - 12:23mas que tem funcionado:
-
12:23 - 12:27"Não queres vir até à minha caverna,
que eu mostro-te os meus bifaces?" -
12:27 - 12:28(Risos)
-
12:28 - 12:31Exceto, claro, que o interessante
-
12:31 - 12:34é que não podemos ter a certeza
de como essa ideia era transmitida, -
12:34 - 12:39porque o Homo erectus
que fez estes objetos -
12:39 - 12:41não tinha linguagem.
-
12:41 - 12:45É difícil de compreender,
mas é um facto incrível. -
12:46 - 12:51Este objeto foi feito
por um antepassado hominídeo -
12:51 - 12:54— o Homo erectus ou Homo ergaster —
-
12:55 - 13:00cerca de 50 000 a 100 000 anos
antes de haver linguagem. -
13:01 - 13:04Prolongando-se
por mais de um milhão de anos -
13:04 - 13:08a tradição dos bifaces
é a tradição artística mais longa -
13:08 - 13:11na história humana e proto-humana.
-
13:11 - 13:14No final da epopeia do biface,
o Homo sapiens -
13:14 - 13:16— assim chamado, finalmente —
-
13:16 - 13:19tentava encontrar, sem dúvida,
-
13:19 - 13:22novas formas de entreter
e de se surpreenderem uns aos outros -
13:22 - 13:24contando, quem sabe, piadas,
-
13:24 - 13:27narração de histórias,
danças ou penteados. -
13:27 - 13:29Sim, penteados — insisto nisso.
-
13:30 - 13:33Para nós, modernos,
a técnica virtuosa -
13:33 - 13:36é usada para criar mundos imaginários
-
13:36 - 13:37em ficção e em filmes,
-
13:37 - 13:40para expressar emoções intensas
-
13:40 - 13:42com música, pintura e dança.
-
13:42 - 13:44Mas, apesar disso,,
-
13:44 - 13:49persiste um traço fundamental
de personalidade ancestral -
13:49 - 13:51nos nossos desejos estéticos:
-
13:51 - 13:55a beleza que encontramos
nas demonstrações de habilidade. -
13:56 - 14:00De Lascaux ao Louvre,
passando pelo Carnegie Hall, -
14:00 - 14:03os seres humanos
têm um gosto inato permanente -
14:03 - 14:07por demonstrações
de virtuosidade artística. -
14:08 - 14:12Encontramos beleza
nas coisas bem feitas. -
14:13 - 14:16Por isso, quando passarem
pela montra de uma joalharia -
14:16 - 14:18onde esteja exposta uma pedra preciosa
-
14:18 - 14:20cortada com a bela forma de uma lágrima,
-
14:20 - 14:23não tenham tanta certeza
de que é a vossa cultura a dizer-vos -
14:23 - 14:26que aquela brilhante joia é bela.
-
14:26 - 14:29Os nossos antepassados longínquos
adoravam aquela forma -
14:29 - 14:32e encontravam beleza na habilidade
necessária para a fazer, -
14:32 - 14:35mesmo antes de poderem
verbalizar a sua adoração. -
14:36 - 14:38Estará a beleza nos olhos
de quem a vê? -
14:38 - 14:41Não, está no fundo
do nosso espírito. -
14:41 - 14:45É um dom, passado
pelas capacidades inteligentes -
14:45 - 14:47e pela vida emocionalmente rica
-
14:47 - 14:49dos nossos antepassados mais longínquos.
-
14:49 - 14:52A nossa forte reação a imagens,
-
14:52 - 14:54à expressão de emoção em arte,
-
14:54 - 14:57à beleza da música, ao céu estrelado
-
14:57 - 15:00estará connosco
e com os nossos descendentes -
15:00 - 15:03enquanto a raça humana existir.
-
15:04 - 15:05Obrigado.
-
15:06 - 15:09(Aplausos)
- Title:
- Uma teoria darwiniana de beleza
- Speaker:
- Denis Dutton
- Description:
-
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O TED colabora com o animador Andrew Park para ilustrar a provocante teoria de Dennis Dutton sobre a beleza — que a arte, a música e outras coisas belas, longe de estarem "nos olhos de quem as vê", são uma parte integral da natureza humana com origens evolutivas profundas.
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 15:13
|
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for A Darwinian theory of beauty | |
|
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for A Darwinian theory of beauty | |
| Inês Pereira added a translation |
