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← A incredulidade de olby Satterwhite | Art21 "New York Close Up"

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Showing Revision 1 created 02/15/2021 by Margarida Ferreira.

  1. Jacob Satterwhite: Quando temos cancro,
    julgamos que vamos morrer.
  2. Com a tecnologia moderna,
    podemos ressuscitar.
  3. Quando eu era miúdo, tive um cancro.
  4. No hospital, representei
    na "Fantasia Final".
  5. Eram as minhas escapadelas
    durante esse profundo período traumático.
  6. Acho que era o meu léxico natural
    enquanto criador.
  7. Talvez eu tenha sido sempre
    cético quanto à minha mortalidade.
  8. Tenho estado a fazer coisas
  9. para poder ver esses objetos
    e provar que ainda aqui estou.
  10. [A incredulidade de Jacolby Satterwhite]
  11. Áudio: Momentos de silêncio.
  12. Inicialmente, fui para os Pioneer Works
    como residente de tecnologia,
  13. para imprimir em 3D os desenhos
    da minha mãe de objetos de consumo.
  14. Os trabalhos da minha mãe
    são como uma subcapa ou uma base.
  15. São basicamente o fundamento
    por onde começo todas as ideias
  16. e como encaro essas ideias no presente.
  17. Áudio: Peço desculpa
  18. ♪ Peço desculpa
    por aquilo que te fiz passar...
  19. JS: Ela fez 150 canções a cappella
  20. que imitavam os êxitos
    tradicionais dos Top 40.
  21. A escrita da música era importante.
  22. Fazia-a no hospital psiquiátrico.
  23. Fazia-a em casa.
  24. ♪ A minha vida era uma loucura
    eu não a compreendia.
  25. JS: Com o Nick Weiss da Teengirl Fantasy.
  26. passámos dois anos a transformar
    estas a capella num registo de dança.
  27. Simultaneamente, eu também fazia visuais,
  28. porque eu queria fazer
    um álbum de realidade virtual.
  29. Sou um milenar viciado
    em Instagram e iPhone.
  30. Debruço-me sobre ele,
    uso-o como material,
  31. e tento torná-lo palpável e comovente
  32. uma coisa parecida com a pele.
  33. É uma coisa livre e espontânea.
  34. De certo modo, é como encontrar
    belas composições nas palavras.
  35. A exposição em Pioneer Works
    corporiza a minha obra por diversos meios
  36. incluindo a escultura, o vídeo,
  37. a representação, e a animação a 3D.
  38. Eu estava a explorar como fazer
    um mundo de escultura num espaço digital.
  39. Há quatro espaços
    que exploram diversos temas
  40. que eu revelei ao longo dos anos:
  41. O desporto.
  42. A parafernália do sonho americano.
  43. O dinheiro.
  44. E as farmacêuticas.
  45. Basicamente, é uma reação
    abstrata a essa cultura.
  46. Faz com que me sinta
    como uma personagem de um videojogo.
  47. Tu podias jogar comigo,
    pôr-me a passear.
  48. como se eu fosse uma terceira pessoa,
    a Lara Croft.
  49. Oh, meu Deus! isto é uma seca.
  50. Se fazemos tudo sozinhos,
  51. não sabemos qual
    o potencial da nossa arte.
  52. O potencial de as grandes ideias
    serem delegadas para uma equipa
  53. que manifesta uma coisa muito maior
    do que a mão individual.
  54. Vir aqui imensas vezes
    e falar com os construtores,
  55. arranjar as peças do puzzle
    que estavam no chão,
  56. às vezes, perdia a paciência.
  57. Envolvia muita introspeção
    e autodescoberta
  58. e muita disciplina.
  59. Trabalhar com as pessoas aqui
    fez-me melhorar um pouco.
  60. Nunca me senti tão entusiasmado
    com todas estas novas possibilidades.
  61. - Estás a falar dos originais?
  62. JS: Estou.
  63. - Oh, é a cor certa.
  64. Nos últimos dez anos da minha carreira,
  65. tenho criado sem limites
  66. usando paletas de todo o tipo.
  67. Desenhei Doubting Thomas
  68. usando-me a mim mesmo
    como modelo de todas as personagens
  69. desde que andei no secundário
  70. que narra a história
    da ressurreição de Jesus
  71. e o ceticismo quanto à sua mortalidade.
  72. A suprema metáfora na peça
    é usar o ritual para vos prender.
  73. Como tocar numa coisa qualquer
    que vos torne céticos
  74. para vos convencer que é real.
  75. Para mim, fazer arte,
    é apenas uma forma de me concentrar
  76. para ver que eu sou real.
  77. ♪ Diz-me como é possível.
  78. ♪ Eu não sei.
  79. ♪ Como é que eu cheguei aqui?
  80. ♪ Diz-me como é possível.
  81. ♪ Eu não sei
  82. ♪ Como é que eu acabei desta forma?
  83. JS: Ter um trabalho público
  84. que circula em galerias e museus
  85. é vulnerável porque estamos
    a tornar-nos em arquivos públicos,
  86. em formas que, provavelmente,
    não serão lisonjeiras no futuro.
  87. É uma representação masoquista,
    no mínimo.
  88. Criar com êxito é a arte
    de estar disposto a ficar embaraçado.
  89. Levei isso a peito.
  90. Meu Deus, eu andei embaraçado
    durante dez anos!
  91. A morte da minha mãe há três anos
    teve um enorme impacto em mim.
  92. Trouxe-me ainda mais ritual.
  93. e fez com que me focasse em temas
    de regeneração, cura e ressurreição.
  94. A arte tornou-se uma forma de escape
  95. para eu redirecionar
    os meus traumas pessoais.
  96. Agora, penso que estou a tentar procurar
  97. qualquer coisa mais presente,
    mais consciente.
  98. Tentar procurar onde será
    agora a minha casa.
  99. Tentar chegar ao âmago de quem sou.
  100. ♪ Iremos para outro lugar
    qualquer dia.
  101. Tradução de Margarida Ferreira.