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← O segredo para nos tornarmos mentalmente fortes | Amy Morin | TEDxOcala

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Showing Revision 20 created 10/13/2019 by Elena Crescia.

  1. Tenho uma amiga no Facebook
    que parece ter uma vida perfeita.
  2. Mora numa casa maravilhosa.
  3. Tem uma carreira muito gratificante.
  4. Viaja com a família
  5. nessas aventuras emocionantes
    nos finais de semana.
  6. Juro que devem levar
    um fotógrafo profissional com eles...
  7. (Risos)
  8. ...porque, aonde quer que vão
    ou o que quer que façam,
  9. a família toda parece
    simplesmente maravilhosa.
  10. Ela está sempre publicando
    na internet sobre como é feliz
  11. e grata pela vida que tem.
  12. Tenho a impressão
    de que ela não diz essas coisas
  13. só para colocar no Facebook,
    mas porque realmente acredita nelas.
  14. Quantos de vocês têm um amigo assim?
  15. E quantos de vocês,
  16. às vezes, não gostam muito dessa pessoa?
  17. (Risos)
  18. Todos fazemos isso, não é?
  19. É difícil não fazer.
  20. Mas esse modo de pensar tem um preço.
  21. É sobre isso que quero falar hoje:
  22. o preço de ter maus hábitos.
  23. Vocês devem ter passado
    pelo "feed" do Facebook e pensado:
  24. "E se eu der uma olhada?
  25. É só um pouquinho.
  26. Que mal há nisso?"
  27. Pesquisadores descobriram
  28. que ter inveja dos amigos do Facebook
  29. leva, na verdade, à depressão.
  30. Essa é apenas uma
    das armadilhas de nossa mente.
  31. Vocês já reclamaram do seu chefe?
  32. Ou observaram a vida
    de seus amigos e pensaram:
  33. "Por que eles têm tanta sorte?"
  34. Não dá para evitar, não é?
  35. Parece não ter importância pensar assim.
  36. Na verdade, pode até nos fazer
    sentir melhor no momento.
  37. Mas esse modo de pensar
    desgasta nossa força mental.
  38. Há três tipos de crenças destrutivas
  39. que nos tornam menos eficazes
    e que roubam nossa força mental.
  40. O primeiro tipo é ter opiniões
    prejudiciais sobre nós mesmos.
  41. Temos a tendência
    de sentir pena de nós mesmos.
  42. Apesar de ser normal ficar triste
    quando algo de ruim acontece,
  43. a autopiedade vai mais longe.
  44. É quando começamos
    a ampliar nossa infelicidade,
  45. quando pensamos em coisas como:
  46. "Por que tem sempre que acontecer comigo?"
  47. "Eu não deveria ter que me ocupar disso."
  48. Esse modo de pensar nos deixa presos,
  49. concentrados no problema,
  50. e nos impede de encontrar uma solução.
  51. Mesmo quando não há solução,
  52. sempre é possível agir para melhorar
    nossa vida ou a de outra pessoa.
  53. Mas não conseguimos fazer isso
  54. quando estamos ocupados
    sentindo pena de nós mesmos.
  55. O segundo tipo de crença
    destrutiva que nos faz mal
  56. são opiniões prejudiciais
    sobre outras pessoas.
  57. Achamos que elas podem nos controlar,
  58. e abdicamos de nosso poder.
  59. Mas, como adultos em um país livre,
  60. há muito poucas coisas na vida
    que somos obrigados a fazer.
  61. Por isso, quando dizemos:
    "Tenho que trabalhar até tarde",
  62. estamos abdicando de nosso poder.
  63. Pode haver consequências
    se não trabalharmos até tarde,
  64. mas mesmo assim é uma escolha.
  65. Ou quando dizemos:
  66. "Minha sogra me deixa louco",
  67. estamos abdicando de nosso poder.
  68. Talvez ela não seja a pessoa
    mais simpática do mundo,
  69. mas somos nós que decidimos como reagir,
    porque estamos no controle.
  70. O terceiro tipo de crença
    prejudicial que nos faz mal,
  71. são as crenças prejudiciais sobre o mundo.
  72. Temos a tendência de achar
    que o mundo nos deve algo.
  73. Pensamos:
  74. "Se eu me esforçar bastante,
    mereço ter sucesso".
  75. Mas esperar que o sucesso caia do céu,
    como uma espécie de recompensa cósmica,
  76. só leva à frustração.
  77. Mas sei que é difícil abrir mão
    de nossos maus hábitos mentais.
  78. É difícil nos livrar
    das crenças prejudiciais
  79. que levamos conosco por tanto tempo.
  80. Mas não podemos nos dar ao luxo
    de não abrir mão delas,
  81. porque, mais cedo ou mais tarde,
    chegará um momento na vida
  82. em que precisaremos de toda
    a força mental possível.
  83. Quando eu tinha 23 anos,
  84. achava que minha vida
    estava toda resolvida.
  85. Eu me formei na faculdade.
  86. Arranjei meu primeiro emprego
    importante como terapeuta.
  87. Eu me casei.
  88. Até comprei uma casa.
  89. Pensei: "Isto vai ser ótimo!
  90. Tive este começo incrível para o sucesso.
  91. O que poderia dar errado?"
  92. Tudo isso mudou para mim certo dia,
  93. quando recebi um telefonema de minha irmã.
  94. Ela disse que nossa mãe
    havia sido encontrada inconsciente
  95. e levada para o hospital.
  96. Meu marido Lincoln e eu entramos
    no carro e corremos para o hospital.
  97. Não podíamos imaginar
    o que havia acontecido.
  98. Minha mãe tinha apenas 51 anos.
  99. Não tinha histórico algum
    de problemas de saúde.
  100. Quando chegamos ao hospital,
  101. os médicos explicaram
    que ela teve um aneurisma cerebral.
  102. Em 24 horas,
  103. minha mãe, que costumava
    acordar de manhã dizendo:
  104. "Que belo dia para estar viva",
  105. faleceu.
  106. Essa notícia foi devastadora para mim.
  107. Minha mãe e eu éramos muito próximas.
  108. Como terapeuta, eu conhecia,
    na teoria, como passar pelo luto.
  109. Mas saber e fazer
    são coisas muito diferentes.
  110. Levei muito tempo até sentir
    que eu estava realmente me curando.
  111. Três anos após a morte de minha mãe,
  112. alguns amigos ligaram
  113. e convidaram Lincoln e eu
    para um jogo de basquete.
  114. Por coincidência,
    o jogo seria no mesmo ginásio
  115. onde vi minha mãe pela última vez,
    na noite anterior ao falecimento dela.
  116. Eu não tinha voltado lá desde então,
  117. nem sequer sabia se queria voltar lá.
  118. Mas conversei com Lincoln a respeito,
    e acabamos concordando:
  119. "Talvez seja uma boa maneira
    de honrar a memória dela".
  120. Fomos ao jogo.
  121. Nós nos divertimos muito
    com nossos amigos.
  122. Naquela noite, voltando para casa,
  123. falamos como havia sido ótimo
    conseguir finalmente voltar àquele local,
  124. e me lembrar de minha mãe com um sorriso,
  125. em vez de todos aqueles
    sentimentos de tristeza.
  126. Mas, pouco depois de chegarmos em casa,
  127. Lincoln disse que não se sentia bem.
  128. Alguns minutos depois, desmaiou.
  129. Tive que chamar uma ambulância.
  130. A família dele me encontrou
    no pronto-socorro.
  131. Esperamos o que pareceu uma eternidade,
  132. até finalmente aparecer um médico.
  133. Mas, em vez de nos levar para ver Lincoln,
  134. ele nos levou a uma sala privada.
  135. Pediu para nos sentarmos,
  136. e explicou que Lincoln,
  137. a pessoa mais aventureira
    que eu já havia conhecido,
  138. havia morrido.
  139. Não sabíamos no momento,
    mas ele teve um ataque cardíaco.
  140. Ele tinha apenas 26 anos.
  141. Não tinha qualquer histórico
    de problemas cardíacos.
  142. Então, lá estava eu,
    uma viúva de 26 anos,
  143. e não tinha minha mãe.
  144. Pensei: "Como vou superar isto?"
  145. Descrever esse período
    como doloroso em minha vida
  146. parece um eufemismo.
  147. Foi durante esse período que percebi
    que, quando passamos por tempos difíceis,
  148. ter bons hábitos não basta.
  149. Basta um ou dois pequenos hábitos
  150. para nos fazer mal.
  151. Eu me esforcei ao máximo,
  152. não só para criar
    bons hábitos em minha vida,
  153. mas para me livrar
    desses pequenos hábitos,
  154. por mais pequenos que pudessem parecer.
  155. Durante tudo isso,
  156. mantive a esperança de que, um dia,
    a vida pudesse melhorar.
  157. E acabou melhorando.
  158. Alguns anos mais tarde, conheci Steve,
  159. e nos apaixonamos.
  160. Eu me casei de novo.
  161. Vendemos a casa em que
    eu havia morado com Lincoln,
  162. e compramos outra, em uma região nova.
  163. Arranjei um novo emprego.
  164. Mas, quase tão rápido
    quanto respirei aliviada
  165. com aquele meu recomeço,
  166. recebemos a notícia de que o pai de Steve
    tinha um câncer terminal.
  167. Comecei a pensar:
  168. "Por que isso tem sempre que acontecer?"
  169. "Por que tenho que perder
    todas as pessoas que amo?"
  170. "Isso não é justo."
  171. Mas, se eu havia aprendido algo,
  172. era que esse modo de pensar me faria mal.
  173. Eu sabia que iria precisar
    de toda a força mental possível
  174. para superar mais uma perda.
  175. Então, eu me sentei e escrevi uma lista
  176. de todas as coisas que as pessoas
    mentalmente fortes não fazem.
  177. E li essa lista toda.
  178. Era um lembrete de todos
    aqueles maus hábitos
  179. que tive em algum momento,
    e que me deixariam presa.
  180. Continuei lendo essa lista várias vezes.
  181. E realmente precisava disso,
  182. porque, algumas semanas
    depois de escrevê-la,
  183. o pai de Steve faleceu.
  184. Minha história me ensinou
    que o segredo para ser mentalmente forte
  185. é largar todos os maus hábitos mentais.
  186. A força mental é muito parecida
    com a força física.
  187. Se quiséssemos ser fisicamente fortes,
  188. precisaríamos ir à academia
    e levantar pesos.
  189. Mas, se quiséssemos mesmo ver resultados,
  190. também teríamos que abrir mão
    de alimentação pouco saudável.
  191. A força mental é idêntica.
  192. Se quisermos ser mentalmente fortes,
  193. precisaremos ter bons hábitos,
    como praticar a gratidão.
  194. Mas também temos que largar maus hábitos,
  195. como ter inveja do sucesso de alguém.
  196. Não importa quantas vezes aconteça,
    isso irá nos fazer mal.
  197. Como treinamos o cérebro
    para pensar de modo diferente?
  198. Como largamos esses maus hábitos mentais
    que levamos conosco?
  199. Começa pelo combate
    às crenças prejudiciais de que falei
  200. com crenças mais saudáveis.
  201. Por exemplo, crenças prejudiciais
    sobre nós mesmos
  202. em geral existem porque não nos sentimos
    à vontade com nossas emoções.
  203. Ficar triste, magoado,
    zangado ou assustado,
  204. tudo isso é desconfortável.
  205. Por isso, nós nos esforçamos muito
    para evitar esse desconforto.
  206. Tentamos escapar dele,
  207. fazendo coisas como sentir
    pena de nós mesmos.
  208. Embora seja uma distração temporária,
  209. isso só prolonga a dor.
  210. O único modo de superar emoções
    desconfortáveis e lidar com elas
  211. é passar por essas emoções,
  212. permitir ficarmos tristes,
    e depois seguir em frente.
  213. É adquirir confiança em nossa capacidade
    de lidar com esse desconforto.
  214. As crenças prejudiciais
    sobre os outros acontecem
  215. porque nos comparamos
    com as outras pessoas.
  216. Achamos que elas estão
    acima ou abaixo de nós,
  217. ou que podem controlar como nos sentimos,
  218. ou que podemos controlar
    como elas se comportam.
  219. Ou nós as culpamos
    por não nos permitirem avançar.
  220. Mas são nossas próprias
    escolhas que fazem isso.
  221. Temos que aceitar que somos nós mesmos,
    e que os outros estão separados de nós.
  222. A única pessoa com quem
    você deve se comparar
  223. é a pessoa que você foi ontem.
  224. E as crenças prejudiciais
    sobre o mundo acontecem
  225. porque, lá no fundo,
    queremos que o mundo seja justo.
  226. Queremos acreditar
  227. que, se fizermos boas ações o bastante,
    nos acontecerão coisas boas o bastante.
  228. Ou que, se aguentarmos
    períodos difíceis o bastante,
  229. receberemos algum tipo de recompensa.
  230. Mas, no final, temos que aceitar
    que a vida não é justa.
  231. E isso pode ser libertador.
  232. Significa que não seremos necessariamente
    compensados por nossa bondade,
  233. mas também significa
    que, por mais que tenhamos sofrido,
  234. não estamos condenados
    a continuar sofrendo.
  235. O mundo não funciona assim.
  236. Nosso mundo é o que fazemos dele.
  237. Mas é claro que, antes
    de podermos mudá-lo,
  238. temos que acreditar que podemos.
  239. Trabalhei uma vez com um homem
    que era diabético há anos.
  240. O médico dele lhe recomendou fazer terapia
  241. porque ele tinha alguns
    maus hábitos mentais
  242. que começavam a afetar sua saúde física.
  243. A mãe dele havia morrido ainda nova,
    devido a complicações de diabetes.
  244. Por isso, ele acreditava
    que estava condenado
  245. e havia desistido totalmente de tentar
    controlar seu nível de glicose.
  246. Na verdade, a glicemia dele
    estava tão alta ultimamente
  247. que começava a afetar sua visão.
  248. E haviam retirado
    sua carteira de motorista.
  249. O mundo dele estava encolhendo.
  250. Quando chegou a meu consultório,
  251. era óbvio que ele sabia
    tudo o que podia fazer
  252. para controlar os níveis de glicose.
  253. Ele só achava que não valia a pena.
  254. Mas, no final, concordou em fazer
    uma pequena mudança.
  255. Ele disse: "Vou largar meu hábito
    de tomar dois litros de Pepsi por dia,
  256. e trocar por Diet Pepsi."
  257. Ele não conseguia acreditar na rapidez
    em que os valores começaram a melhorar.
  258. Apesar de ele vir toda semana
    lembrar para mim
  259. como o sabor de Diet Pepsi era horrível,
  260. (Risos)
  261. ele se manteve firme.
  262. Assim que começou a ver progressos, disse:
  263. "Talvez eu possa analisar
    meus outros hábitos.
  264. Posso trocar minha taça
    noturna de sorvete
  265. por um lanche com menos açúcar".
  266. Um dia, ele estava com alguns amigos
    em um bazar beneficente
  267. e encontrou uma bicicleta ergométrica
    velha e malconservada.
  268. Ele a comprou por alguns trocados,
  269. levou-a para casa
    e a colocou na frente da TV.
  270. Começou a pedalar todas as noites,
  271. enquanto assistia a alguns
    de seus programas favoritos.
  272. Não só perdeu peso
  273. como, certo dia, notou
    que conseguia ver TV
  274. com um pouco mais de nitidez do que antes.
  275. De repente lhe ocorreu
  276. que talvez os danos à visão
    não fossem permanentes.
  277. Então, definiu um novo objetivo:
    recuperar sua carteira de motorista.
  278. A partir daquele dia, ele se animou.
  279. Em nossas últimas sessões,
    ele vinha toda semana dizendo:
  280. "O que vamos fazer nesta semana?"
  281. Porque ele finalmente acreditava
    que conseguia mudar seu mundo
  282. e que tinha a força mental para mudá-lo.
  283. E que era capaz de largar
    os maus hábitos mentais.
  284. Tudo começou com apenas um pequeno passo.
  285. Portanto, convido vocês a se perguntarem:
  286. "Que maus hábitos mentais
    estão te fazendo mal?"
  287. "Que crenças prejudiciais
  288. me impedem de ser mentalmente forte?"
  289. "Que pequeno passo eu poderia dar hoje?"
  290. Aqui mesmo, neste momento.
  291. Obrigada.