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Aprendendo com um movimento de pés-descalços

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    Gostaria de vos levar a um outro mundo.
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    E gostaria de partilhar
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    uma história de amor de 45 anos
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    com os pobres,
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    que vivem com menos de um dólar por dia.
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    Tive uma educação muito elitista,
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    snobe e cara, na Índia,
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    e isso quase me destruiu.
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    Eu estava pronto
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    para ser diplomata, professor, médico
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    — estava tudo preparado.
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    Depois, não pareço,
    mas fui campeão nacional
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    de "squash" da Índia durante três anos.
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    (Risos)
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    O mundo inteiro estava à minha disposição.
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    Estava tudo a meus pés.
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    Não podia fazer nada errado.
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    Então pensei, por curiosidade,
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    que gostaria de ir viver, trabalhar
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    e simplesmente ver como era uma aldeia.
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    Assim, em 1965, fui para a que foi chamada
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    a pior crise de fome de Bihar, na Índia,
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    e vi, pela primeira vez, fome, morte,
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    pessoas a morrer de fome.
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    Isso mudou a minha vida.
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    Voltei para casa,
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    disse à minha mãe:
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    "Gostaria de viver
    e trabalhar numa aldeia."
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    A minha mãe entrou em coma.
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    (Risos)
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    "O que é isto?
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    Tens ao teu dispor o mundo inteiro,
    os melhores empregos,
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    "e tu queres ir trabalhar numa aldeia?
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    Há alguma coisa errada contigo?"
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    Eu disse:
    "Não, tive a melhor educação possível.
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    "Isso fez-me pensar.
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    "E queria retribuir alguma coisa
    à minha maneira."
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    "O que queres fazer numa aldeia?
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    "Sem emprego, sem dinheiro,
    sem segurança, sem perspetivas".
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    Eu disse: "Quero viver
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    "e cavar poços durante cinco anos."
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    "Cavar poços durante cinco anos?
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    "Tu frequentaste a escola
    e a faculdade mais caras da Índia
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    "e queres cavar poços durante cinco anos?"
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    Ela deixou de me falar durante muito tempo,
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    porque achava que eu tinha deixado
    ficar mal a minha família.
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    Mas, então, descobri
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    os mais extraordinários
    conhecimentos e capacidades
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    que as pessoas muito pobres têm,
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    que nunca são trazidos
    ao conhecimento público,
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    que nunca são identificados, respeitados,
    aplicados em larga escala.
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    E pensei fundar uma Universidade
    de Pés-Descalços
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    uma universidade só para os pobres.
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    O que os pobres considerassem
    ser importante
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    seria refletido na universidade.
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    Fui a uma aldeia pela primeira vez.
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    Os anciãos vieram ter comigo e disseram:
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    " Estás a fugir da polícia?"
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    Eu disse: "Não."
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    (Risos)
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    "Ficaste reprovado no teu exame?"
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    Eu disse: "Não."
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    "Não conseguiste um cargo público?".
    Eu disse: "Não."
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    "O que é que estás aqui a fazer?
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    "Porque é que estás aqui?
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    "O sistema de ensino na Índia
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    "aponta-te Paris, Nova Deli e Zurique.
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    "O que estás a fazer nesta aldeia?
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    "Há alguma coisa errada contigo
    que não nos estejas a contar?"
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    Eu disse: "Não, eu quero fundar
    uma universidade só para os pobres.
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    "O que os pobres acharem importante
    será refletido na universidade."
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    Então, os anciãos deram-me
    um conselho muito bom e profundo.
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    Disseram: "Por favor, não tragas ninguém
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    "com um grau académico ou qualificação
    para a tua universidade".
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    Portanto, é a única universidade da Índia
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    onde quem tem um doutoramento
    ou um mestrado
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    está desqualificado para entrar.
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    (Risos)
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    Tem de se ser um inconformado,
    um desgraçado ou um desistente
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    para vir para a nossa universidade.
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    É preciso trabalhar com as mãos.
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    É preciso ter uma dignidade de trabalho.
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    É preciso mostrar
    ter uma competência a oferecer
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    à comunidade e prestar
    um serviço à comunidade.
  • 3:55 - 3:59
    Portanto, fundámos
    a Universidade dos Pés-Descalços
  • 3:59 - 4:01
    e redefinimos profissionalismo.
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    O que é um profissional?
  • 4:03 - 4:05
    Um profissional é alguém
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    que tem uma combinação
    de competência, confiança e crença.
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    Um vedor é um profissional.
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    Uma parteira tradicional
    é uma profissional.
  • 4:17 - 4:20
    Um oleiro tradicional é um profissional.
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    São profissionais em todo o mundo.
  • 4:22 - 4:26
    Encontramo-los em qualquer
    aldeia remota do mundo.
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    E pensámos que estas pessoas
    deviam vir a público
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    e mostrar que os conhecimentos
    e competências que têm
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    são universais.
  • 4:34 - 4:36
    É preciso usá-los, é preciso aplicá-los,
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    é preciso mostrar ao mundo exterior
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    que estes conhecimentos e competências
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    são relevantes, mesmo hoje em dia.
  • 4:43 - 4:46
    Portanto, a universidade funciona
  • 4:46 - 4:49
    segundo os estilos de vida e de trabalho
    de Mahatma Gandhi.
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    Comemos no chão, dormimos no chão,
    trabalhamos no chão.
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    Não há contratos,
    não há contratos escritos.
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    Podem ficar comigo 20 anos,
    ou partir amanhã.
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    E ninguém pode receber
    mais de 100 dólares por mês.
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    Quem vier pelo dinheiro, não entra
    na Universidade dos Pés-Descalços.
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    Quem vier pelo trabalho e pelo desafio,
  • 5:07 - 5:09
    entra para a Universidade dos Pés-Descalços.
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    Queremos que se tentem
    criar ideias malucas.
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    Qualquer ideia que tenha,
    venha experimentá-la.
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    Não faz mal se falhar.
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    Maltratado, ferido, começará de novo.
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    É a única universidade
    onde o professor é o aprendiz
  • 5:22 - 5:24
    e o aprendiz é o professor.
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    E é a única universidade
    onde não é conferido um diploma.
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    É-se diplomado
    pela comunidade que se serve.
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    Não é necessário um papel
    para pendurar na parede
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    para mostrar que se é engenheiro.
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    Quando eu disse isto, eles disseram:
  • 5:40 - 5:43
    "Bom, mostre-nos o que for possível.
    O que está a fazer?
  • 5:43 - 5:46
    "É tudo conversa fiada se não for capaz
    de nos mostrar isso no terreno."
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    Então, construímos a primeira
    Universidade dos Pés-Descalços
  • 5:50 - 5:52
    em 1986.
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    Foi construída
    por 12 arquitetos Pés-Descalços
  • 5:55 - 5:57
    que não sabem ler, nem escrever,
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    construída por 16 dólares
    o metro quadrado.
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    Viveram e trabalharam ali 150 pessoas.
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    Receberam o Prémio Aga Khan
    para a Arquitetura em 2002.
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    Depois desconfiou-se, achou-se
    que havia um arquiteto por detrás.
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    Eu disse: "Sim, eles fizeram o projeto,
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    "mas foram os arquitetos Pés-Descalços
    que construíram a universidade."
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    Na verdade, fomos os únicos
    a devolver o prémio de 50 000 dólares,
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    porque não acreditaram em nós,
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    e nós achámos que eles estavam, a insultar
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    os arquitetos Pés-Descalços de Tilonia.
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    Perguntei a um silvicultor
  • 6:31 - 6:34
    — um perito reconhecido, certificado:
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    "O que é que podemos
    construir neste sítio?"
  • 6:36 - 6:38
    Ele deu uma olhadela ao solo e disse:
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    "Esqueça. Não há hipótese.
    Nem vale a pena tentar.
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    "Não há água, o solo é rochoso."
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    Eu estava num bocado de terreno e disse:
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    "Ok, vou ter
    com o ancião da aldeia e dizer:
  • 6:47 - 6:50
    " 'O que devo plantar neste local?'"
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    Ele olhou-me tranquilamente e disse:
  • 6:51 - 6:54
    "Faça assim, assim,
    ponha isto, e vai dar certo."
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    Este é o aspeto que aquilo tem hoje.
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    Fui ao telhado e as mulheres disseram:
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    "Saia daqui. Os homens devem sair daqui
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    "porque não queremos partilhar
    esta tecnologia com os homens.
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    "Estamos a impermeabilizar o telhado."
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    (Risos)
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    É um pouco de açúcar mascavado,
    um pouco de urina
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    e um pouco de outras coisas
    que não conheço,
  • 7:14 - 7:16
    mas realmente não deixa entrar água.
  • 7:16 - 7:18
    Desde 1986, nunca entrou água.
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    As mulheres não partilham
    com os homens esta tecnologia.
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    (Risos)
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    É a única universidade
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    cuja eletricidade provém
    totalmente da energia solar.
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    Toda a energia vem do sol.
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    Painéis de 45 kilowatts no telhado.
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    E tudo funcionará com base no sol
    nos próximos 25 anos.
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    Enquanto o sol brilhar,
    não teremos problemas com energia
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    Mas a beleza está no facto de que
    aquilo foi inaugurado
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    por um padre, um padre hindu,
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    que só fez oito anos de ensino primário,
  • 7:52 - 7:55
    nunca andou no liceu,
    nunca andou na faculdade.
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    Ele sabe mais sobre energia solar
    do que qualquer outra pessoa
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    que eu conheça neste mundo,
    garantidamente.
  • 8:02 - 8:05
    A comida, se vierem
    para a Universidade dos Pés Descalços,
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    é cozinhada com energia solar.
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    Mas as pessoas que fabricaram
    aquele fogão solar
  • 8:11 - 8:14
    são mulheres,
  • 8:14 - 8:16
    mulheres analfabetas,
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    que fabricaram o fogão solar
    mais sofisticado.
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    É um fogão solar parabólico Sheffler.
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    Infelizmente, elas são quase meio-alemãs,
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    são muito rigorosas.
  • 8:31 - 8:33
    (Risos)
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    Nunca encontrarão
    mulheres indianas tão rigorosas.
  • 8:38 - 8:40
    Com uma precisão até à última polegada,
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    elas conseguiram fazer aquele fogão.
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    Temos 60 refeições duas vezes por dia
  • 8:44 - 8:46
    cozinhadas com energia solar.
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    Temos uma dentista
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    — é uma avó, analfabeta, que é dentista.
  • 8:51 - 8:54
    Na verdade, ela trata dos dentes
    de 7000 crianças.
  • 8:56 - 8:58
    Tecnologia dos Pés-Descalços.
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    Isto foi em 1986 — nenhum engenheiro,
    nenhum arquiteto pensou nisto —
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    mas estamos a recolher água dos telhados.
  • 9:05 - 9:06
    Perde-se muito pouca água.
  • 9:06 - 9:09
    Todos os telhados estão ligados,
    no subsolo,
  • 9:09 - 9:11
    a um tanque de 400 000 litros,
  • 9:11 - 9:13
    e não se perde nenhuma água.
  • 9:13 - 9:16
    Se tivermos 4 anos de seca,
    ainda teremos água no campus,
  • 9:16 - 9:18
    porque recolhemos a água da chuva.
  • 9:18 - 9:21
    60% das crianças não vai à escola,
  • 9:21 - 9:25
    porque têm que cuidar dos animais
    — ovelhas, cabras —
  • 9:25 - 9:26
    dos trabalhos domésticos.
  • 9:27 - 9:31
    Por isso, pensámos fundar
    uma escola noturna para as crianças.
  • 9:32 - 9:33
    Porque as escolas noturnas de Tilonia
  • 9:33 - 9:37
    — mais de 75 000 crianças frequentaram
    estas escolas noturnas.
  • 9:37 - 9:39
    Porque são noturnas
    no interesse das crianças;
  • 9:39 - 9:41
    não no interesse do professor.
  • 9:41 - 9:43
    O que ensinamos nestas escolas?
  • 9:43 - 9:45
    Democracia, cidadania,
  • 9:45 - 9:47
    como se deve medir uma terra,
  • 9:47 - 9:50
    o que se deve fazer quando se é preso,
  • 9:50 - 9:53
    o que se deve fazer
    quando se tem um animal doente.
  • 9:53 - 9:56
    É isto que ensinamos nas escolas noturnas.
  • 9:56 - 9:58
    Mas todas as escolas
    são iluminadas a energia solar.
  • 9:59 - 10:02
    De cinco em cinco anos, temos uma eleição.
  • 10:03 - 10:07
    As crianças entre os 6 e os 14 anos
  • 10:07 - 10:10
    participam num processo democrático,
  • 10:10 - 10:13
    e elegem um primeiro-ministro.
  • 10:14 - 10:17
    A primeira-ministra tem 12 anos.
  • 10:18 - 10:20
    De manhã, toma conta de 20 cabras,
  • 10:20 - 10:22
    mas à noite é primeira-ministra.
  • 10:23 - 10:25
    Tem um governo,
  • 10:25 - 10:28
    um ministro da educação,
    um da energia, um da saúde.
  • 10:28 - 10:30
    E eles acompanham e supervisionam
  • 10:30 - 10:33
    150 escolas com 7000 crianças.
  • 10:34 - 10:37
    Há cinco anos, ela recebeu
    o Prémio das Crianças do Mundo,
  • 10:37 - 10:39
    e foi à Suécia.
  • 10:39 - 10:41
    Saiu da sua aldeia pela primeira vez.
  • 10:41 - 10:43
    Nunca tinha visto a Suécia.
  • 10:43 - 10:46
    Não estava nada deslumbrada
    com o que estava a acontecer.
  • 10:46 - 10:48
    A Rainha da Suécia
    virou-se para mim e disse:
  • 10:48 - 10:51
    "Pode perguntar a esta criança
    onde foi ela buscar tanta autoconfiança?
  • 10:51 - 10:53
    "Ela só tem 12 anos,
  • 10:53 - 10:55
    "e não está deslumbrada com nada."
  • 10:55 - 10:58
    A rapariga, que está à esquerda dela,
  • 10:58 - 11:02
    virou-se para mim e olhou para a rainha
    diretamente nos olhos e disse:
  • 11:02 - 11:05
    "Por favor, diga-lhe
    que sou a primeira-ministra."
  • 11:05 - 11:06
    (Risos)
  • 11:06 - 11:09
    (Aplausos)
  • 11:15 - 11:19
    Onde a percentagem
    de iliteracia é muito elevada,
  • 11:19 - 11:21
    usamos fantoches.
  • 11:22 - 11:25
    Os fantoches são o meio como comunicamos.
  • 11:31 - 11:34
    Temos o Jaokim Chacha
  • 11:34 - 11:36
    que tem 300 anos.
  • 11:38 - 11:41
    É o meu psicanalista. É meu professor.
  • 11:41 - 11:43
    É meu médico. É meu advogado.
  • 11:43 - 11:45
    É meu doador.
  • 11:45 - 11:48
    Na verdade, ele reúne dinheiro,
    resolve os meus litígios.
  • 11:50 - 11:52
    Resolve os meus problemas na aldeia.
  • 11:52 - 11:54
    Se há tensão na aldeia,
  • 11:54 - 11:57
    se a assiduidade nas escolas diminui
  • 11:57 - 11:59
    e há alguma fricção
    entre um professor e um pai,
  • 11:59 - 12:02
    o fantoche chama o professor e o pai
    diante de toda a aldeia e diz:
  • 12:02 - 12:04
    "Apertem as mãos.
  • 12:04 - 12:06
    "A assiduidade não deve diminuir."
  • 12:07 - 12:09
    Estes fantoches
  • 12:09 - 12:12
    são feitos de relatórios
    do Banco Mundial reciclados.
  • 12:12 - 12:14
    (Risos)
  • 12:14 - 12:17
    (Aplausos)
  • 12:21 - 12:25
    Assim, com esta abordagem
    descentralizada, desmistificada,
  • 12:25 - 12:27
    da eletrificação das aldeias
    com energia solar
  • 12:27 - 12:29
    cobrimos toda a Índia
  • 12:29 - 12:32
    desde Ladakh até ao Butão,
  • 12:33 - 12:36
    tudo aldeias eletrificadas
    com energia solar
  • 12:36 - 12:39
    por pessoas que receberam formação.
  • 12:40 - 12:43
    Fomos a Ladakh
    e perguntámos a esta mulher:
  • 12:43 - 12:46
    — com 40º negativos,
    não se podia estar no telhado,
  • 12:46 - 12:50
    porque não havia espaço, estava tudo
    coberto de neve de ambos os lados —
  • 12:50 - 12:51
    e perguntámos a esta mulher:
  • 12:51 - 12:55
    "Que benefício retirou
    da eletricidade solar?"
  • 12:55 - 12:58
    Ela pensou durante um minuto e disse:
  • 12:58 - 13:02
    "É a primeira vez que consigo ver
    a cara do meu marido durante o Inverno."
  • 13:02 - 13:04
    (Risos)
  • 13:05 - 13:07
    Fomos ao Afeganistão.
  • 13:07 - 13:10
    Uma lição que aprendemos na Índia
  • 13:11 - 13:15
    foi que é impossível treinar os homens.
  • 13:16 - 13:18
    (Risos)
  • 13:19 - 13:21
    Os homens são inquietos,
  • 13:21 - 13:24
    os homens são ambiciosos,
  • 13:24 - 13:26
    os homens são compulsivamente volúveis,
  • 13:26 - 13:29
    e todos eles querem um diploma.
  • 13:29 - 13:30
    (Risos)
  • 13:31 - 13:33
    Pelo mundo fora, temos esta tendência
  • 13:33 - 13:36
    de os homens quererem um diploma.
  • 13:36 - 13:39
    Porquê? Porque querem deixar a aldeia
  • 13:39 - 13:41
    e ir para a cidade, procurar um emprego.
  • 13:42 - 13:45
    Por isso, desencantámos uma ótima solução:
  • 13:45 - 13:47
    treinar as avós.
  • 13:49 - 13:53
    Qual é a melhor maneira de comunicar
    no mundo de hoje?
  • 13:53 - 13:54
    Televisão? Não.
  • 13:55 - 13:57
    Telégrafo? Não.
  • 13:57 - 13:59
    Telefone? Não.
  • 13:59 - 14:01
    Tele-comunicar com uma mulher.
  • 14:01 - 14:03
    (Risos)
  • 14:03 - 14:06
    (Aplausos)
  • 14:07 - 14:11
    Então, nós fomos ao Afeganistão
    pela primeira vez,
  • 14:11 - 14:13
    escolhemos três mulheres e dissemos:
  • 14:13 - 14:14
    "Queremos levá-las para a Índia."
  • 14:14 - 14:16
    "Impossível. Nem sequer saem do quarto,
  • 14:16 - 14:18
    "e querem levá-las para a Índia."
  • 14:18 - 14:21
    Eu disse: "Faço uma concessão.
    Levarei também os maridos."
  • 14:21 - 14:22
    E levei os maridos.
  • 14:22 - 14:25
    Claro, as mulheres eram muito
    mais inteligentes do que os homens.
  • 14:25 - 14:29
    Em seis meses,
    como mudámos estas mulheres?
  • 14:30 - 14:32
    Linguagem gestual.
  • 14:32 - 14:34
    Não usamos a palavra escrita.
  • 14:34 - 14:37
    Não usamos a palavra dita.
  • 14:37 - 14:39
    Usamos linguagem gestual.
  • 14:39 - 14:41
    E em seis meses
  • 14:41 - 14:45
    elas podem tornar-se engenheiras solares.
  • 14:45 - 14:48
    Voltam e eletrificam a sua aldeia
    com energia solar.
  • 14:49 - 14:51
    Esta mulher regressou
  • 14:51 - 14:54
    e eletrificou a primeira aldeia
    com energia solar,
  • 14:54 - 14:56
    montou uma oficina.
  • 14:56 - 15:00
    A primeira aldeia a ser eletrificada
    com energia solar, no Afeganistão,
  • 15:00 - 15:02
    foi obra de três mulheres.
  • 15:02 - 15:06
    Esta mulher é uma avó extraordinária.
  • 15:06 - 15:10
    Tem 55 anos e eletrificou 200 casas
    com energia solar, no Afeganistão.
  • 15:10 - 15:13
    E as casas não desabaram.
  • 15:13 - 15:16
    Ela foi falar com um departamento
    de engenharia do Afeganistão
  • 15:16 - 15:18
    e explicou ao chefe do departamento
  • 15:18 - 15:21
    a diferença entre
    correntes alterna e estacionária.
  • 15:21 - 15:23
    Ele não sabia.
  • 15:23 - 15:26
    Aquelas três mulheres treinaram
    mais 27 mulheres
  • 15:26 - 15:29
    e eletrificaram 100 aldeias
    do Afeganistão com energia solar.
  • 15:29 - 15:31
    Fomos a África,
  • 15:31 - 15:33
    e fizemos a mesma coisa.
  • 15:33 - 15:37
    Todas estas mulheres sentadas
    à mesma mesa, vindas de 8, 9 países,
  • 15:37 - 15:39
    todas a conversar,
    sem compreender uma palavra,
  • 15:39 - 15:41
    porque estão todas a falar
    línguas diferentes.
  • 15:41 - 15:44
    Mas a sua linguagem corporal
    é extraordinária.
  • 15:44 - 15:45
    Estão a falar entre si
  • 15:45 - 15:48
    e a tornar-se engenheiras solares.
  • 15:48 - 15:50
    Fui à Serra Leoa,
  • 15:50 - 15:54
    e aconteceu que um ministro
    a conduzir, alta noite,
  • 15:54 - 15:55
    atravessa esta aldeia.
  • 15:55 - 15:59
    Volta para trás, vai à aldeia e diz:
    "Bom, o que é que se passa?"
  • 15:59 - 16:01
    Elas disseram: "Estas duas avós..."
  • 16:01 - 16:04
    "Avós?" O ministro não podia acreditar
    no que estava a acontecer.
  • 16:04 - 16:06
    "Onde é que elas foram?"
    "Foram à Índia e voltaram."
  • 16:06 - 16:08
    Foi direto ao presidente e disse:
  • 16:08 - 16:11
    "Sabe que há uma aldeia
    com energia solar na Serra Leoa?"
  • 16:11 - 16:12
    "Não."
  • 16:12 - 16:15
    Metade do governo foi visitar
    as avós no dia seguinte.
  • 16:15 - 16:19
    Então, ele chamou-me e disse:
    "Pode treinar-me 150 avós?"
  • 16:19 - 16:22
    Eu disse: "Não posso, Senhor Presidente.
  • 16:22 - 16:24
    "Mas elas treinam. As avós treinam."
  • 16:24 - 16:27
    E ele construiu o primeiro centro
    de treino Pés-Descalços na Serra Leoa.
  • 16:27 - 16:30
    E 150 avós foram treinadas na Serra Leoa.
  • 16:32 - 16:33
    Gâmbia.
  • 16:33 - 16:36
    Fomos à Gâmbia selecionar uma avó.
  • 16:36 - 16:37
    Fomos a uma aldeia.
  • 16:37 - 16:40
    Eu sabia que mulher gostaria de levar.
  • 16:40 - 16:43
    A comunidade reuniu-se e disse:
    "Leva estas duas mulheres."
  • 16:43 - 16:44
    "Não, quero levar esta mulher."
  • 16:44 - 16:47
    "Porquê? Ela não conhece a língua.
    Tu não a conheces."
  • 16:47 - 16:50
    "Gosto da linguagem corporal.
    Gosto da maneira como ela fala."
  • 16:50 - 16:52
    "Tem um marido difícil, impossível."
  • 16:52 - 16:53
    "Chamem o marido."
  • 16:53 - 16:56
    Veio o marido, fanfarrão, político,
    de telemóvel na mão. "Impossível."
  • 16:56 - 17:00
    "Porque não?"
    "Veja como ela é bonita."
  • 17:00 - 17:01
    e eu: "Sim, ela é muito bonita."
  • 17:01 - 17:04
    "O que acontece
    se ela foge com um indiano?"
  • 17:04 - 17:05
    Era esse o seu maior medo.
  • 17:05 - 17:08
    E eu: "Ela estará feliz.
    Ligar-lhe-á pelo telemóvel."
  • 17:09 - 17:13
    Ela foi como uma avó
    e regressou como um tigre.
  • 17:14 - 17:19
    Desceu do avião e falou aos jornalistas
    como se fosse uma veterana.
  • 17:19 - 17:22
    Lidou com a comunicação social nacional
  • 17:22 - 17:23
    e tornou-se uma estrela.
  • 17:23 - 17:27
    Quando voltei, seis meses depois,
    perguntei: "Onde está o teu marido?"
  • 17:27 - 17:29
    "Ah, anda por aí. Não interessa."
  • 17:29 - 17:30
    (Risos)
  • 17:31 - 17:32
    Uma história de sucesso.
  • 17:32 - 17:34
    (Risos)
  • 17:34 - 17:37
    (Aplausos)
  • 17:38 - 17:42
    Vou terminar dizendo apenas
  • 17:43 - 17:47
    que penso que não é necessário
    procurar soluções no exterior.
  • 17:48 - 17:50
    Procurem soluções no interior.
  • 17:50 - 17:53
    E escutem as pessoas
    que têm as soluções diante de vós.
  • 17:53 - 17:55
    Elas estão em todo o mundo.
  • 17:55 - 17:57
    Nem sequer se preocupem.
  • 17:57 - 18:00
    Não oiçam o Banco Mundial,
    oiçam as pessoas no terreno.
  • 18:00 - 18:03
    Elas têm todas as soluções do mundo.
  • 18:03 - 18:06
    Vou terminar com uma citação
    de Mahatma Gandhi.
  • 18:06 - 18:08
    "Primeiro eles ignoram-te,
  • 18:08 - 18:10
    depois, riem-se de ti,
  • 18:10 - 18:12
    depois, combatem-te,
  • 18:12 - 18:13
    e depois tu vences."
  • 18:14 - 18:15
    Obrigado.
  • 18:20 - 18:23
    (Aplausos)
Title:
Aprendendo com um movimento de pés-descalços
Speaker:
Bunker Roy
Description:

Em Rajasthan, na Índia, uma escola extraordinária ensina mulheres e homens do meio rural — muitos deles analfabetos — a tornarem-se engenheiros solares, artesãos, dentistas e médicos nas suas aldeias. Chama-se Universidade dos Pés-Descalços, e o seu fundador, Bunker Roy, explica como funciona.

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English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
18:47
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for Learning from a barefoot movement
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for Learning from a barefoot movement
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for Learning from a barefoot movement
Mohammad Tofighi edited Portuguese subtitles for Learning from a barefoot movement
Ilona Bastos added a translation

Portuguese subtitles

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