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Uma corda
é como um cordão umbilical, sabe?
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É algo que conecta duas coisas.
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É sobre isso que Moor se trata.
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É sobre todas essas pessoas sendo.
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Sabe, minha vida meio que
conecta todas essas pessoas
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A ideia era usar todos
esses diferentes materiais,
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mas também vidas,
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E unilas através do
processo de fabricação da corda.
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Minha mãe caiu, eu coloquei lá.
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E depois meu amigo fez
esse pedaço com redes,
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E então ficou assim.
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Outro pedaço do meu amigo, Doug,
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Isso é fita Hi8 que nós pegamos à parte.
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E essa é uma parte
da minha seção favorita;
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Essa é a parte das minhas avós.
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Esse vestido vermelho é o vestido
de natal da minha mãe e do meu pai.
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Eu me pergunto se o
espectador pode de alguma forma
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descobrir essas histórias através
de sua experiência com o objeto,
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Se essas histórias estão de
alguma forma contidas no material.
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Com boa parte do material,
o que foi feito foi corta-los em tiras.
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Ou digamos que se fosse um cabo elétrico,
ele foi desmontado,
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e todos os fios internos desmontados,
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e então entrelaçado com
outros materiais pra fazer a corda.
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Desde de quando eu era uma garota,
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minha mãe e eu faziamos coisas juntas,
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na verdade toda
família fazia coisas juntas,
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e eu adoro o manual
nas suas diversas formas.
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Existem tantos objetos
que entramos em contato
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que perdemos a conexão
do porque eles foram feitos,
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quem fez eles.
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Então, isso é realmente
importante pra mim,
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no objeto,
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na superficie do objeto,
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de alguma forma te dá uma história de
como esses objetos chegaram no mundo.
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Pra fazer essa peça, o que eu fiz foi
mergulhar em uma banheira de banha.
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Essa peça se chama Eureka e foi
inspirada na história de Arquimedes.
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E Arquimedes foi questionado pelo rei
sobre quanto ouro havia em sua coroa,
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e ele estava se matando,
como ele poderia medir a quantidade?
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Certa noite ele estava na banheira,
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e ele percebeu que seu corpo
estava deslocando a água da banheira.
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Ele ficou muito empolgado,
pulou pra fora e gritou "Eureka".
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Me parece que o corpo do Arquimedes
foi a ferramenta pro experimento,
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assim como meu corpo também foi.
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Mas mais importante foi essa ideia
que o fez obter esse conhecimento,
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através da experiência do seu corpo.
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E é por isso que eu faço esses tipos de
atos extremos com meu corpo,
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eu sinto que...
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...o espectador tem um corpo também,
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e possa empatizar com o que
eu passei pra fazer essa arte.
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Pra mim é muito significante
em como escolhemos fazer algo,
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tanto na arte quanto em todos
os objetos que lidamos na vida.
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Eu penso no trabalho como se o espectador
estivesse entrando na cena de um crime.
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E eu deixo todas essas
pistas pra eles descobrirem.
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Fiz esse show e o espaço expositivo
estava ligado a uma fazenda de laticínios.
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Então eu disse,
você poderia me dar um tour pelo celeiro,
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e eu percebi que os
cochos eram feitos de banheira.
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Eu pensei, e se eu tomasse um banho,
enquanto a vaca continuava bebendo,
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pensando que eu bebi
da vaca minha vida toda
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e eu pude de certa
forma criar essa relação.
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Vacas são bem curiosas,
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todas ela vieram,
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começaram a beber,
e quase reverteu toda a relação.
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Parece que ela está amamentando em mim.
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O nome dessa peça é 2038,
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que é a etiqueta na orelha,
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e o motivo dessa escolha, é porque
personificava nossa relação com a vaca
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que quase não era mais um animal,
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mas uma máquina biológica, e eu queria
criar esse contraste de ternura da imagem.
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Eu estava pensando na Virgem Maria,
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e essas imagens que conhecemos dela.
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A Virgem Maria não tinha
permissão pra fazer nada físico.
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Sem sexo, ela não podia morrer.
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Ela só podia amamentar.
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E eu estava refletindo sobre como essa
imagem afeta minha...
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...percepção sobre maternidade,
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e aquele momento idílico que
conhecessemos daquelas pinturas
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mas também dos anúncios
da Pampers de mãe e filho.
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O que você está vendo é uma
caçamba de um trator de construção.
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Ficou com o dobro do
tamanho e eu cortei a caçamba no meio.
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Então eu derreti,
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e criei todas essas formas dentro.
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Berço é uma peça principalmente sobre
essas coisas embalando umas as outras,
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que termina com uma colher enrolada,
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que é quando a criança
começa a se tornar independente,
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pode se alimentar sozinha,
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e também,
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é sobre aquela necessidade que
nunca perdemos de ser abraçados.
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Todas as peças da vaca foram
um esforço pra se relacionar com ela,
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pra entende-la e
entender minha relação com ela.
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Então pra mim ficar
de joelhos é realmente...
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...imitar o animal de alguma forma.
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Mas também,
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é uma pose claramente submissa.
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Essa obra é feita de couro cru.
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Eu fiz um molde de mim mesma de joelhos.
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E depois eu peguei o couro
cru quando estava bem maleável,
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e coloquei sobre o molde.
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Eu trabalhei com todas as dobras,
esculpindo elas,
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pra representar o corpo sobre o véu.
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Então quando o couro
estava completamente duro,
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eu removi o molde de dentro.
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Então na verdade ela esta
totalmente vazia por dentro,
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E isso é muito importante, porque,
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eu realmente quero que o
espectador sinta tanto a ausência de mim,
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quanto a ausência da vaca.
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Achei muito interessante que
o sabão fosse feito de banha,
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que estamos limpando o corpo com o corpo.
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Me pareceu bastante curioso.
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Então eu tive a ideia de fazer um réplica
de mim mesma no chocolate e no sabão,
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e eu me alimentaria comigo mesma lambendo
o chocolate e me lavaria comigo mesma.
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Tanto a lambida quanto o
banho são atos gentis e amorosos,
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mas estou lentamente apagando a mim mesma.
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Pra mim é sobre esse conflito,
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essa relação de amor/ódio
com a nossa aparência fisica.
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E realmente...
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o problema que tenho
quando me olho no espelho e penso,
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essa é quem eu sou?
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Emquanto eu fazia a corda,
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Eu pensei...
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...que seria muito
legal andar nessa corda.
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Então eu pensei na corda
como uma linha da vida,
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sobre a história da minha vida.
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Então eu pensei "Uau, se eu
pudesse andar sobre isso, seria lindo".
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Foi então que eu tive a ideia de
aprender a andar na corda bamba.
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Eu praticava corda bamba
por cerca de uma hora por dia,
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e depois de uma semana,
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eu estava começando
a entender meu próprio equilibrio.
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Comocei a perceber que eu não
estava ficando mais equilibrada,
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mas que eu estava ficando
mais confortável com o desequilíbrio.
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Ao invés de ficar
nervosa e autocompensada,
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eu poderia compensar o suficiente,
e eu pensei,
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"Eu queria poder
fazer isso na minha vida."
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Depois de percorrer diferentes caminhos,
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eu decidi fazer esse trabalho "Tocar".
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E o que eu fiz foi voltar...
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...pra casa em Bahamas, na praia que
ficava bem em frente a casa onde cresci.
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Fazia sentido pra mim
voltar a esse horizonte
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que eu havia visto
durante toda a minha vida.
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Achei que teria muito mais
tensão se eu pudesse andar na corda
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e enquanto mergulhava,
por um momento eu tocaria o horizonte.
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E então, em certo ponto,
depois de fazer o vídeo "Tocar",
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e vivendo minha fantasia de andar no ar,
caminhar no horizonte,
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eu pensei,
"Preciso fazer uma obra sobre queda".
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Então eu voltei a essa ideia de
que eu queria fazer a corda pra andar.
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Nós encontramos um cara
no Museu Marítmo em Mystic,
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e ele nos deu um tour personalizado.
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E nos mostrou essa
belíssima máquina de fazer cordas.
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E quando vimos aquela
máquina nós tivemos uma ideia, sabe?
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De fazer a nossa própria versão dele.
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Fazer a corda me levou a aprender a girar.
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Com o "Amarrar" estamos
usando materiais do dia a dia,
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Agora estamos usando o material
mais tradicional que é o cânhamo.
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A nível de material,
estou voltando à origem,
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mas também esses artesanatos
são apenas o começo.
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Eu acho que assumindo
essa tradição feminina,
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não é uma coisa pequena.
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Você tem que colocar
a energia certa na torção.
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Muita energia deixa a corda fraca,
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e pouca energia deixa a corda fraca.
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Então, a correlação que eu vejo
com aprender a andar na corda bamba,
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quanto mais solta eu estava,
mais fácil era me equilibrar.
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Não tenho certeza do que essa escultura
que eu estou fazendo com cânhamo,
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e a corda bamba será exatamente,
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mas será sobre a queda.
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Será sobre a impossibilidade dessa ilusão.