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Bem, a mudança é algo que está a acontecer o tempo todo.
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O que é interessante é como as coisas mudam,
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porque a forma como penso, a forma como falo, a forma como ajo está a influenciar essa mudança.
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E eu quero que as pessoas sejam felizes, que sejam livres, que não sofram.
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Por isso,
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aprendo formas de pensar, de falar e de agir que criam mais felicidade e menos sofrimento.
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E penso que, sempre que, enquanto seres humanos, caímos na armadilha do desejo de querer mais coisas,
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isso tem um efeito, esse tipo de anseio.
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E, especialmente nos últimos 150 anos,
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tivemos um desejo profundo de resolver problemas de desnutrição, falta de saneamento, pobreza.
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E fizemos o melhor que pudemos.
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O nosso desejo de erradicar estes problemas da humanidade
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trouxe consigo a industrialização,
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o uso da luz solar antiga como combustível, através do petróleo e do carvão.
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E isso tem um efeito, porque todas as coisas têm um efeito.
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Assim, deste desejo de fazer o bem,
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que continha em si a semente do descontentamento, de não estar satisfeito com o que existe aqui e agora,
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trouxemos esta luz solar antiga de volta à superfície
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e todo este dióxido de carbono, que esteve retido na crosta terrestre
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durante milhões de anos, está agora a regressar à atmosfera.
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Sabemos que, quando a Terra se formou e a vida surgiu, pelo que conseguimos perceber,
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havia muito menos oxigénio na atmosfera e muito mais dióxido de carbono.
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Há algo de irónico nisso.
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Agora, com tanta vida na Terra, estamos, na verdade, a inverter esse processo.
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Acho que é isso...
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Precisamos de aprender a ser felizes com o que temos, com o que existe agora,
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e olhar profundamente para este desejo coletivo de ter sempre mais.
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Esse desejo exige um enorme consumo de energia.
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Está a levar-nos a queimar combustíveis para libertar essa energia da luz solar antiga.
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Sim, é aqui que precisamos de um olhar profundo,
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e muitas pessoas, todos nós, estamos a fazer esse olhar profundo agora.
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Estamos a encontrar formas de utilizar a luz do sol do presente
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para satisfazer as nossas necessidades.
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Mas penso que precisamos de ir ainda mais fundo e refletir sobre o que realmente necessitamos.
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Porque, quando entramos em contacto com aquilo de que realmente precisamos, percebemos que já o temos.
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E o que é que precisamos?
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Precisamos de ser felizes e livres,
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precisamos de ser felizes e livres.
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Precisamos, porque quando eu sou feliz e livre e o meu irmão é feliz e livre, então não há conflito.
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Não há problema.
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Há o suficiente.
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Já há o suficiente.
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Acho que, se olharmos para os alimentos que temos na Terra, se analisarmos as formas de nos deslocarmos,
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podemos viver neste paraíso felizes e livres,
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ainda podendo ir onde quisermos, ainda tendo o suficiente para comer.
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E
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e sem causar este sofrimento.