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Touching the Reality of Impermanence to Allow Real Life to Be | Thich Nhat Hanh (EN subtitles)

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    Na psicologia ocidental,
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    fala-se dos medos como…
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    uma emoção intensa.
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    E dizem que, se estivermos bem preparados,
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    não seremos esmagados nem levados por essa emoção forte.
  • 0:37 - 0:41
    Se soubermos que está frio lá fora
    e já nos tivermos preparado com antecedência,
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    quando abrirmos a porta,
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    não seremos apanhados de surpresa
    e teremos menos probabilidade de apanhar uma constipação.
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    Mas, se não soubermos que está frio lá fora,
    saímos e, de repente, sentimos frio,
  • 0:55 - 1:00
    seremos apanhados de surpresa
    e teremos uma grande probabilidade de adoecer.
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    A diferença está em estarmos preparados ou não.
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    Quando alguém vai caçar ursos na floresta,
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    está preparado para ver ursos.
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    Quando alguém vai caçar ursos na floresta,
    está preparado para ver ursos.
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    Quando alguém vai caçar tigres na floresta,
    está preparado para ver tigres.
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    E, por essa razão,
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    quando esses caçadores veem os ursos
    e os tigres, não sentem tanto medo…
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    como nós, que podemos estar apenas a passear na floresta.
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    Se estivermos simplesmente a passear pela floresta
    e, por acaso, nos depararmos com um urso,
  • 1:54 - 1:59
    ficaremos extremamente assustados,
    porque não nos preparámos previamente.
  • 1:59 - 2:05
    Talvez os caçadores sintam algum medo.
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    Do que é que eles têm medo?
    Têm medo de falhar o alvo.
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    Mas, comparativamente, o medo dos caçadores
    não é tão grande como o dos não-caçadores.
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    Porque nós não estamos à espera de um tigre.
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    Não estamos mentalmente preparados para ver um tigre ou um urso,
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    por isso, se nos cruzarmos com um,
    ficaremos em pânico, sentiremos um medo extremo.
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    Portanto, estar mentalmente preparado é muito importante.
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    Meditar sobre a impermanência é uma prática
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    que nos permite ver que tudo pode acontecer.
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    Porque, ao longo da nossa vida, sempre acreditámos que
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    acidentes de viação e cancros só acontecem aos outros.
  • 3:11 - 3:16
    Nunca nos podem acontecer a nós.
    Foi sempre nisso que acreditámos.
  • 3:16 - 3:19
    Mas, quando nos acontece, dizemos:
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    "Não pode ser! Impossível!"
  • 3:21 - 3:22
    Não conseguimos aceitar a realidade.
  • 3:22 - 3:24
    Mas a verdade é que
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    essas coisas podem acontecer a qualquer um de nós.
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    Quando nós…
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    Primeiramente, quando treinamos a mente
    para meditar sobre a impermanência,
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    passamos a ver que esses acidentes e infortúnios
  • 3:46 - 3:50
    também nos podem acontecer.
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    No início, sentimos que…
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    vivemos num mundo cheio de desgraças.
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    As pessoas que hoje nos amam…
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    As pessoas que hoje nos amam
    podem deixar de nos amar amanhã.
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    O…
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    O trabalho que temos hoje pode ser perdido amanhã.
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    A nossa boa saúde de hoje pode tornar-se frágil amanhã.
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    Nós fica…
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    No início, sentimos…
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    Sentimos uma grande insegurança.
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    A sensação de insegurança.
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    Mas a verdade é que
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    tocar a realidade
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    traz-nos muitos benefícios.
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    Passamos a viver…
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    a viver profundamente o momento presente.
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    A princípio,
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    o pensamento
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    de vivermos…
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    de vivermos rodeados de infortúnios
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    faz-nos sentir…
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    muito inquietos, muito desconfortáveis.
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    Quando o grande poeta Victor Hugo
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    perdeu a sua filha primogénita
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    — chamava-se Léopoldine —
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    sofreu imensamente.
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    Retirou-se para o campo,
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    em Villequier.
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    Já não conseguia desfrutar…
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    já não conseguia desfrutar das maravilhas da terra
    e do céu. Fechou-se na sua dor.
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    E, num poema que escreveu em Villequier,
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    no fundo, ele queria culpar Deus.
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    Ele pensou: "Como é possível que uma jovem
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    tão nova e fresca como uma flor,
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    tão saudável e tão graciosa, possa morrer?"
  • 6:23 - 6:24
    E então ele compreendeu...
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    Ele tocou a realidade da impermanência.
  • 6:33 - 6:36
    Mas ele era cristão,
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    por isso encontrou consolo no cristianismo.
  • 6:40 - 6:45
    Ele disse: "Senhor,
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    eu venho até vós, Senhor,
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    Pai em quem se deve acreditar;
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    Levo-vos, apaziguado, os pedaços deste coração
  • 7:01 - 7:05
    cheio da vossa glória que vós quebrastes."
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    "Je vous porte, apaisé,
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    Les morceaux de cœur plein de votre gloire
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    Que vous avez brisé."
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    Eu sei que Deus quis "tudo o que me acontece."
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    Confesso que "vós sois
    bom, misericordioso, indulgente e doce!"
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    Mas nós, mortais, nunca podemos saber...
  • 7:37 - 7:39
    nunca podemos saber
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    os...
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    os...
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    os atos de Deus,
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    os...
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    os planos de Deus.
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    Por isso, sentimos que caminhamos
    "na noite de um mistério assustador,"
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    sem saber realmente o que está a acontecer.
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    "Je viens à vous, Seigneur!
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    confessant que vous êtes
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    Bon, clément, indulgent et doux,
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    ô Dieu vivant !
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    Je conviens que vous seul savez ce que vous faites,
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    Et que l'homme n'est rien qu'un jonc
    qui tremble au vent."
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    "Concordo que só Deus sabe o que Deus faz,
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    e que o homem não é nada
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    além de um junco
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    a tremer ao vento" — completamente inútil.
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    O homem não é nada além de um frágil junco,
  • 8:51 - 8:55
    e qualquer vento que sopre pode fazê-lo tremer.
  • 8:55 - 8:58
    Totalmente indefeso.
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    "Nous ne voyons jamais qu'un seul côté des choses ;
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    L'autre plonge en la nuit d'un mystère effrayant.
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    L'homme subit le joug sans connaître les causes.
  • 9:11 - 9:17
    Tout ce qu'il voit est court, inutile et fuyant."
  • 9:17 - 9:18
    "Nós, humanos,
  • 9:18 - 9:21
    vemos sempre
  • 9:21 - 9:26
    apenas um lado das coisas;
  • 9:27 - 9:33
    o outro mergulha na noite
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    de um mistério assustador.
    O homem suporta o jugo sem conhecer as causas."
  • 9:42 - 9:49
    O homem suporta calamidades e desastres
    sem saber o porquê.
  • 9:50 - 9:54
    "Tudo o que ele vê
  • 9:54 - 9:56
    é breve,
  • 9:56 - 9:58
    inútil
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    e fugaz." É assim que ele vê as coisas.
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    Ou seja, Victor Hugo não era budista,
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    mas já conseguia tocar
    a realidade da impermanência.
  • 10:10 - 10:15
    E nela, há uma ideia de resistência.
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    Deus sabe tudo, nós não sabemos nada.
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    Só conseguimos ver uma pequena parte das coisas,
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    mas o resto permanece totalmente escondido atrás de um véu
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    — apenas Deus sabe.
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    Na atitude cristã,
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    diante da dor e do sofrimento, devemos acreditar em Deus.
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    Devemos saber que...
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    Devemos pensar que Deus planeia tudo
    e que devemos obedecer e suportar.
  • 10:42 - 10:45
    Basta acreditarmos que Deus sabe
    o que está a fazer e porquê.
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    Por alguma razão, Deus quis que a nossa filha morresse.
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    Temos de acreditar que Deus é misericordioso,
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    benevolente e compassivo.
  • 10:56 - 11:02
    Mas, por um bom motivo, para nosso próprio bem,
    Deus fez isso.
  • 11:02 - 11:04
    Isto é fé.
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    Mas quando passamos para o budismo,
    vemos uma maneira diferente de encarar as coisas.
  • 11:11 - 11:21
    Percebemos que o budismo nos ajuda
    a tocar a realidade da impermanência.
  • 11:21 - 11:30
    E, embora essa característica da impermanência
    possa trazer-nos dores, ansiedades e medos,
  • 11:30 - 11:34
    o budismo ensina-nos a tocar sempre a realidade.
  • 11:34 - 11:39
    Temos de tocar a realidade com coragem.
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    Essa...
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    Essa infeção de SIDA, esse cancro, esse acidente de viação,
    podem perfeitamente acontecer connosco,
  • 11:46 - 11:50
    não apenas com os outros à nossa volta.
  • 11:54 - 11:59
    Quando deixamos esta realidade penetrar completamente em nós,
  • 11:59 - 12:06
    abre-se um novo horizonte
    — vivemos num estado de consciência desperta.
  • 12:07 - 12:10
    Já não tomamos cada um dos nossos dias como garantido.
  • 12:10 - 12:14
    Cada dia, com as suas vinte e quatro horas,
    torna-se uma joia preciosa.
  • 12:14 - 12:19
    E fazemos o voto de viver essas vinte e quatro horas profundamente.
  • 12:19 - 12:21
    Cada dia é um presente de todo o universo.
  • 12:21 - 12:26
    E cada um dos nossos passos
    passa a ser dado com tranquilidade,
  • 12:26 - 12:32
    porque não temos ideia
    se nos será concedido outro dia para viver.
  • 12:32 - 12:35
    Por isso,
  • 12:35 - 12:39
    tocar a impermanência, antes de mais,
  • 12:39 - 12:41
    priva-nos
  • 12:41 - 12:43
    da nossa segurança.
  • 12:43 - 12:46
    Da sensação de segurança.
  • 12:46 - 12:50
    Mas essa sensação de segurança é uma falsa segurança.
  • 12:50 - 12:52
    Acreditamos que as coisas são permanentes,
  • 12:52 - 12:58
    por isso essa sensação de segurança
    baseia-se na ideia da permanência.
  • 12:58 - 13:00
    E isso é ignorância.
  • 13:00 - 13:02
    E agora,
  • 13:02 - 13:07
    quando vemos que tudo é impermanente,
    perdemos essa sensação de segurança.
  • 13:07 - 13:11
    Mas aprendemos algo mais
    — aprendemos a viver na realidade,
  • 13:11 - 13:17
    e sabemos como tocar a vida profundamente
    no momento presente.
  • 13:17 - 13:22
    E talvez, num único dia,
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    num único dia apenas,
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    ao tocar a impermanência
    e viver profundamente esse único dia,
  • 13:29 - 13:31
    possamos já viver muito mais
  • 13:31 - 13:37
    do que viver cem anos na ignorância,
    nessa falsa sensação de segurança.
  • 13:37 - 13:42
    Vivemos nessa falsa sensação de segurança
    até que enfrentamos uma desgraça.
  • 13:42 - 13:47
    O nosso ente querido morre de repente, ou
    nós próprios enfrentamos a nossa própria morte.
  • 13:47 - 13:52
    Percebemos que essa sensação de segurança
    já durava há dez ou vinte anos.
  • 13:52 - 13:58
    Mas nunca vivemos verdadeiramente,
    porque era uma ilusão.
  • 13:58 - 14:03
    Deixámos o tempo passar demasiado depressa, desperdiçadamente.
  • 14:03 - 14:06
    Pisoteámos,
  • 14:06 - 14:09
    desperdiçámos a nossa própria vida.
  • 14:09 - 14:12
    Sempre acreditámos que a vida era permanente,
  • 14:12 - 14:15
    e assim, vinte anos passaram por nós como um sonho.
  • 14:15 - 14:18
    Agora, ao tocar a impermanência,
  • 14:18 - 14:20
    perdemos essa sensação de segurança,
  • 14:20 - 14:24
    mas essa perda é positiva,
    porque era uma falsa sensação de segurança.
  • 14:24 - 14:28
    Estivemos sentados numa bomba-relógio
    sem saber.
  • 14:28 - 14:34
    Agora que sabemos que estamos sentados numa bomba-relógio,
    levantamo-nos.
  • 14:35 - 14:37
    E compreendemos que
  • 14:37 - 14:39
    o momento presente é o mais importante.
  • 14:39 - 14:41
    Recebemos um presente: um dia com vinte e quatro horas,
  • 14:41 - 14:48
    com o sol, o céu, as nuvens;
    com os nossos companheiros de prática e com o nosso professor.
  • 14:48 - 14:55
    Então, com esta consciência da impermanência,
    vivemos profundamente para merecer essas vinte e quatro horas.
  • 14:55 - 14:57
    Só desta forma,
  • 14:57 - 15:00
    só vivendo desta forma, só com esta atitude,
  • 15:00 - 15:04
    podemos enfrentar a impermanência.
  • 15:06 - 15:11
    Só desta forma de viver, podemos enfrentar...
  • 15:13 - 15:19
    esse sentimento paralisante de insegurança.
  • 15:19 - 15:22
    Se alguém perguntar,
  • 15:22 - 15:27
    "Tu segues o budismo, praticas o budismo.
  • 15:28 - 15:36
    Como lidas com as desgraças?"
  • 15:36 - 15:37
    Podemos responder,
  • 15:37 - 15:43
    "Lidamos com elas vivendo verdadeiramente
    e profundamente cada momento da nossa vida diária.
  • 15:43 - 15:45
    Se eu realmente viver assim,
  • 15:45 - 15:49
    se cuidar bem dos meus entes queridos hoje,
  • 15:49 - 15:53
    se amanhã eles morrerem,
  • 15:53 - 15:55
    não terei nada de que me arrepender.
  • 15:55 - 15:58
    Caso contrário, vou arrepender-me pelo resto da vida.
  • 15:58 - 16:04
    Porque tive essa falsa sensação de permanência,
    pensei que os meus entes queridos estariam sempre ali para mim.
  • 16:04 - 16:07
    Nem sequer me dei ao trabalho de cuidar deles.
    Pensei: 'Bem, há tempo de sobra para isso.'
  • 16:07 - 16:10
    E assim, nunca cuidei deles da melhor forma possível.
  • 16:10 - 16:12
    Mas se tiver esta consciência da impermanência,
  • 16:12 - 16:14
    não vou esperar até amanhã.
  • 16:14 - 16:17
    Vou expressar o meu amor através das palavras,
    vou fazer algo por eles,
  • 16:17 - 16:19
    vou pensar neles,
    vou cuidar deles
  • 16:19 - 16:21
    e vou fazê-los felizes, hoje. Agora mesmo."
  • 16:21 - 16:29
    E essa é uma resposta budista
  • 16:29 - 16:34
    para as desgraças e infortúnios,
    para o sentimento de insegurança.
  • 16:34 - 16:39
    Não se trata de ficarmos preocupados,
    mas de realmente viver bem no presente.
  • 16:39 - 16:41
    E se eu já vivi desta maneira,
  • 16:41 - 16:43
    e se já ajudei outros a viver
    da mesma forma no momento presente,
  • 16:43 - 16:46
    significa que já fiz o meu melhor.
  • 16:46 - 16:51
    Não terei nada de que me arrepender
    quando esse momento de impermanência chegar.
  • 16:51 - 16:54
    Essa é uma visão budista.
  • 16:54 - 17:01
    Tocar a impermanência não é sentir
    medo, inquietação ou insegurança.
  • 17:01 - 17:05
    Essa sensação de medo ou insegurança
    pode surgir no início,
  • 17:05 - 17:11
    para quebrar as falsas noções
    de permanência e de um "eu" separado.
  • 17:11 - 17:16
    São essas ilusões que nos privam da vida real.
  • 17:16 - 17:24
    Agora, ao tocar a impermanência e o não-eu,
    aprendemos a tocar profundamente a realidade da vida,
  • 17:24 - 17:27
    e permitimos que a verdadeira vida aconteça.
Title:
Touching the Reality of Impermanence to Allow Real Life to Be | Thich Nhat Hanh (EN subtitles)
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English
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