O dinheiro nos torna ruins?
-
0:01 - 0:03Eu quero que vocês, por um momento,
-
0:03 - 0:07pensem em jogar uma partida de Banco Imobiliário,
-
0:07 - 0:09só que nesse jogo, essa combinação
-
0:09 - 0:12de capacidade, talento e sorte
-
0:12 - 0:15que ajuda você a obter sucesso nos jogos,
assim como na vida, -
0:15 - 0:16foi desvalidada,
-
0:16 - 0:19porque esse jogo foi manipulado,
-
0:19 - 0:21e você saiu na vantagem.
-
0:21 - 0:22Você tem mais dinheiro,
-
0:22 - 0:25mais oportunidades para se mover pelo tabuleiro,
-
0:25 - 0:27e mais acesso a recursos.
-
0:27 - 0:29E, à medida que você for pensando
nessa experiência, -
0:29 - 0:31quero que pergunte a si mesmo:
-
0:31 - 0:33como é que essa experiência de ser
-
0:33 - 0:36um jogador privilegiado num jogo manipulado
-
0:36 - 0:39poderia mudar a maneira
pela qual você se percebe -
0:39 - 0:43e percebe o outro jogador?
-
0:43 - 0:46Então, fizemos uma pesquisa
no campus da U.C. Berkeley -
0:46 - 0:48para olharmos a fundo essa questão.
-
0:48 - 0:50Nós trouxemos mais de 100 pares
-
0:50 - 0:53de desconhecidos para o laboratório,
-
0:53 - 0:54e, tirando cara ou coroa,
-
0:54 - 0:56designamos aleatoriamente um dos dois
-
0:56 - 0:59para ser o jogador rico no jogo manipulado.
-
0:59 - 1:01Esses recebiam o dobro do dinheiro.
-
1:01 - 1:03Quando passavam pela casa de partida,
-
1:03 - 1:05coletavam o dobro do salário,
-
1:05 - 1:07E podiam lançar dois dados ao invés de um só.
-
1:07 - 1:09Então, podiam se mover pelo tabuleiro muito mais.
-
1:09 - 1:12(Risadas)
-
1:12 - 1:14E, no decorrer de 15 minutos,
-
1:14 - 1:17nós observamos por meio de câmeras ocultas
tudo que se passou. -
1:17 - 1:19E aquilo que eu quero fazer hoje, pela primeira vez,
-
1:19 - 1:21é lhes mostrar um pouco daquilo que vimos.
-
1:21 - 1:23Você terão de perdoar a má qualidade do som.
-
1:23 - 1:26em alguns casos, porque, de novo,
essas foram câmeras ocultas. -
1:26 - 1:28Por isso colocamos legendas.
-
1:28 - 1:29Jogador Rico: Quantas cédulas de 500
você recebeu? -
1:29 - 1:30Jogador Pobre: Só uma.
-
1:30 - 1:32Jogador Rico: Tá falando sério?
Jogador Pobre: Tô. -
1:32 - 1:33Jogador Rico: Eu tenho três. (risada)
-
1:33 - 1:35Eu não sei por que me deram tanto.
-
1:35 - 1:37Paul Piff: Bem, desde cedo, então,
ficou claro aos jogadores -
1:37 - 1:38que algo estava errado.
-
1:38 - 1:41Uma pessoa claramente tinha mais dinheiro
-
1:41 - 1:43que a outra, mas, mesmo assim,
-
1:43 - 1:45à medida que o jogo se desenvolveu,
-
1:45 - 1:47vimos diferenças muito importantes,
-
1:47 - 1:49e diferenças dramáticas começaram a se manifestar
-
1:49 - 1:51entre os dois jogadores.
-
1:51 - 1:53O jogador rico
-
1:53 - 1:56começou a fazer mais barulho
ao se mover pelo tabuleiro, -
1:56 - 1:57literalmente batendo
contra o tabuleiro com sua peça, -
1:57 - 2:00enquanto ia avançando.
-
2:00 - 2:03Era mais provável vermos sinais de dominância
-
2:03 - 2:05e sinais não verbais,
-
2:05 - 2:07demonstrações de poder
-
2:07 - 2:11e de celebração entre os jogadores ricos.
-
2:11 - 2:14Nós tínhamos uma tigela de pretzels
posicionada ao lado. -
2:14 - 2:16Ali, no canto inferior direito.
-
2:16 - 2:19Isso permitiu que víssemos o comportamento
de consumo dos participantes. -
2:19 - 2:24Então, estávamos só monitorando
quantos pretzels os participantes comiam. -
2:24 - 2:26Jogador Rico: Esses pretzels são uma pegadinha?
-
2:26 - 2:27Jogador Pobre: Não sei.
-
2:27 - 2:31PP: Bem, então, não foi surpresa alguma
que começassem a suspeitar. -
2:31 - 2:32Eles se perguntam
o que aquela tigela de pretzels -
2:32 - 2:34está fazendo ali, em primeiro lugar.
-
2:34 - 2:36Um deles até pergunta,
como vocês acabaram de ver: -
2:36 - 2:39"Essa tigela de pretzels está aí de pegadinha?"
-
2:39 - 2:42Mesmo assim, apesar disso, o poder da situação
-
2:42 - 2:44parece dominar inevitavelmente,
-
2:44 - 2:48e esses jogadores ricos
começam a comer mais pretzels. -
2:52 - 2:54Jogador Rico: Eu adoro pretzels.
-
2:54 - 2:56(Risadas)
-
2:58 - 3:00PP: E enquanto o jogo ia continuando,
-
3:00 - 3:02um dos padrões mais interessantes e dramáticos
-
3:02 - 3:06que vimos começar a se manifestar
-
3:06 - 3:07foi que os jogadores ricos, na verdade,
-
3:07 - 3:11começaram a ser rudes com a outra pessoa,
-
3:11 - 3:13cada vez menos sensíveis às difficuldades
-
3:13 - 3:14desses pobres jogadores pobres,
-
3:14 - 3:17e exibindo cada vez mais
-
3:17 - 3:19seu sucesso material,
-
3:19 - 3:22e cada vez mais inclinados
a exibir seu bom desempenho. -
3:24 - 3:28Jogador Rico: Eu tenho dinheiro pra tudo.
-
3:28 - 3:29Jogador Pobre: Quanto é isso?
-
3:29 - 3:33Jogador Rico: Você tá me devendo 24 dólares.
-
3:33 - 3:36Você vai perder todo seu dinheiro logo.
-
3:36 - 3:38Eu vou comprar. Eu tenho muito dinheiro.
-
3:38 - 3:40Eu tenho tanto dinheiro, que levaria uma eternidade.
-
3:40 - 3:42Jogador Rico 2: Eu vou comprar esse tabuleiro todo.
-
3:42 - 3:44Jogador Rico 3: Seu dinheiro vai acabar logo.
-
3:44 - 3:47Eu sou basicamente intocável agora.
-
3:47 - 3:49PP: Está bem, e isso é o que eu acho
-
3:49 - 3:51muito interessante mesmo,
-
3:51 - 3:54o fato de que ao cabo de 15 minutos,
-
3:54 - 3:58pedimos aos jogadores que falassem
sobre a sua experiência durante o jogo. -
3:58 - 4:01e quando os jogadores ricos falaram sobre
-
4:01 - 4:02porque, inevitavelmente, tinham ganhado
-
4:02 - 4:04nesse partida manipulada de Banco Imobiliário --
-
4:04 - 4:09(Risadas) --
-
4:09 - 4:13eles falaram sobre o que tinham feito
-
4:13 - 4:16para comprar aquelas diversas propriedades
-
4:16 - 4:18e para conquistar sucesso no jogo,
-
4:18 - 4:21e ficaram muito menos conscientes
-
4:21 - 4:24de todas as várias facetas da situação,
-
4:24 - 4:26até daquele "cara ou coroa"
-
4:26 - 4:29que, aleatoriamente, os tinha colocado
-
4:29 - 4:32nessa posição privilegiada, em primeiro lugar.
-
4:32 - 4:34E essa é uma conclusão incrível
-
4:34 - 4:40sobre como a mente considera
o conceito de vantagem. -
4:40 - 4:42Então, essa partida de Banco Imobiliário
pode ser utilizada -
4:42 - 4:45como uma metáfora para enterdermos a sociedade
-
4:45 - 4:48e a sua estrutura hierárquica,
dentro da qual algumas pessoas -
4:48 - 4:51têm muita riqueza e muito prestígio social,
-
4:51 - 4:52e muitas pessoas não têm.
-
4:52 - 4:55Essas pessoas têm muito menos riqueza
e muito menos prestígio social -
4:55 - 4:58e muito menos acesso a recursos valorizados.
-
4:58 - 5:01E aquilo que eu e meus colegas temos feito
nos últimos sete anos -
5:01 - 5:05é estudar os efeitos desses tipos de hierarquias.
-
5:05 - 5:09Aquilo que nós temos descoberto
através de dezenas de pesquisas -
5:09 - 5:12e milhares de participantes por todo o país
-
5:12 - 5:17é que, enquanto os níveis de riqueza
de uma pessoa vão aumentando, -
5:17 - 5:23seus sentimentos de compaixão
e empatia vão se diminuindo, -
5:23 - 5:27e seus sentimentos de arrogância e de merecimento,
-
5:27 - 5:31e sua ideologia de interesse próprio
vão aumentando. -
5:31 - 5:33Nas sondagens, descobrimos que, na verdade,
-
5:33 - 5:35os indivíduos mais abastados
são os mais inclinados -
5:35 - 5:38a julgar a ganância como algo bom,
-
5:38 - 5:40e que a busca pelo interesse próprio
-
5:40 - 5:43é boa e moral.
-
5:43 - 5:45Então, o que quero fazer hoje é falar sobre
-
5:45 - 5:49algumas das consequências
dessa ideologia de interesse próprio, -
5:49 - 5:52e falar sobre por que deveríamos
nos preocupar com essas consequências -
5:52 - 5:55e terminar com aquilo que pode ser feito.
-
5:55 - 5:58Algumas das primeiras pesquisas
que fizemos nessa área -
5:58 - 5:59observavam a predisposição a ajudar,
-
5:59 - 6:01coisa que os psicólogos sociais chamam
-
6:01 - 6:03de "comportamento pró-social".
-
6:03 - 6:06E, na verdade, estávamos interessados
em saber quem é mais inclinado -
6:06 - 6:08a oferecer ajuda a outra pessoa,
-
6:08 - 6:11alguém que é rico ou alguém que é pobre.
-
6:11 - 6:16Numa dessas pesquisas, trazemos ricos e pobres,
-
6:16 - 6:18membros da comunidade, ao laboratório
-
6:18 - 6:22e damos a cada um deles
o equivalente de 10 dólares. -
6:22 - 6:23Nós dissemos aos participantes
-
6:23 - 6:26que poderiam ficar com esses 10 dólares,
-
6:26 - 6:28ou que poderiam compartilhar parte dele,
-
6:28 - 6:30se assim quissessem, com um desconhecido
-
6:30 - 6:31que é totalmente anônimo.
-
6:31 - 6:34Eles nunca vão conhecer esse desconhecido
e o desconhecido nunca vai conhecê-los. -
6:34 - 6:37E nós simplesmente monitoramos
quanto as pessoas dão. -
6:37 - 6:40Indivíduos que ganhavam 25 mil, às vezes
-
6:40 - 6:42menos de 15 mil dólares por ano,
-
6:42 - 6:44davam 44% mais do seu dinheiro
-
6:44 - 6:45ao desconhecido
-
6:45 - 6:48do que os indivíduos que ganhavam 150 mil
-
6:48 - 6:51ou 200 mil dólares por ano.
-
6:51 - 6:54Nós fizemos as pessoas jogarem jogos
-
6:54 - 6:56para ver quem era mais inclinado a trapacear
-
6:56 - 6:59para aumentar sua chance de ganhar um prêmio.
-
6:59 - 7:01Num desses jogos, na verdade,
manipulamos um computador -
7:01 - 7:04para que o resultado da tiragem dos dados
jamais fosse superior -
7:04 - 7:05a determinado número.
-
7:05 - 7:08Era impossível conseguir acima de 12 nessa partida,
-
7:08 - 7:11mas, mesmo assim, quanto mais rico você fosse,
-
7:11 - 7:13mais inclinado era a trapacear nesse jogo
-
7:13 - 7:17para ganhar créditos
para um prêmio monetário de 50 dólares, -
7:17 - 7:21às vezes, três ou quatro vezes
mais inclinado a trapacear. -
7:21 - 7:23Nós fizemos uma outra pesquisa
em que tentamos ver -
7:23 - 7:26se as pessoas eram mais inclinadas a roubar doces
-
7:26 - 7:29de uma jarra que explícitamente identificamos
-
7:29 - 7:31como sendo reservada para crianças --
-
7:31 - 7:34(Risadas) --
-
7:34 - 7:36que participavam -- Não estou brincando.
-
7:36 - 7:39Eu sei que parece que estou fazendo uma piada.
-
7:39 - 7:41Nós dissemos explícitamente aos participantes
-
7:41 - 7:43que essa jarra de doces
era para crianças que participavam -
7:43 - 7:46num laboratório de desenvolvimento
que ficava perto. -
7:46 - 7:48Elas estão fazendo pesquisas. Isso é para elas.
-
7:48 - 7:51E nós simplesmente monitoramos
quantos doces os participantes roubavam. -
7:51 - 7:53Participantes que se sentiam ricos
-
7:53 - 7:54roubavam duas devez mais doces
-
7:54 - 7:57que os participantes que se sentiam pobres.
-
7:57 - 8:00Até estudamos carros,
-
8:00 - 8:02e não quaisquer carros,
-
8:02 - 8:05mas se os motoristas de diversas marcas de carros
-
8:05 - 8:08são mais ou menos inclinados a infringir a lei.
-
8:08 - 8:11Numa dessas pesquisas, nós observamos
-
8:11 - 8:15se os motoristas paravam para um pedestre
-
8:15 - 8:18que deixamos esperando para atravessar
uma faixa de pedestres. -
8:18 - 8:20Bem, na Califórnia, como todos sabem,
-
8:20 - 8:22porque estou seguro de que todos fazemos isso,
-
8:22 - 8:26é lei parar para um pedestre
que esteja esperando para atravessar. -
8:26 - 8:28Então, aqui está um exemplo de como o fizemos.
-
8:28 - 8:30Esse é o nosso cúmplice, à esquerda,
-
8:30 - 8:32agindo como um pedestre.
-
8:32 - 8:36Ele se aproxima, enquanto a picape vermelha
para com sucesso. -
8:36 - 8:38Ao melhor estilo californiano,
a picape é ultrapassada -
8:38 - 8:41por um ônibus que quase atropela o pedestre.
-
8:41 - 8:42(Risadas)
-
8:42 - 8:44Agora, tem o exemplo de um carro mais caro,
-
8:44 - 8:46um Prius, que ignora a faixa
-
8:46 - 8:50e um BMW, fazendo a mesma coisa.
-
8:51 - 8:54Então, fizemos isso com centenas de veículos,
-
8:54 - 8:56em vários dias,
-
8:56 - 8:59simplesmente monitorando quem parava e quem não.
-
9:00 - 9:03O que descobrimos foi que, à medida que o preço
-
9:03 - 9:07do carro aumentava,
-
9:07 - 9:09as tendências do condutor em infringir a lei
-
9:09 - 9:10aumentavam também.
-
9:10 - 9:13Nenhum dos carros, nenhum dos carros
-
9:13 - 9:16na nossa categoria de carros menos caros
-
9:16 - 9:18infringiu a lei.
-
9:18 - 9:20Quase 50% dos carros
-
9:20 - 9:22na nossa categoria de veiculos mais caros
-
9:22 - 9:25infringiram a lei.
-
9:25 - 9:27Fizemos outras pesquisas descobrindo que
-
9:27 - 9:31os indivíduos mais ricos são mais inclinados
a mentir em negociações, -
9:31 - 9:33a apoiar comportamentos não éticos no trabalho,
-
9:33 - 9:35como roubar dinheiro da caixa registradora,
-
9:35 - 9:41aceitar subornos, mentir aos clientes.
-
9:41 - 9:42Mas não pretendo sugerir
-
9:42 - 9:44que só são os ricos
-
9:44 - 9:46os que mostram esses padrões de comportamento.
-
9:46 - 9:48De modo nenhum. De fato, eu acho que todo nós,
-
9:48 - 9:51em nosso dia a dia, minuto a minuto,
-
9:51 - 9:54lutamos com essas motivações de concorrência
-
9:54 - 9:58de quando, ou mesmo se,
colocarmos os nossos próprios interesses -
9:58 - 10:00acima dos interesses dos outros.
-
10:00 - 10:02E isso é fácil de entender porque
-
10:02 - 10:05o sonho americano é uma ideia
-
10:05 - 10:08na qual todos temos uma oportunidade igual
-
10:08 - 10:10de termos sucesso e de prosperarmos,
-
10:10 - 10:13contanto que nos apliquemos e trabalharmos duro,
-
10:13 - 10:15e uma parte disso significa que, às vezes,
-
10:15 - 10:18você tem de colocar os seus próprios interesses
-
10:18 - 10:22acima dos interesses e do bem-estar
de outras pessoas ao seu redor. -
10:22 - 10:24Mas o que nós estamos descobrindo é que,
-
10:24 - 10:26quanto mais rico você é, mais você tende
-
10:26 - 10:29a buscar uma visão de sucesso pessoal,
-
10:29 - 10:31de conquistas e realizações,
-
10:31 - 10:35em detrimento dos outros ao seu redor.
-
10:35 - 10:38Aqui, mapeamos para vocês
o rendimento familiar médio -
10:38 - 10:41recebido por cada um quinto da população,
e os 5% superiores, -
10:41 - 10:43ao longo dos últimos 20 anos.
-
10:43 - 10:46Em 1993, as diferenças entre os diferentes grupos
-
10:46 - 10:49da população, em termos de rendimento,
-
10:49 - 10:52eram bastante flagrantes.
-
10:52 - 10:54Não é difícil perceber que existem diferenças.
-
10:54 - 10:57Mas, ao longo dos últimos 20 anos,
essa diferença significativa -
10:57 - 10:59já virou uma espécie de Grand Canyon
-
10:59 - 11:02entre aqueles que estão no topo e o resto.
-
11:02 - 11:06De fato, os 20% mais ricos da nossa população
-
11:06 - 11:09têm quase 90% da riqueza total desse país.
-
11:09 - 11:11Estamos vivendo níveis de desigualdade econômica
-
11:11 - 11:14sem precedentes.
-
11:16 - 11:18O que isso signica é é que não só a riqueza está
-
11:18 - 11:22se concentrando cada vez mais nas mãos
de um seleto grupo de indivíduos, -
11:22 - 11:25mas também que o sonho americano está ficando
-
11:25 - 11:27cada vez mais inatingível
-
11:27 - 11:30para uma maioria cada vez maior de nós.
-
11:30 - 11:32E se é o caso, como temos descoberto,
-
11:32 - 11:34que quanto mais rico você for,
-
11:34 - 11:37mais digno dessa riqueza você se sente
-
11:37 - 11:40e mais inclinado você fica a priorizar
seus próprios interesses -
11:40 - 11:42aos interesses dos outros,
-
11:42 - 11:45e a estar disposto a fazer coisas
que servem esse interesse próprio. -
11:45 - 11:47Não há motivo para se pensar
-
11:47 - 11:49que esses padrões vão mudar.
-
11:49 - 11:51De fato, há todos os motivos para se pensar
-
11:51 - 11:52que eles só vão piorar,
-
11:52 - 11:55e assim pareceria,
se as coisas permanecessem iguais, -
11:55 - 12:00à mesma taxa linear, ao longo dos próximos 20 anos.
-
12:00 - 12:03Agora, a desigualdade, a desigualdade econômica,
-
12:03 - 12:05é uma coisa que deveria nos preocupar,
-
12:05 - 12:07não só por causa daqueles
que se encontram na parte inferior -
12:07 - 12:09da hierarquia social,
-
12:09 - 12:11mas porque indivíduos e grupos
-
12:11 - 12:16com muita desigualdade econômica se saem pior,
-
12:16 - 12:19não só as pessoas na parte inferior, todos.
-
12:19 - 12:21existem muitas pesquisas convincentes
-
12:21 - 12:24saindo dos melhores laboratórios do mundo,
-
12:24 - 12:27que mostram a variedade de coisas
-
12:27 - 12:28que são minadas
-
12:28 - 12:31quando a desigualdade econômica piora.
-
12:31 - 12:34A mobilidade social,
coisas que nos importam de verdade, -
12:34 - 12:36a saúde física, a confiança social,
-
12:36 - 12:39todas decaem enquanto a desigualdade aumenta.
-
12:39 - 12:41De modo parecido, as coisas negativas
-
12:41 - 12:44nos coletivos sociais e nas sociedades,
-
12:44 - 12:46coisas como obesidade, violência,
-
12:46 - 12:48encarceramento e punição,
-
12:48 - 12:52são exacerbadas
quando a desigualdade social aumenta. -
12:52 - 12:54Outra vez, esses resultados são vividos não só
-
12:54 - 12:56por uns poucos, mas se fazem sentir
-
12:56 - 12:59através de todas as camadas da sociedade.
-
12:59 - 13:02Até as pessoas que estão no topo
vivem esses resultados. -
13:02 - 13:05Então, o que devemos fazer?
-
13:05 - 13:09Essa cascata de efeitos autoperpetuantes,
-
13:09 - 13:11perniciosos e negativos
-
13:11 - 13:15poderia parecer uma coisa que já perdeu o controle,
-
13:15 - 13:16e que não há nada que possamos fazer a respeito,
-
13:16 - 13:19certamente nada que nós, indivíduos,
possamos fazer. -
13:19 - 13:23Mas, na realidade, nós temos achado
-
13:23 - 13:26nas nossas pesquisas em laboratórios
-
13:26 - 13:31que pequenas intervenções psicológicas,
-
13:31 - 13:35pequenas mudanças nos valores das pessoas,
-
13:35 - 13:38pequenos toques em certas direções,
-
13:38 - 13:41podem restaurar os níveis
de igualitarismo e empatia. -
13:41 - 13:44Por exemplo, lembrar as pessoas
-
13:44 - 13:46dos benefícios da cooperação
-
13:46 - 13:49ou das vantagens do comunitário
-
13:49 - 13:53faz com que os indivíduos ricos
sejam tão igualitaristas -
13:53 - 13:55quanto pessoas pobres.
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13:55 - 13:59Em uma pesquisa, fizemos pessoas
assistirem a um filme breve, -
13:59 - 14:03de apenas 46 segundos, sobre a pobreza infantil,
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14:03 - 14:06que servia de lembrete das necessidades dos outros
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14:06 - 14:08no mundo ao seu redor,
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14:08 - 14:10e, depois de terem visto isso,
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14:10 - 14:12nós observamos o quanto
as pessoas estavam dispostas -
14:12 - 14:15a oferecerem o seu próprio tempo
a um desconhecido -
14:15 - 14:19em dificuldades, que lhes foi apresentado.
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14:19 - 14:22Depois de terem visto esse filme, após uma hora,
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14:22 - 14:24os ricos se tornaram tão generosos,
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14:24 - 14:26usando seu próprio tempo para ajudar outra pessoa,
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14:26 - 14:29um desconhecido, quanto uma pessoa que é pobre,
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14:29 - 14:32o que sugere que essas diferenças não são
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14:32 - 14:33inatas nem categóricas,
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14:33 - 14:35mas que são muito maleáveis
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14:35 - 14:37a ligeiras mudanças nos valores das pessoas,
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14:37 - 14:39a pequenos toques de compaixão
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14:39 - 14:41e a empurrões de empatia.
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14:41 - 14:43E, além dos muros do nosso laboratório,
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14:43 - 14:47estamos até começando a ver pequenos sinais
de mudança na sociedade. -
14:47 - 14:50Bill Gates, um dos indivíduos
mais ricos do nosso país, -
14:50 - 14:52em seu discurso como patrono em Harvard,
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14:52 - 14:54falou sobre o problema da desigualdade
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14:54 - 14:57como sendo o mais desanimador desafio,
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14:57 - 15:00e falou sobre o que deve ser feito
para combatê-lo, -
15:00 - 15:03dizendo: "Os maiores avanços da humanidade
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15:03 - 15:05não se encontram nas suas descobertas,
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15:05 - 15:08mas na maneira pela qual
essas descobertas são aplicadas -
15:08 - 15:11para que reduzam a desigualdade".
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15:11 - 15:13E, além disso, tem a "Giving Pledge",
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15:13 - 15:15com a qual mais de 100 dos indivíduos
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15:15 - 15:18mais ricos do nosso país
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15:18 - 15:22estão prometendo dar metade
da sua fortuna para caridade. -
15:22 - 15:23E, além disso, há o surgimento
-
15:23 - 15:27de vários movimentos de base,
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15:27 - 15:29como o "We are the One Percent",
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15:29 - 15:31a "Resource Generation",
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15:31 - 15:33ou o "Wealth for Common Good",
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15:33 - 15:36nos quais os mais previlegiados
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15:36 - 15:38membros da população,
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15:38 - 15:40membros do 1% e além,
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15:40 - 15:42pessoas que são ricas,
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15:42 - 15:46estão usando seus recursos econômicos,
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15:46 - 15:50tanto adultos quanto jovens,
isso é o que mais me impressiona, -
15:50 - 15:52o fato de estarem investindo
o seu próprio privilégio, -
15:52 - 15:54seus próprios recursos econômicos,
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15:54 - 15:57para combaterem a desigualdade
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15:57 - 16:00na defesa de políticas sociais,
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16:00 - 16:02mudanças nos valores sociais
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16:02 - 16:04e mudanças no comportamento das pessoas,
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16:04 - 16:07que trabalham contra seus próprios
interesses econômicos -
16:07 - 16:11mas que, afinal de contas,
podem restaurar o sonho americano. -
16:11 - 16:13Obrigado.
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16:13 - 16:17Aplausos
- Title:
- O dinheiro nos torna ruins?
- Speaker:
- Paul Piff
- Description:
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É incrível o que uma partida manipulada de Banco Imobiliário pode revelar. Nessa palestra divertida, mas sóbria, o psicólogo social Paul Piff compartilha suas pesquisas sobre como as pessoas se comportam quando se acham ricas. (Dica: mal.) Mas ainda que o problema da desigualdade seja um desafio complexo e difícil, existem boas notícias também. (Filmado em TEDxMarin)
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 16:35
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Carlos Britto
Oi ! Fiz algumas mudanças:
Monopoly - Banco Imobiliário
rigged - Manipulado
outras expressões idiomáticas
tempos verbais
e alguns erros de digitação e acentuação
Obrigado pela tradução =D
Victor Barbosa
O título não deveria ser "O dinheiro nos faz ruins?", no plural? Digo, o adjetivo "ruim" tem que estar em concordância de número com o sujeito, que está no plural...
Carlos Britto
Com certeza. Falha minha !