Uma teoria sobre tudo
-
0:01 - 0:04Eu vou falar sobre mim,
-
0:04 - 0:09uma coisa que raramente faço,
porque, em primeiro lugar, -
0:09 - 0:11prefiro falar sobre coisas
de que não sei nada. -
0:12 - 0:16E, em segundo lugar,
sou uma narcisista em recuperação. -
0:16 - 0:18(Risos)
-
0:18 - 0:21Na verdade, eu não sabia
que era narcisista. -
0:21 - 0:23Julgava que narcisismo
significava amar-se a si mesmo. -
0:23 - 0:25Mas disseram-me que há
um outro significado -
0:25 - 0:28que é pior do que o amor de si próprio.
-
0:28 - 0:30É o amor de si próprio não correspondido.
-
0:30 - 0:33(Risos)
-
0:35 - 0:37Acho que não posso
permitir-me uma recaída. -
0:37 - 0:40Apesar disso, quero explicar
-
0:40 - 0:43como acabei por conceber
o meu estilo de comédia, -
0:43 - 0:45pois passei por diversas variantes.
-
0:45 - 0:47Comecei pela improvisação,
-
0:47 - 0:51com um tipo específico de improvisação,
chamado jogos teatrais, -
0:51 - 0:53que tinha uma única regra,
-
0:53 - 0:56que sempre considerei uma ótima regra
para a ética de uma sociedade . -
0:56 - 1:00Essa regra era: "Não podemos negar
a realidade do próximo, -
1:00 - 1:02"só podemos construir sobre ela".
-
1:02 - 1:05Claro que vivemos numa sociedade
-
1:05 - 1:07que repousa na contradição
da realidade dos outros. -
1:07 - 1:09Tudo se concentra na contradição,
-
1:09 - 1:12Penso que é por isso que sou
tão sensível à contradição, em geral. -
1:12 - 1:14Vejo-a em toda parte.
-
1:14 - 1:16Como nas sondagens, por exemplo.
-
1:16 - 1:19Sempre achei curioso
que, nas sondagens de opinião pública, -
1:19 - 1:23a percentagem de americanos
que não sabe responder a uma pergunta -
1:23 - 1:25é sempre de 2%.
-
1:26 - 1:2875% dos americanos pensam
-
1:28 - 1:30que o Alasca pertence ao Canadá.
-
1:30 - 1:33Mas só 2% desconhecem o efeito
-
1:33 - 1:38que o colapso na Argentina terá
na política monetária do FMI. -
1:38 - 1:39(Risos)
-
1:39 - 1:42Isto parece-me uma contradição.
-
1:42 - 1:45Ou esta publicidade que li
no New York Times: -
1:45 - 1:49"Usar um belo relógio diz muito
sobre a sua posição na sociedade. -
1:49 - 1:52"Comprá-lo é um grito de bom gosto."
-
1:52 - 1:54(Risos)
-
1:54 - 1:58Ou isto que achei numa revista
chamada California Lawyer, -
1:58 - 2:01num artigo que era certamente
destinado aos advogados da Enron. -
2:02 - 2:05"Sobreviver à prisão:
O que fazer ou não fazer." -
2:05 - 2:06(Risos)
-
2:06 - 2:08"Não usar palavras difíceis."
-
2:08 - 2:09(Risos)
-
2:09 - 2:12"Aprender a língua franca."
-
2:12 - 2:15(Risos)
-
2:19 - 2:21Sim. "Lingua isto, Frankie".
-
2:22 - 2:24(Risos)
-
2:24 - 2:27Suponho que seja uma contradição
-
2:27 - 2:31eu falar de ciência
quando não sei nada de matemática. -
2:32 - 2:34Por falar nisso,
estou muito grata a Dean Kamen... -
2:34 - 2:37... por assinalar que uma das razões,
porque há razões culturais -
2:38 - 2:43para as mulheres e as minorias não entrarem
nas áreas da ciência e da tecnologia, -
2:43 - 2:46porque, por exemplo, a razão
por que não sei matemática -
2:46 - 2:49é porque me ensinaram matemática
e leitura ao mesmo tempo. -
2:49 - 2:53Aos seis anos, estamos a ler
a Branca de Neve e os Sete Anões. -
2:53 - 2:55Torna-se logo óbvio
-
2:55 - 2:57que só há dois tipos de homens no mundo:
-
2:57 - 2:59os anões e os príncipes encantados.
-
2:59 - 3:02As probabilidades são de um contra sete
para encontrar o príncipe. -
3:02 - 3:05(Risos)
-
3:05 - 3:08É por isso que as raparigas não gostam
de matemática, é muito deprimente. -
3:08 - 3:11(Risos)
-
3:14 - 3:16Claro que, ao falar de ciência,
-
3:16 - 3:18também posso, como na noite passada,
-
3:18 - 3:22incorrer na ira violenta
de alguns cientistas -
3:22 - 3:24que ficaram muito aborrecidos comigo.
-
3:24 - 3:28Usei a palavra "pós-moderno",
como se estivesse ok. -
3:29 - 3:32E eles ficaram muito irritados.
-
3:32 - 3:34Na verdade, creio que um deles
-
3:34 - 3:37só queria arrastar-me
para uma discussão a sério. -
3:38 - 3:40Mas eu não me meto em discussões a sério.
-
3:40 - 3:42Não as aprovo,
-
3:43 - 3:46porque todas as discussões
são sobre contradições. -
3:46 - 3:49Formam-se segundo valores
que eu ponho em causa. -
3:49 - 3:53Eu ponho em causa os valores da ciência
de Newton, como a racionalidade. -
3:53 - 3:55Supostamente, temos que ser
racionais numa discussão. -
3:55 - 3:58Mas a racionalidade é construída
-
3:58 - 4:00por aquilo de que Christie Hefner
falou hoje, -
4:00 - 4:03a separação entre o corpo e o espírito.
-
4:03 - 4:05A cabeça é boa, o corpo é mau.
-
4:05 - 4:07A cabeça é o ego, o corpo é a coisa.
-
4:07 - 4:09Quando dizemos "eu"
-
4:09 - 4:12— como quando Descartes disse:
"Eu penso, logo eu existo" — -
4:12 - 4:14estamos a falar na cabeça.
-
4:14 - 4:17E como David Lee Roth cantou
em "Just a Gigolo" -
4:17 - 4:19"Eu não tenho corpo".
-
4:21 - 4:24É assim que obtemos a razão.
-
4:24 - 4:27É por isso que grande parte do humor
-
4:27 - 4:30é o corpo a afirmar-se contra a cabeça.
-
4:30 - 4:34É por isso que temos humor
de sanita e humor sexual. -
4:34 - 4:36É por isso que temos os Irmãos Raspyni
-
4:36 - 4:39a bater na área genital de Richard.
-
4:39 - 4:44E rimos a dobrar porque ele é o corpo,
mas também é... -
4:45 - 4:46(Voz off): Richard.
-
4:46 - 4:48Emily Levine: Richard.
O que foi que eu disse? -
4:48 - 4:49(Risos)
-
4:49 - 4:53Richard. Mas ele também é a cabeça,
a cabeça da conferência. -
4:53 - 4:55É diferente daquele humor
-
4:55 - 4:58com que Art Buchwald
visa os chefes-de-estado. -
4:59 - 5:02Não ganha tanto dinheiro
como o humor do corpo, certamente. -
5:02 - 5:04(Risos)
-
5:04 - 5:07Apesar disso, apreciamos-te e adoramos-te.
-
5:08 - 5:11Mas também há uma contradição
na razão neste país. -
5:11 - 5:14Por mais que veneremos a cabeça,
-
5:14 - 5:16somos muito anti-intelectuais.
-
5:16 - 5:21Sei disso, porque li no New York Times
-
5:21 - 5:24a Fundação Ayn Rand
publicou um anúncio de página inteira -
5:24 - 5:27depois do 11 de setembro,
em que dizia: -
5:27 - 5:29"O problema não é o Iraque nem o Irão,
-
5:29 - 5:33"o problema neste país,
que este país enfrenta, -
5:33 - 5:36"são os professores universitários
e a sua prole". -
5:36 - 5:39(Risos)
-
5:44 - 5:47Por isso, voltei a ler "Vontade Indómita".
-
5:47 - 5:48(Risos)
-
5:49 - 5:51Não sei quantos aqui já o leram.
-
5:51 - 5:54Não sou especialista em sadomasoquismo.
-
5:54 - 5:56(Risos)
-
5:57 - 6:01Mas vou ler-vos algumas passagens
ao acaso, na página 217. -
6:01 - 6:02"O ato de um dono
-
6:02 - 6:05"que toma posse dela,
de modo desprezível e doloroso, -
6:05 - 6:08"era o tipo de êxtase que ela queria.
-
6:08 - 6:10"Quando estavam deitados na cama,
-
6:10 - 6:14"era, como devia ser, como a natureza
do ato exigia, -
6:14 - 6:16"um ato de violência.
-
6:16 - 6:20"Era um ato de dentes cerrados e ódio,
era o insuportável. -
6:21 - 6:23"Nem uma carícia,
apenas uma onda de dor. -
6:23 - 6:26"A agonia como um ato de paixão".
-
6:27 - 6:29Podem imaginar a minha surpresa
-
6:29 - 6:31ao ler no The New Yorker
-
6:31 - 6:35que Alan Greenspan, presidente
do Federal Reserve, -
6:35 - 6:37afirma que Ayn Rand
é a sua mentora intelectual. -
6:38 - 6:40(Risos)
-
6:41 - 6:44É como descobrir que a nossa ama
é uma dominadora. -
6:44 - 6:46(Risos)
-
6:46 - 6:49Já foi mau ver J. Edgar Hoover de vestido.
-
6:49 - 6:51Agora temos que imaginar Alan Greenspan
-
6:51 - 6:54de corpete de couro preto,
com uma tatuagem no rabo que diz: -
6:54 - 6:56"Chicoteia a inflação já!"
-
6:56 - 6:58(Risos)
-
6:58 - 7:01(Aplausos)
-
7:03 - 7:08Claro que Ayn Rand é famosa
por uma filosofia chamada Objetivismo, -
7:08 - 7:11que reflete outro valor
da física de Newton, -
7:11 - 7:13que é a objetividade.
-
7:13 - 7:16A objetividade constrói-se,
basicamente, -
7:16 - 7:19do mesmo modo que o sadomasoquismo.
-
7:19 - 7:21É o sujeito que subjuga o objeto.
-
7:22 - 7:23É assim que nos afirmamos.
-
7:23 - 7:28Tornamo-nos na voz ativa
e o objeto é a não-voz passiva. -
7:29 - 7:31Fiquei fascinada
por aquele anúncio da Oxygen. -
7:32 - 7:34Não sei se sabem isto
-
7:34 - 7:38— talvez agora seja diferente,
ou talvez estejam a fazer uma afirmação — -
7:38 - 7:41mas em muitas maternidades do país,
-
7:41 - 7:45até há pouco tempo, segundo
um livro de Jessica Benjamin, -
7:46 - 7:49a tabuleta por cima dos berços
dos rapazinhos dizia: -
7:49 - 7:50"Eu sou um rapaz".
-
7:50 - 7:53e a tabuleta por cima dos berços
das meninas dizia: -
7:53 - 7:55"É uma rapariga". É mesmo.
-
7:56 - 8:01Portanto, a passividade era projetada
culturalmente para as raparigas. -
8:01 - 8:05E isto continua, como penso
que vos disse no ano passado. -
8:05 - 8:07Há uma sondagem que prova
-
8:07 - 8:10— foi uma sondagem feita
pela revista Time, -
8:10 - 8:12em que só perguntavam aos homens:
-
8:12 - 8:16"Alguma vez teve relações sexuais
com uma mulher de quem não gostava nada?" -
8:19 - 8:22Bem, houve 58% que responderam "Sim"
-
8:22 - 8:24o que eu acho que é um exagero
-
8:24 - 8:26porque há muitos homens
a quem basta dizer: -
8:26 - 8:28"Alguma vez teve relações sexuais..."
"Sim". -
8:28 - 8:30Nem esperam pelo resto da pergunta.
-
8:30 - 8:33(Risos)
-
8:32 - 8:35Claro que 2% não sabiam se o tinham feito.
-
8:35 - 8:38(Risos)
-
8:38 - 8:40É o primeiro lembrete
-
8:40 - 8:43da minha tentativa
dum lembrete quádruplo. -
8:43 - 8:45(Risos)
-
8:46 - 8:48Esta coisa de sujeito-objeto
-
8:48 - 8:52faz parte duma coisa
em que estou muito interessada -
8:52 - 8:57porque é por isso que eu acredito
no politicamente correto. -
8:57 - 9:00Acredito. Acho que pode ir longe demais
-
9:00 - 9:03Penso que os Irmãos Rigling
talvez tenham ido longe demais -
9:03 - 9:05com um anúncio que fizeram
no New York Times Magazine: -
9:05 - 9:08"Temos um compromisso emotivo
e financeiro, de longa duração -
9:08 - 9:11"com os nossos parceiros
elefantes asiáticos". -
9:11 - 9:13(Risos)
-
9:13 - 9:16Talvez longe demais. Mas sabem...
-
9:16 - 9:22Penso que uma pessoa de cor
a fazer troça de pessoas brancas -
9:22 - 9:24não é a mesma coisa
que uma pessoa branca -
9:24 - 9:26a fazer troça de pessoas de cor.
-
9:26 - 9:29Ou mulheres a troçar de homens
seja o mesmo que homens a troçar... -
9:29 - 9:32Ou pobres a troçar de ricos,
a mesma coisa que ricos... -
9:32 - 9:36Penso que podemos fazer troça de quem tem
mas não de quem não tem. -
9:36 - 9:38Por isso é que não me veem a fazer troça
-
9:38 - 9:40de Kenneth Lay
e da sua encantadora mulher. -
9:40 - 9:42(Risos)
-
9:42 - 9:44Que graça tem ficar reduzido
a quatro casas? -
9:44 - 9:47(Risos)
-
9:47 - 9:49Aprendi esta lição
-
9:49 - 9:53durante os escândalos sexuais
da administração Clinton -
9:53 - 9:56ou, como lhes chamo,
os belos velhos tempos, -
9:56 - 9:58(Risos)
-
9:58 - 10:02Quando pessoas que eu conheço,
pessoas que se consideram liberais -
10:02 - 10:04e tudo o mais,
-
10:04 - 10:08faziam troça de Jennifer Flowers
e de Paula Jones, -
10:08 - 10:10na verdade, estavam a fazer troça delas
-
10:10 - 10:14por serem esterco ou escumalha branca.
-
10:14 - 10:17Dir-se-ia, suponho,
um preconceito inofensivo -
10:17 - 10:19e que não estamos a ofender ninguém.
-
10:19 - 10:25Até lerem, como eu li,
um anúncio no Los Angeles Times: -
10:25 - 10:28"Para venda: compressor de lixo branco".
-
10:29 - 10:31(Risos)
-
10:36 - 10:40Portanto, toda esta história
de sujeito e objeto -
10:40 - 10:42tem relevância para o humor.
-
10:44 - 10:47Li um livro duma mulher
chamada Amy Richlin, -
10:47 - 10:51que é presidente do departamento Clássico
na Universidade da Califórnia. -
10:51 - 10:53O livro chama-se "O Jardim de Priapo".
-
10:53 - 10:56Ela diz que o humor romano
-
10:56 - 11:00reflete a construção da sociedade romana.
-
11:01 - 11:04Portanto, a sociedade romana
era muito hierarquizada, -
11:04 - 11:07como a nossa, em certa medida.
-
11:06 - 11:07E o humor também.
-
11:07 - 11:10Tinha que ser sempre o alvo de piadas.
-
11:10 - 11:15Era sempre o satírico,
-
11:14 - 11:16como Juvenal ou Marcial,
-
11:16 - 11:18que representava o público,
-
11:18 - 11:21e fazia troça do estranho,
-
11:21 - 11:25da pessoa que não partilhava
do estatuto de sujeito. -
11:25 - 11:28Claro que na comédia "stand-up",
-
11:28 - 11:32o ator sozinho no palco
supostamente domina o público -
11:33 - 11:35Muitas interrupções provocam a tensão
-
11:35 - 11:42de tentar assegurar que o ator
vai ser capaz de dominar, -
11:42 - 11:44e ultrapassar as interrupções.
-
11:45 - 11:48Eu era boa nisso, quando fiz "stand-up".
-
11:48 - 11:52Mas odiava aquilo, porque
eles impunham os termos da interação. -
11:52 - 11:56do mesmo modo que
envolver-se numa discussão séria -
11:56 - 11:59determina o conteúdo, em certa medida,
-
11:59 - 12:01daquilo de que estamos a falar.
-
12:01 - 12:05Eu andava à procura duma forma
que não tivesse isso. -
12:09 - 12:13Queria uma coisa
que fosse mais interativa. -
12:13 - 12:17Sei que, hoje, a palavra
está muito rebaixada -
12:16 - 12:19pelo seu uso pelos publicitários
na Internet. -
12:21 - 12:24Digo-vos, hoje sinto a falta dos antigos
televendedores. -
12:24 - 12:26(Risos)
-
12:26 - 12:28Sinto mesmo porque, pelo menos,
tínhamos uma hipótese. -
12:28 - 12:32Eu desligava na cara deles.
-
12:32 - 12:34Mas depois li em "Dear Abby"
que isso era grosseiro. -
12:34 - 12:36Por isso, quando um deles me ligou,
-
12:36 - 12:38eu deixei-o chegar a meio da conversa
e depois disse: -
12:38 - 12:41"Tens uma voz muito sensual".
-
12:41 - 12:44(Risos)
-
12:44 - 12:46Foi ele que me desligou na cara!
-
12:47 - 12:50(Risos)
-
12:55 - 12:57Mas a interatividade permite que o público
-
12:57 - 13:00modele o que nós vamos fazer
-
13:00 - 13:04tal como modelamos a experiência do mundo.
-
13:05 - 13:07É disso que eu ando à procura.
-
13:07 - 13:10E, quando eu comecei a analisar,
-
13:10 - 13:12era isso que eu estava a fazer.
-
13:12 - 13:17Li um livro chamado
"Trickster Makes This World" de Lewis Hyde. -
13:17 - 13:19Foi como se estivesse a fazer psicanálise.
-
13:19 - 13:21Quer dizer, tinha lá tudo.
-
13:21 - 13:23Quando vinha para esta conferência,
-
13:23 - 13:26percebi que quase toda a gente aqui
-
13:26 - 13:28partilhava as mesmas qualidades
-
13:28 - 13:31porque um trapaceiro
é um agente de mudança. -
13:31 - 13:34Um trapaceiro é um agente de mudança.
-
13:34 - 13:36As qualidades que vou descrever
-
13:36 - 13:38são as qualidades que tornam possível
-
13:38 - 13:40fazer acontecer a mudança.
-
13:40 - 13:44Uma delas é ultrapassar os limites.
-
13:44 - 13:48Penso que foi isso
que enfureceu os cientistas. -
13:48 - 13:50Mas eu gosto de ultrapassar os limites.
-
13:50 - 13:53Como já disse, gosto de falar
de coisas de que nada sei. -
13:55 - 13:57(Toque de telefone)
-
13:57 - 14:01Espero que seja o meu agente
porque aqui não me pagam nada. -
14:01 - 14:02(Risos)
-
14:03 - 14:05Acho que é bom falar de coisas
de que não sei nada -
14:05 - 14:08porque contribuo
com um ponto de vista novo. -
14:08 - 14:12Consigo ver a contradição
que vocês podem não ser capazes de ver. -
14:12 - 14:14Como, por exemplo,
uma vez, um mímico -
14:14 - 14:16— ou um meme, como ele se intitulava.
-
14:16 - 14:18Era um meme muito egoísta.
-
14:19 - 14:23Dizia que eu devia mostrar mais respeito
-
14:23 - 14:26porque eram precisos 18 anos
-
14:26 - 14:29para aprender a fazer mímica corretamente.
-
14:29 - 14:33E eu disse: "É assim que sabemos
que só os estúpidos se dedicam a isso". -
14:33 - 14:34(Risos)
-
14:34 - 14:37Bastam dois anos para aprender a falar.
-
14:37 - 14:39(Risos)
-
14:39 - 14:42(Aplausos)
-
14:43 - 14:47Sabem, este é o problema
com a "objetividade", -
14:48 - 14:50Quando só estamos rodeados por pessoas
-
14:50 - 14:52que falam o mesmo vocabulário que nós
-
14:52 - 14:55ou partilham o mesmo conjunto
de premissas que nós, -
14:55 - 14:57começamos a pensar que a realidade é essa.
-
14:57 - 15:01Tal como os economistas,
a sua definição de racional, -
15:01 - 15:05de que todos nós agimos segundo
o nosso interesse económico. -
15:05 - 15:09Olhem para Michael Hawley,
ou para Dean Kamen, -
15:09 - 15:10ou para a minha avó.
-
15:10 - 15:13A minha avó sempre agiu
no interesse dos outros, -
15:13 - 15:15quer eles quisessem ou não.
-
15:15 - 15:17(Risos)
-
15:18 - 15:20Se houvesse Jogos Olímpicos do martírio,
-
15:20 - 15:23a minha avó perderia de propósito.
-
15:23 - 15:25(Risos)
-
15:30 - 15:31"Não, fica tu com o prémio.
-
15:31 - 15:34"És nova, eu sou velha.
Quem é que vai ver? -
15:34 - 15:36"Para onde é que eu vou?
Vou morrer em breve". -
15:37 - 15:38(Risos)
-
15:38 - 15:40Portanto, esta é uma
-
15:40 - 15:43— este ultrapassar os limites,
este mediador... -
15:44 - 15:45Fritz Lanting, é o seu nome,
-
15:45 - 15:48disse que era um mediador.
-
15:48 - 15:50É uma verdadeira qualidade do trapaceiro.
-
15:50 - 15:53Outra é, estratégias que não se opõem.
-
15:54 - 15:57Isto substitui a contradição.
-
15:57 - 16:00Quando negamos a realidade
de outra pessoa, -
16:00 - 16:01temos um paradoxo,
-
16:01 - 16:05em que aceitamos que coexiste
mais do que uma realidade. -
16:05 - 16:08Penso que há outra construção filosófica.
-
16:09 - 16:12Não sei bem como se chama.
-
16:12 - 16:16Mas o meu exemplo disso é uma tabuleta
que vi numa joalharia, que dizia: -
16:15 - 16:18"Orelhas furadas enquanto esperam".
-
16:18 - 16:21(Risos)
-
16:23 - 16:25Aqui as possibilidades
desafiam a imaginação. -
16:26 - 16:27(Risos)
-
16:27 - 16:30"Oh, não. Mas obrigada,
eu deixo-as aqui, muito obrigada. -
16:31 - 16:32"Tenho umas coisas a tratar.
-
16:32 - 16:36"Depois volto para as vir buscar.
por volta das cinco, se acharem bem. -
16:36 - 16:37(Risos)
-
16:37 - 16:39"O quê? Não oiço nada".
-
16:39 - 16:41(Risos)
-
16:44 - 16:47Outro atributo do trapaceiro
-
16:47 - 16:49é a sorte danada.
-
16:50 - 16:54Os acidentes
— Louis Kahn falou de acidentes — -
16:53 - 16:55é outra qualidade do trapaceiro.
-
16:55 - 17:00O espírito do trapaceiro
está preparado para o inesperado. -
17:01 - 17:05Eu digo aos cientistas
-
17:05 - 17:10que o trapaceiro tem a capacidade
de manter ideias ligeiras -
17:11 - 17:14de modo a deixar espaço para novas ideias
-
17:14 - 17:18ou ver as contradições
ou os problemas ocultos -
17:18 - 17:20nas suas ideias.
-
17:20 - 17:22Não tenho piadas para isso.
-
17:22 - 17:25Só queria pôr os cientistas no seu lugar.
-
17:25 - 17:27(Risos)
-
17:29 - 17:33Mas eis como penso que gostava
de fazer uma mudança -
17:33 - 17:35e é na criação de ligações.
-
17:35 - 17:38É aqui que tenho tendência para ver
-
17:38 - 17:40quase mais do que as contradições.
-
17:40 - 17:43Por exemplo, como é que se chamam
os dedos dos pés da osga? -
17:44 - 17:46Sabem, os dedos dos pés da osga,
-
17:46 - 17:49que enrolam e desenrolam
como os dedos de Michael Moschen. -
17:50 - 17:52Adoro as ligações.
-
17:52 - 17:56Vou ler um dos dois atributos
da matéria no universo de Newton -
17:57 - 17:59— há dois atributos da matéria
no universo de Newton — -
17:59 - 18:02um é a ocupação do espaço
— a matéria ocupa espaço. -
18:02 - 18:06Acho que, quanto mais massa tiverem,
mais espaço vocês ocupam, -
18:06 - 18:08o que explica todo o fenómeno dos SUV.
-
18:08 - 18:10(Risos)
-
18:11 - 18:13O outro é a impenetrabilidade.
-
18:14 - 18:19Na antiga Roma, a impenetrabilidade
era um critério de masculinidade. -
18:20 - 18:24A masculinidade dependia
de se ser o penetrador ativo. -
18:25 - 18:29Mas na economia, há o produtor ativo
-
18:29 - 18:30e o consumidor passivo,
-
18:30 - 18:32o que explica porque é que os negócios
-
18:32 - 18:35têm que penetrar sempre em novos mercados.
-
18:35 - 18:40Ou seja, porque é que forçámos a China
a abrir os seus mercados? -
18:40 - 18:42Isso não nos soube bem?
-
18:42 - 18:44(Risos)
-
18:46 - 18:48Agora, estamos a ser penetrados.
-
18:48 - 18:51As empresas biotécnicas
estão a entrar dentro de nós -
18:51 - 18:53e a implantar as suas bandeirinhas
nos nossos genes. -
18:53 - 18:56Sabemos que estamos a ser penetrados.
-
18:56 - 18:59E suspeito que é por alguém
que nos detesta ativamente. -
18:59 - 19:01(Risos)
-
19:02 - 19:06É o segundo do lembrete quádruplo.
-
19:07 - 19:09Claro que apanharam esta. Muito obrigada.
-
19:09 - 19:10Ainda não acabei.
-
19:10 - 19:13(Risos)
-
19:13 - 19:17O que eu espero fazer,
quando faço estas ligações. -
19:17 - 19:20é curtocircuitar o pensamento das pessoas.
-
19:20 - 19:25Obrigar-vos a não seguirem
o vosso caminho habitual de associações, -
19:25 - 19:28mas tentar rebobinar-vos.
-
19:28 - 19:31Quando as pessoas falam
do choque de reconhecimento -
19:31 - 19:36trata-se de re-conhecimento,
de rebobinar a forma como pensam. -
19:41 - 19:44Eu tinha uma piada para isto,
mas esqueci-a. -
19:44 - 19:48Desculpem, estou a ficar
como a mulher, naquela anedota. -
19:49 - 19:52Já ouviram a anedota da mulher
que ia de carro, com a mãe? -
19:53 - 19:55A mãe é idosa
-
19:55 - 19:57e a mãe passa um sinal vermelho.
-
19:57 - 19:59A filha não quer dizer nada.
-
19:59 - 20:03Não quer ser, tipo:
"Estás demasiado velha para guiar". -
20:02 - 20:05A mãe passa outro sinal vermelho.
-
20:05 - 20:08E a filha diz, com o maior tacto possível:
-
20:09 - 20:12"Mãe, reparaste que passaste
dois sinais vermelhos?" -
20:13 - 20:15E a mãe diz: "Oh! Sou eu que vou a guiar?"
-
20:15 - 20:17(Risos)
-
20:21 - 20:24É este o choque do reconhecimento,
-
20:24 - 20:26no momento do choque do reconhecimento.
-
20:26 - 20:28Este completa o lembrete quádruplo.
-
20:29 - 20:30(Risos)
-
20:33 - 20:35Só quero dizer mais duas coisas.
-
20:35 - 20:38Uma é que outra característica
do trapaceiro -
20:38 - 20:42é que o trapaceiro
tem que andar na corda bamba. -
20:43 - 20:45Tem que ter equilíbrio.
-
20:45 - 20:49Para mim, o maior obstáculo,
naquilo que faço -
20:49 - 20:54é construir o meu espetáculo
que seja preparado e improvisado. -
20:55 - 20:58Encontrar o equilíbrio
entre estas duas coisas -
20:58 - 20:59é sempre perigoso
-
20:59 - 21:03porque podemos inclinar-nos demasiado
na direção do improvisado. -
21:02 - 21:07Mas estar preparado demais
não deixa espaço para os acidentes. -
21:09 - 21:13Estava a pensar no que Moshe Safdie
-
21:13 - 21:15disse ontem sobre a beleza
-
21:15 - 21:17porque no seu livro, Hyde diz
-
21:17 - 21:22que, por vezes, o trapaceiro
pode hesitar na beleza. -
21:23 - 21:28Mas, para isso, é preciso
perder todas as outras qualidades -
21:28 - 21:31porque, depois de entrarem na beleza,
-
21:31 - 21:33entram numa coisa acabada.
-
21:33 - 21:37Entram numa coisa que ocupa espaço
e habita o tempo. -
21:37 - 21:39É uma grande verdade.
-
21:40 - 21:43É sempre extraordinário
ver uma coisa bela. -
21:44 - 21:46Mas se não fizermos isso,
-
21:46 - 21:49se permitirmos que o acidente
continue a acontecer, -
21:49 - 21:52temos a possibilidade de entrar
num comprimento de onda. -
21:53 - 21:58Gosto de pensar no que faço
como uma onda de probabilidade. -
21:59 - 22:02Quando entramos na beleza,
a onda de probabilidade -
22:02 - 22:04soçobra numa só possibilidade.
-
22:04 - 22:07E eu gosto de explorar
todas as possibilidades -
22:07 - 22:11na esperança de ficar no mesmo
comprimento de onda do público. -
22:13 - 22:16A última qualidade do trapaceiro
de que quero falar -
22:16 - 22:17é que ele não tem casa.
-
22:17 - 22:19Anda sempre na estrada.
-
22:20 - 22:24Quero dizer-te, Richard, a terminar,
-
22:25 - 22:29que no TED criaste uma casa.
-
22:29 - 22:31Obrigada por me terem convidado.
-
22:32 - 22:33Muito obrigada.
-
22:33 - 22:35(Aplausos)
- Title:
- Uma teoria sobre tudo
- Speaker:
- Emily Levine
- Description:
-
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A filósofa-comediante Emily Levine fala (divertidamente) sobre ciência, matemática, sociedade e a forma como tudo se relaciona. É uma brilhante humorista, fazendo-nos questionar as nossas ideias fixas e trazendo à luz verdades ocultas. Acomodem-se e abram a cabeça.
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 22:40
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