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Este é Saturno

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    Nos próximos 18 minutos,
    vou levá-los numa viagem.
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    É uma viagem que vocês e eu temos
    estado a fazer já há uns anos,
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    que começou há cerca de 50 anos,
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    quando os seres humanos saíram
    pela primeira vez do nosso planeta.
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    Nesses 50 anos, não só pusemos o pé
    fisicamente na lua,
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    como enviámos naves espaciais robóticas
    para todos os planetas — todos os oito —
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    e aterrámos em asteróides,
    encontrámo-nos com cometas
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    e nesta altura, temos uma nave espacial
    a caminho de Plutão,
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    o corpo que outrora era conhecido
    como um planeta.
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    Todas estas missões robóticas fazem parte
    duma viagem humana muito maior:
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    a viagem para compreender um pouco,
    para ter uma noção do nosso sítio cósmico,
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    para perceber um pouco as nossas origens,
    e como a Terra, o nosso planeta,
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    e nós, que vivemos nela, aparecemos.
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    Entre todos os lugares no sistema solar
    onde possamos ir
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    e procurar respostas para perguntas
    como estas, existe Saturno.
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    E nós já fomos a Saturno
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    — visitámos Saturno
    no início dos anos 80 —
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    mas as nossas investigações de Saturno
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    tornaram-se muito mais
    profundas e detalhadas
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    desde que a nave Cassini, a viajar
    através do espaço interplanetário
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    durante sete anos,
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    entrou na órbita de Saturno
    no verão de 2004,
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    e tornou-se nessa altura
    no posto robótico mais afastado
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    que a humanidade alguma vez
    estabeleceu à volta do Sol.
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    O sistema de Saturno
    é um sistema planetário muito rico.
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    Oferece mistério, compreensão científica
    e obviamente um esplendor sem comparação,
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    e a investigação deste sistema
    tem um alcance cósmico enorme.
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    De facto, só o estudo dos anéis
    coloca-nos numa posição para aprender muito
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    sobre os discos das estrelas e gás
    que nós chamamos de galáxias espirais.
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    E aqui está uma bela fotografia
    da nebulosa de Andrómeda
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    que é a maior galáxia espiral
    e a mais próxima da Via Láctea.
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    E aqui está uma bela composição
    da Galáxia do Redemoinho,
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    tirada pelo telescópio espacial Hubble.
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    Portanto a viagem de regresso a Saturno
    faz parte duma viagem humana muito maior
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    — e é também uma metáfora —
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    para perceber a inter-conectividade
    de tudo à nossa volta,
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    e também como os seres humanos
    se encaixam nessa imagem.
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    E dói-me não poder mostrar-vos
    tudo o que aprendemos com a Cassini.
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    todas as belas fotografias que tirámos
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    nos últimos dois anos e meio,
    porque não tenho tempo.
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    Portanto vou concentrar-me
    nas duas histórias mais excitantes
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    que emergiram desta importante
    expedição exploratória
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    que estamos a fazer à volta de Saturno,
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    e que temos vindo a fazer
    nos últimos dois anos e meio.
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    Saturno é acompanhado por uma grande
    e diversa colecção de luas
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    de diferentes tamanhos,
    desde uns quilómetros de diâmetro
  • 2:57 - 3:00
    até um diâmetro tão grandes como os EUA.
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    A maior parte das belas fotografias
    que tirámos a Saturno,
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    mostram Saturno acompanhado
    por algumas das suas luas.
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    Aqui está Saturno com Dione,
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    e aqui está Saturno
    a mostrar os anéis de perfil,
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    mostrando como estes são
    verticalmente finos, com a lua Encélado.
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    Duas das 47 luas que Saturno tem
    são proeminentes.
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    São a Titã e a Encélado.
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    Titã é a maior lua de Saturno,
    e até a nave Cassini ter lá chegado,
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    era o maior pedaço de terra inexplorado
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    que ainda nos faltava
    no nosso sistema solar.
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    É um astro que há muito tem intrigado
    as pessoas que observam os planetas.
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    Tem uma atmosfera muito larga e espessa,
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    e julgava-se que o ambiente da superfície
  • 3:47 - 3:51
    seria mais como o ambiente
    que temos aqui na Terra,
  • 3:51 - 3:53
    ou, pelo menos, teria sido no passado,
  • 3:53 - 3:55
    do que qualquer outro corpo
    do sistema solar.
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    A sua atmosfera é sobretudo
    de moléculas de azoto,
  • 3:58 - 4:00
    como a que se respira nesta sala,
  • 4:00 - 4:02
    excepto de que na sua atmosfera
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    alastram matérias orgânicas simples
    como o metano, o propano e o etano.
  • 4:06 - 4:09
    Estas moléculas, presentes
    nas altas camadas da atmosfera de Titã,
  • 4:09 - 4:14
    partem-se, e os seus produtos juntam-se
    para criar partículas de névoa.
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    Essa névoa é omnipresente,
    é completamente global e envolve Titã.
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    É por causa disso que não conseguimos
    ver a superfície com os nossos olhos
  • 4:23 - 4:25
    na região visível do espectro.
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    Mas deduzia-se que
    estas partículas de névoa,
  • 4:28 - 4:32
    antes de lá chegarmos com a Cassini,
    durante milhões e milhões de anos,
  • 4:32 - 4:35
    gentilmente amontoaram-se
    na superfície e revestiram-na
  • 4:35 - 4:37
    num lodo orgânico e espesso.
  • 4:37 - 4:41
    Portanto, como um equivalente
    a alcatrão ou óleo
  • 4:41 - 4:43
    — ainda não sabemos bem o que é.
  • 4:43 - 4:45
    Mas isto era o que suspeitávamos.
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    Estas moléculas, especialmente
    as de metano e etano,
  • 4:48 - 4:53
    podem ser líquidos nas temperaturas
    da superfície de Titã.
  • 4:54 - 4:59
    Portanto, ao que parece, o metano está
    para Titã como a água está para a Terra.
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    É condensável na atmosfera.
  • 5:01 - 5:06
    O reconhecimento desta circunstância
    trouxe à ribalta
  • 5:06 - 5:08
    todo um mundo de possibilidade bizarras.
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    Pode haver nuvens de metano.
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    Acima dessas nuvens tem-se
    estas centenas de quilómetros de névoa
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    que impedem que a luz do Sol
    chegue à superfície.
  • 5:17 - 5:22
    A temperatura à superfície
    é de cerca 210º C abaixo de zero.
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    Apesar desse frio, pode haver chuva
    a cair sobre a superfície de Titã
  • 5:29 - 5:33
    que faz em Titã o que a chuva faz na Terra,
    escava sulcos, forma rios e cataratas.
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    Pode criar desfiladeiros, pode criar lagos
    em grandes bacias e crateras.
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    Pode lavar o lodo dos picos
    das altas montanhas e montes
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    levando-o para as terras baixas.
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    Portanto pensem um pouco.
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    Tentem imaginar o aspecto
    da superfície de Titã.
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    É escuro — o meio-dia em Titã é tão escuro
    como o mais profundo crepúsculo na Terra.
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    É frio, é horripilante, é enevoado,
  • 5:56 - 6:00
    pode estar a chover, e podemos estar
    nas margens do lago Michigan
  • 6:00 - 6:02
    repleto de diluente para tintas.
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    Esta era a visão que nós tínhamos
    da superfície de Titã
  • 6:06 - 6:08
    antes de lá chegarmos com a Cassini.
  • 6:08 - 6:14
    E digo-vos que o que encontrámos em Titã,
    apesar de não ser o mesmo em pormenor,
  • 6:14 - 6:17
    é em tudo tão fascinante
    como esta história o é.
  • 6:17 - 6:20
    Para as pessoas da Cassini
  • 6:20 - 6:23
    tem sido como uma aventura
    de Júlio Verne tornada realidade.
  • 6:23 - 6:25
    Como já disse, tem uma atmosfera
    extensa e espessa.
  • 6:25 - 6:28
    Esta é uma foto de Titã
    com a luz do Sol por detrás,
  • 6:28 - 6:30
    com os anéis num bonito pano de fundo.
  • 6:30 - 6:33
    E ainda outra lua aqui.
    Eu nem sequer sei qual é.
  • 6:33 - 6:35
    É uma atmosfera muito extensa.
  • 6:35 - 6:38
    Temos instrumentos na Cassini
    que podem ver a superfície
  • 6:38 - 6:42
    através desta atmosfera
    e o meu sistema óptico é um deles.
  • 6:42 - 6:44
    Tirámos fotos como esta.
  • 6:44 - 6:50
    Vemos regiões claras e escuras,
    e foi o mais longe que obtivemos.
  • 6:50 - 6:53
    Era tão mistificante — não conseguíamos
    definir o que estávamos a ver em Titã.
  • 6:53 - 6:58
    Se olharmos de perto para esta região,
    começamos a ver coisas
  • 6:58 - 7:00
    como canais sinuosos, não sabíamos.
  • 7:00 - 7:02
    Vemos umas coisas redondas.
  • 7:02 - 7:04
    Isto, descobrimos mais tarde,
    é uma cratera,
  • 7:04 - 7:07
    mas há muito poucas crateras
    na superfície de Titã,
  • 7:07 - 7:09
    o que significa que é
    uma superfície muito jovem.
  • 7:09 - 7:12
    Há pormenores que parecem tectónicos.
  • 7:12 - 7:14
    Parece que foram afastados.
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    Sempre que virem algo linear num planeta,
  • 7:16 - 7:19
    significa que existiu uma fractura,
    como uma falha.
  • 7:19 - 7:21
    Portanto foi tectonicamente alterado.
  • 7:21 - 7:24
    Mas não conseguíamos
    perceber as nossas imagens,
  • 7:24 - 7:27
    até que, seis meses depois
    de termos entrado em órbita,
  • 7:27 - 7:29
    ocorreu uma coisa que muitos consideram
  • 7:29 - 7:32
    como o ponto alto
    da investigação Cassini a Titã.
  • 7:32 - 7:35
    Foi a implementação da sonda Huygens,
  • 7:35 - 7:38
    a sonda Huygens de fabrico europeu
    que a Cassini tinha transportado
  • 7:38 - 7:41
    durante sete anos
    através do sistema solar.
  • 7:41 - 7:43
    Nós lançámo-la na atmosfera de Titã,
  • 7:43 - 7:46
    levou duas horas e meia a descer,
    e aterrou na superfície.
  • 7:46 - 7:51
    E eu só quero salientar quão significativo
    é este acontecimento.
  • 7:51 - 7:53
    Este é um dispositivo de fabrico humano,
  • 7:53 - 7:56
    e aterrou na parte exterior
    do sistema solar
  • 7:56 - 7:58
    pela primeira vez
    na história da humanidade.
  • 7:58 - 8:01
    É tão significativo que, na minha opinião,
  • 8:01 - 8:03
    foi um acontecimento
    que devia ter sido celebrado
  • 8:03 - 8:08
    com paradas em todas as cidades
    dos EUA e da Europa,
  • 8:08 - 8:10
    e lamentavelmente não foi .
  • 8:10 - 8:12
    (Risos)
  • 8:13 - 8:16
    Foi significativo por outra razão.
    Isto é uma missão internacional.
  • 8:16 - 8:19
    Este acontecimento foi celebrado
    na Europa, na Alemanha,
  • 8:19 - 8:23
    e as apresentações celebrativas
    foram dadas com sotaque inglês,
  • 8:23 - 8:28
    sotaque americano, sotaque alemão
    e francês, italiano e holandês.
  • 8:28 - 8:31
    Foi uma demonstração comovente
  • 8:31 - 8:34
    do que devem significar
    as palavras "Nações Unidas",
  • 8:34 - 8:41
    uma verdadeira união de nações juntas
    num esforço colossal para o bem.
  • 8:41 - 8:45
    Neste caso, foi um empreendimento massivo
    para explorar um planeta
  • 8:45 - 8:48
    e para vir a perceber
    um sistema planetário
  • 8:48 - 8:51
    que durante toda a história da Humanidade
    havia sido inalcançável,
  • 8:51 - 8:53
    e agora os seres humanos
    tinham lá chegado.
  • 8:53 - 8:57
    Portanto — até estou arrepiada
    só de falar nisso —
  • 8:57 - 8:59
    foi um acontecimento
    tremendamente emotivo.
  • 8:59 - 9:02
    É uma coisa que, pessoalmente,
    nunca esquecerei,
  • 9:02 - 9:04
    e vocês também não deviam esquecer.
  • 9:05 - 9:08
    (Aplausos)
  • 9:10 - 9:13
    A sonda tirou medidas
    da atmosfera na descida,
  • 9:13 - 9:15
    e também tirou fotos panorâmicas.
  • 9:15 - 9:19
    Eu não vos consigo dizer como foi
    ter visto as primeiras fotos
  • 9:19 - 9:21
    da superfície de Titã desde a sonda.
  • 9:21 - 9:24
    E isto foi o que nós vimos.
  • 9:24 - 9:26
    Foi chocante, porque aquelas fotos
  • 9:26 - 9:28
    eram as que nós queríamos
    que fossem tiradas da órbita.
  • 9:28 - 9:32
    Era um padrão ambíguo,
    um padrão geológico,
  • 9:32 - 9:37
    um padrão de drenagem que só pode
    ser formado pelo fluxo de líquidos.
  • 9:37 - 9:40
    Podemos seguir aqueles canais
    e ver como todos eles convergem.
  • 9:40 - 9:45
    Convergem neste canal aqui,
    que drena para esta região.
  • 9:45 - 9:46
    Estamos a ver uma linha costeira.
  • 9:46 - 9:49
    Seria uma linha costeira de fluidos?
    Não sabíamos.
  • 9:49 - 9:51
    Mas isto é mais ou menos
    uma linha costeira.
  • 9:51 - 9:53
    Esta foto é tirada a 16 quilómetros.
  • 9:53 - 9:57
    Esta é a foto tirada a oito quilómetros.
    Mais uma vez, a linha costeira.
  • 9:57 - 9:59
    Ora bem, 16 quilómetros, oito quilómetros
  • 9:59 - 10:03
    — aproximadamente
    a altitude duma linha aérea.
  • 10:03 - 10:05
    Se fizermos uma viagem de avião
    pelos Estados Unidos,
  • 10:05 - 10:07
    voamos a essas altitudes.
  • 10:07 - 10:11
    Esta é a foto que veríamos
    da janela da Titania Airlines
  • 10:11 - 10:13
    ao voarmos sobre a superfície de Titã.
  • 10:13 - 10:15
    (Risos)
  • 10:15 - 10:18
    Por fim, a sonda acabou
    por poisar na superficie.
  • 10:18 - 10:20
    Vou mostrar-vos, senhoras e senhoras,
  • 10:20 - 10:25
    a primeira foto jamais tirada da superfície
    duma lua no sistema solar exterior.
  • 10:25 - 10:28
    Aqui é o horizonte.
  • 10:28 - 10:32
    Estas provavelmente são pedras de gelo.
  • 10:32 - 10:36
    (Aplausos)
  • 10:37 - 10:41
    Obviamente aterrou numa dessas
    regiões escuras e planas,
  • 10:41 - 10:43
    e não se afundou, desaparecendo.
  • 10:43 - 10:46
    Portanto não era fluido
    aquilo em que poisou.
  • 10:46 - 10:49
    A sonda desceu no que será, em Titã,
  • 10:49 - 10:52
    o equivalente a uma planície lamacenta.
  • 10:52 - 10:57
    É um terreno não consolidado
    que está impregnado de metano líquido.
  • 10:57 - 11:04
    Provavelmente este material terá escorrido
    das partes altas de Titã,
  • 11:04 - 11:06
    através destes canais que vimos,
  • 11:06 - 11:09
    e durante milhares de milhões de anos
    terá enchido as bacias mais abaixo.
  • 11:09 - 11:12
    Foi em cima disso
    que a sonda Huygens aterrou.
  • 11:12 - 11:16
    Mesmo assim, não havia quaisquer sinais
    nas nossas imagens,
  • 11:16 - 11:21
    nem nas imagens da Huygens, de quaisquer
    massas de fluidos largas e abertas.
  • 11:21 - 11:26
    Onde estariam? Ficámos mais intrigados
    quando encontrámos dunas.
  • 11:26 - 11:30
    Este é o filme da região equatorial de Titã,
    que mostra essas dunas.
  • 11:30 - 11:33
    São dunas que têm 100 metros de altura,
  • 11:33 - 11:35
    separadas por quilómetros,
  • 11:35 - 11:38
    e continuam durante milhas
    e milhas e milhas.
  • 11:38 - 11:41
    Existem centenas,
    umas 1000 ou 1200 milhas de dunas.
  • 11:41 - 11:44
    Este é o deserto do Saara de Titã.
  • 11:44 - 11:49
    É obviamente um sítio muito seco,
    caso contrário não teríamos dunas.
  • 11:49 - 11:54
    Mais uma vez, ficámos intrigados
    por não existirem massas de fluidos,
  • 11:54 - 11:58
    até que finalmente vimos lagos
    nas regiões polares.
  • 11:58 - 12:02
    Há uma cena de um lago
    na região do Pólo Sul de Titã.
  • 12:02 - 12:04
    É mais ou menos do tamanho do lago Ontário.
  • 12:04 - 12:08
    Apenas há uma semana e meia,
    voámos sobre o pólo norte de Titã
  • 12:08 - 12:14
    e voltámos a encontrar uma imagem
    do tamanho do mar Cáspio.
  • 12:14 - 12:18
    Parece que os líquidos, por qualquer razão
    que não compreendemos,
  • 12:18 - 12:23
    pelo menos durante esta estação,
    estão aparentemente nos pólos de Titã.
  • 12:23 - 12:30
    Acho que concordam connosco que Titã
    é um lugar extraordinário, místico.
  • 12:30 - 12:34
    É exótico, é alienígena, embora
    muito parecido com a Terra.
  • 12:34 - 12:37
    Possui formações geológicas
    do género das da Terra
  • 12:37 - 12:40
    e uma tremenda diversidade geográfica.
  • 12:40 - 12:45
    É um mundo fascinante
    cujo único rival no sistema solar,
  • 12:45 - 12:48
    quanto a complexidade e riqueza,
    é a própria Terra.
  • 12:48 - 12:52
    Agora vamos para Encélado.
    A Encélado é uma pequena lua.
  • 12:52 - 12:57
    Tem cerca de um décimo do tamanho de Titã
    e podemos vê-la aqui junto da Inglaterra.
  • 12:57 - 12:59
    É só para mostrar o tamanho,
    não é suposto ser uma ameaça.
  • 12:59 - 13:01
    (Risos)
  • 13:02 - 13:05
    A Encélado é muito branca, é muito clara.
  • 13:05 - 13:09
    Tem a superfície claramente
    destruída com fracturas.
  • 13:09 - 13:11
    É um corpo geologicamente muito activo.
  • 13:11 - 13:13
    Mas a descoberta-chave em Encélado,
  • 13:13 - 13:17
    foi encontrada no Pólo Sul
    — aqui estamos a olhar para o Pólo Sul —
  • 13:17 - 13:19
    onde encontrámos
    este sistema de fracturas.
  • 13:19 - 13:22
    São de uma cor diferente porque têm
    uma composição diferente.
  • 13:22 - 13:26
    Estas fracturas estão revestidas
    com materiais orgânicos.
  • 13:26 - 13:30
    Mais ainda, esta região inteira, a região
    do Pólo Sul, tem temperaturas elevadas.
  • 13:30 - 13:34
    É o lugar mais quente no planeta,
    no seu corpo.
  • 13:34 - 13:37
    Isso é tão bizarro como
    descobrir que, na Terra,
  • 13:37 - 13:39
    a Antártida é mais quente que os trópicos.
  • 13:39 - 13:42
    Depois, quando vimos fotografias
    adicionais, descobrimos
  • 13:42 - 13:48
    que destas fracturas estão a sair
    jactos de finas partículas de gelo
  • 13:48 - 13:50
    que se estendem por centenas
    de milhas no espaço.
  • 13:50 - 13:54
    Quando definimos as cores da imagem,
    para salientar as luzes de nível ténue,
  • 13:54 - 13:57
    vemos que estes jactos
    alimentam um penacho
  • 13:57 - 14:01
    que, segundo vemos noutras imagens,
    atinge milhares de quilómetros
  • 14:01 - 14:03
    no espaço acima de Encélado.
  • 14:03 - 14:06
    A minha equipa e eu
    examinámos imagens como esta e esta,
  • 14:06 - 14:10
    e comparámos com outros
    resultados da Cassini.
  • 14:10 - 14:14
    Chegámos à conclusão
  • 14:14 - 14:17
    de que estes jactos podem estar
    a entrar em erupção
  • 14:17 - 14:21
    de bolsas de água líquida por baixo
    da superfície de Encélado.
  • 14:21 - 14:26
    Possivelmente, temos água líquida,
    materiais orgânicos e calor excessivo.
  • 14:26 - 14:30
    Por outras palavras, provavelmente
    tropeçámos no Santo Graal
  • 14:30 - 14:33
    da exploração planetária
    dos tempos modernos.
  • 14:33 - 14:37
    Por outras palavras, um ambiente adequado
    potencialmente para organismos vivos.
  • 14:37 - 14:40
    Penso que não é preciso dizer
    que a descoberta de vida,
  • 14:40 - 14:42
    seja onde for, no nosso sistema solar,
  • 14:42 - 14:44
    seja em Encélado ou noutro lado qualquer,
  • 14:44 - 14:47
    teria enormes implicações
    culturais e científicas.
  • 14:47 - 14:51
    Se nós pudéssemos demonstrar
    que o Génesis ocorreu
  • 14:51 - 14:55
    não uma, mas duas vezes, independentemente,
    no nosso sistema solar,
  • 14:55 - 14:59
    isso significa, por inferência, que ocorreu
    um assombroso número de vezes
  • 14:59 - 15:03
    ao longo do universo e da sua história
    de 13,7 mil milhões de anos.
  • 15:04 - 15:08
    Neste momento, a Terra é o único planeta
    em que sabemos abundar a vida.
  • 15:08 - 15:11
    É preciosa, é única,
  • 15:11 - 15:14
    é, até agora, a única casa
    que jamais conhecemos.
  • 15:15 - 15:20
    Se estiveram atentos e coerentes
    durante os anos 60
  • 15:20 - 15:23
    — nós perdoamos-vos
    se não estiveram —
  • 15:23 - 15:25
    lembrar-se-ão desta foto famosa
  • 15:25 - 15:29
    tirada pelos astronautas
    da Apollo VIII em 1968.
  • 15:29 - 15:32
    Foi a primeira vez que a Terra
    foi fotografada do espaço.
  • 15:32 - 15:36
    Teve um enorme impacto no nosso
    sentido de lugar no universo
  • 15:36 - 15:40
    e no nosso sentido de responsabilidade
    para a protecção do nosso planeta.
  • 15:40 - 15:44
    Nós, na Cassini, tivemos
    uma primeira vez equivalente,
  • 15:44 - 15:48
    uma imagem que nenhum
    olho humano jamais vira antes.
  • 15:48 - 15:52
    É um eclipse total do Sol,
    visto pelo outro lado de Saturno.
  • 15:52 - 15:56
    Nesta fotografia impossivelmente bela
  • 15:56 - 15:58
    vemos os anéis principais
    iluminados por trás pelo Sol,
  • 15:58 - 16:01
    vemos a imagem refractada do Sol
  • 16:01 - 16:06
    e vemos este anel criado
    pelas exalações da Encélado.
  • 16:06 - 16:12
    Mas como se isso não chegasse,
    observamos nesta bela imagem
  • 16:12 - 16:14
    o nosso próprio planeta,
  • 16:14 - 16:18
    nos braços dos anéis de Saturno.
  • 16:19 - 16:20
    Existe algo profundamente comovente
  • 16:20 - 16:22
    ao ver-nos a nós próprio de longe,
  • 16:22 - 16:25
    e captar uma vista do nosso
    pequeno planeta de oceanos azuis
  • 16:25 - 16:27
    nos céus de outros mundos.
  • 16:27 - 16:31
    E isso, e a perspectiva de nós próprios
    que ganhamos com isso,
  • 16:31 - 16:35
    pode muito bem ser, no fim,
    a melhor recompensa que recebemos
  • 16:35 - 16:38
    desta viagem de descobrimento
    que começou há meio século.
  • 16:38 - 16:40
    Muito obrigado.
  • 16:40 - 16:44
    (Aplausos)
Title:
Este é Saturno
Speaker:
Carolyn Porco
Description:

A cientista planetária Carolyn Porco mostra imagens da expedição Cassini a Saturno, focando-se na sua maior lua, Titã, e na congelada Encélado, que parece expelir jactos de gelo.

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
16:52
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for This is Saturn
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for This is Saturn
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for This is Saturn
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for This is Saturn
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for This is Saturn
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for This is Saturn
Alexandre Loureiro added a translation

Portuguese subtitles

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