Pensar Utopicamente a Educação | David Rodrigues | TEDxLisboaED
-
0:11 - 0:14Toda a minha vida profissional
tenho trabalhado -
0:14 - 0:17em Educação Especial e em
Educação Inclusiva. -
0:17 - 0:21Tenho ensinado crianças com dificuldades,
tenho ensinado professores, -
0:21 - 0:25e por força disto, tenho investigado e
também, obrigatoriamente, -
0:25 - 0:28tenho que fazer conferências,
como é o caso hoje. -
0:28 - 0:31Há cerca de um ano atrás estive
numa universidade brasileira, -
0:31 - 0:34e depois de ter feito a minha
conferência, no final, -
0:34 - 0:38naquela perigosíssima parte
das perguntas, -
0:38 - 0:40alguém me perguntou:
-
0:40 - 0:43"Desculpe, isso que o senhor está a falar,
-
0:43 - 0:48"a inclusão, é realidade ou é utopia?"
-
0:48 - 0:51E eu fiquei muito preocupado...
Será que eu ando enganado? -
0:51 - 0:55Eu ando a enganar as pessoas a falar
de utopias? De coisas irreais? -
0:55 - 1:00E foi isso, basicamente, que motivou o
pensamento que eu vos trago hoje: -
1:00 - 1:05Pensar um pouco sobre "o que é a
utopia em Educação", -
1:05 - 1:10ou, de outra maneira, "pensar a Educação
de uma maneira utópica". -
1:10 - 1:12A primeira reflexão que eu fiz,
foi exatamente -
1:12 - 1:14a de procurar o significado
do termo "utopia". -
1:14 - 1:17Como a maioria de vocês saberá, "utopia"
-
1:17 - 1:25é um termo que foi cunhado por um escritor
inglês, Thomas More, que em 1516, escreveu -
1:25 - 1:29um livro chamado "Utopia", que se referia
a uma ilha onde se passavam coisas -
1:29 - 1:31completamente estranhas e ao contrário.
-
1:31 - 1:37Ele disse: "Esta ilha chama-se "Utopia",
porque é um "ut-topos": é um "não-lugar". -
1:37 - 1:41Um não-lugar — eu fiquei logo descansado!
-
1:41 - 1:47Já percebi! Utopia não é uma coisa irreal,
é um "não-lugar"! -
1:47 - 1:50E eu até me lembrei de um quadro de uma
tia minha, que eu tenho lá em casa, -
1:50 - 1:55e que eu não consigo encontrar um
lugar para esse quadro na minha casa! -
1:55 - 1:57Eu disse: "Ah! Espera aí, já percebi!
-
1:57 - 2:01"O quadro não é irreal:
o que é irreal é ele não ter lugar." -
2:01 - 2:05Humm, pronto, fiquei mais descansado
(e acho que a minha tia me agradeceu muito -
2:05 - 2:10por este pensamento em relação ao quadro
que ela tão amorosamente me deixou). -
2:10 - 2:13A segunda questão é que,
durante 500 anos, -
2:13 - 2:19(reparem: de 1516 até agora),
a utopia foi tendo muitas aceções, -
2:19 - 2:21muitos sentidos...
-
2:21 - 2:25E um dos mais interessantes é, sem dúvida,
o colocado por Eduardo Galeano -
2:25 - 2:28— um grande intelectual sul-americano —
-
2:28 - 2:32que disse:
"a função da utopia é fazer-nos caminhar". -
2:32 - 2:35É como se fosse um farol para o qual nós
temos que caminhar. -
2:35 - 2:37E ele diz, inclusivamente:
-
2:37 - 2:42"Alcançar a utopia é impossível, porque
quando nós damos dois passos, -
2:42 - 2:44a utopia dá dez".
-
2:44 - 2:48E, portanto, a utopia continua sempre a
ser qualquer coisa que nós -
2:48 - 2:52perseguimos mas que, certamente,
nunca alcançamos. -
2:52 - 2:56Segundo aspeto para me tornar mais
descansado em relação à utopia! -
2:56 - 3:03Em terceiro lugar, pensei que ser
utópico é fundamentalmente conhecer, -
3:03 - 3:06antes de mais, o lugar onde
nós estamos. -
3:06 - 3:12Uma pessoa que não conhece o lugar onde
está é louca, não utópica. -
3:12 - 3:15A pessoa tem que conhecer,
antes de mais, reflexivamente... -
3:15 - 3:19Tem que "refletir reflexivamente" sobre a
realidade em que está -
3:19 - 3:23E depois, então, sim, imaginar a
realidade que quer. -
3:23 - 3:27E a utopia está aqui situada
entre estes dois polos: -
3:27 - 3:30entre a reflexão sobre a realidade
que temos -
3:30 - 3:33e a imaginação sobre o que nós
queremos ter. -
3:33 - 3:39Nós, na verdade (terceiro aspeto),
vivemos rodeados de utopias. -
3:39 - 3:43Querem ver uma utopia fantástica?
A democracia. -
3:43 - 3:45Todos nós dizemos que vivemos em
democracia. -
3:45 - 3:48Não me digam que há
maior utopia do que a democracia... -
3:48 - 3:52Se eu perguntasse aqui na sala quantas
pessoas é que estão satisfeitas com -
3:52 - 3:56a nossa democracia, eu não sei se havia
algum braço levantado. -
3:56 - 4:00No entanto, nós falamos em democracia como
se fosse uma coisa real! -
4:00 - 4:03É uma grande utopia a nossa democracia,
não é verdade? -
4:03 - 4:07Também o nosso sistema de saúde.
Nós pensamos: -
4:07 - 4:10"Nós temos um sistema de saúde e,
qualquer dia, quando eu ficar doente, -
4:10 - 4:14"eu vou ter um atendimento rápido e eficaz,
imediatamente." -
4:14 - 4:17"Hummm... seu utópico!
Nem pense nisso!" -
4:17 - 4:21"Calma, homem, calma.
Não é tanto assim..." -
4:21 - 4:24Portanto, nós estamos rodeados de utopias,
entre as quais a Educação -
4:24 - 4:26— e era isso que eu vos queria apresentar.
-
4:26 - 4:29Há pouco não falei de uma questão que eu
penso que é importante: -
4:29 - 4:31há pessoas também retrópicas.
-
4:31 - 4:35Eu, há pouco tempo, escrevi
um artigo sobre os retrópicos, -
4:35 - 4:39considerando que "retrópicos" são aquelas
pessoas que não conseguem ver a utopia -
4:39 - 4:42à frente delas, mas só a veem atrás delas.
-
4:42 - 4:44Dizem assim:
-
4:44 - 4:46"Hummm, no meu tempo é que
o lombo de porco era bom..." -
4:46 - 4:50"Ahh, no meu tempo é que era!
E a escola? -
4:50 - 4:55"Aquela maravilha da escola era uma coisa
fantástica! Ahh, antigamente..." -
4:55 - 4:57[Aplausos]
-
4:57 - 5:00"Antigamente
havia respeito... as ruas estavam limpas...". -
5:00 - 5:06Retrópicos: são pessoas que imaginam que
a utopia está atrás delas. -
5:06 - 5:09A Educação é também uma utopia.
-
5:09 - 5:12Eu gostava de chamar a atenção para
dois aspetos desta utopia. -
5:12 - 5:15Em primeiro lugar, a educação prometeu
-
5:15 - 5:19ser universal e gratuita.
-
5:19 - 5:21Prometeu mas não cumpriu.
-
5:21 - 5:24A educação nem é universal
-
5:24 - 5:26— e nós, por exemplo, em Portugal
temos a maior taxa de abandono -
5:26 - 5:30no ensino secundário de toda a
Comunidade Europeia —, -
5:30 - 5:33nem é universal, nem é gratuita.
-
5:34 - 5:37Bom... isto foi uma utopia.
Mas uma segunda utopia mais importante -
5:37 - 5:40foi que a educação prometeu igualdade de
oportunidades. -
5:40 - 5:43A ideia da escola, que foi criada no
século XIX -
5:43 - 5:47— a escola que nós conhecemos hoje é
uma criação do século XIX — -
5:47 - 5:51era: "Nós vamos dar a todos o mesmo,
e a partir de darmos a todos o mesmo, -
5:51 - 5:54"nós criamos igualdade de oportunidades".
-
5:54 - 5:57E nós sabemos: isso não é verdade.
-
5:57 - 6:01A igualdade de oportunidades
não se avalia por aquilo -
6:01 - 6:04que se dá, mas por aquilo que se recebe.
-
6:05 - 6:08Isto é, não adianta dar
a todas as pessoas o mesmo, -
6:08 - 6:11se eu souber que as pessoas não
têm capacidade para receber, -
6:11 - 6:14para absorver, para usar,
para utilizar, -
6:14 - 6:17para integrar aquilo que lhes é dado.
-
6:17 - 6:21A igualdade de oportunidades não é do lado
do que se dá, mas do lado que se recebe. -
6:21 - 6:25E, portanto nunca foi tão importante
quanto hoje... -
6:25 - 6:28[Aplausos]
-
6:29 - 6:35Nunca foi tão importante como hoje
falar de valores, de utopias em Educação. -
6:35 - 6:37E regressando àquela minha amiga
que me pôs a pergunta -
6:37 - 6:39"Você está a falar de utopias?"
-
6:39 - 6:43eu estou mais descansado:
as utopias são reais; -
6:43 - 6:47estamos rodeados delas, e são úteis,
e por isso, eu vos vou falar das -
6:47 - 6:52cinco utopias que eu tenho para
a Educação do futuro: -
6:52 - 6:56Em primeiro lugar, a minha primeira
utopia, é que nós tenhamos -
6:56 - 7:00uma escola que seja para todos
e para cada um. -
7:00 - 7:02Sem dúvida, uma escola para todos,
uma escola universal. -
7:02 - 7:05Mas também que seja uma escola
para cada um. -
7:05 - 7:09Quer dizer que cada criança tenha
na escola o atendimento, -
7:09 - 7:14tenha a atenção, tenha o respeito que
merece na escola. -
7:14 - 7:15Cada criança!
-
7:16 - 7:19[Aplausos]
-
7:19 - 7:23Não nos interessa ter uma escola que é
só para todos. -
7:23 - 7:28Interessa-nos também ter uma escola
que seja suficientemente atenta -
7:28 - 7:30às necessidades de cada criança.
-
7:30 - 7:34A minha primeira utopia é uma escola para
todos e para cada um. -
7:34 - 7:38A segunda utopia é que eu gostava que
a Educação fosse centrada -
7:38 - 7:41no aluno e na aprendizagem.
-
7:41 - 7:44Eu gostava de vos chamar a atenção para
quantas coisas existem nas nossas escolas -
7:44 - 7:48que não têm nada a ver com a aprendizagem,
nem têm nada a ver com os alunos: -
7:48 - 7:52há as atas, há as reuniões, há os
relatórios, há os perfis... -
7:52 - 7:54Há quinhentas coisas que as pessoas
têm de fazer... -
7:54 - 7:55[Aplausos]
-
7:55 - 7:58... mas que não têm a ver com o aluno!
-
7:58 - 8:03Eu gostava que a escola fizesse,
como se diz em linguagem empresarial, -
8:03 - 8:07o seu "core business" ao nível
do que é a aprendizagem. -
8:07 - 8:10É com isto que nós nos devíamos preocupar
na escola, é com a aprendizagem. -
8:10 - 8:16Tudo? Não, vá lá, 95% está bem,
mas deixar 5% para o resto. -
8:16 - 8:18E não é isso o que se passa.
-
8:18 - 8:21Nós precisamos de uma aprendizagem
-
8:21 - 8:24que seja centrada no aluno
e que seja centrada também -
8:24 - 8:28em todo o processo de aprendizagem.
-
8:28 - 8:32Em terceiro lugar, a minha terceira utopia,
é uma Educação que confie no aluno. -
8:32 - 8:36Vocês sabem que eu acho que
a nossa escola passa -
8:36 - 8:39a vida a desconfiar dos alunos?
-
8:39 - 8:41Nós desconfiamos que eles são preguiçosos,
-
8:41 - 8:44que eles são burros, que eles são
facilitistas... -
8:44 - 8:47Eu adoro este termo "facilitistas":
porque nós, por exemplo, -
8:47 - 8:50se tivermos uma maneira de fazer uma coisa
fácil, e fazer a mesma coisa difícil, -
8:50 - 8:52nós escolhemos sempre o difícil, não é?
-
8:52 - 8:54(Risos)
-
8:54 - 8:55Obviamente!
-
8:55 - 8:58Não é como os alunos,
que são uns "facilitistas", não é? -
8:58 - 8:59(Aplausos)
-
8:59 - 9:01Não faz sentido!
-
9:01 - 9:04[Aplausos]
-
9:04 - 9:08A minha utopia é uma escola que confie
-
9:08 - 9:15nos alunos, que saiba que as crianças
evoluem por patamares de competência. -
9:15 - 9:19E todas as crianças têm competência!
Todas as crianças têm responsabilidade. -
9:19 - 9:24O que nós não podemos pedir a "todas" as
crianças, em "todas" as circunstâncias, -
9:24 - 9:27é a mesma capacidade e as mesmas
responsabilidades. -
9:27 - 9:31Portanto, nós temos que ter a ideia que
podemos confiar nos alunos, -
9:31 - 9:34podemos confiar na sua forma de se
organizarem, na sua forma de aprender, -
9:34 - 9:39na sua seriedade, na sua solidariedade.
E temos que confiar nisso, nos alunos, -
9:39 - 9:43e não passar a vida neste braço de ferro
entre o que somos nós e -
9:43 - 9:46"aqueles malandros que estão a ver
se nos enganam..." -
9:46 - 9:49(Risos)
(Aplausos] -
9:52 - 9:57A minha quarta utopia é que a escola seja
"um espaço de liberdade e cidadania". -
9:57 - 10:00Precisamos de uma escola que seja um
espaço de liberdade, -
10:00 - 10:03sem dúvida — também um espaço
de cidadania. -
10:03 - 10:07E, para isso, nós precisamos talvez
de uma coisa muito simples: -
10:07 - 10:13nós precisamos de fazer com que
a escola "ensine menos e faça mais". -
10:13 - 10:17Quer dizer que, muitas vezes nós ensinamos
a cidadania na escola, -
10:17 - 10:21mas quando há um conflito na escola,
nós resolvemo-lo segundo outros princípios -
10:21 - 10:24que não são os da cidadania.
-
10:24 - 10:28Nós ensinamos, por exemplo, a questão
da sustentabilidade. Sem dúvida! -
10:28 - 10:31Mas os meninos sabem para onde vai
o lixo da escola? -
10:31 - 10:34Sabem de onde vem a comida da escola?
-
10:34 - 10:36Sabem como é que se recicla
o lixo da escola? -
10:36 - 10:37Sabem isso, ou não?
-
10:37 - 10:42Portanto, nós falamos muito "sobre" mas
mas vivemos pouco na escola estes valores. -
10:42 - 10:47Eu quero que a escola "viva" os valores,
em lugar de só "falar" deles. -
10:47 - 10:51Precisamos de uma escola que seja cidadã,
que seja solidária, que seja sustentável -
10:51 - 10:54e que "viva" estes valores no dia-a-dia.
-
10:54 - 10:57[Aplausos]
-
10:58 - 11:03Finalmente, a minha quinta utopia é uma
Educação comprometida com -
11:03 - 11:06a criatividade e a com sustentabilidade.
-
11:06 - 11:10Nós sabemos que a criatividade é
um parente muito pobre da escola. -
11:10 - 11:14Deixem-me contar-vos um episódio que se
passou comigo. -
11:14 - 11:17Eu era um jovem professor e
estava a trabalhar com um menino -
11:17 - 11:21com dificuldades de aprendizagem,
a apoiá-lo na leitura e na escrita, -
11:21 - 11:24e ele ficou muito interessado num jornal
que eu tinha em cima da secretária. -
11:24 - 11:27Ele olhou para o jornal e eu disse: "Uau!
-
11:27 - 11:30"Aqui está o meu tema de hoje!
É o jornal!" -
11:30 - 11:34E, então, eu decidi fazer uma operação
aritmética com ele, e disse-lhe: "Olha, -
11:34 - 11:38
— ele chamava-se Rui; era um bravo rapaz —: -
11:38 - 11:45"Rui, se cada folha do jornal pesar
dez gramas, e se o jornal tiver -
11:45 - 11:48"dez folhas, quanto é que pesa o jornal?"
-
11:48 - 11:56Ele ficou a pensar: "Duzentos gramas!"
—"Não, não, não. Oh, Rui, espera aí. -
11:56 - 12:03"Cada folha são dez gramas.
O jornal tem dez folhas, estás a ver? -
12:03 - 12:06"Quanto pesa o jornal?
-
12:06 - 12:11Ele pensa e responde:
"Duzentos gramas!" -
12:11 - 12:15Eu fiquei... Finalmente fiz a pergunta
que devia ter feito no princípio: -
12:15 - 12:18"Porquê?"
Ele disse-me assim: -
12:18 - 12:21"é muito fácil: o jornal está
impresso dos dois lados." -
12:21 - 12:25(Risos) (Aplausos)
-
12:29 - 12:34Eu já sabia que há erros que
valem mais do que acertos, -
12:34 - 12:37mas fiquei convencido desta vez.
-
12:37 - 12:42E nós precisamos de uma escola que tome
atenção a estes "erros", -
12:42 - 12:45a estes aspetos da criatividade, e que
não julgue só que há -
12:45 - 12:50crianças estúpidas e inteligentes, mas
perceber porque é que uma resposta é dada. -
12:50 - 12:54(Aplausos)
-
12:56 - 13:01Gostava de, depois de ter apontado estas
avenidas, que eu penso que são o meu sonho -
13:01 - 13:05— como dizia Martin Luther King
"I have a dream" — -
13:05 - 13:07o meu sonho em relação à evolução,
-
13:07 - 13:09eu gostava de vos apontar
três ou quatro caminhos -
13:09 - 13:12que eu penso que são importantes
para lá chegar. -
13:12 - 13:14A primeira questão é
a formação em serviço. -
13:14 - 13:18A nossa formação em serviço é uma
formação muito deficitária. -
13:18 - 13:21Nós continuamos a fazer uma formação em
serviço, como se os professores -
13:21 - 13:25não tivessem aprendido ou ouvido bem,
na formação inicial. -
13:25 - 13:29Nós precisamos é de uma formação em
serviço centrada nos problemas -
13:29 - 13:32da escola e centrada nos problemas
dos alunos. -
13:32 - 13:34Porque eu já ouvi bem na formação inicial.
-
13:34 - 13:37Preciso agora é de uma outra coisa,
de um outro apoio para -
13:37 - 13:39a minha formação profissional.
-
13:39 - 13:43Formação em serviço é, sem dúvida,
um aspeto fundamental. -
13:43 - 13:45Segundo: o apoio.
-
13:45 - 13:50Como é possível nós deixarmos crianças
que precisam de apoio sem terem apoio? -
13:50 - 13:54Às vezes questionam-se: "Ai, eu não sei
se esta criança é elegível para o apoio". -
13:54 - 13:57Elegível?
Elegível é ele ter dificuldades, não é? -
13:57 - 14:01Porque é que é preciso eu estar a ver se
ele é "elegível" para o apoio? -
14:01 - 14:04O elegível é a criança ter dificuldades.
-
14:04 - 14:07Nos EUA, como sabem,
havia um programa que se chamava -
14:07 - 14:12"No Child Left Behind" — "Nenhuma criança
pode ser deixada para trás". -
14:12 - 14:14E é isso que eu penso que é muito
-
14:14 - 14:16importante nas nossas escolas:
-
14:16 - 14:20nós não podemos deixar nenhuma criança,
por nenhum motivo, para trás, -
14:20 - 14:23porque senão somos incompetentes.
-
14:23 - 14:26(Aplausos)
-
14:29 - 14:31E finalmente,
a questão da Educação alternativa. -
14:31 - 14:34Cada vez que nós lemos livros sobre
Educação, -
14:34 - 14:36que lemos investigação sobre Educação,
-
14:36 - 14:40nós constatamos que existe
imensa coisa que funciona em Educação -
14:40 - 14:41e que não é usada.
-
14:41 - 14:45Olhem, por exemplo, o que falou
a nossa oradora anterior, -
14:45 - 14:49a questão do recurso ao concreto,
a questão da dramatização, -
14:49 - 14:52os métodos ativos,
a questão do trabalho em grupo... -
14:52 - 14:57tanta coisa que funciona e que nós
classificamos como métodos alternativos. -
14:57 - 15:01Eu lembro-me sempre daquela piada, de
que os aviões deviam ser feitos da mesma -
15:01 - 15:04matéria da caixa negra, porque assim
eles nunca caíam -
15:04 - 15:07— porque a única coisa que se
salva nos aviões é a caixa negra, não é? -
15:07 - 15:08(Risos)
-
15:08 - 15:12E eu pergunto-me: "Mas então, se nós
sabemos qual é a caixa negra, porque é que -
15:12 - 15:14"não fazemos o avião com a caixa negra?"
-
15:14 - 15:17Porque é que nós não usamos mais os
métodos da Educação alternativa? -
15:17 - 15:21E continuamos a dizer:
"Educação a sério é isto, -
15:21 - 15:24"e Educação alternativa
são aquelas coisas que... funcionam". -
15:24 - 15:27(Risos) (Aplausos)
-
15:32 - 15:35Benjamin Franklin dizia:
"Há três tipos de pessoas: -
15:35 - 15:38"há as pessoas inamovíveis"
-
15:38 - 15:41— nós conhecemos, são aquelas pessoas
que desde o berço já sabem que o leite -
15:41 - 15:44tem que ser àquela temperatura e
a mais nenhuma —, -
15:44 - 15:48sabem, há pessoas inamovíveis,
depois diz: -
15:48 - 15:51"há as pessoas amovíveis"
— aquelas com quem se pode dialogar -
15:51 - 15:53e que se podem modificar —
-
15:53 - 15:54— "e há as pessoas que se movem."
-
15:54 - 15:56Eu tenho à minha frente 700 pessoas
que se movem. -
15:56 - 15:59Senão vocês estavam em casa a esta hora.
-
15:59 - 16:02(Aplausos)
-
16:06 - 16:11A utopia pertence a quem se move.
As utopias são de "quem se move", -
16:11 - 16:16não daqueles que fazem
da espera contemplativa, a sua esperança -
16:16 - 16:18— a esperança vem de "espera..."
-
16:18 - 16:21Nós às vezes temos
a esperança contemplativa. -
16:21 - 16:24à espera de que as coisas nos aconteçam:
-
16:24 - 16:28"Será que o Ministério da Educação
vai fazer?..." -
16:28 - 16:35Só quem, ativamente, espera,
pode encontrar o inesperado. -
16:36 - 16:40E a inovação. E o futuro.
-
16:41 - 16:46Um grande poeta e grande músico português
escreveu, antes de morrer, uma música -
16:46 - 16:52a que chamou "Utopia".
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16:52 - 16:55Eu vou-vos ler a
parte final deste poema, que diz: -
16:55 - 17:00"Será que existe
lá para os lados do Oriente -
17:00 - 17:06"este rio, este rumo, esta gaivota?
-
17:06 - 17:10"Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?" -
17:10 - 17:15Zeca Afonso.
Nós seguimos a utopia. -
17:15 - 17:16Obrigado.
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17:16 - 17:18(Aplausos)
- Title:
- Pensar Utopicamente a Educação | David Rodrigues | TEDxLisboaED
- Description:
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David Rodrigues é Professor e Investigador na área da Educação Especial e Inclusiva.
No seu vasto currículo destaca-se o envolvimento em diversos organismos nacionais e internacionais de grande relevo, tais como a Sociedade Internacional para Estudos da Criança ou o Conselho da Europa.
É fundador e coordenador do Fórum de Estudos de Educação Inclusiva, Presidente da Pró-Inclusão - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, e fundador e diretor da Revista Educação Inclusiva.
Já lecionou em diversas Universidades Portuguesas e Estrangeiras, e é atualmente coordenador do Mestrado em Educação Especial do Instituto Piaget.O que é a Inclusão? Qual é a utilidade da Utopia?
Nesta palestra, o Professor David Rodrigues reflete sobre a importância de não temer sonhar outro “real”, e apresenta-nos as suas cinco Utopias para a Educação do Futuro – sem medos.Esta palestra foi dada num evento local TEDx, produzido independentemente das Conferências TED.
- Video Language:
- Portuguese
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDxTalks
- Duration:
- 17:28
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Isabel Vaz Belchior approved Portuguese subtitles for Pensar Utopicamente a Educação | David Rodrigues | TEDxLisboaED | |
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Isabel Vaz Belchior
Uma boa transcrição e um bom trabalho de equipa.