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A profunda viagem de compaixão

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    Uma criança humana nasce
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    e durante um longo período de tempo,
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    é uma consumidora.
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    Não pode ser, conscientemente,
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    um contribuinte.
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    Está desamparada.
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    Nem sabe como sobreviver,
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    apesar
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    de ter sido dotada
    de um instinto para sobreviver.
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    Precisa da ajuda da mãe,
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    ou de uma mãe adotiva, para sobreviver.
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    Não se pode dar ao luxo de duvidar
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    da pessoa que cuida dela.
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    Tem que se render completamente,
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    tal como qualquer pessoa
    se rende a um anestesista.
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    Tem que se entregar completamente.
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    Isso implica uma grande confiança.
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    Implica que a pessoa em quem se confia
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    não viole essa confiança.
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    À medida que a criança cresce,
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    começa a descobrir
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    que a pessoa em quem confiou
    está a violar essa confiança.
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    Nem conhece a palavra violação.
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    Então, tem que se culpar a si mesma.
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    Uma culpa sem palavras,
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    que é muito mais
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    difícil de sarar,
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    a autorrecriminação silenciosa.
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    Quando a criança cresce e se torna adulta,
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    e por enquanto, tem sido consumidora,
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    mas o crescimento de um ser humano,
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    depende da sua capacidade de contribuir,
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    de ser um contribuinte.
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    Ninguém consegue contribuir
    a não ser que se sinta seguro,
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    que se sinta grande,
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    que sinta ter o suficiente.
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    Ser compassivo não é uma piada.
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    Não é assim tão simples.
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    Temos que descobrir
    uma certa grandeza em nós.
  • 3:40 - 3:44
    E essa grandeza deve estar
    centrada em si próprio,
  • 3:44 - 3:47
    não em termos de dinheiro,
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    nem em termos do poder que se adquire,
  • 3:51 - 3:57
    nem em termos de qualquer estatuto
    que se possa usar na sociedade,
  • 3:59 - 4:02
    mas deve estar centrada em si próprio.
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    O eu, de que se é autoconsciente.
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    Nesse eu, deve estar centrada
    uma grandeza, uma totalidade,
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    senão, a compaixão é apenas
    uma palavra e um sonho.
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    Podemos ser compassivos ocasionalmente,
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    mais movidos pela empatia
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    que pela compaixão.
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    Graças a Deus sentimos empatia.
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    Quando alguém sofre, sentimos essa dor.
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    Num jogo em Wimbledon, jogo final,
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    estão dois tipos a disputá-lo.
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    Cada um já ganhou duas partidas.
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    Qualquer um pode ganhar.
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    O que já suaram até ao momento
    não interessa.
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    Só um é que ganha.
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    Diz a etiqueta do ténis
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    que os dois jogadores
    devem aproximar-se da rede
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    e apertar as mãos.
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    O vencedor dá socos no ar
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    e beija o chão,
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    atira a camisola como
    se alguém a fosse apanhar.
  • 5:47 - 5:50
    (Risos)
  • 5:51 - 5:54
    E este tipo tem que se aproximar da rede.
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    Quando chega à rede,
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    dá para ver, toda a sua expressão muda.
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    Parece que deseja não ter ganho.
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    Porquê? Empatia.
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    É este o coração humano.
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    A nenhum coração humano
    é negada essa empatia.
  • 6:20 - 6:25
    Nenhuma religião
    pode abalar isso pela doutrina.
  • 6:26 - 6:31
    Nenhuma cultura, nenhuma nação
    nem nacionalismo,
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    nada pode tocar-lhe
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    porque é a empatia.
  • 6:39 - 6:43
    E essa capacidade da empatia
  • 6:44 - 6:47
    é a janela através da qual
  • 6:48 - 6:51
    alcançamos os outros,
  • 6:52 - 6:56
    através da qual fazemos algo
    que faz a diferença na vida de alguém.
  • 6:57 - 7:01
    Até as palavras, até o tempo.
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    A compaixão não se define
    de uma só maneira.
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    Não há uma compaixão indiana.
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    Não há uma compaixão americana.
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    Transcende a nacionalidade,
    o sexo, a idade.
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    Porquê?
  • 7:27 - 7:30
    Porque existe em todos nós.
  • 7:31 - 7:36
    As pessoas sentem-na ocasionalmente.
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    Então, esta compaixão ocasional,
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    da qual não falamos,
  • 7:48 - 7:50
    nunca se vai manter ocasional.
  • 7:51 - 7:55
    Não se pode obrigar uma pessoa
    a ser compassiva por decreto.
  • 7:59 - 8:02
    Não se pode dizer:
    "Por favor gosta de mim."
  • 8:02 - 8:05
    O amor é uma coisa que se descobre.
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    Não é uma ação,
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    mas, na língua inglesa,
    também é uma ação.
  • 8:15 - 8:18
    Já voltamos a isto.
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    Então, a pessoa tem que descobrir
    uma certa totalidade.
  • 8:27 - 8:31
    Vou mencionar a possibilidade
    de ser inteiro,
  • 8:33 - 8:37
    que está na nossa experiência,
    na experiência de todos.
  • 8:41 - 8:46
    Apesar de uma vida muito trágica,
  • 8:49 - 8:55
    consegue-se ser feliz em alguns momentos,
  • 8:55 - 8:58
    demasiado poucos e demasiado espaçados.
  • 8:59 - 9:01
    E alguém que é feliz,
  • 9:03 - 9:06
    mesmo que seja por uma palhaçada,
  • 9:10 - 9:13
    aceita-se a si próprio,
  • 9:13 - 9:17
    e também ao esquema das coisas
    em que se encontra inserido.
  • 9:20 - 9:23
    Isso significa todo o universo,
  • 9:24 - 9:27
    aquilo que se sabe,
    como o que não se sabe.
  • 9:28 - 9:31
    Todas são totalmente aceites
  • 9:33 - 9:38
    porque se descobre
    a totalidade em si próprio.
  • 9:40 - 9:42
    O sujeito, eu,
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    e o objeto, o esquema das coisas,
  • 9:47 - 9:50
    fundem-se numa só,
  • 9:51 - 9:56
    uma experiência da qual
    ninguém pode dizer, "Foi-me negada",
  • 9:57 - 10:01
    uma experiência comum a todos e vários.
  • 10:03 - 10:07
    A experiência que confirma
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    que, apesar de todas as nossas limitações,
  • 10:12 - 10:17
    todas as nossas ambições,
    desejos por realizar, e cartões de crédito,
  • 10:18 - 10:20
    e despedimentos,
  • 10:22 - 10:25
    e, finalmente, a calvície,
  • 10:26 - 10:29
    podemos ser felizes.
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    Mas a extensão da lógica
  • 10:35 - 10:39
    é que não é preciso satisfazer
    os nossos desejos para sermos felizes.
  • 10:41 - 10:46
    Nós somos a verdadeira felicidade,
    a totalidade, que queremos ser.
  • 10:47 - 10:49
    E não temos escolha.
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    Isso apenas confirma a realidade:
  • 10:55 - 11:02
    que a totalidade não pode ser
    diferente de nós,
  • 11:03 - 11:05
    não pode ser sem nós.
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    Tem que ser a própria pessoa.
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    Não se pode ser parte de uma totalidade
  • 11:12 - 11:15
    e continuar a ser inteiro.
  • 11:16 - 11:19
    O momento de felicidade
    revela essa realidade,
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    essa realização, esse reconhecimento.
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    Se calhar, eu sou o todo.
  • 11:27 - 11:30
    Se calhar o swami está certo.
  • 11:32 - 11:34
    Se calhar o swami está certo.
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    E começamos uma nova vida.
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    E assim tudo se torna significativo.
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    Já não tenho mais razões
    para me culpar a mim próprio.
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    Se alguém tem que se culpar a si próprio,
    então tem milhões de razões, mais uma,
  • 11:58 - 12:03
    mas se digo, apesar de
    o meu corpo estar limitado,
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    se é preto, não é branco,
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    se é branco, não é preto,
  • 12:12 - 12:16
    o corpo é limitado qualquer que seja
    a forma que se olhe para ele.
  • 12:16 - 12:18
    Limitado.
  • 12:19 - 12:22
    O nosso conhecimento é limitado,
    a saúde é limitada,
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    e então, o poder é limitado,
  • 12:25 - 12:29
    e a alegria será também limitada.
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    A compaixão vai ser limitada.
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    Tudo vai ser limitado.
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    Não se pode comandar a compaixão
  • 12:45 - 12:49
    a não ser que nos tornemos ilimitados,
    e ninguém se pode tornar ilimitado,
  • 12:49 - 12:51
    ou se é, ou não se é.
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    Ponto final.
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    E não há forma de o nosso ser
    não ser também ilimitado.
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    A própria experiência revela,
  • 13:08 - 13:11
    apesar de todas as limitações,
    que se é o todo.
  • 13:13 - 13:16
    O todo é a realidade de uma pessoa
  • 13:17 - 13:19
    quando ela se relaciona com o mundo,
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    primeiro é amor.
  • 13:22 - 13:24
    Quando alguém se relaciona com o mundo,
  • 13:24 - 13:29
    a manifestação dinâmica do todo
  • 13:29 - 13:33
    é, aquilo que dizemos ser, amor.
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    E isso também se transforma em compaixão
  • 13:39 - 13:42
    se o objeto com quem nos relacionamos
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    evoca essa emoção.
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    Então, mais uma vez, isso transforma-se
  • 13:54 - 13:57
    em dar, em partilhar.
  • 13:59 - 14:04
    Exprimimo-nos porque temos compaixão.
  • 14:05 - 14:10
    Para descobrir a compaixão,
    precisamos de ser compassivos.
  • 14:12 - 14:16
    Para descobrir a capacidade
    de dar e partilhar,
  • 14:16 - 14:18
    precisamos ser pessoas
    que dão e que partilham.
  • 14:18 - 14:23
    Não há atalhos. É como nadar por nadar.
  • 14:24 - 14:26
    Aprende-se a nadar, nadando.
  • 14:28 - 14:31
    Não se pode aprender a nadar
    num colchão de espuma e entrar na água.
  • 14:31 - 14:33
    (Risos)
  • 14:33 - 14:35
    Aprende-se a nadar, nadando.
  • 14:35 - 14:38
    Aprende-se a andar de bicicleta
    andando de bicicleta.
  • 14:38 - 14:40
    Aprende-se a cozinhar, cozinhando,
  • 14:40 - 14:43
    tendo algumas pessoas
    complacentes à nossa volta
  • 14:43 - 14:45
    que comam aquilo que cozinhamos.
  • 14:45 - 14:47
    (Risos)
  • 14:52 - 14:55
    E então, o que digo,
  • 14:56 - 14:58
    é que temos que fingir e conseguir.
  • 14:59 - 15:01
    (Risos)
  • 15:05 - 15:07
    Tem que ser.
  • 15:08 - 15:12
    O meu predecessor queria dizer isso.
  • 15:14 - 15:16
    Temos que representar.
  • 15:20 - 15:24
    Temos que agir compassivamente.
  • 15:26 - 15:29
    Não há nenhum verbo para a compaixão,
  • 15:31 - 15:34
    Mas há um advérbio para compaixão.
  • 15:36 - 15:38
    E isso, para mim, é interessante.
  • 15:39 - 15:42
    Agimos compassivamente.
  • 15:45 - 15:49
    Mas como agir compassivamente
    se não temos compaixão?
  • 15:49 - 15:52
    E aí é que se finge.
  • 15:52 - 15:54
    Finjam e consigam.
  • 15:54 - 15:57
    Este é o mantra
    dos Estados Unidos da América.
  • 15:57 - 16:00
    (Risos)
  • 16:01 - 16:04
    Finjam e consigam.
  • 16:05 - 16:09
    Ajam compassivamente
    como se tivessem compaixão,
  • 16:09 - 16:11
    cerrem os dentes,
  • 16:11 - 16:13
    usem todo o sistema de apoio,
  • 16:13 - 16:16
    se souberem rezar, rezem.
  • 16:18 - 16:20
    Peçam a compaixão.
  • 16:20 - 16:22
    Deixem-me agir compassivamente.
  • 16:23 - 16:25
    Façam-no.
  • 16:25 - 16:27
    Descobrirão a compaixão
  • 16:27 - 16:32
    e também, lentamente,
    uma compaixão relativa,
  • 16:32 - 16:36
    e lentamente, talvez,
    se tiverem o ensinamento correto,
  • 16:36 - 16:41
    irão descobrir que a compaixão
    é uma manifestação dinâmica
  • 16:41 - 16:47
    da vossa própria realidade,
    que é a unidade, a totalidade,
  • 16:47 - 16:50
    e é isso que são.
  • 16:50 - 16:52
    Com estas palavras, muito obrigado.
  • 16:52 - 16:54
    (Aplausos)
Title:
A profunda viagem de compaixão
Speaker:
Dayananda Saraswati
Description:

Swami Dayananda Saraswati desmistifica os caminhos paralelos do desenvolvimento pessoal e a obtenção da verdadeira compaixão. Leva-nos por todos os passos da autorrealização, desde a infância desamparada até ao ato destemido de cuidar dos outros.

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
16:54
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for The profound journey of compassion
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for The profound journey of compassion
Ana Brochado added a translation

Portuguese subtitles

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