4 Adventures of Reinette and Mirabelle
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0:10 - 0:19''AS 4 AVENTURAS DE
REINETTE E MIRABELLE'' -
0:19 - 1:30HORA AZUL
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1:30 - 1:31Desculpe.
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1:31 - 1:34Sabe onde tem uma oficina perto?
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1:34 - 1:38A dois quilômetros.
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1:38 - 1:44-Acho que o pneu furou.
-Posso dar uma olhada? -
1:44 - 1:54Pode segurar isto?
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1:54 - 1:56Tem remendos?
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1:56 - 2:00Tenho, mas...
como vou achar o furo? -
2:00 - 2:07Nunca consertou um pneu?
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2:07 - 2:10Deixe comigo.
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2:10 - 2:13-Tem a tampa?
-Não está comigo. -
2:13 - 2:28Tudo bem.
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2:28 - 2:41É por ali.
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2:41 - 2:43Está vendo as bolhas?
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2:43 - 2:44O furo está aí.
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2:44 - 2:48Ponha seu dedo em cima...
assim. -
2:48 - 2:50Deixe-me fazer isso.
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2:50 - 2:56Pronto. Você seca para
a cola pegar melhor. -
2:56 - 3:00-Segure.
-Deixe que eu faço. -
3:00 - 3:05Agora vou passar a lixa.
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3:05 - 3:08Passe a lixa.
Quer fazer? -
3:08 - 3:13Assim... para pegar bem.
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3:13 - 3:28Você pega a cola...
os remendos. -
3:28 - 3:32O tubo está novinho.
Eles fazem coisas... -
3:32 - 3:37Agora tudo é feito de metal.
É uma coisa! -
3:37 - 3:40É preciso uma coisa afiada
para furar o tubo. -
3:40 - 3:42Uma agulha.
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3:42 - 4:03-Vou buscar.
-Um garfo serve. -
4:03 - 4:07-Podemos botar mais.
-Não. Está bem assim. -
4:07 - 4:10Vou pôr também no remendo...
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4:10 - 4:22para segurar mais.
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4:22 - 4:24-Agora o remendo.
-Você não colocou em cima. -
4:24 - 4:29Está bom.
Agora aperte bem forte... -
4:29 - 4:34para maior aderência.
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4:34 - 4:37Depois remova o papel.
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4:37 - 4:56Vou pendurar ali para secar.
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4:56 - 5:00-O que é isto?
-''Isto'' o quê? -
5:00 - 5:03Este lugar.
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5:03 - 5:06É a minha casa.
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5:06 - 5:11-Mas você mora onde?
-Ali. -
5:11 - 5:19Aqui é minha cozinha.
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5:19 - 5:22Meu quarto é lá em cima.
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5:22 - 5:25-É a sua casa?
-Que mais poderia ser? -
5:25 - 5:28Sei lá...
parece mais um celeiro. -
5:28 - 5:33Era antes. Fizemos um quarto.
Quer visitar? -
5:33 - 5:35Quero.
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5:35 - 5:37Cuidado com as plantas.
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5:37 - 5:42Elas espetam. Gosto de deixar
as plantas crescerem naturalmente. -
5:42 - 5:46Eu também. Mas a cabra
do vizinho pensa diferente. -
5:46 - 5:48Essa árvore é magnífica!
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5:48 - 5:52É a árvore da minha bisavó.
É linda, não? -
5:52 - 5:55Como assim, ''da sua bisavó''?
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5:55 - 5:59Foi plantada no dia em que ela
nasceu, há mais de 100 anos. -
5:59 - 6:02É uma pereira.
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6:02 - 6:06Venha, é por aqui.
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6:06 - 6:17A pequena porta verde.
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6:17 - 6:25-Entre, senhorita.
-Obrigada. -
6:25 - 6:28Não repare na bagunça.
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6:28 - 6:33A escada é ali.
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6:33 - 6:47Pode subir. É sólida.
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6:47 - 6:49-Você mora sozinha?
-Moro. -
6:49 - 6:52Minha mãe tem uma
mercearia em Rebais. -
6:52 - 7:06Eu gosto de passar o verão aqui.
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7:06 - 7:24-A sua casa é uma graça.
-Obrigada. -
7:24 - 7:27Você pinta?
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7:27 - 7:30Bem... eu tento.
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7:30 - 7:32E você, o que faz?
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7:32 - 7:34-Eu sou estudante.
-De quê? -
7:34 - 7:37-Etnologia.
-O que é isso? -
7:37 - 7:40O estudo das etnias.
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7:40 - 7:42-Do quê?
-Das etnias. -
7:42 - 7:48Vem do grego ''ethnos'',
que significa ''povo''. -
7:48 - 7:51Entendi.
Como você se chama? -
7:51 - 7:56-Mirabelle.
-Eu sou Reinette. -
7:56 - 7:58Posso dar uma olhada
nos seus quadros? -
7:58 - 8:02Claro, à vontade.
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8:02 - 8:10Chamei esse de ''Fuga''.
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8:10 - 8:16-É assim...
-Assim? -
8:16 - 8:20É melhor ficar olhando... de longe.
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8:20 - 8:23Esse é ''A Recusa''.
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8:23 - 8:26-Por quê?
-Ou ''A Escolha''. -
8:26 - 8:29Você se recusa a ficar com
os olhos fechados ou abertos... -
8:29 - 8:32e escolhe a cabeça
para esse corpo. -
8:32 - 8:35É só você a colocar.
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8:35 - 8:37E esse?
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8:37 - 8:43-Pode ser assim? Não tem problema?
-Esse aí, só olhando de longe. -
8:43 - 8:47Eu pinto assim.
Não é para entender. -
8:47 - 8:50Parecem histórias em quadrinhos.
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8:50 - 8:54Não conheço nada de histórias
em quadrinhos. Só Grimm e Perrault. -
8:54 - 8:56Eles desenhavam
histórias em quadrinhos? -
8:56 - 8:59Não sei, mas é parecido.
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8:59 - 9:02Quer ver o meu preferido?
Não, primeiro outro. -
9:02 - 9:05Espere! Tem um muito
engraçado que eu adoro. -
9:05 - 9:08Chama-se ''Uns Milímetros a Mais''.
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9:08 - 9:13-Os milímetros são por causa disso?
-Não, porque esta é menor que essa. -
9:13 - 9:16Essa é a minha formiga predileta.
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9:16 - 9:19-Você pinta formigas?
-Adoro as formigas. -
9:19 - 9:24Gostei desse quadro porque
a formiga ficou muito boa. -
9:24 - 9:26Tudo isso acontece na Lua?
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9:26 - 9:29Pode-se dizer que sim.
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9:29 - 9:31Quer ver meu pôr-do-sol?
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9:31 - 9:40Vou lhe mostrar.
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9:40 - 9:45Nesse, os milímetros a mais
estão ali. -
9:45 - 9:49Acho que é a parte mais bonita
do corpo da mulher. -
9:49 - 9:53-Por isso, a coloco no centro.
-Eu gosto. -
9:53 - 9:55Redondinho assim é bonito.
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9:55 - 9:58O que você faz é surrealista, não?
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9:58 - 10:04É... é muito...
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10:04 - 10:14Ano que vem vou a Paris
fazer um curso. -
10:14 - 10:20Você tem muita sorte de poder
viver aqui. É tão bonito. -
10:20 - 10:26-Você mora onde?
-Em Paris. -
10:26 - 10:30-Mas não está vindo de Paris.
-Não. -
10:30 - 10:34Meus pais têm uma casinha
perto de La Ferté. -
10:34 - 10:40Com um jardinzinho,
muita grama, muitas florzinhas. -
10:40 - 10:44Pode imaginar o gênero.
A casa dos vizinhos é igual. -
10:44 - 10:50Nunca estive realmente no campo.
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10:50 - 10:52Acho o campo muito selvagem.
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10:52 - 10:56Por que não fica?
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10:56 - 11:01-Não. Falei por falar.
-Fique! Tenho uma cama dobrável. -
11:01 - 11:04-Não quero incomodar.
-Se incomodasse, eu não convidaria. -
11:04 - 11:08Terminei de pintar. Quando
não pinto, gosto de conversar. -
11:08 - 11:11Se eu falar demais,
você vai embora. -
11:11 - 11:14Não posso.
Meus pais me esperam. -
11:14 - 11:18Ligue para eles.
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11:18 - 11:21-Você tem telefone?
-Eu não. Meus vizinhos têm. -
11:21 - 11:28Vamos até lá.
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11:28 - 11:30Este silêncio é magnífico.
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11:30 - 11:33Em Paris não é assim.
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11:33 - 11:37Sempre tem um carro que passa...
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11:37 - 11:42o rádio do vizinho,
um ruído contínuo. -
11:42 - 11:50Aqui também não há silêncio.
Escute! -
11:50 - 11:55Ouça estes ruídos.
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11:55 - 12:00O silêncio não pode
existir na Natureza. -
12:00 - 12:06No topo de uma montanha, talvez.
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12:06 - 12:10-Já esteve no topo de uma montanha?
-Nunca. -
12:10 - 12:12Mas aqui também há o silêncio.
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12:12 - 12:15-Talvez à noite.
-Não. A noite é cheia de ruídos. -
12:15 - 12:25Os gatos... as corujas.
Não estou pensando na noite. -
12:25 - 12:27Conhece a hora azul?
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12:27 - 12:29''A hora azul''?
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12:29 - 12:34Não é uma hora, é um minuto.
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12:34 - 12:39Um pouco antes do amanhecer,
há um minuto de silêncio total. -
12:39 - 12:43Os pássaros do dia
ainda não acordaram... -
12:43 - 12:46e os da noite já foram dormir.
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12:46 - 12:52Aí, é o silêncio.
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12:52 - 12:56Quando era menina, eu pedia
à minha mãe para me acordar. -
12:56 - 13:01-Todas as manhãs?
-Não todas as manhãs. -
13:01 - 13:07Duas ou três vezes ao ano,
no verão, quando o céu é claro. -
13:07 - 13:12É difícil explicar isso
a quem não vive no campo. -
13:12 - 13:19Mas o silêncio da Natureza
é apavorante. -
13:19 - 13:22É um pouco como no tribunal...
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13:22 - 13:27quando o júri delibera e espera-se
a sentença: ou é a vida... -
13:27 - 13:30ou é a morte.
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13:30 - 13:36Se um dia o mundo acabar,
sei que será durante a hora azul. -
13:36 - 13:40Sabe por quê?
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13:40 - 13:46Porque é o momento em que
a Natureza pára de respirar. -
13:46 - 13:52E isso dá medo.
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13:52 - 13:56Todos os camponeses temem
essa hora. Por isso, dizem: -
13:56 - 14:00''Amanhã será outro dia!''
E é verdade. -
14:00 - 14:05Aconteça o que acontecer, nada
impedirá que um novo dia surja. -
14:05 - 14:10É a maior lição de humildade
que você pode receber. -
14:10 - 14:16Nós é que precisamos da Natureza,
não ela de nós. -
14:16 - 14:20Se quiser,
podemos ir dormir agora. -
14:20 - 14:23Amanhã, acordo você
para a hora azul. -
14:23 - 14:25-Você quer?
-Nunca acordaremos. -
14:25 - 14:41-Nem ouço o despertador.
-Pode deixar comigo. -
14:41 - 14:47Mirabelle!
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14:47 - 15:22Está na hora.
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15:22 - 15:26Ouça!
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15:26 - 15:31O sapo.
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15:31 - 15:38Ali é uma rã.
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15:38 - 15:50Uma coruja.
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15:50 - 15:57Que barulho é esse?
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15:57 - 16:03Assim não é possível!
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16:03 - 16:06Ande mais rápido, droga!
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16:06 - 16:27-Não se irrite.
-Um minuto é muito curto, entende? -
16:27 - 16:33Ele está indo embora.
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16:33 - 16:38Foi embora.
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16:38 - 16:43Foi embora, mas estragou tudo!
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16:43 - 16:47-Não é possível, eu juro.
-Pare com isso. Não é grave. -
16:47 - 16:54-Foi bem impressionante.
-Silêncio total não é isso! Droga! -
16:54 - 16:56Não é, mas eu entendi.
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16:56 - 17:00Não se trata de entender.
Todos dizem: ''Entendi!'' -
17:00 - 17:02Pode dizer que um morango vermelho
é melhor que um verde... -
17:02 - 17:06mas não saberá até provar os dois.
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17:06 - 17:11Pare de chorar.
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17:11 - 17:15Estou cheia!
Os amigos vêm e estragam tudo! -
17:15 - 17:18Você não ouviu mais de
mil vezes essa hora azul? -
17:18 - 17:26Eu queria que você a ouvisse.
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17:26 - 17:29Haverá outras oportunidades.
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17:29 - 17:36Como, se você vai embora amanhã?
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17:36 - 17:41Se quiser, eu fico.
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17:41 - 17:45Está bem?
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17:45 - 17:47Fica mesmo?
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17:47 - 17:51Basta um telefonema.
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17:51 - 17:55-Tudo bem?
-Tudo. -
17:55 - 17:59Não chore mais.
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17:59 - 18:04Vamos nos deitar.
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18:04 - 18:30Você é ridícula.
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18:30 - 18:32Olhe para eles!
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18:32 - 18:33Os patos.
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18:33 - 18:36Eles sempre parecem
estar discutindo negócios. -
18:36 - 18:39Agora não.
Estão apenas passeando. -
18:39 - 18:43Não. Estão discutindo.
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18:43 - 18:45Ei, galinhas!
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18:45 - 18:49Não vamos comê-las.
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18:49 - 18:52Você as assustou!
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18:52 - 18:55Com os bichos,
temos que ter muito cuidado. -
18:55 - 18:58Não estão acostumados.
Não conhecem você. -
18:58 - 19:01Ei, galo!
Você vem comer? -
19:01 - 19:04Deixe de ser vaidoso!
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19:04 - 19:08Não parecem com vontade
de conhecer você. -
19:08 - 19:11O que tem lá dentro?
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19:11 - 19:13Cabritas.
Olhe, elas nos viram. -
19:13 - 19:15-Podemos ir até lá?
-Bom dia, cabritas! -
19:15 - 19:21Vamos lá.
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19:21 - 19:24É imundo, não?
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19:24 - 19:30É normal, não?
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19:30 - 19:36Elas são superbonitas!
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19:36 - 19:40Sirvo as ruivas primeiro...
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19:40 - 19:42porque são mais numerosas.
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19:42 - 19:46-Não é uma questão de cor?
-É, sim. -
19:46 - 19:49Se houvesse mais brancas,
elas comeriam primeiro. -
19:49 - 19:53Sabia que é assim com os pintinhos,
mas com as cabras... -
19:53 - 19:57É uma questão de linhagem,
de qualidade. -
19:57 - 20:00Não sei.
As suas devem ser diferentes. -
20:00 - 20:05As ruivas primeiro.
São elas que quase sempre vencem. -
20:05 - 20:09Cortam os chifres delas
porque brigam entre si... -
20:09 - 20:13e podem se machucar.
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20:13 - 20:21Essas de chifre cortado
são as mais briguentas. -
20:21 - 20:24Tem uma velha ali que
quase não pode se mexer. -
20:24 - 20:28Vou dar comida a ela.
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20:28 - 20:30Tome!
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20:30 - 20:32Você trabalhou bem.
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20:32 - 20:39Não venha me chatear.
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20:39 - 20:41Dou menos àquelas que estão atrás.
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20:41 - 20:45É a lei do mais forte.
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20:45 - 20:51-Não podemos contrariá-las.
-Mas hoje estou aqui. -
20:51 - 20:55Tive que separar aquela,
porque fazia estragos. -
20:55 - 21:00Ela é realmente malvada.
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21:00 - 21:02Sério?
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21:02 - 21:04É aquela?
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21:04 - 21:21Viu como ela é forte?
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21:21 - 21:24-Como se chama?
-Chama-se Diane. -
21:24 - 21:28Diane!
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21:28 - 21:30Está zangada.
Não quer conversar com ninguém. -
21:30 - 21:32Vem cá.
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21:32 - 21:35O outono se confunde
com as árvores. -
21:35 - 21:38Você é linda.
Vem cá. -
21:38 - 21:41-Nada feito.
-Vou vê-la. -
21:41 - 21:43Tem medo dos cavalos?
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21:43 - 21:45-Não se preocupe.
-Se fosse você, eu... -
21:45 - 21:47Faça o que quiser, mas...
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21:47 - 21:54Ela é boazinha, mas...
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21:54 - 22:02Você perturbou a intimidade dela.
Cuidado. -
22:02 - 22:07Não, está bem.
Ei, carneiros! -
22:07 - 22:08Tudo bem?
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22:08 - 22:14-Entende de cavalos?
-Gosto dos cavalos. -
22:14 - 22:20Ela sente... está vendo?
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22:20 - 22:23Vou apresentar você
aos meus vizinhos. -
22:23 - 22:29Olá!
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22:29 - 22:31Sr. Rousseau.
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22:31 - 22:32-Bom dia.
-Bom dia. -
22:32 - 22:34-Mirabelle.
-Muito prazer. -
22:34 - 22:37Sra. Rousseau.
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22:37 - 22:40Ela é de Paris.
Gostaria de conhecer o campo. -
22:40 - 22:41Somos as pessoas indicadas.
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22:41 - 22:45O que podemos mostrar a ela?
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22:45 - 22:47-Estou vendo morangos.
-Sempre florescem. -
22:47 - 22:50-São lindos!
-Eles estão passados. -
22:50 - 22:53-Demoraram muito para crescer.
-É mesmo? -
22:53 - 22:55Sim, porque o inverno
foi muito rigoroso. -
22:55 - 23:01Tivemos geadas.
Caiu neve por aí. A umidade! -
23:01 - 23:03A umidade!
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23:03 - 23:08-O que é isso? Não é uma roseira?
-Eram roseiras em flor. -
23:08 - 23:13-Seus morangos são soberbos!
-Prontos para serem colhidos, hein? -
23:13 - 23:14-Posso comer um?
-Pode, se está com vontade. -
23:14 - 23:23Com licença.
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23:23 - 23:26São muito gostosos.
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23:26 - 23:28Tome, Reinette.
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23:28 - 23:31Vou comer um.
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23:31 - 23:34Estão maduros.
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23:34 - 23:39E isso aí é couve-de-verão.
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23:39 - 23:41-Aqueles... os roxos?
-Estão no meio dos alhos-porros... -
23:41 - 23:44os primeiros que comemos.
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23:44 - 23:46São chamados
''alhos-porros de verão''. -
23:46 - 23:48-Por que ''de verão''?
-Porque... -
23:48 - 23:52são os primeiros
e porque se comem logo. -
23:52 - 23:57Dentro de um mês,
não prestarão mais. -
23:57 - 24:01-Suas saladas são muito grandes.
-Chicória... -
24:01 - 24:03Salada para ser cozida.
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24:03 - 24:06E ali?
Que coisas altas são aquelas? -
24:06 - 24:10-Com as florzinhas brancas.
-Ali? São batatas... -
24:10 - 24:16-Não, talvez feijões.
-Vamos até lá? -
24:16 - 24:21-Feijões, talvez.
-Eu não entendo disso. -
24:21 - 24:24As flores são muito lindas.
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24:24 - 24:28E tudo isso, o que é?
Vai me explicar? -
24:28 - 24:32Ali tem rabanetes, pepinos,
mais rabanetes e endívias. -
24:32 - 24:35Como crescem as endívias?
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24:35 - 24:39-O que se come é a raiz, não?
-São raízes que colhemos... -
24:39 - 24:43e que enterramos
durante todo o inverno. -
24:43 - 24:48-Deixam enterradas todo o inverno?
-Até crescer uma polpa branca. -
24:48 - 24:50É o que chamamos de endívia.
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24:50 - 24:52Entendi. E as folhas?
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24:52 - 24:58Quase não tem.
Nós as damos aos coelhos. -
24:58 - 25:01Vou condecorar o senhor.
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25:01 - 25:07Ponho no seu bolso
e a flor na lapela. -
25:07 - 25:11Cor de rosa e azul.
Bonito, não? -
25:11 - 25:15-Onde andam as vacas durante o dia?
-Elas vão ao parque. -
25:15 - 25:20Fizemos uma senda que
as leva diretamente para lá. -
25:20 - 25:22-É por ali?
-É, pela senda. -
25:22 - 25:25Para vê-las,
é preciso pegar essa senda? -
25:25 - 25:29Pode passar pelo outro lado.
É a mesma coisa. -
25:29 - 25:32Construímos um galpão onde
elas se abrigam quando chove. -
25:32 - 25:34O tempo está ruim hoje.
Acha que vai chover? -
25:34 - 25:37Não, não...
-
25:37 - 25:39Aquilo é...
não, não é nada. -
25:39 - 25:42-Acho que vai chover.
-Não. -
25:42 - 25:43-Não?
-Não. -
25:43 - 25:46Vou buscar minha capa de chuva.
Nunca se sabe. -
25:46 - 25:49Sabe como é...
-
25:49 - 26:17-Melhor prevenir que remediar!
-Ninguém pode prever. -
26:17 - 26:20Essas margaridas são lindas!
-
26:20 - 26:24-Podemos pegar algumas?
-Se quiser, mas não toleram vasos. -
26:24 - 26:27Está começando a chover.
-
26:27 - 26:29Tem um capuz?
-
26:29 - 26:33Não. Adoro chuva.
É bom para os cabelos. -
26:33 - 27:22Continuamos, não?
-
27:22 - 27:24É chato ter esse tempo logo hoje.
-
27:24 - 27:32Não faz mal. Terei conhecido
o campo de todas as maneiras. -
27:32 - 27:36-Passou no vestibular?
-Passei. Ano passado. -
27:36 - 27:39Nunca fui à escola.
-
27:39 - 27:42Existem cursos por correspondência.
-
27:42 - 27:47Sei. Eu gostaria...
Fazia cenas para não ir à escola. -
27:47 - 27:52Realmente.
Eu odiava aqueles horários. -
27:52 - 27:54Toda hora davam
uma matéria nova. -
27:54 - 27:58-Eu sei. Passei por isso.
-Achava tão estúpido. -
27:58 - 28:00O que vai fazer agora?
-
28:00 - 28:04Ano que vem, vou me preparar
para Belas Artes. Eu desenho... -
28:04 - 28:08Sei quando erro,
mas não sei por quê. -
28:08 - 28:12A técnica me ajudaria muito.
-
28:12 - 28:14Nesse caso,
faço concessões à escola. -
28:14 - 28:19Senão... não é possível.
-
28:19 - 28:25É verdade. A técnica é necessária.
E onde você vai morar? -
28:25 - 28:29Tenho primos em Sartrouville.
-
28:29 - 28:33-Sartrouville é muito longe.
-Não. Fica a 20 minutos de Paris. -
28:33 - 28:37Demora. Ao menos uma hora
por dia no trem. -
28:37 - 28:39Gosto de viajar de trem.
-
28:39 - 28:47Vou gostar de estar com eles.
São muito gentis. -
28:47 - 28:52Eu moro com uma moça que
vai embora em setembro. -
28:52 - 29:02Se quiser, pode vir morar comigo.
Assim você estará em Paris. -
29:02 - 29:06Você é quem decide.
-
29:06 - 29:11Sou muito independente.
-
29:11 - 29:16-Você teria o seu quarto.
-Poderei decorá-lo como eu quiser? -
29:16 - 29:22Claro, já que dividiremos
as despesas. Meio a meio. -
29:22 - 29:28Não vejo nenhum problema.
Poderá trazer quem você quiser... -
29:28 - 29:33fazer o que bem entender.
-
29:33 - 29:41Tenho um amigo que não
mora comigo. Ele vem me ver. -
29:41 - 29:44Você tem namorado?
-
29:44 - 29:45Isso é o segredo da
minha vida particular. -
29:45 - 30:10E, se é particular, não posso dizer,
senão não seria mais. -
30:10 - 30:15-Você dança bem.
-Não sei dançar. -
30:15 - 30:17Não se nota.
-
30:17 - 30:20Saber dançar é inato.
-
30:20 - 30:24-Eu nunca aprendi.
-Eu nem tentei. -
30:24 - 30:46Nunca entrei numa boate.
-
30:46 - 30:50Quem disse que você
não sabe dançar? -
30:50 - 30:51Viajei muito.
-
30:51 - 30:55Estive no México...
-
30:55 - 31:02na Tunísia, na Grécia,
nas Antilhas. -
31:02 - 31:07Vamos voltar para
não perder a hora azul. -
31:07 - 31:12Devemos viver no presente.
Isto é, como uma parisiense. -
31:12 - 31:15E uma parisiense sabe dançar.
-
31:15 - 31:19-Vamos perder a hora azul.
-Você faz questão? -
31:19 - 31:22Não sei.
É mais para agradar você. -
31:22 - 34:38Quer me agradar?
Vamos dançar até meia-noite. -
34:38 - 36:15O GARÇOM
-
36:15 - 36:19-Já vai embora?
-Vou. Estou atrasada. -
36:19 - 36:22-A que horas sai do curso?
-Às 15 h. -
36:22 - 36:26Podemos marcar um encontro...
em Montparnasse. -
36:26 - 36:30Venha me buscar
na saída do curso. -
36:30 - 36:35Prefiro marcar num bar. Conheço um.
Chama-se Egalité, ou algo parecido. -
36:35 - 36:40-Qual é o endereço?
-É perto da torre Montparnasse... -
36:40 - 36:47...Rue de la Gaieté. Conhece?
-Não, mas eu acho. -
36:47 - 36:51-Que número?
-Não sei. É um bar. -
36:51 - 36:54Tem uma praça
com uma estação de metrô. -
36:54 - 36:55-Que metrô eu pego?
-Não sei... -
36:55 - 36:57mas não vai precisar se for a pé.
-
36:57 - 37:03Você sai da
Rue de la Grande Chaumière... -
37:03 - 37:05atravessa um bulevar...
-
37:05 - 37:09até chegar a outro bulevar.
É uma rua pequena entre os dois. -
37:09 - 37:15Numa praça com a estação de metrô.
Fica bem em frente. -
37:15 - 37:20Está bem. Rue de la Gaieté.
Se eu não achar, eu pergunto. -
37:20 - 37:51-É muito simples. Até logo.
-Até logo. -
37:51 - 37:54PINTURA - ACADEMIA - ESCULTURA
-
37:54 - 38:45ACADEMIA GRANDE CHAUMIÈRE
-
38:45 - 38:48Desculpe, senhor.
Rue de la Gaieté, por favor? -
38:48 - 38:52Estou vindo de lá.
À esquerda, é a avenida do Maine. -
38:52 - 38:55-Do Maine?
-Uma avenida com árvores. -
38:55 - 39:00A Rue de la Gaieté começa
lá onde não tem árvores. -
39:00 - 39:04Continue à direita, à esquerda,
de novo à esquerda... -
39:04 - 39:07duas vezes à esquerda e pronto.
-
39:07 - 39:08-Entendeu?
-Entendi. -
39:08 - 39:11-Procura alguma rua, senhorita?
-A Rue de la Gaieté. -
39:11 - 39:16-É pertinho. É por ali.
-A Rue de la Gaieté? -
39:16 - 39:19Vire à direita, contorne o cemitério,
de novo à direita... -
39:19 - 39:22Acho que é à esquerda,
se passar pela Maine. -
39:22 - 39:26-É mais rápido.
-Claro, se quiser fazer um desvio. -
39:26 - 39:32Que desvio? A Maine é à esquerda.
A Rue de la Gaieté também. -
39:32 - 39:34É muito mais rápido por ali.
-
39:34 - 39:39As janelas daquela rua dão para o
cemitério. Um amigo meu morava lá. -
39:39 - 39:43Seu amigo que se dane! E é
de mau gosto mandar atravessar... -
39:43 - 39:47um cemitério para achar
uma rua que é ali. -
39:47 - 39:51Todos os caminhos levam a Roma,
mas não precisa cruzar o cemitério. -
39:51 - 39:54Não mandei cruzar; só contornar.
-
39:54 - 40:01Lamento, mas parece
mais simples que... -
40:01 - 40:02Será que é aqui?
-
40:02 - 40:06-Não na largura, no comprimento.
-Tanto faz. O cemitério é quadrado. -
40:06 - 40:09-Não exatamente.
-O senhor mora no bairro? -
40:09 - 40:13-Não, e o senhor?
-Não, mas conheço Montparnasse. -
40:13 - 40:15Senhores!
-
40:15 - 40:17Senhores!
-
40:17 - 40:43Não sabem de nada!
-
40:43 - 40:46-Aqui está.
-Obrigada. -
40:46 - 40:50-Pague agora, por favor.
-Claro. Quanto é? -
40:50 - 40:54Está aí. Não sabe ler?
-
40:54 - 40:57Quatro francos e trinta.
É isso? -
40:57 - 41:01Sim, é isso.
-
41:01 - 41:05Tome.
-
41:05 - 41:09Está brincando?
200 francos para pagar 4,30! -
41:09 - 41:12-Lamento. Não tenho trocado, senhor.
-Eu também não. -
41:12 - 41:16O cliente nunca tem troco.
Por que eu deveria ter troco? -
41:16 - 41:19-Procure!
-Já procurei. Não tenho. -
41:19 - 41:24Você deve ter 4,30!
-
41:24 - 41:291 ,30... 1 ,40... 1 ,50... 1 ,60...
-
41:29 - 41:32Só tem 1 ,60.
Ninguém sai com 1 ,60 no bolso. -
41:32 - 41:34Tenho 200 francos.
-
41:34 - 41:37Quem não tem dinheiro
não entra em bar. -
41:37 - 41:41Mas eu tenho dinheiro, senhor.
-
41:41 - 41:44Estou esperando uma amiga.
Talvez ela tenha trocado. -
41:44 - 41:50É o que você está dizendo.
É o golpe da amiga, eu conheço. -
41:50 - 41:54Já vi esse filme. É só eu virar
as costas que você se manda. -
41:54 - 41:58Estou sozinho para atender
o salão e o terraço. -
41:58 - 42:02Quando viro as costas,
os clientes podem fugir. -
42:02 - 42:06Mas não fogem porque
fico de olho aberto. -
42:06 - 42:11Mas nem sempre é fácil.
Uma moça aplicou o golpe outro dia. -
42:11 - 42:12Ela se parecia com você.
-
42:12 - 42:14Não era eu.
É a primeira vez que venho aqui. -
42:14 - 42:18Não disse que era,
mas a semelhança é surpreendente. -
42:18 - 42:20E eu sou bom fisionomista.
-
42:20 - 42:24O golpe da amiga passa uma vez,
mas não passa duas. Cuidado. -
42:24 - 42:25Já disse que não era eu.
-
42:25 - 42:30Por que eu acreditaria?
Se foi você ou não, cuidado! -
42:30 - 42:38-Já vou.
-Ele é doido! -
42:38 - 42:49Noventa e cinco.
-
42:49 - 42:51-Aqui está.
-Obrigado. -
42:51 - 42:56Obrigado. Até logo.
-
42:56 - 42:58Para eles, você tem troco.
-
42:58 - 43:00Tenho para os velhos clientes...
-
43:00 - 43:05não para as pessoas que ficam
duas horas na frente de um café. -
43:05 - 43:09-Cheguei há 5 minutos!
-Mas ia ficar. Posso garantir. -
43:09 - 43:13Não vá embora sem pagar.
Espero o dia todo se for preciso. -
43:13 - 43:48E não fuja.
Estou de olho. -
43:48 - 43:53-Já lhe disse que espero uma amiga.
-Se espera ou não espera, não sei. -
43:53 - 43:56Mas não vai monopolizar
as cadeiras o dia todo. -
43:56 - 44:01-Há muitas mesas vazias.
-Estão vazias, mas só hoje. -
44:01 - 44:05E gente que só vem tomar café
não é cliente. -
44:05 - 44:07Não confia em mim?
-
44:07 - 44:10Confiar!
Se eu confiasse em todo mundo... -
44:10 - 44:14Porque no golpe da amiga
já caí uma vez. -
44:14 - 44:18Agora estou de olho.
Estou de olho! -
44:18 - 44:20E os senhores, o que vão querer?
-
44:20 - 44:25Para mim, um chocolate quente
com creme chantilly. -
44:25 - 44:28Um café?
-
44:28 - 44:33Oi.
-
44:33 - 44:37Um momento!
Deixe essa cadeira onde está. -
44:37 - 44:39Eu quero me sentar.
-
44:39 - 44:43Fui eu quem a pôs ali.
É proibido tocar nela. -
44:43 - 44:48Vai me impedir de sentar
no terraço do seu bar? -
44:48 - 44:52Você é a tal amiga!
-
44:52 - 44:54De quem? Dela?
Sou, e daí? -
44:54 - 44:57Ele pensou que você não viria
e tirou a cadeira. -
44:57 - 45:00Mas eu vim.
Então, quero a cadeira. Obrigada. -
45:00 - 45:05Pegue, pegue!
-
45:05 - 45:08-O que vai querer?
-Um café. -
45:08 - 45:09-Mais um!
-Como? -
45:09 - 45:18-Vou servir seu café.
-É o que espero. -
45:18 - 45:20Se não quiser, vamos a outro bar.
-
45:20 - 45:22-Há 1 0 mil bares em Paris.
-Pode ficar! -
45:22 - 45:25-Se visse a sua cara!
-Fique, mas pague primeiro. -
45:25 - 45:29-Ainda não tomamos nada.
-Você, não... ela. -
45:29 - 45:33-Pague e vamos embora.
-Tem 4,30? Não tenho troco. -
45:33 - 45:36Só tenho uma nota de 500.
Dê o troco a ela! -
45:36 - 45:40Ela vem com 200; você, 500.
Acham que tenho cara de palhaço? -
45:40 - 45:43Como assim?
Vocês não têm uma caixa? -
45:43 - 45:46Não tenho troco.
-
45:46 - 45:49-Vamos embora. Problema seu.
-Primeiro, vão pagar. -
45:49 - 45:52Quem diz que não queremos pagar?
-
45:52 - 45:56Aqui, o cliente tem que ter trocado.
-
45:56 - 46:01Isso é uma novidade.
Sou estudante de Direito. -
46:01 - 46:04O cliente deve ''possuir'' o troco,
como você está dizendo... -
46:04 - 46:09nos ônibus e no metrô,
não nos bares. -
46:09 - 46:12-Escute aqui, moça...
-Fale comigo educadamente, ouviu? -
46:12 - 46:18Você pode ir,
mas ela fica até pagar. -
46:18 - 46:20E tenho o dia todo.
-
46:20 - 46:24Não pense em fugir, senão...
-
46:24 - 46:27Esse cara é completamente maluco!
-
46:27 - 46:33-Vamos embora. Chega.
-Não tem mesmo 4,30? -
46:33 - 46:34Não tenho 4,30.
Ele está ocupado. -
46:34 - 46:36-Vamos.
-Espere... -
46:36 - 46:54Vem. Rápido!
-
46:54 - 46:57Eu sabia. Eu jurava que
essas duas não iam pagar. -
46:57 - 47:02E eu estava de olho!
Estava de olho. -
47:02 - 47:224,30 é pouco, eu sei.
Mas dá raiva. -
47:22 - 47:23Até mais tarde.
-
47:23 - 47:25Não me acorde quando voltar,
por favor. -
47:25 - 47:28Volto antes da meia-noite.
-
47:28 - 47:33Amanhã, vou àquele bar
pagar o que devo. -
47:33 - 47:38Você está louca!
4,30 francos! -
47:38 - 47:39Não é uma questão de dinheiro.
-
47:39 - 47:44O que me irrita é que eu fiz
o que ele disse que eu ia fazer. -
47:44 - 47:46Sei.
-
47:46 - 47:49Sempre me meto em enrascadas
desse tipo. -
47:49 - 47:51Não entendo.
Devo ter cara de trouxa. -
47:51 - 47:56Pensam que eu faço molecagem.
Não entendo. -
47:56 - 48:00Outro dia, no dentista,
tinha marcado para as 11 h. -
48:00 - 48:06Chego às 11 h. Entro no consultório.
Digo ''bom dia''. Ninguém responde. -
48:06 - 48:09E espero... 5... 1 0 minutos...
-
48:09 - 48:11nada.
-
48:11 - 48:15Chamo a assistente e pergunto:
''Como é? Não vão me chamar?'' -
48:15 - 48:19Ela me diz: ''Não, senhorita.
Não marcou para hoje.'' -
48:19 - 48:23Olho minha agenda.
Vejo 11 h. -
48:23 - 48:28Digo: ''Se eu anotei o dia
e a hora na minha agenda...'' -
48:28 - 48:32Todo o mundo riu,
achando que eu estava mentindo... -
48:32 - 48:36criando essa confusão
para ser atendida. -
48:36 - 48:42Ela me diz: ''Se tivesse marcado,
teria o papelzinho... -
48:42 - 48:45que o doutor sempre dá
aos pacientes. Você o tem?'' -
48:45 - 48:49Eu disse: ''De fato, ele me deu,
mas como receio perder tudo... -
48:49 - 48:51transcrevo tudo na minha agenda.''
-
48:51 - 48:55''Não é possível.'' Com raiva,
pego a minha bolsa, que é enorme... -
48:55 - 48:58remexo nela, e o que vejo?
O papelzinho. -
48:58 - 49:02Eu mostro para ela e digo:
''E isso, fui eu que escrevi?'' -
49:02 - 49:06Todos ficaram com uma cara!
Mas ninguém acreditou em mim. -
49:06 - 49:10Tiveram que reconhecer
que eu não havia mentido. -
49:10 - 49:33Quero mostrar àquele garçom
que não estava mentindo ontem! -
49:33 - 49:37Com licença, senhor.
-
49:37 - 49:39Procuro o garçom
que estava aqui ontem. -
49:39 - 49:44O de ontem?
Ele só trabalhou ontem. Por quê? -
49:44 - 49:47-Fiquei devendo 4,30 francos.
-É mesmo? -
49:47 - 49:52-Posso deixar com o senhor?
-Claro. -
49:52 - 49:57Não tem problema.
-
49:57 - 50:01-Aí está.
-Obrigado. -
50:01 - 50:03Até logo.
-
50:03 - 50:12Imagine!
Voltou só para isso! -
50:12 - 50:12O MENDIGO, A CLEPTOMANÍACA
E A MALANDRA -
50:12 - 50:34O MENDIGO, A CLEPTOMANÍACA
E A MALANDRA -
50:34 - 50:41-Tome.
-Obrigado. -
50:41 - 50:43Por que não deu nada a ele?
-
50:43 - 50:46Porque não fui com a cara dele.
-
50:46 - 50:48Só dá às pessoas
que acha simpáticas? -
50:48 - 50:52-Só, senão eu daria a todos eles.
-Mas aquele precisava. -
50:52 - 50:56-Estava escrito ''para comer''.
-Há 1 5 mil mendigos no metrô... -
50:56 - 51:03nas esquinas, que precisam comer,
que querem dinheiro. 1 5 mil! -
51:03 - 51:08Vamos?
-
51:08 - 51:11Não acho normal deixar
pessoas morrerem de fome... -
51:11 - 51:15quando temos tudo fartamente
no nosso prato. -
51:15 - 51:21Por que não vai para a África com
os Médicos Sem Fronteiras? -
51:21 - 51:26O que está fazendo aqui,
morando num apartamento? -
51:26 - 51:29Dar um ou dois francos
não custa nada. -
51:29 - 51:32-Dê a todos, dê a todos!
-Não. -
51:32 - 51:34Só àqueles que tocam música
que eu não gosto? -
51:34 - 51:38Não dou, se
está na cara que é armação. -
51:38 - 51:42Senão dou o mínimo,
o que eu posso dar. -
51:42 - 51:44A todos os que estão nas ruas?
-
51:44 - 51:49A todos aqueles que
eu acho que precisam. -
51:49 - 54:00UNIVERSIDADE DE PARIS
CENTRO P. MENDES FRANCE -
54:00 - 54:05Sr. Berrhier, por favor,
dirija-se à porra da loja. -
54:05 - 55:32Aquela senhora com...
-
55:32 - 55:34Sua sacola, por favor.
-
55:34 - 55:36O que é isso?
O que querem comigo? -
55:36 - 55:39Que nos autorize
a revistar sua sacola. -
55:39 - 55:41Por que querem revistar
minha sacola? -
55:41 - 55:44-Tinha uma segunda sacola.
-Onde está? -
55:44 - 55:48Tenho certeza. Eu vi.
Tenho certeza. -
55:48 - 57:19Reviste a sacola.
-
57:19 - 57:22Você não ia jantar fora?
-
57:22 - 57:29-Não. Quem lhe disse isso?
-É que não comprei nada. -
57:29 - 57:31Não faz mal.
-
57:31 - 57:44-Não comprou nada mesmo?
-Pouca coisa. -
57:44 - 57:52-Você comprou uma sacola?
-Trouxe limões. Nunca se sabe. -
57:52 - 57:58Não sei em que podemos pôr limões.
-
57:58 - 58:04-Champanhe!
-E uma mistura duvidosa. -
58:04 - 58:09Confit de pato!
-
58:09 - 58:13E salmão!
-
58:13 - 58:18Você se lembrou que
era meu aniversário? -
58:18 - 58:21Obrigada. Na minha casa,
passava despercebido. -
58:21 - 58:24Vamos ter uma verdadeira
festa de aniversário. -
58:24 - 58:26Vou pôr isso num prato
e vou esquentar. -
58:26 - 58:32Vamos pôr flores também.
Certo? -
58:32 - 58:34-Posso pegar o seu ramalhete?
-Pode. -
58:34 - 58:37Sabe, não é a mim
que você deve isso. -
58:37 - 58:43-Como?
-Não é a mim que deve isso. -
58:43 - 58:46A quem então?
-
58:46 - 58:50-A uma linda jovem morena.
-Eu a conheço? -
58:50 - 58:55Com grandes olhos verdes
ou azuis, não vi bem. -
58:55 - 59:00Não será Agathe?
Ela tem olhos negros, mas não... -
59:00 - 59:04Não é Agathe. Você não a conhece,
e eu também não a conhecia. -
59:04 - 59:07-Ah, é?
-Vou lhe contar. -
59:07 - 59:13Quando saí do curso,
fui ao supermercado. -
59:13 - 59:18Na seção dos doces, vi uma moça.
Uma moça alta, morena etc... -
59:18 - 59:21empurrando seu carrinho.
-
59:21 - 59:27Vi também um cara e uma mulher...
-
59:27 - 59:29que estavam olhando
para aquela moça. -
59:29 - 59:34Fiquei curiosa.
Segui a moça... -
59:34 - 59:40e notei que ela tinha uma
sacola dentro do carrinho... -
59:40 - 59:44onde ela enfiou o salmão defumado.
-
59:44 - 59:48Continuei a segui-la,
e os dois também. -
59:48 - 59:52Vi logo que eram seguranças.
-
59:52 - 59:56Estava vendo os seguranças
que seguiam a moça... -
59:56 - 59:58que não sabia que
estava sendo seguida. -
59:58 - 60:05Fui atrás dela. Ela foi enfiando
champanhe, confit... na sacola. -
60:05 - 60:10Quando chegou ao caixa, entrou na
fila para pagar por alguma ninharia. -
60:10 - 60:14Eu peguei a fila ao lado.
A dela estava lá; a minha, aqui. -
60:14 - 60:19Vi os seguranças se esconderem
atrás de uma coluna. -
60:19 - 60:22Eles não me viam.
-
60:22 - 60:25Eles só esperavam que
ela saísse com a sacola. -
60:25 - 60:29Ela pôs a sacola
entre os dois caixas. -
60:29 - 60:34Aí, eu peguei a sacola e saí.
-
60:34 - 60:38Não sei como foi depois.
Viram que ela não tinha sacola. -
60:38 - 60:42Saí e fui me esconder
atrás de um carro na rua. -
60:42 - 60:45Vi os três discutindo.
-
60:45 - 60:50Finalmente, a moça foi embora.
Eu quis devolver a sacola. -
60:50 - 60:53Infelizmente, passaram muitos carros.
-
60:53 - 60:56Não consegui atravessar,
e ela sumiu. -
60:56 - 61:02E aqui estou com salmão,
champanhe e confit. -
61:02 - 61:05Nada mal, não?
-
61:05 - 61:08Mas por que você pegou
a sacola? -
61:08 - 61:11Porque não podia deixar que
ela fosse apanhada em flagrante. -
61:11 - 61:15Deixasse os seguranças
fazerem o trabalho deles! -
61:15 - 61:17-Deixar os fiscais?!
-Evidente. -
61:17 - 61:23Mas por quê? Por que,
se eu podia ajudar a moça? -
61:23 - 61:26Mas... isso não é ajudar!
-
61:26 - 61:32É, sim, senão ela teria que pagar
uma multa. Talvez fosse presa. -
61:32 - 61:36-Seria normal.
-''Normal'' como? -
61:36 - 61:38Ela se arriscou. Sabia o que
a esperava se fosse flagrada. -
61:38 - 61:40E daí?
-
61:40 - 61:42Eu estava lá e me arrisquei
para ajudá-la. -
61:42 - 61:45E podia muito bem
ser presa também. -
61:45 - 61:47Não podia. Os seguranças
não estavam me vigiando. -
61:47 - 61:50O problema não é esse!
-
61:50 - 61:55-Você é ridícula!
-Que aniversário ótimo! -
61:55 - 61:59Não quero seu salmão
nem seu champanhe. Odeio bolhas. -
61:59 - 62:02Por quê? Porque não fui eu
que comprei para você? -
62:02 - 62:04Não é isso.
O que você fez é grave! -
62:04 - 62:07Não sei se tem consciência do
que fez. Essa moça era adulta. -
62:07 - 62:12-Que idade podia ter?
-Não sei. 24... 25 anos. E daí? -
62:12 - 62:15Para mim,
ser adulto é ser responsável. -
62:15 - 62:20Sabe como isso se chama?
Cleptomania. Cleptomania é vício! -
62:20 - 62:22A cleptomania é uma doença.
-
62:22 - 62:26Você ajudou uma doente,
uma viciada. Você se igualou a ela! -
62:26 - 62:29Isso é grave!
Não quero seu salmão. -
62:29 - 62:31Não ajudarei uma viciada.
-
62:31 - 62:37-Você fala como uma freira.
-Não é isso. -
62:37 - 62:42É uma simples questão de lógica.
Você pode ajudar os doentes... -
62:42 - 62:46ajudar aqueles que têm problemas
sendo um espelho para eles... -
62:46 - 62:49convencendo-os de que erraram.
-
62:49 - 62:51Você deveria ter feito isso
com aquela moça... -
62:51 - 62:56dizendo-lhe que podia ser presa
e levada para a cadeia. -
62:56 - 62:58Não concordo com você
nem um pouco. -
62:58 - 63:03A solução, como você disse,
é descobrir a origem do mal. -
63:03 - 63:07-A origem...
-Talvez o que eu fiz a faça refletir... -
63:07 - 63:09Você acha?
Ela vai roubar cada vez mais... -
63:09 - 63:12e pode pegar não um ano,
mas 1 0 anos de cadeia! -
63:12 - 63:15Um ano de cadeia por um salmão!
-
63:15 - 63:19E, com esse gosto por luxo que
ela tem, não deve ser pobre. -
63:19 - 63:23Não entendo você.
Sinto muito, mas não entendo. -
63:23 - 63:27De qualquer maneira,
o problema não está no dinheiro. -
63:27 - 63:29O problema é que não se sabe
por que ela rouba. -
63:29 - 63:31-Você sabe?
-Também não sei... -
63:31 - 63:33e é a isso que quero chegar.
-
63:33 - 63:38Não vamos acusar alguém
sem conhecer os motivos. -
63:38 - 63:43Só quero saber por que você
a ajudou. É isso o que interessa. -
63:43 - 63:46Por que a ajudei?!
Meu pequeno problema pessoal... -
63:46 - 63:49é que, na vida, hoje em dia,
não vejo acontecer nada. -
63:49 - 63:54Na nossa vidinha cotidiana.
Quando se sai na rua, nada acontece. -
63:54 - 63:56Não se vê nada de engraçado.
-
63:56 - 63:59Nada de engraçado!
Quando você sai, não pára mais. -
63:59 - 64:03Tudo é engraçado!
Pode acontecer qualquer coisa. -
64:03 - 64:06Quando saio de casa, vejo o sol,
os pássaros. É só olhar! -
64:06 - 64:11Estou falando em aventuras,
naquilo que você lê nos livros. -
64:11 - 64:15Eu queria sentir um calafrio,
colocar-me no lugar dela. -
64:15 - 64:18Sentir um calafrio!
-
64:18 - 64:23Queria fazer algo além de ir
todos os dias a esse meu curso. -
64:23 - 64:26Vi aquela moça com um problema,
e quis ajudá-la. -
64:26 - 64:28Pode achar esse seu calafrio
de outro modo... -
64:28 - 64:32ajudando alguém que merece
ser ajudado... -
64:32 - 64:38alguém que está doente,
alguém que mereça ser ajudado. -
64:38 - 64:41Você quer é mandar os doentes
para a cadeia. -
64:41 - 64:43Curá-los!
Eu quero curá-los. -
64:43 - 64:46Acabou de dizer que
não queria ajudá-los. -
64:46 - 64:49Entre ajudar e curar,
há uma diferença. -
64:49 - 64:54Eu quero ajudar,
impedi-los de reincidir. -
64:54 - 64:57Ano passado,
fui à Escócia com uma amiga. -
64:57 - 65:02No aeroporto,
tomamos um táxi para o centro. -
65:02 - 65:04Ficamos no táxi conversando...
-
65:04 - 65:08quando percebi que o motorista
não havia ligado o taxímetro. -
65:08 - 65:10Olhei bem...
não estava ligado. -
65:10 - 65:16Acenei para ele.
Bati no vidro que nos separava. -
65:16 - 65:22Ele fez uma cara! Muito esquisita.
Não a cara de quem teria esquecido. -
65:22 - 65:28Finalmente, ele ligou o taxímetro
enfurecido. Achei demais! -
65:28 - 65:33Ele queria fazer a gente pagar
o que ele bem entendesse. -
65:33 - 65:37Pouco depois, chegamos ao centro.
-
65:37 - 65:41Olhei o contador,
vi quanto devia pagar... -
65:41 - 65:43e dei ao motorista
exatamente o que indicava. -
65:43 - 65:48O motorista olhou para mim
com aquela cara e viu logo... -
65:48 - 65:52que eu sabia o que ele pretendia.
-
65:52 - 65:55Pegou o dinheiro
e voltou para o táxi. -
65:55 - 65:56Tenho certeza de que
ele não fará mais aquilo. -
65:56 - 66:02É isso o que importa.
Pensar no seu próximo! -
66:02 - 66:04Eu ajudei alguém.
-
66:04 - 66:06-Você acha?
-Acho. -
66:06 - 66:10Ele não vai mais repetir aquele
truque, porque não deu certo... -
66:10 - 66:12e se virou contra ele.
-
66:12 - 66:15O mal que ele fez
se virou contra ele. -
66:15 - 66:19Para ser um pouco mais honesta,
se eu fosse você... -
66:19 - 66:22eu calculava, por alto,
quanto eu lhe devia... -
66:22 - 66:26porque, se entendi bem,
você só pagou metade da corrida. -
66:26 - 66:29O que importa é o objetivo.
-
66:29 - 66:33O meu era impedir que ele
fizesse aquilo de novo... -
66:33 - 66:35com outro passageiro.
É isso o que interessa. -
66:35 - 66:40Você é a favor de castigar
as pessoas. É uma justiceira. -
66:40 - 66:45Todos somos justiceiros.
Você também é. -
66:45 - 66:49Aí não entendo mais nada.
Há pouco, você falava de... -
66:49 - 66:51mandar as pessoas para a cadeia...
-
66:51 - 66:55e você me censurou
por ter feito o que fiz. -
66:55 - 66:58E agora me vem com
suas mesquinharias. -
66:58 - 67:01Estamos voltando à carnificina geral,
à Idade Média. -
67:01 - 67:07Mas você não fez justiça.
Eu acredito em autodisciplina. -
67:07 - 67:09O que eu quero é
que aquele motorista... -
67:09 - 67:14Sei, sei. Você acha que
ele vai se autodisciplinar. -
67:14 - 67:15Acho.
Ele não vai reincidir. -
67:15 - 67:19Se acredita na autodisciplina,
você confia nele. -
67:19 - 67:27Basicamente.
Senão não funciona. -
67:27 - 67:50PASSAGENS - SUBÚRBIO
-
67:50 - 67:55Por favor, desculpe incomodar.
Roubaram a minha bolsa. -
67:55 - 68:01Preciso voltar a Versalhes,
para casa. Preciso de 6,7 0 francos. -
68:01 - 68:04Eu lhe dou, se tiver.
-
68:04 - 68:08Pronto. Tome.
-
68:08 - 69:31Muito obrigada.
-
69:31 - 69:38Desculpe, senhorita.
Por acaso não teria...? -
69:38 - 69:45Desculpe, senhor.
Não tem uns trocados? -
69:45 - 69:55Desculpe, senhora.
Tem uns trocados? -
69:55 - 70:15Você tem 2... 1 franco?
-
70:15 - 70:18-Desculpe, senhor. Tem trocado?
-Não tenho dinheiro francês. -
70:18 - 70:22-Eu queria 2...
-Não falo francês. Desculpe. -
70:22 - 70:26Desculpe.
-
70:26 - 70:33Desculpe, senhor.
Tem algum dinheiro trocado? -
70:33 - 70:35Fui roubada, levaram minha bolsa.
-
70:35 - 70:38-Preciso de 6 francos.
-Agora? -
70:38 - 70:41Quero ir a Versalhes.
Preciso de 6,7 0 francos. -
70:41 - 70:43-Quanto quer?
-6,7 0 francos. -
70:43 - 70:47-Vou ajudá-la.
-É muita gentileza. -
70:47 - 70:54Isso me lembra alguma coisa.
''Versalhes''? ''6,7 0 francos''? -
70:54 - 70:56Ela acaba de me aplicar o golpe.
-
70:56 - 70:59Você passa o dia pedindo
dinheiro às pessoas? -
70:59 - 71:01-Não lhe dê atenção, senhora.
-É uma nova profissão. -
71:01 - 71:05-Preciso do dinheiro.
-É incrível! -
71:05 - 71:07-Vou lhe dar, porque...
-Eu lhe agradeço. -
71:07 - 71:11-Se não tivesse chegado, eu ia dar...
-Devia mudar de profissão. -
71:11 - 71:15-Você é policial?
-Não, mas... -
71:15 - 71:16Então não se meta.
-
71:16 - 71:20Eu me meto. Antes de tudo,
devolva-me o meu dinheiro. -
71:20 - 71:23Sinto muito, mas...
-
71:23 - 71:25O que você tem com isso?
Não precisa de 6,7 0! -
71:25 - 71:30Não se trata de dinheiro.
Você pede a todos na estação. -
71:30 - 71:31É um abuso de confiança.
Odeio isso. Meu dinheiro! -
71:31 - 71:36-Não vou devolver.
-Vai, sim. Devolva já. -
71:36 - 71:40-Não solto você até que devolva.
-Não vai me soltar? Como? -
71:40 - 71:43-Não tem vergonha de fazer isso?
-Não tenho, não. -
71:43 - 71:46Não tem consciência?
-
71:46 - 71:51Se precisa de dinheiro, procure
um trabalho, faça outra coisa. -
71:51 - 71:57Escute: deixe-me em paz.
Não sabe se preciso do dinheiro. -
71:57 - 71:59O que está fazendo é desonesto.
-
71:59 - 72:03-Por que não vai andando?
-Lamento. Devolva o dinheiro. -
72:03 - 72:07Posso chamar alguém,
mas você não sai daqui. -
72:07 - 72:10O que pode fazer contra mim?
Por que usa esse tom comigo? -
72:10 - 72:13Mas você me roubou!
-
72:13 - 72:17Não roubei.
Pedi 6,7 0 francos e você me deu. -
72:17 - 72:20Fiz um favor,
você fez uma cena. -
72:20 - 72:23É um abuso de confiança.
-
72:23 - 72:27Estou assim,
mas preciso de dinheiro. -
72:27 - 72:30Não tenho mais nada.
Perdi meu apartamento, minha casa. -
72:30 - 72:34Estou só, preciso de dinheiro e...
-
72:34 - 72:43-Por que você não disse isso?
-Mas eu estou dizendo! -
72:43 - 72:47Sei lá.
Procure uma assistente social. -
72:47 - 72:49Pode ficar com o dinheiro.
-
72:49 - 72:53Mas pare!
Não posso ver ninguém chorar. -
72:53 - 73:03Não adianta. Vou pegar meu trem.
Fique com o seu dinheiro. -
73:03 - 73:07-Não ganhei muito e...
-Fico com 1 franco para o telefone. -
73:07 - 73:15E vá levantar esse moral
com um café. Até mais. -
73:15 - 73:40A VENDA DO QUADRO
-
73:40 - 73:56Olá!
-
73:56 - 74:00Você não pagou o aluguel.
-
74:00 - 74:03Este mês, era sua vez.
-
74:03 - 74:05Eu esperava um pequeno prazo.
-
74:05 - 74:09Não é possível.
Aqui não tem disso. -
74:09 - 74:15Não aconselho pagar atrasado.
Só dá complicações. -
74:15 - 74:21-Acho que vou voltar para o campo.
-O quê? -
74:21 - 74:26Não se pode viver em Paris
sem dinheiro. -
74:26 - 74:30Sua avó não lhe deixou
algum dinheiro? -
74:30 - 74:34Deixou, mas demora,
com as formalidades. -
74:34 - 74:36E a sua mãe?
-
74:36 - 74:41Já tem pouco para ela.
Como poderia me ajudar? -
74:41 - 74:45Vou voltar para casa.
-
74:45 - 74:49Você não está tão dura assim.
Pode fazer algo. -
74:49 - 74:53Prometeram-me um emprego
numa mercearia. -
74:53 - 74:58Mas acabou não dando certo.
-
74:58 - 75:00Só me resta voltar para casa.
-
75:00 - 75:04Pode achar alguma coisa melhor.
Olhe para mim! -
75:04 - 75:07-Pode achar outro trabalho.
-Qual? -
75:07 - 75:17Você não fala inglês,
mas conhece espanhol. Dê aulas. -
75:17 - 75:20Você pode dar aulas de francês.
-
75:20 - 75:22Não conheço a gramática.
-
75:22 - 75:28-Não tem problema. É para crianças.
-As crianças fazem mais perguntas. -
75:28 - 75:34Já dei aulas de italiano a uma
criança. Eu não sabia nada. -
75:34 - 75:38Ele tinha um livro. Em cada página,
havia a pronúncia, a tradução, tudo. -
75:38 - 75:43Fui eu quem aprendeu italiano.
Pode fazer a mesma coisa. -
75:43 - 75:48Tudo o que aprendi, aprendi sozinha.
Não sei ensinar. -
75:48 - 75:51Como quer que eu ensine
alguma coisa? -
75:51 - 75:54-Não, eu...
-Não quer fazer esforço. -
75:54 - 75:59Tenho uma idéia.
Você conhece Gontran? -
75:59 - 76:01O cara que veio outro dia?
-
76:01 - 76:04Ele conhece muita gente
no meio da pintura. -
76:04 - 76:08Conhece o diretor de uma galeria que
se interessa por jovens pintores. -
76:08 - 76:12Ele disse que este quadro
talvez possa interessá-lo. -
76:12 - 76:14Viu?
-
76:14 - 76:18Então é bom você ficar em Paris.
Nada de pânico. -
76:18 - 76:19-Vou telefonar para ele.
-Isso. -
76:19 - 76:38Pode dar certo.
-
76:38 - 76:45Droga!
É a secretária eletrônica. -
76:45 - 76:52Bom dia. Aqui é Reinette.
É sobre a galeria. -
76:52 - 76:59Estou em casa esta noite.
Até logo. -
76:59 - 77:04Acho que não sei fazer outra coisa,
apenas pintar. -
77:04 - 77:05Com licença.
-
77:05 - 77:09Quando não estou pintando,
perco meu tempo. -
77:09 - 77:15Acho que nasci para pintar, mas
talvez tenha dom para outra coisa. -
77:15 - 77:21Por exemplo, atividades manuais.
Não devemos menosprezá-las. -
77:21 - 77:23Precisamos daquela gente
que trabalha com as mãos... -
77:23 - 77:28tanto quanto dos professores,
dos advogados. -
77:28 - 77:32Eu aprecio a pintura,
porque ela dispensa a fala. -
77:32 - 77:35Eu não gosto de falar.
-
77:35 - 77:38Entretanto,
você fala muito sobre pintura. -
77:38 - 77:42Não pára de dar nomes,
de achar explicações. -
77:42 - 77:44Você descobre significações,
fala sempre. -
77:44 - 77:48Talvez depois do impacto.
-
77:48 - 77:53Porque... não é isso.
Quando eu pinto, não raciocino. -
77:53 - 77:55Não procuro explicar nada.
-
77:55 - 78:01Quando pinto, procuro ser uma
porta aberta para minhas emoções... -
78:01 - 78:03para deixar falar meu coração.
-
78:03 - 78:08O único meio de deixar
meu coração falar é o silêncio. -
78:08 - 78:13É o único domínio onde...
-
78:13 - 78:15a gente pode ser verdadeiro.
-
78:15 - 78:20Porque as palavras são trapaceiras.
São um código. -
78:20 - 78:24Quem aprecia minha pintura me ama...
-
78:24 - 78:29porque é a emoção
falando à emoção. -
78:29 - 78:31Comunicação direta!
-
78:31 - 78:34É um coração falando
com outro coração. -
78:34 - 78:37Quando alguém olha um quadro meu,
não é preciso falar. -
78:37 - 78:40Mas, para que essa
comunicação se faça... -
78:40 - 78:42é preciso silêncio.
-
78:42 - 78:45Sim, silêncio.
Você não acha? -
78:45 - 78:49-Acho.
-Você está rindo. -
78:49 - 78:52Estou rindo porque você diz
que não fala, mas como fala! -
78:52 - 78:58-Estou lhe explicando.
-Não precisa. Eu já entendi. -
78:58 - 79:03Você continua explicando
quando todos já entenderam. -
79:03 - 79:06Perdoe-me,
mas quem não conhece você... -
79:06 - 79:09pode pensar que você acha
que todos são uns imbecis. -
79:09 - 79:15Não é isso. É o contrário!
É porque eu respeito a verdade. -
79:15 - 79:19Quero ser honesta
com quem fala comigo. -
79:19 - 79:23Então, eu tenho que
achar a expressão certa. -
79:23 - 79:26Tenha cuidado, porque isso irrita.
-
79:26 - 79:31Quando era menina,
meus pais tinham a mania de repetir. -
79:31 - 79:35-Claro, se você não obedecia.
-Não era por isso. -
79:35 - 79:38Eu havia notado um cacoete
na minha mãe. -
79:38 - 79:41Ela repetia sistematicamente tudo.
Por exemplo: -
79:41 - 79:45''Ponha seus sapatos brancos.
Ponha seus sapatos brancos.'' -
79:45 - 79:49Aliás, não era só a minha mãe.
Quase todos os adultos. -
79:49 - 79:53Eu, que sou infantil... dizem...
não tenho essa mania. -
79:53 - 79:58Não, não tenho essa mania.
-
79:58 - 80:00Posso falar pelos cotovelos,
mas não repito. -
80:00 - 80:05Procuro a palavra.
Mas não repito. Não repito. -
80:05 - 80:07Está vendo?
-
80:07 - 80:10Estou vendo o quê?
O quê? -
80:10 - 80:14Você repetiu.
Disse duas vezes: ''Não repito''. -
80:14 - 80:18Está de má-fé!
É porque você não me respondia! -
80:18 - 80:21Já que falo demais,
vou deixar você. -
80:21 - 80:24Posso muito bem ficar
sem falar nenhuma palavra. -
80:24 - 80:30Quando era menina,
fiquei muitos dias sem abrir a boca. -
80:30 - 80:36Ninguém reparou.
Nem a minha mãe. -
80:36 - 80:40Mas, quando fui à Escócia,
sem conhecer uma só palavra... -
80:40 - 80:50eu me virei sozinha. As pessoas
falam demais. As pessoas... -
80:50 - 80:52Muito engraçado!
-
80:52 - 80:56Aposto com você que amanhã
não digo uma só palavra. -
80:56 - 80:59Se acha graça nisso...
-
80:59 - 81:03Se falar, não respondo. Não vou
passar o dia todo atrás de você. -
81:03 - 81:08Por que não?
Amanhã você não tem curso. -
81:08 - 81:14Está bem. De qualquer modo, não
vai se segurar mais de meia hora. -
81:14 - 81:17Mas lembre-se:
nem uma palavra, nem um suspiro. -
81:17 - 81:20Fechado!
-
81:20 - 81:26Promessa é promessa.
-
81:26 - 81:30Alô?
-
81:30 - 81:36Um momento.
É para você. -
81:36 - 81:38Gontran!
-
81:38 - 81:41Muito bem.
-
81:41 - 81:46Amanhã?
Não podemos marcar para outro dia? -
81:46 - 81:50Entendo.
-
81:50 - 81:54Não, está muito bem.
-
81:54 - 81:57Combinado para amanhã.
-
81:57 - 81:59Obrigada.
-
81:59 - 82:02Tchau.
-
82:02 - 82:04-Era para ir à galeria?
-Era. -
82:04 - 82:06Adiemos a aposta para outro dia.
-
82:06 - 82:11Não. Quando digo
uma coisa, eu faço. -
82:11 - 82:15É estúpido, vai se comprometer.
Deixe-me falar por você então. -
82:15 - 82:20Não foi combinado assim.
Vai me dar sorte. -
82:20 - 82:24-Não vejo como.
-Eu me viro. -
82:24 - 82:47Você vai me seguir,
mas não me conhece, certo? -
82:47 - 82:50Vai acontecer o contrário.
Você vai ver. -
82:50 - 82:53Faça o que eu lhe disse.
Não vacile... -
82:53 - 82:56e me agradecerá.
-
82:56 - 82:59Por quê? Esperava...
-
82:59 - 83:01um ''não''.
Confie em mim. -
83:01 - 83:05Ligue no fim da semana.
Ligue no fim da semana. -
83:05 - 83:10Não posso. Vou desligar.
Tem gente entrando na galeria. -
83:10 - 83:13Ligo para você.
-
83:13 - 83:17Até mais. Pense bem.
Até mais. -
83:17 - 83:20-É você?
-''Você'' quem? -
83:20 - 83:23-Não veio me mostrar seus quadros?
-Não. Vim apenas dar uma olhada. -
83:23 - 83:27Eu espero uma jovem.
Então, queira me desculpar. -
83:27 - 83:44-Não há de quê.
-Fique à vontade, senhorita. -
83:44 - 83:45É você!
-
83:45 - 83:48Bom dia, senhorita.
Foi Gontran quem a mandou? -
83:48 - 83:52Suponho que é o quadro
que está segurando. -
83:52 - 83:58Prefere que eu veja seu
álbum primeiro, é isso? -
83:58 - 84:03Disse ''álbum'', não ''book''. Nada
de anglicismos comigo. Venha. -
84:03 - 84:06''Book'' é bom para as ''cover girls''.
-
84:06 - 84:16Eu disse ''cover girls'' em vez de
''modelo'' ou ''manequim''. Deboche. -
84:16 - 84:21Interessante!
-
84:21 - 84:24Nada mal.
-
84:24 - 84:26Não é tão ingênuo assim.
-
84:26 - 84:30Surpreendente para uma moça
de sua idade. -
84:30 - 84:33Qual é a sua idade?
-
84:33 - 84:36Mais de 1 5 anos, não?
-
84:36 - 84:40Estou suspeitando que é
mais velha do que parece. -
84:40 - 84:43Não me diga que tem 20 anos!
-
84:43 - 84:48Dezenove? Dezoito?
Dezessete? -
84:48 - 84:56Digamos que, a priori, são mais
fantasias de homem maduro. -
84:56 - 84:59Deve achar minha reação retrógrada.
Não precisa responder. -
84:59 - 85:02Você assume totalmente
a sua problemática. -
85:02 - 85:06Vai me permitir ser um pouco
mais crítico sobre a fatura. -
85:06 - 85:09Mais uma pergunta. Também
não é obrigada a responder. -
85:09 - 85:14Seguiu cursos de desenho?
Sei que o que conta é o resultado. -
85:14 - 85:18Um perito perceberia logo
que você é uma autodidata. -
85:18 - 85:21Por que não?
A sua força está nisso. -
85:21 - 85:26Não é o que convencionalmente
se chama uma arte naïf. -
85:26 - 85:31Nota-se que você
tem sofrido influências. -
85:31 - 85:34Posso saber de quem?
Essa pergunta deve irritá-la. -
85:34 - 85:37Na sua idade,
é difícil admitir uma influência. -
85:37 - 85:40Mas eu poderia sugerir...
-
85:40 - 85:45Magritte, não?
-
85:45 - 85:48Não?
-
85:48 - 85:52Dali?
-
85:52 - 85:55Também não?
Curioso! -
85:55 - 85:59Não me atreveria a citar
Labysse, Deveau. -
85:59 - 86:02Não deve conhecê-los.
-
86:02 - 86:04Todos a influenciaram!
-
86:04 - 86:10Gosta de Magritte?
-
86:10 - 86:15E de Dalí?
-
86:15 - 86:20Isso é falar com franqueza.
Bravo! Viva a falta de respeito! -
86:20 - 86:34Vejamos o seu quadro.
-
86:34 - 86:37Cuidado.
-
86:37 - 86:40Gosto muito.
-
86:40 - 86:44Extraordinário. A foto
traindo as cores. Gostei muito. -
86:44 - 86:47Porém é preciso reconhecer
inconsistência na composição. -
86:47 - 86:50Vou me explicar.
Não me interrompa, por favor. -
86:50 - 86:55Aí, temos uma grande praia, vazia.
Ali, no fundo, à direita. -
86:55 - 86:58Isso cria um certo desequilíbrio.
-
86:58 - 86:59Sei que vai me responder.
-
86:59 - 87:04Que é para pôr em evidência
o motivo central. -
87:04 - 87:07Não é isso? Motivo, aliás,
perfeitamente centralizado. -
87:07 - 87:12Não diga que tudo isso não
é diabolicamente planejado. -
87:12 - 87:14Não proteste.
Eu a entendi. -
87:14 - 87:18Se não me engano, é esse
quadro que quer me confiar. -
87:18 - 87:20Fico com ele com as
condições habituais. -
87:20 - 87:25Quanto quer por ele?
2 mil francos. É razoável. -
87:25 - 87:31A senhorita ficaria com 50º/o.
-
87:31 - 87:36O que não lhe agradou?
Não acha justo? -
87:36 - 87:43Posso exibi-lo,
mas dificilmente acharei comprador. -
87:43 - 87:49Quer dinheiro? Agora?
Você está louca! -
87:49 - 87:56Eu lhe dou 200 francos.
Se isso pode ajudá-la... -
87:56 - 87:592 mil francos.
Estou sendo otimista. -
87:59 - 88:02Não sei se vou poder vendê-lo
por 2 mil francos. -
88:02 - 88:07Que pedisse 1 .7 00, 1 .500...
teria sido mais razoável. -
88:07 - 88:11Não me leve a mal,
mas admitamos que é uma piada. -
88:11 - 88:14Uma piada até muito manjada.
-
88:14 - 88:18Vou falar francamente:
não lhe falta talento. -
88:18 - 88:20Mas, a rigor, isso não é pintura.
-
88:20 - 88:23Se fosse bem pintado,
daria uma boa foto. -
88:23 - 88:30Com um modelo,
talvez um cartão-postal erótico. -
88:30 - 88:34Ela está chorando!
Isso é apavorante. -
88:34 - 88:37Não chore, senhorita.
Não chore. -
88:37 - 88:39Que azar o meu!
-
88:39 - 88:42Não chore.
-
88:42 - 88:46Talvez eu tenha exagerado.
Gostei do seu quadro! -
88:46 - 88:50Ele tem valor.
Mas nunca pago um quadro à vista. -
88:50 - 88:53Deixe-o comigo.
Consigo vendê-lo bem! -
88:53 - 88:55Não se preocupe.
Vai dar certo. -
88:55 - 88:56O que deu em você?
-
88:56 - 89:00Fique!
Esse cara me enfezou. -
89:00 - 89:02Ele a irritou?
-
89:02 - 89:05O que foi que ele disse?
-
89:05 - 89:07Não pode falar?
-
89:07 - 89:10Você é muda?
-
89:10 - 89:13-Entendi. Ela é muda.
-O quê? -
89:13 - 89:16-Muda, muda! É claro!
-Como assim, ''muda''? -
89:16 - 89:19O que está dizendo?
Isso não existe. -
89:19 - 89:23Existe, sim, senhor.
Há 350 mil surdos-mudos na França. -
89:23 - 89:26-Surdos-mudos. O que está dizendo?
-Perfeitamente. -
89:26 - 89:30Ela não é surda.
Ouviu bem o que eu lhe disse. -
89:30 - 89:32Talvez saiba ler nos lábios.
-
89:32 - 89:37Se ela é mesmo surda e muda,
tem sua própria linguagem. -
89:37 - 89:41-O senhor conhece essa linguagem?
-Não. -
89:41 - 89:44Então seja lógico. Como queria
que ela a usasse com o senhor? -
89:44 - 89:49Sei lá. Ela podia escrever,
vir com um acompanhante. -
89:49 - 89:53Não sou um instituto para todos
os incapacitados do planeta. -
89:53 - 89:59Cuidado com o que diz! Não fale
assim perante uma pobrezinha surda. -
89:59 - 90:02-Ela não pode ouvir.
-Ela deve ler os lábios. -
90:02 - 90:07Ela está de costas. E, surda
ou não, estava me enchendo. -
90:07 - 90:10Sei o que ela quer.
Ela quer 2 mil francos. -
90:10 - 90:12Ela me fez entender
isso claramente. -
90:12 - 90:17E não quero dá-los. Eu mando aqui.
Quando falo, todos se calam. -
90:17 - 90:23Então cale-se.
Há horas que só se ouve o senhor. -
90:23 - 90:25Podia pelo menos
deixá-la explicar-se! -
90:25 - 90:28Explicar como, se ela não fala?
-
90:28 - 90:33Mais um motivo. O senhor
se aproveitou da situação. -
90:33 - 90:38Explorou a enfermidade dela.
É nojento, covarde e desonesto. -
90:38 - 90:41Eu a deixo se exprimir.
Então, que fale! -
90:41 - 90:45Se fosse eu no lugar dela...
o senhor sabia que era muda... -
90:45 - 90:48eu faria exatamente o que ela fez.
-
90:48 - 90:50-O que está querendo dizer?
-Não me impeça de falar. -
90:50 - 90:53Senão não digo mais nada.
-
90:53 - 90:55-Não quis...
-Não falo mais. -
90:55 - 91:01Quando vejo alguém que não
pára de falar, me dá vontade de... -
91:01 - 91:05-Quero lhe lembrar uma coisa.
-Falar me repugna, me dá nojo. -
91:05 - 91:08-Não acha repugnante falar?
-Ouça... -
91:08 - 91:13Falar sobre a pintura,
uma coisa sagrada... -
91:13 - 91:16que não pode ser
profanada por palavras. -
91:16 - 91:20A única atitude a tomar diante
de um quadro é o silêncio. -
91:20 - 91:23-É o silêncio!
-Você... é incrível... -
91:23 - 93:10É o silêncio, senhor!
O silêncio! -
93:10 - 93:42Com licença.
-
93:42 - 93:44É interessante.
-
93:44 --Está à venda?
-Quatro mil francos.
- Title:
- 4 Adventures of Reinette and Mirabelle
- Description:
-
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The friendship of a moody urban lass and a simple, neurotic country girl frames their instructive interrelations in Eric Rohmer's slight, charming microproduction.
Directed by Eric Rohmer
Starring Joëlle Miquel, Jessica Forde - Duration:
- 01:34:53
|
Amara Bot edited Portuguese subtitles for 4 Adventures of Reinette and Mirabelle | |
|
Amara Bot added a translation |
