-
(Sino)
-
(Sino)
-
(Sino)
-
(Sino)
-
Querido e respeitado Thay,
queridos irmãos e irmãs,
-
para onde foram os papéis?
-
Então,
-
bem-vindas, irmãs.
-
Todos conseguem ouvir bem?
-
Não?
-
Assim está melhor?
-
Teste, 1, 2, 3.
-
Está claro?
-
Ao inspirar, sei que estou a inspirar.
-
Ainda não?
-
Mais alto? Está bem.
Ao inspirar, sei que estou a inspirar.
-
Ao expirar, sei que estou a expirar.
-
Sim? Está bem.
-
Então, querido e respeitado Thay,
-
(inaudível)
-
Em 2006, 2007,
-
Thay passou algum tempo a estudar
-
um texto chamado A Roda do Comentário das Diferentes Escolas.
-
Este texto discute os diferentes princípios
das primeiras escolas do Budismo.
-
Isto aconteceu na Índia,
-
por volta do início da Era Comum.
-
O ínicio da Era Comum.
-
Havia cerca de -
-
Na verdade, não sabemos exatamente
quantas escolas budistas existiam.
-
Está bem assim?
-
Mas o que temos registado é que havia
pelo menos 18 escolas que hoje chamamos de "principais".
-
nós chamamos "principais" agora, escolas do Budismo.
-
Algumas delas
-
receberam o nome principalmente
-
por causa da região geográfica onde estavam.
-
Outras, talvez, por causa de algum mestre.
-
E algumas devido a uma doutrina específica
que seguiam,
-
como a Sarvāstivāda.
-
Por exemplo, esta escola acreditava
que todos os fenómenos existem
-
não apenas no presente, mas também
no futuro e no passado.
-
Por isso, tornou-se conhecida
como Sarvāstivāda,
-
onde "sarva asti" significa "existe sempre",
-
seja no presente, no futuro ou no passado.
-
Havia também a escola Pudgalavāda,
que defendia que,
-
embora não haja um "eu"
nos cinco skandhas,
-
existe algo que pode ser chamado de personalidade
ou pessoa.
-
Portanto, havia diferentes escolas budistas,
-
mas não entraremos em muitos detalhes aqui.
-
Depois desse ensinamento, Thay explorou
as várias escolas do Budismo.
-
E então apontou a atenção
de volta para Plum Village,
-
para nós mesmos,
-
e perguntou:
quais são os ensinamentos que aprendemos
-
ao longo dos anos em Plum Village
-
ao olharmos profundamente para estas primeiras escolas do Budismo,
-
bem como ao beneficiarmos do desenvolvimento do Mahāyāna,
-
à medida que se espalhou pelos mosteiros da Índia,
-
chegando depois à China, ao Tibete
-
e a toda a Ásia Oriental?
-
Assim, ao observarmos o Budismo inicial
através da lente do Mahāyāna,
-
obtemos uma compreensão mais profunda
de como praticamos na tradição de Plum Village
-
no momento presente.
-
Além de beneficiarmos da sabedoria
e dos ensinamentos do Mahāyāna,
-
também podemos beneficiar
-
do estudo da ciência,
especialmente no Ocidente.
-
Ao investigarmos a natureza da realidade,
-
compreendendo a Física, a Biologia,
-
e a ciência da mente, a Psicologia,
-
também podemos obter insights.
-
Thay deixou muito claro que, na nossa tradição budista,
não somos dogmáticos.
-
Se houver um insight que possamos obter,
seja através da nossa própria prática,
-
seja através do estudo da ciência
-
ou de qualquer outro meio,
se isso nos ajudar a libertar-nos
-
e a transformar o nosso sofrimento,
-
podemos incorporá-lo na tradição de Plum Village.
-
Portanto, também somos flexíveis.
-
Não abordamos o Budismo de um ponto de vista dogmático,
-
como se houvesse apenas um único caminho correto e imutável.
-
Mas o que devemos realmente perguntar é:
este ensinamento ajuda-nos a sermos livres?
-
Este ensinamento ajuda-nos a transformar o nosso sofrimento?
-
Então, Thay ensinou estes 40 princípios
ao longo dos anos seguintes,
-
mas especialmente durante o Retiro de Inverno
de 2006 a 2007.
-
Depois, foi publicado como um livro,
creio que finalmente em 2013, em vietnamita.
-
2014.
-
O livro em vietnamita chama-se
"Olhando para o Pico dos Abutres".
-
Plum Village Olha para o Pico dos Abutres
-
O livro anterior, que falava sobre
as escolas do Budismo,
-
chamava-se "O Caminho para o Pico dos Abutres".
-
E este volume, que reflete os insights de Plum Village,
-
chama-se "Plum Village Olha para o Pico dos Abutres".
-
O Pico dos Abutres
-
é uma montanha em Rajagaha, ou Rajagriha,
-
na Índia.
-
E fica apenas -
-
Não sei exatamente,
-
mas é possível caminhar de Bodh Gaya
até Rajagaha em um ou dois dias.
-
Atualmente,
-
chama-se Rajgir.
-
Fomos lá com Thay em 2008,
-
e era um lugar onde o Buda gostava
de subir a montanha,
-
tal como aqui, em Deer Park,
onde gostamos de subir até à rocha de Escondido
-
ou à "rocha do pequeno-almoço"
para ver o nascer do sol,
-
beber chá
-
e comer um pequeno-almoço leve.
-
O Buda também gostava de subir ao Pico dos Abutres
-
para contemplar o nascer e o pôr do sol.
-
E em 2008, tivemos a oportunidade de subir
-
ao Pico dos Abutres com Thay
-
e passar lá o dia inteiro.
-
Thay convidou toda a delegação que viajava consigo
-
na sua última viagem à Índia.
-
Ele disse: "Mesmo que precisem de ir à casa de banho,
-
podem fazê-lo nos arbustos".
-
Porque não há casas de banho
-
no Pico dos Abutres.
-
É um lugar muito selvagem.
-
Subimos antes do nascer do sol com Thay.
-
No topo da montanha,
-
podemos sentar-nos de um lado e ver o sol nascer a Leste,
-
ou sentarmo-nos do outro lado à tarde e ver o pôr do sol.
-
Thay levou uma rede,
-
montou-a e passou lá o dia todo.
-
Lembro-me de que a irmã cantou para Thay nesse dia.
-
Ela estava a cuidar de Thay.
-
Thay realmente queria que experimentássemos
-
o Pico dos Abutres da mesma forma que o Buda
gostava de estar lá.
-
Também realizámos a transmissão
dos Cinco Treinos de Atenção Plena
-
e dos 14 Treinos de Atenção Plena
no topo do Pico dos Abutres.
-
E Thay rapou novamente a nossa cabeça.
-
Um pouco, não completamente.
-
Subimos, e Thay
-
passou a lâmina.
-
Se quiséssemos, Thay fazia isso
-
para renovar a nossa aspiração.
-
Portanto, o Pico dos Abutres tem um significado muito profundo
na tradição budista
-
como símbolo dos ensinamentos mais elevados do Buda.
-
Muitos sutras foram ensinados lá.
-
Era um local afastado
-
de outras áreas de ensino do Buda,
como o Bosque de Bambu,
-
que estava mais próximo da cidade.
-
Para ir ao Pico dos Abutres e ouvir o Buda,
-
era preciso levar comida e ir passar o dia.
-
Não era uma viagem curta.
-
A minha própria perceção dessa experiência
-
é que era um lugar onde o Buda gostava de ir para refugiar-se.
-
Claro, ele encontrava refúgio no nirvana, no incondicionado,
-
mas também acredito que simplesmente gostava de subir à montanha,
-
tal como nós gostamos aqui.
-
Assim, ao chamar o livro sobre os 40 princípios
"Plum Village Olha para o Pico dos Abutres",
-
significa que,
-
como continuação de Thay,
-
como parte da tradição de Plum Village,
-
ao olharmos para o Pico dos Abutres,
estamos a olhar para o Buda,
-
para o lugar onde ele gostava de estar e ensinar.
-
E no nosso coração, o que vemos?
Que ensinamentos descobrimos?
-
E foi assim que Thay formulou estes 40 princípios.
-
Então, um irmão perguntou-me
se poderíamos continuar a estudar os 40 princípios.
-
Porque começámos há alguns anos,
acho que tivemos 3 ou 4 aulas.
-
O irmão ainda não era monge.
-
E eu disse: "Claro, terei todo o gosto em continuar".
-
E o espírito disto é que o fazemos juntos.
-
É algo que nos nutre, a mim e a todos nós,
ao explorarmos estes ensinamentos.
-
Então, imprimi-os.
-
Todos têm uma cópia?
-
Também prometo falar devagar
para as irmãs, para que possam aprender inglês.
-
Porque em breve também irão dar
palestras sobre o Dharma em inglês.
-
Por isso, precisam de aprender.
-
Peço desculpa se eu -
-
Prometo falar clara e lentamente.
-
Porque temos aqui especialistas
na língua inglesa também.
-
Assim, tentarei partilhar para todos.
-
Talvez possamos ouvir
o som do sino.
-
(Sino)
-
(Sino)
-
O primeiro princípio.
-
O espaço não é um dharma incondicionado.
-
[1. O espaço não é um dharma incondicionado]
-
Nos ensinamentos budistas, usamos
a palavra "dharma" de várias formas.
-
Neste sentido, significa "fenómenos"
ou "fenómeno", no singular.
-
Portanto, tudo é um dharma,
esta caneta é um dharma.
-
A eletricidade, a luz, são dharmas.
-
Qualquer coisa que se manifeste,
que provoque algum tipo de perceção,
-
quer a percecionemos ou não,
-
é um dharma.
-
Quer a percecionemos através dos olhos,
dos ouvidos, do nariz, da língua, do corpo ou da mente.
-
Tudo isso são dharmas.
-
Em muitas escolas do Budismo,
-
aceitamos facilmente que, por exemplo,
esta mesa é condicionada.
-
Se a desmontarmos,
-
ou se lhe batermos com um martelo,
-
ela pode partir-se.
-
Mesmo o plástico pode deteriorar-se com o tempo,
embora leve muito tempo a decompor-se,
-
mas também é impermanente.
-
Todos os elementos que
compõem esta mesa são impermanentes.
-
Ela surgiu devido a certas condições,
-
e está sujeita a desmoronar-se
quando essas condições
-
deixarem de existir,
transformando-se noutra coisa.
-
É fácil aceitarmos que
a água no copo de chá
-
também é um fenómeno condicionado.
-
Sabemos que agora
se manifesta como água líquida,
-
mas se baixarmos a temperatura,
pode congelar e tornar-se gelo.
-
E se a fervemos,
ela pode transformar-se em vapor de água,
-
subir para o ar e tornar-se uma nuvem.
-
Portanto, a água também é condicionada.
-
Podemos ir ainda mais longe
-
e analisar
os componentes da água, H2O.
-
Sabemos que as primeiras estrelas,
-
algumas das quais ainda conseguimos detetar,
-
até mesmo na Via Láctea,
a nossa galáxia vizinha,
-
são estrelas pobres em metais.
Nem sequer têm elementos como o oxigénio.
-
Apenas hidrogénio e hélio.
-
Elas são do início do universo,
as estrelas mais antigas que existem.
-
Formaram-se antes mesmo
dos elementos mais pesados, como o oxigénio,
-
foram compostos.
-
Sabemos que
até o oxigénio é condicionado.
-
E até o hidrogénio,
-
o átomo mais simples,
-
apenas um protão e um eletrão,
é um elemento condicionado.
-
Podemos separar esse eletrão do protão,
-
fazê-lo mover-se livremente,
deixando apenas o protão.
-
E agora sabemos que,
indo ainda mais fundo no protão,
-
os protões
nem sempre existiram.
-
Através da ciência podemos ver
-
que, nos primeiros milissegundos
após o Big Bang,
-
nem sequer existiam protões ainda.
-
Portanto, tudo o que podemos ver,
-
até os elementos constituintes da água,
são condicionados.
-
Isto não serve apenas
para fins de conhecimento,
-
mas para um olhar profundo,
-
para vermos que tudo é impermanente.
-
O Buda disse, pouco antes de entrar
-
em parinirvana,
-
que todas as coisas são condicionadas,
-
todas as coisas são impermanentes,
tudo o que é condicionado é impermanente.
-
E que devemos praticar diligentemente.
-
O tema da impermanência
está sempre presente como uma concentração
-
para nos ajudar a ver
-
que este corpo não sou eu,
estas emoções não sou eu,
-
estas perceções não sou eu,
e assim ficamos livres.
-
Deixamos de nos sentir presos
às nossas ligações emocionais,
-
porque sabemos que
é inútil estarmos apegados.
-
Na verdade, não podemos agarrar-nos a nada,
porque tudo está sempre a mudar.
-
Quando os primeiros mestres,
a continuação do Buda,
-
começaram a analisar estes ensinamentos,
-
dividiram-nos entre coisas condicionadas
-
e coisas incondicionadas.
-
Porque o Buda disse muitas vezes que,
-
por exemplo, o nirvana é incondicionado.
-
Ele disse que, se não fosse
pela natureza incondicionada do dharma,
-
não haveria libertação
do que é condicionado.
-
E esse é o cerne da nossa prática:
-
como nos libertarmos do condicionamento.
-
Porque as coisas condicionadas,
tentamos agarrá-las como se fossem permanentes,
-
e isso contribui para
muito do sofrimento
-
que experienciamos.
-
Mas os mestres perceberam que
não só o nirvana era incondicionado,
-
como também o espaço
-
onde as coisas se manifestam -
-
Ou seja, não o copo nem a água,
mas o espaço onde o copo aparece -
-
Eles acreditavam que isso também
era um fenómeno incondicionado.
-
Mas Thay, através da sua observação profunda,
-
juntamente com os conhecimentos
que temos da ciência,
-
percebeu que, na verdade, o espaço
também é um fenómeno condicionado.
-
Há várias formas de olhar para isto.
-
Uma delas é pela
designação convencional.
-
O espaço, no sentido
de algo que chamamos de espaço,
-
é obviamente condicionado, certo?
-
Porque é apenas uma designação.
-
Descrevemo-lo como a ausência de algo -
-
como o recipiente
onde as coisas se manifestam.
-
Mas qualquer coisa a que apontemos
-
como sendo algo,
-
é algo que ocupa espaço,
e não o espaço em si.
-
O espaço, em si,
é apenas uma designação convencional
-
para descrever o recipiente, por assim dizer,
-
onde as coisas estão colocadas.
-
O sino não está a ocupar
o mesmo espaço onde estou.
-
Sabemos de imediato que eu não estou
dentro do sino e que o sino não está dentro de mim.
-
Não estamos
a obstruir-nos mutuamente.
-
O espaço é um termo que usamos
como designação convencional
-
para descrever esta situação
-
em que não ocupamos o mesmo espaço.
-
Ou quando estamos a caminhar,
-
gosto de fazer o exercício
-
em que nos imaginamos como átomos,
caminhamos
-
e, se ficamos muito quentes,
andamos rapidamente,
-
e se estamos frios,
abrandamos.
-
Alguém já fez isso? É muito divertido.
-
E ficamos muito atentos
às pessoas à nossa volta.
-
Ou se já foram à Grand
Central Station, em Nova Iorque,
-
alguém já esteve lá?
-
Notam que há muitas entradas
e muitas saídas.
-
E quando as pessoas passam,
devido à forma como o edifício foi projetado,
-
alguém que está aqui
pode ir para lá,
-
e alguém que veio de lá
pode vir para aqui.
-
No meio, as pessoas têm de
se coordenar umas com as outras.
-
E, no entanto, de alguma forma, tudo acontece magicamente,
sem que as pessoas se choquem umas com as outras.
-
Isso acontece porque
têm um sentido de espaço.
-
Isto é uma perceção corporal,
uma perceção natural do espaço que o corpo ocupa.
-
Temos uma atenção natural,
mesmo sem praticarmos a atenção plena.
-
Na verdade, podemos -
-
Também somos animais de rebanho, como seres humanos,
somos muito sensíveis a mover-nos no rebanho
-
de uma forma que não
chocamos uns contra os outros.
-
Nesse sentido, é muito claro que o espaço
é um dharma condicionado,
-
é apenas uma designação convencional,
uma forma de descrever
-
o facto de não nos obstruirmos mutuamente
no mesmo espaço.
-
Thay gosta de usar a imagem
de um arranjo de flores,
-
como as flores que -
-
Acho que não sei
qual das irmãs arranja as flores.
-
Cada flor ocupa o seu espaço,
não tentamos simplesmente juntá-las todas
-
de modo a parecerem amontoadas,
-
mas sabemos como dispor as flores
-
de uma forma em que cada uma contribui com a sua beleza
-
mas sem obstruir as outras.
-
Essa é outra imagem do espaço.
-
Assim, podemos ver claramente que se trata
de um dharma condicionado, a noção de espaço.
-
Mas com a perceção da relatividade,
-
também sabemos que, a um nível mais profundo,
a um nível físico,
-
aquilo a que chamamos espaço
também é condicionado.
-
Se pensarmos no espaço como -
-
Mais uma vez, isto é apenas uma imagem.
-
Temos um corpo muito massivo.
-
Claro que o espaço é
-
tridimensional.
-
Podemos ir para cima, para baixo, podemos atravessar.
-
Podemos ir no comprimento, na altura e na largura,
em três direções.
-
Mas para conceptualizar o espaço,
aqui desenhamo-lo apenas
-
como um plano bidimensional,
-
porque é difícil desenhá-lo
em três dimensões.
-
Tens um corpo massivo
como o sol, ou uma estrela,
-
mas na verdade qualquer corpo,
mesmo o mais pequeno átomo,
-
por causa da força da gravidade,
-
e não sei se serei capaz de desenhar isto,
-
ele começará a
-
curvar-se.
-
É quase como
-
se tivesses um pedaço de tecido e
colocasses uma bola nele, uma bola de metal,
-
e isso distorcesse o tecido.
-
A gravidade está realmente a puxar,
-
está, na verdade, a distorcer
o próprio tecido do espaço.
-
Aquilo a que chamam o contínuo espaço-tempo.
-
Agora descobrimos que
existem até ondas
-
nesse contínuo espaço-tempo,
chamadas ondas gravitacionais.
-
Recentemente construíram dois sensores,
acho que um deles está perto de Seattle,
-
e o outro
está algures no sul profundo dos EUA.
-
Eles têm de estar em forma de L.
-
Há cinco anos, quatro anos,
-
eles detetaram, de facto,
a primeira onda gravitacional.
-
Isso significa que há
um corpo realmente massivo,
-
que há uma ondulação
da força gravitacional,
-
como uma supernova,
-
onde, de repente,
um corpo muito massivo explode
-
e a massa que distorce
o contínuo espaço-tempo
-
é expelida frequentemente
milhões de milhas em todas as direções.
-
Isso causa uma ondulação real
-
a atravessar o contínuo do espaço.
-
E agora conseguimos detetá-la
-
quando isso acontece.
-
Não sei, esqueci-me
dos detalhes de como o fazem.
-
Lembro-me de que são necessários dois
sensores em diferentes pontos da Terra,
-
e depois comparar os resultados.
-
E, ao fazer isso,
-
é possível detetar essa ondulação que
passa pelo tecido do espaço.
-
Portanto, obviamente, se o espaço
tem ondas a atravessá-lo,
-
tal como a água, que aprendemos
ser condicionada,
-
então sabemos que
o espaço também é condicionado.
-
Thay também convida-nos
-
a olhar para a relação
entre espaço e tempo.
-
O que também aprendemos com o Sutra Avatamsaka,
mas também com Einstein.
-
A perceção de que, na verdade,
o espaço e o tempo são ambos
-
a manifestação da mesma coisa.
-
Eles não são separados.
-
Assim, à medida que nos movemos no tempo,
-
o tempo é uma forma de descrever o movimento
através do mesmo contínuo
-
que falamos como movimento através do espaço.
-
Então, agora
-
vemos o tempo como, na verdade,
uma quarta dimensão,
-
já há 100 anos, desde Einstein.
-
Portanto, o próprio tempo também é condicionado.
-
Apenas experienciamos este momento presente,
-
e aquilo a que chamamos o futuro
é apenas um momento presente que -
-
Por causa da nossa memória
e da continuidade da consciência,
-
experimentamos sempre o movimento
como se estivéssemos a avançar.
-
E especialmente porque temos relógios,
-
e eles começam a girar, e parecem
estar a progredir de forma linear,
-
de forma circular, mas linear
-
do passado para o futuro.
-
Mas, na verdade, tudo o que realmente temos
é o momento presente.
-
Isso é tudo o que realmente existe.
-
E depois, memórias do passado,
impressões que tivemos
-
que permanecem na consciência.
-
E tudo o que está no futuro é apenas
o funcionamento do nosso sistema nervoso,
-
uma antecipação baseada nas condições
que observámos,
-
que observamos no momento presente
e no que observámos no passado.
-
Tentamos prever
o que acontecerá no futuro.
-
Portanto, na verdade, ele não existe.
-
Então, todo este conceito
de tempo é, na verdade,
-
quando olhamos profundamente, ele é condicionado,
-
baseia-se na nossa consciência.
-
Aquilo a que chamamos tempo
é também uma designação convencional,
-
e também é um dharma condicionado.
-
Esta é a perceção do primeiro princípio,
-
de que já não podemos falar ingenuamente
do espaço como sendo um dharma incondicionado.
-
Ele também é condicionado.
-
Manifesta-se juntamente com -
-
Sim, esse é o próximo ponto.
-
O irmão pergunta como é que o espaço
se relaciona com a consciência.
-
Deixa-me apenas completar o resto do princípio.
-
O espaço manifesta-se
-
juntamente
-
com
-
o tempo,
-
a matéria,
-
e a consciência.
-
[Ele manifesta-se juntamente com o tempo,
a matéria e a consciência]
-
Podemos olhar para o tempo
do ponto de vista da consciência.
-
Podemos também olhar para o espaço
do ponto de vista da consciência.
-
A concentração
na impermanência, por exemplo,
-
é o que nos ajuda a ser livres
do apego a
-
ideias sobre o tempo.
-
E a perceção do não-eu é a perceção
que nos ajuda a ser livres
-
de ideias e apego na nossa consciência
relacionados com o espaço.
-
Então, o tempo como um dharma condicionado.
-
Quando sofremos porque, por exemplo,
-
desejamos estar naquele tempo
em que éramos muito jovens,
-
algum momento em que nos sentimos tão felizes,
-
éramos tão livres, não tínhamos -
-
Estávamos com a nossa família, talvez,
-
nem todos nós talvez éramos felizes na nossa
família, mas podemos ver um momento em que -
-
Eu olho sempre para trás, para a minha infância,
crescendo na minha casa,
-
e talvez fosse um dia de verão,
e estávamos num rio, um tipo de lago.
-
Parecia que tudo
era tão maravilhoso!
-
Estava bonito lá fora,
podiam ir nadar,
-
bela natureza à volta da floresta.
-
E sei que houve momentos
antes de aprender meditação,
-
e até mesmo quando aprendi meditação,
em que desejava voltar a esse tempo
-
onde tudo parecia muito feliz
e alegre, quando estava a sofrer.
-
Então, havia um apego ao tempo,
-
havia um apego
à minha memória de um tempo passado,
-
e sem o antídoto,
-
sem a maneira de me libertar
do apego ao tempo
-
como um dharma condicionado, eu sofro.
-
Mas com a concentração
na impermanência, então eu me liberto.
-
Então, o tempo está ligado
à prática da impermanência.
-
[impermanência]
-
Podemos dizer que
a concentração na impermanência
-
é como tocamos o incondicionado no tempo.
-
Assim, libertamo-nos dos
aspectos condicionados do tempo.
-
E veremos isso no segundo princípio,
-
porque já
quando chegamos ao segundo princípio,
-
vemos que Thay diz, "Na dimensão histórica,
todos os dharmas são condicionados,
-
mas na dimensão última,
todos os dharmas são incondicionados."
-
Então, mesmo estando agora a dizer,
que o espaço não é um dharma incondicionado,
-
mas no sentido do último,
-
todos os dharmas são incondicionados.
-
Q.: Fizeste um excelente trabalho
a descrever o condicionado.
-
Os fenómenos condicionados são coisas
que podem ser desfeitas.
-
Poderias falar um pouco mais sobre
e definir o incondicionado,
-
e dar alguns exemplos?
-
Ok, mas deixa-me terminar
com esta questão primeiro.
-
O irmão pediu para descrever
com exemplos o incondicionado.
-
Ok, mas vou continuar com o -
-
Então, em termos de espaço,
-
[espaço]
-
falamos sobre o não-eu.
-
[não-eu]
-
Isso significa que não há nada essencial,
-
que todas as coisas estão vazias
de um eu separado.
-
Assim, o ensinamento sobre o não-eu
não é um ensinamento sobre negação.
-
Não significa que
-
o que percebemos não é real,
não existe,
-
mas significa que
não há nada permanente,
-
não há nada
que possa estar por si só sozinho
-
em qualquer lugar no espaço,
-
seja em nós mesmos,
ou em outra pessoa,
-
ou em algum ser superior,
como Deus, ou algo assim.
-
Qualquer coisa que imaginemos.
-
Algum lugar onde as coisas de repente
se tornam permanentes, como um céu,
-
onde é eterno.
-
Mas na verdade, em todo o espaço,
há a qualidade
-
de ser vazio de um eu separado.
-
E isso não é com o propósito
de apenas declarar,
-
de tomar uma posição filosófica,
-
ou declarar
-
uma natureza objetiva das coisas,
mas é com o propósito da prática.
-
É com o propósito de sermos livres
do apego.
-
Normalmente pensamos, se eu pudesse apenas ir a -
-
Não sei, à Disneyland!
-
Se eu pudesse apenas ir -
Agora estamos na pandemia,
-
alguns de nós diríamos, "Se eu pudesse apenas
sair para um restaurante,
-
e saborear o meu prato favorito indiano",
ou, "Se eu pudesse apenas
-
ir ver a minha família", ou seja o que for.
-
Não estamos felizes onde estamos,
e queremos ir para outro lugar.
-
E se pensarmos, "Se estivermos lá,
seremos felizes",
-
isso é um apego a uma sensação de lugar,
uma sensação de lugar no espaço.
-
"Aqui eu sofro. Se for para lá,
serei feliz."
-
Há uma sensação de sofrimento
que surge devido ao
-
nosso corpo. O nosso corpo ocupa um espaço.
-
E olhamos para o nosso corpo
e pensamos, "Estou demasiado gordo,
-
sou demasiado baixo, sou demasiado magro".
-
E sofremos por causa de
-
a forma do nosso corpo
que ele assume no espaço.
-
Então, quando olhamos
com os olhos do não-eu,
-
vemos que tudo no corpo
é apenas uma manifestação de condições,
-
Também é condicionado, e é também
algo de que não precisamos de sofrer,
-
porque sabemos que é impermanente,
e que não será sempre assim.
-
Agora o corpo está lá,
e depois desaparecerá,
-
mas se não estivermos apeados,
não precisamos de sofrer por isso.
-
Falamos sobre
o que é um dharma incondicionado.
-
O que faço na minha prática é notar
-
que tudo o que posso perceber,
-
que gera uma perceção,
já é condicionado.
-
Se tiver alguma qualidade,
-
alguma cor, algum som,
algum cheiro, até mesmo algum conceito,
-
então já é condicionado.
-
Esta é uma parte muito subtil
da prática da meditação,
-
porque há partes em nós,
há sentimentos em nós,
-
e às vezes podemos
rotular esse sentimento e dizer,
-
"Isso é nirvana,
isso é o incondicionado."
-
E depois, na verdade, estás
erroneamente a rotular
-
algo que é condicionado
como algo incondicionado.
-
Um certo sentimento.
-
Assim, há muitas vezes
em que o Buda não conseguia,
-
não conseguia colocar uma palavra
para descrever o nirvana.
-
Ele não conseguia pôr uma cor.
-
Cada palavra que ele usava sentia-se insuficiente.
-
Até o nirvana é insuficiente
para descrever o incondicionado.
-
Mesmo o incondicionado é insuficiente.
-
Porque para compreender o incondicionado,
-
só temos o condicionado como exemplo
com o qual podemos entender o incondicionado
-
portanto, cada exemplo
será, no final, inadequado,
-
porque não é algo
que possa ser expresso em palavras,
-
não é algo que possa ser localizado
no espaço, ou no tempo.
-
Está claro?
-
Qualquer exemplo, no final, falhará,
porque o incondicionado -
-
porque qualquer exemplo
será, no final, condicionado.
-
Mas um exemplo que o Thay
gosta de usar apenas para ilustrar,
-
e, novamente, é apenas um modelo.
-
Como quando desenhei este tecido do
continum espaço-tempo, é apenas um modelo.
-
Na verdade, a ciência procede
usando imagens e modelos
-
de um átomo, do sistema solar,
que podemos compreender,
-
mas isso é apenas um conceito.
-
É apenas um modelo
para nos ajudar a compreender uma realidade mais profunda
-
que, no fim, não conseguimos modelar,
-
Porque está lá
no tecido da realidade,
-
não é algo que se possa
simplesmente modelar.
-
Mas o Thay usa o exemplo
da onda e da água.
-
Vamos continuar a voltar a isso.
-
Podemos pensar numa onda
que está a passar sobre o oceano,
-
como aqui na praia.
-
E cada onda sobe,
e desce.
-
Portanto, é como os fenómenos
que experienciamos.
-
Aquele irmão está sentado ali.
-
Ele é uma manifestação.
-
Ele é como uma onda
na superfície da realidade.
-
E esse irmão também.
-
E as flores no altar também,
a luz nesta sala também,
-
tudo o que podemos perceber
é uma manifestação,
-
como as ondas na água.
-
Sofremos porque nós, como uma onda,
-
à medida que percebemos outras ondas,
outras coisas, outros fenómenos,
-
e também olhamos para nós próprios,
e vemos que somos compostos,
-
somos feitos de todos os tipos de fenómenos diferentes
manifestando-se ao mesmo tempo.
-
que todos estes estão a mudar.
estão sempre sujeitos ao nascimento e à morte.
-
Portanto, parece que
não há lugar seguro em lado nenhum.
-
Porque se o corpo não está seguro, se eu me apegar
ao meu corpo parecendo assim,
-
ou às minhas mãos parecendo assim,
ou aos sentimentos sendo assim,
-
ou às percepções sendo como são,
-
então vou sofrer
quando já não forem assim.
-
Tal como a onda quando desce,
-
talvez, quando está em cima, parece em baixo
no vale entre as ondas,
-
e teme o que será
se descer assim.
-
E quer ficar no topo
da crista da onda para sempre.
-
Portanto, quando estamos felizes,
quando a nossa vida vai muito bem,
-
então estamos assim,
estamos no alto, tudo está ótimo.
-
E depois, aparece algum sofrimento.
-
Está na nossa natureza, na onda,
descer também.
-
E depois olhamos para trás.
-
Se não soubermos esta perspetiva
da impermanência,
-
que a nossa natureza é subir, e descer,
nascer e morrer,
-
então sofremos.
-
Portanto, a maneira como o Thay propõe
-
para a onda praticar
para estar livre desse sofrimento
-
é ver que a sua natureza é a água.
-
Esteja ela em cima, esteja ela em baixo,
ainda é água,
-
é o fundamento
da sua própria manifestação.
-
Talvez já comecemos a entrar
no segundo princípio.
-
Ainda não está aqui no segundo.
-
Mas podemos falar sobre isso,
-
podemos falar nesse sentido de que
-
o incondicionado
é o fundamento do condicionado.
-
Está claro?
-
Quer dizer, eu sei que o irmão já sabe.
-
Está a dar-me trabalho.
-
Não, estou a brincar.
-
Isto realmente ajudou-me a entender.
-
Porque acho que a metáfora da
onda na água é muito, muito útil.
-
Não é para o propósito de
simplesmente ter uma filosofia.
-
É uma imagem. Na verdade,
o Thay não inventou essa imagem.
-
É uma muito antiga
na tradição budista
-
de entender o incondicionado.
-
Porque estas são todas apenas imagens
que estamos a tentar usar
-
para nos levar na direção
da compreensão,
-
de tocar, ou perceber
o incondicionado.
-
Quando, finalmente, não é algo
que se possa agarrar.
-
No fim, desafia qualquer tipo de
palavra ou designação.
-
Qualquer tipo de modelo.
-
Portanto, podem deixar a ideia da onda na
água, porque, novamente, qualquer metáfora -
-
Podem dizer, "Mas acabaste de me dizer que
a água é um dharma condicionado,
-
e agora estás a dizer
que a água é incondicionada!"
-
Mas aí perdem o ponto,
porque é uma metáfora,
-
e se tomarmos a metáfora
para nos ajudar a ver o dharma,
-
não é para o propósito de
descrever a realidade absoluta.
-
Isto é muito fundamental para
qualquer maneira de estudar estes 40 princípios
-
ou entender o ensinamento do Thay,
-
que o propósito do ensinamento
não é descrever a realidade.
-
Muito do que fazemos no que vocês poderiam chamar
-
a abordagem materialista científica
para entender
-
é tentar criar
uma descrição da realidade.
-
As palavras estão a descrever o mais de perto possível
a situação real da realidade,
-
mas do ponto de vista
da prática, sabemos que
-
isso nunca poderá ser realizado,
-
porque as palavras em si mesmas são apenas
metáforas, são apenas modelos.
-
Não podemos, de maneira alguma, usar palavras
para descrever a realidade,
-
isso não pode acontecer.
-
Muito do sofrimento
vem nas descobertas científicas
-
quando usamos palavras para descrever algo,
-
mas, na verdade, descobrimos
que elas são inadequadas.
-
Portanto, isso contribui para a ignorância.
-
Como cientistas e também como praticantes
temos de ser capazes de
-
ser livres, para não ficarmos presos nessas armadilhas
que são criadas pelas palavras.
-
Como quando estamos a sentar-nos pela manhã,
seguindo a nossa respiração,
-
não deixando a nossa mente repousar em lugar nenhum,
-
isso já é uma realização profunda.
-
E não precisamos de praticar por
muitas vidas para tocar isso,
-
podemos acalmar a nossa mente, e podemos
tocar isso a qualquer momento.
-
Essa é o convite do Thay para nós,
que o nirvana está no aqui e agora.
-
Não o coloquem em outro lugar,
no espaço ou no tempo.
-
Na tradição budista, fomos
apanhados nessa armadilha durante muitos séculos,
-
dizendo que, "Oh! No tempo do
Buda, havia muitos "Despertos",
-
havia muitos arhats, seres perfeitos,
-
mas agora estamos no tempo do
Dharma da semelhança ou o que for,
-
a era final do Dharma,
já não podemos tocar o nirvana.
-
Isso foi algo que aconteceu
há muito tempo, no passado, no tempo,
-
e se queremos tocar o nirvana, na verdade
temos de praticar por muitas vidas,
-
e morrer, e renascer, e morrer,
-
e aperfeiçoar a nossa prática,
-
e finalmente, algum dia, muito no futuro, tocaremos o nirvana."
-
O Thay está a dizer, isso é uma compreensão muito errada
do ensinamento budista.
-
Isso é como, "Eu vou apenas
desfrutar da minha vida como monge,
-
eu só tenho um bom quarto,
boa cama, boa comida,
-
e vou simplesmente praticar quietamente
para tocar o nirvana
-
talvez em 20 vidas ou 100 vidas."
-
E então, os monges e as monjas,
ficamos muito preguiçosos.
-
Bem, acho que os monges ficam preguiçosos,
as monjas praticam muito diligentemente.
-
Mas os monges ficam muito -
-
Esse tipo de pensamento
-
pode tornar-nos muito relaxados, muito preguiçosos.
-
Não é que a prática
deva ser muito difícil,
-
Mas sim que devemos ter
a bodhicitta, a mente do despertar,
-
para ver que é possível não sofrer,
-
é possível estar livre do sofrimento.
-
Não temos de continuar a seguir
o nosso pensamento condicionado.
-
Temos de ver que a consciência também está
-
a contribuir para o espaço e o tempo,
-
que não há compreensão do tempo
que seja possível sem a consciência.
-
E isso é algo que
-
acho que só agora
-
alguns cientistas
estão a começar a entender.
-
Quando mergulhamos profundamente na neurociência
-
e na ciência da mente,
vemos que, na verdade,
-
tal como na física quântica,
-
queremos localizar a partícula subatómica
-
ao mesmo tempo
que sabemos a sua velocidade.
-
Mas, na verdade, ao saber a sua localização,
-
ao observar a sua localização,
-
sendo nós a consciência
-
que percebe essa partícula subatómica,
-
já não podemos saber
qual é a sua velocidade.
-
E isso funciona.
-
Essa é parte da razão
porque temos computadores,
-
temos todo o tipo de tecnologia
-
que depende dessa compreensão da mecânica quântica.
-
E não parece de todo combinar
com a compreensão clássica da ciência,
-
como a compreensão newtoniana,
-
onde os objetos físicos ocupam um espaço,
e têm uma velocidade,
-
e essas coisas podem ser ambas conhecidas.
-
A perspetiva é que, na verdade,
o observador é -
-
O aspecto da observação
muda o observado.
-
E da mesma maneira, o espaço e o tempo,
-
a nível quântico,
dependem da consciência.
-
A consciência do observador
afeta o que é observado.
-
Essa é uma perspetiva já há muitos
séculos na tradição budista,
-
que, no fim, o sujeito
depende do objeto.
-
Eles são condicionados.
-
Não se pode ter um sujeito sozinho
sem o objeto.
-
Eles co-surjem mutuamente.
-
E quando o sujeito simplesmente desaparece,
deixa de se manifestar,
-
então o objeto também já não está lá.
-
Só podemos falar sobre tempo e espaço
-
com uma sensação de consciência do espaço
e consciência do tempo.
-
Portanto, dessa maneira, eles são condicionados.
-
O Thay diz que se manifesta junto com
tempo, matéria e consciência.
-
A matéria não está separada do espaço.
-
A compreensão antiga que o Thay está a atualizar
na tradição budista
-
é que a matéria é condicionada,
mas o espaço é incondicionado.
-
E o Thay diz, não,
o espaço também é condicionado,
-
ele se manifesta junto com a matéria,
tempo e consciência.
-
Não podemos separá-los.
Eles inter-são.
-
Esse é o ensinamento do Sutra Avatamsaka,
do "um está em todos
-
e todos estão no um".
-
Portanto, ao olhar e compreender
a natureza da mecânica quântica,
-
a natureza das partículas subatómicas,
então entendemos
-
como é que o sol continua
a gerar calor e luz.
-
Antes disso, não sabíamos, pensávamos,
"Bem, é só que está a queimar algum combustível."
-
No século XIX,
-
um cientista previu que o sol só esteve
por aí, não me lembro,
-
algo como
-
milhões de anos ou algo assim, ou ainda menos,
como dezenas de milhares de anos.
-
E provavelmente vai ficar sem combustível
em, não sei,
-
dez centenas de milhares
de anos no futuro.
-
Isso aconteceu porque não entendiam
a nível subatómico.
-
Levou realmente olhar para as partículas mais
pequenas, como os eletrões,
-
e atirá-los através de fendas,
-
e compreender como funcionam,
-
antes de podermos entender como é que
o sol está a gerar toda essa energia.
-
E essa é uma manifestação muito concreta
do insight de
-
"o um está em todos e todos estão no um."
-
Ao olhar para as coisas mais pequenas,
vemos na verdade
-
as coisas maiores, como uma estrela,
ou a natureza do Big Bang.
-
Agora podemos olhar e estudar
o desvio para o vermelho na luz
-
que está a viajar pelo universo,
-
E saber que o universo está a mover-se
para fora, e com isso podemos determinar
-
que em algum momento foi
tudo numa única singularidade.
-
E não sabemos
o que aconteceu antes disso.
-
Agora muitos mais cientistas estão a dizer
que, na verdade, isso não é -
-
Não podemos chamar isso de um começo.
-
Estão a chegar mais perto
do insight do Budismo,
-
que é que tudo isto está a acontecer
desde o tempo sem começo.
-
E mesmo o Big Bang, a singularidade,
não podemos chamar isso de um começo,
-
mas não podemos ver,
não somos capazes de ver além disso,
-
por isso dizemos, "Bem,
isso deve ser o começo."
-
Mas isso é apenas a falta da nossa
compreensão, a falta da nossa percepção.
-
Esse é o limite, porque estamos limitados
na nossa capacidade de perceber.
-
Então espero que isso ajude.
-
Acho que poderia haver mais nisso,
-
mas é assim que eu pratico
com este princípio.
-
E como eu entendo o que o Thay
está a transmitir através dele.
-
São 8:40. Não sei
se há mais alguma dúvida
-
sobre qualquer coisa.
-
Ou se cobri as perguntas
que foram feitas suficientemente.
-
O Kenley disse-me há alguns anos,
-
"Quando der palestras, tens de
deixar tempo para perguntas no final."
-
Então eu disse, "Ok, vou treinar-me."
-
Ou podemos refletir sobre isso, e na próxima semana,
se houver algo que não esteja claro,
-
ou algo que -
Talvez tenhas uma nova perspetiva também
-
de alguma parte disto, então por favor,
-
traz para a próxima aula
e podemos analisar.
-
Portanto, talvez eu pare por aqui
só com o primeiro princípio.
-
E por favor, se puderem trazer
este folheto para a aula na próxima semana,
-
para que eu não tenha de
ficar a imprimir cópias.
-
E se houver outras irmãs
interessadas, por favor, avisem-nas.
-
Foi anunciado na Clarity? Não.
-
Mais ou menos. Ok.
-
E as irmãs têm uma cópia de -
-
Sim, têm. Ok.
Portanto, é bom ler isto.
-
Desculpem por
não termos ainda a versão em inglês.
-
Estou a tentar ser -
-
Porque sei que
estamos a trabalhar no livro,
-
a irmã Lang Nghiem está a trabalhar no livro.
-
Vou ver se conseguimos ter algo também
para os falantes de inglês poderem consultar.
-
Muito obrigada por terem vindo.
-
(Sino)
-
(Sino)
-
(Sino)
-
(Sino)