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The 40 Tenets of Plum Village with Brother Phap Luu | Class #1

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    (Sino)
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    (Sino)
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    (Sino)
  • 1:01 - 1:07
    (Sino)
  • 2:01 - 2:05
    Querido e respeitado Thay,
    queridos irmãos e irmãs,
  • 2:12 - 2:16
    para onde foram os papéis?
  • 2:20 - 2:21
    Então,
  • 2:28 - 2:30
    bem-vindas, irmãs.
  • 2:32 - 2:34
    Todos conseguem ouvir bem?
  • 2:34 - 2:36
    Não?
  • 2:43 - 2:45
    Assim está melhor?
  • 2:47 - 2:50
    Teste, 1, 2, 3.
  • 2:50 - 2:52
    Está claro?
  • 2:53 - 2:55
    Ao inspirar, sei que estou a inspirar.
  • 2:57 - 3:00
    Ainda não?
  • 3:03 - 3:08
    Mais alto? Está bem.
    Ao inspirar, sei que estou a inspirar.
  • 3:09 - 3:12
    Ao expirar, sei que estou a expirar.
  • 3:13 - 3:15
    Sim? Está bem.
  • 3:18 - 3:20
    Então, querido e respeitado Thay,
  • 3:21 - 3:24
    (inaudível)
  • 3:36 - 3:40
    Em 2006, 2007,
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    Thay passou algum tempo a estudar
  • 3:48 - 3:52
    um texto chamado A Roda do Comentário das Diferentes Escolas.
  • 3:53 - 3:59
    Este texto discute os diferentes princípios
    das primeiras escolas do Budismo.
  • 4:00 - 4:02
    Isto aconteceu na Índia,
  • 4:04 - 4:07
    por volta do início da Era Comum.
  • 4:07 - 4:10
    O ínicio da Era Comum.
  • 4:12 - 4:14
    Havia cerca de -
  • 4:17 - 4:23
    Na verdade, não sabemos exatamente
    quantas escolas budistas existiam.
  • 4:24 - 4:26
    Está bem assim?
  • 4:28 - 4:33
    Mas o que temos registado é que havia
    pelo menos 18 escolas que hoje chamamos de "principais".
  • 4:34 - 4:37
    nós chamamos "principais" agora, escolas do Budismo.
  • 4:40 - 4:42
    Algumas delas
  • 4:44 - 4:46
    receberam o nome principalmente
  • 4:46 - 4:50
    por causa da região geográfica onde estavam.
  • 4:50 - 4:53
    Outras, talvez, por causa de algum mestre.
  • 4:55 - 5:02
    E algumas devido a uma doutrina específica
    que seguiam,
  • 5:03 - 5:05
    como a Sarvāstivāda.
  • 5:08 - 5:12
    Por exemplo, esta escola acreditava
    que todos os fenómenos existem
  • 5:12 - 5:16
    não apenas no presente, mas também
    no futuro e no passado.
  • 5:16 - 5:21
    Por isso, tornou-se conhecida
    como Sarvāstivāda,
  • 5:22 - 5:26
    onde "sarva asti" significa "existe sempre",
  • 5:27 - 5:30
    seja no presente, no futuro ou no passado.
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    Havia também a escola Pudgalavāda,
    que defendia que,
  • 5:37 - 5:41
    embora não haja um "eu"
    nos cinco skandhas,
  • 5:41 - 5:45
    existe algo que pode ser chamado de personalidade
    ou pessoa.
  • 5:46 - 5:50
    Portanto, havia diferentes escolas budistas,
  • 5:51 - 5:56
    mas não entraremos em muitos detalhes aqui.
  • 5:56 - 6:02
    Depois desse ensinamento, Thay explorou
    as várias escolas do Budismo.
  • 6:02 - 6:06
    E então apontou a atenção
    de volta para Plum Village,
  • 6:07 - 6:09
    para nós mesmos,
  • 6:09 - 6:13
    e perguntou:
    quais são os ensinamentos que aprendemos
  • 6:13 - 6:16
    ao longo dos anos em Plum Village
  • 6:16 - 6:20
    ao olharmos profundamente para estas primeiras escolas do Budismo,
  • 6:20 - 6:25
    bem como ao beneficiarmos do desenvolvimento do Mahāyāna,
  • 6:25 - 6:29
    à medida que se espalhou pelos mosteiros da Índia,
  • 6:29 - 6:33
    chegando depois à China, ao Tibete
  • 6:33 - 6:35
    e a toda a Ásia Oriental?
  • 6:35 - 6:41
    Assim, ao observarmos o Budismo inicial
    através da lente do Mahāyāna,
  • 6:42 - 6:48
    obtemos uma compreensão mais profunda
    de como praticamos na tradição de Plum Village
  • 6:48 - 6:51
    no momento presente.
  • 6:52 - 6:59
    Além de beneficiarmos da sabedoria
    e dos ensinamentos do Mahāyāna,
  • 7:00 - 7:02
    também podemos beneficiar
  • 7:03 - 7:07
    do estudo da ciência,
    especialmente no Ocidente.
  • 7:07 - 7:11
    Ao investigarmos a natureza da realidade,
  • 7:11 - 7:16
    compreendendo a Física, a Biologia,
  • 7:16 - 7:22
    e a ciência da mente, a Psicologia,
  • 7:22 - 7:24
    também podemos obter insights.
  • 7:26 - 7:32
    Thay deixou muito claro que, na nossa tradição budista,
    não somos dogmáticos.
  • 7:32 - 7:37
    Se houver um insight que possamos obter,
    seja através da nossa própria prática,
  • 7:38 - 7:42
    seja através do estudo da ciência
  • 7:42 - 7:47
    ou de qualquer outro meio,
    se isso nos ajudar a libertar-nos
  • 7:48 - 7:51
    e a transformar o nosso sofrimento,
  • 7:51 - 7:55
    podemos incorporá-lo na tradição de Plum Village.
  • 7:55 - 7:57
    Portanto, também somos flexíveis.
  • 7:57 - 8:01
    Não abordamos o Budismo de um ponto de vista dogmático,
  • 8:01 - 8:05
    como se houvesse apenas um único caminho correto e imutável.
  • 8:06 - 8:13
    Mas o que devemos realmente perguntar é:
    este ensinamento ajuda-nos a sermos livres?
  • 8:14 - 8:18
    Este ensinamento ajuda-nos a transformar o nosso sofrimento?
  • 8:20 - 8:28
    Então, Thay ensinou estes 40 princípios
    ao longo dos anos seguintes,
  • 8:32 - 8:37
    mas especialmente durante o Retiro de Inverno
    de 2006 a 2007.
  • 8:39 - 8:45
    Depois, foi publicado como um livro,
    creio que finalmente em 2013, em vietnamita.
  • 8:48 - 8:50
    2014.
  • 8:51 - 8:55
    O livro em vietnamita chama-se
    "Olhando para o Pico dos Abutres".
  • 8:55 - 8:58
    Plum Village Olha para o Pico dos Abutres
  • 9:00 - 9:04
    O livro anterior, que falava sobre
    as escolas do Budismo,
  • 9:04 - 9:08
    chamava-se "O Caminho para o Pico dos Abutres".
  • 9:08 - 9:14
    E este volume, que reflete os insights de Plum Village,
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    chama-se "Plum Village Olha para o Pico dos Abutres".
  • 9:20 - 9:22
    O Pico dos Abutres
  • 9:22 - 9:28
    é uma montanha em Rajagaha, ou Rajagriha,
  • 9:29 - 9:31
    na Índia.
  • 9:32 - 9:34
    E fica apenas -
  • 9:37 - 9:39
    Não sei exatamente,
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    mas é possível caminhar de Bodh Gaya
    até Rajagaha em um ou dois dias.
  • 9:44 - 9:45
    Atualmente,
  • 9:47 - 9:49
    chama-se Rajgir.
  • 9:51 - 9:54
    Fomos lá com Thay em 2008,
  • 9:54 - 9:57
    e era um lugar onde o Buda gostava
    de subir a montanha,
  • 9:58 - 10:01
    tal como aqui, em Deer Park,
    onde gostamos de subir até à rocha de Escondido
  • 10:02 - 10:06
    ou à "rocha do pequeno-almoço"
    para ver o nascer do sol,
  • 10:06 - 10:08
    beber chá
  • 10:08 - 10:11
    e comer um pequeno-almoço leve.
  • 10:12 - 10:16
    O Buda também gostava de subir ao Pico dos Abutres
  • 10:17 - 10:20
    para contemplar o nascer e o pôr do sol.
  • 10:24 - 10:26
    E em 2008, tivemos a oportunidade de subir
  • 10:27 - 10:30
    ao Pico dos Abutres com Thay
  • 10:31 - 10:33
    e passar lá o dia inteiro.
  • 10:34 - 10:38
    Thay convidou toda a delegação que viajava consigo
  • 10:39 - 10:42
    na sua última viagem à Índia.
  • 10:43 - 10:46
    Ele disse: "Mesmo que precisem de ir à casa de banho,
  • 10:47 - 10:50
    podem fazê-lo nos arbustos".
  • 10:50 - 10:52
    Porque não há casas de banho
  • 10:52 - 10:54
    no Pico dos Abutres.
  • 10:54 - 10:56
    É um lugar muito selvagem.
  • 10:56 - 11:01
    Subimos antes do nascer do sol com Thay.
  • 11:01 - 11:08
    No topo da montanha,
  • 11:08 - 11:12
    podemos sentar-nos de um lado e ver o sol nascer a Leste,
  • 11:12 - 11:18
    ou sentarmo-nos do outro lado à tarde e ver o pôr do sol.
  • 11:20 - 11:22
    Thay levou uma rede,
  • 11:22 - 11:25
    montou-a e passou lá o dia todo.
  • 11:25 - 11:30
    Lembro-me de que a irmã cantou para Thay nesse dia.
  • 11:30 - 11:33
    Ela estava a cuidar de Thay.
  • 11:34 - 11:39
    Thay realmente queria que experimentássemos
  • 11:39 - 11:43
    o Pico dos Abutres da mesma forma que o Buda
    gostava de estar lá.
  • 11:45 - 11:50
    Também realizámos a transmissão
    dos Cinco Treinos de Atenção Plena
  • 11:51 - 11:56
    e dos 14 Treinos de Atenção Plena
    no topo do Pico dos Abutres.
  • 11:56 - 11:59
    E Thay rapou novamente a nossa cabeça.
  • 11:59 - 12:01
    Um pouco, não completamente.
  • 12:01 - 12:03
    Subimos, e Thay
  • 12:06 - 12:07
    passou a lâmina.
  • 12:08 - 12:11
    Se quiséssemos, Thay fazia isso
  • 12:11 - 12:14
    para renovar a nossa aspiração.
  • 12:15 - 12:19
    Portanto, o Pico dos Abutres tem um significado muito profundo
    na tradição budista
  • 12:20 - 12:24
    como símbolo dos ensinamentos mais elevados do Buda.
  • 12:25 - 12:28
    Muitos sutras foram ensinados lá.
  • 12:30 - 12:33
    Era um local afastado
  • 12:33 - 12:37
    de outras áreas de ensino do Buda,
    como o Bosque de Bambu,
  • 12:37 - 12:41
    que estava mais próximo da cidade.
  • 12:42 - 12:45
    Para ir ao Pico dos Abutres e ouvir o Buda,
  • 12:46 - 12:48
    era preciso levar comida e ir passar o dia.
  • 12:49 - 12:51
    Não era uma viagem curta.
  • 12:53 - 12:57
    A minha própria perceção dessa experiência
  • 13:00 - 13:03
    é que era um lugar onde o Buda gostava de ir para refugiar-se.
  • 13:06 - 13:10
    Claro, ele encontrava refúgio no nirvana, no incondicionado,
  • 13:11 - 13:14
    mas também acredito que simplesmente gostava de subir à montanha,
  • 13:14 - 13:17
    tal como nós gostamos aqui.
  • 13:19 - 13:24
    Assim, ao chamar o livro sobre os 40 princípios
    "Plum Village Olha para o Pico dos Abutres",
  • 13:25 - 13:27
    significa que,
  • 13:27 - 13:30
    como continuação de Thay,
  • 13:33 - 13:36
    como parte da tradição de Plum Village,
  • 13:36 - 13:39
    ao olharmos para o Pico dos Abutres,
    estamos a olhar para o Buda,
  • 13:40 - 13:43
    para o lugar onde ele gostava de estar e ensinar.
  • 13:44 - 13:49
    E no nosso coração, o que vemos?
    Que ensinamentos descobrimos?
  • 13:50 - 13:54
    E foi assim que Thay formulou estes 40 princípios.
  • 13:57 - 14:02
    Então, um irmão perguntou-me
    se poderíamos continuar a estudar os 40 princípios.
  • 14:03 - 14:07
    Porque começámos há alguns anos,
    acho que tivemos 3 ou 4 aulas.
  • 14:09 - 14:12
    O irmão ainda não era monge.
  • 14:17 - 14:20
    E eu disse: "Claro, terei todo o gosto em continuar".
  • 14:21 - 14:24
    E o espírito disto é que o fazemos juntos.
  • 14:24 - 14:33
    É algo que nos nutre, a mim e a todos nós,
    ao explorarmos estes ensinamentos.
  • 14:35 - 14:37
    Então, imprimi-os.
  • 14:38 - 14:40
    Todos têm uma cópia?
  • 14:40 - 14:46
    Também prometo falar devagar
    para as irmãs, para que possam aprender inglês.
  • 14:47 - 14:52
    Porque em breve também irão dar
    palestras sobre o Dharma em inglês.
  • 14:52 - 14:55
    Por isso, precisam de aprender.
  • 14:55 - 14:58
    Peço desculpa se eu -
  • 15:00 - 15:04
    Prometo falar clara e lentamente.
  • 15:08 - 15:11
    Porque temos aqui especialistas
    na língua inglesa também.
  • 15:12 - 15:17
    Assim, tentarei partilhar para todos.
  • 15:33 - 15:36
    Talvez possamos ouvir
    o som do sino.
  • 15:48 - 15:49
    (Sino)
  • 15:53 - 15:59
    (Sino)
  • 16:39 - 16:42
    O primeiro princípio.
  • 16:52 - 16:55
    O espaço não é um dharma incondicionado.
  • 17:03 - 17:15
    [1. O espaço não é um dharma incondicionado]
  • 17:27 - 17:34
    Nos ensinamentos budistas, usamos
    a palavra "dharma" de várias formas.
  • 17:35 - 17:41
    Neste sentido, significa "fenómenos"
    ou "fenómeno", no singular.
  • 17:42 - 17:45
    Portanto, tudo é um dharma,
    esta caneta é um dharma.
  • 17:47 - 17:50
    A eletricidade, a luz, são dharmas.
  • 17:51 - 17:58
    Qualquer coisa que se manifeste,
    que provoque algum tipo de perceção,
  • 17:58 - 18:00
    quer a percecionemos ou não,
  • 18:01 - 18:02
    é um dharma.
  • 18:04 - 18:09
    Quer a percecionemos através dos olhos,
    dos ouvidos, do nariz, da língua, do corpo ou da mente.
  • 18:10 - 18:13
    Tudo isso são dharmas.
  • 18:13 - 18:18
    Em muitas escolas do Budismo,
  • 18:20 - 18:27
    aceitamos facilmente que, por exemplo,
    esta mesa é condicionada.
  • 18:28 - 18:31
    Se a desmontarmos,
  • 18:31 - 18:34
    ou se lhe batermos com um martelo,
  • 18:34 - 18:36
    ela pode partir-se.
  • 18:36 - 18:41
    Mesmo o plástico pode deteriorar-se com o tempo,
    embora leve muito tempo a decompor-se,
  • 18:42 - 18:45
    mas também é impermanente.
  • 18:45 - 18:49
    Todos os elementos que
    compõem esta mesa são impermanentes.
  • 18:50 - 18:52
    Ela surgiu devido a certas condições,
  • 18:52 - 18:58
    e está sujeita a desmoronar-se
    quando essas condições
  • 18:58 - 19:02
    deixarem de existir,
    transformando-se noutra coisa.
  • 19:04 - 19:08
    É fácil aceitarmos que
    a água no copo de chá
  • 19:08 - 19:12
    também é um fenómeno condicionado.
  • 19:14 - 19:17
    Sabemos que agora
    se manifesta como água líquida,
  • 19:17 - 19:22
    mas se baixarmos a temperatura,
    pode congelar e tornar-se gelo.
  • 19:24 - 19:28
    E se a fervemos,
    ela pode transformar-se em vapor de água,
  • 19:28 - 19:31
    subir para o ar e tornar-se uma nuvem.
  • 19:31 - 19:35
    Portanto, a água também é condicionada.
  • 19:37 - 19:39
    Podemos ir ainda mais longe
  • 19:39 - 19:43
    e analisar
    os componentes da água, H2O.
  • 19:45 - 19:49
    Sabemos que as primeiras estrelas,
  • 19:51 - 19:55
    algumas das quais ainda conseguimos detetar,
  • 19:55 - 19:59
    até mesmo na Via Láctea,
    a nossa galáxia vizinha,
  • 20:01 - 20:08
    são estrelas pobres em metais.
    Nem sequer têm elementos como o oxigénio.
  • 20:08 - 20:11
    Apenas hidrogénio e hélio.
  • 20:11 - 20:15
    Elas são do início do universo,
    as estrelas mais antigas que existem.
  • 20:15 - 20:19
    Formaram-se antes mesmo
    dos elementos mais pesados, como o oxigénio,
  • 20:20 - 20:22
    foram compostos.
  • 20:23 - 20:28
    Sabemos que
    até o oxigénio é condicionado.
  • 20:29 - 20:32
    E até o hidrogénio,
  • 20:32 - 20:35
    o átomo mais simples,
  • 20:35 - 20:43
    apenas um protão e um eletrão,
    é um elemento condicionado.
  • 20:44 - 20:48
    Podemos separar esse eletrão do protão,
  • 20:50 - 20:55
    fazê-lo mover-se livremente,
    deixando apenas o protão.
  • 20:56 - 20:58
    E agora sabemos que,
    indo ainda mais fundo no protão,
  • 20:59 - 21:01
    os protões
    nem sempre existiram.
  • 21:01 - 21:03
    Através da ciência podemos ver
  • 21:04 - 21:09
    que, nos primeiros milissegundos
    após o Big Bang,
  • 21:10 - 21:13
    nem sequer existiam protões ainda.
  • 21:15 - 21:17
    Portanto, tudo o que podemos ver,
  • 21:17 - 21:22
    até os elementos constituintes da água,
    são condicionados.
  • 21:24 - 21:27
    Isto não serve apenas
    para fins de conhecimento,
  • 21:27 - 21:30
    mas para um olhar profundo,
  • 21:30 - 21:33
    para vermos que tudo é impermanente.
  • 21:35 - 21:39
    O Buda disse, pouco antes de entrar
  • 21:40 - 21:43
    em parinirvana,
  • 21:43 - 21:46
    que todas as coisas são condicionadas,
  • 21:47 - 21:52
    todas as coisas são impermanentes,
    tudo o que é condicionado é impermanente.
  • 21:54 - 21:57
    E que devemos praticar diligentemente.
  • 21:57 - 22:02
    O tema da impermanência
    está sempre presente como uma concentração
  • 22:03 - 22:05
    para nos ajudar a ver
  • 22:07 - 22:10
    que este corpo não sou eu,
    estas emoções não sou eu,
  • 22:10 - 22:13
    estas perceções não sou eu,
    e assim ficamos livres.
  • 22:14 - 22:17
    Deixamos de nos sentir presos
    às nossas ligações emocionais,
  • 22:18 - 22:21
    porque sabemos que
    é inútil estarmos apegados.
  • 22:21 - 22:25
    Na verdade, não podemos agarrar-nos a nada,
    porque tudo está sempre a mudar.
  • 22:31 - 22:38
    Quando os primeiros mestres,
    a continuação do Buda,
  • 22:38 - 22:41
    começaram a analisar estes ensinamentos,
  • 22:42 - 22:47
    dividiram-nos entre coisas condicionadas
  • 22:47 - 22:49
    e coisas incondicionadas.
  • 22:49 - 22:52
    Porque o Buda disse muitas vezes que,
  • 22:52 - 22:56
    por exemplo, o nirvana é incondicionado.
  • 22:59 - 23:03
    Ele disse que, se não fosse
    pela natureza incondicionada do dharma,
  • 23:03 - 23:06
    não haveria libertação
    do que é condicionado.
  • 23:06 - 23:08
    E esse é o cerne da nossa prática:
  • 23:09 - 23:12
    como nos libertarmos do condicionamento.
  • 23:12 - 23:18
    Porque as coisas condicionadas,
    tentamos agarrá-las como se fossem permanentes,
  • 23:19 - 23:22
    e isso contribui para
    muito do sofrimento
  • 23:22 - 23:25
    que experienciamos.
  • 23:27 - 23:31
    Mas os mestres perceberam que
    não só o nirvana era incondicionado,
  • 23:31 - 23:33
    como também o espaço
  • 23:34 - 23:38
    onde as coisas se manifestam -
  • 23:39 - 23:45
    Ou seja, não o copo nem a água,
    mas o espaço onde o copo aparece -
  • 23:46 - 23:52
    Eles acreditavam que isso também
    era um fenómeno incondicionado.
  • 23:57 - 24:00
    Mas Thay, através da sua observação profunda,
  • 24:00 - 24:04
    juntamente com os conhecimentos
    que temos da ciência,
  • 24:04 - 24:10
    percebeu que, na verdade, o espaço
    também é um fenómeno condicionado.
  • 24:11 - 24:14
    Há várias formas de olhar para isto.
  • 24:14 - 24:19
    Uma delas é pela
    designação convencional.
  • 24:20 - 24:25
    O espaço, no sentido
    de algo que chamamos de espaço,
  • 24:27 - 24:30
    é obviamente condicionado, certo?
  • 24:31 - 24:34
    Porque é apenas uma designação.
  • 24:34 - 24:39
    Descrevemo-lo como a ausência de algo -
  • 24:39 - 24:43
    como o recipiente
    onde as coisas se manifestam.
  • 24:44 - 24:46
    Mas qualquer coisa a que apontemos
  • 24:46 - 24:49
    como sendo algo,
  • 24:50 - 24:53
    é algo que ocupa espaço,
    e não o espaço em si.
  • 24:53 - 24:56
    O espaço, em si,
    é apenas uma designação convencional
  • 24:56 - 24:59
    para descrever o recipiente, por assim dizer,
  • 24:59 - 25:02
    onde as coisas estão colocadas.
  • 25:02 - 25:09
    O sino não está a ocupar
    o mesmo espaço onde estou.
  • 25:10 - 25:15
    Sabemos de imediato que eu não estou
    dentro do sino e que o sino não está dentro de mim.
  • 25:15 - 25:18
    Não estamos
    a obstruir-nos mutuamente.
  • 25:18 - 25:21
    O espaço é um termo que usamos
    como designação convencional
  • 25:21 - 25:25
    para descrever esta situação
  • 25:28 - 25:31
    em que não ocupamos o mesmo espaço.
  • 25:32 - 25:35
    Ou quando estamos a caminhar,
  • 25:35 - 25:38
    gosto de fazer o exercício
  • 25:38 - 25:41
    em que nos imaginamos como átomos,
    caminhamos
  • 25:42 - 25:45
    e, se ficamos muito quentes,
    andamos rapidamente,
  • 25:45 - 25:47
    e se estamos frios,
    abrandamos.
  • 25:47 - 25:50
    Alguém já fez isso? É muito divertido.
  • 25:50 - 25:55
    E ficamos muito atentos
    às pessoas à nossa volta.
  • 25:56 - 25:59
    Ou se já foram à Grand
    Central Station, em Nova Iorque,
  • 26:00 - 26:04
    alguém já esteve lá?
  • 26:05 - 26:08
    Notam que há muitas entradas
    e muitas saídas.
  • 26:08 - 26:12
    E quando as pessoas passam,
    devido à forma como o edifício foi projetado,
  • 26:13 - 26:17
    alguém que está aqui
    pode ir para lá,
  • 26:17 - 26:22
    e alguém que veio de lá
    pode vir para aqui.
  • 26:22 - 26:27
    No meio, as pessoas têm de
    se coordenar umas com as outras.
  • 26:28 - 26:34
    E, no entanto, de alguma forma, tudo acontece magicamente,
    sem que as pessoas se choquem umas com as outras.
  • 26:34 - 26:37
    Isso acontece porque
    têm um sentido de espaço.
  • 26:37 - 26:43
    Isto é uma perceção corporal,
    uma perceção natural do espaço que o corpo ocupa.
  • 26:43 - 26:48
    Temos uma atenção natural,
    mesmo sem praticarmos a atenção plena.
  • 26:48 - 26:51
    Na verdade, podemos -
  • 26:52 - 26:57
    Também somos animais de rebanho, como seres humanos,
    somos muito sensíveis a mover-nos no rebanho
  • 26:57 - 27:00
    de uma forma que não
    chocamos uns contra os outros.
  • 27:01 - 27:06
    Nesse sentido, é muito claro que o espaço
    é um dharma condicionado,
  • 27:06 - 27:10
    é apenas uma designação convencional,
    uma forma de descrever
  • 27:10 - 27:16
    o facto de não nos obstruirmos mutuamente
    no mesmo espaço.
  • 27:18 - 27:23
    Thay gosta de usar a imagem
    de um arranjo de flores,
  • 27:23 - 27:25
    como as flores que -
  • 27:26 - 27:31
    Acho que não sei
    qual das irmãs arranja as flores.
  • 27:34 - 27:39
    Cada flor ocupa o seu espaço,
    não tentamos simplesmente juntá-las todas
  • 27:39 - 27:41
    de modo a parecerem amontoadas,
  • 27:41 - 27:44
    mas sabemos como dispor as flores
  • 27:44 - 27:48
    de uma forma em que cada uma contribui com a sua beleza
  • 27:48 - 27:51
    mas sem obstruir as outras.
  • 27:51 - 27:53
    Essa é outra imagem do espaço.
  • 27:54 - 27:59
    Assim, podemos ver claramente que se trata
    de um dharma condicionado, a noção de espaço.
  • 28:00 - 28:05
    Mas com a perceção da relatividade,
  • 28:06 - 28:11
    também sabemos que, a um nível mais profundo,
    a um nível físico,
  • 28:11 - 28:15
    aquilo a que chamamos espaço
    também é condicionado.
  • 28:19 - 28:23
    Se pensarmos no espaço como -
  • 28:23 - 28:26
    Mais uma vez, isto é apenas uma imagem.
  • 28:27 - 28:30
    Temos um corpo muito massivo.
  • 28:34 - 28:36
    Claro que o espaço é
  • 28:37 - 28:39
    tridimensional.
  • 28:39 - 28:43
    Podemos ir para cima, para baixo, podemos atravessar.
  • 28:44 - 28:51
    Podemos ir no comprimento, na altura e na largura,
    em três direções.
  • 28:53 - 28:58
    Mas para conceptualizar o espaço,
    aqui desenhamo-lo apenas
  • 28:58 - 29:01
    como um plano bidimensional,
  • 29:01 - 29:04
    porque é difícil desenhá-lo
    em três dimensões.
  • 29:06 - 29:11
    Tens um corpo massivo
    como o sol, ou uma estrela,
  • 29:11 - 29:15
    mas na verdade qualquer corpo,
    mesmo o mais pequeno átomo,
  • 29:16 - 29:19
    por causa da força da gravidade,
  • 29:20 - 29:23
    e não sei se serei capaz de desenhar isto,
  • 29:25 - 29:27
    ele começará a
  • 29:31 - 29:33
    curvar-se.
  • 29:41 - 29:43
    É quase como
  • 29:44 - 29:48
    se tivesses um pedaço de tecido e
    colocasses uma bola nele, uma bola de metal,
  • 29:48 - 29:50
    e isso distorcesse o tecido.
  • 29:51 - 29:53
    A gravidade está realmente a puxar,
  • 29:54 - 29:57
    está, na verdade, a distorcer
    o próprio tecido do espaço.
  • 29:58 - 30:01
    Aquilo a que chamam o contínuo espaço-tempo.
  • 30:03 - 30:07
    Agora descobrimos que
    existem até ondas
  • 30:07 - 30:11
    nesse contínuo espaço-tempo,
    chamadas ondas gravitacionais.
  • 30:12 - 30:17
    Recentemente construíram dois sensores,
    acho que um deles está perto de Seattle,
  • 30:17 - 30:20
    e o outro
    está algures no sul profundo dos EUA.
  • 30:20 - 30:23
    Eles têm de estar em forma de L.
  • 30:23 - 30:26
    Há cinco anos, quatro anos,
  • 30:26 - 30:29
    eles detetaram, de facto,
    a primeira onda gravitacional.
  • 30:31 - 30:35
    Isso significa que há
    um corpo realmente massivo,
  • 30:36 - 30:39
    que há uma ondulação
    da força gravitacional,
  • 30:40 - 30:42
    como uma supernova,
  • 30:44 - 30:48
    onde, de repente,
    um corpo muito massivo explode
  • 30:48 - 30:52
    e a massa que distorce
    o contínuo espaço-tempo
  • 30:53 - 30:57
    é expelida frequentemente
    milhões de milhas em todas as direções.
  • 30:58 - 31:02
    Isso causa uma ondulação real
  • 31:03 - 31:08
    a atravessar o contínuo do espaço.
  • 31:08 - 31:10
    E agora conseguimos detetá-la
  • 31:11 - 31:12
    quando isso acontece.
  • 31:13 - 31:16
    Não sei, esqueci-me
    dos detalhes de como o fazem.
  • 31:16 - 31:20
    Lembro-me de que são necessários dois
    sensores em diferentes pontos da Terra,
  • 31:21 - 31:23
    e depois comparar os resultados.
  • 31:23 - 31:25
    E, ao fazer isso,
  • 31:25 - 31:29
    é possível detetar essa ondulação que
    passa pelo tecido do espaço.
  • 31:29 - 31:33
    Portanto, obviamente, se o espaço
    tem ondas a atravessá-lo,
  • 31:33 - 31:38
    tal como a água, que aprendemos
    ser condicionada,
  • 31:39 - 31:42
    então sabemos que
    o espaço também é condicionado.
  • 31:43 - 31:46
    Thay também convida-nos
  • 31:46 - 31:50
    a olhar para a relação
    entre espaço e tempo.
  • 31:51 - 31:57
    O que também aprendemos com o Sutra Avatamsaka,
    mas também com Einstein.
  • 31:58 - 32:01
    A perceção de que, na verdade,
    o espaço e o tempo são ambos
  • 32:02 - 32:05
    a manifestação da mesma coisa.
  • 32:05 - 32:07
    Eles não são separados.
  • 32:09 - 32:12
    Assim, à medida que nos movemos no tempo,
  • 32:14 - 32:20
    o tempo é uma forma de descrever o movimento
    através do mesmo contínuo
  • 32:21 - 32:24
    que falamos como movimento através do espaço.
  • 32:26 - 32:28
    Então, agora
  • 32:30 - 32:34
    vemos o tempo como, na verdade,
    uma quarta dimensão,
  • 32:35 - 32:38
    já há 100 anos, desde Einstein.
  • 32:38 - 32:43
    Portanto, o próprio tempo também é condicionado.
  • 32:44 - 32:48
    Apenas experienciamos este momento presente,
  • 32:50 - 32:54
    e aquilo a que chamamos o futuro
    é apenas um momento presente que -
  • 32:56 - 33:00
    Por causa da nossa memória
    e da continuidade da consciência,
  • 33:01 - 33:05
    experimentamos sempre o movimento
    como se estivéssemos a avançar.
  • 33:07 - 33:09
    E especialmente porque temos relógios,
  • 33:09 - 33:13
    e eles começam a girar, e parecem
    estar a progredir de forma linear,
  • 33:14 - 33:17
    de forma circular, mas linear
  • 33:17 - 33:20
    do passado para o futuro.
  • 33:20 - 33:24
    Mas, na verdade, tudo o que realmente temos
    é o momento presente.
  • 33:25 - 33:27
    Isso é tudo o que realmente existe.
  • 33:27 - 33:30
    E depois, memórias do passado,
    impressões que tivemos
  • 33:30 - 33:32
    que permanecem na consciência.
  • 33:32 - 33:36
    E tudo o que está no futuro é apenas
    o funcionamento do nosso sistema nervoso,
  • 33:37 - 33:40
    uma antecipação baseada nas condições
    que observámos,
  • 33:41 - 33:45
    que observamos no momento presente
    e no que observámos no passado.
  • 33:45 - 33:49
    Tentamos prever
    o que acontecerá no futuro.
  • 33:50 - 33:52
    Portanto, na verdade, ele não existe.
  • 33:53 - 33:57
    Então, todo este conceito
    de tempo é, na verdade,
  • 33:58 - 34:01
    quando olhamos profundamente, ele é condicionado,
  • 34:02 - 34:04
    baseia-se na nossa consciência.
  • 34:06 - 34:10
    Aquilo a que chamamos tempo
    é também uma designação convencional,
  • 34:10 - 34:15
    e também é um dharma condicionado.
  • 34:16 - 34:19
    Esta é a perceção do primeiro princípio,
  • 34:19 - 34:24
    de que já não podemos falar ingenuamente
    do espaço como sendo um dharma incondicionado.
  • 34:25 - 34:28
    Ele também é condicionado.
  • 34:34 - 34:37
    Manifesta-se juntamente com -
  • 34:40 - 34:43
    Sim, esse é o próximo ponto.
  • 34:49 - 34:53
    O irmão pergunta como é que o espaço
    se relaciona com a consciência.
  • 34:55 - 34:59
    Deixa-me apenas completar o resto do princípio.
  • 35:13 - 35:16
    O espaço manifesta-se
  • 35:18 - 35:20
    juntamente
  • 35:25 - 35:27
    com
  • 35:29 - 35:31
    o tempo,
  • 35:34 - 35:36
    a matéria,
  • 35:39 - 35:41
    e a consciência.
  • 35:43 - 35:52
    [Ele manifesta-se juntamente com o tempo,
    a matéria e a consciência]
  • 36:06 - 36:10
    Podemos olhar para o tempo
    do ponto de vista da consciência.
  • 36:11 - 36:15
    Podemos também olhar para o espaço
    do ponto de vista da consciência.
  • 36:20 - 36:23
    A concentração
    na impermanência, por exemplo,
  • 36:23 - 36:28
    é o que nos ajuda a ser livres
    do apego a
  • 36:30 - 36:32
    ideias sobre o tempo.
  • 36:35 - 36:40
    E a perceção do não-eu é a perceção
    que nos ajuda a ser livres
  • 36:40 - 36:46
    de ideias e apego na nossa consciência
    relacionados com o espaço.
  • 36:57 - 37:00
    Então, o tempo como um dharma condicionado.
  • 37:09 - 37:12
    Quando sofremos porque, por exemplo,
  • 37:13 - 37:17
    desejamos estar naquele tempo
    em que éramos muito jovens,
  • 37:18 - 37:21
    algum momento em que nos sentimos tão felizes,
  • 37:22 - 37:24
    éramos tão livres, não tínhamos -
  • 37:24 - 37:26
    Estávamos com a nossa família, talvez,
  • 37:26 - 37:31
    nem todos nós talvez éramos felizes na nossa
    família, mas podemos ver um momento em que -
  • 37:32 - 37:38
    Eu olho sempre para trás, para a minha infância,
    crescendo na minha casa,
  • 37:38 - 37:42
    e talvez fosse um dia de verão,
    e estávamos num rio, um tipo de lago.
  • 37:43 - 37:46
    Parecia que tudo
    era tão maravilhoso!
  • 37:46 - 37:50
    Estava bonito lá fora,
    podiam ir nadar,
  • 37:51 - 37:54
    bela natureza à volta da floresta.
  • 37:54 - 38:00
    E sei que houve momentos
    antes de aprender meditação,
  • 38:01 - 38:05
    e até mesmo quando aprendi meditação,
    em que desejava voltar a esse tempo
  • 38:06 - 38:10
    onde tudo parecia muito feliz
    e alegre, quando estava a sofrer.
  • 38:12 - 38:15
    Então, havia um apego ao tempo,
  • 38:15 - 38:19
    havia um apego
    à minha memória de um tempo passado,
  • 38:20 - 38:23
    e sem o antídoto,
  • 38:23 - 38:27
    sem a maneira de me libertar
    do apego ao tempo
  • 38:28 - 38:31
    como um dharma condicionado, eu sofro.
  • 38:31 - 38:36
    Mas com a concentração
    na impermanência, então eu me liberto.
  • 38:37 - 38:43
    Então, o tempo está ligado
    à prática da impermanência.
  • 38:45 - 38:48
    [impermanência]
  • 38:51 - 38:54
    Podemos dizer que
    a concentração na impermanência
  • 38:57 - 39:02
    é como tocamos o incondicionado no tempo.
  • 39:03 - 39:08
    Assim, libertamo-nos dos
    aspectos condicionados do tempo.
  • 39:10 - 39:14
    E veremos isso no segundo princípio,
  • 39:14 - 39:17
    porque já
    quando chegamos ao segundo princípio,
  • 39:17 - 39:21
    vemos que Thay diz, "Na dimensão histórica,
    todos os dharmas são condicionados,
  • 39:21 - 39:25
    mas na dimensão última,
    todos os dharmas são incondicionados."
  • 39:25 - 39:28
    Então, mesmo estando agora a dizer,
    que o espaço não é um dharma incondicionado,
  • 39:28 - 39:31
    mas no sentido do último,
  • 39:31 - 39:34
    todos os dharmas são incondicionados.
  • 39:34 - 39:39
    Q.: Fizeste um excelente trabalho
    a descrever o condicionado.
  • 39:41 - 39:45
    Os fenómenos condicionados são coisas
    que podem ser desfeitas.
  • 39:46 - 39:51
    Poderias falar um pouco mais sobre
    e definir o incondicionado,
  • 39:52 - 39:55
    e dar alguns exemplos?
  • 39:56 - 40:00
    Ok, mas deixa-me terminar
    com esta questão primeiro.
  • 40:00 - 40:08
    O irmão pediu para descrever
    com exemplos o incondicionado.
  • 40:10 - 40:13
    Ok, mas vou continuar com o -
  • 40:14 - 40:17
    Então, em termos de espaço,
  • 40:18 - 40:21
    [espaço]
  • 40:25 - 40:28
    falamos sobre o não-eu.
  • 40:29 - 40:33
    [não-eu]
  • 40:35 - 40:38
    Isso significa que não há nada essencial,
  • 40:44 - 40:48
    que todas as coisas estão vazias
    de um eu separado.
  • 40:48 - 40:52
    Assim, o ensinamento sobre o não-eu
    não é um ensinamento sobre negação.
  • 40:52 - 40:55
    Não significa que
  • 40:55 - 41:00
    o que percebemos não é real,
    não existe,
  • 41:02 - 41:06
    mas significa que
    não há nada permanente,
  • 41:07 - 41:12
    não há nada
    que possa estar por si só sozinho
  • 41:12 - 41:15
    em qualquer lugar no espaço,
  • 41:15 - 41:19
    seja em nós mesmos,
    ou em outra pessoa,
  • 41:19 - 41:24
    ou em algum ser superior,
    como Deus, ou algo assim.
  • 41:24 - 41:26
    Qualquer coisa que imaginemos.
  • 41:26 - 41:29
    Algum lugar onde as coisas de repente
    se tornam permanentes, como um céu,
  • 41:29 - 41:31
    onde é eterno.
  • 41:32 - 41:36
    Mas na verdade, em todo o espaço,
    há a qualidade
  • 41:36 - 41:40
    de ser vazio de um eu separado.
  • 41:41 - 41:47
    E isso não é com o propósito
    de apenas declarar,
  • 41:50 - 41:53
    de tomar uma posição filosófica,
  • 41:53 - 41:55
    ou declarar
  • 41:58 - 42:03
    uma natureza objetiva das coisas,
    mas é com o propósito da prática.
  • 42:04 - 42:07
    É com o propósito de sermos livres
    do apego.
  • 42:07 - 42:12
    Normalmente pensamos, se eu pudesse apenas ir a -
  • 42:14 - 42:17
    Não sei, à Disneyland!
  • 42:18 - 42:20
    Se eu pudesse apenas ir -
    Agora estamos na pandemia,
  • 42:21 - 42:24
    alguns de nós diríamos, "Se eu pudesse apenas
    sair para um restaurante,
  • 42:24 - 42:28
    e saborear o meu prato favorito indiano",
    ou, "Se eu pudesse apenas
  • 42:30 - 42:36
    ir ver a minha família", ou seja o que for.
  • 42:36 - 42:41
    Não estamos felizes onde estamos,
    e queremos ir para outro lugar.
  • 42:42 - 42:45
    E se pensarmos, "Se estivermos lá,
    seremos felizes",
  • 42:45 - 42:51
    isso é um apego a uma sensação de lugar,
    uma sensação de lugar no espaço.
  • 42:51 - 42:55
    "Aqui eu sofro. Se for para lá,
    serei feliz."
  • 43:01 - 43:05
    Há uma sensação de sofrimento
    que surge devido ao
  • 43:08 - 43:13
    nosso corpo. O nosso corpo ocupa um espaço.
  • 43:15 - 43:19
    E olhamos para o nosso corpo
    e pensamos, "Estou demasiado gordo,
  • 43:19 - 43:22
    sou demasiado baixo, sou demasiado magro".
  • 43:23 - 43:25
    E sofremos por causa de
  • 43:26 - 43:31
    a forma do nosso corpo
    que ele assume no espaço.
  • 43:31 - 43:34
    Então, quando olhamos
    com os olhos do não-eu,
  • 43:34 - 43:38
    vemos que tudo no corpo
    é apenas uma manifestação de condições,
  • 43:38 - 43:45
    Também é condicionado, e é também
    algo de que não precisamos de sofrer,
  • 43:45 - 43:51
    porque sabemos que é impermanente,
    e que não será sempre assim.
  • 43:52 - 43:55
    Agora o corpo está lá,
    e depois desaparecerá,
  • 43:55 - 44:00
    mas se não estivermos apeados,
    não precisamos de sofrer por isso.
  • 44:03 - 44:09
    Falamos sobre
    o que é um dharma incondicionado.
  • 44:12 - 44:17
    O que faço na minha prática é notar
  • 44:18 - 44:22
    que tudo o que posso perceber,
  • 44:23 - 44:28
    que gera uma perceção,
    já é condicionado.
  • 44:30 - 44:32
    Se tiver alguma qualidade,
  • 44:32 - 44:37
    alguma cor, algum som,
    algum cheiro, até mesmo algum conceito,
  • 44:41 - 44:44
    então já é condicionado.
  • 44:47 - 44:52
    Esta é uma parte muito subtil
    da prática da meditação,
  • 44:52 - 44:55
    porque há partes em nós,
    há sentimentos em nós,
  • 44:55 - 44:58
    e às vezes podemos
    rotular esse sentimento e dizer,
  • 44:58 - 45:01
    "Isso é nirvana,
    isso é o incondicionado."
  • 45:01 - 45:05
    E depois, na verdade, estás
    erroneamente a rotular
  • 45:05 - 45:09
    algo que é condicionado
    como algo incondicionado.
  • 45:09 - 45:11
    Um certo sentimento.
  • 45:12 - 45:16
    Assim, há muitas vezes
    em que o Buda não conseguia,
  • 45:17 - 45:21
    não conseguia colocar uma palavra
    para descrever o nirvana.
  • 45:21 - 45:23
    Ele não conseguia pôr uma cor.
  • 45:24 - 45:26
    Cada palavra que ele usava sentia-se insuficiente.
  • 45:27 - 45:30
    Até o nirvana é insuficiente
    para descrever o incondicionado.
  • 45:30 - 45:33
    Mesmo o incondicionado é insuficiente.
  • 45:33 - 45:37
    Porque para compreender o incondicionado,
  • 45:37 - 45:42
    só temos o condicionado como exemplo
    com o qual podemos entender o incondicionado
  • 45:42 - 45:46
    portanto, cada exemplo
    será, no final, inadequado,
  • 45:47 - 45:50
    porque não é algo
    que possa ser expresso em palavras,
  • 45:50 - 45:55
    não é algo que possa ser localizado
    no espaço, ou no tempo.
  • 45:59 - 46:01
    Está claro?
  • 46:03 - 46:08
    Qualquer exemplo, no final, falhará,
    porque o incondicionado -
  • 46:08 - 46:12
    porque qualquer exemplo
    será, no final, condicionado.
  • 46:12 - 46:16
    Mas um exemplo que o Thay
    gosta de usar apenas para ilustrar,
  • 46:17 - 46:19
    e, novamente, é apenas um modelo.
  • 46:19 - 46:27
    Como quando desenhei este tecido do
    continum espaço-tempo, é apenas um modelo.
  • 46:27 - 46:31
    Na verdade, a ciência procede
    usando imagens e modelos
  • 46:32 - 46:37
    de um átomo, do sistema solar,
    que podemos compreender,
  • 46:37 - 46:39
    mas isso é apenas um conceito.
  • 46:39 - 46:43
    É apenas um modelo
    para nos ajudar a compreender uma realidade mais profunda
  • 46:43 - 46:51
    que, no fim, não conseguimos modelar,
  • 46:51 - 46:54
    Porque está lá
    no tecido da realidade,
  • 46:54 - 46:59
    não é algo que se possa
    simplesmente modelar.
  • 47:00 - 47:04
    Mas o Thay usa o exemplo
    da onda e da água.
  • 47:05 - 47:08
    Vamos continuar a voltar a isso.
  • 47:10 - 47:14
    Podemos pensar numa onda
    que está a passar sobre o oceano,
  • 47:14 - 47:16
    como aqui na praia.
  • 47:18 - 47:22
    E cada onda sobe,
    e desce.
  • 47:22 - 47:27
    Portanto, é como os fenómenos
    que experienciamos.
  • 47:27 - 47:30
    Aquele irmão está sentado ali.
  • 47:30 - 47:32
    Ele é uma manifestação.
  • 47:32 - 47:36
    Ele é como uma onda
    na superfície da realidade.
  • 47:39 - 47:41
    E esse irmão também.
  • 47:41 - 47:45
    E as flores no altar também,
    a luz nesta sala também,
  • 47:45 - 47:48
    tudo o que podemos perceber
    é uma manifestação,
  • 47:48 - 47:51
    como as ondas na água.
  • 47:51 - 47:55
    Sofremos porque nós, como uma onda,
  • 47:55 - 47:59
    à medida que percebemos outras ondas,
    outras coisas, outros fenómenos,
  • 47:59 - 48:03
    e também olhamos para nós próprios,
    e vemos que somos compostos,
  • 48:03 - 48:10
    somos feitos de todos os tipos de fenómenos diferentes
    manifestando-se ao mesmo tempo.
  • 48:13 - 48:20
    que todos estes estão a mudar.
    estão sempre sujeitos ao nascimento e à morte.
  • 48:22 - 48:26
    Portanto, parece que
    não há lugar seguro em lado nenhum.
  • 48:26 - 48:31
    Porque se o corpo não está seguro, se eu me apegar
    ao meu corpo parecendo assim,
  • 48:32 - 48:36
    ou às minhas mãos parecendo assim,
    ou aos sentimentos sendo assim,
  • 48:36 - 48:38
    ou às percepções sendo como são,
  • 48:38 - 48:42
    então vou sofrer
    quando já não forem assim.
  • 48:42 - 48:45
    Tal como a onda quando desce,
  • 48:46 - 48:50
    talvez, quando está em cima, parece em baixo
    no vale entre as ondas,
  • 48:51 - 48:56
    e teme o que será
    se descer assim.
  • 48:57 - 49:01
    E quer ficar no topo
    da crista da onda para sempre.
  • 49:02 - 49:06
    Portanto, quando estamos felizes,
    quando a nossa vida vai muito bem,
  • 49:06 - 49:10
    então estamos assim,
    estamos no alto, tudo está ótimo.
  • 49:10 - 49:12
    E depois, aparece algum sofrimento.
  • 49:13 - 49:16
    Está na nossa natureza, na onda,
    descer também.
  • 49:18 - 49:20
    E depois olhamos para trás.
  • 49:21 - 49:26
    Se não soubermos esta perspetiva
    da impermanência,
  • 49:27 - 49:32
    que a nossa natureza é subir, e descer,
    nascer e morrer,
  • 49:33 - 49:35
    então sofremos.
  • 49:36 - 49:40
    Portanto, a maneira como o Thay propõe
  • 49:40 - 49:44
    para a onda praticar
    para estar livre desse sofrimento
  • 49:44 - 49:47
    é ver que a sua natureza é a água.
  • 49:50 - 49:54
    Esteja ela em cima, esteja ela em baixo,
    ainda é água,
  • 49:54 - 49:59
    é o fundamento
    da sua própria manifestação.
  • 50:00 - 50:07
    Talvez já comecemos a entrar
    no segundo princípio.
  • 50:19 - 50:22
    Ainda não está aqui no segundo.
  • 50:24 - 50:26
    Mas podemos falar sobre isso,
  • 50:31 - 50:34
    podemos falar nesse sentido de que
  • 50:35 - 50:40
    o incondicionado
    é o fundamento do condicionado.
  • 50:43 - 50:45
    Está claro?
  • 50:46 - 50:49
    Quer dizer, eu sei que o irmão já sabe.
  • 50:50 - 50:52
    Está a dar-me trabalho.
  • 50:52 - 50:54
    Não, estou a brincar.
  • 50:56 - 51:01
    Isto realmente ajudou-me a entender.
  • 51:04 - 51:09
    Porque acho que a metáfora da
    onda na água é muito, muito útil.
  • 51:09 - 51:15
    Não é para o propósito de
    simplesmente ter uma filosofia.
  • 51:15 - 51:20
    É uma imagem. Na verdade,
    o Thay não inventou essa imagem.
  • 51:20 - 51:23
    É uma muito antiga
    na tradição budista
  • 51:23 - 51:27
    de entender o incondicionado.
  • 51:27 - 51:31
    Porque estas são todas apenas imagens
    que estamos a tentar usar
  • 51:31 - 51:35
    para nos levar na direção
    da compreensão,
  • 51:35 - 51:38
    de tocar, ou perceber
    o incondicionado.
  • 51:39 - 51:43
    Quando, finalmente, não é algo
    que se possa agarrar.
  • 51:43 - 51:48
    No fim, desafia qualquer tipo de
    palavra ou designação.
  • 51:49 - 51:50
    Qualquer tipo de modelo.
  • 51:51 - 51:59
    Portanto, podem deixar a ideia da onda na
    água, porque, novamente, qualquer metáfora -
  • 51:59 - 52:03
    Podem dizer, "Mas acabaste de me dizer que
    a água é um dharma condicionado,
  • 52:03 - 52:06
    e agora estás a dizer
    que a água é incondicionada!"
  • 52:06 - 52:09
    Mas aí perdem o ponto,
    porque é uma metáfora,
  • 52:09 - 52:13
    e se tomarmos a metáfora
    para nos ajudar a ver o dharma,
  • 52:13 - 52:19
    não é para o propósito de
    descrever a realidade absoluta.
  • 52:21 - 52:28
    Isto é muito fundamental para
    qualquer maneira de estudar estes 40 princípios
  • 52:29 - 52:32
    ou entender o ensinamento do Thay,
  • 52:32 - 52:36
    que o propósito do ensinamento
    não é descrever a realidade.
  • 52:37 - 52:44
    Muito do que fazemos no que vocês poderiam chamar
  • 52:44 - 52:49
    a abordagem materialista científica
    para entender
  • 52:50 - 52:55
    é tentar criar
    uma descrição da realidade.
  • 52:55 - 53:02
    As palavras estão a descrever o mais de perto possível
    a situação real da realidade,
  • 53:04 - 53:08
    mas do ponto de vista
    da prática, sabemos que
  • 53:08 - 53:11
    isso nunca poderá ser realizado,
  • 53:11 - 53:15
    porque as palavras em si mesmas são apenas
    metáforas, são apenas modelos.
  • 53:16 - 53:20
    Não podemos, de maneira alguma, usar palavras
    para descrever a realidade,
  • 53:21 - 53:23
    isso não pode acontecer.
  • 53:24 - 53:30
    Muito do sofrimento
    vem nas descobertas científicas
  • 53:30 - 53:34
    quando usamos palavras para descrever algo,
  • 53:34 - 53:37
    mas, na verdade, descobrimos
    que elas são inadequadas.
  • 53:37 - 53:41
    Portanto, isso contribui para a ignorância.
  • 53:41 - 53:45
    Como cientistas e também como praticantes
    temos de ser capazes de
  • 53:46 - 53:52
    ser livres, para não ficarmos presos nessas armadilhas
    que são criadas pelas palavras.
  • 53:54 - 53:58
    Como quando estamos a sentar-nos pela manhã,
    seguindo a nossa respiração,
  • 53:58 - 54:01
    não deixando a nossa mente repousar em lugar nenhum,
  • 54:01 - 54:05
    isso já é uma realização profunda.
  • 54:05 - 54:09
    E não precisamos de praticar por
    muitas vidas para tocar isso,
  • 54:10 - 54:14
    podemos acalmar a nossa mente, e podemos
    tocar isso a qualquer momento.
  • 54:15 - 54:19
    Essa é o convite do Thay para nós,
    que o nirvana está no aqui e agora.
  • 54:19 - 54:25
    Não o coloquem em outro lugar,
    no espaço ou no tempo.
  • 54:27 - 54:32
    Na tradição budista, fomos
    apanhados nessa armadilha durante muitos séculos,
  • 54:33 - 54:39
    dizendo que, "Oh! No tempo do
    Buda, havia muitos "Despertos",
  • 54:39 - 54:42
    havia muitos arhats, seres perfeitos,
  • 54:42 - 54:47
    mas agora estamos no tempo do
    Dharma da semelhança ou o que for,
  • 54:47 - 54:51
    a era final do Dharma,
    já não podemos tocar o nirvana.
  • 54:51 - 54:56
    Isso foi algo que aconteceu
    há muito tempo, no passado, no tempo,
  • 54:56 - 55:01
    e se queremos tocar o nirvana, na verdade
    temos de praticar por muitas vidas,
  • 55:01 - 55:03
    e morrer, e renascer, e morrer,
  • 55:04 - 55:06
    e aperfeiçoar a nossa prática,
  • 55:06 - 55:10
    e finalmente, algum dia, muito no futuro, tocaremos o nirvana."
  • 55:11 - 55:16
    O Thay está a dizer, isso é uma compreensão muito errada
    do ensinamento budista.
  • 55:17 - 55:21
    Isso é como, "Eu vou apenas
    desfrutar da minha vida como monge,
  • 55:21 - 55:26
    eu só tenho um bom quarto,
    boa cama, boa comida,
  • 55:27 - 55:30
    e vou simplesmente praticar quietamente
    para tocar o nirvana
  • 55:31 - 55:35
    talvez em 20 vidas ou 100 vidas."
  • 55:35 - 55:38
    E então, os monges e as monjas,
    ficamos muito preguiçosos.
  • 55:39 - 55:43
    Bem, acho que os monges ficam preguiçosos,
    as monjas praticam muito diligentemente.
  • 55:44 - 55:47
    Mas os monges ficam muito -
  • 55:47 - 55:50
    Esse tipo de pensamento
  • 55:52 - 55:57
    pode tornar-nos muito relaxados, muito preguiçosos.
  • 55:59 - 56:03
    Não é que a prática
    deva ser muito difícil,
  • 56:04 - 56:09
    Mas sim que devemos ter
    a bodhicitta, a mente do despertar,
  • 56:10 - 56:14
    para ver que é possível não sofrer,
  • 56:16 - 56:18
    é possível estar livre do sofrimento.
  • 56:18 - 56:23
    Não temos de continuar a seguir
    o nosso pensamento condicionado.
  • 56:23 - 56:28
    Temos de ver que a consciência também está
  • 56:31 - 56:35
    a contribuir para o espaço e o tempo,
  • 56:36 - 56:43
    que não há compreensão do tempo
    que seja possível sem a consciência.
  • 56:46 - 56:48
    E isso é algo que
  • 56:49 - 56:51
    acho que só agora
  • 56:51 - 56:55
    alguns cientistas
    estão a começar a entender.
  • 56:56 - 56:59
    Quando mergulhamos profundamente na neurociência
  • 56:59 - 57:02
    e na ciência da mente,
    vemos que, na verdade,
  • 57:03 - 57:06
    tal como na física quântica,
  • 57:06 - 57:11
    queremos localizar a partícula subatómica
  • 57:11 - 57:15
    ao mesmo tempo
    que sabemos a sua velocidade.
  • 57:15 - 57:19
    Mas, na verdade, ao saber a sua localização,
  • 57:20 - 57:22
    ao observar a sua localização,
  • 57:22 - 57:26
    sendo nós a consciência
  • 57:29 - 57:32
    que percebe essa partícula subatómica,
  • 57:32 - 57:36
    já não podemos saber
    qual é a sua velocidade.
  • 57:38 - 57:41
    E isso funciona.
  • 57:43 - 57:46
    Essa é parte da razão
    porque temos computadores,
  • 57:47 - 57:50
    temos todo o tipo de tecnologia
  • 57:50 - 57:53
    que depende dessa compreensão da mecânica quântica.
  • 57:54 - 57:58
    E não parece de todo combinar
    com a compreensão clássica da ciência,
  • 57:59 - 58:01
    como a compreensão newtoniana,
  • 58:01 - 58:05
    onde os objetos físicos ocupam um espaço,
    e têm uma velocidade,
  • 58:05 - 58:08
    e essas coisas podem ser ambas conhecidas.
  • 58:09 - 58:13
    A perspetiva é que, na verdade,
    o observador é -
  • 58:14 - 58:18
    O aspecto da observação
    muda o observado.
  • 58:20 - 58:25
    E da mesma maneira, o espaço e o tempo,
  • 58:27 - 58:31
    a nível quântico,
    dependem da consciência.
  • 58:32 - 58:37
    A consciência do observador
    afeta o que é observado.
  • 58:38 - 58:43
    Essa é uma perspetiva já há muitos
    séculos na tradição budista,
  • 58:43 - 58:47
    que, no fim, o sujeito
    depende do objeto.
  • 58:47 - 58:51
    Eles são condicionados.
  • 58:51 - 58:57
    Não se pode ter um sujeito sozinho
    sem o objeto.
  • 58:57 - 59:00
    Eles co-surjem mutuamente.
  • 59:00 - 59:05
    E quando o sujeito simplesmente desaparece,
    deixa de se manifestar,
  • 59:05 - 59:09
    então o objeto também já não está lá.
  • 59:09 - 59:12
    Só podemos falar sobre tempo e espaço
  • 59:13 - 59:20
    com uma sensação de consciência do espaço
    e consciência do tempo.
  • 59:21 - 59:23
    Portanto, dessa maneira, eles são condicionados.
  • 59:23 - 59:28
    O Thay diz que se manifesta junto com
    tempo, matéria e consciência.
  • 59:33 - 59:36
    A matéria não está separada do espaço.
  • 59:39 - 59:43
    A compreensão antiga que o Thay está a atualizar
    na tradição budista
  • 59:44 - 59:49
    é que a matéria é condicionada,
    mas o espaço é incondicionado.
  • 59:49 - 59:52
    E o Thay diz, não,
    o espaço também é condicionado,
  • 59:52 - 59:56
    ele se manifesta junto com a matéria,
    tempo e consciência.
  • 59:56 - 60:01
    Não podemos separá-los.
    Eles inter-são.
  • 60:02 - 60:06
    Esse é o ensinamento do Sutra Avatamsaka,
    do "um está em todos
  • 60:07 - 60:09
    e todos estão no um".
  • 60:09 - 60:14
    Portanto, ao olhar e compreender
    a natureza da mecânica quântica,
  • 60:15 - 60:18
    a natureza das partículas subatómicas,
    então entendemos
  • 60:19 - 60:25
    como é que o sol continua
    a gerar calor e luz.
  • 60:27 - 60:31
    Antes disso, não sabíamos, pensávamos,
    "Bem, é só que está a queimar algum combustível."
  • 60:31 - 60:34
    No século XIX,
  • 60:34 - 60:39
    um cientista previu que o sol só esteve
    por aí, não me lembro,
  • 60:39 - 60:41
    algo como
  • 60:42 - 60:47
    milhões de anos ou algo assim, ou ainda menos,
    como dezenas de milhares de anos.
  • 60:47 - 60:52
    E provavelmente vai ficar sem combustível
    em, não sei,
  • 60:53 - 60:56
    dez centenas de milhares
    de anos no futuro.
  • 60:57 - 61:01
    Isso aconteceu porque não entendiam
    a nível subatómico.
  • 61:01 - 61:06
    Levou realmente olhar para as partículas mais
    pequenas, como os eletrões,
  • 61:06 - 61:09
    e atirá-los através de fendas,
  • 61:09 - 61:11
    e compreender como funcionam,
  • 61:11 - 61:16
    antes de podermos entender como é que
    o sol está a gerar toda essa energia.
  • 61:16 - 61:21
    E essa é uma manifestação muito concreta
    do insight de
  • 61:21 - 61:24
    "o um está em todos e todos estão no um."
  • 61:24 - 61:28
    Ao olhar para as coisas mais pequenas,
    vemos na verdade
  • 61:29 - 61:34
    as coisas maiores, como uma estrela,
    ou a natureza do Big Bang.
  • 61:36 - 61:41
    Agora podemos olhar e estudar
    o desvio para o vermelho na luz
  • 61:41 - 61:44
    que está a viajar pelo universo,
  • 61:44 - 61:48
    E saber que o universo está a mover-se
    para fora, e com isso podemos determinar
  • 61:48 - 61:52
    que em algum momento foi
    tudo numa única singularidade.
  • 61:52 - 61:55
    E não sabemos
    o que aconteceu antes disso.
  • 61:55 - 61:59
    Agora muitos mais cientistas estão a dizer
    que, na verdade, isso não é -
  • 61:59 - 62:01
    Não podemos chamar isso de um começo.
  • 62:02 - 62:05
    Estão a chegar mais perto
    do insight do Budismo,
  • 62:05 - 62:09
    que é que tudo isto está a acontecer
    desde o tempo sem começo.
  • 62:10 - 62:14
    E mesmo o Big Bang, a singularidade,
    não podemos chamar isso de um começo,
  • 62:16 - 62:19
    mas não podemos ver,
    não somos capazes de ver além disso,
  • 62:19 - 62:22
    por isso dizemos, "Bem,
    isso deve ser o começo."
  • 62:22 - 62:27
    Mas isso é apenas a falta da nossa
    compreensão, a falta da nossa percepção.
  • 62:27 - 62:33
    Esse é o limite, porque estamos limitados
    na nossa capacidade de perceber.
  • 62:35 - 62:38
    Então espero que isso ajude.
  • 62:38 - 62:42
    Acho que poderia haver mais nisso,
  • 62:42 - 62:47
    mas é assim que eu pratico
    com este princípio.
  • 62:47 - 62:52
    E como eu entendo o que o Thay
    está a transmitir através dele.
  • 62:57 - 63:00
    São 8:40. Não sei
    se há mais alguma dúvida
  • 63:02 - 63:03
    sobre qualquer coisa.
  • 63:04 - 63:12
    Ou se cobri as perguntas
    que foram feitas suficientemente.
  • 63:25 - 63:27
    O Kenley disse-me há alguns anos,
  • 63:27 - 63:32
    "Quando der palestras, tens de
    deixar tempo para perguntas no final."
  • 63:33 - 63:36
    Então eu disse, "Ok, vou treinar-me."
  • 63:39 - 63:45
    Ou podemos refletir sobre isso, e na próxima semana,
    se houver algo que não esteja claro,
  • 63:46 - 63:49
    ou algo que -
    Talvez tenhas uma nova perspetiva também
  • 63:49 - 63:52
    de alguma parte disto, então por favor,
  • 63:52 - 63:56
    traz para a próxima aula
    e podemos analisar.
  • 63:57 - 64:00
    Portanto, talvez eu pare por aqui
    só com o primeiro princípio.
  • 64:01 - 64:07
    E por favor, se puderem trazer
    este folheto para a aula na próxima semana,
  • 64:08 - 64:11
    para que eu não tenha de
    ficar a imprimir cópias.
  • 64:11 - 64:15
    E se houver outras irmãs
    interessadas, por favor, avisem-nas.
  • 64:15 - 64:18
    Foi anunciado na Clarity? Não.
  • 64:19 - 64:22
    Mais ou menos. Ok.
  • 64:25 - 64:28
    E as irmãs têm uma cópia de -
  • 64:28 - 64:33
    Sim, têm. Ok.
    Portanto, é bom ler isto.
  • 64:34 - 64:37
    Desculpem por
    não termos ainda a versão em inglês.
  • 64:41 - 64:42
    Estou a tentar ser -
  • 64:43 - 64:46
    Porque sei que
    estamos a trabalhar no livro,
  • 64:46 - 64:50
    a irmã Lang Nghiem está a trabalhar no livro.
  • 64:54 - 65:00
    Vou ver se conseguimos ter algo também
    para os falantes de inglês poderem consultar.
  • 65:03 - 65:06
    Muito obrigada por terem vindo.
  • 65:26 - 65:27
    (Sino)
  • 65:31 - 65:37
    (Sino)
  • 65:55 - 66:02
    (Sino)
  • 66:18 - 66:24
    (Sino)
Title:
The 40 Tenets of Plum Village with Brother Phap Luu | Class #1
Description:

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Video Language:
English
Duration:
01:06:40

Portuguese subtitles

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