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A Terra,
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o céu,
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o espaço,
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as estrelas...
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Será que sou apenas esta narrativa que construí,
com um nome e uma identidade...
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e, sabes, um certificado de nascimento,
qualificações e uma história de vida pessoal?
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Ou sou mais do que isso?
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Como é essa capacidade de abraçar?
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Por vezes, temos essa capacidade naturalmente.
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E isso é maravilhoso.
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Mas o que fazemos quando não a temos?
Quando, naquele dia e naquele momento, sentimos que
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"Isto é demasiado. Não consigo lidar com isto.
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"Este sofrimento é demasiado para mim.
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"Dói demasiado. Não consigo suportá-lo.
Só quero escondê-lo."
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Então precisamos de ajuda.
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Precisamos de saber como...
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encontrar...
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essa... capacidade...
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essa capacidade de abraçar a dificuldade.
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E...
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uma forma que te convido realmente a experimentar
é expandir o teu enquadramento.
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Porque é verdade que, quando surge um sentimento desconfortável,
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se for apenas eu a ter de segurá-lo,
a ter de lidar com ele,
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pode mesmo ser demasiado.
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Posso, de facto, não ser capaz de lidar com ele.
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Mas e se eu não for apenas isto?
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E se, em vez disso, eu for... isto:
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A Terra,
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o céu,
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o espaço,
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as estrelas.
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Então, tenho alguma capacidade.
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E isto não é apenas um...
um ato de pensamento ilusório ou imaginação.
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É a verdade.
É o que somos.
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Mas precisamos de treinar-nos
para que isso se torne um reflexo,
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da mesma forma que temos o reflexo
de nos contrairmos quando sofremos.
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É muito, muito normal.
Quando sentimos dificuldades e dor, contraímo-nos.
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Fazemos-nos mais pequenos à volta da dor
e sentimos que a dor é tudo o que somos.
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Ela ocupa todo o nosso ser.
E é, claro, avassalador.
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Por isso, precisamos de estabelecer algum espaço à sua volta.
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A primeira coisa que podemos fazer é, na verdade,
estabelecer esse espaço dentro do nosso próprio corpo.
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Descobrir que, talvez, esta dor e este desconforto
que sentimos
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não ocupam todo o nosso ser.
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Um pouco do espírito de investigação, de curiosidade,
para começar a notar:
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"Ah, ok, e as pontas dos meus dedos?
E as minhas mãos?
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"Sentem esta sensação esmagadora,
este desespero ruidoso?
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"Na verdade, não. Até se sentem bem."
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Isto é real.
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Há uma diferença entre
o que sentimos aqui
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e o que sentimos nas mãos,
nos pés, no rosto.
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Então, expandimos esta esfera de consciência,
de atenção plena.
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Para começarmos a incluir mais no campo
da nossa percepção. E podemos ir mais além.
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Sabemos, intelectualmente sabemos, não é?
Que somos vastos no tempo e no espaço.
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Certo? Intelectualmente sabes que és
a continuação dos teus antepassados.
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Todos os teus antepassados, de certa forma,
estão presentes em ti, agora, em cada célula do teu corpo.
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Mas há uma grande diferença entre
essa compreensão intelectual
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e a experiência vivida disso
como um refúgio, como uma fonte de força.
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Por isso, é algo que precisamos de cultivar.
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Não podes simplesmente ativar isso de repente
e pronto, está feito.
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Sabes, claro, podes ter uma espécie de
experiência transformadora ao tocar a terra,
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e, de repente, vês.
Sentes no teu corpo inteiro, e é incrível.
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Mas depois precisas de cultivar isso.
Precisas de fazer disso um hábito,
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invocar a força, a estabilidade,
a segurança de toda a nossa linhagem.
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E não apenas a linhagem de sangue,
mas a nossa linhagem espiritual.
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Os nossos amigos.
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E toda a história da evolução.
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A verdade é que somos sobreviventes.
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Não somos fracos. Somos fortes.
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Cada um de nós é o produto
de uma cadeia ininterrupta de sobreviventes.
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Cada um dos nossos antepassados viveu
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até ao momento da reprodução, pelo menos.
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Caso contrário, não estaríamos aqui.
Portanto, sobreviveram a tudo o que a história lhes atirou.
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E isso é incrível. Porque tantos não sobreviveram.
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Toda essa força está dentro de nós.
E não apenas os nossos antepassados humanos, mas indo ainda mais atrás.
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Desde o princípio.
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Isso na dimensão do tempo,
mas também na dimensão do espaço, agora, neste momento.
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Sabemos, intelectualmente,
que não podemos viver sozinhos...
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Parte da nossa vida é a floresta,
são os nossos pulmões.
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Parte da nossa vida é o sol.
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Se o sol desaparecesse num instante,
quanto tempo sobreviveria a vida neste planeta?
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Ficarias com muito frio, muito rapidamente.
E na escuridão total.
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Bem, poderíamos queimar todas as reservas de petróleo
e talvez sobreviver um pouco mais,
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amontoando-nos à volta do que pudéssemos queimar,
mas não duraria muito.
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O sol faz parte do nosso corpo.
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Os oceanos, as florestas, o ar, os insetos,
os fungos, todas as bactérias.
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Nós intersomos, estamos numa
relação constante de troca.
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E se conseguirmos passar isso
de algo que apenas compreendemos intelectualmente
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para uma consciência vivida, algo que
realmente sentimos e experimentamos,
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então a nossa capacidade de segurar e
abraçar a dor muda.
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Faz uma verdadeira diferença.
E convido-te a experimentar isso,
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a tentar realmente da próxima vez
que tiveres de enfrentar uma emoção difícil.
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E espero que não seja tão cedo, mas nunca se sabe.
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Na próxima vez que acontecer,
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tenta lembrar-te:
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"Quem é que está a segurar este sentimento?
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"Sou apenas eu?
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"Sou apenas esta narrativa que construí
com um nome, uma identidade, um certificado de nascimento,
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qualificações e uma história de vida pessoal?
Ou sou mais do que isso?"
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Sente a Terra debaixo dos teus pés.
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A Terra é pequena?
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Não.
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É vasta. E faz parte de ti.
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Tu és a Terra. A Terra é tu.
Não está fora de ti.
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E isso muda drasticamente
a tua capacidade de segurar o desconforto, a dor.
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É algo para experimentar.
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Senta-te ali. Parece insuportável.
Mas depois lembras-te:
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"Ah, não sou apenas isto.
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"E se eu permitir que as árvores, o céu, a luz do sol,
a relva, a terra debaixo de mim, o ar...
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façam parte deste abraço?"
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E, na verdade, fazem. Não é imaginação.
Isto é realmente o que está a acontecer.
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Mas precisamos de deixar que isso entre.