Robert Wright: A evolução da compaixão
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0:01 - 0:05Vou falar sobre compaixão e a regra de ouro
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0:05 - 0:11de uma perspectiva secular e mesmo de uma espécie de perspectiva científica.
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0:11 - 0:14Pretendo oferecer a vocês um pouco de história natural
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0:14 - 0:16da compaixão e da regra de ouro.
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0:16 - 0:21Por isso, às vezes vou usar uma espécie de linguagem clínica,
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0:21 - 0:23e então isto talvez não pareça tão palatável
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0:23 - 0:25como a média dos discursos sobre compaixão.
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0:25 - 0:28Quero falar a vocês sobre isso.
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0:28 - 0:32Assim, quero deixar claro, desde o início, eu acho que a compaixão é formidável.
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0:32 - 0:35A regra de ouro é formidável. Sou um grande adepto das duas.
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0:35 - 0:37E acho formidável que as religiões do mundo,
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0:37 - 0:40os líderes das religiões do mundo
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0:40 - 0:45estejam afirmando a compaixão e a regra de ouro como princípios fundamentais
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0:45 - 0:48que são integrais a suas crenças.
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0:48 - 0:51Ao mesmo tempo, acho que as religiões não merecem todo o crédito.
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0:51 - 0:55Acho que a natureza deu a elas uma mão aqui.
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0:55 - 1:00Esta noite vou apresentar argumentos demonstrando que a compaixão e a regra de ouro
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1:00 - 1:03são, de certo modo, integrantes da natureza humana.
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1:03 - 1:05Está bem. Mas vou também argumentar
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1:05 - 1:09que, depois de você entender o sentido em que elas estão integradas na natureza humana,
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1:09 - 1:13então você se dá conta de que simplesmente afirmar a compaixão,
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1:13 - 1:16e afirmar a regra de ouro, não é suficiente.
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1:16 - 1:19Existe muito trabalho para ser feito depois disso. Muito bem.
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1:19 - 1:24Então, uma rápida história natural, primeiro, compaixão.
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1:24 - 1:27No começo, havia a compaixão,
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1:27 - 1:30e, quero dizer, não só quando os seres humanos apareceram pela primeira vez,
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1:30 - 1:32mas na verdade mesmo antes disso.
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1:32 - 1:36Penso que provavelmente é o caso que, na linhagem evolutiva humana,
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1:36 - 1:39mesmo antes de existir o Homo sapiens,
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1:39 - 1:41sentimentos como compaixão e amor e simpatia
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1:41 - 1:45tinham encontrado seu caminho, por assim dizer, no pool de genes,
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1:45 - 1:48e os biólogos têm uma idéia bem clara de como isto primeiramente aconteceu.
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1:48 - 1:52Aconteceu através de um princípio chamado seleção de parentesco.
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1:52 - 1:58E a idéia básica da seleção de parentesco é,
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1:58 - 2:01se um animal sente compaixão por um parente próximo,
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2:01 - 2:05e esta compaixão induz o animal a ajudar o parente,
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2:05 - 2:10então, no final, a compaixão realmente acaba ajudando os genes
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2:10 - 2:13que sustentam a própria compaixão.
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2:13 - 2:17Assim, do ponto de vista de um biólogo, a compaixão é na verdade
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2:17 - 2:21uma maneira do gene ajudar a si mesmo. Pois bem.
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2:21 - 2:25Eu avisei vocês que isto não ia ser muito palatável. Pois bem.
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2:25 - 2:28Vou chegar lá. Espero tornar um pouco mais palatável.
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2:28 - 2:30Para mim, isto não é -- isto não me incomoda tanto assim,
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2:30 - 2:34que a lógica Darwiniana que fundamenta a compaixão
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2:34 - 2:36é uma espécie de interesse próprio ao nível genético.
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2:36 - 2:39Na verdade, acho que a má notícia em relação à seleção de parentesco
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2:39 - 2:43é simplesmente que ela significa que essa espécie de compaixão
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2:43 - 2:46é naturalmente colocada em ação apenas dentro da família.
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2:46 - 2:49Essa á a má notícia. A boa notícia é que a compaixão é natural.
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2:49 - 2:52A má notícia é que essa espécie de compaixão seletiva pelos parentes
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2:52 - 2:54é naturalmente confinada à família.
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2:54 - 2:58E daí, existem mais boas notícias que foram chegando mais tarde na evolução,
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2:58 - 3:01um segundo tipo de lógica evolutiva.
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3:01 - 3:04Os biólogos chamam isso de altruísmo recíproco.
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3:04 - 3:07E a idéia básica disso é que
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3:07 - 3:15a compaixão leva você a fazer coisas boas para pessoas que vão retornar o favor.
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3:15 - 3:20Novamente, vocês sabem, eu sei, isto não é uma noção tão inspiradora da compaixão
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3:20 - 3:22como as que vocês podem ter ouvido no passado,
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3:22 - 3:27mas do ponto de vista de um biólogo, este tipo de compaixão por altruísmo recíproco,
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3:27 - 3:30é no fim das contas também interesse próprio.
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3:30 - 3:32Não é que as pessoas pensem nisso quando sentem compaixão.
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3:32 - 3:37Não é conscientemente em interesse próprio, mas, para um biólogo, essa é a lógica.
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3:37 - 3:43E desse modo, você acaba facilmente estendendo a compaixão aos amigos e aliados.
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3:43 - 3:49Estou certo de que muitos de vocês, se um amigo próximo é atingido por uma coisa realmente terrível,
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3:49 - 3:51vocês se sentem realmente muito mal.
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3:51 - 3:52Mas se vocês lêem no jornal
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3:52 - 3:55que uma coisa realmente terrível aconteceu a alguém de quem vocês nunca ouviram falar,
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3:55 - 3:57sabem como é, vocês provavelmente podem conviver com isso. Pois bem.
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3:57 - 3:59Essa é simplesmente a natureza humana.
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3:59 - 4:01E então, é outra história de boas notícias e más notícias.
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4:01 - 4:03é bom que a compaixão foi estendida além da família
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4:03 - 4:05por esse tipo de lógica evolutiva.
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4:05 - 4:10A má notícia é que isso não nos traz a compaixão universal em si mesma.
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4:10 - 4:12Então, ainda existe um trabalho a ser feito.
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4:12 - 4:17E daí, existe um outro resultado dessa dinâmica chamada altruísmo recíproco,
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4:17 - 4:19que eu acho que é uma espécie de boa notícia,
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4:19 - 4:23é que o modo como isso funciona na espécie humana,
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4:23 - 4:27acabou dando às pessoas um tipo de apreço intuitivo pela regra de ouro. Certo.
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4:27 - 4:31Não quero dizer literalmente que a própria regra de ouro está escrita em nossos genes,
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4:31 - 4:35mas você pode encontrar sociedades de caçadores-coletores
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4:35 - 4:38que não tiveram exposição a nenhuma das grandes tradições religiosas,
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4:38 - 4:40nenhuma exposição à filosofia ética,
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4:40 - 4:42e você vai descobrir, se passar algum tempo com essas pessoas,
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4:42 - 4:45que, basicamente, eles acreditam que uma boa ação merece outra,
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4:45 - 4:47e que más ações deve ser punidas.
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4:47 - 4:53E os psicólogos evolutivos pensam que essas intuições têm seu fundamento nos genes.
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4:53 - 4:57Então, eles entendem mesmo que, se você quer ser bem tratado,
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4:57 - 4:59você trata bem as outras pessoas.
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4:59 - 5:01E é bom tratar bem as outras pessoas.
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5:01 - 5:05Isso é quase o mesmo que ser uma espécie de intuição incorporada.
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5:05 - 5:08Então, isso é uma boa notícia. E agora, se você tem prestado atenção,
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5:08 - 5:11você provavelmente está antecipando que existe uma má notícia aqui,
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5:11 - 5:13pois ainda não chegamos ao amor universal,
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5:13 - 5:18e isso é verdade porque, mesmo que um apreço pela regra de ouro seja natural,
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5:18 - 5:23também é natural dar um jeito de abrir exceções à regra de ouro.
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5:23 - 5:27Quero dizer, por exemplo, nenhum de nós, provavelmente, quer ir para a cadeia,
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5:27 - 5:30mas todos nós pensamos que existem algumas pessoas que devem ir par a cadeia. Certo?
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5:30 - 5:34Então, nós achamos que devemos tratar essas pessoas de modo diferente de como nós queremos ser tratados.
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5:34 - 5:36Bem, temos uma explicação racional para isso.
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5:36 - 5:41Nós dizemos que eles fizeram essas coisas ruins que justificam que eles devam ir para a cadeia.
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5:41 - 5:45Nenhum de nós estende a regra de ouro de modo completamente difuso e universal.
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5:45 - 5:48Todos nós temos a capacidade de abrir exceções,
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5:48 - 5:50colocar pessoas em uma categoria especial.
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5:50 - 5:54E o problema é que, mesmo que no caso de mandar as pessoas para a prisão,
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5:54 - 5:57tenhamos este poder judiciário imparcial,
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5:57 - 6:01determinando, vocês sabem, quem deve ser excluído da regra de ouro,
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6:01 - 6:05que na vida do dia a dia, a maneira como todos nós tomamos essas decisões
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6:05 - 6:08sobre quem não vamos incluir na regra de ouro,
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6:08 - 6:11usamos uma fórmula muito mais grosseira e imediata,
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6:11 - 6:15que é basicamente assim, se você é meu inimigo, se você é meu rival,
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6:15 - 6:17se você não é meu amigo, se você não é da minha família,
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6:17 - 6:22eu estou muito menos inclinado a aplicar a regra de ouro para você.
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6:22 - 6:24Todos nós fazemos coisas assim,
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6:24 - 6:27e vocês vêm isso por todo o mundo.
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6:27 - 6:30Vocês sabem, encontram isso no Oriente Médio.
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6:30 - 6:33Pessoas que, de Gaza, disparam mísseis contra Israel.
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6:33 - 6:35Eles não querem que lancem mísseis contra eles, mas eles dizem,
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6:35 - 6:37"Bem, mas os israelenses, ou alguns deles, fizeram coisas
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6:37 - 6:39que os colocam numa categoria especial."
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6:39 - 6:42Os israelenses não gostariam de ter um bloqueio econômico imposto a eles,
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6:42 - 6:44mas eles impõem um bloqueio a Gaza, e dizem,
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6:44 - 6:47"Bem, os palestinos, ou alguns deles, provocaram isso para si mesmos."
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6:47 - 6:55Então, são essas exclusões da regra de ouro que constituem uma boa parte dos problemas do mundo.
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6:55 - 6:58E é natural fazer assim.
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6:58 - 7:01Desse modo, o fato de que a regra de ouro está, num certo sentido, implícita em nós
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7:01 - 7:07não vai, por si mesmo, nos trazer o amor universal.
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7:07 - 7:09Não vai salvar o mundo.
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7:09 - 7:14E então, ainda tenho uma boa notícia que pode salvar o mundo.
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7:14 - 7:17Vocês estão na beirada dos seus assentos agora?
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7:17 - 7:19Bom, porque antes de contar-lhes as boas notícias,
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7:19 - 7:24vou precisar fazer uma pequena excursão através de um território acadêmico.
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7:24 - 7:27Por isso, espero reter a atenção de vocês com esta promessa de boas notícias
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7:27 - 7:30que podem salvar o mundo.
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7:30 - 7:33É essa coisa de soma não-zero sobre a qual vocês acabaram de ouvir alguma coisa.
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7:33 - 7:36É apenas uma breve introdução à teoria dos jogos.
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7:36 - 7:38Não vai doer.
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7:38 - 7:40É sobre jogos de soma zero e de soma não-zero.
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7:40 - 7:44Se vocês perguntarem qual o tipo de situação
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7:44 - 7:47que conduz as pessoas a se tornarem amigos e aliados,
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7:47 - 7:50a resposta técnica é uma situação de soma não-zero.
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7:50 - 7:52E se vocês perguntarem qual é o tipo de situação
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7:52 - 7:54que leva as pessoas a definirem pessoas como inimigas,
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7:54 - 7:56é uma espécie de situação de soma zero.
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7:56 - 7:58E então, o que esses termos significam?
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7:58 - 8:01Basicamente, um jogo de soma zero é do tipo a que vocês estão acostumados nos esportes,
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8:01 - 8:03nos quais há um vencedor e um perdedor.
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8:03 - 8:06De modo que suas fortunas somam zero.
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8:06 - 8:11Assim, no tênis, cada ponto ou é bom para você e ruim para a outra pessoa,
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8:11 - 8:13ou boa para eles e ruim para você.
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8:13 - 8:16De qualquer modo, as fortunas dos dois somam zero. Esse é um jogo de soma zero.
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8:16 - 8:18Agora, se vocês estão jogando duplas,
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8:18 - 8:20então a pessoa no seu lado da rede
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8:20 - 8:23está numa relação de soma não-zero com você,
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8:23 - 8:26porque cada ponto ou é bom para os dois juntos, positivo, ganha-ganha,
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8:26 - 8:28ou ruim para ambos, é perde-perde.
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8:28 - 8:30Esse é um jogo de soma não-zero.
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8:30 - 8:33E na vida real, existem muitos jogos de soma não-zero.
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8:33 - 8:36No domínio da economia, digamos, se vocês compram alguma coisa,
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8:36 - 8:39isso significa que é melhor para vocês terem a mercadoria do que o dinheiro,
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8:39 - 8:42mas o comerciante prefere ter o dinheiro à mercadoria.
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8:42 - 8:44Ambos sentem que ganharam.
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8:44 - 8:47Numa guerra, dois aliados estão jogando um jogo de soma não-zero.
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8:47 - 8:50Vai ser ou ganha-ganha ou perde-perde para os dois.
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8:50 - 8:57Assim, existem muitos jogos de soma não-zero na vida real.
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8:57 - 9:01E vocês podem basicamente reformular o que eu disse anteriormente,
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9:01 - 9:04sobre como a compaixão é aplicada e a regra de ouro é aplicada,
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9:04 - 9:10simplesmente dizendo, bem, a compaixão flui naturalmente pelos canais de soma não-zero
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9:10 - 9:13onde as pessoas percebem-se como estando numa situação potencialmente ganha-ganha
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9:13 - 9:16com alguns de seus amigos ou aliados.
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9:16 - 9:18A aplicação da regra de ouro
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9:18 - 9:21normalmente acontece de maneira natural por esses canais de soma não-zero.
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9:21 - 9:23Desse modo, tipos de redes de soma não-zero,
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9:23 - 9:27são onde você iria esperar que a compaixão e a regra de ouro
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9:27 - 9:29fizessem sua magia funcionar.
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9:29 - 9:31Com canais de soma zero, você iria esperar outra coisa.
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9:31 - 9:35Tudo bem. Assim, agora vocês estão prontos para a boa notícia que, como eu disse, poderia salvar o mundo.
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9:35 - 9:38E agora eu também posso admitir que ela poderá também não fazê-lo,
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9:38 - 9:44agora que tive a atenção de vocês por três minutos de assuntos técnicos.
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9:44 - 9:49Mas ela pode. E a boa notícia é que a história
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9:49 - 9:53naturalmente expandiu essas redes de soma não zero, certo,
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9:53 - 9:57essas redes que podem ser os canais da compaixão.
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9:57 - 10:00Vocês podem voltar até a idade da pedra,
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10:00 - 10:08e, eu acho, a partir da evolução tecnológica, estradas, a roda, a escrita,
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10:08 - 10:11um grande número de tecnologias de transporte e comunicação
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10:11 - 10:14inexoravelmente mudaram as coisas de modo que mais pessoas
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10:14 - 10:17podem estar em mais relacionamentos de soma não-zero
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10:17 - 10:20com mais e mais pessoas a distâncias maiores e maiores.
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10:20 - 10:23Essa é mais ou menos a história da civilização.
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10:23 - 10:28É por que a organização social cresceu da aldeia de caçadores-coletores
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10:28 - 10:31para o estado antigo, o império, e agora aqui estamos nós num mundo globalizado.
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10:31 - 10:35E a história da globalização é principalmente uma história de soma não-zero.
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10:35 - 10:37Muito bem. Vocês provavelmente ouviram o termo interdependência
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10:37 - 10:41aplicado ao mundo moderno. Bem, esse é apenas mais um termo para soma não-zero.
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10:41 - 10:44Se as suas fortunas são interdependentes com alguém,
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10:44 - 10:47então você vive numa relação de soma não-zero com elas.
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10:47 - 10:49E vocês encontram isso o tempo todo no mundo moderno.
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10:49 - 10:51Vocês viram isso na crise econômica recente,
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10:51 - 10:54na qual coisas ruins aconteceram na economia,
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10:54 - 10:57ruim para todos, para uma grande parte do mundo.
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10:57 - 11:00Coisas boas acontecem, é bom para grande parte do mundo.
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11:00 - 11:03E, vocês sabem, fico feliz ao dizer, creio que existe realmente evidência
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11:03 - 11:06de que este tipo de conexão de soma não-zero
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11:06 - 11:09pode expandir o compasso moral.
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11:09 - 11:12Quero dizer, se vocês observam as atitudes dos americanos
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11:12 - 11:16em relação aos japoneses, durante a Segunda Guerra Mundial,
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11:16 - 11:18observam como os japoneses são descritos
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11:18 - 11:20na mídia americana, como quase sub-humanos,
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11:20 - 11:22e observam o fato de que lançamos bombas atômicas,
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11:22 - 11:25sem realmente nos preocuparmos muito com isso.
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11:25 - 11:27E quando vocês comparam com a atitude agora,
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11:27 - 11:30Acho que parte disso se deve a uma espécie de interdependência econômica.
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11:30 - 11:33Qualquer forma de interdependência, relacionamento de soma não-zero
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11:33 - 11:36força vocês a reconhecerem a humanidade das pessoas.
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11:36 - 11:38Assim, acho que isso é bom.
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11:38 - 11:41E o mundo está cheio de dinâmicas de soma não-zero.
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11:41 - 11:45Problemas ambientais, de vários modos, nos colocam em um mesmo barco.
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11:45 - 11:50E existem relações de soma não-zero das quais as pessoas talvez não tenham conhecimento.
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11:50 - 11:54Está certo, então, por exemplo, provavelmente muitos cristãos americanos
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11:54 - 11:58não se dêem conta de que eles mesmos estão numa relação de soma não-zero
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11:58 - 12:00com muçulmanos do outro lado do mundo,
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12:00 - 12:05mas eles na verdade estão porque se esses muçulmanos ficarem mais e mais felizes
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12:05 - 12:08com o lugar deles no mundo e sentirem que eles têm um lugar nele,
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12:08 - 12:11é bom para os americanos porque existirão menos terroristas
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12:11 - 12:13ameaçando a segurança americana.
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12:13 - 12:17Se eles ficarem menos e menos felizes, isso vai ser ruim para os americanos.
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12:17 - 12:20Então, existe uma abundância de somas não-zero.
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12:20 - 12:25E então a questão é: Se existem tantas somas não-zero,
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12:25 - 12:29porque o mundo não foi ainda inundado de amor, paz e compreensão?
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12:29 - 12:32A resposta é complicada. Talvez seja o caso para outra palestra inteira,
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12:32 - 12:36mas certamente algumas coisas são que,
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12:36 - 12:40primeiro, existem muitas situações de soma zero no mundo.
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12:40 - 12:44E também, vocês sabem, algumas vezes, de novo, as pessoas não reconhecem
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12:44 - 12:49as dinâmicas de soma não-zero que existem no mundo.
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12:49 - 12:51E acho que, nessas duas áreas,
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12:51 - 12:54Acho que os políticos podem desempenhar um papel.
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12:54 - 12:56Isto não é apenas uma questão de religião.
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12:56 - 13:01Acho que os políticos podem ajudar a promover os relacionamentos de soma não-zero,
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13:01 - 13:04vocês sabem, cooperação econômica é melhor do que bloqueios e assim por diante,
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13:04 - 13:06Eu acho, neste aspecto.
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13:06 - 13:09E os políticos podem estar conscientes, e devem estar conscientes,
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13:09 - 13:11de que quando as pessoas ao redor do mundo olham para eles,
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13:11 - 13:13estão olhando para as nações deles, certo,
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13:13 - 13:15e reunindo indicações
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13:15 - 13:19se eles estão numa relação de soma zero ou soma não-zero com uma nação
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13:19 - 13:22como, digamos os EUA, ou qualquer outra nação,
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13:22 - 13:25a psicologia humana é tal que são usadas indicações como:
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13:25 - 13:27Vocês acham que estamos sendo respeitados?
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13:27 - 13:30Porque, como vocês sabem, historicamente, se você não está sendo respeitado,
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13:30 - 13:33você provavelmente não vai acabar numa relação de soma não-zero,
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13:33 - 13:36mutuamente proveitosa para as pessoas.
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13:36 - 13:41Assim, precisamos ter consciência dos tipos de sinais que estamos enviando.
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13:41 - 13:46E alguns deles, novamente, estão no domínio de um tipo de atividade política.
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13:46 - 13:48Se existe uma coisa que eu posso encorajar todos a fazerem,
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13:48 - 13:51políticos, líderes religiosos, e nós,
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13:51 - 13:56seria o que eu chamo de expandir a imaginação moral.
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13:56 - 13:59Isso quer dizer que sua habilidade de colocar-se no lugar
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13:59 - 14:02de pessoas em circunstâncias muito diferentes.
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14:02 - 14:04Isso não é o mesmo que compaixão,
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14:04 - 14:10mas isso conduz à compaixão. Isso abre os canais para a compaixão.
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14:10 - 14:13E receio que, aqui, tenhamos outra história de boas e más notícias,
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14:13 - 14:16a saber, que a imaginação moral faz parte da natureza humana.
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14:16 - 14:21Isso é bom mas, novamente, tendemos a praticá-la seletivamente.
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14:21 - 14:23Uma vez que definimos uma pessoa como inimigo,
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14:23 - 14:28temos dificuldade para nos colocarmos nos lugar delas, naturalmente.
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14:28 - 14:32Desse modo, se vocês querem considerar um caso particularmente difícil, digamos, para um americano
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14:32 - 14:36alguém no Irã, que está queimando uma bandeira americana, por exemplo, e vocês vêem na TV.
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14:36 - 14:39Bem, o americano médio vai resistir
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14:39 - 14:43ao exercício moral de colocar-se na cabeça dessa pessoa
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14:43 - 14:46e vai resistir à idéia de que eles possam ter muito em comum com essa pessoa.
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14:46 - 14:50E se vocês dizem a eles, vejam, eles pensam que os EUA os desrespeitam
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14:50 - 14:53e até pretende dominá-los, e eles odeiam os EUA.
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14:53 - 14:55Será que já houve alguém que desrespeitou vocês a tal ponto
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14:55 - 14:57que vocês chegaram a odiá-lo por algum tempo?
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14:57 - 15:00Como vocês sabem, eles vão resistir a essa comparação e isso é natural, isso é humano.
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15:00 - 15:02E da mesma maneira, a pessoa no Irã,
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15:02 - 15:06quando você tenta humanizar alguém nos EUA que disse que o Islã é o mal,
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15:06 - 15:08eles têm dificuldade com isso.
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15:08 - 15:13Desse modo, é uma coisa muito difícil conseguir que as pessoas expandam a imaginação moral
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15:13 - 15:16a um lugar aonde ela naturalmente não vai.
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15:16 - 15:19Creio que isso vale o esforço porque,
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15:19 - 15:21novamente, isso nos ajuda a entender,
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15:21 - 15:23se vocês querem reduzir o número de pessoas que estão queimando bandeiras,
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15:23 - 15:25é útil entender o que as faz agirem assim.
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15:25 - 15:28E acho que é um bom exercício moral.
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15:28 - 15:31Eu diria que aqui novamente é onde os líderes religiosos precisam atuar,
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15:31 - 15:38porque os líderes religiosos são competentes em reenquadrar problemas para as pessoas, vocês sabem,
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15:38 - 15:40utilizando os centros emocionais do cérebro
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15:40 - 15:45para conseguir que as pessoas mudem suas percepções e simplesmente reenquadrem a maneira como elas pensam, vocês sabem.
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15:45 - 15:49Quero dizer que os líderes religiosos estão numa espécie de negócio de inspiração.
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15:49 - 15:51A grande missão deles é, neste momento,
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15:51 - 15:55conseguir que as pessoas em todas as partes do mundo melhorem expandindo sua imaginação moral,
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15:55 - 15:59considerando que de tantas maneiras estão num mesmo barco.
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15:59 - 16:05Eu resumiria a situação das coisas, ao menos desta perspectiva secular,
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16:05 - 16:09no que se refere a compaixão e regra de ouro,
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16:09 - 16:15dizendo que é uma boa notícia que a compaixão e a regra de ouro
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16:15 - 16:20estão, de algum modo, inerentes à natureza humana.
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16:20 - 16:25É um infortúnio que elas sejam colocadas em ação seletivamente.
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16:25 - 16:29E vai ser necessário trabalho de verdade para mudar isso.
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16:29 - 16:34Mas ninguém jamais disse que fazer o trabalho de Deus iria ser fácil. Obrigado.
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16:34 - 16:36(Aplausos)
- Title:
- Robert Wright: A evolução da compaixão
- Speaker:
- Robert Wright
- Description:
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Robert Wright usa a biologia evolutiva e a teoria dos jogos para explicar porque apreciamos a Regra de Ouro ("Faça aos outros..."), porque às vezes a ignoramos e porque há esperança de que , num futuro próximo, poderemos todos ter a compaixão de segui-la.
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 16:36