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Porque é que a arquitetura devia contar uma história

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    Durante a maior parte do século passado,
  • 0:03 - 0:06
    a arquitetura esteve sob o feitiço
    de uma famosa doutrina.
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    "A forma obedece à função" tornou-se
    no ambicioso lema da modernidade
  • 0:10 - 0:12
    e num colete de forças prejudicial
  • 0:12 - 0:15
    enquanto libertava a arquitetura
    do decorativo,
  • 0:15 - 0:19
    mas a condenava a um rigor utilitário
    e a um horizonte limitado.
  • 0:20 - 0:23
    Claro que a arquitetura
    interessa-se pela função,
  • 0:23 - 0:27
    mas quero lembrar uma reformulação
    desta frase de Bernard Tschumi,
  • 0:27 - 0:30
    e quero propor uma qualidade
    totalmente diferente.
  • 0:31 - 0:33
    Se a forma obedece à ficção,
  • 0:34 - 0:38
    podemos pensar na arquitetura
    e nos edifícios como um espaço de histórias
  • 0:38 - 0:40
    — as histórias das pessoas que ali vivem,
  • 0:40 - 0:43
    das pessoas que trabalham
    nesses edifícios.
  • 0:43 - 0:45
    Podemos começar a imaginar
  • 0:45 - 0:47
    as experiências criadas
    pelos nossos edifícios.
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    Neste sentido, a ficção interessa-me,
  • 0:51 - 0:54
    não como uma coisa improvável
    mas como uma coisa real,
  • 0:54 - 0:57
    como a realidade
    do significado da arquitetura
  • 0:57 - 0:59
    para as pessoas que vivem nela e com ela.
  • 1:00 - 1:03
    Os nossos edifícios são protótipos,
    são ideias de como mudar
  • 1:03 - 1:06
    os espaços onde vivemos
    e os espaços onde trabalhamos,
  • 1:07 - 1:11
    ideias para repensar um espaço
    dedicado à cultura ou aos "media".
  • 1:11 - 1:14
    Os nossos edifícios são reais,
    estão a ser construídos.
  • 1:14 - 1:16
    São um compromisso explícito
    numa realidade física
  • 1:16 - 1:19
    e numa possibilidade conceptual.
  • 1:20 - 1:24
    Penso na nossa arquitetura
    como estruturas organizativas.
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    Na sua base está, sem dúvida,
    o pensamento estrutural, como um sistema,
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    como organizar as coisas
    tendo em conta a função
  • 1:31 - 1:33
    e também a experiência.
  • 1:34 - 1:36
    Como podemos criar estruturas
  • 1:36 - 1:39
    que produzam uma série
    de relações e de narrativas?
  • 1:40 - 1:41
    E como as histórias fictícias
  • 1:41 - 1:44
    dos habitantes e utilizadores
    dos nossos edifícios
  • 1:44 - 1:46
    podem descrever a arquitetura,
  • 1:46 - 1:50
    enquanto a arquitetura
    também descreve essas histórias?
  • 1:51 - 1:54
    Aqui entra em jogo o segundo elemento,
    a que chamo "narrativas híbridas"
  • 1:55 - 1:57
    — estruturas de múltiplas
    histórias simultâneas
  • 1:57 - 2:00
    que se desdobram através
    dos edifícios que criamos.
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    Podemos pensar na arquitetura
    como complexos sistemas de relações,
  • 2:06 - 2:09
    de forma programada e funcional
  • 2:09 - 2:13
    e também de forma empírica,
    emotiva ou social.
  • 2:15 - 2:18
    Esta é a sede
    da Emissora Nacional da China,
  • 2:18 - 2:21
    cujo projeto foi feito por mim
    e por Rem Koolhaas no OMA.
  • 2:22 - 2:24
    Quando cheguei a Pequim,
    pela primeira vez, em 2002,
  • 2:24 - 2:27
    os urbanistas mostraram-nos esta imagem:
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    uma floresta de centenas de arranha-céus
  • 2:29 - 2:31
    que emergiam na zona comercial,
  • 2:31 - 2:33
    exceto que, na época,
    só existiam alguns.
  • 2:33 - 2:37
    Tivemos de fazer um projeto
    num contexto quase desconhecido,
  • 2:37 - 2:40
    exceto numa coisa:
    teria de ser tudo na vertical.
  • 2:41 - 2:45
    Claro que o arranha-céus é vertical —
    é uma estrutura profundamente hierárquica,
  • 2:45 - 2:48
    em que o cimo é o melhor
    e a parte de baixo é o pior,
  • 2:48 - 2:51
    quanto mais alto estivermos,
    melhor, ao que parece.
  • 2:52 - 2:53
    E interrogámo-nos:
  • 2:53 - 2:56
    Poderia um edifício basear-se
    numa coisa totalmente diferente?
  • 2:56 - 2:59
    Poderia desfazer essa hierarquia,
    e basear-se num sistema
  • 2:59 - 3:03
    mais preocupado com a colaboração
    do que com o isolamento?
  • 3:03 - 3:06
    Agarrámos naquela agulha
    e dobrámo-la sobre si mesma,
  • 3:06 - 3:09
    num circuito de atividades interligadas.
  • 3:10 - 3:13
    A nossa ideia era colocar
    tudo o necessário para fazer televisão
  • 3:13 - 3:17
    numa única estrutura: informação,
    produção de programas, difusão,
  • 3:17 - 3:20
    investigação e formação,
    administração,
  • 3:20 - 3:23
    tudo isto num circuito
    de atividades interligadas.
  • 3:23 - 3:27
    em que as pessoas se encontrariam
    num processo de câmbio e colaboração.
  • 3:28 - 3:30
    Sempre gostei muito desta imagem.
  • 3:30 - 3:33
    Faz lembrar uma aula de biologia,
    sobre o corpo humano,
  • 3:33 - 3:36
    com todos os seus órgãos
    e sistemas circulatórios, como no liceu.
  • 3:36 - 3:40
    De súbito, deixamos de ver a arquitetura
    como uma substância construída,
  • 3:40 - 3:42
    mas como um organismo,
    como uma forma viva.
  • 3:43 - 3:45
    Quando começamos
    a dissecar este organismo,
  • 3:45 - 3:50
    identificamos uma série
    de grupos técnicos principais
  • 3:50 - 3:53
    — produção de programas,
    centro de difusão e informações.
  • 3:53 - 3:56
    Estes estão intimamente interligados
    com espaços sociais:
  • 3:56 - 3:59
    salas de reuniões, cantinas,
    áreas de conversa
  • 3:59 - 4:03
    — espaços informais para as pessoas
    se encontrarem e comunicarem.
  • 4:03 - 4:07
    Assim, a estrutura organizativa
    deste edifício era um híbrido
  • 4:07 - 4:10
    entre o técnico e o social,
  • 4:10 - 4:12
    entre o humano e o performativo.
  • 4:12 - 4:16
    Claro, usámos o circuito do edifício
    como um sistema circulatório,
  • 4:16 - 4:20
    para encaixar tudo junto
    e permitir que visitantes e pessoal
  • 4:20 - 4:24
    vivam todas estas diferentes funções
    numa grande unidade.
  • 4:25 - 4:28
    Com 473 mil metros quadrados,
  • 4:28 - 4:31
    é um dos maiores edifícios
    jamais construídos no mundo.
  • 4:31 - 4:34
    Tem uma população
    de mais de 10 000 pessoas.
  • 4:34 - 4:38
    Isto é uma escala
    que ultrapassa a compreensão
  • 4:38 - 4:40
    e a escala da arquitetura tradicional.
  • 4:40 - 4:43
    Portanto, parámos o trabalho
    por algum tempo
  • 4:43 - 4:46
    reunimo-nos e e colámos 10 000
    pauzinhos numa maqueta,
  • 4:46 - 4:51
    apenas para percebermos
    o que significava aquela quantidade.
  • 4:51 - 4:53
    Mas, claro, não é apenas um número,
  • 4:53 - 4:58
    são pessoas, é uma comunidade
    que vive no edifício.
  • 4:58 - 5:02
    Para perceber isso
    e também para encenar esta arquitetura,
  • 5:02 - 5:05
    identificámos cinco figuras,
    figuras hipotéticas,
  • 5:05 - 5:10
    e seguimo-las no seu dia a dia,
    a viver neste edifício,
  • 5:10 - 5:13
    pensámos onde se encontrariam,
    que experiências teriam.
  • 5:13 - 5:16
    Foi uma forma de escrever
    a história e o conceito do edifício,
  • 5:16 - 5:18
    mas também de partilhar
    as suas experiências.
  • 5:18 - 5:22
    Isto fez parte duma exposição
    do Museu de Arte Moderna
  • 5:22 - 5:24
    tanto em Nova Iorque como em Pequim.
  • 5:25 - 5:27
    Esta é a principal sala
    de controlo da difusão,
  • 5:27 - 5:29
    uma instalação técnica tão grande
  • 5:29 - 5:33
    que pode transmitir simultaneamente
    mais de 200 canais.
  • 5:34 - 5:37
    E este é o aspeto atual
    do edifício em Pequim.
  • 5:38 - 5:39
    A primeira transmissão em direto
  • 5:39 - 5:42
    foram os Jogos Olímpicos
    de Londres em 2012,
  • 5:42 - 5:45
    enquanto que os Jogos Olímpicos de Pequim
    foram transmitidos do exterior.
  • 5:46 - 5:50
    Vemos, mesmo no topo
    deste cantiléver com 75 metros
  • 5:50 - 5:52
    aqueles três pequenos círculos.
  • 5:52 - 5:55
    Fazem parte de um circuito público
    que percorre todo o edifício.
  • 5:56 - 5:58
    São feitos de vidro,
    que podemos pisar
  • 5:58 - 6:02
    e de onde observamos a cidade,
    a passar lá em baixo, em câmara lenta.
  • 6:04 - 6:07
    Este edifício passou a fazer parte
    da vida quotidiana de Pequim.
  • 6:07 - 6:08
    Está ali.
  • 6:08 - 6:11
    Também se tornou num cenário popular
  • 6:11 - 6:13
    para fotografias de casamento.
  • 6:13 - 6:15
    (Risos)
  • 6:19 - 6:22
    Mas o seu momento mais importante
    talvez continue a ser este.
  • 6:22 - 6:24
    "That's Beijing"
    é equivalente ao "Time Out",
  • 6:24 - 6:29
    uma revista que informa o que se passa
    na cidade durante a semana.
  • 6:29 - 6:34
    O edifício deixa de ser representado
    como uma coisa física,
  • 6:34 - 6:35
    mas como um ator urbano,
  • 6:35 - 6:40
    no meio duma série de celebridades
    que definem a vida da cidade.
  • 6:41 - 6:46
    A arquitetura assume, subitamente,
    a qualidade de um ator,
  • 6:46 - 6:50
    de uma coisa que escreve histórias
    e as representa.
  • 6:51 - 6:55
    Penso que isso poderá ser
    um dos seus principais significados
  • 6:55 - 6:57
    em que acreditamos.
  • 6:57 - 6:59
    Mas, claro, este edifício
    tem uma outra história.
  • 6:59 - 7:02
    É a história das pessoas que o conceberam
  • 7:02 - 7:05
    — 400 engenheiros e arquitetos
    que eu orientei
  • 7:05 - 7:07
    durante quase 10 anos
    de trabalho colaborativo
  • 7:07 - 7:10
    que passámos juntos
    a encenar este edifício,
  • 7:10 - 7:12
    a imaginar a sua realidade
  • 7:12 - 7:16
    e, por fim, a construí-lo na China.
  • 7:18 - 7:22
    Este é um complexo residencial
    em Singapura, em grande escala.
  • 7:23 - 7:24
    Quando olhamos para Singapura,
  • 7:24 - 7:27
    como para a maior parte da Ásia,
    e cada vez mais no mundo,
  • 7:27 - 7:30
    está dominada pelas torres,
  • 7:30 - 7:35
    uma tipologia que cria
    mais isolamento do que interligação.
  • 7:35 - 7:38
    Eu quis saber:
    Como pensar no modo de viver
  • 7:38 - 7:42
    não só em termos
    da nossa privacidade e individualidade
  • 7:42 - 7:44
    e do nosso apartamento,
  • 7:44 - 7:46
    mas com a ideia de um coletivo?
  • 7:46 - 7:50
    Como pensar em criar
    um ambiente comunitário
  • 7:50 - 7:54
    em que a partilha das coisas
    seja tão bom como a propriedade delas?
  • 7:55 - 7:59
    A resposta habitual a esta pergunta
    — o projeto era para 1040 apartamentos —
  • 7:59 - 8:01
    teria sido esta:
  • 8:01 - 8:04
    Com o limite imposto pelos urbanistas
    para uma altura de 24 pisos,
  • 8:04 - 8:08
    seriam 12 torres e, entre elas.
    apenas espaços residuais
  • 8:08 - 8:11
    — um sistema muito compacto
    que, embora a torre nos isole,
  • 8:11 - 8:14
    não nos dá privacidade
    porque estão demasiado próximas,
  • 8:14 - 8:18
    o que põe em questão
    a qualidade que isso tem.
  • 8:19 - 8:23
    Portanto, propusemos virar as torres,
    passar do vertical para o horizontal
  • 8:23 - 8:25
    e empilhá-las.
  • 8:25 - 8:27
    Parece um pouco desarrumado
    visto de lado,
  • 8:27 - 8:30
    mas, se o virmos da perspetiva
    de um helicóptero,
  • 8:30 - 8:35
    vemos que a sua estrutura organizativa
    é uma grelha hexagonal,
  • 8:35 - 8:39
    em que aqueles blocos horizontais
    estão empilhados,
  • 8:39 - 8:44
    criando enormes pátios exteriores
    — espaços centrais para a comunidade,
  • 8:44 - 8:47
    previstos para uma série
    de atrações e de funções.
  • 8:48 - 8:51
    Vemos que estes pátios
    não são espaços hermeticamente fechados.
  • 8:51 - 8:54
    São abertos, permeáveis,
    estão interligados.
  • 8:54 - 8:56
    Chamámos a este projeto "O Entrelaçado"
  • 8:56 - 8:59
    pensando que entrelaçamos e interligamos
  • 8:59 - 9:02
    tanto os seres humanos como os espaços.
  • 9:03 - 9:06
    O pormenor da qualidade
    de tudo o que projetámos
  • 9:06 - 9:09
    consistiu em animar o espaço
    e em dar o espaço aos habitantes.
  • 9:09 - 9:11
    Na verdade, foi um sistema
  • 9:11 - 9:14
    em que dispusemos
    espaços comuns, em camadas,
  • 9:14 - 9:18
    por cima de outros,
    cada vez mais individuais e privados.
  • 9:19 - 9:21
    Assim, abrimos um espetro
  • 9:21 - 9:24
    entre o coletivo e o individual.
  • 9:24 - 9:26
    Um pouco de matemática:
  • 9:26 - 9:28
    Se contarmos todas as zonas verdes
    existentes no solo,
  • 9:28 - 9:30
    descontando a área dos edifícios,
  • 9:30 - 9:34
    e somarmos todas as zonas verdes
    de todos os terraços,
  • 9:34 - 9:36
    temos 112% de zonas verdes,
  • 9:36 - 9:38
    portanto, mais natureza
    do que sem construção nenhuma.
  • 9:39 - 9:42
    Claro que estas contas
    mostram que estamos a multiplicar
  • 9:42 - 9:46
    o espaço disponível
    para os que ali vivem.
  • 9:46 - 9:49
    Este é o 13.º andar
    de um desses terraços.
  • 9:49 - 9:54
    Vemos novos níveis
    para atividades sociais.
  • 9:55 - 9:58
    Prestámos muita atenção
    à sustentabilidade.
  • 9:58 - 10:02
    Nos trópicos, o sol é a coisa
    mais importante a ter em conta,
  • 10:02 - 10:05
    e é preciso procurar proteção
    contra o sol.
  • 10:05 - 10:07
    Primeiro, assegurámo-nos
    que todos os apartamentos
  • 10:07 - 10:10
    teriam suficiente luz natural
    durante todo o ano.
  • 10:10 - 10:13
    Depois, otimizámos o vidro das fachadas
  • 10:13 - 10:15
    para minimizar o consumo
    de energia do edifício.
  • 10:16 - 10:18
    Mas, sobretudo, provámos
  • 10:18 - 10:21
    que, através da geometria
    da conceção do edifício,
  • 10:21 - 10:24
    o próprio edifício forneceria
    sombra suficiente nos pátios
  • 10:24 - 10:27
    para eles poderem ser usados
    durante todo o ano.
  • 10:28 - 10:31
    Também colocámos massas de água
    nos principais corredores de vento,
  • 10:31 - 10:35
    para que a frescura da evaporação
    criasse microclimas
  • 10:35 - 10:38
    que melhorassem a qualidade desses espaços
  • 10:38 - 10:41
    para os habitantes.
  • 10:42 - 10:46
    A ideia era criar
    esta variedade de escolhas,
  • 10:46 - 10:50
    a liberdade de pensar
    onde queríamos estar,
  • 10:50 - 10:52
    onde nos queríamos refugiar, talvez,
  • 10:52 - 10:56
    no interior da complexidade
    do complexo em que vivemos.
  • 10:57 - 10:59
    Passando da Ásia para a Europa,
  • 10:59 - 11:03
    um edifício para uma empresa
    de "media" alemã, com sede em Berlim,
  • 11:03 - 11:08
    em transição dos "media" tradicionais
    de imprensa para os "media" digitais.
  • 11:08 - 11:11
    O diretor fez perguntas muito pertinentes:
  • 11:11 - 11:14
    "Porque é que as pessoas
    ainda querem ir para o escritório,
  • 11:14 - 11:16
    "se podem trabalhar em qualquer lado?"
  • 11:16 - 11:19
    "Como é que uma identidade digital
    duma empresa
  • 11:19 - 11:22
    "pode ser inserida num edifício?"
  • 11:22 - 11:26
    Para além de um objeto,
    criámos um espaço gigante
  • 11:26 - 11:28
    no centro desse objeto.
  • 11:28 - 11:32
    Esse espaço significava
    a experiência de um coletivo,
  • 11:32 - 11:35
    a experiência da colaboração
    e do sentimento de unidade.
  • 11:35 - 11:39
    A comunicação, a interação,
    como o centro de um espaço
  • 11:39 - 11:41
    que flutuaria, em si mesmo,
  • 11:41 - 11:44
    como aquilo a que chamamos
    a nuvem colaborativa,
  • 11:44 - 11:45
    no meio do edifício
  • 11:45 - 11:49
    rodeado por um invólucro
    de gabinetes modulares padrão.
  • 11:49 - 11:52
    Assim, apenas a alguns passos
    da nossa tranquila secretária,
  • 11:52 - 11:56
    podemos participar
    na gigantesca experiência coletiva
  • 11:56 - 11:58
    do espaço central.
  • 12:00 - 12:04
    Por fim, chegamos a Londres,
    um projeto encomendado
  • 12:04 - 12:06
    pela London Legacy
    Development Corporation
  • 12:06 - 12:08
    do "mayor" de Londres.
  • 12:08 - 12:10
    Pediram-nos para fazermos um estudo
  • 12:11 - 12:13
    e investigarmos o potencial de um local
  • 12:13 - 12:16
    em Stratford, no Parque Olímpico.
  • 12:16 - 12:20
    No século XIX, o Príncipe Alberto
    criou o Albertópolis.
  • 12:21 - 12:24
    E Boris Johnson pensou
    em criar o Olimpicópolis.
  • 12:25 - 12:29
    A ideia era juntar algumas
    das maiores instituições britânicas,
  • 12:30 - 12:33
    outras internacionais,
    e criar um novo sistema de sinergias.
  • 12:34 - 12:38
    O Príncipe Alberto, criou
    Albertópolis no século XIX,
  • 12:38 - 12:41
    concebido para exibir
    todas as realizações da humanidade,
  • 12:41 - 12:44
    aproximando as artes e as ciências.
  • 12:44 - 12:49
    Construiu a Avenida das Exposições,
    uma sequência linear dessas instituições.
  • 12:50 - 12:54
    Claro que a sociedade de hoje
    é muito diferente.
  • 12:54 - 12:56
    Já não vivemos num mundo
  • 12:56 - 12:58
    em que todas as coisas
    estão tão nitidamente delineadas,
  • 12:58 - 13:00
    separadas umas das outras.
  • 13:00 - 13:03
    Vivemos num mundo em que
    as fronteiras começam a esbater-se
  • 13:03 - 13:05
    entre as diversas áreas,
  • 13:05 - 13:09
    e em que a colaboração e a interação
    se tornam muito mais importantes
  • 13:09 - 13:11
    do que as delimitações.
  • 13:11 - 13:15
    Por isso, pensámos
    numa gigantesca máquina de cultura,
  • 13:15 - 13:19
    um edifício que orquestrasse
    e animasse as diversas áreas,
  • 13:19 - 13:22
    mas que lhes permitisse
    interagir e colaborar.
  • 13:23 - 13:26
    Na base, está um módulo muito simples,
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    um módulo anelar.
  • 13:27 - 13:30
    Pode funcionar como um corredor,
    com luz natural e ventilação.
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    Pode ter teto de vidro,
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    e ser transformado
    num enorme espaço de exposições.
  • 13:34 - 13:36
    Estes módulos foram empilhados
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    com a ideia de que, ao longo do tempo,
  • 13:40 - 13:42
    pudessem servir para qualquer função.
  • 13:42 - 13:45
    Assim, as instituições
    podem encolher ou contrair-se.
  • 13:45 - 13:50
    porque, claro, o futuro da cultura,
    de certo modo, é o mais incerto de tudo.
  • 13:51 - 13:54
    É aqui que se situa o edifício,
    ao lado do Centro Aquático,
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    em frente do Estádio Olímpico.
  • 13:57 - 13:59
    Vemos como os seus volumes,
    em cantiléver,
  • 13:59 - 14:02
    se projetam para fora
    e envolvem o espaço público
  • 14:02 - 14:06
    e como os pátios animam
    o espaço público interior.
  • 14:07 - 14:11
    A ideia foi criar um sistema complexo
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    em que as instituições
    pudessem manter a sua identidade,
  • 14:15 - 14:18
    sem ficarem englobadas
    num volume único.
  • 14:18 - 14:22
    Esta é uma comparação, à escala,
    com o Centro Pompidou, em Paris.
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    Mostra a enorme escala
    e o potencial do projeto,
  • 14:25 - 14:27
    mas também a diferença.
  • 14:27 - 14:30
    Aqui, é uma multiplicidade
    de uma estrutura heterogénea,
  • 14:31 - 14:33
    na qual podem interagir
    diferentes entidades,
  • 14:33 - 14:36
    sem perderem a sua identidade.
  • 14:36 - 14:40
    E a ideia foi esta: criar
    uma estrutura organizativa
  • 14:40 - 14:43
    que permitisse traçar múltiplas narrativas
  • 14:43 - 14:49
    — para aqueles que, nas partes educativas,
    criam e pensam a cultura,
  • 14:49 - 14:52
    para aqueles que apresentam
    as artes visuais, a dança,
  • 14:52 - 14:55
    e para que o público
    tenha acesso a tudo isso
  • 14:55 - 14:58
    com uma série de trajetórias possíveis,
  • 14:58 - 15:00
    e possa descrever a sua própria leitura
    dessas narrativas
  • 15:00 - 15:02
    e da sua própria experiência.
  • 15:04 - 15:08
    Vou terminar com um projeto
    que é muito pequeno,
  • 15:08 - 15:10
    e, de certo modo, muito diferente.
  • 15:10 - 15:12
    Um cinema flutuante
    no oceano da Tailândia.
  • 15:12 - 15:16
    Uns amigos meus fundaram
    um festival de cinema
  • 15:16 - 15:17
    e eu pensei:
  • 15:17 - 15:21
    Se pensamos nas histórias
    e nas narrativas dos filmes,
  • 15:21 - 15:24
    também devemos pensar nas narrativas
    das pessoas que os veem.
  • 15:24 - 15:27
    Por isso, concebi uma pequena
    plataforma modular flutuante,
  • 15:27 - 15:29
    baseada nas técnicas
    dos pescadores locais,
  • 15:29 - 15:32
    para construírem as suas culturas
    de lagostas e de peixes.
  • 15:32 - 15:34
    Colaborámos com a comunidade local
  • 15:34 - 15:38
    e construímos,
    com os seus materiais reciclados,
  • 15:38 - 15:40
    esta fantástica plataforma flutuante
  • 15:40 - 15:42
    embalada suavemente pelo oceano
  • 15:42 - 15:45
    enquanto vemos os filmes
    do arquivo do cinema britânico,
  • 15:45 - 15:48
    "Alice no País das Maravilhas", de 1903,
    por exemplo.
  • 15:48 - 15:51
    As experiências mais primordiais
    do público,
  • 15:51 - 15:55
    fundem-se com as histórias dos filmes.
  • 15:56 - 16:01
    Eu acredito que a arquitetura
    ultrapassa o domínio da matéria física
  • 16:01 - 16:02
    do ambiente construído,
  • 16:02 - 16:05
    mas trata de como queremos
    viver a nossa vida,
  • 16:05 - 16:08
    de como descrevemos
    as nossas histórias e as dos outros.
  • 16:09 - 16:10
    Obrigado.
  • 16:10 - 16:13
    (Aplausos)
Title:
Porque é que a arquitetura devia contar uma história
Speaker:
Ole Scheeren
Description:

Para o arquiteto Ole Scheeren, as pessoas que vivem e trabalham num edifício fazem parte dele, tanto ou mais que o betão, o aço e o vidro. Pergunta: "Pode a arquitetura incidir na colaboração e nas histórias que se contam, em vez de incidir no isolamento e na hierarquia de um típico arranha-céus?" Visitem cinco dos edifícios de Scheeren — desde uma torre torcida na China até um cinema flutuante no oceano na Tailândia — e conheçam as histórias por detrás deles.

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
16:26

Portuguese subtitles

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