Três pistas para perceber o nosso cérebro
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0:01 - 0:05Como o Chris referiu,
eu estudo o cérebro humano, -
0:05 - 0:08as funções e a estrutura
do cérebro humano. -
0:08 - 0:10E quero que pensem um minuto
no significado disto. -
0:11 - 0:15Temos esta massa gelatinosa
— uma massa gelatinosa de 1,4 kg -
0:15 - 0:18que podemos segurar na palma da mão,
-
0:18 - 0:21e que consegue contemplar
a vastidão do espaço interstelar. -
0:21 - 0:25Consegue contemplar
o significado do infinito -
0:25 - 0:28e consegue contemplar-se a si própria
contemplando o significado do infinito. -
0:29 - 0:33É esta qualidade recursiva peculiar
a que chamamos autoconsciência, -
0:33 - 0:37que, a meu ver, é o Santo Graal
da neurociência, da neurologia, -
0:37 - 0:41e esperamos, um dia,
compreender como acontece. -
0:41 - 0:44Então, como estudamos
este órgão misterioso? -
0:44 - 0:48Quer dizer, temos 100 000 milhões
de células nervosas, -
0:48 - 0:51pequenos nadas de protoplasma,
interagindo entre si. -
0:51 - 0:54Desta atividade emerge
todo um leque de faculdades -
0:54 - 0:57a que chamamos natureza humana
e consciência humana. -
0:57 - 0:59Como é que isto acontece?
-
0:59 - 1:02Há muitas abordagens para aceder
às funções do cérebro humano. -
1:02 - 1:05Uma abordagem, a que nós mais utilizamos,
-
1:05 - 1:09é observar pacientes com danos permanentes
numa pequena região do cérebro, -
1:09 - 1:12resultantes de uma alteração genética
nessa região do cérebro. -
1:12 - 1:15O que aqui acontece
não é uma redução geral -
1:15 - 1:17de todas as capacidades mentais,
-
1:17 - 1:20como que um embrutecimento
da faculdade cognitiva. -
1:20 - 1:24O que aqui acontece, é a perda
altamente seletiva de uma função, -
1:24 - 1:26mantendo-se intactas as outras funções,
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1:26 - 1:28o que nos dá alguma confiança
para afirmarmos -
1:28 - 1:31que aquela parte do cérebro está envolvida
no desenvolvimento daquela função. -
1:31 - 1:34Então podem localizar
a função na estrutura, -
1:34 - 1:36e depois descobrir
o que o circuito está a fazer -
1:36 - 1:39para gerar essa função em particular.
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1:39 - 1:41É isto que tentamos fazer.
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1:42 - 1:43Vou dar-vos alguns exemplos marcantes,
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1:43 - 1:47três exemplos, de seis minutos cada,
ao longo desta palestra. -
1:47 - 1:51O primeiro é uma síndrome extraordinária,
chamada Síndrome de Capgras. -
1:52 - 1:54Se olharem para este primeiro diapositivo,
-
1:54 - 1:58aqueles são os lobos temporais,
frontais e parietais, -
1:58 - 2:00os lobos que constituem o cérebro.
-
2:00 - 2:04E se repararem, escondida dentro
da superfície interna dos lobos temporais -
2:04 - 2:06— não conseguem vê-la aqui —
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2:06 - 2:09está uma pequena estrutura
chamada circunvolução fusiforme. -
2:09 - 2:11Chama-se-lhe a área do rosto, no cérebro,
-
2:11 - 2:15porque, quando está danificada,
deixamos de reconhecer o rosto das pessoas. -
2:15 - 2:18Conseguimos reconhecê-las pela voz
e dizer: "Ah sim, é o Joe", -
2:18 - 2:21mas não conseguimos
reconhecê-la pelo rosto. -
2:21 - 2:24Nem conseguimos reconhecer-nos
a nós mesmos ao espelho. -
2:24 - 2:27Sabemos que somos nós porque
piscamos o olho e o reflexo também pisca, -
2:27 - 2:28e sabemos que é um espelho,
-
2:28 - 2:31mas não nos reconhecemos a nós mesmos.
-
2:32 - 2:35É sabido que esta síndrome é causada
por danos na circunvolução fusiforme. -
2:35 - 2:39Mas há outra síndrome rara, tão rara
-
2:39 - 2:42que poucos médicos ouviram falar dela,
mesmo os neurologistas. -
2:42 - 2:45É o chamado Delírio de Carpgras.
-
2:45 - 2:48Ocorre quando um paciente,
completamente normal, -
2:48 - 2:51sofre uma lesão na cabeça, sai do coma,
-
2:51 - 2:54completamente normal,
olha para a mãe e diz: -
2:54 - 2:58"Esta mulher é idêntica à minha mãe,
mas é uma impostora -
2:58 - 3:01"é outra mulher
que finge ser a minha mãe." -
3:02 - 3:02Porque é que isto acontece?
-
3:02 - 3:05Porque é que uma pessoa inteligente,
perfeitamente lúcida -
3:05 - 3:07em tudo o resto,
quando olha para a mãe, -
3:07 - 3:10manifesta um delírio
e diz que não é a mãe dele? -
3:10 - 3:12A interpretação mais comum disto,
-
3:12 - 3:14que encontramos
nos manuais de psiquiatria, -
3:14 - 3:18é uma visão freudiana,
que diz que estes sujeitos -
3:18 - 3:22— também se aplica às mulheres
mas falarei apenas dos homens — -
3:23 - 3:25quando eram bebés,
-
3:25 - 3:27tinham uma forte atração sexual
pela mãe. -
3:27 - 3:29É o chamado Complexo de Édipo de Freud.
-
3:29 - 3:32Não digo que acredite nisto,
-
3:32 - 3:34mas esta é a visão padrão freudiana.
-
3:34 - 3:37À medida que crescem,
o córtex desenvolve-se, -
3:37 - 3:41e inibe estes ímpetos sexuais latentes
direcionados para a mãe. -
3:41 - 3:45Graças a Deus, ou ficariam todos
sexualmente excitados ao verem a mãe. -
3:45 - 3:48Depois acontece que levam
uma pancada na cabeça -
3:48 - 3:49que danifica o córtex,
-
3:49 - 3:53permitindo que esses ímpetos sexuais
latentes se manifestem, vigorosamente, -
3:53 - 3:56e, de repente e sem explicação,
-
3:56 - 3:58sentem-se sexualmente
atraídos pela mãe e pensam: -
3:58 - 4:00"Oh meu Deus, se esta é a minha mãe,
-
4:00 - 4:02"como posso sentir-me atraído por ela?
-
4:02 - 4:04"É uma outra mulher. É uma impostora."
-
4:04 - 4:08É a única interpretação que faz sentido
para o cérebro danificado. -
4:09 - 4:11Para mim, este argumento
nunca fez muito sentido. -
4:11 - 4:15É muito astuto, de resto,
como todos os argumentos freudianos... -
4:15 - 4:16(Risos)
-
4:17 - 4:21... mas não faz muito sentido
porque já vi o mesmo delírio, -
4:21 - 4:24num paciente que tinha o mesmo delírio
com a sua cadela de estimação. -
4:25 - 4:29Disse-me: "Doutor, esta não é a Fifi,
é exatamente igual à Fifi, -
4:29 - 4:31"mas é outra cadela qualquer".
-
4:31 - 4:34Agora tentem aplicar
a explicação freudiana neste caso. -
4:34 - 4:35(Risos)
-
4:35 - 4:38Começarão a falar da bestialidade latente
em todos os seres humanos, -
4:38 - 4:41ou algo do género,
o que é, obviamente, absurdo. -
4:41 - 4:43O que é que realmente se passa?
-
4:43 - 4:45Para explicar este distúrbio singular,
-
4:45 - 4:49olhamos para a estrutura e funções
das vias visuais normais no cérebro. -
4:49 - 4:52Normalmente, os sinais visuais
entram pelos olhos, -
4:52 - 4:54e vão até às áreas visuais no cérebro.
-
4:54 - 4:58Há 30 áreas na parte de trás do cérebro
que se ocupam apenas da visão. -
4:58 - 5:01Depois de todo um processamento,
a mensagem chega a uma pequena estrutura -
5:01 - 5:06chamada circunvolução fusiforme,
onde são percecionados os rostos. -
5:06 - 5:08Há lá neurónios sensíveis aos rostos.
-
5:08 - 5:10Podemos chamar-lhe a área
dos rostos do cérebro. -
5:10 - 5:12Falei disso há pouco.
-
5:12 - 5:16Quando essa área está danificada,
perdemos a capacidade de ver rostos. -
5:16 - 5:19Mas a partir dessa área,
a mensagem segue em cascata -
5:19 - 5:22para uma estrutura chamada amígdala,
no sistema límbico, -
5:22 - 5:24o centro da emoção do cérebro,
-
5:24 - 5:26e essa estrutura, a amígdala,
-
5:26 - 5:29determina o significado emocional
daquilo para que estamos a olhar. -
5:29 - 5:32É uma presa? É um predador?
É um parceiro? -
5:32 - 5:35Ou é algo absolutamente trivial,
como um retalho de algodão, -
5:35 - 5:38ou um pedaço de giz, ou um
— não quero apontar para ali mas — -
5:38 - 5:40ou um sapato, ou algo do género,
-
5:40 - 5:42que podem ignorar por completo.
-
5:42 - 5:45Se a amígdala for excitada
— e isto é importante — -
5:45 - 5:48a mensagem segue em cascata
para o sistema nervoso autónomo. -
5:48 - 5:51O coração começa a bater mais rapidamente,
-
5:51 - 5:54começamos a transpirar para dissipar
o calor que vamos produzir -
5:54 - 5:56derivado da atividade muscular.
-
5:56 - 5:59Isso é bom, porque podemos colocar
dois elétrodos na palma da mão -
5:59 - 6:02e medir a diferença
na resistência elétrica da pele -
6:02 - 6:03produzida pela transpiração.
-
6:03 - 6:06Posso concluir, quando olham
para qualquer coisa, -
6:06 - 6:09se estão emocionados
ou se estão excitados ou não. -
6:09 - 6:11Já lá chegarei.
-
6:11 - 6:15A minha ideia é, quando o sujeito
olha para um objeto, -
6:15 - 6:19quando olha seja para que objeto for,
isso é transmitido às áreas visuais -
6:19 - 6:22e é processado na circunvolução fusiforme,
-
6:22 - 6:25e é identificado como uma ervilheira,
ou uma mesa, -
6:25 - 6:27ou mesmo a sua mãe.
-
6:27 - 6:30Depois a mensagem segue
em cascata para a amígdala, -
6:30 - 6:33e em seguida vai
para o sistema nervoso autónomo. -
6:33 - 6:37Mas talvez neste sujeito, a ligação
entre a amígdala e o sistema límbico -
6:37 - 6:40— o núcleo da emoção do cérebro —
esteja cortada pelo acidente. -
6:41 - 6:43Como o giro fusiforme está intacto,
-
6:43 - 6:46o sujeito ainda consegue
reconhecer a sua mãe e diz: -
6:46 - 6:48"Ah sim, é idêntica à minha mãe".
-
6:48 - 6:51Mas como a ligação ao centro da emoção
está cortada, ele diz: -
6:51 - 6:54"Mas como é que, se é a minha mãe,
não sinto qualquer apego?" -
6:54 - 6:56— ou pavor, consoante o caso.
-
6:56 - 6:59(Risos)
-
6:59 - 7:03Talvez pense: "Como explico
esta falta de emoções inexplicável? -
7:03 - 7:05"Esta não pode ser a minha mãe.
-
7:05 - 7:07"É alguma estranha
que finge ser a minha mãe". -
7:07 - 7:09Como se testa isto?
-
7:09 - 7:12Se eu pegar em qualquer um de vocês
e o puser em frente de um ecrã, -
7:12 - 7:15e medir a resposta galvânica
da vossa pele, -
7:15 - 7:17e mostrar imagens no ecrã,
-
7:17 - 7:20consigo medir a forma como transpiram
quando veem um objeto. -
7:20 - 7:23Se for uma mesa ou um guarda-chuva,
certamente não transpiram. -
7:23 - 7:26Se mostrar uma imagem de um leão,
de um tigre ou de uma mulher atraente, -
7:26 - 7:28começam a transpirar, não é?
-
7:28 - 7:31E, acreditem, se vos mostrar
uma imagem da vossa mãe -
7:31 - 7:34— falo de pessoas normais —
começam a transpirar. -
7:34 - 7:35Nem sequer têm de ser judeus.
-
7:35 - 7:36(Risos)
-
7:37 - 7:41O que acontece se o mostrarem
a um paciente? -
7:41 - 7:45Pegamos num paciente
e mostramos-lhe imagens num ecrã -
7:45 - 7:47e medimos a resposta galvânica da pele.
-
7:47 - 7:51Mesas, cadeiras, tecido, nada acontece,
tal como nas pessoas normais, -
7:51 - 7:54mas quando lhe mostram
uma fotografia da mãe, -
7:54 - 7:55a resposta galvânica é nula.
-
7:55 - 7:58Não existe reação emocional à mãe,
-
7:58 - 8:03porque aquilo que liga as áreas visuais
aos centros emocionais está cortado. -
8:03 - 8:05A visão dele é normal
porque as áreas visuais são normais, -
8:05 - 8:09as emoções são normais
— ele ri, chora, etc. — -
8:09 - 8:11mas a ligação entre a visão
e as emoções está cortada -
8:11 - 8:15e, em consequência, tem um delírio
de que a mãe é uma impostora. -
8:15 - 8:17É um bom exemplo
do tipo de coisas que fazemos, -
8:17 - 8:21pegamos num síndrome neuropsiquiátrico
bizarro e aparentemente incompreensível -
8:21 - 8:25e dizemos que a visão padrão
freudiana está errada, -
8:25 - 8:27que temos uma explicação precisa
-
8:27 - 8:30baseada naquilo que sabemos
da anatomia neuronal do cérebro. -
8:30 - 8:32Já agora, se este paciente,
depois, se vai embora, -
8:32 - 8:37e a mãe lhe telefonar
de uma sala ao lado, ele diz: -
8:37 - 8:40"Olá, mãe, como estás? Onde estás?"
-
8:40 - 8:42Não há delírio através do telefone.
-
8:42 - 8:45Se ela se aproximar dele
dali a uma hora, ele pergunta: -
8:45 - 8:47"Quem és tu? És igualzinha à minha mãe".
-
8:47 - 8:49A explicação é que existe uma via separada
-
8:49 - 8:52que vai dos centros auditivos do cérebro
até aos centros emocionais, -
8:52 - 8:55e essa não foi cortada pelo acidente.
-
8:55 - 8:59Isto explica o porquê de ele reconhecer
a mãe ao telefone, sem problema, -
8:59 - 9:02mas quando a vê pessoalmente,
diz que ela é uma impostora. -
9:03 - 9:07Muito bem, como estão organizados
todos estes circuitos complexos no cérebro? -
9:07 - 9:10É a natureza, os genes, ou é o ambiente?
-
9:10 - 9:11Abordamos este problema
-
9:11 - 9:15tendo em contra outra síndrome singular,
a dos membros fantasma. -
9:15 - 9:18Todos sabem
o que é um membro fantasma. -
9:18 - 9:20Quando um braço ou uma perna
é amputada, devido a gangrena, -
9:20 - 9:23ou se o perderem numa guerra,
por exemplo, a do Iraque -
9:23 - 9:25— que agora está a complicar-se —
-
9:25 - 9:28continuarão a sentir vividamente
a presença do braço em falta. -
9:28 - 9:31Chama-se a isso o braço fantasma
ou a perna fantasma. -
9:31 - 9:34Na verdade, quase qualquer parte do corpo
pode originar um fantasma. -
9:34 - 9:37Acreditem ou não, até órgãos internos.
-
9:37 - 9:41Tive pacientes a quem retiraram o útero
— uma histerotomia — -
9:41 - 9:45que têm um útero fantasma,
com dores menstruais inclusive, -
9:45 - 9:47na altura certa do mês.
-
9:47 - 9:49No outro dia um aluno perguntou-me;
-
9:49 - 9:53"Elas têm síndrome
pré-menstrual fantasma?" -
9:52 - 9:56Um assunto adequado para as perguntas
da ciência, mas não fomos por aí. -
9:58 - 9:59A próxima pergunta é:
-
9:59 - 10:02O que se pode aprender
sobre membros fantasma -
10:02 - 10:03fazendo experiências?
-
10:03 - 10:05Descobrimos que
cerca de metade dos pacientes -
10:05 - 10:08com membros fantasma
assegura conseguir mover o fantasma. -
10:08 - 10:10Dá palmadinhas nas costas,
-
10:10 - 10:13pega no telefone quando este toca,
diz adeus. -
10:13 - 10:15São sensações muito vívidas e fortes.
-
10:15 - 10:17O paciente não está a delirar.
-
10:17 - 10:19Ele sabe que o braço não está lá,
-
10:19 - 10:22apesar disso, é uma experiência
sensorial muito forte para o paciente. -
10:22 - 10:25Mas em cerca de metade dos pacientes,
isso não acontece. -
10:25 - 10:29Dizem: "Mas doutor, o membro fantasma
está paralisado. -
10:29 - 10:32"Está preso num espasmo
e é extremamente doloroso. -
10:32 - 10:36"Se ao menos o conseguisse mexer,
talvez aliviasse a dor". -
10:36 - 10:39Mas porque ficaria paralisado
um membro fantasma? -
10:39 - 10:40Parece um contrassenso.
-
10:40 - 10:43Quando analisámos os processos,
descobrimos que, -
10:43 - 10:45nestas pessoas
com membros fantasma paralisados, -
10:45 - 10:50o braço original estava paralisado
devido a lesões nervosas periféricas, -
10:50 - 10:53o nervo que alimentava
o braço estava cortado, -
10:53 - 10:56digamos que foi cortado
num acidente de mota. -
10:56 - 10:58O paciente teve um braço real,
que lhe doía, -
10:58 - 11:01preso ao peito com uma ligadura,
durante meses, -
11:01 - 11:04e depois, numa tentativa falhada
de o livrar da dor, -
11:04 - 11:06o cirurgião amputa-lhe o braço.
-
11:06 - 11:09Depois cresce-lhe um braço fantasma
com as mesmas dores. -
11:10 - 11:12Este é um problema clínico grave.
-
11:12 - 11:14Os doentes ficam deprimidos.
-
11:14 - 11:16Alguns deles tentam o suicídio.
-
11:17 - 11:19Como se trata esta síndrome?
-
11:19 - 11:21Porque se fica com um membro
fantasma paralisado? -
11:21 - 11:24Quando olhei para o processo
descobri que eles tinham um braço real, -
11:24 - 11:27que os nervos que o alimentavam
tinham sido cortados, -
11:27 - 11:30e que o braço real tinha estado paralisado
-
11:30 - 11:34e preso ao peito
durante meses, antes da amputação, -
11:34 - 11:39e que aquela dor fora depois
transferida para o fantasma. -
11:40 - 11:41Porque é que isto acontece?
-
11:41 - 11:44Quando o braço estava intacto,
mas paralisado, -
11:44 - 11:47o cérebro, a parte frontal do cérebro,
enviava ordens ao braço: "mexe-te" -
11:47 - 11:50mas recebia uma resposta visual
que dizia "não". -
11:50 - 11:53"Mexe-te". Não.
"Mexe-te". Não. -
11:54 - 11:56Isto é incorporado no circuito cerebral,
-
11:56 - 11:59e chamamos-lhe paralisia aprendida.
-
11:59 - 12:03O cérebro aprende, devido
à sua ligação associativa Hebbian, -
12:03 - 12:07que o simples comando para mexer o braço
-
12:07 - 12:09cria a sensação de braço paralisado.
-
12:09 - 12:11Depois, quando o braço é amputado,
-
12:11 - 12:16esta paralisia aprendida transfere-se
para a imagem corporal e o fantasma. -
12:17 - 12:20Como ajudamos estes doentes?
-
12:20 - 12:22Como se desaprende a paralisia aprendida,
-
12:22 - 12:26para podermos livrá-los
daquele espasmo dolorosíssimo -
12:26 - 12:28no braço fantasma?
-
12:28 - 12:33Pensámos: "E se enviarmos
o comando ao fantasma, -
12:33 - 12:36mas dando uma resposta visual
de que está a ser obedecida?" -
12:36 - 12:39Talvez consigamos aliviar
a dor fantasma, o espasmo fantasma. -
12:39 - 12:42Como se faz isto? Com realidade virtual.
-
12:42 - 12:43Mas isso custa milhões de euros.
-
12:43 - 12:46Então, encontrei uma maneira
de o fazer por três dólares, -
12:46 - 12:49mas não digam nada
às agências que me financiam. -
12:49 - 12:50(Risos)
-
12:50 - 12:53Construímos aquilo a que chamo
uma "caixa de espelhos". -
12:53 - 12:56É uma caixa de cartão
com um espelho no meio. -
12:56 - 12:59e depois introduzimos lá o fantasma
— chegou Derek, o meu primeiro paciente. -
12:59 - 13:02Submeteu-se à amputação
do braço há 10 anos. -
13:02 - 13:06Sofreu uma avulsão braquial,
portanto os nervos foram cortados, -
13:06 - 13:09o braço ficou paralisado, durante um ano,
e depois foi-lhe amputado o braço. -
13:09 - 13:12Tinha um braço fantasma, dolorosíssimo
e não o conseguia mexer. -
13:12 - 13:14Era um braço fantasma paralisado.
-
13:14 - 13:18Ele chegou, dei-lhe um espelho
daqueles, na caixa de espelhos. -
13:20 - 13:23O paciente põe o braço fantasma esquerdo,
-
13:23 - 13:26que está contraído e em espasmo,
no lado esquerdo do espelho, -
13:26 - 13:28e a mão normal no lado direito do espelho,
-
13:28 - 13:31e simula a mesma postura,
a postura contraída, -
13:31 - 13:35e olha para o espelho, e o que é que vê?
-
13:35 - 13:38Ele observa o fantasma a ressuscitar,
-
13:38 - 13:41porque está a olhar para o reflexo
do braço normal no espelho, -
13:41 - 13:44e parece-lhe que o fantasma ressuscita.
-
13:44 - 13:47"Vá", disse-lhe,
"agora, agite o seu fantasma, -
13:47 - 13:50"os seus dedos reais, mexa os dedos reais
enquanto olha para o espelho". -
13:50 - 13:54Ele terá a impressão visual de que
o fantasma se está a mexer. -
13:54 - 13:56Isso é óbvio, mas o surpreendente
é que o paciente diz: -
13:56 - 13:59"Meu Deus! O meu fantasma
está a mexer-se novamente, -
13:59 - 14:02"e a dor, o espasmo, aliviou".
-
14:02 - 14:04Recordem-se, o meu primeiro paciente...
-
14:04 - 14:06(Aplausos)
-
14:07 - 14:08Obrigado.
-
14:09 - 14:13O meu primeiro paciente chegou,
olhou para o espelho, e eu disse: -
14:13 - 14:15"Olhe para o reflexo do seu fantasma."
-
14:15 - 14:18Começou a rir baixinho, dizendo:
"Estou a ver o meu fantasma." -
14:18 - 14:20Mas ele não é parvo.
Ele sabe que não é real. -
14:20 - 14:22Ele sabe que é o reflexo de um espelho,
-
14:22 - 14:24mas é uma experiência sensorial notável.
-
14:24 - 14:26Disse-lhe: "Mexa a sua mão normal
e o seu fantasma." -
14:26 - 14:29E ele: "Não consigo mexer o fantasma.
É doloroso." -
14:29 - 14:30E eu: "Mexa a mão normal."
-
14:30 - 14:33E ele: "Oh meu Deus! O meu fantasma
está a mexer-se! Não acredito! -
14:33 - 14:35"E a dor está a aliviar."
-
14:35 - 14:38Depois disse-lhe: "Feche os olhos."
Ele fecha-os. -
14:38 - 14:40"Mexa a sua mão normal."
"Oh, está contraída de novo." -
14:41 - 14:42"OK, abra os olhos."
-
14:42 - 14:45"Oh meu Deus, oh meu Deus,
está a mexer-se outra vez!" -
14:45 - 14:47Parecia uma criança numa loja de doces.
-
14:47 - 14:50Bem, pensei eu, isto prova a minha teoria
sobre a paralisia aprendida -
14:50 - 14:53e do papel decisivo dos dados visuais,
-
14:53 - 14:55mas não vou receber um prémio Nobel
-
14:55 - 14:57por conseguir que alguém movimente
o seu membro fantasma. -
14:57 - 15:00(Risos)
-
15:00 - 15:02É uma capacidade completamente inútil.
-
15:02 - 15:03(Risos)
-
15:03 - 15:07Depois comecei a pensar
noutros tipos de paralisia neurológica -
15:07 - 15:11como vemos num AVC, nas distonias focais,
-
15:11 - 15:13talvez haja aqui uma componente aprendida
-
15:13 - 15:16que possa ser ultrapassada
utilizando um simples espelho. -
15:16 - 15:18Então eu disse: "Derek"
-
15:18 - 15:21— ele não pode andar por aí
com um espelho para aliviar a dor — -
15:21 - 15:25"Derek, leve-o para casa e pratique
durante uma ou duas semanas. -
15:25 - 15:27"Talvez, após um período de prática,
-
15:27 - 15:30"consiga dispensar o espelho,
desaprender a paralisia -
15:30 - 15:32"e começar a movimentar
o seu braço paralisado, -
15:32 - 15:34"e aliviar a dor."
-
15:34 - 15:36Ele concordou e levou-o para casa.
-
15:36 - 15:38Eu disse-lhe: "São só três dólares.
Leve-o para casa." -
15:38 - 15:41Ele foi para casa, duas semanas
depois telefona-me e diz: -
15:41 - 15:43"Doutor, não vai acreditar nisto."
-
15:43 - 15:46Eu respondi: "Em quê?"
E ele: "Desapareceu." -
15:46 - 15:46"O que é que desapareceu?"
-
15:46 - 15:48Pensei que fosse a caixa de espelhos.
-
15:48 - 15:49(Risos)
-
15:49 - 15:53E ele: "Não, não, lembra-se do fantasma
que tive nos últimos 10 anos? -
15:53 - 15:54"Desapareceu."
-
15:54 - 15:56E eu fiquei preocupado.
-
15:56 - 15:59Meu Deus, alterei a imagem corporal
que este tipo tinha de si próprio, -
15:59 - 16:02o que dizer de cobaias humanas,
ética, etc.? -
16:02 - 16:03"Derek, isso incomoda-o?"
-
16:03 - 16:06E ele: "Não, nos últimos três dias
não tive braço fantasma, -
16:06 - 16:10"daí que não tive dores fantasma
no cotovelo, nem contrações, -
16:10 - 16:13"nem dores fantasma no antebraço,
todas essas dores desapareceram. -
16:13 - 16:16"O problema é que tenho
os dedos fantasma pendurados no ombro, -
16:16 - 16:18"e não os consigo enfiar na caixa."
-
16:18 - 16:19(Risos)
-
16:19 - 16:23"Consegue alterar-lhe o design
e pô-la na minha testa -
16:23 - 16:26"para eu conseguir eliminar
os dedos fantasma?" -
16:26 - 16:28Devia pensar que eu era
uma espécie de mágico. -
16:28 - 16:29Porque aconteceu isto?
-
16:29 - 16:32O cérebro depara-se
com conflitos sensoriais tremendos. -
16:32 - 16:35Recebe mensagens visuais
que lhe dizem que o fantasma voltou. -
16:35 - 16:37mas não há receção adequada,
-
16:37 - 16:40os sinais musculares dizem-lhe
que não há braço nenhum -
16:40 - 16:43mas o comando motor diz-lhe
que há braço. -
16:43 - 16:45Devido a este conflito,
o cérebro diz: -
16:45 - 16:48"que se lixe, não há fantasma,
não há braço" -
16:48 - 16:50E entra numa espécie de negação
— anula os sinais. -
16:50 - 16:54Quando o braço desaparece,
a vantagem é que a dor desaparece, -
16:54 - 16:58porque não podemos ter
dores extracorporais a flutuar no espaço. -
16:58 - 17:00É essa a vantagem.
-
17:00 - 17:03Esta técnica foi aplicada
por outros grupos, em Helsínquia, -
17:03 - 17:04em dezenas de pacientes,
-
17:04 - 17:07para provar a sua eficácia como tratamento
para os membros fantasma. -
17:07 - 17:11Fizeram-se testes
para a reabilitação de doentes de AVC. -
17:11 - 17:13Pensa-se nos AVC
como uma lesão das fibras, -
17:13 - 17:14onde nada há a fazer.
-
17:14 - 17:17Mas acontece que alguma componente
da paralisia derivada do AVC -
17:17 - 17:19é também paralisia aprendida,
-
17:19 - 17:23e talvez essa componente
possa ser ultrapassada usando espelhos. -
17:23 - 17:25Isto também foi sujeito
a ensaios clínicos, -
17:25 - 17:27ajudando muitos pacientes.
-
17:27 - 17:30Vou avançar agora para a terceira parte
da minha palestra, -
17:30 - 17:34que é sobre um outro fenómeno curioso
chamado sinestesia. -
17:34 - 17:37Foi descoberto por Francis Galton
no século XIX. -
17:37 - 17:39Ele era primo de Charles Darwin.
-
17:39 - 17:41Ele verificou que certas pessoas
na população, -
17:41 - 17:45completamente normais, apresentavam
a seguinte peculiaridade: -
17:45 - 17:48sempre que veem um número,
veem-no a cores. -
17:48 - 17:53O cinco é azul, o sete é amarelo,
o oito é verde-limão, -
17:53 - 17:54o nove é índigo.
-
17:54 - 17:57Lembrem-se, estas pessoas
são totalmente normais noutros aspetos. -
17:58 - 18:01Ou o dó sustenido.
Às vezes os tons evocam cores. -
18:01 - 18:03O dó sustenido é azul,
o fá sustenido é verde, -
18:03 - 18:06outra nota pode ser amarela.
-
18:07 - 18:08Porque acontece isto?
-
18:08 - 18:11Isto chama-se sinestesia
— Galton chamou-lhe sinestesia, -
18:11 - 18:12uma mistura dos sentidos.
-
18:12 - 18:14Em nós, todos os sentidos são distintos.
-
18:14 - 18:17Estas pessoas misturam os sentidos.
Porquê? -
18:17 - 18:20Um dos dois aspetos deste problema
é absolutamente fascinante. -
18:20 - 18:21A sinestesia ocorre em famílias,
-
18:21 - 18:25então Galton disse que tem
uma base hereditária, uma base genética. -
18:25 - 18:27Em segundo lugar, a sinestesia consiste
-
18:27 - 18:31— e é aqui que toco no tema principal
desta palestra, que é a criatividade — -
18:31 - 18:36a sinestesia é oito vezes mais comum
entre artistas, poetas, escritores -
18:36 - 18:39e outras pessoas criativas
do que na população geral. -
18:39 - 18:40Porque será isto?
-
18:40 - 18:43Vou responder a esta pergunta.
Nunca antes foi respondida. -
18:43 - 18:45Muito bem, o que é a sinestesia?
O que a causa? -
18:45 - 18:48Há muitas teorias.
Uma teoria diz que eles são doidos. -
18:48 - 18:51Não é bem uma teoria científica,
por isso esqueçamo-la. -
18:52 - 18:55Outra teoria diz que eles são adeptos
dos ácidos e da erva. -
18:55 - 18:58Pode haver alguma verdade nisto,
-
18:58 - 19:01uma vez que é muito mais comum
aqui na Bay Area do que em São Diego. -
19:01 - 19:02(Risos)
-
19:02 - 19:03Já a terceira teoria diz que...
-
19:03 - 19:08Perguntemo-nos a nós próprios
o que realmente se passa na sinestesia. -
19:09 - 19:12Descobrimos que a área das cores
e a área dos números -
19:12 - 19:14estão lado a lado no cérebro,
na circunvolução fusiforme. -
19:14 - 19:17Então dizemos que há
algumas ligações cruzadas -
19:17 - 19:20entre cores e números, no cérebro.
-
19:20 - 19:23Sempre que olham para um número,
veem uma cor correspondente, -
19:23 - 19:25e é por isso que têm sinestesia.
-
19:25 - 19:26Porque é que isto acontece?
-
19:26 - 19:29Porque é que algumas pessoas
teriam ligações cruzadas? -
19:29 - 19:31Lembram-se que eu disse
que ocorre em famílias? -
19:31 - 19:32Isso dá-vos a pista.
-
19:32 - 19:37Há um gene anómalo, uma mutação no gene,
que causa este cruzamento anormal. -
19:38 - 19:43Ao que parece, todos nós
nascemos com tudo ligado a tudo. -
19:43 - 19:46Cada região do cérebro está ligada
a todas as outras regiões, -
19:46 - 19:49e estas vão sendo modeladas para criar
-
19:49 - 19:51a arquitetura modular característica
do cérebro adulto. -
19:51 - 19:54Se existir um gene
que cause esta modelagem, -
19:54 - 19:56e se esse gene sofrer uma mutação,
-
19:56 - 19:59ocorre uma modelagem deficiente
entre áreas adjacentes do cérebro. -
19:59 - 20:02Se for entre números e cores,
ficam com sinestesia número-cor. -
20:02 - 20:05Se for entre notas e cores,
ficam com sinestesia nota-cor. -
20:05 - 20:06Até aqui, tudo bem.
-
20:06 - 20:08E se esse gene for expresso
por todo o cérebro, -
20:08 - 20:11fazendo com que tudo esteja ligado
em cruzamento? -
20:11 - 20:15Pensem naquilo que artistas, escritores
e poetas têm em comum, -
20:15 - 20:18a capacidade de produzir
pensamento metafórico, -
20:18 - 20:21ligando ideias aparentemente desligadas,
-
20:21 - 20:24como: "é o Este, e a Julieta é o Sol."
-
20:24 - 20:25Não se diz que a Julieta é o Sol
-
20:25 - 20:28— quererá isto dizer que ela é
uma bola de fogo incandescente? -
20:28 - 20:31Os esquizofrénicos fazem-no,
mas é uma história diferente. -
20:31 - 20:34As pessoas normais dizem
que ela é quente como o Sol, -
20:34 - 20:36que irradia como o Sol,
que alimenta como o Sol. -
20:36 - 20:38Descobriram logo as ligações.
-
20:38 - 20:41Se assumirem que este cruzamento
em maior escala e os conceitos -
20:41 - 20:44estão presentes
em partes diferentes do cérebro, -
20:44 - 20:46isto irá originar uma maior propensão
-
20:46 - 20:49para o pensamento metafórico
e a criatividade -
20:49 - 20:51nas pessoas com sinestesia.
-
20:51 - 20:55E, daí, a incidência da sinestesia,
oito vezes mais comum -
20:55 - 20:56entre poetas, artistas e escritores.
-
20:56 - 21:00É uma visão muito frenológica
da sinestesia. -
21:00 - 21:02A última demonstração
— dão-me mais um minuto? -
21:02 - 21:04(Aplausos)
-
21:05 - 21:09Vou mostrar-vos que todos têm sinestesia,
mas que negam isso. -
21:09 - 21:12Isto é o que eu chamo alfabeto marciano,
tal e qual o nosso alfabeto. -
21:13 - 21:15A é A, B é B. C é C,
-
21:15 - 21:18formas diferentes
para fonemas diferentes. -
21:18 - 21:20Aqui têm um alfabeto marciano.
-
21:20 - 21:22Um deles é o Kiki, o outro é o Bouba.
-
21:22 - 21:24Qual é o Kiki e qual é o Bouba?
-
21:24 - 21:27Levante o braço quem acha
que este é o Kiki e aquele é o Bouba. -
21:27 - 21:29Bem, são um ou dois mutantes.
-
21:29 - 21:32Levante o braço quem acha
que este é o Bouba e aquele é o Kiki. -
21:32 - 21:33São 99%.
-
21:33 - 21:36Mas, nenhum de vocês é marciano.
Como o conseguiram? -
21:36 - 21:41Porque todos estão a fazer um
modelo cruzado — abstração sinestésica — -
21:41 - 21:44ou seja, dizem
que aquela inflexão aguda, Kiki, -
21:44 - 21:49no vosso córtex auditivo,
as células pilosas excitadas, Kiki, -
21:49 - 21:51mimetiza a inflexão visual
— inflexão repentina — -
21:51 - 21:54daquela forma pontiaguda.
-
21:54 - 21:56Isto é muito importante,
porque o que vos está a dizer -
21:56 - 21:58é que o vosso cérebro
está a tentar perceber -
21:58 - 22:01— segundo parece —
uma parva ilusão primitiva. -
22:01 - 22:03Os fotões nos vossos olhos
estão a registar esta forma, -
22:03 - 22:07e as células pilosas nos ouvidos
estão a excitar o padrão auditivo, -
22:07 - 22:11e o cérebro é capaz de extrair
o denominador comum. -
22:11 - 22:13É uma forma primitiva de abstração.
-
22:13 - 22:18Sabemos agora que isto acontece
na circunvolução fusiforme do cérebro, -
22:18 - 22:21porque quando aquele está danificado,
-
22:21 - 22:23as pessoas perdem a capacidade
para diferenciar Buba e Kiki, -
22:23 - 22:26mas perdem também a capacidade
para compreender metáforas. -
22:26 - 22:29Se perguntarem a essa pessoa :
"Qual é o significado de -
22:29 - 22:31" 'Nem tudo o que reluz é ouro' "?
-
22:31 - 22:33O paciente diz:
"Se é de metal e brilhante, -
22:33 - 22:35"não quer dizer que seja ouro.
-
22:35 - 22:37"Ter-se-á que medir
a sua massa específica". -
22:37 - 22:40Passa completamente ao lado
do significado metafórico. -
22:40 - 22:43Esta área é cerca de oito vezes maior
nos primatas superiores, -
22:43 - 22:46principalmente nos seres humanos,
e nos primatas inferiores. -
22:46 - 22:48Passa-se algo muito interessante
na circunvolução angular, -
22:48 - 22:52devido aos caminhos cruzados
entre a audição, a visão e o tacto, -
22:52 - 22:56e tornou-se enorme nos seres humanos
— e passa-se algo muito interessante. -
22:56 - 22:59E penso que é essa a base
de muitas capacidades humanas únicas -
22:59 - 23:02como a abstração,
a metáfora e a criatividade. -
23:02 - 23:04Estas questões que os filósofos
estudam há milénios, -
23:04 - 23:09nós cientistas podemos começar
a explorá-las mediante a imagiologia cerebral -
23:09 - 23:11e estudando pacientes
e fazendo as perguntas certas. -
23:11 - 23:12Obrigado.
-
23:12 - 23:14(Aplausos)
- Title:
- Três pistas para perceber o nosso cérebro
- Speaker:
- VS Ramachandran
- Description:
-
Vilayanur Ramachandran conta-nos o que as lesões cerebrais podem revelar sobre a ligação entre o tecido cerebral e o espírito, usando como exemplo três delírios surpreendentes.
- Video Language:
- English
- Team:
closed TED
- Project:
- TEDTalks
- Duration:
- 23:17
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