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Tinta feita com a poluição do ar

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    Todos os anos, morrem mais
    de quatro a cinco milhões de pessoas
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    devido à exposição ao ar poluído,
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    no mundo inteiro.
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    Esta placa de Petri que estão a ver
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    contém o equivalente a cerca de
    20 minutos de poluição
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    captada por pirólise.
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    Isto é PM 2,5.
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    Estas partículas —
    podem vê-las neste momento,
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    mas, quando elas estão no ar,
    não as conseguimos ver.
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    São tão minúsculas
    que os pulmões —
  • 0:27 - 0:30
    — o nosso corpo não consegue filtrá-las
    e elas acabam dentro de nós —
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    que acabamos por sofrer de asma
    e de cancro do pulmão,
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    se não formos tratados atempadamente.
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    Numa viagem de regresso à Índia,
    quando eu era estudante, em 2012,
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    tirei esta fotografia.
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    Esta imagem ficou na minha cabeça.
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    Por um lado, vemos o escape
    de um gerador de diesel,
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    o mesmo gerador que
    é sinal do progresso humano,
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    que é sinal duma rápida industrialização
  • 0:51 - 0:55
    e no que se tornou a sociedade
    nos últimos cem anos,
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    para gerar energia.
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    Mas, por outro lado,
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    vemos esta interessante
    mancha triangular, negra,
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    que é o produto do desperdício
    das partículas residuais
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    criadas pelas emissões do gerador.
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    Esta imagem deu-me uma ideia
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    e fez-me pensar em repensar
    a poluição e as tintas,
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    porque estava a causar
    aquela marca negra.
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    A realidade é que a maior parte
    da tinta preta que usamos habitualmente
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    é normalmente produzida
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    pela queima convencional
    de combustíveis fósseis em fábricas.
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    São fábricas em todo o mundo
    que queimam combustíveis fósseis
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    para produzir o negro de carvão,
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    para fazer as tintas pretas
    que usamos diariamente.
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    Mas, perante os milhões
    de litros de combustíveis fósseis
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    que já são queimados ao ar livre,
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    pelos carros, pelos motores
    e pelos tubos de escape,
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    será que podíamos captar essa poluição
  • 1:45 - 1:48
    e usá-la para reciclar
    e fazer essas tintas?
  • 1:49 - 1:51
    Decidi tentar essa experiência.
  • 1:52 - 1:56
    Voltei ao meu laboratório em Boston
    e realizei uma pequena experiência.
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    Em Boston, não encontrei
    muita poluição para experimentar,
  • 1:58 - 2:00
    por isso recorri ao uso de uma vela.
  • 2:01 - 2:03
    Isto era uma experiência.
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    Queimei uma vela,
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    construí esta geringonça
    para sugar a fuligem dessa vela,
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    misturei-a com óleo vegetal e vodka,
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    coisas de fácil acesso
    para quem usa "faz tu mesmo".
  • 2:13 - 2:14
    (Risos)
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    Depois de misturar tudo,
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    obtive uma forma de tinta
    muito rudimentar
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    que, introduzida num cartucho,
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    permitia uma impressão.
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    Foi a minha experiência
    "Olá, mundo"
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    imprimir com poluição.
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    Esta é a mesma poluição
    que vos mostrei na placa de Petri,
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    e é o resultado de qualquer
    combustível fóssil que seja queimado.
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    Em 2015, decidi avançar
    com esta experiência
  • 2:40 - 2:42
    e instalei um laboratório na Índia
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    para trabalhar na captação
    e reciclagem da poluição do ar.
  • 2:45 - 2:48
    A princípio, o laboratório
    tinha um aspeto mais ou menos assim.
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    Mas as experiências
    nem sempre eram controladas,
  • 2:51 - 2:53
    e aconteciam desastres.
  • 2:53 - 2:55
    E, embora fizéssemos experiências,
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    o laboratório acabou
    por ter este aspeto.
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    Nós sabíamos para onde queríamos ir,
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    mas não sabíamos bem como lá chegar.
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    As pessoas que passavam
    perto do laboratório, naquele edifício
  • 3:06 - 3:09
    por vezes pensavam: "Aqueles tipos
    devem estar a fazer bombas",
  • 3:09 - 3:13
    porque havia muitos incêndios,
    fios e fumo naquela vizinhança.
  • 3:13 - 3:14
    (Risos)
  • 3:15 - 3:18
    Decidimos mudar para uma garagem
    e continuar com as experiências.
  • 3:18 - 3:20
    Arranjámos uma garagem
    e, na fase inicial,
  • 3:20 - 3:24
    andávamos a conduzir por Bangalore
    com geringonças como estas.
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    Este é um protótipo da primeira fase.
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    Imaginem as pessoas a olhar para nós:
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    "O que é que eles andam a fazer?"
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    Este é um protótipo da primeira fase
    do sistema para captação da poluição
  • 3:33 - 3:37
    que está a ser libertada de um carro
    convencional alimentado a diesel.
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    Esta é uma fase inicial da tecnologia.
  • 3:39 - 3:43
    Melhorámos a tecnologia
    e criámos isto nesta versão
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    que captaria a poluição
    de fontes estáticas de poluição,
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    como um gerador diesel.
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    Como veem, todos os fumos desaparecem
    logo que ligamos esta máquina.
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    Sem afetar o rendimento do motor,
  • 3:57 - 4:00
    conseguimos captar 95% da poluição
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    libertada pelo gerador a diesel.
  • 4:02 - 4:06
    Esta é a quantidade de partículas
    que captámos
  • 4:06 - 4:10
    neste caso, ao fim de três a quatro horas
    de funcionamento de um gerador.
  • 4:11 - 4:15
    Enquanto decorriam as nossas experiências
    e a nossa investigação,
  • 4:15 - 4:18
    uma grande empresa, uma grande marca,
    veio ter connosco e disse:
  • 4:18 - 4:21
    "Queremos agarrar nessa ideia com vocês.
  • 4:21 - 4:24
    "e avançar com ela
    de forma muito aperfeiçoada.
  • 4:24 - 4:26
    "Vamos fazer uma campanha de arte global
  • 4:26 - 4:29
    "com as tintas que vocês
    andam a fazer com a poluição".
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    Eu vou mostrar o aspeto dessa tinta.
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    Esta caneta é feita, reciclando
    40 a 50 minutos da poluição do automóvel
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    de que falei há bocado,
  • 4:39 - 4:41
    a mesma poluição
    que está na placa de Petri.
  • 4:41 - 4:44
    É um negro muito escuro
    com que podemos escrever,
  • 4:44 - 4:46
    Portanto, vou escrever.
  • 4:49 - 4:52
    PM 2,5, isto está errado.
  • 4:52 - 4:56
    Isto é um negro muito escuro
    que tem origem na mesma poluição.
  • 4:56 - 4:59
    Após muito trabalho
    na investigação laboratorial,
  • 4:59 - 5:01
    recebemos a oferta
    duma grande empresa
  • 5:01 - 5:03
    para um teste em larga escala
    com esta ideia.
  • 5:03 - 5:06
    Acontece que era uma marca,
    e nem pensámos duas vezes.
  • 5:06 - 5:07
    Dissemos: "Vamos a isso".
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    Mas inventar no laboratório é uma coisa
  • 5:10 - 5:14
    e agarrar nas ideias e colocá-las
    no mundo real é outra coisa.
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    Durante as fases iniciais,
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    tivemos de utilizar
    as nossas casas e cozinhas
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    como fábricas de produção de tinta,
  • 5:22 - 5:24
    e os nossos quartos e salas
  • 5:24 - 5:26
    como primeira linha de montagem
    para fazer estas tintas.
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    Este é o quarto do meu sócio Nikhil
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    que está a ser usado para fornecer tintas
    aos artistas do mundo inteiro,
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    que iriam pintar com AIR-INK.
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    Aquele é ele, a entregar
    AIR-INK no porto,
  • 5:37 - 5:40
    para os artistas do mundo inteiro
    as usarem.
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    Em breve, começámos a ver
  • 5:42 - 5:45
    que milhares de artistas do mundo inteiro
    começavam a usar AIR-INK
  • 5:45 - 5:47
    e começaram a aparecer
    obras de arte como estas.
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    Milhares de obras de arte,
    a preto e branco, feitas de poluição
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    começaram a aparecer a uma escala mundial.
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    Acreditem, para um grupo de cientistas,
    engenheiros e inventores,
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    não havia nada mais gratificante
    do que o produto do seu trabalho
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    estar a ser usado por alguns
    dos melhores artistas do mundo.
  • 6:03 - 6:06
    Esta é a capa da revista
    "Contagious" do ano passado
  • 6:06 - 6:09
    que foi feita usando a mesma tinta
    que produzimos no nosso laboratório.
  • 6:10 - 6:14
    Este é um quadro famoso
    do artista britânico Christian Furr
  • 6:14 - 6:18
    que o pintou para a canção
    "Paint It Black" dos The Rolling Stones.
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    Há mais nesta caneta e nesta tinta
  • 6:21 - 6:25
    do que o trabalho artístico
    popular e da cultura pop.
  • 6:25 - 6:27
    Agora, o nosso objetivo
    é criar uma empresa
  • 6:27 - 6:30
    que possa fazer algum dinheiro negro
    — quer dizer, dinheiro apenas —
  • 6:30 - 6:31
    (Risos)
  • 6:31 - 6:34
    e um processo de impressão
    e tintas de alta qualidade
  • 6:34 - 6:37
    que possam substituir
    as tintas negras convencionais
  • 6:37 - 6:41
    que têm sido produzidas desde há
    milhares de anos em todo o mundo.
  • 6:41 - 6:45
    Pouco depois da nossa crescente
    popularidade e obras de arte mundiais,
  • 6:45 - 6:47
    começámos a enfrentar
    um problema de tipo diferente.
  • 6:47 - 6:50
    Começámos a ser bombardeados
    pelos poluidores
  • 6:50 - 6:54
    que nos enviavam sacos cheios de
    poluição para o nosso escritório,
  • 6:54 - 6:56
    perguntando: "O que é que podemos
    fazer com esta poluição?"
  • 6:56 - 7:00
    O nosso laboratório em Bombaim,
    neste momento, tem amostras de poluição
  • 7:00 - 7:04
    que chegaram de Londres, da Índia,
    da China, de todo o lado.
  • 7:04 - 7:06
    E isto é apenas o começo.
  • 7:06 - 7:09
    Este poluidor enviou-nos
    esta foto específica, dizendo
  • 7:09 - 7:13
    que eram sacos cheios de PN 2,5
  • 7:13 - 7:16
    e perguntando se queríamos reciclá-lo,
    pagando-lhe algum dinheiro.
  • 7:16 - 7:20
    O que é que teria ele feito
    se não aceitássemos aquela poluição?
  • 7:20 - 7:24
    Provavelmente, ele iria encontrar um rio
    ou aterro próximos e despejá-los.
  • 7:24 - 7:28
    Mas, como tínhamos a economia
    do AIR-INK do outro lado,
  • 7:28 - 7:33
    podíamos incentivá-lo a dar-nos
    a sua poluição e fazer tinta com ela
  • 7:33 - 7:36
    e transformá-la até em
    produtos mais valiosos.
  • 7:37 - 7:40
    Ora bem, todos sabemos que
    a poluição é uma assassina global.
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    Não podemos afirmar que a nossa tinta
    resolve o problema da poluição mundial.
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    Mas mostra o que é possível fazer
  • 7:46 - 7:49
    se olharmos para este problema
    de modo diferente.
  • 7:49 - 7:52
    Reparem na "T-shirt" que eu vou mostrar.
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    Isto é feito com a mesma AIR-INK
    de que tenho falado.
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    É feita com a mesma poluição
    que está nesta placa de Petri.
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    E com a mesma poluição que inspiramos
    quando passeamos ao ar livre.
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    Estamos a caminho
    de fazer melhor do que isto.
  • 8:06 - 8:07
    Muito obrigado.
  • 8:07 - 8:10
    (Aplausos)
Title:
Tinta feita com a poluição do ar
Speaker:
Anirudh Sharma
Description:

E se pudéssemos captar a poluição do ar à nossa volta e transformá-la numa coisa útil? Anirudh Sharma revela como criou a AIR-INK, uma tinta preta utilizável, feita de poluição PM 2,5. Saiba como novos materiais à base do carbono podem substituir procedimentos antigos em indústrias como a moda, a imprensa e a embalagem — e, com isso, tornar o mundo um pouco mais limpo.

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDTalks
Duration:
09:15
Margarida Ferreira approved Portuguese subtitles for Ink made of air pollution
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for Ink made of air pollution
Edgar Fernandes accepted Portuguese subtitles for Ink made of air pollution
Edgar Fernandes edited Portuguese subtitles for Ink made of air pollution
Edgar Fernandes edited Portuguese subtitles for Ink made of air pollution
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for Ink made of air pollution
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for Ink made of air pollution

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