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← Os segredos da mente e do livre-arbítrio, revelados por truques de magia

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Showing Revision 13 created 11/26/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Muito bem.
  2. Gostava de começar com
    um pequeno exercício de imaginação.
  3. Imaginem que estão sentados
    aqui nesta mesa, à minha frente.

  4. Vou pedir que empurrem
    uma destas cartas na minha direção.
  5. Por favor imaginem-se a empurrar
    uma destas cartas para mim.
  6. Muito bem. Vejam o número relativo
    à carta que empurraram

  7. e lembrem-se dele, porque
    é importante para mais tarde.
  8. Agora vou mostrar
    as cartas deste baralho

  9. e pedir-vos que escolham
    uma das cartas que virem no baralho.
  10. Estão prontos?
  11. Muito bem, agora que têm
    a vossa carta em mente,

  12. somem o valor dessa carta
    ao número anterior.
  13. Por exemplo, se escolheram
    o seis de paus, adicionem seis,
  14. se for um Ás, somem um
  15. e somem 11 para qualquer
    carta com imagens.
  16. Já têm o número final em mente?

  17. Perfeito.
  18. Então, por favor, vejam o item
    que corresponde ao vosso número final.
  19. Então, a piada está aqui.

  20. Haverá muitas pessoas a ver este vídeo
  21. e todas têm peculiaridades
    diferentes com preferências distintas.
  22. Porém,
  23. a grande maioria de vocês
    está a pensar no quivi,
  24. ou, se forem canhotos,
    provavelmente, na espiga de milho.
  25. Sim, acabei por vos enganar.

  26. E usei as vossas tendências psicológicas
  27. para influenciar as vossas duas decisões.
  28. Eu trabalho no MAGIC Lab

  29. na Universidade Goldsmiths de Londres,
  30. que não é apenas um lugar
    onde fazemos desaparecer os assistentes,
  31. mas onde usamos truques de magia
    para estudar processos psicológicos,
  32. tais como a atenção, a perceção,
    o engano e o livre-arbítrio.
  33. Fascinam-me os fatores subtis
    que influenciam as nossas escolhas

  34. e como a compreensão dos nossos defeitos
    pode devolver-nos algum poder.
  35. Os truques de magia proporcionam-nos
    uma poderosa ferramenta de investigação
  36. e as nossas experiências
    têm-no demonstrado.
  37. Primeiro: nós, os humanos, costumamos
    fazer as escolhas mais fáceis.

  38. No truque de cartas que fiz,
  39. a maioria das pessoas costuma escolher
    a carta que quero que escolham,
  40. porque eu apresento-a durante
    mais tempo que as outras.
  41. E ela torna-se a opção
    mais fácil para o cérebro.
  42. No nosso caso,
  43. a maioria de vocês provavelmente
    escolheu o dez de copas, certo?
  44. E muitos outros truques
    baseiam-se nesse princípio
  45. da escolha fácil.
  46. Porque os mágicos sabem muito bem
  47. que o nosso cérebro, para não dizer "nós",
    costuma ser um pouco preguiçoso.
  48. O exercício que fizemos com as quatro
    cartas também é um bom exemplo disso.

  49. É baseado noutro truque que investiguei,
  50. no qual peço aos participantes
  51. que empurrem uma das 4 cartas
    na minha direção.
  52. Descobrimos que
    cerca de 60 % das pessoas
  53. escolhem a terceira carta à esquerda,
  54. e, se forem canhotos,
  55. normalmente escolhem
    a segunda carta, a partir da esquerda.
  56. Isto também se baseia
    no princípio da escolha mais fácil,
  57. porque a carta
    que a maioria das pessoas escolhe
  58. é a mais fácil de alcançar
    com a mão dominante.
  59. Então, eu sabia que a maioria de vocês
  60. acabaria por escolher
    um destes dois números
  61. e isso permitiu-me calcular
  62. as duas opções mais prováveis
    que acabariam por escolher.
  63. Mas isto não é apenas sobre magia.

  64. Também é sobre como somos
    influenciados no nosso dia-a-dia.
  65. Vocês sabem, histórias e políticos
  66. também estão sempre a brincar
    com a nossa mente
  67. porque eles também sabem
    que temos a tendência de escolher e gostar
  68. do que é mais fácil de alcançar ou ver.
  69. Por exemplo, quando estão numa loja

  70. a escolher um vinho
    ou um pacote de arroz,
  71. entre os vários artigos
    nas prateleiras verticais,
  72. o vosso primeiro instinto é olhar apenas
  73. para os que estão nas prateleiras
    à altura dos olhos, não é?
  74. É mais fácil e necessita de menos esforço.
  75. Sabiam que várias marcas negoceiam
  76. para ficarem à altura dos olhos nas lojas
  77. por causa do princípio
    da escolha fácil?
  78. Esta é uma tática
    que muitos políticos usam.

  79. Quando a informação está mesmo à frente
    dos nossos olhos nas redes sociais,
  80. podemos aceder-lhe com facilidade
  81. e sem dúvida que afeta
    o nosso comportamento eleitoral.
  82. Resultados políticos,
    como o referendo sobre o Brexit
  83. ou as eleições de 2016 nos EUA
  84. foram fortemente influenciados
    por propaganda direcionada,
  85. dando a algumas informações,
  86. não necessariamente verdadeiras,
  87. um acesso fácil desproporcionado
    e visível a audiências específicas
  88. para influenciar os votos.
  89. Mas estas são as boas notícias:

  90. Alguns fatores simples têm um impacto
    sobre o quanto somos influenciáveis.
  91. Numa experiência com o truque
    das quatro cartas
  92. descobrimos que informar
    claramente os participantes
  93. que têm uma escolha
  94. pode levá-los a tomar decisões
    de maneira mais deliberada,
  95. comparando com comportarmo-nos
    da forma que queremos que eles ajam.
  96. Por outras palavras,

  97. ou pedia aos participantes
    que empurrassem uma das cartas
  98. ou dizia:
  99. "Escolha uma carta e depois empurre-a."
  100. Quando lhes pedia
    que escolhessem uma carta
  101. a quantidade de pessoas que
    escolhiam a mais fácil de alcançar
  102. descia de 60 para 35 %.
  103. Parece que, quando nos lembram
    que controlamos as nossas escolhas
  104. e que as nossas ações têm importância,
  105. ao contrário de agir sem pensar,
  106. nós fazemos escolhas mais pessoais
  107. e menos influenciadas.
  108. Vou mostrar-vos outro truque,

  109. inventado pelo mentalista
    britânico Derren Brown
  110. para ilustrar a minha ideia.
  111. Esse truque usa o que chamamos
    de efeito "priming" na psicologia.
  112. O efeito "priming" acontece
    quando a exposição a algo
  113. influencia os nossos pensamentos
    e comportamentos mais tarde,
  114. sem nos apercebermos
    de que o objetivo é manipular-nos.
  115. O truque costuma ser feito
    num ambiente mais íntimo,
  116. em que eu estaria à vossa frente
  117. mas podemos tentar juntos.
  118. Concentrem-se em mim o melhor possível,
  119. mas não deixem que eu influencie
    a vossa escolha.
  120. Vou tentar transmitir-vos
    mentalmente o número de uma carta
  121. em que estou a pensar.
  122. Estão prontos?
  123. Primeiro, vamos tornar
    a cor brilhante e vibrante.

  124. Imaginem um ecrã na vossa mente
  125. e, no ecrã, imaginem os pequenos números
    nos cantos inferiores das cartas
  126. e nos cantos superiores.
  127. Depois, as coisas no meio,
  128. no centro das cartas,
  129. o bum, bum, bum, os naipes.
  130. Conseguiram?
  131. Então, vou apostar que a maioria de vocês

  132. pensou no três de ouros,
  133. mas escolheu outra carta, certo?
  134. Como devem ter notado,
  135. eu tentei fortemente influenciar
    a vossa escolha com os meus gestos,
  136. enquanto vos dei as instruções.
  137. Ao estudar este truque,
  138. descobrimos que cerca de 18 %
    das pessoas escolheu o três de ouros,
  139. e aproximadamente 40 % escolheu
    o três de qualquer naipe,
  140. sem sequer desconfiar de que
    os estava a manipular.
  141. Mas o que aconteceu aqui?

  142. Como estavam conscientes
  143. de que eu queria influenciar
    a sua escolha,
  144. provavelmente prestaram
    mais atenção ao que eu fazia.
  145. E isso levou a maioria de vocês
    a escolher mais conscientemente
  146. que os nossos participantes,
  147. que não sabem quem eu sou,
    o que eu estudo
  148. ou o que quero fazer com a sua mente.
  149. Então, a questão é que,

  150. em todas as nossas experiências,
  151. conseguimos influenciar bastante
    as escolhas de cartas das pessoas,
  152. embora digam que se sentem livres
    e a controlar as suas escolhas.
  153. E essa falta de consciência individual
  154. torna políticos, empresas
  155. e a influência de outras pessoas
    ainda mais poderosa,
  156. porque podemos até pensar
    que controlamos as escolhas e crenças,
  157. mas não controlamos.
  158. Na política ou nos nossos
    hábitos de consumo,

  159. se não prestarmos atenção,
  160. os conteúdos erróneo ou anúncios
    apelativos podem enganar a nossa mente.
  161. E se, no nosso dia a dia,
  162. parássemos mais frequentemente
    e fizéssemos escolhas conscientes
  163. antes de agirmos de acordo com
    o animal impulsivo e reativo interior?
  164. Nós podemos, de facto,
    agir mais conscientemente
  165. se não nos esquecermos
  166. que temos a capacidade
    de sermos influenciados.
  167. Obrigada.