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Showing Revision 5 created 12/18/2012 by Wanderley Jesus.

  1. (Música)
  2. Por que nos sentimos incomodados quando ouvimos “Shakespeare”?
  3. Se querem saber, normalmente é por causa das suas palavras.
  4. Todos esses tu e vós e portantos
  5. e os ‘por que haverias de ser tu’, podem ser bem maçantes.
  6. Mas temos que nos perguntar, por que ele é tão popular?
  7. Por que sua peças são feitas e refeitas mais do que qualquer outra peça teatral?
  8. Isso se deve às suas palavras.
  9. No fim dos anos 1500 e começo de 1600,
  10. esta era a melhor ferramenta que uma pessoa tinha,
  11. e havia muito do que falar.
  12. Todavia, a maior parte delas era bem deprimente.
  13. Como a Peste Negra e tudo mais.
  14. Shakespeare de fato usa muitas palavras.
  15. Uma de suas realizações mais impressionante é o seu uso de insultos.
  16. Eles uniam todo o público;
  17. não importava onde você se sentava, você ria do que se passava no palco.
  18. Palavras, principalmente nos diálogos de uma peça,
  19. são usadas por motivos diferentes:
  20. para estabelecer o tom da cena,
  21. para dar mais atmosfera à montagem,
  22. e para cultivar relacionamentos entre os personagens.
  23. Insultos fazem isso de maneira breve e aguda.
  24. Vamos primeiro a “Hamlet”.
  25. Exatamente antes deste diálogo,
  26. Polônio é o pai de Ofélia que está apaixonada pelo Príncipe Hamlet.
  27. O Rei Cláudio procura averiguar por que Príncipe Hamlet age como um louco
  28. desde que o rei se casou com a sua mãe.
  29. Polônio oferece sua filha
  30. para obter informação sobre o Príncipe Hamlet.
  31. Seguimos ao Ato II Cena 2.
  32. Polônio: “Sabes quem sou, meu senhor?”
  33. Hamlet: “Excelentemente bem. És um peixeiro”.
  34. Polônio: “Não eu, meu senhor.”
  35. Hamlet: “Então quisera eu que fosses homem do mais honesto.”
  36. Bom, mesmo se não soubéssemos o que “peixeiro” significa,
  37. podemos usar algumas dicas contextuais.
  38. Primeira: Polônio reagiu de forma negativa, portanto deve ser ruim.
  39. Segunda: Peixe cheira mal, portanto deve ser ruim.
  40. E terceira: “Monger” em inglês não soa exatamente como uma palavra boa.
  41. Então mesmo sem saber o significado,
  42. nós começamos a construir alguma caracterização
  43. da relação entre Hamlet e Polônio,
  44. que não era boa.
  45. Mas se sondamos mais, “comerciante de peixe” significa um tipo de intermediário,
  46. e neste cenário, significaria algo tipo cafetão,
  47. como se Polônio estivesse utilizando sua filha por dinheiro,
  48. o que ele fazia como favores ao rei.
  49. Isto nos permite ver que Hamlet não é tão louco como ele alega,
  50. e intensifica a animosidade entre estes dois personagens.
  51. Querem outro exemplo?
  52. “Romeo e Julieta” contém uns dos melhores insultos das obras de Shakespeare.
  53. É uma peça sobre duas quadrilhas,
  54. e os amantes malfadados que acabam com suas vidas.
  55. Bem, quando tem pancadaria sabemos que algo grave está se passando.
  56. E vocês não ficam desapontados.
  57. No Ato I Cena 1, logo no início
  58. vemos o nível de desconfiança e ódio
  59. entres os membros das duas famílias, os Capuletos e os Montecchios.
  60. Gregório: “Vou franzir o rosto quando eu passar
  61. e eles que interpretem como quiserem.”
  62. Sansão: “Não, como ousam, morderei meu polegar, o que para
  63. eles será desonroso, no caso de não retrucarem.”
  64. Entram Abraão e Baltazar.
  65. Abraão: “Mordes teu polegar para nós, senhor?”
  66. Sansão: “Eu mordo meu polegar, senhor.”
  67. Abraão: “Mordes teu polegar para nós, senhor?”
  68. Muito bem, então como este processo nos ajuda a entender o tom ou caráter?
  69. Vamos analisar o insulto.
  70. Morder seu polegar hoje em dia pode não parecer grande coisa,
  71. mas Sansão diz que isto é um insulto para eles.
  72. Se assim se sentiam, é porque era um insulto.
  73. Isso começa a nos mostrar o nível de animosidade
  74. até mesmo entre os homens que trabalham para ambas Casas.
  75. E normalmente não faríamos algo a alguém a não ser que quiséssemos provocar uma luta,
  76. o que é exatamente o que está prestes a acontecer.
  77. Analisando mais a fundo, morder o polegar na época em que a peça foi escrita
  78. é como agora se mostra o dedo médio.
  79. Este gesto provoca um sentimento muito forte,
  80. portanto começamos a sentir a tensão na cena.
  81. Mais adiante na cena, Tebaldo, da Casa dos Capuletos,
  82. faz uma boa com Benvólio da casa dos Montecchios.
  83. Tebaldo: “Como! Usas a espada contra estes corços inúteis?
  84. Venha, Benvólio e encare a tua morte.”
  85. Benvólio: “Eu mantenho a paz; guarde tua espada,
  86. ou ajude-me a acalmar estes homens.”
  87. Tebaldo: “Como, sacas a espada e falas em paz!
  88. Eu odeio a palavra, tanto quanto odeio o inferno, todos os Montecchios, e tu.
  89. Defenda-te, covarde!”
  90. Ok, corços inúteis.
  91. Sabemos que isto também não é boa coisa
  92. Ambas famílias se odeiam e isto é como atiçar lenha na fogueira.
  93. Mas quão ruim é este golpe?
  94. Um ‘corço inútil’ é um covarde,
  95. e chamar alguém assim na frente de seus próprios homens, e a família rival,
  96. quer dizer que vai ter uma briga.
  97. Tebaldo basicamente chama Benvólio
  98. e, a fim de manter sua honra, Benvólio tem que lutar.
  99. Este diálogo nos dá uma boa visão da caracterização entre estes dois personagens.
  100. Tebaldo pensa que os Montacchios são não mais do que covardes,
  101. e não tem nenhum respeito por eles.
  102. Mais uma vez, acrescentando uma tensão dramática à cena.
  103. Bom, aqui está um sobreaviso.
  104. A obsessão e imenso ódio de Tebaldo pelos Montacchios
  105. é o que chamamos em literatura de hamartia,
  106. ou o que o leva a sua ruína.
  107. Ah, é. Ele morre nas mãos de Romeu.
  108. Portanto, quando você examinar Shakespeare,
  109. pare e examine as palavras,
  110. porque na verdade elas tentam lhe dizer algo.