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← As oportunidades escondidas da economia informal

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Showing Revision 32 created 11/30/2017 by Maricene Crus.

  1. Os mercados informais da África
    são estereotipicamente vistos

  2. como caóticos e negligentes.
  3. O lado ruim de ouvir a palavra "informal"
  4. é a grande associação
    automática que temos,
  5. que é bem negativa,
  6. e já teve consequências e prejuízos
    econômicos significantes,
  7. adicionando ou subtraindo facilmente
    40% a 60% da margem de lucro
  8. apenas nos mercados informais.
  9. Como parte de uma tarefa de mapear
    o ecossistema do comércio informal,
  10. fizemos um estudo de análise extenso
    de todos os relatórios e pesquisas
  11. sobre o negócio transfronteiriço
    na África oriental de até 20 anos atrás.
  12. Serviu para nos preparar para o trabalho
    de campo e entender qual era o problema,
  13. o que estava impedindo
    o comércio informal no setor informal.
  14. Descobrimos que nos últimos 20 anos

  15. ninguém havia distinguido o ilícito,
  16. que seria contrabandear
    no setor informal,
  17. do que é legítimo, só que sem registros,
  18. como tomates, laranjas, frutas.
  19. A criminalização,
  20. que em suaíli quer dizer "biashara",
    que é o negócio ou comércio,
  21. contra "magendo", que é o contrabando,
  22. essa criminalização do setor informal,
  23. em inglês, ao não diferenciar
    esses aspectos,
  24. pode facilmente custar para cada economia
    africana uma adição de 60% a 80%
  25. na taxa anual de crescimento do PIB,
  26. pois não estamos legitimando o motor
  27. que mantém as economias girando.
  28. O setor informal gera
    quatro vezes mais emprego

  29. que o sistema tradicional formal,
  30. ou a economia "moderna", como chamam.
  31. Oferece empregos e oportunidades salariais
  32. aos mais "inexperientes"
    nas disciplinas convencionais.
  33. Mas, pode-se fazer uma máquina
    de batata frita com um carro velho?
  34. É isso, senhoras e senhores,

  35. que urgentemente precisa ser legitimado.
  36. Enquanto as presunções atuais
    acharem que isso é criminoso,
  37. que isso é uma sombra, que é ilegal,
  38. não haverá tentativas de integração
    do ecossistema informal econômico
  39. com o sistema formal, nem com o global.
  40. Irei lhes contar a história da Teresia,

  41. uma comerciante que derrubou
    todas as nossas presunções,
  42. e que nos fez questionar todos
    os estereótipos que tínhamos,
  43. baseado naqueles 20 anos
    de estudo de análise.
  44. Teresia vende roupas sob uma árvore
    na cidade de Malaba,
  45. na fronteira entre Uganda e o Quênia.
  46. Vocês acham que é bem simples, né?
  47. Só ir lá e pendurar as roupas nos galhos,
    estender a lona, relaxar
  48. e esperar pelos clientes, simples assim.
  49. Ela era tudo que esperávamos
    com base nos estudos,
  50. nas pesquisas,
  51. até sobre o fato de ela ser mãe
    vivendo do comércio
  52. e criando seus filhos sozinha.
  53. Mas, o que foi que derrubou as presunções?

  54. O que nos surpreendeu?
  55. Primeiro, Teresia pagava as tarifas
    de mercado à prefeitura
  56. todo santo dia de trabalho
  57. pelo privilégio de montar
    seu negócio sob sua árvore.
  58. Ela já faz isso há sete anos,
  59. e vem recebendo recibos.
  60. Ela mantém registros.
  61. Não se trata de uma comerciante
    africana insignificante,
  62. sem privilégios,
  63. e vulnerável que vende
    à beira da estrada, não.
  64. Ela é alguém que mantém
    registro de vendas há anos;
  65. alguém com todo um ecossistema
    de varejo que vem de Uganda
  66. para adquirir um inventário;
  67. alguém que tem um carrinho
    de mão que traz os produtos,
  68. ou o agente de transações pelo celular
    que recolhe o dinheiro todo fim de tarde.
  69. Conseguem adivinhar o custo mensal
    que ela tem, em média, com o inventário,
  70. estoques de roupas novas
    que ela pega de Nairóbi?
  71. Ela gasta US$ 1,5 mil.
  72. É investido mais ou menos US$ 20 mil
    no comércio de produtos e serviços
  73. a cada ano.
  74. Essa é Teresia,
  75. a invisível,
  76. a intermediária escondida.
  77. E ela é só a primeira leva
    de pequenos empreendedores,

  78. dos micronegócios que podem ser
    encontrados nesses mercados de cidades.
  79. Pelo menos na maior fronteira de Malaba,
    ela faz parte da primeira leva.
  80. As pessoas no topo da cadeia de valores
  81. estão facilmente administrando
    três tipos de negócios,
  82. investindo US$ 2,5 mil
    a US$ 3 mil a cada mês.
  83. Daí, o problema já não
    é mais a criminalização;
  84. não dá para criminalizar alguém
    de quem você cobra recibos.
  85. E, sim, a falta de legitimação
    de seus empregos especializados.
  86. As estruturas e sistemas bancários
    não possuem meios de legitimá-los
  87. como micronegócios,
  88. e, ainda tem o fato
  89. de que a árvore dela não
    tem um endereço específico.
  90. Daí, ela está presa no meio.

  91. Ela está sendo ignorada
    em nossas suposições.
  92. Sabem todos aqueles microempréstimos
    que ajudariam as comerciantes africanas?
  93. Eles irão lhe emprestar US$ 50 ou US$ 100.
  94. E o que ela fará com isso?
  95. Ela gasta dez vezes mais que isso por mês
  96. só com o inventário;
  97. nem estamos falando de serviços
    adicionais ou de apoio ao ecossistema.
  98. São aqueles que não se encaixam
    nem nos estereótipos regulamentais
  99. dos inexperientes e dos marginalizados,
  100. nem dos colarinhos brancos,
    trabalhadores assalariados
  101. ou funcionários públicos com uma pensão
  102. que, supostamente, compõem a classe média.
  103. Em vez disso, o que existe
    são os protótipos de PMEs.

  104. Elas são as sementes férteis
    dos comércios e as empresas
  105. que mantêm os motores a todo vapor.
  106. Elas colocam a comida à sua mesa.
  107. Até mesmo neste hotel, as invisíveis:
  108. as açougueiras, as padeiras,
    as fabricantes de candelabros...
  109. elas que fabricam as máquinas
    que fazem suas batatas fritas
  110. e que confeccionam suas camas.
  111. São as comerciantes invisíveis
    que negociam pelas fronteiras,
  112. todas à beira da estrada,
  113. assim ficam invisíveis
    aos coletores de dados.
  114. Logo, elas se misturam
    ao vasto setor informal
  115. que não se importa em distinguir
    contrabandistas, sonegadores de impostos
  116. e aqueles que administram coisas ilegais,
  117. das mulheres comerciantes
  118. e daquelas que colocam comida à mesa
    e bancam a universidade dos filhos.
  119. É isso que vim aqui pedir.

  120. É isso que precisamos fazer para começar.
  121. Podemos começar legitimando
    suas experiências e empregos?
  122. Podemos transformar a economia informal
    começando com essa legitimação
  123. e depois criar as portas customizadas
    para que elas possam entrar
  124. ou integrar o formal,
  125. o global,
  126. e todo o sistema.
  127. Obrigada, senhoras e senhores.

  128. (Aplausos)