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← A matemática não é difícil, é apenas uma linguagem | Randy Palisoc | TEDxManhattanBeach

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Showing Revision 5 created 11/27/2019 by Margarida Ferreira.

  1. Segundo a avaliação nacional,
  2. só 26% dos estudantes
    do 12.º ano, nos EUA,
  3. são bons em matemática.
  4. Nos EUA, orgulhamo-nos
    de sermos um país excecional.
  5. Mas 26% parece-vos excecional?
  6. Levante a mão quem pensa
    que temos de ser melhores do que isto.
  7. Estou de acordo convosco.
  8. Todos precisamos da matemática,
  9. porque é que os miúdos
    têm tanta dificuldade?
  10. Será porque só 26% são dotados
    para a matemática
  11. e os outros 74% não são?
  12. Depois de trabalhar
    com milhares de miúdos,
  13. posso dizer-vos que isso não é verdade.
  14. Os miúdos não percebem a matemática
  15. porque nós ensinamo-la
    como um tema desumanizado.
  16. Mas se humanizarmos a matemática,
    ela voltará a fazer sentido.
  17. Provavelmente, estarão a pensar:
  18. "Mas a matemática já foi
    alguma vez humana?"
  19. Pensem nisso.
  20. (Risos)
  21. A matemática é uma linguagem humana,
    tal como o inglês, o espanhol ou o chinês,
  22. porque permite que as pessoas
    comuniquem umas com as outras.
  23. Mesmo na Antiguidade, as pessoas
    precisavam da linguagem da matemática
  24. para fazerem negócios,
    para construírem monumentos,
  25. para medirem a terra das culturas.
  26. Esta ideia da matemática
    como uma linguagem não é nova.
  27. Um grande filósofo disse:
  28. "As leis da natureza estão escritas
    na linguagem da matemática".
  29. Estão a ver?
    Até Galileu concorda comigo.
  30. (Risos)
  31. Mas, algures, com o tempo,
  32. agarrámos nesta linguagem da matemática
  33. que trata do mundo real à nossa volta
  34. e abstraímo-la
    até ela ficar irreconhecível.
  35. É por isso que os miúdos ficam confusos.
  36. Vou mostrar-vos
    o que quero dizer com isto.
  37. Leiam este programa de Matemática
    da Califórnia, do 3.º ano
  38. e vejam se faz sentido
    para um miúdo de oito anos.
  39. "A fração 1/b é a quantidade
    formada por uma parte
  40. "quando a totalidade
    se divide em b partes iguais.
  41. "A fração a/b é a quantidade formada
  42. "por uma parte de tamanho 1/b".
  43. (Risos)
  44. Se derem esta descrição
    a um miúdo de oito anos,
  45. provavelmente terão uma reação como esta.
  46. (Risos)
  47. Para um especialista em matemática,
    este texto faz sentido,
  48. mas, para um miúdo,
    é uma verdadeira tortura.
  49. Escolhi este exemplo especificamente
    porque as frações
  50. são fundamentais na álgebra,
    na trigonometria e até no cálculo.
  51. Se os miúdos não perceberem as frações
    na escola elementar e média,
  52. vão ter um caminho difícil no secundário.
  53. Haverá uma forma de tornar as frações
  54. uma matéria simples e fácil
    para os miúdos perceberem?
  55. Claro!
  56. Lembrem-se que a matemática
    é uma linguagem e tirem partido disso.
  57. Por exemplo, quando ensino
    aos alunos do 5.º ano
  58. a somar e a subtrair frações,
  59. começo com a lição
    das maçãs + maçãs.
  60. Primeiro, pergunto:
    "Quanto é uma maçã mais uma maçã?"
  61. Os miúdos respondem, normalmente: 2,
    o que está parcialmente correto.
  62. Obriguem-nos a incluir as palavras
    porque a matemática é uma linguagem.
  63. Portanto, não é apenas 2,
    é "2 maçãs".
  64. A seguir, pergunto: 3 lápis mais 2 lápis.
  65. Todos sabem que lápis + lápis
    nos dá lápis.
  66. Portanto, digam lá todos.
    quantos são os lápis?
  67. Audiência: Cinco lápis.
  68. RP: Cinco lápis está correto.
  69. É fundamental incluir as palavras.
  70. Experimentei esta lição
    com a minha sobrinha de cinco anos.
  71. Depois de ela somar lápis + lápis,
    perguntei-lhe:
  72. " Quanto é 4 biliões mais 1 bilião?"
  73. A minha tinha que ouviu isto,
    ralhou-me e disse:
  74. "És maluco? Ela anda no pré-escolar!
  75. "Como é que há de saber
    quanto é 4 biliões mais 1 bilião?"
  76. (Risos)
  77. Impávida, a minha sobrinha acaba
    a conta, olha para mim e diz:
  78. "Cinco biliões?"
  79. E eu disse: "Está certo, são 5 biliões".
  80. A minha tia abanou a cabeça e riu-se
  81. porque não estava à espera disso
    duma criança de cinco anos.
  82. Mas se a abordarmos como uma linguagem
  83. e a matemática torna-se
    intuitiva e fácil de compreender.
  84. Depois, fiz-lhe uma pergunta
  85. a que, supostamente, as crianças
    do pré-escolar não sabem responder:

  86. "Quanto é um terço mais um terço?"
  87. E ela respondeu imediatamente:
    "Dois terços".
  88. Vocês podem estar a pensar:
    "Como é que ela sabia isso,
  89. "se ela ainda não sabe nada
    de numeradores e denominadores?"
  90. Como veem, ela não estava a pensar
    em numeradores e denominadores.
  91. Ela pensava no problema deste modo.
  92. Usou 1 maçã + 1 maçã
    como uma analogia
  93. para perceber 1 terço + 1 terço.
  94. Então, se uma criança do pré-escolar
    pode somar frações,
  95. é melhor que acreditem que todos
    os alunos do 5.º ano também podem.
  96. (Aplausos)
  97. Só por graça, fiz-lhe uma pergunta
    de álgebra do secundário:
  98. Quanto é 7x² mais 2x²?
  99. E aquela miudinha de cinco anos
    respondeu corretamente:
  100. 9 x².
  101. Não precisou de nenhuma regra
    de expoentes para perceber aquilo.
  102. Quando as pessoas dizem
  103. que somos dotados
    para a matemática ou não,
  104. não é verdade.
  105. A matemática é uma linguagem humana,
  106. por isso todos temos a capacidade
    para a compreender.
  107. (Risos)
  108. Precisamos de abordar a matemática
    como uma linguagem, urgentemente,
  109. porque perdem-se demasiados miúdos
    e sentem-se ansiosos com a matemática
  110. e isso não tem de acontecer.
  111. Trabalhei com uma estudante
    do secundário, irritada e frustrada,
  112. que não conseguia passar em álgebra
  113. porque só sabia 44%
    dos factos da multiplicação.
  114. Eu disse-lhe:
  115. "Isso é como querer ler
    e só saber 44% do alfabeto.
  116. "Está a prejudicar-te".
  117. Ela não conseguia dividir
    nem resolver equações
  118. e não se sentia à vontade em matemática.
  119. Em resultado, aquela adolescente
    não tinha confiança em si mesma.
  120. Eu disse-lhe: "Temos de começar
    com a multiplicação
  121. "porque, quando souberes a tabuada de cor,
    as coisas tornam-se mais fáceis.
  122. "É como ter um livre trânsito
    para todos os brinquedos na Disneylândia".
  123. "O que é que achas?"
  124. Ela disse: "Ok".
  125. Então, ela aprendeu sistematicamente
    a tabuada em quatro semanas
  126. e, sim, até a multiplicação
    contém uma linguagem dentro de si.
  127. Vocês ficariam admirados
    com quantos miúdos não se apercebem
  128. que "7 vezes 3" se pode escrever
    como "sete vezes" 3,
  129. o que significa um 3, sete vezes.
  130. Quando os miúdos percebem isto,
  131. depressa percebem que somar repetidamente
  132. é moroso e inconveniente,
  133. por isso, memorizam satisfeitos
    que 3 vezes 7 dá sempre 21.
  134. Para aquela adolescente,
    que estava em risco de desistir,
  135. tornar-se fluente
    e confiante na multiplicação
  136. alterou toda a situação.
  137. Porque, pela primeira vez,
  138. conseguiu concentrar-se
    na resolução de problemas
  139. em vez de contar pelos dedos.
  140. Percebi que ela tinha dado a volta
  141. quando ela percebeu
    que o aluguer de um carro, por dois anos,
  142. a 445 dólares por mês,
    custaria 10 680 dólares
  143. e olhou para mim,
    reprovadoramente, e disse:
  144. "Sr. Polisoc, isso é muito caro!"
  145. (Risos)
  146. Nesse momento, a matemática
    já não lhe causava problemas
  147. mas ela estava a usar a matemática
    para resolver problemas,
  148. como um adulto responsável.
  149. Enquanto educador, é meu dever
    desafiar os miúdos para chegar mais longe,
  150. por isso, deixo-vos com este desafio.
  151. O nosso país está encalhado
    num resultado de 26%
  152. e eu desafio-vos a fazer subir
    este número.
  153. Isto é importante porque o pensamento
    matemático modela espíritos jovens
  154. e os miúdos também precisam de imaginar
    e criar um futuro que ainda não existe.
  155. Enfrentar este desafio pode ser
    tão simples como maçãs + maçãs.
  156. Insistamos em ensinar a matemática
    como uma linguagem humana
  157. e chegaremos lá mais cedo
    em vez de mais tarde.
  158. Obrigado.
  159. (Aplausos)