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← A verdadeira história de Rosa Parks — e porque é que temos de confrontar mitos sobre a história dos negros

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Showing Revision 7 created 02/14/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Sou o pai orgulhoso de dois belos filhos
  2. Elijah, de 15 anos, e Octavia, de 12.
  3. Quando Elijah estava no 4.º ano,

  4. veio ter comigo,
  5. chegou da escola, muito entusiasmado
  6. com o que tinha aprendido nesse dia
    sobre história africana-americana.
  7. Eu sou professor de estudos
    africano-americanos e culturais
  8. e por isso, como podem imaginar,
  9. a cultura africana-americana
    é um assunto sério em minha casa.
  10. Assim, fiquei orgulhoso por o meu filho
    estar entusiasmado
  11. com o que tinha aprendido
    naquele dia, na escola.
  12. E disse: "O que é que aprendeste?"
  13. Ele disse: "Aprendi sobre Rosa Parks."
  14. E eu: "Ok, o que é que aprendeste
    sobre Rosa Parks?"
  15. E ele: "Aprendi que Rosa Parks
    foi uma mulher negra, frágil e idosa,
  16. "nos anos 50,
  17. "em Montgomery, no Alabama.
  18. "Sentou-se no autocarro,
  19. "sentia os pés doridos
  20. "e, quando o motorista lhe disse
    para dar o lugar a um patrão branco,
  21. "ela recusou-se porque
    sentia os pés doridos.
  22. "Tinha sido um dia cansativo
  23. "e ela estava farta da opressão
  24. "e não cedeu o seu lugar.
  25. "Desfilou com Martin Luther King
  26. "e acreditava na não violência".
  27. Penso que ele deve ter olhado
    para a minha cara
  28. e viu que eu não estava
    muito impressionado
  29. por aquela...
  30. lição de história.
  31. E perguntou: "Pai, o que é que foi?
    Disse alguma coisa errada?"
  32. E eu: "Filho, não disseste nada errado,
  33. "mas penso que a tua professora
    disse muitas coisas erradas".
  34. (Risos)

  35. E ele: "O que é que queres dizer?"

  36. E eu: "Rosa Parks não estava cansada.
  37. "Não era idosa.
  38. "E certamente não tinha os pés doridos."
  39. E ele: "O quê?"
    E eu: "Sim!
  40. "Rosa Parks só tinha 42 anos".
  41. Ficaram chocados, não é?
    Nunca ouviram dizer isto.
  42. "Rosa Parks só tinha 42 anos,
  43. "só tinha trabalhado seis horas
    naquele dia, era costureira
  44. "e os pés estavam ótimos."
  45. (Risos)

  46. "A única coisa de que estava farta

  47. "era estar farta da injustiça.
  48. "Estava farta da opressão."
  49. O meu filho disse:
  50. "Bom, porque é que a professora
    me contou essas coisas?
  51. "Não percebo."
  52. Porque ele adorava a professora,
    ela era uma boa professora,
  53. uma jovem branca de 20 e poucos anos,
  54. muito esperta, puxava por ele,
    e eu também gostava dela.
  55. Mas ele não percebia:
    "Porque é que ela contou assim?"
  56. E disse: "Pai, conta-me mais
    sobre Rosa Parks."
  57. E eu disse: "Filho, vou fazer
    uma coisa melhor."
  58. E ele: "O que é?"
  59. E eu: "Vou comprar a autobiografia dela
  60. "e vais ser tu a lê-la."
  61. (Risos)

  62. Como podem imaginar,

  63. Elijah não ficou muito entusiasmado
    com mais este trabalho de casa,
  64. que o pai lhe tinha atribuído,
    mas aceitou o desafio.
  65. Depois de o ter lido,
    foi ter comigo de novo.
  66. Estava entusiasmado
    com o que tinha aprendido.
  67. Disse: "Pai, a Rosa Parks
    inicialmente era contra a violência,
  68. "mas o avô da Rosa Parks
    que praticamente a criou,
  69. "e que era tão claro
    que passava por branco,
  70. "costumava andar pela cidade
    com a arma no coldre,
  71. "e as pessoas sabiam que quem se metesse
  72. com os filhos ou os netos de Mr. Parks,
  73. "apanhava com um balázio no traseiro."
  74. (Risos)

  75. Certo?

  76. Não era pessoa para brincadeiras.
  77. E ele disse: "Também aprendi
  78. "que Rosa Parks casou
    com um homem em Raymond
  79. "que era muito parecido com o avô dela."
  80. Organizava
  81. — era um ativista dos direitos civis —
  82. organizava reuniões
  83. e, por vezes, as reuniões
    eram em casa de Rosa Parks.
  84. Uma vez, Rosa Parks reparou
  85. que havia muitas armas em cima da mesa,
  86. porque eles estavam preparados
    no caso de alguém bater à porta
  87. e eles estavam preparados
    para o que desse e viesse.
  88. E Rosa Parks disse: "Havia tantas armas
    em cima da mesa
  89. "que até me esqueci de oferecer
    café ou qualquer coisa para comer."
  90. Rosa Parks era assim.

  91. Com efeito, Rosa Parks, quando
    ia naquele autocarro, naquele dia,
  92. à espera que chegassem
    os agentes da polícia,
  93. sem saber o que lhe ia acontecer,
  94. não estava a pensar
    em Martin Luther King,
  95. que ela mal conhecia.
  96. Não estava a pensar
    na não violência ou em Gandhi.
  97. Estava a pensar no avô,
  98. um avô com uma arma,
    não se metam comigo.
  99. Era nisso que Rosa Parks estava a pensar.
  100. O meu filho ficou apaixonado
    pela Rosa Parks,
  101. e eu fiquei orgulhoso
    por ele sentir esse entusiasmo.
  102. Mas eu ainda tinha um problema,

  103. porque tinha de ir à escola dele
  104. e tratar dessa questão com a professora,
  105. porque não queria que ela continuasse
    a ensinar os miúdos
  106. aquela história falsa.
  107. Estava a custar-me fazer isso,
  108. porque compreendo, enquanto
    africano-americano,
  109. que, sempre que falamos
    de racismo com os brancos,
  110. ou de qualquer coisa sensível nessa área,
  111. isso acaba por ser um problema.
  112. É aquilo a que a socióloga branca
    Robin DiAngelo chama "fragilidade branca."
  113. Ela afirma que,
  114. como os brancos têm pouca experiência
    de serem confrontados
  115. com os seus privilégios de brancos,
  116. como, sempre que lhes apresentamos
    o problema, por mais pequeno que seja,
  117. eles normalmente gritam,
  118. ficam irritados,
  119. ou fogem.
  120. (Risos)

  121. Já enfrentei estas situações todas.

  122. Assim, quando estava a pensar
    em confrontar a professora,
  123. não me sentia nada feliz,
  124. mas achava que era um mal necessário
  125. para um pai negro que tenta educar
    filhos negros conscientes.
  126. Assim, chamei Elijah e disse:

  127. "Elijah, vou marcar uma reunião
    com a tua professora
  128. "e tentar corrigir isto.
  129. "E talvez com o diretor.
  130. "O que é que pensas?"
  131. Elijah disse:
  132. "Pai, tenho uma ideia melhor".
  133. E eu: "A sério? Que ideia é essa?"
  134. E ele: "Vamos fazer
    uma apresentação em público.
  135. "Porque é que eu não aproveito
    essa ocasião de falar em público,
  136. "para desmascarar os mitos
    sobre Rosa Parks?"
  137. E eu, claro:
  138. "Bom, é uma boa ideia".
  139. Elijah vai para a escola,

  140. faz a apresentação,
  141. volta para casa
  142. e eu percebi que a coisa
    tinha corrido bem.
  143. Disse: "Então, filho,
    o que é que aconteceu?"
  144. E ele: "No final do dia,
  145. "a professora chamou-me de parte
  146. "e pediu-me desculpa por ter dado
    aquelas informações deturpadas".
  147. Então, aconteceu uma coisa
    milagrosa no dia seguinte.
  148. Ela deu uma lição nova
    sobre Rosa Parks,
  149. preenchendo as lacunas que tinham ficado
  150. e corrigindo os erros que ela tinha feito.
  151. Fiquei muito orgulhoso do meu filho.
  152. Mas depois, pensando naquilo,

  153. fiquei zangado,
  154. muito zangado mesmo.
  155. Porquê? Porque é que eu fiquei zangado?
  156. Porque o meu filho de nove anos
    teve de educar a professora
  157. sobre a história dele.
  158. Teve de educar a professora
    sobre a sua humanidade.
  159. Ele só tem nove anos.
  160. Devia estar a pensar
    no basquetebol ou no futebol,
  161. ou no último filme.
  162. Não devia estar a pensar
    em assumir a responsabilidade
  163. de educar a professora,
  164. os seus colegas,
  165. a si mesmo, sobre a sua história.
  166. Era um peso que eu transportava.
  167. Era um peso que os meus pais
  168. e gerações antes deles
    tinham transportado.
  169. Agora eu estava a ver o meu filho
    também a transportar esse peso.
  170. Foi por isso que Rosa Parks
    escreveu a sua autobiografia.

  171. Porque, durante a vida dela
  172. como imaginam,
  173. fazemos esta coisa espantosa.
  174. Estamos vivos e falamos
    do ativismo pelos direitos civis
  175. e surge uma história
  176. em que alguém diz ao mundo
  177. que éramos velhos
    e tínhamos os pés doridos
  178. e fomos apenas ativistas por acaso
  179. e não um ativista durante 20 anos,
  180. nem que o boicote tivesse sido
    planeado durante meses,
  181. nem que nem sequer fomos a primeira,
    a segunda ou mesmo a terceira mulher
  182. a sermos presos por fazer isso.
  183. Tornamo-nos ativistas por acaso,
    mesmo durante a vida dela.
  184. Por isso, ela escreveu a autobiografia,
    para corrigir o registo,
  185. porque ela queria
    que as pessoas recordassem
  186. como era aquilo,
  187. como eram as coisas
  188. nos anos 50,
  189. tentando ser negros nos EUA
  190. e lutando pelos nossos direitos.
  191. Durante o ano, um pouco mais de um ano,
    que o boicote durou,

  192. houve mais de quatro bombas
    em igrejas.
  193. A casa de Martin Luther King
    foi bombardeada duas vezes.
  194. As casas de outros líderes
    dos direitos civis
  195. foram atacadas à bomba em Birmingham.
  196. O marido de Rosa Parks
    dormia à noite com uma caçadeira,
  197. porque estavam sempre a receber
    ameaças de morte.
  198. A mãe de Rosa Parks vivia com eles,
  199. e, por vezes, ficava a falar
    ao telefone, durante horas,
  200. para ninguém poder ligar-lhe
    com ameaças de morte,
  201. porque era uma coisa
    constante e persistente.
  202. Na verdade, havia tanta tensão,
  203. havia tanta pressão,
    havia tanto terrorismo,
  204. que Rosa Parks e o marido
    perderam os empregos,
  205. e ficaram desempregados
  206. e acabaram por ter de se mudarem
    e afastarem-se do Sul.
  207. Esta é uma realidade dos direitos civis
  208. que Rosa Parks quis garantir
    que as pessoas compreendessem.
  209. Vocês dirão: "David, mas o que é
    que isso tem a ver comigo?

  210. "Eu sou uma pessoa bem intencionada,
  211. "não tenho escravos,
  212. "não tento branquear a História.
  213. "Sou uma pessoa boa."
  214. Eu digo-vos o que é
    que isto tem a ver convosco
  215. e vou dizer-vos isso,
    contando uma história
  216. sobre um professor meu,
    um professor branco,
  217. quando eu estava na faculdade
    e que era um indivíduo brilhante.
  218. Vou chamar-lhe Fred.
  219. Fred estava a escrever a história
    do movimento dos direitos civis,
  220. estava a escrever especificamente
    sobre uma situação
  221. que vivera na Carolina do Norte
  222. quando um homem branco atirou
    sobre um negro,
  223. a sangue frio, à vista de todos
  224. e nunca foi condenado.
  225. Escreveu um livro ótimo
  226. e reuniu alguns professores amigos
  227. e pediu-me para ler um esboço dele
    antes da aprovação final.
  228. Eu fiquei lisonjeado
    com aquele pedido,
  229. eu era um mero estudante universitário.
  230. Senti-me um pouco "Ok".
  231. Estou no meio de intelectuais
  232. e leio o esboço do livro.
  233. Havia um momento no livro
  234. que me chocou
    por ser profundamente problemático
  235. e, por isso, disse:
  236. "Fred," quando estávamos reunidos
    a falar sobre o esboço,
  237. "Fred, tenho problemas com esta passagem
  238. "em que falas da tua criada, no livro".
  239. Pude ver que Fred ficou
    um pouco "tenso", como dizemos.
  240. Ele disse: "O que é que queres dizer?
    É uma boa história.
  241. "Aconteceu tal como eu digo".
  242. E eu: "Hum... posso dar-te outra visão?"
  243. Qual era essa história?

  244. Passava-se em 1968.
  245. Martin Luther King acabava
    de ser assassinado.
  246. A criada dele, "doméstica"
    — vou chamar-lhe Mabel —
  247. estava na cozinha.
  248. Fred tinha oito anos.
  249. Fred entra na cozinha.
  250. Mabel, que ele sempre tinha visto
    sorridente, prestativa e feliz,
  251. está debruçada sobre o lava-loiças,
  252. e está a chorar,
  253. está a soluçar,
  254. inconsolável.
  255. Fred chega-se ao pé dela e diz:
    "Mabel, o que é que se passa?"
  256. Mabel vira-se e diz:
  257. "Mataram-no! Mataram o nosso líder!
    Mataram Martin Luther King!
  258. "Está morto! São monstros!"
  259. E o pequeno Fred diz:
  260. "Vai ficar tudo bem, Mabel.
    Vai ficar tudo bem".
  261. Ela olha para ele e diz:
    "Não, não vai ficar tudo bem.
  262. "Não ouviste o que eu disse?
  263. "Mataram Martin Luther King!"
  264. E Fred,
  265. filho de um pregador,
  266. olha para Mabel e diz:
  267. "Mas, Mabel, Jesus não morreu
    na cruz pelos nossos pecados?
  268. "Não valeu a pena?
  269. "Talvez isto também valha a pena.
  270. "Talvez a morte de Martin Luther King
    dê um bom resultado."
  271. Tal como Fred conta a história,

  272. ele diz que Mabel tapou
    a boca com a mão,
  273. aproximou-se e abraçou Fred
  274. e depois foi ao frigorífico,
  275. tirou umas Pepsis,
  276. deu-lhe umas Pepsis
  277. e mandou-o brincar com os irmãos.
  278. E ele disse:
  279. "Isto é uma prova de que,
    mesmo na época dolorosa da luta racista
  280. "duas pessoas podiam ultrapassar
    as linhas raciais
  281. "e encontrar uma convergência humana
  282. "através do amor e do afeto."
  283. E eu disse: "Fred, isto é uma treta."
  284. (Risos)

  285. (Aplausos)

  286. Fred respondeu:

  287. "Não percebo, David. A história é essa."
  288. Eu disse: "Vou fazer-te uma pergunta.
  289. "Tu estavas na Carolina do Norte, em 1968.
  290. "Se Mabel estivesse na comunidade
    dela — tu tinhas oito anos —
  291. "como é que as crianças
    africanas-americanas de oito anos
  292. "lhe chamariam?
  293. "Achas que a tratariam
    pelo primeiro nome?
  294. "Não. Tratá-la-iam por Miss Mabel,
  295. "ou por Miss Johnson
    ou chamar-lhe-iam Tia Johnson.
  296. "Nunca ousariam tratá-la
    pelo primeiro nome,
  297. "porque isso teria sido
    uma enorme falta de respeito.
  298. "Mas tu tratava-la pelo primeiro nome
  299. "todos os dias em que ela trabalhava
  300. "e nunca pensaste nisso.
  301. "Vou fazer-te outra pergunta:
    Mabel era casada?

  302. "Tinha filhos?
  303. "Que igreja frequentava?
  304. "Qual era a sua sobremesa preferida?"
  305. Fred não pôde responder
    a nenhuma destas perguntas.
  306. Eu disse: "Fred, esta história
    não é sobre Mabel.
  307. "Esta história é sobre ti.
  308. "Esta história faz-te sentir bem,
  309. "mas não é uma história sobre a Mabel.
  310. "A realidade é que, provavelmente,
  311. "quando Mabel estava a chorar
  312. "o que era uma coisa
    que ela não costumava fazer,
  313. "baixou a guarda.
  314. "Tu entraste na cozinha
  315. "e apanhaste-a num momento de fraqueza
    em que ela tinha baixado a guarda.
  316. "Como pensavas que eras
    como um dos filhos dela,
  317. "não percebias que, de facto,
    eras filho do patrão dela.
  318. "Ela começou a gritar contigo.
  319. "Depois, recompôs-se e pensou:
  320. " 'Se grito com ele e ele vai
    contar ao pai ou à mãe,
  321. "posso ser despedida.'
  322. "Por isso, recompôs-se e acabou
    — apesar de precisar de consolo —
  323. "acabou por te consolar
  324. "e a mandar-te ir brincar,
  325. "para poder acabar de chorar em paz".
  326. Fred ficou estupefacto.

  327. Percebeu que tinha interpretado
    mal aquele momento.
  328. Foi isto que foi feito a Rosa Parks.
  329. Porque é muito mais fácil
    digerir uma avozinha de pés doridos
  330. que não cede o lugar, não porque
    queira lutar contra a injustiça
  331. mas porque tem os pés doridos
    e dores nas costas
  332. e esteve a trabalhar o dia inteiro.
  333. Sabem, as avós não são assustadoras.
  334. Mas as mulheres negras, radicais,
  335. que não se sujeitam a ninguém,
  336. essas sim, são muito assustadoras.
  337. As que aspiram a ter poder
  338. e estão dispostas a morrer por isso
  339. — não são o tipo de pessoas
  340. com que nos sintamos à vontade.
  341. E agora vocês perguntam:

  342. "David, o que é que queres que eu faça?
  343. "Não sei o que fazer".
  344. Vou dizer-vos uma coisa.
  345. Houve uma época
  346. em que quem era judeu não era branco,
  347. quem era italiano não era branco,
  348. quem era irlandês não era branco,
  349. neste país.
  350. Demorou bastante até os irlandeses,
    os judeus e os italianos serem brancos.
  351. Verdade?
  352. Houve um tempo em que eram "os outros,"
  353. quando eram as pessoas do exterior.
  354. Toni Morrison disse:
  355. "Se, para vocês serem altos,
    eu tiver de me ajoelhar,
  356. "vocês têm um problema grave."
  357. Ela disse: "A América branca
    tem um problema muito grave".
  358. Para ser sincero, não sei

  359. se as relações racistas
    vão melhorar nos EUA.
  360. Mas sei que, se melhorarem,
  361. temos de assumir estes problemas.
  362. O futuro dos meus filhos depende disso.
  363. O futuro dos filhos dos meus filhos
    depende disso.
  364. E quer vocês saibam, quer não,
  365. o futuro dos vossos filhos
    e dos filhos dos vossos filhos
  366. também depende disso.
  367. Obrigado.

  368. (Aplausos)