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← Um robô amigável e autónomo que entrega a comida

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Zeige Revision 6 erzeugt am 08/12/2020 von Margarida Ferreira.

  1. A entrega de comida
  2. é a coisa que salva da fome
    a geração da Internet.
  3. Pelos meus cálculos,
  4. os norte-americanos
    encomendam a restaurantes
  5. mais de 20 milhões
    de refeições, todos os dias.
  6. Mais de metade dessas entregas
    são acessíveis a pouca distância,
  7. mas 9 em 10 são entregues de carro.
  8. Então, basicamente,
  9. estamos a transportar
    um burrito de um quilo
  10. num carro de duas toneladas
  11. 20 milhões de vezes por dia.
  12. A energia para nos entregarem um burrito
  13. é a de uma gaiola metálica
    de 2 toneladas
  14. com assentos aquecidos.
  15. Sejamos honestos.

  16. Estamos viciados nos nossos carros.
  17. Vocês sabem que, nos EUA,
  18. para cada carro,
    há quatro lugares de estacionamento?
  19. Nalgumas cidades,
  20. mais de metade do território
    destina-se aos carros.
  21. Estamos a projetar as nossas cidades
    em volta dos nossos carros,
  22. porque andamos de carro
    quer para fazer três quilómetros
  23. ou 300 quilómetros.
  24. Sozinhos ou com toda a família.
  25. Usamos o mesmo SUV
    para comprar um café ou uma mesinha.
  26. Se libertássemos espaço nas ruas
    ou parques de estacionamento,
  27. podíamos construir mais habitações,
  28. mais espaços sociais, mais parques.
  29. Mas, para isso,
  30. primeiro, precisamos de repensar
    como usamos os carros hoje.
  31. Na cidade do futuro,

  32. se quisermos andar cinco quarteirões,
    alugamos uma bicicleta ou uma motoreta.
  33. Se estivermos com pressa,
    apanhamos um "drone".
  34. E se precisarmos de comida,
    não vamos precisar de conduzir,
  35. a comida chegará até nós.
  36. Vamos voltar aos 20 milhões
    de entregas de restaurantes por dia.

  37. Se pudermos tirar das ruas essas entregas,
  38. reduziremos a necessidade
  39. de um milhão e meio de carros
    apenas nos EUA.
  40. Isso é duas vezes o tamanho
    de São Francisco.
  41. Agora, pensem no impacto
    que isso teria em cidades como Deli,
  42. ou na minha cidade natal Teerão,
  43. onde a poluição dos carros
    mata milhares de pessoas por ano.
  44. Então, como podemos tirar
    algumas dessas entregas das ruas?

  45. Bem, essa é a questão
  46. em que a minha equipa e eu
    nos temos focado nos últimos três anos.
  47. E a solução é um dos tijolos
  48. da cidade do futuro.
  49. Estamos a criar pequenos robôs,
    autónomos
  50. que circulam por ruelas e passeios,
  51. num ritmo de caminhada
  52. e têm um espaço de bagagem seguro
    para a entrega de comida e mantimentos.
  53. Agora, antes de eu vos contar
    mais coisas sobre os robôs,

  54. vamos fazer um rápido
    exercício intelectual.
  55. Na vossa cabeça, imaginem uma cidade
    com milhares de robôs.
  56. Será assim?
  57. Esta fantasia à Hollywood
    é o que muitas pessoas imaginam.
  58. Mas o nosso trabalho é criar
    um futuro amigável para as pessoas.
  59. Então, em vez de alienígenas,
  60. criamos robôs que são familiares.
  61. Robôs que farão parte
    da nossa comunidade.
  62. Mas também queríamos
    um pouco de surpresa.
  63. Algo inesperadamente encantador.
  64. Pensem nisso.

  65. Vocês vão a caminhar pela rua,
  66. e veem o primeiro robô.
  67. Esse é o momento
    em que vocês vão decidir
  68. se esse é o futuro
    de que gostam ou de que têm medo.
  69. Para muita gente que tem
    essas ideias distópicas
  70. precisamos de lhes abrir a cabeça.
  71. Queremos surpreendê-las e encantá-las
  72. para podermos conquistá-las
    à primeira vista.
  73. Foi isso que nos ocorreu.
  74. É familiar, e também é surpreendente.
  75. É apenas um carrinho de compras,
  76. mas parece que cruzámos
    o WALL-E com os Minions.
  77. Se vocês moram em São Francisco
    ou Los Angeles,
  78. há a hipótese de um destes
    já ter entregue a vossa refeição.
  79. Logo que colocámos os robôs na rua,

  80. identificámos problemas interessantes,
  81. Por exemplo, como é que os robôs
    vão atravessar as ruas?
  82. Ou como é que os robôs interagirão
  83. com pessoas com deficiência
    visual ou de mobilidade?
  84. Cedo percebemos que precisamos
    de ensinar os nossos robôs
  85. a comunicar com as pessoas.
  86. As pessoas nos passeios são provenientes
    de todas as origens,
  87. por isso, precisamos
    de criar uma nova linguagem,
  88. uma espécie de linguagem universal
  89. para que pessoas e robôs
    possam entender-se,
  90. logo à primeira.
  91. Porque ninguém vai ler
    manuais de utilizadores.
  92. Nós começámos com os olhos,
    porque os olhos são universais.

  93. Eles podem mostrar para onde
    o robô está a ir
  94. ou se está desorientado.
  95. Além disso, os olhos tornam os robôs
    mais humanos.
  96. Nós também usamos os sons.
  97. Por exemplo, criámos
    este som de funcionamento
  98. com frequentes intervalos
  99. para as pessoas com deficiências visuais
    poderem localizar os seus robôs
  100. usando o efeito Doppler.
  101. Mas aconteceu que isso não foi suficiente

  102. Nos cruzamentos,
  103. os carros atravessavam-se
    em frente dos nossos robôs.
  104. Por vezes, os motoristas
    ficavam confusos,
  105. porque os robôs demoravam muito
    antes de começarem a atravessar.
  106. Até os peões vulgares
    ficavam confusos.
  107. Às vezes, não conseguiam perceber
    para que lado os robôs iam atravessar,
  108. porque os robôs fazem muitos
    pequenos ajustes na direção deles
  109. à medida que se movem.
  110. Isso deu origem a uma nova ideia.
  111. E se usássemos o movimento
    para criar uma linguagem universal?
  112. Por exemplo, nos cruzamentos,
  113. os robôs avançam ligeiramente
    antes de começarem a atravessar,
  114. para sinalizar aos motoristas
    que é a vez deles.
  115. Se veem alguém numa cadeira de rodas,
  116. eles cedem a passagem,
    afastam-se do passeio,
  117. para indicar que não se vão mover.
  118. Alguns de vocês talvez se lembrem disto.

  119. Em 2015, investigadores canadianos
    mandaram um robô à boleia
  120. para atravessar os EUA.
  121. Ele não foi muito longe.
  122. Acontece que os robôs também
    usam algumas aptidões sociais.
  123. Por exemplo, se são maltratados,
  124. investigadores de Carnegie Mellon
    mostraram pequenos robôs brinquedos
  125. a fingirem-se de mortos.
  126. porque as pessoas se sentem mal
    quando pensam que os avariaram.
  127. Mas os robôs de entrega
    não são brinquedos,
  128. não são pequenos,
    estão lá fora no meio do público.
  129. Descobrimos que, com os robôs de entrega,
  130. para impedir que as pessoas os avariem,
  131. os robôs precisam de mostrar consciência.
  132. É o oposto a fazerem-se de mortos.
  133. Neste caso,
  134. os robôs precisam de reconhecer a situação
  135. para fazerem com
    que as pessoas se afastem.
  136. Também, uma palavra de aviso.
  137. Se um robô vir crianças pequenas,
  138. deve correr na direção
    do adulto mais próximo.
  139. Acontece que algumas crianças
    adoram arreliar robôs.
  140. Mas, para além da distopia,

  141. Hollywood também nos prometeu
    uns robôs muito simpáticos
  142. que fariam os nossos recados
    ou nos fariam companhia.
  143. Até agora, estamos empenhados
    nas entregas de comida,
  144. mas, no futuro,
  145. esses robôs poderão fazer mais coisas.
  146. Podem recolher o excesso de comida
    e levá-la aos abrigos todas as noites.
  147. Porque nos EUA desperdiçamos
    30% da nossa comida,
  148. enquanto 10% do nosso povo
    passa necessidade alimentar.
  149. Estes robôs podem
    fazer parte da solução.
  150. Quando tivermos centenas de robôs
    a andar pelas cidades,
  151. poderemos ter robôs a transportar
    medicamentos de urgência a todo o momento,

  152. no caso de alguém na proximidade
    ter uma reação alérgica
  153. ou um ataque de asma.
  154. Esses robôs podem estar no local
    dentro de um minuto ou dois,
  155. mais depressa do que qualquer um.
  156. E durante as pandemias,
  157. os robôs podem ser uma peça chave
    da nossa infraestrutura.
  158. Podem garantir à comunidade
    a satisfação de necessidades essenciais
  159. mesmo durante as emergências.
  160. Quero deixar-vos com um último pensamento.
  161. Hoje, os objetos não podem ir de A a B
    sem ajuda humana,

  162. porque o nosso mundo tridimensional
    é bastante complexo.
  163. Mas, novos sensores e a IA
    podem mudar isso.
  164. De certa forma, a tecnologia
    é como um bebé
  165. que acabou de aprender a reconhecer
    objetos e a perceber palavras,
  166. e talvez mesmo manter
    uma conversa básica,
  167. mas ainda não aprendeu a andar.
  168. Agora, estamos a ensinar a tecnologia
  169. de navegar no mundo tridimensional
  170. sem a nossa ajuda.
  171. Estamos a entrar numa nova era
  172. em que objetos insensíveis
    vão levantar-se
  173. e movimentar-se livremente.
  174. E quando eles fizerem isso,
  175. temos de ter certeza
    de que não parecem alienígenas.
  176. A minha visão do futuro é que,
    quando as coisas ganham vida,
  177. elas fazem-no com alegria.

  178. Sabem, menos parecido com
    o "Exterminador do Futuro"
  179. e mais como o "Toy Story".
  180. Obrigado.