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← Como podemos resolver a crise de resistência dos antibióticos? - Gerry Wright

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Showing Revision 9 created 03/16/2020 by Leonardo Silva.

  1. Antibióticos: nos bastidores,
    permitem muito da medicina moderna.
  2. Nós os usamos para curar
    doenças infecciosas,
  3. mas também para facilitar
    tudo com segurança,
  4. de cirurgias a quimioterapia
    e transplantes de órgãos.
  5. Sem antibióticos,
  6. mesmo procedimentos médicos de rotina
    podem levar a infecções com risco de vida,
  7. e corremos o risco de perdê-los.
  8. Antibióticos são produtos químicos
    que impedem o crescimento de bactérias.

  9. Infelizmente, algumas bactérias
  10. se tornaram resistentes a todos
    os antibióticos atualmente disponíveis.
  11. Ao mesmo tempo, paramos
    de descobrir antibióticos novos.
  12. Ainda assim, há esperança
    de que possamos superar o problema.
  13. Mas primeiro, como chegamos
    a essa situação?

  14. O primeiro antibiótico
    amplamente utilizado foi a penicilina,
  15. descoberta em 1928 por Alexander Fleming.
  16. Em seu discurso no recebimento
    do Prêmio Nobel de 1945,
  17. Fleming alertou
    que a resistência bacteriana
  18. tinha o potencial de arruinar
    o milagre dos antibióticos.
  19. Ele tinha razão.
  20. Nas décadas de 1940 e 1950, já começaram
    a aparecer bactérias resistentes.
  21. Desde então até a década de 1980,

  22. as empresas farmacêuticas
    reagiram ao problema da resistência
  23. com a descoberta
    de muitos antibióticos novos.
  24. A princípio, essa era uma iniciativa
    altamente bem-sucedida e lucrativa.
  25. Com o tempo, algumas coisas mudaram.

  26. Os antibióticos recém-descobertos
    eram geralmente eficazes
  27. apenas para um espectro
    restrito de infecções,
  28. enquanto os primeiros
    eram amplamente aplicáveis.
  29. Isso não é um problema em si,
  30. mas significa que doses menores
    desses medicamentos podem ser vendidas,
  31. tornando-os menos rentáveis.
  32. Antigamente, os antibióticos
    eram excessivamente prescritos,
  33. inclusive para infecções virais
    sobre as quais não tinham efeito.
  34. A fiscalização das prescrições aumentou,
    o que é bom, mas também reduziu as vendas.
  35. Ao mesmo tempo, as empresas
    começaram a desenvolver mais medicamentos
  36. que são tomados ao longo
    da vida de um paciente,
  37. como medicamentos para colesterol
    e pressão arterial,
  38. e, mais tarde, medicamentos
    contra depressão e ansiedade.
  39. Por serem tomados indefinidamente,
    esses medicamentos são mais rentáveis.
  40. Em meados da década de 1980,

  41. nenhuma nova classe química
    de antibióticos foi descoberta,
  42. mas as bactérias continuavam
    a adquirir resistência e a transmiti-la
  43. compartilhando informações genéticas
    entre bactérias individuais
  44. e até mesmo entre espécies.
  45. Hoje, são comuns as bactérias
    resistentes a muitos antibióticos
  46. e, cada vez mais,
  47. algumas cepas são resistentes
    a todos os medicamentos atuais.
  48. O que podemos fazer a respeito?

  49. Precisamos controlar o uso
    de antibióticos existentes, criar novos,
  50. combater a resistência
    a medicamentos novos e existentes
  51. e encontrar novas maneiras
    de impedir infecções bacterianas.
  52. O maior consumidor
    de antibióticos é a agricultura,
  53. que os usa não apenas
    para tratar infecções,
  54. mas para promover o crescimento
    de animais para alimentação.
  55. O uso de grandes volumes de antibióticos
  56. aumenta a exposição das bactérias a eles
  57. e, portanto, sua oportunidade
    de desenvolver resistência.
  58. Muitas bactérias comuns em animais,
    por exemplo, a salmonela,
  59. também podem infectar seres humanos,
  60. e versões resistentes a medicamentos
    podem passar pra nós pela cadeia alimentar
  61. e se espalhar pelo comércio internacional
    e pelas redes de viagens.
  62. Em termos de descobrir antibióticos novos,

  63. a natureza oferece os mais
    promissores compostos novos.
  64. Organismos, como outros
    micróbios e fungos,
  65. evoluíram ao longo de milhões de anos
    para viver em ambientes competitivos,
  66. o que significa que geralmente
    contêm compostos antibióticos
  67. para lhes proporcionar uma vantagem
    de sobrevivência sobre certas bactérias.
  68. Também podemos embalar antibióticos
    com moléculas que inibem a resistência.

  69. Um modo de as bactérias
    desenvolverem resistência
  70. é por meio de proteínas próprias
    que degradam o medicamento.
  71. Ao ser embalado com moléculas
    que bloqueiam os degradadores,
  72. o antibiótico pode fazer seu trabalho.
  73. Fagos, vírus que atacam bactérias,
    mas não afetam seres humanos,

  74. são uma nova via promissora
    de combate a infecções bacterianas.
  75. Enquanto isso, o desenvolvimento
    de vacinas para infecções comuns
  76. pode ajudar a prevenir doenças
    em primeiro lugar.
  77. O maior desafio
    para todas essas abordagens

  78. é o financiamento, lamentavelmente
    inadequado em todo o mundo.
  79. Como os antibióticos
    não são muito rentáveis,
  80. muitas grandes empresas farmacêuticas
    pararam de tentar desenvolvê-los.
  81. Enquanto isso, empresas menores
  82. que conseguem trazer com sucesso
    antibióticos novos ao mercado
  83. muitas vezes vão à falência,
  84. como a start-up
    norte-americana Achaogen.
  85. Novas técnicas terapêuticas,
    como fagos e vacinas,
  86. enfrentam o mesmo problema fundamental
    dos antibióticos tradicionais:
  87. se estiverem funcionando bem,
    serão usadas apenas uma vez,
  88. o que dificulta ganhar dinheiro.
  89. Para neutralizar com êxito
    a resistência a longo prazo,
  90. precisaremos usar antibióticos
    novos com moderação,
  91. diminuindo ainda mais
    os lucros dos fabricantes.
  92. Uma solução possível é afastar os lucros
    do volume de antibióticos vendidos.

  93. Por exemplo, o Reino Unido
    está testando um modelo
  94. em que profissionais de saúde
    compram cotas de antibióticos.
  95. Embora os governos
    busquem modos de incentivar
  96. o desenvolvimento de antibióticos,
  97. esses programas ainda estão no início.
  98. Países em todo o mundo
    precisarão fazer muito mais,
  99. mas, com investimento suficiente
    no desenvolvimento de antibióticos
  100. e no uso controlado
    de nossos medicamentos atuais,
  101. ainda podemos avançar na resistência.