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← Como estamos a criar a maior árvore genealógica do mundo

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23 llengües

Showing Revision 5 created 11/19/2019 by Margarida Ferreira.

  1. As pessoas usam a Internet
    por diversas razões.
  2. Acontece que uma das categorias
    mais populares da Internet
  3. é uma coisa que as pessoas
    habitualmente consomem em privado.
  4. Envolve a curiosidade,
  5. com níveis significativos
    de autocomplacência
  6. e centra-se em registar
    as atividades reprodutivas
  7. de outras pessoas.
  8. (Risos)

  9. Claro que estou a falar da genealogia,
  10. (Risos)

  11. o estudo da história familiar.
  12. Quando se trata de pormenorizar
    a história familiar,

  13. em todas as famílias, temos uma pessoa
    obcecada pela genealogia.
  14. Vamos chamar-lhe o Tio Bernie.
  15. O Tio Bernie é a última pessoa
    que queremos ao nosso lado
  16. no jantar do Dia de Ação de Graças,
  17. porque ele chateia-nos até à morte
  18. com pormenores curiosos
    sobre parentes antigos.
  19. Mas, como sabem,
  20. tudo tem um lado científico,
  21. e encontrámos nas histórias do Tio Bernie
  22. um potencial enorme
    para a investigação biomédica.
  23. Vamos pôr o Tio Bernie
    e os seus camaradas genealogistas

  24. a documentar as suas árvores genealógicas
    num "website" chamado geni.com.
  25. Quando os utilizadores colocam
    as suas árvores neste "website",
  26. este percorre os parentes
  27. e, se encontra coincidências
    com outras árvores existentes,
  28. sobrepõe a nova árvore
    às árvores já existentes.
  29. O resultado é que se vão criando
    grandes árvores genealógicas,
  30. para além do nível individual
    de cada genealogia.
  31. Repetindo este processo
    com milhões de pessoas,
  32. pelo mundo inteiro,
  33. podemos construir uma árvore
    genealógica de toda a humanidade.
  34. Usando este "website",

  35. pudemos interligar 125 milhões de pessoas
  36. numa única árvore genealógica.
  37. Não posso desenhar aqui
    esta árvore num ecrã
  38. porque não há pixéis que cheguem
  39. para o número de pessoas desta árvore.
  40. Mas este é um exemplo
    dum subconjunto de 6000 indivíduos.
  41. Cada nódulo verde é uma pessoa.
  42. Os nódulos vermelhos
    representam os casamentos
  43. e as ligações representam os progenitores.
  44. No meio desta árvore,
    vemos os antepassados.
  45. À medida que avançamos para a periferia,
    vemos os descendentes.
  46. Esta árvore tem sete gerações,
    aproximadamente.
  47. Isto é o que acontece
    quando aumentamos

  48. o número de indivíduos
    para 70 000 pessoas,
  49. ainda um pequeno subconjunto
    de todos os dados que temos.
  50. Apesar disso, já podemos ver
    a formação de gigantescas árvores
  51. com parentes muito distantes.
  52. Graças ao trabalho esforçado
    dos nossos genealogistas,

  53. podemos recuar no tempo
    centenas de anos.
  54. Por exemplo, este é Alexander Hamilton,
  55. que nasceu em 1755.
  56. Alexander foi o primeiro
    Secretário do Tesouro dos EUA
  57. mas é mais conhecido hoje
    devido a um musical da Broadway.
  58. Descobrimos que Alexander tem profundas
    ligações com a indústria do espetáculo.
  59. Na verdade, é parente consanguíneo de...
  60. Kevin Bacon!
  61. (Risos)

  62. Ambos são descendentes
    de uma senhora escocesa

  63. que viveu no século XIII.
  64. Assim, podemos dizer
    que Alexander Hamilton
  65. tem 35 graus de genealogia
    de Kevin Bacon.
  66. (Risos)

  67. A nossa árvore tem milhões
    de histórias destas.

  68. Investimos esforços significativos
    para validar a qualidade dos dados.

  69. Usando o ADN, descobrimos que 0,3%
    das ligações mãe-filho nos nossos dados
  70. estão incorretos,
  71. o que coincide com a taxa de adoções
    nos EUA, antes da II Guerra Mundial.
  72. Do lado do pai,

  73. as notícias não são tão boas.
  74. Há 1,9% das ligações pai-filho
    nos nossos dados que são incorretas.
  75. Vejo aqui algumas pessoas
    com um sorriso amarelo.
  76. É o que estão a pensar,
  77. há aqui muitos cucos.
  78. (Risos)
  79. Mas este erro de 1,9%
    nas ligações patrilineares
  80. não existe apenas nos nossos dados.
  81. Estudos anteriores encontraram
    uma taxa semelhante de erro
  82. usando genealogias do foro clínico.
  83. Portanto, a qualidade
    dos nossos dados é boa
  84. e isso não deve constituir uma surpresa.
  85. Os nossos genealogistas
    têm um profundo interesse
  86. em documentar corretamente
    a sua história de família.
  87. Podemos usar estes dados para obter
    informações quantitativas da humanidade,

  88. como, por exemplo,
    questões sobre demografia.
  89. Isto é uma visão de todos
    os nossos perfis no mapa mundo.
  90. Cada pixel é uma pessoa
    que viveu em dada altura.
  91. Como temos tantos dados,
  92. podemos ver os contornos
    de muitos países,
  93. em especial no mundo ocidental.
  94. Neste "clip", estratificámos
    o mapa que vos mostrei,
  95. com base no ano de nascimentos
    de pessoas entre 1400 e 1900.
  96. Comparámos esses dados
    com movimentos migratórios conhecidos.
  97. O "clip" mostra que as linhagens
    mais profundas dos nossos dados
  98. vão todas parar ao Reino Unido,
  99. onde havia registos melhores
  100. e depois vão espalhar-se
    pelas vias do colonialismo ocidental.
  101. Vamos observar.
  102. [Ano de nascimento:]
  103. [1492 - Colombo navega no oceano azul]
  104. [1620 - O Mayflower atraca
    em Massachusetts]
  105. [1652 - Os holandeses
    instalam-se na África do Sul]
  106. [1788 - Começa o transporte de presos
    da Grã-Bretanha para a Austrália]
  107. [1836 - Os primeiros migrantes
    usam o Trilho do Oregon]
  108. [Todas as atividades]
  109. Adoro este filme.

  110. Já que estes episódios de migração
    põem as famílias em contexto,

  111. podemos fazer perguntas como:
  112. Qual é a distância habitual
    entre os locais de nascimento
  113. de maridos e mulheres?
  114. Essa distância desempenha
    um papel fundamental na demografia
  115. porque os padrões em que
    as pessoas migram para formar famílias
  116. determinam como os genes
    se espalham pelas áreas geográficas.
  117. Analisámos essa distância,
    usando os nossos dados
  118. e descobrimos que, antigamente,
  119. isso era fácil para as pessoas.
  120. Casavam com alguém
    da aldeia vizinha.
  121. Mas a Revolução Industrial
    complicou a nossa vida amorosa.
  122. E hoje, com os voos económicos
    e as redes sociais
  123. as pessoas migram a mais de 100 km
    de distância do local do nascimento
  124. para encontrar uma alma gémea.
  125. Agora, podem perguntar:

  126. "Ok, mas quem se dá ao trabalho
    de migrar de um local para outro
  127. "para formar uma família?
  128. "É o homem ou é a mulher?"
  129. Usámos os nossos dados
    para responder a esta pergunta
  130. e, pelo menos, nos últimos 300 anos,
  131. descobrimos que são as mulheres
    que têm o trabalho difícil
  132. de migrar de um local para outro
    para formar uma família.
  133. Estes resultados são significativos,
    do ponto de vista estatístico,
  134. por isso, podem considerar
    como facto científico,
  135. que os homens são preguiçosos.
  136. (Risos)

  137. Podemos passar das perguntas
    sobre demografia

  138. para fazer perguntas
    sobre a saúde humana.
  139. Por exemplo, podemos perguntar
  140. até que ponto as variações
    genéticas existentes
  141. contribuem para as diferenças
    na longevidade entre indivíduos.
  142. Estudos anteriores analisaram
    a correlação de longevidade entre gémeos
  143. para responder a esta pergunta.
  144. Calcularam que as variações genéticas
    contribuem em cerca de um quarto
  145. da diferença na longevidade
    dos indivíduos.
  146. Mas os gémeos podem ser correlacionados
    devido a muitas razões,
  147. incluindo diversos efeitos ambientais
  148. ou a um lar partilhado.
  149. As grandes árvores genealógicas
    dão-nos a oportunidade
  150. de analisar parentes próximos,
    como os gémeos,
  151. ou parentes distantes,
    até primos em quarto grau.
  152. Desta forma, podemos construir
    modelos robustos
  153. que podem separar a contribuição
    de variações genéticas
  154. e a contribuição dos fatores ambientais.
  155. Efetuámos esta análise
    usando os nossos dados
  156. e descobrimos que as variações genéticas
  157. explicam apenas 15% das diferenças
    na longevidade entre indivíduos.
  158. Ou seja, cinco anos em média.
  159. Assim, os genes são menos importantes
    que aquilo que pensávamos,
  160. em termos de longevidade.
  161. E eu acho que é uma boa notícia
  162. porque significa que as nossas ações
    são mais importantes.
  163. Fumar, por exemplo, determina 10 anos
    da nossa esperança de vida
  164. — o dobro do que é determinado
    pela genética.
  165. Podemos vir a encontrar
    mais descobertas surpreendentes

  166. se nos afastamos das árvores genealógicas
  167. e deixarmos os nossos genealogistas
    documentarem informações de ADN.
  168. Os resultados podem revelar-se espantosos.
  169. Pode ser difícil imaginar
    mas o Tio Bernie e os seus amigos
  170. podem criar competências
    forenses de ADN
  171. que ultrapassem o que o FBI
    tem atualmente.
  172. Quando colocamos o ADN
    numa grande árvore genealógica,
  173. estamos a criar um farol
  174. que ilumina as centenas
    de parentes distantes
  175. que estão todos ligados à pessoa
    que originou esse ADN.
  176. Colocando múltiplos faróis
    numa grande árvore genealógica,
  177. podemos triangular o ADN
    duma pessoa desconhecida,
  178. tal como o sistema GPS
    usa múltiplos satélites
  179. para encontrar um local.
  180. O exemplo principal
    do poder desta técnica

  181. é a captura do Assassino do Golden State,
  182. um dos criminosos mais famosos
    da história dos EUA.
  183. O FBI andava à procura
    desta pessoa há mais de 40 anos.
  184. Tinham o ADN dele,
  185. mas ele nunca apareceu
    em nenhuma base de dados da polícia.
  186. Há cerca de um ano, o FBI
    consultou uma genealogista genética
  187. e ela sugeriu que colocassem
    o ADN num serviço de genealogias
  188. que pode localizar parentes distantes.
  189. Foi o que fizeram
  190. e encontraram um primo terceiro
    do Assassino do Golden State.
  191. Criaram uma grande árvore genealógica,
  192. percorreram os vários ramos dessa árvore,
  193. até que encontraram um perfil
    que correspondia exatamente
  194. ao que eles conheciam
    do Assassino do Golden State.
  195. Obtiveram o ADN dessa pessoa
    e encontraram uma correspondência perfeita
  196. ao ADN que tinham na mão.
  197. Prenderam-no e apresentaram-no à Justiça
  198. ao fim desses anos todos.
  199. A partir daí, os genealogistas genéticos
    começaram a trabalhar
  200. com as agências policiais locais dos EUA
  201. para usarem esta técnica,
    a fim de capturar criminosos.
  202. Só nos últimos seis meses,
  203. conseguiram resolver, com esta técnica,
    mais de 20 casos arquivados.
  204. Felizmente, temos pessoas
    como o Tio Bernie e os genealogistas.

  205. Não são amadores
    com um passatempo egoísta.
  206. São cidadãos cientistas
    com a profunda paixão
  207. de nos dizerem quem somos.
  208. Sabem que o passado
    pode conter a chave do futuro.
  209. Muito obrigado.

  210. (Aplausos)