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O que acontece quando o mundo todo vota? | Simon Anholt | TEDxFrankfurt

  • 0:03 - 0:05
    Como muitos de vocês sabem,
  • 0:05 - 0:08
    os resultados da recente eleição
    nos EUA foram os seguintes:
  • 0:08 - 0:13
    Hillary Clinton, a candidata Democrata
    teve uma vitória esmagadora
  • 0:13 - 0:15
    com 52 % do total dos votos.
  • 0:16 - 0:18
    Jill Stein, a candidata "Verde",
  • 0:18 - 0:20
    chegou distante, em segundo, com 19%.
  • 0:21 - 0:26
    Donald J. Trump, candidato Republicano,
    veio logo atrás dela com 14%,
  • 0:27 - 0:30
    e o restante dos votos foram
    compartilhados entre abstenções
  • 0:30 - 0:33
    e Gary Johnson, o candidato "Libertário".
  • 0:36 - 0:38
    (Risos)
  • 0:38 - 0:42
    Em que universo paralelo
    vocês acham que eu vivo?
  • 0:44 - 0:46
    Bem, eu não vivo num universo paralelo.
  • 0:46 - 0:49
    Eu vivo no mundo e é assim
    que o mundo votou.
  • 0:50 - 0:54
    Deixem-me levá-los de volta
    e explicar o que quero dizer com isso.
  • 0:54 - 0:57
    Em junho deste ano, lancei
    algo chamado Global Vote.
  • 0:58 - 1:01
    E o Global Vote faz
    exatamente o que diz no nome.
  • 1:02 - 1:03
    Pela primeira vez na história,
  • 1:03 - 1:06
    ele permite que qualquer um,
    em qualquer lugar do mundo,
  • 1:06 - 1:09
    vote nas eleições de outro país.
  • 1:10 - 1:12
    Por que você faria isso?
  • 1:12 - 1:14
    Qual é o propósito?
  • 1:14 - 1:16
    Bem, deixem-me mostrar como é.
  • 1:16 - 1:18
    Você vai a um website,
  • 1:19 - 1:20
    um lindo site,
  • 1:21 - 1:24
    e seleciona uma eleição.
  • 1:24 - 1:26
    Aqui estão algumas que já cobrimos.
  • 1:27 - 1:30
    Fazemos cerca de uma por mês,
    ou algo parecido.
  • 1:30 - 1:33
    Então, podem ver a Bulgária,
    os Estados Unidos da América,
  • 1:33 - 1:36
    o Secretário-Geral das Nações Unidas,
  • 1:36 - 1:38
    e o referendo do Brexit ali no final.
  • 1:38 - 1:41
    Você escolhe a eleição que te interessa,
  • 1:41 - 1:45
    e escolhe os candidatos.
  • 1:45 - 1:48
    Estes são os candidatos
    da recente eleição presidencial
  • 1:48 - 1:51
    na pequena nação insular
    de São Tomé e Príncipe,
  • 1:51 - 1:55
    com 199 mil habitantes,
    na costa oeste da África.
  • 1:56 - 2:00
    Então pode observar o breve resumo
    de cada um desses candidatos
  • 2:00 - 2:05
    o qual, eu espero, seja bastante
    neutro, informativo e sucinto.
  • 2:05 - 2:08
    E quando você encontra
    alguém que gosta, você vota.
  • 2:09 - 2:10
    Estes foram os candidatos
  • 2:10 - 2:15
    na recente eleição presidencial
    na Islândia, e por aí vai.
  • 2:16 - 2:21
    Então por que você iria querer
    votar na eleição de outro país?
  • 2:22 - 2:26
    Você não iria querer fazer isso,
    posso lhes assegurar,
  • 2:26 - 2:30
    porque interferiria no processo
    democrático de outro país.
  • 2:30 - 2:32
    Esse não é o propósito, de modo algum.
  • 2:32 - 2:33
    Na verdade, você não pode,
  • 2:33 - 2:39
    pois, geralmente, só libero os resultados
    depois que o eleitorado do país já votou,
  • 2:39 - 2:42
    então não teríamos como
    interferir nesse processo.
  • 2:42 - 2:43
    Mas o mais importante,
  • 2:43 - 2:47
    não estou particularmente interessado
    nas questões domésticas de cada país.
  • 2:47 - 2:49
    Não é por isso que votamos.
  • 2:50 - 2:54
    O que Donald J. Trump ou Hillary Clinton
    propuseram aos americanos
  • 2:54 - 2:56
    não é, francamente, da nossa conta.
  • 2:56 - 2:59
    Isso é algo que só
    os americanos podem votar.
  • 2:59 - 3:02
    Na votação global você só
    considera um aspecto disso:
  • 3:02 - 3:06
    "O que esses líderes
    vão fazer pelo restante de nós?"
  • 3:07 - 3:09
    E isso é muito importante porque vivemos,
  • 3:09 - 3:12
    como sem dúvidas estão cansados
    de ouvir as pessoas dizerem,
  • 3:12 - 3:16
    num mundo globalizado, hiperconectado,
    e densamente interdependente,
  • 3:17 - 3:20
    onde as decisões políticas
    de pessoas em outros países
  • 3:20 - 3:22
    podem e terão um impacto em nossas vidas,
  • 3:22 - 3:25
    não importa quem sejamos,
    não importa onde vivamos.
  • 3:26 - 3:27
    Como as asas da borboleta
  • 3:27 - 3:30
    batendo em um lado do Pacífico
  • 3:30 - 3:33
    que, aparentemente, podem
    criar um furacão no outro lado,
  • 3:33 - 3:36
    assim é com o mundo em que vivemos hoje
  • 3:36 - 3:38
    e o mundo da política.
  • 3:38 - 3:42
    Não existe mais uma linha divisória entre
    assuntos domésticos e internacionais.
  • 3:43 - 3:47
    Qualquer país, não importa o quão pequeno,
    mesmo que seja São Tomé e Príncipe,
  • 3:48 - 3:50
    poderia produzir o próximo Nelson Mandela
  • 3:50 - 3:52
    ou o próximo Stalin.
  • 3:53 - 3:57
    Eles podem poluir a atmosfera
    e os oceanos, que pertencem a todos nós,
  • 3:57 - 4:00
    ou podem ser responsáveis
    e ajudar a todos nós.
  • 4:01 - 4:04
    Ainda assim, o sistema é muito estranho,
  • 4:04 - 4:07
    porque ele não acompanha
    esta realidade globalizada.
  • 4:08 - 4:11
    Apenas um pequeno número de pessoas
    tem permissão para votar naqueles líderes,
  • 4:11 - 4:14
    mesmo que seu impacto
    seja gigantesco e quase universal.
  • 4:15 - 4:17
    Qual foi esse número?
  • 4:17 - 4:19
    Cento e quarenta milhões
    de americanos votaram
  • 4:19 - 4:21
    para o próximo presidente
    dos Estados Unidos.
  • 4:21 - 4:24
    Ainda assim, como todos sabemos,
    em poucas semanas,
  • 4:24 - 4:27
    alguém vai entregar os códigos
    de lançamento nuclear
  • 4:27 - 4:28
    para Donald J. Trump.
  • 4:29 - 4:32
    Agora, se isso não está causando
    um impacto potencial em todos nós,
  • 4:32 - 4:33
    não sei o que está.
  • 4:34 - 4:39
    Da mesma forma, a eleição
    para o referendo do voto do Brexit;
  • 4:40 - 4:44
    alguns poucos milhões
    de britânicos votaram,
  • 4:44 - 4:46
    mas o resultado da votação,
    qualquer que fosse,
  • 4:46 - 4:48
    teria tido um impacto significativo
  • 4:48 - 4:53
    nas vidas de dezenas, centenas de milhões
    de pessoas ao redor do mundo.
  • 4:53 - 4:55
    Mas apenas um pequeno número pôde votar.
  • 4:55 - 4:57
    Que tipo de democracia é essa?
  • 4:58 - 5:00
    Enormes decisões que afetam a todos nós
  • 5:00 - 5:03
    sendo decididas por um número
    muito pequeno de pessoas.
  • 5:03 - 5:05
    Não sei quanto a vocês,
  • 5:05 - 5:07
    mas não acho que isso
    pareça muito democrático.
  • 5:07 - 5:09
    Então, estou tentando esclarecer.
  • 5:09 - 5:13
    Mas como eu disse,
    não focamos questões domésticas.
  • 5:13 - 5:16
    Na verdade, eu só faço duas perguntas
    para todos os candidatos.
  • 5:16 - 5:18
    Envio a eles as mesmas
    duas perguntas toda vez.
  • 5:18 - 5:20
    Eu pergunto, uma:
  • 5:20 - 5:23
    se você for eleito, o que vai fazer
    para o restante de nós,
  • 5:23 - 5:26
    para o restante dos 7 bilhões
    que vivem neste planeta?
  • 5:26 - 5:28
    Segunda questão:
  • 5:28 - 5:31
    qual é a sua visão para o futuro
    do seu país no mundo?
  • 5:31 - 5:33
    Qual papel você o vê atuando?
  • 5:34 - 5:36
    Envio essas perguntas para cada candidato.
  • 5:36 - 5:39
    Nem todos respondem,
    não me interpretem mal.
  • 5:39 - 5:40
    Imagino que se você está a ponto
  • 5:40 - 5:45
    de se tornar o próximo presidente dos EUA,
    deve estar bem ocupado boa parte do tempo,
  • 5:45 - 5:49
    então não fico surpreso que nem todos
    respondam, mas muitos respondem.
  • 5:49 - 5:51
    Cada vez mais.
  • 5:51 - 5:53
    E alguns deles fazem
    bem mais do que responder.
  • 5:53 - 5:57
    Alguns respondem com um entusiasmo
    e empolgação que jamais imaginaríamos.
  • 5:57 - 6:00
    Vou dizer algo sobre Saviour Chishimba,
  • 6:00 - 6:03
    que foi um dos candidatos na recente
    eleição presidencial da Zâmbia.
  • 6:03 - 6:08
    As respostas dele a essas duas perguntas
    foram uma dissertação de 18 páginas
  • 6:08 - 6:12
    quanto à visão dele sobre o papel
    potencial da Zâmbia no mundo
  • 6:12 - 6:14
    e na comunidade internacional.
  • 6:14 - 6:16
    Eu a publiquei no site
    para que pudesse ser lida.
  • 6:17 - 6:22
    Saviour ganhou o voto global,
    mas não ganhou a eleição zambiana.
  • 6:22 - 6:27
    Então me perguntei: "O que farei
    com este grupo extraordinário de pessoas?
  • 6:27 - 6:30
    Algumas pessoas maravilhosas
    ganharam o voto global.
  • 6:30 - 6:32
    A propósito, sempre escolhemos errado.
  • 6:32 - 6:36
    O nosso escolhido nunca é o candidato
    eleito pelo eleitorado doméstico.
  • 6:37 - 6:40
    Pode ser em parte porque sempre
    acabamos escolhendo as mulheres.
  • 6:40 - 6:43
    Mas acho que pode também ser um sinal
  • 6:43 - 6:46
    de que o eleitorado doméstico ainda
    esteja pensando muito nacionalmente,
  • 6:46 - 6:48
    muito internamente.
  • 6:48 - 6:52
    Eles ainda estão se perguntando:
    "O que 'eu' vou ganhar com isso?",
  • 6:52 - 6:55
    em vez daquilo que deveriam
    estar perguntando hoje, que é:
  • 6:55 - 6:57
    "O que 'nós' vamos ganhar com isso?"
  • 6:57 - 6:58
    Mas, aí está.
  • 6:58 - 7:02
    Então sugestões, por favor, não agora,
    mas me enviem um e-mail se têm uma ideia
  • 7:02 - 7:06
    sobre o que podemos fazer com este
    incrível time de perdedores gloriosos.
  • 7:06 - 7:07
    (Risos)
  • 7:07 - 7:09
    Temos o Saviour Chishimba,
    que mencionei antes.
  • 7:09 - 7:11
    Temos Halla Tómasdóttir,
  • 7:11 - 7:14
    segunda colocada na eleição
    presidencial islandesa.
  • 7:14 - 7:18
    Muitos podem ter visto a palestra incrível
    dela em TEDWomen, há algumas semanas,
  • 7:18 - 7:22
    na qual ela falou sobre a necessidade
    de mais mulheres participarem da política.
  • 7:22 - 7:24
    Temos Maria das Neves,
    de São Tomé e Príncipe.
  • 7:25 - 7:28
    Temos Hillary Clinton;
    não sei se ela está disponível.
  • 7:28 - 7:30
    Temos Jill Stein.
  • 7:31 - 7:33
    E cobrimos também a eleição
  • 7:33 - 7:36
    para o próximo Secretário-Geral
    das Nações Unidas.
  • 7:37 - 7:39
    Temos o ex-primeiro-ministro
    da Nova Zelândia,
  • 7:39 - 7:41
    que seria um maravilhoso membro do time.
  • 7:41 - 7:43
    Acho que talvez esse glorioso
    clube dos perdedores,
  • 7:43 - 7:46
    poderia viajar pelo mundo,
    onde houvesse uma eleição,
  • 7:46 - 7:50
    e lembrar as pessoas sobre
    a necessidade nessa época moderna
  • 7:50 - 7:54
    de abrir a cabeça, e pensar
    nas consequências internacionais.
  • 7:56 - 7:58
    O que vem em seguida para o Global Vote?
  • 7:58 - 7:59
    Obviamente,
  • 7:59 - 8:04
    o espetáculo de Donald e Hillary
    é um pouco difícil de ser seguido,
  • 8:04 - 8:06
    mas há algumas outras eleições
    importantes a caminho.
  • 8:06 - 8:09
    Na verdade, eles parecem
    estar se multiplicando.
  • 8:09 - 8:11
    Há algo acontecendo no mundo,
    tenho certeza que notaram.
  • 8:11 - 8:15
    E na próxima sequência de eleições,
    todas são decisivamente importantes.
  • 8:16 - 8:18
    Em apenas alguns dias
  • 8:18 - 8:21
    temos a reprise da eleição
    presidencial austríaca,
  • 8:21 - 8:25
    com a perspectiva de Norbert Hofer
    tornando-se o que é comumente descrito
  • 8:25 - 8:28
    como: o primeiro chefe de estado
    de extrema-direita na Europa
  • 8:28 - 8:29
    desde a Segunda Guerra Mundial.
  • 8:29 - 8:32
    No ano que vem temos
    a Alemanha, temos a França,
  • 8:32 - 8:36
    temos eleições presidenciais no Irã
    e uma dúzia de outras.
  • 8:36 - 8:40
    Não fica menos importante,
    mas sim cada vez mais importante.
  • 8:41 - 8:45
    Claramente, o Global Vote
    não é um projeto autônomo.
  • 8:45 - 8:47
    Não está lá por conta própria.
  • 8:48 - 8:49
    Tem alguma história.
  • 8:49 - 8:53
    É parte de um projeto que lancei em 2014,
  • 8:53 - 8:55
    que chamo de Good Country.
  • 8:56 - 8:58
    A ideia do Good Country
    é basicamente muito simples.
  • 8:59 - 9:02
    É o meu diagnóstico simples
    do que há de errado com o mundo
  • 9:02 - 9:04
    e como remediá-lo.
  • 9:05 - 9:07
    O que há de errado
    com o mundo eu já insinuei.
  • 9:07 - 9:10
    Basicamente, enfrentamos
    um número enorme e crescente
  • 9:10 - 9:13
    de desafios globais
    gigantescos e existenciais:
  • 9:13 - 9:16
    mudanças climáticas,
    abuso dos direitos humanos,
  • 9:16 - 9:20
    migração em massa, terrorismo,
    caos econômico, proliferação de armas.
  • 9:21 - 9:24
    Todos esses problemas
    que ameaçam nos destruir
  • 9:24 - 9:26
    são globalizados por natureza própria.
  • 9:26 - 9:31
    Nenhum país tem a capacidade
    de enfrentá-los sozinho.
  • 9:32 - 9:34
    E muito obviamente
  • 9:34 - 9:37
    temos que cooperar
    e trabalhar juntos como nações
  • 9:37 - 9:39
    se vamos resolver esses problemas.
  • 9:40 - 9:42
    É tão óbvio, mas não colaboramos.
  • 9:43 - 9:46
    Não colaboramos
    com a frequência necessária.
  • 9:46 - 9:49
    Muitas vezes, países ainda
    persistem em se comportar
  • 9:49 - 9:54
    como se fossem tribos guerreiras
    e egoístas lutando umas contra as outras,
  • 9:54 - 9:57
    tanto quanto têm feito desde
    que o estado-nação foi inventado,
  • 9:57 - 9:58
    há séculos.
  • 9:58 - 10:00
    E isso tem que mudar.
  • 10:00 - 10:04
    Esta não é uma mudança
    nos sistemas políticos ou na ideologia.
  • 10:04 - 10:06
    Esta é uma mudança na cultura.
  • 10:06 - 10:08
    Todos nós temos que entender
  • 10:09 - 10:13
    que pensar interiormente não é a solução
    para os problemas do mundo.
  • 10:13 - 10:17
    Temos que aprender a cooperar
    e trabalhar juntos muito mais,
  • 10:17 - 10:19
    e competir só um pouquinho menos.
  • 10:20 - 10:23
    Do contrário, as coisas
    vão continuar ficando ruins
  • 10:23 - 10:26
    e vão ficar muito piores
    bem antes do que esperávamos.
  • 10:27 - 10:30
    Essa mudança só acontecerá
    se nós, pessoas comuns,
  • 10:30 - 10:33
    dissermos aos nossos políticos
    que as coisas mudaram.
  • 10:33 - 10:35
    Temos que dizer a eles
    que a cultura mudou.
  • 10:35 - 10:38
    Temos que dizer a eles
    que eles têm um novo mandato.
  • 10:38 - 10:41
    O antigo mandato
    era muito simples e singular:
  • 10:41 - 10:44
    se estiver numa posição
    de poder ou autoridade,
  • 10:44 - 10:48
    você é responsável pelo seu próprio povo
    e sua pequena fatia de território, e só!
  • 10:48 - 10:51
    E, se para fazer o melhor
    para o seu próprio povo,
  • 10:51 - 10:54
    você destrói todos os outros
    no planeta, melhor ainda;
  • 10:54 - 10:56
    é considerado "coisa de macho".
  • 10:56 - 10:59
    Hoje, acho que todos numa posição
    de poder e responsabilidade
  • 10:59 - 11:01
    têm um duplo mandato,
    que diz que se você estiver
  • 11:01 - 11:05
    em posição de poder e responsabilidade,
    é responsável pelo seu próprio povo
  • 11:05 - 11:09
    e por todo homem, mulher,
    criança e animal no planeta.
  • 11:10 - 11:13
    É responsável pela sua fatia de território
  • 11:13 - 11:16
    e por todo quilômetro quadrado
    da superfície de terra
  • 11:16 - 11:18
    e a atmosfera acima dela.
  • 11:18 - 11:21
    E se não gosta dessa responsabilidade,
    você não deve estar no poder.
  • 11:21 - 11:23
    Isso para mim é a regra da era moderna,
  • 11:23 - 11:27
    e é a mensagem que temos
    que transmitir aos nossos políticos,
  • 11:27 - 11:30
    e mostrá-los que esse é o caminho
    como as coisas são feitas atualmente.
  • 11:30 - 11:33
    Do contrário, estamos todos ferrados.
  • 11:33 - 11:38
    Não me incomoda a doutrina de Trump:
    "Os EUA em primeiro lugar!"
  • 11:38 - 11:40
    Parece-me uma declaração bem banal
  • 11:40 - 11:44
    daquilo que os políticos sempre fizeram
    e, provavelmente, devem sempre fazer.
  • 11:44 - 11:47
    Claro que são eleitos para representar
    os interesses do seu próprio povo.
  • 11:48 - 11:51
    Mas o que acho muito chato e antiquado
  • 11:51 - 11:53
    e tão sem imaginação
    sobre essa visão dele
  • 11:53 - 11:57
    é que ter os EUA em primeiro lugar
    significa todos os outros em último;
  • 11:57 - 12:02
    que devolver a grandiosidade aos EUA
    significa tornar outros países pequenos,
  • 12:02 - 12:03
    e isso não é verdade.
  • 12:04 - 12:07
    Como consultor político
    nos últimos 20 e poucos anos,
  • 12:07 - 12:10
    presenciei muitas centenas
    de exemplos de políticas
  • 12:10 - 12:14
    que harmonizaram as normas internacionais
    e as necessidades domésticas,
  • 12:14 - 12:16
    e elas tornam a política melhor.
  • 12:16 - 12:19
    Não estou pedindo às nações que sejam
    altruístas ou que se sacrifiquem.
  • 12:19 - 12:22
    Isso seria ridículo.
    Nenhuma nação faria isso.
  • 12:23 - 12:25
    Mas que despertem e entendam
  • 12:25 - 12:28
    que precisamos de uma nova forma
    de governo, que é possível,
  • 12:28 - 12:31
    e que harmoniza essas duas necessidades,
  • 12:31 - 12:34
    que são boas para nosso próprio povo
    e para todos os outros.
  • 12:35 - 12:39
    Desde a eleição dos EUA e desde o Brexit
    ficou ainda mais óbvio para mim
  • 12:39 - 12:43
    que essas antigas distinções de esquerda
    e direita já não fazem mais sentido.
  • 12:43 - 12:46
    Elas realmente não se encaixam no padrão.
  • 12:46 - 12:50
    O que parece importar
    hoje é muito simples:
  • 12:50 - 12:52
    se a sua visão do mundo
  • 12:52 - 12:56
    é a de que você se reconforta
    ao olhar para dentro e para trás,
  • 12:56 - 13:00
    ou se, como eu, você encontra esperança
    ao olhar adiante e para fora.
  • 13:01 - 13:03
    Essa é a nova política.
  • 13:03 - 13:06
    É a nova partilha que está
    dividindo o mundo ao meio.
  • 13:08 - 13:11
    Pode parecer uma crítica,
    mas não é para ser.
  • 13:11 - 13:13
    Não é difícil entender
  • 13:13 - 13:17
    por que tanta gente se conforta
    ao olhar para dentro e para trás.
  • 13:17 - 13:19
    Quando os tempos são difíceis,
  • 13:19 - 13:23
    passamos por dificuldades financeiras,
    nos sentimos inseguros e vulneráveis,
  • 13:23 - 13:25
    a introspecção é uma tendência
    natural do ser humano:
  • 13:25 - 13:29
    pensar nas suas necessidades
    e descartar a dos outros
  • 13:29 - 13:32
    e começar a imaginar que o passado
    foi, de algum modo,
  • 13:32 - 13:35
    melhor do que o presente
    ou o futuro poderiam ser.
  • 13:36 - 13:40
    Mas vejo isso como um beco sem saída;
    a história nos mostra que é.
  • 13:40 - 13:43
    Quando as pessoas se voltam
    para dentro e para trás,
  • 13:43 - 13:48
    o progresso humano se inverte
    e tudo piora para todos muito rapidamente.
  • 13:50 - 13:54
    Se vocês são como eu e acreditam
    em seguir adiante e para fora,
  • 13:54 - 13:59
    e que o melhor da humanidade
    está na sua diversidade,
  • 13:59 - 14:01
    e que o melhor da globalização
  • 14:01 - 14:06
    é o modo como ela estimula
    essa diversidade, essa mistura cultural
  • 14:06 - 14:09
    para fazer algo mais criativo,
    mais emocionante e produtivo
  • 14:09 - 14:12
    do que jamais houve antes
    na história humana,
  • 14:12 - 14:14
    então, meus amigos, temos
    uma tarefa em nossas mãos,
  • 14:15 - 14:20
    pois a brigada introvertida e retrógrada
    está se unindo como nunca antes,
  • 14:21 - 14:26
    e essa doutrina para dentro e para trás,
    esse o medo e essa ansiedade,
  • 14:26 - 14:31
    que brinca com os instintos mais básicos,
    está se espalhando mundo afora.
  • 14:31 - 14:34
    Aqueles de nós que acreditam,
    como eu acredito,
  • 14:34 - 14:38
    em seguir adiante e para fora,
    temos que nos organizar,
  • 14:38 - 14:42
    pois o tempo está se esgotando
    muito rapidamente.
  • 14:43 - 14:45
    Obrigado.
  • 14:45 - 14:46
    (Aplausos)
Title:
O que acontece quando o mundo todo vota? | Simon Anholt | TEDxFrankfurt
Description:

"A única superpotência que resta é a opinião pública internacional", diz Simon Anholt, um consultor de política independente que ajudou mais de 50 países a se engajarem mais produtivamente com o resto do mundo. Ele acredita que a opinião pública não pode ser trazida à superfície, mas ela só se move quando um governo faz mudanças reais em seus valores e comportamentos, desenvolvendo políticas esclarecidas bem como trocas dinâmicas com outras nações e comprometendo-se com a melhoria global.

Esta palestra foi dada em um evento TEDx, que usa o formato de conferência TED, mas é organizado de forma independente por uma comunidade local. Para saber mais visite http://ted.com/tedx

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Project:
TEDxTalks
Duration:
14:49

Portuguese, Brazilian subtitles

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