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As consequências imprevistas de um mundo acelerado

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    Já se perguntaram
    por que estamos cercados de coisas
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    que nos ajudam a fazer tudo
    cada vez mais rápido?
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    Comunicar mais rápido,
  • 0:10 - 0:13
    mas também trabalhar mais rápido,
    ganhar dinheiro mais rápido,
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    viajar mais rápido,
    encontrar um namorado mais rápido,
  • 0:15 - 0:20
    cozinhar mais rápido, limpar mais rápido
    e fazer tudo isso ao mesmo tempo?
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    Como vocês se sentem cada vez mais
    sobrecarregados o tempo todo?
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    Para minha geração,
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    a velocidade é um direito de nascença.
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    Às vezes, acho que nossa velocidade mínima
    deve ser a do Gillette Mach 3.
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    Menos do que isso, tememos perder
    nossa vantagem competitiva.
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    Mas até mesmo minha geração
    começa a questionar
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    se dominamos a velocidade
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    ou se somos dominados por ela.
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    Sou antropóloga da Rand Corporation
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    e, enquanto muitos antropólogos
    estudam culturas antigas,
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    eu me concentro em culturas modernas
    e em como nos adaptamos
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    a todas essas mudanças
    que acontecem no mundo.
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    Recentemente, juntei-me a um engenheiro,
    Seifu Chonde, para estudar a velocidade.
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    Ambos nos interessamos em como as pessoas
    se adaptam a essa época de aceleração
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    e nas implicações de segurança e política.
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    Como seria o mundo daqui a 25 anos
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    se o ritmo atual de mudanças
    continuar acelerando?
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    Como afetaria os transportes,
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    o aprendizado, a comunicação,
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    a indústria, o armamento
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    ou até mesmo a seleção natural?
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    Será que um futuro mais rápido
    nos tornaria mais seguros e produtivos?
  • 1:32 - 1:35
    Ou nos tornaria mais vulneráveis?
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    Em nossa pesquisa, as pessoas aceitaram
    a aceleração como inevitável,
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    tanto as emoções
    quanto a falta de controle.
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    Elas temem que, se desacelerarem,
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    podem correr o risco de ficarem obsoletas.
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    Elas preferem ficar exaustas
    a ficar enferrujadas,
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    mas, ao mesmo tempo,
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    temem que a velocidade
    acabe com suas tradições culturais
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    e o sentido de lar.
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    Mas mesmo quem está ganhando
    no jogo da velocidade
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    admite um certo desconforto.
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    Vê que a aceleração
    amplia a diferença entre os ricos,
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    que andam por aí de jato particular,
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    e os pobres,
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    que são deixados na poeira digital.
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    Sim, temos boas razões para prever
    que o futuro será mais rápido,
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    mas percebi
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    que a velocidade é um paradoxo
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    e, como todos os bons paradoxos,
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    nos ensina sobre a experiência humana,
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    por mais absurda e complexa que seja.
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    O primeiro paradoxo
    é que adoramos velocidade
  • 2:32 - 2:34
    e vibramos por sua intensidade.
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    Mas nosso cérebro pré-histórico
    não foi feito para isso.
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    Assim, inventamos montanhas-russas,
    carros de corrida e aviões supersônicos,
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    mas machucamos o pescoço,
    ficamos enjoados no carro,
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    desorientados pelo fuso horário.
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    Não evoluímos para a multitarefa.
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    Em vez disso, evoluímos para fazer
    uma coisa com foco incrível,
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    como a caça, não necessariamente
    com grande velocidade,
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    mas com resistência por grande distância.
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    Mas agora há uma lacuna crescente
  • 3:02 - 3:04
    entre nossa biologia
    e nosso estilo de vida,
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    uma incompatibilidade entre a capacidade
    do corpo e o que exigimos dele.
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    É um fenômeno que meus mentores chamam
    de "antiquados na pista expressa".
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    (Risos)
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    Um segundo paradoxo da velocidade
    é que ela pode ser medida objetivamente.
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    Quilômetros por hora,
    gigabytes por segundo.
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    Mas a percepção da velocidade,
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    e se gostamos dela,
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    é altamente subjetiva.
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    Podemos documentar
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    que o ritmo em que adotamos
    novas tecnologias está aumentando.
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    Por exemplo, foram necessários 85 anos
    desde a introdução do telefone
  • 3:40 - 3:43
    até o tempo em que a maioria
    das pessoas tivesse telefone em casa.
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    Por outro lado, levou apenas 13 anos
    para a maioria de nós ter smartphones.
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    E a maneira como as pessoas
    agem e reagem à velocidade
  • 3:52 - 3:53
    varia segundo a cultura
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    e entre pessoas diferentes
    dentro da mesma cultura.
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    Interações que podem ser vistas
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    como agradavelmente rápidas
    e convenientes em algumas culturas
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    podem ser extremamente
    grosseiras em outras.
  • 4:03 - 4:07
    Você não pediria uma xícara para viagem
    em uma cerimônia de chá japonesa
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    para poder partir
    para o próximo ponto turístico,
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    não é mesmo?
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    Um terceiro paradoxo
    é que velocidade gera velocidade.
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    Quanto mais rápido respondo,
    mais respostas recebo
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    e mais rápido tenho que responder de novo.
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    Ter mais comunicação
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    e informação ao nosso alcance
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    a qualquer momento
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    deveria tornar a tomada de decisões
    mais fácil e mais racional.
  • 4:32 - 4:35
    Mas parece que não é o que acontece.
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    Eis apenas mais um paradoxo:
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    se todas essas tecnologias mais rápidas
    deveriam nos libertar do trabalho penoso,
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    por que todos nos sentimos
    tão pressionados pelo tempo?
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    Por que estamos batendo
    nossos carros em número recorde
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    por acharmos que precisamos responder
    a uma mensagem imediatamente?
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    Será que a vida na pista expressa
    não deveria ser um pouco mais divertida
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    com um pouco menos de ansiedade?
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    Os falantes de alemão
    têm uma palavra para isso:
  • 5:02 - 5:03
    "Eilkrankheit",
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    que significa "doença da pressa".
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    Quando precisamos tomar decisões rápidas,
  • 5:10 - 5:12
    o piloto automático entra em ação,
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    e confiamos nos comportamentos
    que aprendemos,
  • 5:14 - 5:18
    em nossos reflexos
    e nossas tendências cognitivas
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    para nos ajudar a perceber
    e responder rapidamente.
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    Às vezes, isso salva nossa vida, não é?
  • 5:24 - 5:25
    Lutar ou fugir.
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    Mas, às vezes, isso
    nos desencaminha a longo prazo.
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    Muitas vezes, quando nossa sociedade
    tem falhas importantes,
  • 5:33 - 5:36
    não são falhas tecnológicas.
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    São falhas que acontecem
    quando tomamos decisões muito rapidamente
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    no piloto automático.
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    Não fizemos o pensamento
    criativo ou crítico necessário
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    para ligar os pontos,
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    eliminar informações falsas
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    ou entender a complexidade.
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    Esse tipo de pensamento
    não pode ser feito rapidamente.
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    Isso é pensamento lento.
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    Dois psicólogos,
    Daniel Kahneman e Amos Tversky,
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    começaram a chamar a atenção
    para isso em 1974,
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    e continuamos lutando para fazer algo
    com as percepções deles.
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    Podemos pensar em toda a história moderna
    como um surto de aceleração após o outro.
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    É como pensar que,
    se acelerarmos o bastante,
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    poderemos escapar de nossos problemas.
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    Mas nunca escapamos.
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    Sabemos disso em nossa vida,
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    e os legisladores também sabem.
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    Agora nos voltamos
    para a inteligência artificial
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    para nos ajudar decidir
    melhor e mais rápido
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    para processar um universo de dados
    em constante expansão.
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    Mas as máquinas que processam dados
  • 6:34 - 6:40
    não substituem o pensamento
    crítico e sustentado de seres humanos,
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    cujo cérebro antiquado precisa de tempo
    para permitir que seus impulsos diminuam,
  • 6:44 - 6:46
    para desacelerar a mente
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    e para deixar os pensamentos fluírem.
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    Se estiverem começando a pensar
    que devemos apenas pisar no freio,
  • 6:52 - 6:55
    essa nem sempre será a solução certa.
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    Todos sabemos que um trem que anda
    muito rápido pode descarrilhar na curva,
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    mas Seifu, o engenheiro, me ensinou
  • 7:02 - 7:06
    que um trem que anda muito devagar
    perto da curva também pode descarrilhar.
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    Gerenciar esse surto de aceleração
    começa com o entendimento
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    de que temos mais controle
    sobre a velocidade do que pensamos,
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    individualmente e como sociedade.
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    Às vezes, precisamos nos planejar
    para ir mais rápido.
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    Queremos resolver o impasse,
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    acelerar o socorro às vítimas de furacões
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    ou usar a impressão 3D para produzir
    o que precisamos no local,
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    exatamente quando precisamos.
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    Às vezes, porém, queremos
    que nosso ambiente pareça mais lento
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    para planejar o impacto
    pela experiência rápida.
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    E não há problema em não ser
    estimulado o tempo todo.
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    É bom para adultos
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    e crianças.
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    Talvez seja chato,
    mas nos dá tempo para refletir.
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    Tempo lento não é perda de tempo.
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    Precisamos reconsiderar
    o significado de economizar tempo.
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    Cultura e rituais em todo o mundo
    se desenvolvem na lentidão,
  • 8:04 - 8:06
    porque a lentidão nos ajuda
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    a reforçar nossos valores
    compartilhados e a nos relacionar.
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    As relações são uma parte
    importante do ser humano.
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    Precisamos dominar a velocidade,
  • 8:15 - 8:17
    o que significa considerar cuidadosamente
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    as vantagens e desvantagens
    de qualquer tecnologia.
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    Será que isso lhe ajudará a recuperar
    o tempo para expressar sua humanidade?
  • 8:24 - 8:28
    Será que isso deixará você
    e os outros com a doença da pressa?
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    Se você tiver sorte o bastante
    para decidir o ritmo que deseja seguir,
  • 8:32 - 8:34
    será um privilégio.
  • 8:34 - 8:36
    Use-o.
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    Você pode decidir
    que precisa tanto acelerar
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    quanto criar um tempo lento:
  • 8:42 - 8:44
    tempo para refletir,
  • 8:44 - 8:45
    para passar
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    em seu próprio ritmo;
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    tempo para escutar,
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    para se identificar,
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    para descansar a mente,
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    para demorar na mesa de jantar.
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    À medida que avançamos no futuro,
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    vamos considerar estabelecer
    as tecnologias da velocidade,
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    o objetivo da velocidade
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    e nossas expectativas da velocidade
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    a um ritmo mais humano.
  • 9:11 - 9:12
    Obrigada.
  • 9:12 - 9:13
    (Aplausos)
Title:
As consequências imprevistas de um mundo acelerado
Speaker:
Kathryn Bouskill
Description:

Por que a tecnologia moderna promete eficiência, mas nos deixa constantemente pressionados pelo tempo? A antropóloga Kathryn Bouskill explora os paradoxos de viver em uma sociedade acelerada e explica por que precisamos reconsiderar a importância de desacelerar em um mundo que demanda o oposto.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
09:26

Portuguese, Brazilian subtitles

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