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← A corrida para descodificar uma língua misteriosa — Susan Lupack

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Showing Revision 6 created 08/01/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Na primeira década
    do século XX, na ilha de Creta,
  2. o arqueólogo britânico Sir Arthur Evans
    descobriu quase 3000 tábuas
  3. inscritas com símbolos estranhos.
  4. Ele achava que estes símbolos
    representavam a língua falada
  5. pela civilização mais antiga da Europa.
  6. O seu significado viria a escapar
    aos estudiosos durante 50 anos.
  7. Evans descobriu estas tábuas
    no meio dos frescos coloridos

  8. e dos corredores labirínticos
    do palácio de Cnossos.
  9. Chamou a esta civilização de minoica,
  10. em honra do mítico soberano
    de Creta, o Rei Minos.
  11. Ele achava que a escrita, apelidada de
    Linear B, representava a língua minoica,
  12. e estudiosos de todo o mundo
    criaram as suas próprias teorias.
  13. Seria a língua perdida dos Etruscos?
  14. Ou talvez fosse uma
    forma primitiva de basco?
  15. O mistério intensificou-se porque Evans
    mantinha as tábuas vigiadas de perto.

  16. Apenas 200 das inscrições foram
    publicadas durante a sua vida,
  17. mas ele não conseguiu decifrar a escrita.
  18. Contudo, fez duas observações corretas:
  19. as tábuas eram registos administrativos,
    e a escrita era um silabário,
  20. em que cada símbolo é representado
    por uma consoante e uma vogal,
  21. misturadas com caracteres que
    representavam uma palavra completa.
  22. Evans trabalhou na Linear B
    durante 30 anos,

  23. antes de Alice Kober, uma erudita
    de Brooklyn, Nova Iorque,
  24. se ter dedicado a resolver o mistério.
  25. Kober era professora
    de Estudos Clássicos no Brooklyn College,
  26. numa altura em que poucas mulheres
    tinham acesso a esses cargos.
  27. Para avançar na sua investigação,
    aprendeu sozinha muitas línguas,
  28. conhecimento esse que lhe iria
    ser útil para decifrar a Linear B.
  29. Nas duas décadas seguintes,
    ela analisou os símbolos.
  30. A trabalhar a partir das poucas
    inscrições que tinha disponíveis,

  31. registou quantas vezes
    cada símbolo aparecia.
  32. Depois registou a frequência com que
    cada símbolo aparecia ao lado de outro.
  33. Ela guardava as suas descobertas
    em pedaços de papel
  34. dentro de maços de cigarros,
  35. porque, durante a II Guerra Mundial,
    os materiais de escrita eram escassos.
  36. Ao analisar estas frequências,

  37. ela descobriu que a Linear B
    dependia das terminações de palavras
  38. para conferir gramática às frases.
  39. A partir disso, ela compilou uma tabela
    das relações entre os símbolos,
  40. e chegou mais perto do que ninguém
    a poder decifrar a Linear B.
  41. Mas morreu, provavelmente de cancro,
    em 1950 quando tinha 43 anos.
  42. Enquanto Kober analisava
    as tábuas de Cnossos,

  43. um arquiteto chamado Michael Ventris
    também tentava decifrar a Linear B.
  44. Ele ficara obcecado com a Linear B
    desde a escola, depois de ouvir Evans.
  45. Até continuou a trabalhar nas inscrições
    enquanto serviu na II Guerra Mundial.
  46. Depois da guerra, Ventris
    deu continuidade à tabela de Kober

  47. usando um repositório secreto
    de inscrições da Linear B
  48. encontradas num local arqueológico
    diferente em Pylos, na Grécia continental.
  49. O seu avanço mais significativo aconteceu
    ao comparar as tábuas de Pylos
  50. com as de Cnossos
  51. e concluir que certas palavras apareciam
    nas tábuas de um local, mas não do outro.
  52. Ele perguntou-se se as palavras
    representariam nomes de lugares
  53. específicos de cada local.
  54. Ele sabia que, com o passar dos séculos,
    os nomes de lugares tendem a manter-se,

  55. e decidiu comparar a Linear B
  56. com um antigo silabário da ilha de Chipre.
  57. A escrita cipriota era usada
    centenas de anos após a Linear B,
  58. mas alguns dos símbolos
    eram semelhantes,
  59. Ventris perguntou-se se os sons
    também seriam semelhantes.
  60. Quando inseriu alguns dos sons
    do silabário cipriota
  61. nas inscrições da Linear B,
  62. chegou à palavra "Cnossos",
  63. o nome da cidade onde Evans
    tinha descoberto as suas tábuas.
  64. Com um efeito de dominó,
    Ventris decifrou a Linear B,
  65. e cada palavra revelava mais claramente
    que a língua Linear B
  66. não era minoico, mas sim grego.
  67. Ventris morreu num acidente de viação
    quatro anos mais tarde, aos 34 anos.

  68. Mas a sua descoberta reescreveu
    um capítulo inteiro da História.
  69. Evans tinha insistido que os minoicos
    tinham conquistado a Grécia continental,
  70. e por isso é que exemplos da Linear B
    foram encontrados no continente.
  71. Mas a descoberta de que a Linear B
    representava grego e não minoico,
  72. mostrou que acontecera o oposto:
  73. os gregos do continente invadiram Creta
    e adotaram a escrita minoica.
  74. Mas a história ainda não terminou.

  75. A língua minoica,
  76. representada por outra escrita
    chamada Linear A,
  77. ainda não foi decifrada.
  78. Continua um mistério...
    pelo menos por agora.