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← A evolução humana está acelerando ou desacelerando? - Laurence Hurst

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Showing Revision 10 created 10/21/2020 by Raissa Mendes.

  1. O planalto tibetano fica a cerca de 4,5 km
    acima do nível do mar
  2. e tem apenas 60% do oxigênio
    encontrado na parte de baixo.
  3. Enquanto visitantes e colonos recentes
    lutam contra o mal da montanha
  4. tibetanos nativos sobem
    montanhas rapidamente.
  5. Essa habilidade não vem
    de treinamento nem prática,
  6. mas de mudanças em alguns genes
  7. que permitem ao corpo
    aproveitar ao máximo o oxigênio limitado.
  8. Essas diferenças são evidentes
    desde o nascimento.

  9. Bebês tibetanos têm, em média,
    maior peso ao nascerem,
  10. maior saturação de oxigênio,
  11. e são muito mais propensos a sobreviverem
  12. do que outros bebês
    nascidos nesse ambiente.
  13. Estima-se que essas mudanças genéticas
  14. tenham evoluído
    nos últimos 3 mil anos ou mais
  15. e que continuem ocorrendo.
  16. Isso pode parecer muito tempo,
  17. mas seria o mais rápido que uma adaptação
    já evoluiu em uma população humana.
  18. Está claro que a evolução humana
    ainda não acabou.

  19. Portanto, quais são
    as outras mudanças recentes?
  20. Será que nossas inovações tecnológicas
    e científicas impactarão nossa evolução?
  21. Nos últimos milhares de anos,

  22. muitas populações desenvolveram
    adaptações genéticas
  23. a seus ambientes locais.
  24. Pessoas da Sibéria e do Alto Ártico
  25. são adaptadas de forma única
    para sobreviver ao frio extremo.
  26. Tardam a desenvolver ulceração pelo frio
  27. e podem continuar a usar as mãos
    em temperaturas abaixo de zero
  28. por muito mais tempo
    do que a maioria das pessoas.
  29. Elas passaram por uma seleção
    para uma taxa metabólica maior
  30. que aumenta a produção de calor.
  31. Mais ao sul,

  32. os bajaus, do Sudeste Asiático,
    conseguem mergulhar a 70 m de profundidade
  33. e permanecer submersos
    por quase 15 minutos.
  34. Ao longo de milhares de anos
    vivendo como caçadores nômades no mar,
  35. eles desenvolveram, de forma genética,
    baços extraordinariamente grandes,
  36. que agem como estoques de oxigênio,
  37. permitindo que permaneçam
    debaixo d'água por mais tempo.
  38. É uma adaptação semelhante
    à das focas de mergulho profundo.
  39. Embora possa parecer
    uma comparação trivial,

  40. a capacidade de beber leite
    é outra adaptação desse tipo.
  41. Todos os mamíferos podem beber
    o leite materno quando são bebês.
  42. Após o desmame, eles desligam o gene
    que lhes permite digerir o leite.
  43. Mas comunidades da África Subsaariana,
    do Oriente Médio e do Noroeste da Europa,
  44. que usavam vacas para leite,
  45. viram um rápido aumento
    de variantes de DNA
  46. que impedem o gene de desligar
  47. nos últimos 7 a 8 mil anos.
  48. Pelo menos na Europa,
  49. o consumo de leite
    pode ter dado às pessoas
  50. uma fonte de cálcio para ajudar
    na produção de vitamina D,
  51. conforme se mudavam para o norte
  52. e a luz do Sol, fonte habitual
    de vitamina D, diminuía.
  53. Embora nem sempre de maneira óbvia,

  54. todas essas mudanças
  55. aumentam a chance de as pessoas
    chegarem à idade reprodutiva.
  56. É isso o que move a seleção natural,
  57. a força por trás de todas
    essas mudanças evolutivas.
  58. A medicina moderna remove
    muitas dessas pressões seletivas,
  59. mantendo-nos vivos
  60. quando nossos genes,
  61. às vezes combinados
    com doenças infecciosas,
  62. teriam nos matado.
  63. Antibióticos, vacinas,
    água potável e bom saneamento
  64. tornam menos importantes
    as diferenças entre nossos genes.
  65. Da mesma forma, nossa capacidade
    de curar cânceres infantis,

  66. extrair cirurgicamente
    apêndices inflamados
  67. e dar à luz bebês
  68. cujas mães têm doenças específicas
    da gravidez com risco de vida,
  69. tudo tende a interromper a seleção,
  70. permitindo que mais pessoas
    sobrevivam até a idade reprodutiva.
  71. Mas, mesmo que todas as pessoas do planeta
    tenham acesso à medicina moderna,

  72. isso não significará
    o fim da evolução humana,
  73. porque existem outros aspectos
    da evolução além da seleção natural.
  74. A medicina moderna
    torna a variação genética
  75. que estaria sujeita à seleção natural
  76. sujeita ao que é chamado
    de deriva genética.
  77. Com a deriva genética,
  78. diferenças genéticas variam aleatoriamente
    dentro de uma população.
  79. Em um nível genético, a medicina moderna
    pode, na verdade, aumentar a variedade,
  80. porque mutações prejudiciais
    não matam pessoas
  81. e, portanto, não são eliminadas.
  82. No entanto, essa variação
    não se traduz necessariamente
  83. em diferenças observáveis
    ​​ou fenotípicas entre as pessoas.
  84. Pesquisadores também investigam

  85. se adaptações genéticas
    a um ambiente específico
  86. podem aparecer muito rapidamente
    por meio de modificação epigenética:
  87. mudanças não nos genes em si,
  88. mas em se e quando
    certos genes são expressos.
  89. Essas mudanças podem acontecer
    durante a vida inteira
  90. e até mesmo ser passadas
    para os descendentes,
  91. mas, até agora, pesquisadores
    estão em conflito
  92. sobre se modificações epigenéticas
  93. podem realmente persistir
    por muitas gerações
  94. e levar a mudanças duradouras
    nas populações.
  95. Também pode haver outros fatores
    que contribuem para a evolução humana.

  96. A medicina moderna
    e a tecnologia são muito novas,
  97. mesmo comparadas às mudanças
    mais rápidas e recentes
  98. por seleção natural.
  99. Portanto, só o tempo pode dizer
    como nosso presente moldará nosso futuro.