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← TED Global 2013 Found in Translation - Teddy Cruz

O encontro do TED Found in Translation, depois da palestra de Teddy Cruz, explora possíveis soluções para as questões mais prementes que envolvem o desenvolvimento urbano, em um painel global com o tradutores TED e especialistas.

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Showing Revision 131 created 10/01/2017 by Raissa Mendes.

  1. Doug Chilcott: Boa tarde a todos.
  2. Bem-vindos ao encontro
    da Tradução Livre no TED Global 2013.
  3. Hoje, temos o prazer
    de receber Teddy Cruz,
  4. que acabou de sair do palco do TED,
  5. onde falou sobre uma forma
    corajosa de projetar, planejar
  6. e construir cidades no futuro,
    tem sobre o qual falaremos hoje.
  7. Hoje aqui no salão,
    temos Bryant, da China,
  8. Irteza, do Paquistão,
  9. Jan, da Checoslováquia,
  10. e Unnawut, da Tailândia.
  11. E, no Skype, bem-vindo, pessoal.
  12. Teddy, obrigado por participar.
  13. TC: Obrigado.
  14. DC: Engraçado, quando se fala
    em planejamento urbano,
  15. sempre se pensa em gigantes,
    como Xangai e Dubai.
  16. Por que você não considera
    essas cidades uma fonte de inspiração?
  17. TC: Nossa! Você começou com o pé direito.
  18. Novamente, como mencionei na apresentação,
  19. depois da fuga em massa
    dos investimentos nos últimos anos,
  20. tanto na arquitetura, no planejamento
    e na inteligência urbana, do mundo todo,
  21. para esses ambientes,
  22. e a explosão do fenômeno
    de urbanização de Dubai a Xangai,
  23. para muitos desses centros
    de poder econômico,
  24. eu não acho, e talvez
    vocês possam me dizer,
  25. mas simplesmente não consigo
    ver uma única ideia
  26. que tenha emergido dessas transformações.
  27. Na verdade, as melhores ideias
    sobre urbanização,
  28. no contexto de gerar
    outras modalidades de planejamento,
  29. de repensar a infraestrutura,
  30. de habitação a preços acessíveis,
  31. de mobilizar outros processos
    de participação pública,
  32. etc., foram acontecendo na América Latina,
    mas ninguém percebeu.
  33. Assim, a provocação que faço é que
    não houve nenhum avanço de ideias
  34. em Dubai ou Xangai.
  35. E, de fato, elas estavam apenas imitando
    e reproduzindo as piores fórmulas
  36. de planejamento urbano geradas
    nos Estados Unidos nas últimas décadas.
  37. Bryant Yeh: Qual seria sua estratégia
  38. se, digamos, transplantássemos
  39. algumas dessas estratégias
    e as aplicássemos nesses países?
  40. Quando se tem esse tipo de capitalismo
    autoritário, como lidar com isso?
  41. TC: Trabalhei como artista
    na Coreia do Sul,
  42. intervindo em projetos
    ligados ao espaço público
  43. e à política habitacional.
  44. E estudei muitos desses bairros
    programados para serem demolidos,
  45. e foi incrível investigar a quantidade
    de práticas de economias informais
  46. de cunho organizacional social
    enraizadas nesses bairros.
  47. Teve um homem que fez uma criação
    de lesmas em quatro telhados do seu bloco
  48. e, ao fazê-lo, acabou produzindo
    um modelo cooperativo
  49. para preservar a economia
    do ambiente ao seu redor.
  50. É difícil imaginar que essas energias
    socioeconômicas empreendedoras
  51. foram completamente minadas.
  52. Tá, sabemos que a cidade
    precisa se transformar.
  53. Não estou falando em deixar
    esses bairros intactos.
  54. Mas, antes de destruí-los,
    vamos entender o que eles produziram.
  55. BY: Certo.
  56. TC: E o que estive investigando
    cá no meu lado do mundo,
  57. na fronteira entre o México
    e os Estados Unidos,
  58. é que a densidade demográfica
    precisa ser repensada
  59. como um montante de intercâmbios
    socioeconômicos por área,
  60. e isso é o que define
    muitos desses bairros.
  61. BY: Mas um construtor vê isso
    e percebe que não dá para lucrar aí.
  62. Assim, como vender essa ideia
    para os donos do poder
  63. ou as partes interessadas da comunidade,
    que são efetivamente quem conduz tudo?
  64. Quando você chega como um urbanista
    e diz... é bem complicado, né?
  65. Sabemos que o mundo
    dos arquitetos e urbanistas
  66. se desgastou de certa forma, mas, ao
    se lidar com problemas em grande escala,
  67. qual seria sua estratégia
    para enfrentá-los?
  68. TC: Excelente pergunta.
  69. Acho que é aí onde começamos a considerar
    e expandir o papel dos arquitetos
  70. e urbanistas, que podem começar a atuar
    como facilitadores ou mediadores
  71. do conhecimento de baixo para cima,
  72. e a lógica, econômica e politicamente,
  73. da organização de cima para baixo,
  74. porque, mesmo os ativistas
    que trabalham nesses bairros
  75. não estavam conscientes
    desse conhecimento.
  76. Eles estão enfrentando os construtores,
  77. mas não representam
    o conhecimento da comunidade.
  78. BY: Então eles não dão uma solução?
  79. TC: Exatamente.
  80. E acho que essa é uma lacuna
    que precisa ser preenchida.
  81. É uma questão difícil, pois tudo isso
    tem a ver com o montante do lucro.
  82. Acho que possibilitar projetos
    ou processos habitacionais
  83. que permitam a uma comunidade tirar
    proveito da sua própria infraestrutura
  84. e da sua habitação
    é do que precisamos falar.
  85. Mas, sim, esta polarização entre de baixo
    para cima e de cima para abaixo,
  86. ainda há muito
    a ser dito e feito, realmente,
  87. para produzir novos modelos
    de representação política,
  88. mas também da participação da comunidade.
  89. E isso é o que está faltando.
  90. BY: Então, o urbanista deve agir
    como facilitador, tradutor e mediador?
  91. TC: Exatamente.
  92. Essa é a ideia que gostaria de ter
    apresentado em 13 minutos, mas é difícil.
  93. DC: Gostaria de ouvir comentários
    de alguns moradores de cidades grandes.
  94. Nati, de São Paulo, você tem
    uma pergunta para o Teddy?
  95. Nati Garcia: Com base no que estamos
    discutindo aqui, queria lhe perguntar
  96. como os construtores podem
    reinventar seu negócio?
  97. Existem novas maneiras
  98. de construção na qual eles forneçam
    uma espécie de valorização das melhorias?
  99. Existe uma maneira em que os construtores
    possam modificar seus negócios
  100. e deixar um bom legado para as cidades?
  101. TC: A resposta, de certo modo, é que não
    podemos esperar pelos construtores,
  102. eles não são nossos clientes.
  103. Acho que temos de começar por nós
    próprios conquistando o conhecimento
  104. dos construtores, para que nós,
    como projetistas, arquitetos,
  105. urbanistas, nos tornemos os construtores
    de novos modelos de habitação,
  106. porque o conhecimento
    está aí para ser mobilizado.
  107. O tipo de inteligência que o construtor
    tem ao manipular recursos
  108. e tempo está todo nas planilhas.
  109. E esse conhecimento está distante de nós.
  110. Assim, por um lado, nossos clientes
    devem ser nós mesmos;
  111. em segundo lugar,
    ou principalmente, as comunidades.
  112. A ideia de que assentamentos
    ou bairros informais
  113. facilitados por práticas
    comunitárias existentes,
  114. seja de ONGs ou de outros modos
    de representação,
  115. possam, de fato, também se tornar
    construtores da sua própria habitação.
  116. Defendo que os exemplos têm de ser
    feitos por nós, e não pelos construtores.
  117. E só então eles vão poder ter uma noção.
  118. Mas parte do problema da crise urbana
    hoje é que os recursos
  119. de muitos foram transferidos
    para muito poucos.
  120. Eu acho que é muito difícil convencer
    um construtor a ter menos lucro.
  121. Então, essa é a razão pela qual eu acho
    que os primeiros estágios de transformação
  122. terão que acontecer com exemplos
    de pequena escala
  123. e modelos que possam surgir
    nessas comunidades.
  124. Mas defendo a importância
    de os arquitetos se tornarem
  125. os construtores de habitações
    sociais no nosso tempo.
  126. DC: Agora, outra pergunta do Skype. Matti?
  127. Matti Jääaro: Se formos assumir
    essa nova forma de cidadania,
  128. na qual as pessoas podem criar,
    em vez de apenas consumirem,
  129. como mudar o modo
    de as pessoas verem a cidadania
  130. como algo mais do que apenas consumismo?
  131. TC: Você está chegando ao "x" da questão.
  132. E essa é a razão
    pela qual a América Latina,
  133. como um dos palestrantes sugeriu hoje,
    precisa ser mais estudada.
  134. O que produziu a transformação?
  135. A transformação urbana de lugares
    como Medellín, na Colômbia,
  136. que foi considerada a cidade
    mais perigosa do mundo
  137. nos anos 80 e início dos anos 90,
  138. e se tornou agora um modelo
    de transformação urbana.
  139. Mais uma vez, não teve a ver com
    construções, arquitetura ou urbanismo.
  140. Tratou-se de uma transformação
    política das instituições,
  141. buscando um novo tipo
    de interface com o público.
  142. Dito isso, há outro aspecto
  143. no qual muitos projetistas, arquitetos
    e urbanistas precisam se envolver,
  144. como produzir uma nova educação cívica,
  145. se engajar no que os colombianos
    chamam uma cultura cívica,
  146. uma pedagogia urbana
    que comece a sensibilizar
  147. a relação das normas sociais
    e a construção da cidade.
  148. Acho que, para reativar uma vontade
    política que invista nas mentes
  149. e nos corações das pessoas na construção
    da sua própria cidade, mais uma vez,
  150. é preciso mediação e investimento
    na educação, em particular.
  151. Isso requer um trabalho hercúleo,
  152. mas alguns masoquistas, como você e eu,
    podemos nos ocupar, quem sabe,
  153. de novos modelos da interface na produção
    de um processo educativo urbano.
  154. Estou dizendo isso porque
    se trata de um dos projetos mais caros
  155. que quero realizar nos próximos anos.
  156. DC: Quero dar ao painel uma oportunidade
    de fazer uma pergunta.
  157. Unnawut Leepaisalsuwanna: Sou de Bangkok.
  158. Muito do que você disse parecer ter a ver
    com modificar muitas coisas, certo?
  159. Mas para aqueles que já são estabelecidos,
  160. especialmente no centro de cidade,
  161. onde todos os espaços já estão ocupados,
  162. como você acha que a área da cidade
    pode ser modificada, ou não?
  163. TC: Sim.
  164. Eu acho que isso é o que traz à tona
    uma questão que será também difícil
  165. de se responder em 13 minutos:
  166. o papel da planejadores.
  167. Enquanto certos edifícios
    permanecem estáticos, fixos,
  168. que a orientação seja
    repensar a retromontagem,
  169. não necessariamente
    através de estratégias físicas,
  170. mas através de programações
    híbridas e inteligentes,
  171. ou condições que possam antecipar
  172. a intensificação da atividade
    econômica e social.
  173. Assim, poderemos projetar
    não apenas o espaço, mas os protocolos,
  174. que é o que eu estava dizendo antes.
  175. Irteza Ubaid: Então, precisamos
    nos apropriar da cidade...
  176. TC: Um senso de posse
    da própria cidade é essencial.
  177. E essa é a razão, penso eu,
  178. por que a participação pública
    na reforma dos governos é necessária.
  179. BY: Parece que precisamos chegar
    a um manual de guerrilha urbana,
  180. em termos de planejamento do espaço.
  181. Para dar exemplos concretos,
  182. lidar com essas condições
    em muitos níveis diferentes
  183. é um problema enorme.
  184. TC: No final, é o que estou dizendo.
  185. Achamos que, por sermos
    arquitetos formados,
  186. nossa função é apenas projetar objetos.
  187. Poderíamos projetar muitas outras coisas
  188. e acho que a concepção
    das relações sociais
  189. ou às vezes de processos políticos
    pode ser um tópico interessante.
  190. Isso tem estado ausente
    do nosso debate, eu acho.
  191. DC: Mais uma pergunta
    dos nossos telespectadores no Skype.
  192. Sérgio, gostaria de fazer uma pergunta?
  193. Sérgio Lopes: Sim.
  194. Uma das coisas que mais
    me impressionou em sua palestra
  195. foi quando você falou sobre as pessoas
    que construíram um parque de skate.
  196. E me interessou por dois motivos.
  197. Primeiro, porque mostra
    que há gente que quer ser
  198. ativa na sua cidadania.
  199. E o fato de que eles tiveram
    de constituir uma ONG.
  200. Mas vejo isso como algo que começou
    sem muito planejamento,
  201. mas que poderia
    crescer mais organicamente.
  202. E então virou uma ONG.
  203. Foi preciso ser mais planejado,
    mais dirigido, como você diz.
  204. Então, estamos vendo
    dois modelos diferentes?
  205. Você preferiria ter um pouco
    de crescimento não planejado,
  206. mais orgânico, mais tipicamente reativo,
    se não for planejado?
  207. TC: Na verdade, é uma das questões
    mais provocadoras.
  208. Sim, enquanto queremos proteger
    e manter a magia do não planejado,
  209. parte do problema da supressão
    dessas comunidades
  210. e de não serem capazes
    de avançar socioeconomicamente
  211. é que lhes falta representação.
  212. Não que eles "não" tenham, elas possuam,
  213. mas faltam às vezes os instrumentos para a
    formulação de novas formas de organização
  214. e gestão que podem pressionar
    a instituição "de cima para baixo".
  215. Então acredito que, para realmente
    chegar ao próximo passo,
  216. a próxima camada, precisamos construir
    outras formas de governança.
  217. Isso não quer dizer que os skatistas têm
    de se tornar inflexíveis e calculistas.
  218. Não, eles continuam a se organizar,
  219. permitindo formas de acesso
    à magia da insurgência.
  220. Mas agora eles têm recursos.
  221. Agora eles têm um espaço
    que é físico, e podem dar as cartas.
  222. Na verdade, eles estão inspirando
    outros ambientes a fazer o mesmo.
  223. Eu não teria receio
    dessa tradução do não planejado
  224. para esse tipo particular de "planejado",
  225. mas sem se vender.
  226. Precisamos ativar essa zona cinzenta,
  227. porque temos polarizado
    com base nessa forma
  228. tão condescendente de olhar
    o informal e o não planejado.
  229. Acho que há muito a ser construído aí
  230. em termos de novas políticas
    de desenvolvimento urbano.
  231. DC: Vamos ter de concluir agora,
    pois temos de voltar para as palestras.
  232. Teddy, muito obrigado
    pela sua participação.
  233. TC: Obrigado, e obrigado pelas perguntas.
  234. Vamos manter contato,
    e podem me convidar para ir a Portugal.
  235. (Risos)
  236. SL: Quando quiser.
  237. DC: Obrigado a todos.
    Voltamos amanhã. Muito obrigado.
  238. (Aplausos)