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← A arma secreta contra pandemias

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24种语言

Showing Revision 31 created 07/01/2020 by Maricene Crus.

  1. David Biello: É uma grande
    honra e um privilégio
  2. apresentar o Dr. Georges Benjamin,
  3. diretor-executivo da Associação
    Americana de Saúde Pública,
  4. com uma carreira longa e distinta
  5. tanto como médico quanto
    profissional de saúde pública.
  6. Dê suas calorosas boas-vindas
    ao Dr. Georges Benjamin.
  7. Georges Benjamin:
    Ei, David. Como vai você?

  8. DB: Estou bem. E contigo, Dr. Benjamin?

  9. GB: Estou aqui.

  10. (Risos)
  11. DB: Aguentando firme. Bom.

  12. GB: Sim.

  13. DB: Sabemos que o tema
    do momento é a reabertura.

  14. Acabamos de ouvir essa possibilidade,
  15. mas, obviamente,
  16. muitos países já iniciaram a reabertura
    de uma forma ou de outra
  17. e acredito, a partir e hoje,
  18. que todos os 50 estados aqui dos EUA
    reabriram de algum modo.
  19. Como fazer isso da forma
    mais inteligente e segura?
  20. GB: Realmente precisamos
    reabrir de modo mais cuidadoso,

  21. não podemos nos esquecer
    das medidas de saúde pública
  22. que permitiram achatar a curva.
  23. Ações como
  24. cobrir o nariz e a boca
    quando tossir ou espirrar,
  25. usar máscara, lavar as mãos,
  26. manter o distanciamento social
    na medida do possível.
  27. Refletir sobre tudo o que fazemos,
  28. antes de irmos trabalhar de manhã,
  29. ou enquanto estamos no trabalho.
  30. Sermos cuidadosos tanto quanto temos sido
  31. nos últimos dois meses,
  32. pelos próximos três meses,
  33. porque isso ainda não acabou.
  34. DB: Certo.

  35. Existe a chance de mais ondas
    como Uri Aron mencionou.
  36. Então, cabe a todos nós
  37. encarar a saúde pública
    como uma espécie de segundo trabalho.
  38. Está correto?
  39. GB: Tenho defendido bastante

  40. que agora todos, de fato,
    sabem o que é saúde pública,
  41. e que deveriam sempre reconhecê-la
    como um segundo trabalho,
  42. se trabalha como gari, num mercado
  43. ou como motorista de ônibus,
  44. ou ainda como eu,
    que trabalho na saúde pública,
  45. médico ou enfermeira,
  46. todos precisam vestir o manto
    da saúde pública
  47. no que fazem todos os dias.
  48. DB: Somos todos profissionais
    da saúde pública agora,

  49. você acha que esse é o novo normal
    que podemos esperar
  50. assim que os países reabrirem?
  51. De que forma você espera que seja
  52. como profissional da saúde pública?

  53. GB: Se eu tivesse uma varinha mágica,
  54. veria claramente
  55. que as pessoas vão fazer
    muito mais pela saúde pública,
  56. em termos de lavar as mãos
  57. e refletir o que fazer
    quanto à proteção em locais públicos.
  58. Não muito tempo atrás,
  59. quando você estava no carro,
    não usava o cinto de segurança.
  60. Hoje, fazemos isso e nem questionamos.
  61. Muitos de nós não fuma,
    porque sabemos que nos causa mal.
  62. Muitos de nós olha para os dois lados
    antes de atravessar a rua.
  63. Muitos de nós conserta algo de casa
    evitando o risco de se ferir.
  64. Então, à medida que avançamos
    com este surto,
  65. espero que as pessoas prestem mais atenção
  66. ao que pode nos causar uma contaminação.
  67. Limpando e desinfetando as coisas.
  68. E mais importante,
    não irem trabalhar se estão doente.
  69. Espero que os empregadores deem
    licença médica remunerada a todos,
  70. para que possam ficar em casa.
  71. Sim, é um custo adicional,
  72. mas posso garantir que aprendemos
  73. que o custo de não fazer algo assim
  74. é de bilhões de dólares.
  75. É menos custoso quando
    pagamos a licença médica.
  76. DB: Sim, acho que temos inveja
    nos Estados Unidos

  77. de todos os países que talvez tenham
  78. um sistema de saúde
    mais abrangente que o nosso.
  79. Você concordaria que as máscaras
    são uma espécie de símbolo da adesão
  80. à ideia do "profissional de saúde pública
    como segundo emprego"?
  81. GB: Bem, isso é engraçado.

  82. Nossos colegas na Ásia adotaram a máscara
  83. e, culturalmente, as usam há muitos anos.
  84. E nós sempre rimos disso.
  85. Quando eu ia ao exterior,
  86. sempre zombava quando via
    pessoas usando máscara.
  87. Claro, quando isso começou,
  88. incentivamos o uso de máscaras
    a pessoas infectadas somente,
  89. ou aos profissionais da saúde,
  90. que pensávamos estarem
    em um ambiente de alto risco.
  91. Mas acho provável que o uso de máscara
    fará parte de nossa cultura.
  92. Já vimos que talvez não seja
    parte da nossa cultura de praia,
  93. embora deva ser por enquanto.
  94. Acho que veremos cada vez mais pessoas
    usando máscaras em diferentes cenários.
  95. E acredito que isso faça sentido.
  96. DB: Use a máscara para mostrar
    que se importa com os outros.

  97. Demonstre um espírito público de saúde.
  98. Falando da Ásia,
  99. quem tem feito isso bem?
  100. Olhando ao redor do mundo,
    e você tem visto isso há um tempo,
  101. dialogando com seus colegas,
  102. quem tem sido eficaz
  103. e o que podemos aprender
    desses bons exemplos?
  104. GB: A Coreia do Sul
    de muitos modos é o modelo.

  105. A China, no final das contas,
    saiu-se razoavelmente bem.
  106. O segredo de todos esses países,
  107. que tiveram menos morbidade
    e mortalidade do que temos,
  108. é que eles aplicaram
    muitos testes logo de início,
  109. com o rastreamento de contatos,
    isolamento e quarentena,
  110. que, a propósito, é o alicerce
    da prática de saúde pública.
  111. Fizeram desde o começo e de forma massiva.
  112. Aliás, apesar de estarem
    reabrindo a sociedade,
  113. começaram a identificar
    surtos esporádicos,
  114. então estão voltando às práticas
    básicas de saúde pública
  115. de teste, isolamento,
    rastreamento do contato
  116. e transparência ao público,
  117. pois é importante entender
    quantos casos existem,
  118. onde está a doença,
  119. se vão conseguir a aceitação do público.
  120. DB: Testes, isolamento
    e rastreamento de contato.

  121. Não é nenhum bicho de sete cabeças,
    para usar uma velha expressão.
  122. Por que tem sido difícil
    executar isso em alguns países?
  123. O que será que está nos impedindo:
  124. os registros médicos eletrônicos,
  125. algum tipo de dispositivo estranho,
  126. ou talvez apenas excesso de confiança,
  127. com base na saúde pública
    dos últimos 100 anos?
  128. GB: Somos muito uma sociedade das pílulas.

  129. Achamos que existe uma pílula para tudo.
  130. Se não podemos receitar uma,
  131. fazemos uma cirurgia
    e está tudo resolvido.
  132. A prevenção funciona.
  133. Mas não temos investido em prevenção.
  134. E de modo algum investimos
    em um sistema público de saúde robusto.
  135. Se observarmos o fato de que hoje nos EUA
  136. pode-se facilmente saber
  137. o que está nas prateleiras de um mercado,
  138. que a Amazon sabe tudo sobre você,
  139. mas seu médico não tem
    as mesmas ferramentas.
  140. Às três horas da manhã,
  141. ainda é muito difícil obter
    seu eletrocardiograma,
  142. prontuário médico,
    ou sua lista de alergias
  143. se você não puder contar
    ao médico o que você tem.
  144. Nós simplesmente não investimos
    em sistemas robustos.
  145. Uma das coisas interessantes sobre o surto
  146. é que se tem criado um movimento
  147. ao qual agora dependemos da telemedicina,
  148. que existe há vários anos,
  149. mas não usávamos muito.
  150. Agora, esse será o novo padrão.
  151. DB: Parece-me óbvio

  152. que os países com um sistema
    de saúde incrível,
  153. como o Taiwan, tenham se saído bem,
  154. mas mesmo os países
    que talvez considerem
  155. ter um sistema de saúde fraco,
    como Gana na África,
  156. têm reagido bem.
  157. Qual tem sido a fórmula secreta
    para esses países?
  158. GB: Ainda é muito cedo
    em alguns desses exemplos,

  159. espero que eles não tenham
    uma nova onda no futuro,
  160. isso ainda é uma possibilidade,
  161. mas, no final das contas,
  162. na medida em que se faz boas e sólidas
    práticas de saúde pública,
  163. todos os países bem-sucedidos
    implementaram isso.
  164. Porém, somos um país grande e complexo.
  165. E sim, nós não testamos
    corretamente no início.
  166. Mas não devemos repetir os erros
    que cometemos nos últimos três meses,
  167. porque ainda temos
    muitos meses pela frente.
  168. Agora que sabemos o que fizemos errado,
  169. estou incentivando a fazermos
    certo da próxima vez.
  170. DB: Parece inteligente.

  171. GB: E a próxima vez é amanhã.

  172. DB: Está certo.

  173. Isso já começou.
  174. Parece-me, se é que posso
    usar esta metáfora,
  175. que alguns desses países já tinham
    um tipo de anticorpos em seus sistemas,
  176. porque tiveram experiência, talvez,
    com o Ebola ou a primeira SARS.
  177. Contato prévio é a chave
    para esse tipo de crise de saúde pública?
  178. GB: Bem, esse vírus é muito diferente.

  179. Embora exista alguma evidência inicial
    sobre MERS e a primeira SARS,
  180. podemos ter algum tipo de proteção prévia,
  181. há alguns estudos
    iniciais que analisam isso,
  182. essa não é a solução.
  183. A fórmula mágica aqui é uma boa
    e sólida prática de saúde pública.
  184. Esse é o segredo.
  185. Não deveríamos procurar
    uma resposta mística,
  186. ou alguém que viria nos salvar
    com uma pílula especial.
  187. Trata-se de boas e sólidas
    práticas de saúde pública,
  188. porque, além do mais, isso tem sido ruim,
    mas não será a última vez.
  189. Precisamos nos preparar para as próximas.
  190. Achamos que agora está péssimo,
  191. imagine o que teria acontecido se o Ebola
    ou o MERS tivesse se espalhado.
  192. Veja num filme de TV.
  193. Embora seja muito ruim,
  194. ainda assim nos esquivamos
    de algo muito pior dessa vez.
  195. DB: A Síndrome Respiratória
    do Oriente Médio não é brincadeira,

  196. deveríamos agradecer por ela
    não se espalhar tão facilmente
  197. como a SARS-CoV.
  198. Isto é, todas estas doenças
    são zoonóticas,
  199. significa que foram
    transmitidas a partir de animais.
  200. Visivelmente, a humanidade
    invade a natureza
  201. de modo cada vez mais agressivo,
  202. seja pela mudança climática
    ou desmatamento, e muito mais.
  203. Seria esse apenas o novo normal,
  204. então devemos esperar
    pandemias de vez em quando?
  205. GB: Bem, elas aparecem periodicamente,

  206. essa não é a primeira pandemia, certo?
  207. Tivemos inúmeras,
  208. a gripe em 1918, 100 anos atrás,
  209. a primeira SARS foi
    uma infecção importante,
  210. embora não tenha sido tão lesiva.
  211. Tivemos a gripe aviária,
    que foi um desafio,
  212. e a gripe suína.
  213. Tivemos a Zika.
  214. Então não, temos tido vários
    novos surtos de doenças.
  215. Elas aparecem com frequência,
  216. e, de muitas maneiras,
  217. felizmente temos conseguido
    identificá-las e contê-las precocemente.
  218. Mas agora estamos em um ambiente
  219. em que as pessoas podem criar
    algumas dessas doenças.
  220. Isso não aconteceu, o melhor que podemos
    dizer é que não foi criada pelo homem.
  221. Provavelmente não vazou
    de um laboratório.
  222. Mas sabemos que,
    quando eu estava na faculdade,
  223. criar um vírus era algo
    bastante sofisticado.
  224. Não é esse o caso agora.
  225. Precisamos nos proteger tanto
    de infecções que ocorrem naturalmente
  226. como daquelas criadas por seres humanos.
  227. DB: Além disso, temos outros tipos
    de multiplicadores de ameaças,

  228. como a mudança climática,
  229. que torna as pandemias muito piores.
  230. GB: Eu dizia que a mudança climática

  231. foi a maior ameaça
    à sobrevivência humana até agora.
  232. Mas a pandemia compete com ela.
  233. Nosso grande desafio agora
    é que temos uma pandemia,
  234. que ainda não controlamos,
  235. e quando iniciar o período dos furacões,
  236. teremos mudanças climáticas
  237. que irão acentuar a força deles.
  238. Estamos diante de um verão desafiador.
  239. DB: E agora temos o Chris,
    com uma pergunta do público.

  240. Chris Anderson:
    Muitas perguntas, na verdade.

  241. As pessoas estão muito interessadas
    no que você está dizendo, Georges.
  242. A primeira pergunta é do Jim Young:
  243. "Como convencer as pessoas
    que não acreditam que isso seja grave?"
  244. GB: Temos realmente que continuar
    a dizer a verdade a essas pessoas.

  245. Uma característica dessa doença
  246. é que ela não poupa ninguém.
  247. Não reconhece partidos políticos,
  248. não distingue região...
  249. Tivemos muitas pessoas,
    sobretudo de comunidades rurais,
  250. que não enxergavam a pandemia,
    pois ainda não tinha chegado a elas,
  251. e não acreditavam que fosse real.
  252. Agora, muitas dessas comunidades
    estão sendo devastadas por essa doença.
  253. Não seria apropriado dizer: "Eu avisei".
  254. É melhor falar: "Vejam,
    agora que vocês sabem,
  255. juntem-se e nos ajudem
    a resolver esse problema".
  256. É algo que vai permanecer por um tempo.
  257. Caso se torne endêmico,
  258. significa que vai ocorrer
    o tempo todo em um nível baixo,
  259. todos terão essa experiência.
  260. CA: Obrigado.

  261. A pergunta agora é do Robert Perkowitz:
  262. "Parece que temos ignorado
    e sucateado a saúde pública,
  263. não estávamos preparados para esse vírus".
  264. A pergunta vai aparecer,
    deveria, por alguma mágica.
  265. "Quais deveriam ser
    nossas prioridades agora
  266. para nos prepararmos para a próxima
    crise de saúde pública?"
  267. GB: Precisamos garantir financiamento,

  268. recursos, treinamento
    e profissionais o suficiente.
  269. A propósito, nossa próxima
    crise de saúde pública
  270. não é daqui a 10, 20 anos.
  271. Há um retorno provável dessa gripe,
    que achamos possa acontecer neste outono,
  272. porque ela volta todo ano,
  273. com o prosseguimento ou um pico da COVID.
  274. Ocorrerá um crescimento da doença
  275. que se apresenta da mesma forma,
  276. e teremos que diferenciar
    a COVID da gripe.
  277. Porque nós temos uma vacina para a gripe,
  278. mas não temos ainda para a COVID.
  279. Esperamos obtê-la em mais ou menos um ano.
  280. Mas ainda precisa ser verificado.
  281. DB: Tome a vacina contra a gripe.

  282. CA: Sim.

  283. Aliás, David Collins fez
    exatamente essa pergunta.
  284. "Qual é a probabilidade de uma vacina
    antes da próxima onda?"
  285. GB: A vacina mais rápida
    desenvolvida foi contra o sarampo,

  286. e demorou quatro anos.
  287. Agora, há muitas diferenças, certo?
  288. Iniciamos uma vacina contra a SARS-1.
  289. Temos feito muitos testes em animais,
  290. e alguns ainda precoces em humanos.
  291. Como vocês sabem, recebemos um comunicado
  292. que parece ao menos funcionar
    em macacos rhesus,
  293. e há algumas evidências
    de que possa ser eficaz e seguro
  294. em um número muito pequeno de pessoas.
  295. Quando digo isso, me refiro
    a uma dúzia somente de pessoas.
  296. Agora os testes vão
    para a fase dois e três.
  297. Então, sim David, vamos torcer,
  298. é um pequeno número de pessoas.
  299. Ou elas tiveram muita sorte
    ou isso funciona.
  300. Não saberemos até a injetarmos
    em milhares de pessoas.
  301. CA: Aqui uma questão
    importante de um bolsista TED.

  302. "Como ensinar as pessoas
    a importância da saúde pública?
  303. Especialmente no contexto
    daqueles que não acreditam
  304. ter responsabilidade
    sobre o que é 'público'?"
  305. GB: Bem, lembro as pessoas

  306. que quando a saúde pública faz
    um ótimo trabalho, nada acontece.
  307. Claro, quando nada acontece,
    não damos o devido crédito.
  308. Portanto, as pessoas neste país
  309. não precisam se levantar todas as manhãs
    e ferver sua própria água
  310. por causa da saúde pública.
  311. O fato de você sofrer
    um acidente de carro,
  312. uma colisão de automóveis,
  313. e usar cinto de segurança e ter airbags,
  314. e não estar morto devido a esse acidente,
  315. é por causa da saúde pública.
  316. O fato de o ar ser saudável para respirar,
  317. a comida segura para comer,
  318. é graças à saúde pública.
  319. Suas crianças usam roupas que não inflamam
  320. porque temos roupas anti-inflamáveis.
  321. Isso é um requisito.
  322. Você não se acidenta ao descer as escadas
  323. porque sabemos como construí-las,
  324. para que as pessoas não tropecem
    ao subir ou descer.
  325. É uma intervenção da saúde pública.
  326. O ambiente construído,
  327. remédios, vacinas, tudo isso
    é proveniente de saúde pública.
  328. É por isso que ela existe,
  329. podem não acreditar
    que isso seja importante,
  330. mas não poderíamos viver sem ela.
  331. CA: Quem sabe um dia possamos
    vislumbrar um sistema de saúde nos EUA

  332. que tenha alguns incentivos
  333. voltados à saúde pública.
  334. Isso seria muito legal.
  335. David, preciso fazer algumas
    perguntas, se estiver tudo bem,
  336. porque estão surgindo mais.
  337. Há uma questão da Jacqueline Ashby.
  338. Pergunta importante para todos os pais.
  339. "Qual a sua recomendação ao retorno
    das crianças à escola?"
  340. GB: Tenho enfrentado isso,
    pois tenho três netos.

  341. A notícia boa é que meus netos
    são mais preparados do que eu
  342. e, no momento, estão tendo
    as lições escolares remotamente.
  343. Acho que será um desafio
  344. o retorno das crianças à escola.
  345. Na verdade, precisamos saber
    o quanto elas são infecciosas
  346. e como reagem quando são infectadas.
  347. Ao que parece,
  348. exceto por um número pequeno de crianças
    que sofrem de alguma doença rara,
  349. elas reagem muito bem a esta doença.
  350. Mas a questão central é:
  351. quantos desses germes
    elas vão trazer de volta para você
  352. e os avós delas.
  353. Isso será importante.
  354. Tente dizer a uma criança de oito anos
    para não interagir com os amiguinhos.
  355. É um enorme desafio.
  356. Aliás, dizer a um jovem de 17 anos
    para não interagir com os amigos
  357. será um grande desafio.
  358. Então, teremos que educar essas crianças,
  359. descobrir como intercalar os horários.
  360. A ideia de Uri para a jornada de trabalho
  361. pode ser um conceito
    interessante para as escolas,
  362. porque a ideia é tentar desafogar
    o número de crianças na sala de aula.
  363. Aliás, se as turmas forem menores,
    a educação será melhor.
  364. Para isso, temos que ter
    professores o suficiente.
  365. Poderia ser um modo de controle.
  366. CA: Certo. A última pergunta
    por enquanto é de Stephen Petranek.

  367. Agora uma informação sobre as máscaras.
  368. A orientação sobre o uso delas
    parece ter mudado.
  369. "Os americanos que vivem
    e trabalham nas cidades
  370. deveriam continuar a usar máscaras
  371. para se protegerem da poluição do ar
    que aspiram todos os dias?"
  372. GB: Pode ajudar um pouco, com certeza.

  373. Mas seria melhor pararmos de poluir
    deixando de queimar combustível fóssil.
  374. E todos esses absurdos que continuamos
    a fazer, destruindo nosso clima.
  375. Todo mundo está falando que tivemos
    uma redução incrível de CO2
  376. porque não estamos usando os carros.
  377. É a melhor evidência de que as mudanças
    climáticas são provocadas pelo homem.
  378. Aos céticos que não acreditam
    na interferência humana,
  379. acabamos de ter uma demonstração mundial
  380. sobre o que as pessoas fazem
    para criar mudanças climáticas.
  381. Portanto, precisamos parar e mudar
    para uma economia verde.
  382. DB: Escutem isso.

  383. CA: Muito obrigado pela explicação,
    voltarei no final com mais perguntas.

  384. Obrigado por tudo.
  385. DB: Estamos em campanha por máscaras.

  386. Mas algo que tem ficado claro
  387. é que a COVID-19 não é o grande nivelador
    que alguns talvez esperassem que fosse.
  388. Algumas comunidades apresentam
    resultados piores,
  389. muito piores do que outras.
  390. Por que isso?
  391. GB: Estamos falando, sobretudo,

  392. de comunidades afro-americanas
    e latinas dos EUA,
  393. que parecem sofrer um impacto
    desproporcional ao pegarem a doença.
  394. Por causa da exposição, principalmente.
  395. Essas populações têm empregos
    de maior contato com o público.
  396. Motoristas de ônibus,
    balconistas de supermercado,
  397. trabalhando em casas de repouso, asilos,
  398. frigoríferos, granjas.
  399. Eles estão muito mais expostos à doença.
  400. Vulnerabilidade.
  401. Muitas doenças crônicas.
  402. Sabemos que em especial os afro-americanos
  403. apresentam uma grande desproporção
    nos casos de diabetes, doenças cardíacas,
  404. doenças pulmonares,
  405. e, por causa dessas doenças crônicas,
    descobrimos cedo que esse vírus
  406. é mais prejudicial às populações
    afetadas por elas.
  407. Esse é o grande problema aqui.
  408. É o que está causando estas diferenças
    e é realmente um desafio,
  409. pois muitas dessas pessoas trabalham
    no que chamamos de serviços essenciais,
  410. então elas precisam ir trabalhar.
  411. DB: Está certo.

  412. Então, na sua visão, qual seria
    a ação na saúde pública
  413. para proteger esses
    trabalhadores essenciais,
  414. se você tem alguma sugestão?
  415. GB: Eu certamente tenho.

  416. Começamos uma estratégia
    de teste baseada nos sintomas.
  417. Agora que temos testes o bastante,
  418. precisamos garantir que sejam testadas
    não apenas por razões clínicas,
  419. pessoas que tenham sintomas,
  420. mas comecem a priorizar aqueles que estão
    em contato direto com o público,
  421. os trabalhadores essenciais.
  422. Portanto, aqueles que trabalham
    em asilos, hospitais etc.
  423. Também os motoristas de ônibus,
    seguranças, balconistas de supermercado,
  424. precisam ser testados com frequência
  425. para garantir a eles e às famílias deles,
  426. toda a confiança de que não serão
    infectados e que não iremos infectá-los.
  427. As pessoas que trabalham
    em frigoríficos, por exemplo.
  428. Vimos a verdadeira tragédia nesses locais,
  429. porque as pessoas trabalham
    num ambiente lado a lado.
  430. Há outras coisas que precisam fazer,
  431. como criar um distanciamento social
    na linha de montagem,
  432. isso será importante.
  433. Mas, novamente, a ideia de Uri não é ruim
    para ser considerada por esta nação,
  434. para muitas dessas indústrias refletirem.
  435. DB: Temos de garantir a essas pessoas

  436. que sejam tratadas como trabalhadores
    essenciais sem sacrificá-las.
  437. Evidentemente, isso não está
    limitado apenas aos EUA.
  438. GB: Certamente, não.

  439. Estamos vendo essas disparidades
    não apenas nos Estados Unidos,
  440. mas em outros países também.
  441. Isso tem a ver com raça e classe,
  442. e o tipo de trabalho,
    ocupação que você exerce.
  443. Sinceramente,
  444. deveríamos ter pensado nisso
    quando vimos as primeiras ocorrências
  445. mostradas na China,
  446. que pessoas com doenças crônicas
    tinham muito mais riscos
  447. e tiveram piores resultados de saúde.
  448. Teríamos acelerado
    nossas ações imediatamente,
  449. porque isso acontece com todas
    as novas doenças que chegam ao país.
  450. DB: Parece que muito disso
    remonta a esse potencial,

  451. não é um paradoxo,
  452. a saúde pública é um trabalho de todos,
    precisamos adotá-la.
  453. Na sua opinião, como é uma infraestrutura
    robusta de saúde pública?
  454. Como seria isso?
  455. GB: Sempre que uma ameaça à saúde
    surge em nossa comunidade,

  456. devemos ser capazes
    de identificá-la rapidamente,
  457. contê-la,
  458. mitigá-la, claro,
    e eliminá-la, se possível.
  459. Em seguida, adotar todas
    as medidas de proteção novamente.
  460. Isso significa ter uma boa equipe,
  461. uma entidade governamental
    de saúde pública bem treinada,
  462. assim como temos para polícia,
    bombeiros, emergência.
  463. Então, eles precisam
    ser bem pagos, ter bons recursos.
  464. Alguns de nossos rastreadores de contato
    são feitos com papel e caneta ainda.
  465. E enviamos esses dados
    a planilhas do Excel.
  466. Não, precisamos do mesmo tipo
    de tecnologia robusta
  467. que qualquer varejista on-line
    utiliza, seja na Amazon etc.
  468. Tomamos decisões baseados em dados
    analisados de dois anos atrás.
  469. Precisamos ser capazes
    de tomar decisões imediatas.
  470. A propósito, em Taiwan,
    que você mencionou anteriormente,
  471. lembro-me, quando estive lá,
  472. de acompanhar os dados oriundos
    de doenças infecciosas em tempo real,
  473. a partir do sistema eletrônico
    de registros médicos deles.
  474. Logo, podemos fazer também,
    a tecnologia existe.
  475. DB: Imagine.

  476. Uau, informações de saúde em tempo real,
    que diferença isso faria.
  477. Você acha que a tecnologia
    pode nos ajudar agora,
  478. seja pela colaboração da Google-Apple
    ou de alguma outra forma?
  479. GB: A tecnologia pode nos ajudar,
    mas não vai nos substituir.

  480. Não estamos nem perto de apenas nos sentar
  481. e ter nosso avatar eletrônico
    para trabalhar por nós.
  482. Mas a tecnologia pode
    superar nosso trabalho.
  483. Pode nos dar a consciência situacional.
  484. Informação em tempo real.
  485. Ela nos permite enviar informações
    de um ponto A ao B, para análise de dados.
  486. Isso nos ajuda a pensar melhor,
    e estamos fazendo esta modelagem.
  487. Possibilitando que outras pessoas
    verifiquem nossos números imediatamente.
  488. Pode acelerar nossa pesquisa.
  489. Mas precisamos investir, continuamente,
  490. porque a limitação é sempre
    a parte cruel da tecnologia.
  491. DB: Acho que o Chris está de volta
    com mais perguntas.

  492. CA: Sim, acho que estamos perto do fim,
    mas as perguntas continuam a chegar.

  493. Há uma questão da Neelay Bhatt:
  494. "Qual o papel que você vê
    dos parques, trilhas e espaços abertos
  495. no auxílio a objetivos maiores
    de saúde pública?"
  496. GB: Espaços verdes são essenciais,

  497. a possibilidade de sair,
    caminhar e se exercitar,
  498. ter calçadas acessíveis para a comunidade,
    ciclovias arborizadas a todas as idades,
  499. É bom para a nossa saúde física e mental.
  500. Sempre digo às pessoas
  501. que é um ótimo lugar para ir
    quando se está irritado.
  502. CA: Certamente.

  503. Temos aqui uma pergunta anônima.
  504. Sempre que possível, não fique anônimo,
  505. porque somos todos amigáveis,
    independentemente do que é dito.
  506. Vamos ver, mas é uma boa questão.
  507. "Muitos estão duvidando
    do que os especialistas estão dizendo.
  508. O que você acha eficaz para ajudá-los
    a duvidarem menos e confiarem mais?"
  509. GB: Fale a verdade.

  510. Se você comete um erro, reconheça
    e corrija-o imediatamente.
  511. Seja consistente.
  512. Não diga coisas estúpidas.
  513. Isso acontece com frequência.
  514. Uma das coisas mais interessantes,
  515. é que já passamos por isso
    com a discussão da máscara.
  516. A sabedoria tradicional dizia
    que só usassem máscaras os infectados,
  517. ou num ambiente de cuidados com a saúde
  518. em que há alto risco de contrair a doença.
  519. Mas então dissemos:
  520. "Não, não há problema
    se todos usarem a máscara".
  521. Isso porque aprendemos posteriormente,
  522. e se tornou mais factível na ciência,
  523. que tínhamos uma propagação
    dos assintomáticos.
  524. Mas não divulgamos isso muito bem.
  525. Dissemos: "Não, mudamos de ideia,
    todos podem usar a máscara",
  526. após dizer às pessoas para não usarem.
  527. Nós não dedicamos tempo suficiente
    explicando às pessoas o porquê.
  528. Então, perdemos a confiança.
  529. Precisamos melhorar nosso trabalho.
  530. Nossos líderes precisam ter muito cuidado
    com o que dizem, pois são influentes.
  531. A propósito, eu cometi erros,
    disse na TV coisas que estavam erradas,
  532. porque eu estava errado.
  533. Com muito esforço tentei corrigir
    o mais rápido possível.
  534. Todos nós erramos,
  535. mas é preciso ser forte o bastante
  536. e ter personalidade para dizer
    quando está errado e corrigir-se.
  537. Porque, no final das contas,
    uma vez perdida a confiança,
  538. você perde tudo.
  539. CA: Bem, se assim posso dizer,
    o modo como está se comunicando agora,

  540. para mim, gera muita confiança.
  541. Eu não sei qual fórmula mágica você tem,
    mas é muito atrativo escutá-lo.
  542. Muito obrigado por tudo.
  543. David, você tem alguma última questão?
  544. GB: Tenho cometido muitos erros.

  545. DB: Realmente foi um imenso prazer

  546. ter você aqui conosco e obrigado por tudo.
  547. Apenas uma última pergunta, se eu puder.
  548. Você faz isso há muito tempo,
    o que lhe dá esperança para o futuro?
  549. GB: Deixe-me dizer algo.

  550. A única coisa que me dá esperança
  551. é quando vejo as pessoas cuidando
    de seus amigos e familiares.
  552. Digo, festas de aniversário
    de passagem com o carro.
  553. Vi isso no noticiário hoje.
  554. Pessoas telefonando para seus amigos.
  555. Tive notícias de pessoas
    com quem não converso há anos,
  556. e me ligaram para dizer:
  557. "Não tenho falado contigo
    há muito tempo. Está tudo bem?"
  558. Portanto, façam mais isso.
  559. A confiança que temos tido um no outro,
    o amor que temos demonstrado,
  560. é simplesmente incrível,
    é isso que me dá esperança.
  561. DB: A humanidade vai vencer no final.

  562. GB: Sim.

  563. DB: Muito obrigado, Dr. Benjamin,
    pela sua participação

  564. e por compartilhar sua sabedoria.
  565. GB: Fico feliz em estar aqui.

  566. Estejam seguros vocês e seus familiares.

  567. DB: Obrigado, você também.