Portuguese 字幕

← Como o vídeo volumétrico traz uma nova dimensão ao cinema

获得嵌入代码
26种语言

Showing Revision 18 created 04/15/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Eu adoro fazer filmes.
  2. Os filmes têm já mais de cem anos.
  3. O cinema não mudou
    a sua mentalidade dimensional.
  4. Como posicionar a câmara numa cena
    e pressionar "gravar" não mudou.
  5. O cinema ainda é uma experiência direta,
  6. pois a criação do filme permite
  7. seguir no mesmo sentido
    da criação de conteúdo.
  8. Continuamos perante uma imagem plana,
  9. a observar a ficção.
  10. O que não tem nada de mal.

  11. Adoro ver filmes e ir ao cinema.
  12. Pode ser uma experiência
    muito emocional.
  13. A arte de criar experiências
    emocionais num só "frame"
  14. pode ser tão intensa que pode
    suscitar uma emoção mais forte.
  15. A questão que colocamos é:
  16. Como é que a experiência do filme
    pode transcender o ecrã plano.
  17. Como podemos começar a criar conteúdo
  18. para as audiências da próxima geração?
  19. Normalmente, quando imaginamos uma cena

  20. focamo-nos no "frame" e na composição.
  21. Temos de pensar numa forma
    de criar profundidade e paralaxe
  22. usando todos os elementos
    do cenário enquanto a câmara se move.
  23. Com a tecnologia atual
    e óculos de realidade virtual,
  24. óculos antirreflexo,
    dispositivos inteligentes,
  25. que permitem navegação
    a três dimensões no espaço.
  26. temos a capacidade de possibilitar
    às audiências
  27. desfrutar o conteúdo
    de múltiplas perspetivas.
  28. Temos de pensar como
    podemos usar esta tecnologia,
  29. todas as suas capacidades,
  30. e permitir que a experiência se mova
    ainda mais para o interior da cena.
  31. Não estamos a falar de videojogos
    ou atores gerados por computador,
  32. que são extremamente realistas.
  33. Estamos a falar de atores
    e "performances" reais,
  34. a atuarem num palco.
  35. Temos de pensar
    como podemos filmar os atores
  36. e como podemos filmar a cena real
  37. para que a imersão seja maior.
  38. Já todos conhecemos o vídeo em 360º,

  39. em que colocamos
    uma câmara no meio da cena
  40. e podemos criar uma bela
    imagem panorâmica à nossa volta,
  41. mas sempre da mesma perspetiva,
  42. o cinema continua frontal.
  43. Para a imersão ser total,
  44. temos de captar a luz
    de todos os ângulos possíveis.
  45. Temos de rodear a cena
    de uma quantidade enorme de sensores,
  46. com todas as capacidades
    possíveis para captar a luz
  47. e permitir-nos de seguida
    emergir novamente.
  48. Agora, com esta instalação,

  49. deixa de existir
    o primeiro plano ou o fundo
  50. ou uma câmara colocada no espaço
  51. mas sim centenas
    de sensores que captam a luz
  52. e captam o movimento
    de todas as direções possíveis.
  53. Com os novos avanços tecnológicos,
  54. podemos começar
    a olhar para a fotografia 3D,
  55. captar a luz de múltiplas perspetivas,
  56. o que nos permite reconstruir o objeto.
  57. Isto é como fotografia 3D mas no espaço.
  58. Com estes avanços tecnológicos,
  59. podemos gravar um vídeo não apenas
    como uma imagem plana
  60. mas como um volume.
  61. É o que chamamos de "vídeo volumétrico,"
  62. e tem a capacidade de gravar
    toda a ação de uma cena
  63. enquanto um volume de três dimensões.
  64. Agora, o que é um "voxel"?

  65. Um voxel é como se fosse
    um pixel em três dimensões,
  66. mas ao invés de uma imagem
    quadrada com luz e cor,
  67. é um cubo em três dimensões,
  68. com posições x, y e z,
  69. o que nos permite criar
    uma captação total da cena
  70. de qualquer perspetiva.
  71. Isto cria uma cena iluminada
    totalmente imersa na luz,
  72. de múltiplas perspetivas.
  73. Fazer isto requer processar
    uma quantidade enorme de informações.
  74. Temos de captar a luz
    com uma quantidade enorme de câmaras
  75. para criar essas informações.
  76. Para se fazer algo do género,

  77. temos de ter uma quantidade
    enorme de câmaras
  78. instaladas num palco,
  79. e num palco com dimensão suficiente
    para uma experiência cinemática completa.
  80. Sei que parece uma loucura
    mas foi exatamente o que fizemos,

  81. Nos últimos três anos,
  82. construímos uma cúpula enorme
    com câmaras volumétricas.
  83. São cerca de 1000 m2 de palco,
  84. o que nos permite captar
    a ação de qualquer local.
  85. Colocámos centenas de câmaras,
  86. que enviam uma quantidade
    tremenda de informações
  87. para um centro de dados suportado
    por supercomputadores da Intel.
  88. A capacidade de ter um palco
    com 1000 m2
  89. permite-nos realizar
    todo o tipo de ações,
  90. todo o tipo de "performances".
  91. É o tamanho médio de um palco da Broadway.
  92. Chamamos-lhe os Estúdios Intel,
  93. e é o maior palco volumétrico do mundo,
  94. com o objetivo de capacitar e explorar
  95. esta nova geração de cinema imersivo.
  96. Agora, para testar estas ideias,

  97. pensámos no que poderíamos fazer
    numa primeira cena experimental.
  98. Por isso optámos por uma cena "Western".
  99. Arranjámos cavalos, cenógrafos, poeira,
  100. tudo o que é necessário para criar
    uma cena típica de um "Western".
  101. Mas desta vez, não havia
    uma câmara dentro da cena.
  102. Nada se movia
    à exceção de todas as câmaras
  103. instaladas ao redor.
  104. O desafio para os atores foi tremendo.
  105. Tinham de ter uma "performance"
    sem falhas, visível de todos os ângulos.
  106. Não é possível esconder
    um soco ou ocultar a ação.
  107. Tudo é captado e tudo é visionado.
  108. O resultado desta nossa primeira captação

  109. abriu os nossos olhos
    para as imensas possibilidades.
  110. É como uma digitalização 3D
    de toda a cena.
  111. Somos capazes de nos movermos
    e viajarmos pela cena.
  112. O que se trata aqui
  113. é que já não se trata de interpretar
    a luz emitida de um ecrã
  114. mas sim de viajar dentro da luz.
  115. viajar dentro da cena.
  116. Isto abre obviamente muitas possibilidades
  117. ao nível das narrativas
    e metodologias de criação.
  118. São as possibilidades
    da nossa narrativa pessoal,
  119. a possibilidade de criar
    a nossa própria história,
  120. ou talvez assistir a outras histórias.
  121. Vamos assistir a uma das últimas versões.
  122. (Música)

  123. O que estão a ver é vídeo volumétrico,

  124. não há uma câmara física na cena.
  125. Temos o controlo total...

  126. do espaço e do tempo.

  127. Mais uma vez,
    não existe uma câmara física.

  128. Tudo foi captado por câmaras em redor.
  129. Isto é muito bom,

  130. mas e se quiséssemos ver
    a cena do ponto de vista do cavalo?
  131. Também é possível.
  132. (Cavalo a galope)

  133. O que estão a ver agora é a mesma ação,

  134. mas desta vez do ponto de vista do cavalo.
  135. As possibilidades são ilimitadas.
  136. (Aplausos)

  137. Obrigado.

  138. (Aplausos)

  139. Tudo isto é ótimo para os criadores
    e para os argumentistas.

  140. Abre uma enorme tela em branco
  141. para um tipo diferente
    de narrativas e realização.
  142. Mas e a audiência?
  143. Como pode isto ser diferenciado
    para a audiência?
  144. A fim de testarmos as nossas ideias,
  145. fizemos uma parceria
    com a Paramount Pictures
  146. para explorarmos os "media" imersivos
    numa produção de Hollywood.
  147. Juntamente com
    o realizador Randal Kleiser,
  148. recriámos o filme icónico de 1978,
  149. "Brilhantina."
  150. Alguns de vocês conhecem-no, outros não.
  151. Um filme com 40 anos,
    uma experiência fantástica .
  152. O nosso objetivo era perceber como
    podíamos pegar na icónica dança
  153. e aprofundá-la com esta experiência,
  154. aproximá-la mais da audiência.
  155. Imaginem que podem não apenas ver o filme
  156. mas estar lá dentro e dançar com os atores
  157. e acompanhar a "performance".
  158. Estamos a quebrar a barreira
    da mentalidade tradicional do 2D,
  159. e a trazer uma forma
    muito mais rica de fazer filmes
  160. e criar conteúdo.
  161. Mas porquê assistir num ecrã?

  162. Vamos tentar trazer estes atores
    aqui para o palco.
  163. Não vão estar aqui realmente.
  164. Vou usar um Ipad.
  165. (Risos)

  166. Desculpem.

  167. Vou usar um Ipad
    para criar uma realidade aumentada.

  168. Obviamente, estes aparelhos
    têm as suas limitações
  169. ao nível de processamento
    de dados computacionais,
  170. por isso temos de reduzir a resolução.
  171. É o que estou a fazer,
    vou colocar aqui um marcador,
  172. para poder indicar com exatião
    onde quero que todos apareçam.
  173. OK.
  174. Aqui estão eles.
  175. (Aplausos)

  176. John Travolta, ou...

  177. (Risos)

  178. uma versão dele.

  179. Vamos ver então.
  180. (Vídeo): Rapariga: Ei.

  181. Rapaz: E é assim que se faz.

  182. Rapariga: É a tua vez.

  183. Rapaz: Malta! Vejam isto.

  184. (Canção: "You´re the one that I want")

  185. Danny: Sandy!

  186. Sandy: Nem mais, borracho.

  187. ♪ Até tenho arrepios.
    E são cada vez mais.

  188. ♪ Estou a ficar descontrolada.

  189. ♪ A energia que libertas

  190. ♪ É eletrizante!

  191. (Fim do vídeo)

  192. (Aplausos)

  193. Diego Prilusky: Obrigado.

  194. (Aplausos)

  195. Como podem ver,

  196. podemos ver e viver conteúdo
    de uma forma tradicional
  197. ou de uma forma imersiva.
  198. É verdade, as possibilidades
    estão em aberto.
  199. Não estamos a tentar
    mudar ou substituir os filmes.
  200. Estamos a melhorá-los.
  201. A tecnologia permite a possibilidade
    de pensarmos para além de um ecrã plano.
  202. Vivemos tempos entusiasmantes
    e imersivos no cinema.
  203. Estamos no limiar de uma nova era.
  204. Estamos a abrir o portão
    a novas possibilidades
  205. de narrativas imersivas,
  206. à exploração e definição
    do que significa cinema imersivo.
  207. Estamos apenas no início,
  208. e convidamos-vos a todos
    a juntarem-se a nós.
  209. Obrigado.

  210. (Aplausos)