Return to Video

vimeo.com/.../433458154

  • 0:01 - 0:03
    Meu nome é Lydia X. Z. Brown,
  • 0:03 - 0:08
    e eu sou advogada, organizadora
    comunitária, educadora, estrategista,
  • 0:08 - 0:12
    e pensadora e escritora de direitos dos
    deficientes e justiça para deficientes.
  • 0:12 - 0:15
    Por mais de 10 anos, meu trabalho focou
  • 0:15 - 0:17
    na violência interpessoal e estatal
  • 0:17 - 0:19
    visando pessoas com deficiências
  • 0:19 - 0:21
    nas margens das margens, especialmente
  • 0:21 - 0:26
    com deficiência vivendo na interseção da
    deficiência, raça, classe, gênero,
  • 0:26 - 0:29
    sexualidade, idioma e nação.
  • 0:29 - 0:34
    Como qualquer pessoa com deficiência, é
    impossível dizer que houve um momento
  • 0:34 - 0:36
    no qual, do nada, me tornei ciente da
  • 0:36 - 0:40
    inacessibilidade ou das práticas
    excludentes na vida social,
  • 0:40 - 0:44
    porque minha vida inteira foi
    moldada pelas forças do capacitismo.
  • 0:44 - 0:47
    Como muitos outros autistas,
    eu sofri bullying
  • 0:47 - 0:50
    ao longo da minha infância e nas escolas,
  • 0:50 - 0:54
    e vivenciei uma desconexão entre a forma
    que eu trilhava o mundo
  • 0:54 - 0:58
    e a forma que as pessoas ao meu redor,
    que não eram autistas em sua maioria,
  • 0:58 - 0:59
    trilhavam o mundo.
  • 0:59 - 1:04
    Mas eu digo que uma das vezes em que
    me tornei mais ciente das
  • 1:04 - 1:08
    graves injustiças voltadas a outras
    pessoas com deficiência
  • 1:08 - 1:11
    foi com uma série de incidentes que foram
    amplamente publicados quando
  • 1:11 - 1:12
    eu estava no ensino médio.
  • 1:12 - 1:16
    E, em todos aqueles exemplos, jovens
    autistas eram criminalizados,
  • 1:16 - 1:21
    tirados de suas escolas, frequentemente
    acusados em tribunais criminais adultos,
  • 1:21 - 1:24
    por simplesmente existirem
    sendo autistas.
  • 1:24 - 1:27
    Na maioria daqueles casos, os estudantes
    autistas em questão
  • 1:27 - 1:32
    tinham sido submetidos à contenção e
    reclusão prolongadas, às vezes por horas,
  • 1:32 - 1:35
    antes mesmo de terem sido acusados por
    agredir professores
  • 1:35 - 1:37
    nas escolas para começo de conversa.
  • 1:37 - 1:39
    Alguns daqueles estudantes eram brancos.
  • 1:39 - 1:42
    Outros eram pretos, negros, ou outras
    pessoas de cor.
  • 1:42 - 1:48
    E, em todos aqueles casos, o sentimento
    que se propagou mais forte e claramente
  • 1:48 - 1:51
    através dos relatórios públicos
    sobre os incidentes,
  • 1:51 - 1:55
    foi que aquelas eram crianças que haviam
    sido tratadas e controladas, ao invés
  • 1:55 - 1:58
    de dizer que eram crianças que haviam sido
    alvo de discriminação
  • 1:58 - 2:01
    com base na deficiência.
  • 2:01 - 2:08
    E aquilo, para mim, foi só o começo de
    um claro indicador do quão penetrante
  • 2:08 - 2:13
    e quão horrível é a violência
    contra pessoas com deficiência,
  • 2:13 - 2:16
    principalmente aquelas que são
    pluralmente marginalizadas.
  • 2:16 - 2:21
    No caso de muitos estudantes brancos,
    se eles não tivessem sorte,
  • 2:21 - 2:23
    poderiam ser forçados a sair da escola.
  • 2:23 - 2:27
    Mas no caso dos estudantes com
    deficiência pretos e negros,
  • 2:27 - 2:31
    alguns eram condenados a anos de prisão.
  • 2:31 - 2:33
    Outros eram mortos imediatamente.
  • 2:33 - 2:36
    Embora a ADA (Lei dos Americanos
    com Deficiência) tenha sido
  • 2:36 - 2:37
    assinada como lei há três décadas,
  • 2:37 - 2:42
    agências do governo, organizações
    individuais e até mesmo
  • 2:42 - 2:48
    organizações de defesa de deficiência,
    evidentemente,
  • 2:48 - 2:53
    descaradamente violam as provisões
    mais básicas da ADA.
  • 2:53 - 2:57
    Agências do governo que são obrigadas a
    apoiar pessoas com deficiência
  • 2:57 - 3:01
    e fornecer e permitir acesso para elas,
  • 3:01 - 3:03
    normalmente negligenciam essas obrigações.
  • 3:03 - 3:07
    Empresas privadas e organizações
    sem fins lucrativos fazem o mesmo.
  • 3:07 - 3:11
    Faculdades e universidades não respeitam
    seus estudantes com deficiência.
  • 3:11 - 3:13
    Empresas não respeitam seus empregados
  • 3:13 - 3:14
    com deficiência
  • 3:14 - 3:17
    É claro que, na sociedade, embora a lei
    tenha mudado,
  • 3:17 - 3:21
    os valores que carregamos e as
    crenças que possuímos,
  • 3:21 - 3:24
    na sociedade como um todo,
    não mudaram em nada,
  • 3:24 - 3:26
    porque você não pode
    legislar moralidade.
  • 3:26 - 3:28
    Você pode ter as melhores
    leis nos livros,
  • 3:28 - 3:32
    e mesmo se você, de alguma forma,
    monitorá-las e forçá-las,
  • 3:32 - 3:36
    isso não significa que você mudou,
    de fato, o jeito que as pessoas pensam
  • 3:36 - 3:39
    e falam e entendem e reagem em relação
  • 3:39 - 3:43
    às pessoas com deficiência na sociedade.
  • 3:43 - 3:47
    Então, quando eu penso nas maneiras que a
    ADA falhou, não é necessariamente
  • 3:47 - 3:49
    quanto ao que é a linguagem da ADA,
  • 3:49 - 3:52
    mas sim como
    advogados individuais, como tribunais
  • 3:52 - 3:55
    e como aqueles com posições de poder
    e acesso a privilégios
  • 3:55 - 3:57
    e os acessos aos privilégios e recursos
  • 3:57 - 3:59
    escolhem agir ou não agir
  • 3:59 - 4:01
    de acordo com o ADA.
  • 4:01 - 4:03
    E você vê isso em todo lugar,
  • 4:03 - 4:05
    as organizações para deficientes que
  • 4:05 - 4:06
    possuem o maior acesso ao
  • 4:06 - 4:07
    poder,privilégios e recursos
  • 4:07 - 4:10
    geralmente defendem apenas os
  • 4:10 - 4:12
    interesses e problemas que afetam
  • 4:12 - 4:13
    aqueles que já possuem os maiores
  • 4:13 - 4:15
    privilégios na comunidade deficiente.
  • 4:15 - 4:17
    Ou seja, eles só se preocupam de verdade
  • 4:17 - 4:19
    com os problemas que principalmente,
  • 4:19 - 4:21
    ou apenas, afetam deficientes brancos,
  • 4:21 - 4:23
    ou ricos, ou formados ou qualquer outro
  • 4:23 - 4:24
    que de outra forma
  • 4:24 - 4:26
    é considerado aceitável.
  • 4:26 - 4:27
    Mas para pessoas deficientes
  • 4:27 - 4:29
    que estão nas margens das margens,
  • 4:29 - 4:30
    para os deficientes de cor,
  • 4:30 - 4:32
    para os deficientes de baixa renda,
  • 4:32 - 4:35
    para os deficientes não documentados ou
  • 4:35 - 4:38
    ou possuem status de imigração
    além da cidadania,
  • 4:38 - 4:40
    ou deficientes que fazem parte
  • 4:40 - 4:41
    de religiões minoritárias,
  • 4:41 - 4:44
    para deficientes queer ou trans,
  • 4:44 - 4:46
    para deficientes que não pode trabalhar
  • 4:46 - 4:47
    de acordo com o que
  • 4:47 - 4:49
    é esperado no capitalismo,
  • 4:49 - 4:50
    aquelas áreas problematicas de inclusão
  • 4:50 - 4:53
    nos locais de trabalho corporativo.
  • 4:53 - 4:55
    Ou conseguir ter acesso as
  • 4:55 - 4:57
    piscinas em um hotel,
  • 4:57 - 4:59
    ou conseguir
  • 4:59 - 5:02
    levar o seu animal guia no avião.
  • 5:02 - 5:03
    Pode ser importante!
  • 5:03 - 5:05
    Mas muitas vezes não afetam nossas vidas
  • 5:05 - 5:07
    da mesma forma que diariamente fazem
  • 5:07 - 5:08
    aqueles que têm infinitamente
  • 5:08 - 5:10
    mais privilégios.
  • 5:10 - 5:11
    E então,
  • 5:11 - 5:13
    eu vejo onde as lacunas estão
  • 5:13 - 5:15
    onde estão as pessoas que possuem poder,
  • 5:15 - 5:17
    privilégios, e recursos falando sobre
  • 5:17 - 5:18
    o direito aos deficientes
  • 5:18 - 5:20
    pretos e marrons estudantes do AAC?
  • 5:20 - 5:22
    Onde estão essas pessoas pensando sobre
  • 5:22 - 5:24
    a horrível violência infligida
  • 5:25 - 5:26
    em grande parte em pessoas negras
  • 5:26 - 5:28
    naturalmente incapazes
  • 5:28 - 5:29
    no sistema carcerário?
  • 5:29 - 5:30
    Onde estão essas pessoas?
  • 5:30 - 5:32
    E olhando pela maneira que a polícia
  • 5:32 - 5:34
    destroi vidas de profissionais do sexo
  • 5:34 - 5:36
    e pessoas que usam drogas criminalizadas
  • 5:36 - 5:38
    os quais não são brancos,
  • 5:38 - 5:39
    que não vieram
  • 5:39 - 5:41
    de familias da classe media ou alta
  • 5:41 - 5:43
    e vizinhanças e comunidades?
  • 5:43 - 5:45
    Onde estão essas pessoas
  • 5:45 - 5:46
    pensando sobre as maneiras que
  • 5:46 - 5:49
    as universidades não só impedem os alunos
  • 5:49 - 5:51
    deficientes no geral de ter acesso aos
  • 5:51 - 5:53
    recursos e acomodações?
  • 5:53 - 5:55
    Mas colocam o peso dessa violência,
  • 5:55 - 5:56
    predominante em deficientes
  • 5:56 - 5:58
    queer e trans negros
  • 5:58 - 6:00
    e até mesmo força os estudantes
  • 6:00 - 6:02
    deficientes, especialmente aqueles que
  • 6:02 - 6:04
    são multiplicamente marginalizados,sairem
  • 6:04 - 6:05
    da universidade completamente.
  • 6:05 - 6:07
    Ou impede que eles se quer perguntem
  • 6:07 - 6:09
    a universidade para começo de conversa?
  • 6:09 - 6:11
    Onde estão os advogados,
  • 6:11 - 6:13
    quando se pensa não só, em como as
  • 6:13 - 6:15
    pessoas deficientes nos Estados Unidos
  • 6:15 - 6:18
    representam ou não representam na mídia
  • 6:18 - 6:19
    ou nas políticas eleitorais,
  • 6:19 - 6:21
    mas sobre as maneiras pelas quais
  • 6:21 - 6:23
    os Estados Unidos infligem e causam
  • 6:23 - 6:24
    deficiência globalmente,
  • 6:24 - 6:25
    através dos nossos ouvidos,
  • 6:25 - 6:27
    pelo nosso imperialismo,
  • 6:27 - 6:28
    pela nossa colonização?
  • 6:29 - 6:31
    Nós precisamos nos esforçar
  • 6:31 - 6:33
    mais do que possivelmente conseguimos
  • 6:33 - 6:34
    para que o dinheiro
  • 6:34 - 6:36
    volte diretamente para as mãos
  • 6:36 - 6:37
    de membros da comunidade
  • 6:37 - 6:39
    diretamente impactados
  • 6:39 - 6:40
    e fora de sistemas prejudiciais
  • 6:40 - 6:42
    como o sistema de acolhimento,
  • 6:42 - 6:44
    polícia, prisões, cuidados coercitivos de
  • 6:44 - 6:45
    saúde mental.
  • 6:45 - 6:47
    Nós precisamos exigir
  • 6:47 - 6:49
    um retorno dos recursos
  • 6:49 - 6:50
    e um retorno de poder
  • 6:51 - 6:52
    e isso é uma cessão de poder
  • 6:52 - 6:54
    por pessoas não deficientes
  • 6:54 - 6:55
    por pessoas brancas
  • 6:55 - 6:58
    por aqueles que acumularam e controlaram
  • 6:58 - 7:01
    a maior montante de poder e privilégio
  • 7:01 - 7:03
    e recursos, e feito às custas diretas
  • 7:03 - 7:04
    de pessoas com deficiência
  • 7:04 - 7:06
    nas margens das margens,
  • 7:06 - 7:08
    e isso tem que começar dentro nas nossas
  • 7:08 - 7:09
    próprias organizações.
  • 7:09 - 7:11
    Organizações de deficiência sem fins
  • 7:11 - 7:12
    lucrativos são notados
  • 7:12 - 7:14
    por serem frequentemente liderados
  • 7:14 - 7:16
    por brancos, ou predominantemente brancos
  • 7:16 - 7:17
    ou as vezes por apenas brancos
  • 7:17 - 7:19
    por ser liderado por um homem,
  • 7:19 - 7:20
    por ser liderado por pessoas
  • 7:20 - 7:22
    sem nenhuma deficiência,
  • 7:22 - 7:23
    ou tem o que são consideradas
  • 7:23 - 7:25
    deficiências palatáveis.
  • 7:25 - 7:26
    E isso precisa mudar.
  • 7:26 - 7:28
    E a única maneira disso mudar, é se essas
  • 7:28 - 7:30
    pessoas que ocupam essas posições de poder
  • 7:30 - 7:32
    concordarem de abrir mão desse poder.
  • 7:32 - 7:35
    Não dizendo que : "Você não tem voz",
  • 7:35 - 7:36
    para ser deixar bem claro.
  • 7:36 - 7:39
    Mas dizer " Sua voz não precisa ser aquela
  • 7:39 - 7:41
    que está no comando e detém todo o poder."
标题:
vimeo.com/.../433458154
Video Language:
English
Team:
ABILITY Magazine
Duration:
07:42

Portuguese, Brazilian subtitles

修订 Compare revisions